Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quarta-feira, julho 03, 2019

Será que ainda sou deste mundo?





Comecei o dia muito cedo e sabia que a coisa não ia ser fácil. Mas foi ainda pior. Na sequência de uma outra faena que tinha sido também bem complexa, ia preparada para esgrimir argumentos num sentido. Acho que sou dura na queda e, se acredito numa coisa, defendo-a com convicção. Mas não ia preparada para mais um flic-flac da outra parte. Suponham, os meus Caros, que, por exemplo, eu fazia uma cuidada e equilibrada dieta mediterrânica e tinha pela frente um pançudo que comia quilos de bifes a escorrer sangue, carregados de molhos picantes e acompanhados de quilos de batatas fritas. Ia preparada para o esclarecer sobre os malefícios do seu regime. Contudo, ao sentar-se à minha frente, para minha surpresa, ele apresentava-se como vegan. Eu a ver que não mas ele, convictamente, a esgrimir argumentos opostos aos expectáveis, a dar-me, a mim, lições de boa alimentação. Desconcertada, sairia dali furiosa. E, dias depois, indo eu preparada para rebater as vantagens do regime vegan, apanho-o pela frente e agora já não é vegan mas adepto de um regime à base de ovos crus e vinho do Porto. Ou seja, uma conversa de surdos, divergente, uma conversa impossível, assente em coisa nenhuma. Assim foi. Um cansaço e uma deprimente perda de tempo.

E quando, depois disto, me preparava para um almoço descansado, ainda que breve, eis que desaba um problema, coisa na base do susto completo: a possibilidade do céu nos cair em cima da cabeça vista de perto. Declaração de situação de emergência, um grupo sem saber bem o que estava a acontecer -- mas que não era bom não era. E sem que quem talvez pudesse ajudar atendesse o telefone. Uns com o telemóvel no silêncio, outros com o telemóvel no bolso e, no restaurante, sem ouvirem.

Depois, finalmente, uma explicação, um grupo de crise montado, a resolução a caminho.

Um almoço a correr, entre telefonemas, mails e mensagens.

E logo de seguida outra reunião e mais situações e diferenças de pontos de vista e mais coisas e mais coisas e mais coisas e mais reuniões nos próximos passos.

E, ao sair, mais uma chusma de mails e recados e problemas e sei lá que mais. E uma constipação a caminho.

Ao chegar a casa, meio exaurida da cabeça e a sentir-me engripada, diz o meu marido: eu se fosse a ti não ficava por dormir como dormes, sem nada por cima, janela aberta: ligava a ventoinha e apontava bem às costas.

É que não apenas sou eu que durmo do lado da janela (aberta) como durmo sem patavina em cima. Ele, ao meu lado, tapa-se com lençol e manta (fininha mas manta). Volta e meia ainda tenta pôr-me uma perna por cima mas tem a perna tão a ferver que o enxoto logo, não suporto dormir com um tição em cima. No inverno, como também durmo com pouca roupa, sabe-me bem encostar-me a ele mas no verão é impossível. 

E, na volta, ele tem mesmo razão, é mesmo capaz de ser o frescor da madrugada, que chega com gritos de gaivotas, que me causou um resfriado. Anda incerto este tempo. Todos os dias, ao ver o tempo que faz no dia seguinte, vacilo entre preparar vestes estivais ou prudenciais.

Mas isto tudo para dizer que há dias complicados, com pouca coisa boa.

Valeu uma coisa: enquanto conduzia, uma reportagem sobre  ECT, tratamentos com electrochoques. Juraria que foi na Antena 2 mas agora, antes de escrever, fui confirmar e não encontro. Para mim, um tema surpreendente. Falavam pessoas bipolares, outras com depressão, um com esquizofrenia. E falavam psiquiatras. E eu ia a ouvir com muito interesse, com vontade de conhecer melhor esta realidade, com muita pena das pessoas que sofrem assim, muitas vezes sentindo-se estigmatizadas, muitas vezes sem compreenderem porque se sentem tão arrasadas.

Pensei numa rapariga que trabalha numa das empresas e que desliza pelos corredores, com ar alheado, muitas vezes como se estivesse à beira das lágrimas. Quando a vejo passar assim, como se não estivesse ali, tenho vontade de a puxar para o meu gabinete e pedir-lhe que me conte o que se passa. Mas não sou psicoterapeuta, receio não saber lidar com o que imagino ser uma situação muito pesada, um outro mundo, um mundo onde não deve ser nada fácil estar, onde não se entra como se de visita -- teria que saber ajudar e temo não saber. 

E agora, enquanto escrevo, está a dar a Prova Oral com o grande Alvim e está lá o Manuel João Vieira e eu simpatizo tanto com ele. No outro dia, eu ia a descer as escadas que mergulham num parque subterrâneo e, à minha frente, ia um homem grande, de físico pesado, chapéu de aba larga. Ao fim do segundo lance, ele entrou para o parque e, nessa viragem, eu, que continuei a descer porque tinha o carro num piso mais abaixo, vi-lhe o rosto: era o Manuel João. E eu, em silêncio, soltei uma exclamação: 'Ah! O Manuel João!' e tive mesmo vontade de ir atrás dele e dizer-lhe: 'Simpatizo imenso consigo'. Mas nunca fiz isso com ninguém, não ia estrear-me logo com ele. Seria embaraçoso para ele e para mim. A fazer alguma coisa, teria que fazer uma coisa lógica, à altura dele, não um elogio dito de forma meio irracional.

No programa está também a Fanny que fala de coisas que não são já bem do meu mundo, diz que faz stories para manter o número de seguidores, e eles, ali no programa, mostram uns pequenos vídeos onde ela faz toda a espécie de parvoíces. Dá ideia que quanto mais parvoíces fazem para postar no Insta mais gente os segue. E nem sei bem que espectáculo é aquele em que ela vai entrar com o José Castelo Branco, fala creio que em roast. Quando lhe perguntaram um momento especial de manifestação de apreço, se foi quando saíu de algum reality show, a Fanny contou que uma mulher pôs uma mama de fora e pediu para ela a autografar. Uma coisa assim talvez fosse à altura do Manuel João. Eu, de salto alto, muito comportada, e fazer-lhe uma destas. Contudo, acredito que ele, na verdade um cavalheiro, ajeitasse o chapéu para disfarçar alguma estupefecção, e, a seguir, talvez mostrasse alguma caridade, talvez me aconchegasse o decote, me pegasse pelo braço e, cautelosamente, me levasse até ao Júlio.


E agora que aqui estou a descansar, percorri as news e dei com outra coisa desconhecida, uma coisa que penso que, se calhar, também já não é do meu mundo. E já nem falo da parvalhona da Ivanka, boneca insuflada, filhinha de papai, levada a passear ao G20, um absurdo que nem o mais maluco se lembraria de inventar. Falo de outra coisa. Falo destas pessoas que aqui abaixo se vêem.

Lil Miquela, Noonoouri, Shudu... Le phénomène des influenceurs virtuels

Aliás, terei que aprofundar porque nem estou certa de ter percebido bem de que se trata. Influencers virtuais. Vi as fotografias e fiquei na dúvida se é gente, se é coisa. Posam, mostram-se com roupas, parece que vão para o exterior, umas stars. Mas leio que é virtual, tudo virtual. Se calhar o exterior também é virtual. Mas têm montes de seguidores e parece que, agora, isso é que importa. E há vídeos com elas. E as casas de moda recorrem a elas. Elas e eles. E eu olho e não percebo o que é aquilo que vejo, nem percebo que descaminho é este em que os humanos parecem que gostam de seres inexistentes que emulam os humanos. Tudo demasiado estranho.


Sinto-me como que incomodada, aquela sensação estranha de não saber bem onde estou. Na volta é aquilo da zona de conforto, ou seja, é capaz de ser caso para dizer que esta gente virtual me tira da minha zona de conforto.

Por isso, fujo.

Leio, então, sobre árvores e livros, sobre lágrimas e terra, sobre coisas de estimação, frágeis, sobre pernas cruzadas que lembram o verão e figos e Godot e o mar, sobre sabores e cores e outros momentos e pensamentos de gente de verdade -- e isso traz-me o meu mundo, um mundo afável, diverso, humano, um mundo com recantos onde é bom estar, que apetece descobrir ou imaginar.

E, de caminho, vou em busca da paz dos bosques, do som da água, do canto dos pássaros, da música tranquila, dos gelados feitos com frutas, flores, vagares e sons familiares e envoltos em harmonia.


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I always wanted,
       to return
to the body
       where I was born.


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As pinturas que intercalei no texto são de Yoo Youngkuk

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Desejo-vos um belo dia. Alegria e saúde. E amor.

terça-feira, julho 18, 2017

Quase tão baderneiro como o Gentil Martins só mesmo o meu queridíssimo Manuel João Vieira.


Dedicado a todos os que andam assanhados com Gentil Martins como se ele tivesse usado a última coca-cola do deserto e agora, por causa de tão imprudente acto, o mundo virasse uma imensa fogueira onde arderá a maioria dos portugueses -- que, como é sabido*, é constituída por homossexuais, sado-masoquistas ou gente que gosta de ter sexo com animais -- aqui deixo o meu mui apreciado Manuel João de quem gosto de me fazer acompanhar de cada vez que as freiras saem do convento feitas castigadoras, arrastando atrás de si hordas de beatas de chicote em punho.


Claro que, sendo este um blog familiar, tenho que sujeitá-lo a algum crivo não vá alguns leitores ficarem assarapantados com a inspirada lírica de algumas das suas composições.

Hoje trago-o para interpretar o nosso 'Amar pelos Dois'. Querido Manuel João, sempre tão fora da caixa.


[* Lendo a prosa indignada do coro de virgens contra a afirmação de que a homossexualidade é uma anomalia (repito: uma característica de uma minoria) sou levada a crer que ando com a minha leitura estatística virada do avesso. Pelos vistos, aquilo que aprendi sobre leis estatísticas, sobre o que é a norma ou sobre todos os conceitos que a Lógica ensina, o que está em minoria, na franja da distribuição estatística, é agora o que é normal. O que me safa é que não sou professora senão nem saberia o que ensinar. Agora os conceitos estatíscos parece que têm, antes de serem usados, que ser benzidos pela moral politicamente correctazinha. Bolas, bolas, bolas]

Amar Pelos Dois


Actuação de Manuel João Vieira e Charles Sangnoir na cerimónia de 2017 dos Monstos do Ano.





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É bom amar pelos dois. E pelos três. E por toda a gente do mundo.

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Be happy.

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terça-feira, junho 07, 2016

Paulo Portas na Mota-Engil
Mais do que um prémio, uma aposta no futuro?


Cheguei a casa depois das nove da noite, nem meia dúzia de passos tive energia para dar quando me vi em terra firme.

Foi no percurso para casa que ouvi isto de o Paulo Portas ir trabalhar para a Mota-Engil. Mas apanhei a notícia a meio e logo depois tive que fazer uma chamada.


Por isso, só agora que liguei o computador é que fui à procura das notícias. Logo à cabeça o ex-irrevogável de capacete na cabeça e sorriso lustroso. Por cima aquilo que transcrevi no título desta mensagem: Mais do que um prémio, uma aposta no futuro. 

Fiquei espantada com a franqueza (um prémio...?). Só a seguir é que reparei - e estou a falar a sério! - que esta frase pertence a um anúncio da NOS, ou seja, não tem a ver com a contratação do Paulinho.

Portanto, lá fui ler a notícia. Vai para o Conselho Internacional da Construtora Mota-Engil com a prioridade do mercado da América-Latina. 


Ou seja, é um lugarzinho que lhe permite continuar a fazer aquilo de que gosta, isto é, bater perna por aí, frequentando bons hotéis e etc. Para a Mota Engil é, de facto, uma aposta no futuro, já que, nestes mercados, ter sido ex-ministro é um bom cartão de visita. E sendo um ex-ministro de um país europeu, melhor ainda. Não interessa se sabe ou não fazer alguma coisa: interessa que tem contactos, que se mexe bem, que tem desenvoltura para negócios. Se fosse mazinha, coisa que manifestamente não sou, até poderia insinuar que, se calhar, até tem alguma experiência em fazer negócios nos quais algumas das práticas correntes na América Latina são o pão nosso de cada dia. 

Podia dizer coisas assim. 

Mas não vou dizer. Por um lado acho que um ex-ministro não é forçosamente alguém com sarna que tenha que ser mantido em isolamento e a pão e água e, por outro, acho que mais vale que viva dos seus rendimentos do que ande por aí aos caídos, batendo com a cabeça nas portas que já não consegue abrir
-- e, sim, refiro-me ao Pedro (o que abria todas as portas, o tal que, entre outros lapsos, se esqueceu de pagar a Segurança Social, esse songamonga que deu cabo do País enquanto mandava os jovens emigrar ou chamava piegas aos que ia maltratando) e a quem, obviamente, ninguém de bom senso oferece trabalho.

Portanto -- e não estando eu a dizer que acho recomendável esta forma de actuar -- neste mundo dos grandes negócios da construção civil, em especial nos da América Latina (ou África) em que muita manha, algum savoir faire e um sorriso pepsodente, artes de dançarino e outras habilidades que tais são uma mais-valia, não estranho nem acho mal que a Mota-Engil contrate o ex-irrevogável Paulo Portas.


Nem, conhecendo-se os gostos de Paulo Portas e, naturalmente, a sua vontade de ter um emprego e um bom ordenado, me espanta que tenha aceitado o convite da Mota-Engil ou da TVI. Em ambos os casos junta o útil ao agradável: por um lado irá ganhar bem e, por outro, pode passear à borla ou vender refrescos em forma de comentário televisivo.


Ou seja, parece-me que tudo bate certo e que todas as partes ficam ganhadoras. E se é certo de que quando alguém muito ganha, outro alguém muito perde, poderá questionar-se: quem é que, nesta história, perde?
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Poderia alvitrar mas, a sério, não me apetece pois isso levar-me-ia para outros quadrantes temáticos e estou a cair de sono.
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E, para não acabarmos em seco, sai uma musiquinha. Como verão, não tem nada a ver nem com o ex-Irrevogável Portas nem com nada do que acima se falou. Apenas gosto do Lello Perdido e esta é uma oportundade para o ouvir. Desbocado e maluco mas, enfim, com uma irreverência que me agrada. Com vossa licença, silêncio que se vai cantar o fado.

Ser Milionário





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desejo-vos, meus Caros Leitores, uma grande terça-feira.

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quarta-feira, maio 04, 2016

Cá estão eles outra vez, os meus queridos malucos


Há lá forma mais eficaz de seduzir uma mulher do que dizer-lhe poesia? E, melhor ainda, infalível, se for em francês -- aí haverá mulher que resista?

E o humor? Há lá também arma mais eficaz? Qual é a mulher que resiste ao humor?

E à maluquice?

E tudo junto: poesia + humor + maluquice? Há lá cocktail mais afrodisíaco?

Se calhar há. Se calhar as mulheres ajuizadas preferem outro género de cocktails, por exemplo: ter muita erudição + usar botões de punho + escrever um blog a armar-se em engraçado.

Mas não sei. Não estudei suficientemente o assunto para me poder pronunciar. Portanto, abrevio que isto não são horas para a metafísica e passo já aos meus queridos malucos.


Pedro Paixão fala de Poesia




(Ah. Já agora uma pergunta: a poesia é coisa para preguiçosos?)

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Traduzir sem rede. Editar à pressa. Emprestar o nome. Riscos, riscos, riscos. Risos.

Luiz Pacheco, o Tradutor




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A sopa ou a cultura?

Alberto Pimenta, Vítor Silva Tavares e o caldo verde



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João César Monteiro e a Comédia de Deus



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E, para terminar em beleza, o querido Candidato Vieira


Em férias


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É verdade: será que não há malucas? Só malucos?
Tenho que puxar pela cabeça: gostava de ter aqui malucas. 
Enfim... é certo que estou eu aqui que, no que se refere a maluquice, tenho para dar e vender...
Mas gostava de aqui ter outras. Será que não há malucas encartadas em Portugal? 
Só betinhas, atadinhas, amarguradinhas, azougadinhas, liricazinhas, tiazinhas, vizinhas? 
Malucas a sério só eu?! Bolas. Quero companhia.

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Ah... E não deixem de visitar os comentários aqui já abaixo. Dir-me-ão se não há ali um negócio apetecível...


terça-feira, abril 12, 2016

Mande-me, se faz favor, um PDF


Os meninos por vezes perguntavam o que é que eu fazia. Tentava explicar mas, para eles, era coisa intangível: reuniões, telefonemas, escrever no computador, mandar e receber mails, visitas. Cenas que mais parecem uma brincadeira do que um trabalho. Pois. Mas é tanto pepino que uma pessoa se esvai e nem dá pela brincadeira. São macacos uns a seguir aos outros, todo o santo dia com macacos encavalitados em mim. 
Dantes era o pepino. Agora a moda é falar no macaco. Ah e tal, lamento, não te quero maçar mas tenho aqui um macaco para ti. Ou então, Olha, só por causa disso já vou é atirar o macaco para trás das costas. Ou Estou para aqui sem saber como dar conta disto, tamanho o macaco que me puseram ao colo.
Agora por macacos, até me estou a lembrar daquela que nem sei se já não contei aqui. Conto na mesma. Um colega nosso da fama não se livrava. Entre eles, homens-machos, referiam-se ao outro como a Claudette ou, então, como a concièrge, 'amiga' do leva e traz. Uma vez, numa reunião em que ele não estava, todos com risinhos e a falarem no Horácio. E eu, pelo tom, já a ver que naquele mato havia coelho. Quem é o Horácio?, perguntei. Risotas. Diz um, o mais afoito: 'A si conto-lhe tudo mas esta não dá.' Deve ter visto a minha cara decepcionada porque, logo de seguida, resolveu levantar o véu, mas só um bocadinho 'Só lhe digo que o Horácio é um macaco'. Risota dos outros. E ele 'E que a sua amiga ia gostar'. Vi logo tudo. A minha amiga era o nosso colega, era assim que eles se referiam ao outro quando falavam comigo. Tudo desmanchado a rir, uma galhofa. Não adiantaram mais e acho que nem era preciso. Contei à minha filha. A partir daí passou a tratar por Horácio um tal com quem o outro se dava muito.

Bem. Adiante.

Macacadas à parte, agora que a estopada-mor -- aquela coisa que só serve para arranjar chatices, para causar agonias e ataques de nervos entre pessoas cujo santo não cruza -- já está meio esfolada, sem um minuto de intervalo para poder pôr esse big chimpanzé para trás das costas, já estou atolada até ao pescoço noutra. 
E é pdf para aqui, ppt para ali, e pdf de novo, e mais outro pdf. 
E eu, a olhar pela janela enquanto uns raios de luz assomavam por entre a bátega de chuva, só me apetecia ir ao zoo, buscar meia dúzia deles de verdade e largá-los por ali. Acho que há coisas em que a metáfora fica a perder. Macacos a sério é que era mesmo, de preferência com gostos como o do célebre Horácio. A ver se depois alguém ainda se lembrava de andar a massacrar com pdf's.

Ena Pá 2000 - PDF



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quinta-feira, abril 07, 2016

E para a Marilú -- com a sua Ética de estimação, o seu lugar de deputada como biscate no intervalo da Arrow, o Banif que empurrou com a barriga, e o seu narizinho de pequena pinóquia -- não vai nada, nada, nada...?
Não. Era o que mais me faltava.
Não é por nada mas prefiro o Lulu.
Com vossa licença, que entre o meu amigo Manuel João.



Cheguei tão tarde a casa, tão tarde. Sento-me à mesa, cansada, ligo a televisão e lá estava a descarada, sempre com aquele risinho que tenta passar por faceiro, toda ela de narizinho empinado, toda feita fofinha, sempre com a resposta na ponta da língua -- e tanta mentirosa que eu conheci tal e qual assim -- sem ética nem moral, a displicência de quem sabe que nunca se vai dar por vencida porque aos outros tolhe-os a vergonha da frontalidade e aos descarados de alto calibre nada os tolhe.

Com o à vontade de quem se habituou a dizer e a fazer o que quer, ali estava ela, pimpona, lampeira.

Durou um minuto, se tanto, que logo de seguida se desligou a televisão. Não se aguenta ter uma desavergonhada destas, que tanto mal fez ao país e que agora, oportunista e provocadora, ali anda ganhando em dois carrinhos e fresca como se ainda lhe sobrasse tempo.

Agora, aqui chegada, sem saber de nada do que aconteceu durante o dia e cheia de sono, penso se não deveria mostrar a repulsa que sinto sobre tão manipuladora figura. Mas não. Não vou desperdiçar estes momentos da minha vida a falar de uma qualquer que por aí anda.

Fui então em busca de alguém que me desse vontade de rir. Ah, como são generosas as pessoas que nos fazem rir.
O Manuel João é cá dos meus, um ganda maluco. E deve ser uma boa pessoa. 
Como será na sua vida quotidiana? Divertido ou ensimesmado? Por acaso gostava de saber. Deve ser generoso, desinteressado, incapaz de prejudicar alguém. assim, pelo menos, o imagino eu.
Mas, então, dizia eu, chamei por ele e ele veio para me fazer rir. Thanks a lot, my good friend.

Lulu -- Ena Pá 2000


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As fotografias não têm nada a ver com o texto, como é bom de ver. Mostram a russa Katichka que gosta muito do seu lindo gato e, para provar a sua estima, fez um corte de cabelo que contempla a carinha do seu amiguinho. Além disso, usa o cabelo mais ou menos da cor do cabelo das partenaires do Manuel João e isto, como se sabe, anda tudo ligado. E desta forma podem comprovar como, para mim, até a querida Katichka é mais merecedora da minha boa atenção do que a cínica da Marilú.

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sábado, abril 02, 2016

Breve antologia de malucos
- ou umas quantas maluqueiras de antologia


Bem. Agora que já falei de, por pura distracção -- e logo no dia em que avantesma reapareceu travestida de assombração laranja -- ter passado ao lado do Dia das Mentiras, mas em que, nem de propósito, vivi um fantástico Dia dos Prodígios, resolvi dar mais uma volta pela net.

Antes, estava numa de tentar parecer vagamente erudita e já me tinha municiado com uns ensaios dantescos e até já tinha aqui uns coros a condizer, uma toda vestida de preto, da cabeça aos pés, numa igreja com aspecto sinistro, mais umas outras que tais ao fundo, todas a cantarem numa língua que não entendo (o que não é de estranhar já que pouca coisa entendo) mas que eu ia fazer de conta que percebia muito bem. Só que a natureza tem mais força. Bocejo, bocejo, bocejo. Portanto, como estou cheia de sono, resolvi que essa aventura fica para outro dia e que hoje nem meto o pé nos ensaios, que me fico pelos jornais online, pelos blogues. E, enquanto estava nisto, surprise, surprise, não é que dei com um outro prodígio...? A sério. E mais um daqueles de gargalhada.

E, talvez por isso, ocorreu-me fazer um post sobre malucos. Como é de todos sabido e consabido, há-os de toda a espécie e feitio. Os encartados, os engraçados, os tresloucados, os simplesmente parvalhões, os que mantêm a elegância, os que não têm jeito e se atiram para fora de pé -- há de tudo.

Ao escrever isto, apetece-me logo partir aqui para uma antologia. Podia pensar num âmbito alargado e transcrever excertos ou colocar links para a vasta amostragem que rapidamente colheria pela blogosfera. Mas não, há por aí muita fancaria, teria que perder algum tempo com avaliações para apenas aqui trazer malucos de qualidade. Por isso, não vai ser assim. 

Vai ser uma coisa na base da 'consulta directa': ocorre-me uma meia dúzia de nomes, portugueses, homens e ligados aos meios artísticos (em sentido lato), e desses é que vou buscar uma amostra. Com tempo a ver se alargo a amostragem, que malucos é o que não falta.

Aviso: não é de espantar nem deve ofender a linguagem algo libertina e desprovida de auto-censura que se encontra nos vídeos que selecconei (afinal são malucos, digamos assim). Contudo, por prudência, as almas sensíveis deverão abster-se e saltar directamente para o post seguinte.

Ora, então, vamos lá. Pedro, Miguel, Manuel, Mário, Luíz, João. A ordem é aleatória. Cada um que escolha o seu maluco preferido.

1. Pedro

Uma mulher e uma pistola


Pedro Paixão fala com Nuno Markl

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2. Miguel

Amores e saudades de um português arreliado


Miguel Esteves Cardoso fala com José Adelino Faria

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3. Manuel João

New in Town


Manuel João Vieira e uma entrevista de vida


4. Mário

Um pouco mais de sol


Mário Cesariny diz um poema
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5. Luiz

O Libertino


Luiz Pacheco, um querido muito cá de casa

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6. João Vuvu

Vai e vem
(lição com bolinha vermelha)


João Vuvu esclarece a uma amiga de longa data, em detalhe, como se pratica o Broche Chinês e, de seguida, contextualiza politicamente esta "tecnologia de ponta".

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(a continuar)
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Dado o adiantado da hora e o meu estado de sono absoluto, vou retirar-me. Queiram, por favor, continuar a descer que há não apenas se fala da pesca a amejua na tia doalvor como de outras aparições.

quinta-feira, novembro 12, 2015

Enquanto o Cavaco anda, no sossego do lar, a ensaiar engolir sapos sem sedação e sem dar estrilho, e enquanto, nas calminhas, vai ouvindo um e outro a ver se empata a coisa, o Marcelo resolve fazer das dele e começou já a ouvir os parceiros e mais não sei o quê, nem sei se não vai convocar, ele, o Conselho de Estado. Entretanto, nas televisões há duelos a toda a hora entre os que acham que ainda bem e os outros que ainda não conseguem encarar a realidade e que destilam ódio, sofrimento e raivinhas


No post abaixo voei nas asas de mulheres que as têem a nascer-lhes nas costas ou nas mãos ou nos pés ou na voz ou na alma. Enquanto voava, estava, como ainda estou, a ouvir a televisão -- e tenho ouvido coisas do além. 

Agora estou a ouvir um debate por acaso interessante. Jorge Reis Novais, constitucionalista, está a dar um baile, mas um senhor baile, a um tal Tiago Duarte, parece que do mesmo ramo, (um daqueles em que o fácies não engana), um passarinho que, desasado, anda para ali a rodopiar e a pipilar face à argumentação sustentada e credível do primeiro.


Mas antes deste debate em que até aprendi com o Jorge Reis Novais, um homem que gosto de ouvir (é objectivo, claro, contido), o que já para aqui ouvi. Os pafiosos estão de cabeça perdida, agressivos, desatinados, parece que ainda não perceberam que, em democracia, as coisas funcionam assim, por votação. 

Agora, por exemplo, no noticiário, tenho na televisão o Portas: completamente desbragado, provocador. 

Esta gente parece que saíu de um outro regime qualquer, não de um regime democrático. 

Estão ameaçadores, quase a tenderem para o arruaceiro. E azeiteiros de má figura - é que, alguns, nem é parecerem uns marialvas desqualificados é, mesmo, não passarem de uns arrojas saídos do antigamente ou lá o que é. 


Ou o mau perder lhes passa quando assimilarem o que lhes aconteceu ou isto vai ser bonito, vai, trauliteirices a toda a hora. 

Ao Portas, então, parece que encarnou nele, outra vez, o espírito do Indy: todo ele é sound bites, parangonas, e dali só saem termos vulgares a tender até para o ordinário. Ainda agora gozava alarvemente com o fraco aumento das pensões, referindo-se a isso como sendo uma medida da geringonça. Foi este sujeito, que assim linguareja, vice-primeiro ministro do meu País? Custa a crer.


Ai! Então não é que agora estou a ver o Paulo Rangel, franzino e mal encarado, a lavar roupa suja no Parlamento Europeu...? Não posso crer no que estou a ver... Então foi para ali fazer queixinhas feito menino enfezado e birrento...? Que vergonha. 


É certo que a Marisa Matias e a Elisa Ferreira (esta falando em inglês, para toda a gente perceber bem) lhe deram uns valentes puxões de orelhas mas, caraças, fica a má impressão. 


Como é que do valoroso povo português sai gentinha desclassificada desta boa maneira? Que figurinha mais triste que aquele sujeitinho ali fez, credo. Alguém proiba aquele mal encarado de falar em público, se faz favor...!

E agora ouço que o Cavaco prossegue com a sua agendazinha, ora vai aqui, ora ali, ora vai almoçar, depois deve ir fazer a sesta com a sua Maria, esta quarta lá fez o frete de receber o Ferro, esta quinta vai falar com parceiros, e por aí anda, na boazinha, nas calminhas. Deve andar a engendrar forma de se livrar desta à papo-seco, sem indigitar o Costa, quiçá que a Nossa Senhora lhe apareça na sala e lhe faça um milagre. Isto só visto.

Enquanto isso, na prática, o País está, desde antes das eleições, sem Governo.
É certo que mais vale estar sem governo do que com o láparo a fazer das dele. Mas o pior é que o País não se compadece com um dolce fare niente destes. É que os pafientos, com a bênção do Cavaco, nem dançam nem saem da pista. 
A equipa dos orçamentos de Bruxelas está piursa, querem fazer as contas e falta-lhes o orçamento português. E daqui nem vai orçamento nem o Cavaco se sente com pressa em resolver o assunto. Ou seja, e dizendo de outra maneira: com esta tropa a descomandar o País, nem o pai morre nem a malta come a sopa. 

Não sei se é por causa das tosses, ouço que o Marcelo já anda, ele também, a fazer uma ronda de audições, até o vi a dar música àquele insuportável da UGT, agora nem me lembro do nome - Carlos qualquer coisa, acho eu.
Quando o Proença se foi embora, pensei que este ia ser melhor (também não era preciso muito) mas, afinal, vou ali e já venho: que sujeito mentalmente mais balofo, senhores. 
Mas dizia eu que o Marcelo anda numa fona - não sei se acha que, se o Cavaco fraquejar, alguém o chama a ele como presidente suplente. Age e fala como se já estivesse em funções ou mesmo à beirinha disso.

E agora vejo na televisão também a Maria de Belém - toda cautelinhas, toda ela bonequinha bem comportadinha, nem sim, nem sopas, antes pelo contrário: uma princesinha. Ao menos o Nóvoa e o Padre Edgar falam claro, pão pão, queijo, queijo, que empossariam o Costa, pois é claro.

Mas isto de candidatos está bonito, está. O melhor ainda é o Candidato Vieira. Com ele na presidência, não havia paf que levantasse cabelo. Mal o tentasse levava logo uma desanda à boae saudável maneira Vieirã.


Para quem o queira conhecer melhor, aqui deixo uma entrevista de vida ao grande Manuel João. 
Este, sim, é cá dos meus: um ganda maluco.

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Ora bolas! Estive a ver e ouvir tanta treta e agora li que o Mário Centeno esteve a dar uma entrevista ao Vítor Gonçalves. Como é que não vi? Chatice. Gostava de ter visto, gosto dele. É outra coisa. Para além de ser fofinho, ar de boa gente, é uma pessoa normal. Percebe-se o que diz, fala linguagem de gente e, apesar de lidar com números, não se esqueceu que isto da economia e finanças só faz sentido se as pessoas entrarem na equação. Parece pouco mas, parecendo que não, faz toda a diferença.


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As fotografias en rose sobre um céu in blue não têm nada a ver. São da autoria de Gaile Martinenaite e achei que tinham piada.

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E agora, se me permitem, deixem-se deslizar por aí abaixo para ver se conseguem boleia nas asas de alguma mulher.


quarta-feira, outubro 28, 2015

Os novos ministros e os novos ministérios: quem é quem naquela que seria a equipa de sonho do próximo governo de Passos Coelho


No post abaixo já falei de Luaty Beirão, de José Sócrates e de quem se sentiu incomodado por José Sócrates ter pronunciado o nome do activista angolano - que entretanto, felizmente, já interrompeu a greve de fome -  como foi o caso de Daniel Oliveira ou do Embaixador Seixas da Costa.





Aqui, agora, a conversa é outra. Está por dias a tomada de posse do segundo governo de Passos Coelho e eu estou animada pois tenho a certeza que vai ser menos nocivo que o anterior. Mal posso esperar que tenha lugar a tomada de posse, estou desejando de ver aquela 'cena' dos cumprimentos, toda a gente em filinha de pirilau para dar os parabéns aos garbosos empossados. Estou também em felgas para os ver a apresentarem e a defenderem, no parlamento, o seu maravilhoso programa. Acho que vai ser ser um momento lindo. 

Entretanto, as minhas fontes, sempre muito bem desinformadas, dão-me conta de que as vicissitudes inerentes às actuais circunstâncias, impediram a concretização do que seria a dream team lapariana. Não o conseguiu, contudo, pelo que, coitado, teve que se ficar pelos pafientos do costume. De qualquer forma, com as devidas reservas e naturalmente sob sigilo, a vocês, e só a vocês, digo-vos o que as minhas fontes me contaram que Passos Coelho verdadeiramente queria.

Vice-Primeiro Ministro que acumula com o Ministério dos Vistos Gold e da Inside Information: Marques Mendes

Ministro da Justiça: Marco António Costa

Ministro da Educação e dos Romances Históricos: José Rodrigues dos Santos

Ministra da Cultura e dos Galos de Crochet: Joana Vasconcelos

Ministro da Reforma Agrária: António Barreto

Ministro da Saúde: Maria Helena (a taróloga que já dá consultas na SIC)

Ministra das Peixeiras: Assunção Cristas

Ministro das Putativas Finanças : José Gomes Ferreira

Ministro da Economia, da Motivação, dos Carros Janados e do Empreendedorismo: Miguel Gonçalves Bate-Punho

Ministro dos Assaltos à Segurança Social: Zé Pilha Galinhas

Ministro do Twitter e da Coutada Alemã dos Machos Latinos: Bruno Maçães

Ministros dos Papagaios Televisivos e Plurais: a dupla Maria João Avillez & Joaquim Aguiar

Ministro das Fotocópias, das Milhas de Avião e das Incursões Imobiliárias Nocturnas: Paulo Portas (disse que cedia o lugar de vice e o láparo aproveitou, ora não: agora é um simples ministro sem vice)

Ministro das Redes Sociais, dos Coros Infantis e do Ódio a Sócrates: a dupla João Miguel Tavares & Sofia Vala Rocha

Ministro das Forças Armadas: Cátia Palhinha (as tropas estão com inveja da GNR que já não passam sem um belo pernão bem ao léu quando lhes passam revista)


Ou seja, seria, sem dúvida, um grande governo. Nunca esperei que daquela cabeça saísse tão bem enquadrada ideia. Consta que, em Belém, o  Cavaco, a sua esposa Maria, o comendador costureiro e a fadista privativa estavam em delírio: amavam, amavam, amavam este elenco.
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Consta também que, para parecerem moderninhos e não ficarem atrás do Bush, do Obama e do Cameron, todos os ministros do novo governo de Passos Coelho se passarão a apresentar de rabichinho no alto da cabeça. Isto os homens, claro. Elas parece que irão com extensões pafianamente coloridas até ao rabo, lindas, poderosas.
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Lá em cima, para abrilhantar a festa, o João Manuel Vieira com os Irmãos Catita interpretam 'Eu vou', canção que, ao que se diz, o Láparo costuma cantar a toda a hora.
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E, por agora, fico-me por aqui.
Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma quarta-feira bem divertida.

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sábado, outubro 10, 2015

Ó Prof. Marcelo, olhe que o último a dizer que queria pagar ao País o que o País lhe tinha dado, não se deu nada bem. Falhou em tudo e acabou por se demitir. Foi o colossal Vítor Gaspar que, depois de ter não ter percebido porque é que a receita aqui lhe corria tão mal, foi experimentar para outras bandas

E um planeta com um céu azul para quem quiser estar mais perto de mim.


Não posso fazer de conta que ando muito bem informada porque não ando. Os meus dias têm sido marados de todo, e o que sei é o que ouço no carro ou, agora, numa espreitadela à pressão depois de ter chegado a casa depois da meia-noite (cineminha, meus Caros, e o bem que me soube O Estagiário...).




Mas basta-me ter visto o título das notícias para achar que o Marcelo das Vichyssoises virtuais não está a começar bem.

Diz que está disposto a servir como presidente para pagar dívida a Portugal. Mas daqui eu lhe digo: se o País lhe deu muito, acho que ficamos assim, a malta é desinteressada, a malta não está à espera de retribuição, fique lá o que lhe demos, senhor.


Depois de, compulsivamente durante anos, fazer intrigas, depois de manipular tudo o que lhe ocorre, seja por uma causa, seja só porque sim, de falar de livros da treta à mistura com livros bons, de colectividades de beira de estrada à mistura com coisas sérias, augurar resultados eleitorais e se deitar a fazer palpites para jogos de futebol, fazer propaganda a telenovelas, aparecer em capas de revistas a fazer de conta que anda a paqueirar a Judite, a dar entrevistas à Cristina Ferreira ou a fazer ele entrevistas já nem me lembro a quem (seria ao Ronaldo?) ou a meter conversa com quem quer que lhe apareça com um microfone à frente, eis que, depois de andar há um ano a bater perna pelo país a fazer pré-campanha, aí o temos, finalmente, a cumprir o sonho de uma vida: ser candidato presidencial.

Já antes tinha tentado ser presidente da Câmara e espalhou-se ao comprido, já tinha tentado estar à frente do PSD e pouco tempo lá se aguentou. Nos comentários falava dessa sua experiência como líder da oposição como se tivesse sido coisa de décadas: qual quê, pouco tempo, uma aventura, só peripécias, tendo saído pela porta baixa como um vulgar mentiroso. Parece que é bom como professor e tem graça como entertainer. Tirando disso, não se tem dado bem*. 

É certo que, ao fim de tantos anos, todas as semanas na televisão, o povo já se lhe afeiçoou. É como o cão da minha vizinha, vejo-o sempre aqui na rua, um cão simpático, parece que já me afeiçoei ao bicho. Mas será que vejo o cão da minha vizinha como o sucessor do tal das cagarras? Não sei. Não digo que não. Só digo que não sei. É que para ser melhor que o tal das cagarras não é preciso muito mas, ainda assim, teremos mesmo que deixar qualquer um entrar em Belém? Não sei.

Digo isto sem ser capaz de dizer qual me pareceria na mouche. O Nóvoa é um querido, um intelectual despojado, um idealista, mas ainda não me convenceu. Da Mariazinha de Belém também não me chegam bons presságios, não me convence, acho-a muito seguradinha. Não sei. A coisa não está famosa. Mas o Prof. Marcelo não me parece. Acho que mal, por mal, mais vale deixar-se estar ali no renhonhó com a Judite.

Até ver, o meu voto ia era para o Candidato Vieira. 
Vai Vieira, avança! Estou contigo!



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As imagens são do extraordinário We Have Kaos in the Garden.


* - Chamo a vossa atenção para o comentário já aqui abaixo do Leitor Fernando Ribeiro no qual ele fala justamente dos feitos e desfeitos do Professor Marcelo.

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É tarde e eu, para variar, estou cansada. Mas não quero ir sem uma palavra mais pessoal.
Por isso, com vossa licença. mudo de registo, agora.


Quando se escreve aqui sem saber quem está aí desse lado, não se sabe se alguém recebe isto como sendo para si, em especial. Eu gostava de saber escrever de forma a que cada um de vós sentisse que as minhas palavras lhe eram destinadas. Mesmo que nem todos sentissem, que ao menos alguns sentissem. Ou, pelo menos, que uma pessoa, uma única, sentisse. Mas não sabemos, escrevemos como se soltássemos sonhos no ar, palavras aladas cruzando um céu infinito e, em segredo, desejamos que elas pousem no coração de alguém, que floresçam, que lá criem raízes, as nossas palavras a perfumarem de afecto o coração de alguém especial. 
E, hoje, é a pensar que ao menos um pessoa sentirá que é para ela que aqui venho, tão tarde -- e que escolho a música, a imagem -- que vou ao céu buscar um pequeno planeta. 
Este é um planeta que esconde gelos e véus, grutas e outras vidas, mas que se veste de azul de propósito para os poetas amorosos que embalam recordações boas não esqueçam o dia de céu azul em que, numa varanda florida, sob árvores suspensas, desceu ao seu encontro alguém que trazia sorrisos e silêncios, carinhos, surpresas no olhar. É para tocar o coração desse alguém que aí está desse lado que aqui estou. 
Não sei de que partículas é feita a atmosfera deste pequeno planeta, uma atmosfera talhada em mistérios e palavras azuis, não sei de Cinturas de Kuiper, nem consigo pegar nas minhas mãos para agora depositar nas vossas nem Éris nem Ixion, sequer Varuna, mas posso, sim, posso, trazer-vos este que aqui vos mostro, simples como eu gosto de pensar que sou, distante como sei que sou, cercado de azul como gostava que me imaginassem - e pedir-vos que o guardem convosco, num recanto secreto da vossa vida. 
Quando o virem, saberão que nele estarei eu, convosco, tão perto de vós, aqui tão perto de vós, tão perto que talvez consigam sentir a minha respiração azul.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado.

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quarta-feira, outubro 07, 2015

O discurso do Cavaco? Ora abóbora.


Não gosto de sair tarde, não gosto de passar os dias inteiros enfiada na empresa, de manhã à noite, detesto não poder fazer a minha caminhada pela beira do rio. Mas as coisas são o que são e faço minhas as minhas palavras quando, aos que se queixam de muito trabalho, digo, feita sonsa, que mais vale muito trabalho do que nenhum trabalho. É verdade mas é uma parvoíce pôr as coisas assim, em confronto. Enfim.

Adiante que não consigo, sequer, falar de coisas sérias. O facto é que chego a esta hora com uma leve dor de cabeça, a pensar no que me espera amanhã, sabendo que vai ser a mesma coisa - e a lamentar já não estar com cabeça para grandes aventuras aqui junto de vós, meus Caros.

Bem. Já chega de queixinhas.


Vinha eu no carro quando ouvi o mister. Não fala tão mal como o outro nem anda de cabelo pintado, nuançado e alvoreado mas são, ambos, personagens que exercem sobre mim o mesmo sentimento de rejeição. De rejeição e de incredulidade - penso sempre o mesmo: como é possível...?!
Se ele lesse isto, amigo que é de dinheiro como macaco por banana, era capaz de dizer que tomara ele ganhar os milhões que ganha o outro.
Mas, enfim, não é de miudezas dessas que vou falar.

Dizia ele, lá na sua, que se alguém pensa que vai ele formar governo está muito enganado: é o vais! Acho que, no fundo, foi só isso que retive. Isso e, ó surpresa, que tinha convidado o Láparo para continuar a escaqueirar o país. Bem, acho que não foi bem isso que ele disse: acho que disse que pediu ao outro para arranjar uma cena qualquer com que ele não tivesse com que se ralar até ir com a sua Maria para onde ninguém lhe moa a paciência. Basicamente, acho que foi isto.

Depois, chegada a casa, ouvi uns quantos comentadores, desses que já se confundem com a mobília, a falar de compromissos, a falar do que os assessores do dito escreveram sobre como fazem na Suécia e nesses países onde a gente é alta, loura e feliz e, também, a contar-nos o que eles fizeram quando eram ainda mais pequeninos e faziam parte de governos. Como se alguém quisesse saber disso para alguma coisa.

Por acaso, por acaso, agora o marroquino cá de casa (qual sueco, qual carapuça!), ao fazer zapping, foi parar à RTP 3 e está o Peres Metelo a conversar com o Borges de Macedo, o Teixeira dos Santos e o Ricardo Paes Mamede e estou a gostar. Interessante. Gente sabedora, que se sabe fazer entender.

Eu, se estivesse de cabecinha fresca, ainda tecia para aqui umas considerações a propósito deste nosso triste país de mansinhos do qual até o brincalhão do Schäuble se sente no direito de gozar à porco, dizendo que gostamos de austeridade e que vá mas é de reforçar a dose, e ao qual (país) os funcionários administrativos de Bruxelas exigem que se apresente (lá) um Orçamento e que o governo (o que está de saída, presumo) cagüe* para os representantes do povo e para essas mariquices constitucionais de votar os orçamentos no parlamento.
*Notem que coloquei um trema no u para que o u seja lido e a palavra soe a palavra fina.
Tirando isso, parece que as mariazinhas e os coisinhos do regime andam todos num frisson a ver se são convidados para o governo, e só se ouve que sai este, entra aquele, e aqueloutra vai para ali e a outra azarinho, vai bater perna para outro lado. Pois também não quero saber disso para nada.

Eu, cá para mim, espuma dos dias e cagarrices à parte, acho que, se foi isto que os portugueses quiseram - e uma vez que as 3 esquerdas não atinam (e muito menos se entendem) -, mais vale que se deixe que os PàFs continuem a fazer o que lhes der na bolha, à solta, sem ajudas de ninguém. E, quando a poeira tiver assentado e se vir que os portugueses finalmente estão a perceber as ficções mal albardadas e as cavalices em que o láparo e o vice-irrevogável são useiros e vezeiros, pois, então, quando fizerem asneira da grossa ou estejam preparados para o fazer, que se lhes puxe o tapete. Até lá, não há condições objectivas para formar um governo alternativo ao dos PaFs. Não somos a Suécia, caraças, é o que é. 

Portugal, Terra Maravilhosa


Até podia passar a toda a hora este hino dos Irmãos Catita, para interiorizarmos que somos mesmo uma terra do melhor que há. 

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E, por agora, é isto.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira.

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quarta-feira, junho 10, 2015

Poesia e arte nas nossas vidas, papos de anjo para oferecer aos vizinhos, estender a roupa para se sentir normal, mitos urbanos forjados pelos jornalistas, nunca estigmatizar quem resolve emigrar, etc, etc, etc, e carapaus para o gato - ou quando assistimos, ao vivo e a cores, ao valor da palavra a tender para zero.


Meus Caros, as minhas desculpas por estar a ser repetitiva: no post abaixo voltei a dar largas à minha estupefacção perante o fenómeno Jorge Jesus & Bruno de Carvalho, uma dupla que só me faz lembrar os Monty Phyton, uma verdadeira dupla humorística. 

E aqui, agora, neste post, continuo no mesmo registo, o do incrível.

Li no Expresso e transcrevo alguns excertos não sequenciais:

Passos defende a poesia na vida, quer uma sociedade amiga das crianças, diz que nunca recomendou a emigração, fala da doença da sua mulher, faz saber que cozinha papos de anjo para oferecer aos vizinhos... Um homem novo ou um homem de novo em eleições? 


(...) Na última semana, Passos reabriu o “dossiê emigração” e desafiou duas vezes em dois dias que procurassem uma frase em que tenha recomendado aos jovens que saíssem do país. Mas fez mais. Disse que precisa de ter uma sociedade “muito amiga” das crianças; garantiu que o problema da sustentabilidade da Segurança Social não é “um papão”; defendeu mais licenciados no país; elogiou o “comportamento extraordinário” de profissionais de saúde; e sim, esta terça-feira falou de poesia. (...)
O mesmo Passos que, conta-se ainda na biografia, “cozinha papos de anjo no Natal e na Páscoa para oferecer aos vizinhos e que se refugia nas tarefas domésticas mais comezinhas, como estender a roupa ou pôr a loiça na máquina de lavar, para sentir um registo de normalidade”. 
Estas novidades no discurso de Passos não são coincidência com o período pré-eleitoral. “Ele está a ir a todas, está a fazer o que tem de fazer”, explica uma fonte do PSD que reconhece que a campanha, sendo da coligação, estará muito centrada em Passos Coelho, mais até do que nas políticas. “Ele é claramente a mais-valia da coligação”, diz a mesma fonte.  
......

Face a isto, falta-me a inspiração, não consigo dizer nada: não há palavras para este vale tudo, para este desprezo pela inteligência das pessoas, para este despudor, para esta desconsideração pelos eleitores.

Puxo, portanto, para o texto, as palavras de alguém que leio sempre com gosto: Ferreira Fernandes no DN. Fala ele a propósito do Passos Coelho ainda andar a desafiar os jornalistas a provarem que incentivou a emigração, num texto a que chamou A mim, Passos Coelho convenceu


A decisão de partir é um direito, e tanto o usarmos só prova que os portugueses sabem ser livres, mesmo em situações adversas. A questão é: aos governantes cabe propor aos portugueses o que fazer cá dentro, não anunciar-lhes que há alternativas lá fora. Um convite a partir é um insulto, é um empurrar para longe do nosso. Mas eis que Passos tomou a iniciativa de voltar ao assunto. Parece que a sua tática eleitoral é mostrar que vai em frente com a pertinácia dos que não têm vergonha. A mim convenceu-me.
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E, portanto, faltando-me as palavras, vou limitar-me aos bonecos. E, assim sendo, com vossa licença, vou aqui colocar um best of de um gesto muito instrutivo. Note-se que não tem nada a ver com o que acima se disse, nada, nada, nada. Alguma vez eu, moça educada, iria relacionar isto com o fofinho do láparo...? Jamais (ler em francês, se faz favor). Respeitinho é lindo e eu gosto. Portanto, que fique bem claro: a parte acima das estrelinhas tem a ver com um assunto e a parte de baixo tem a ver com outra.

Ou seja, concretizando: o que abaixo se mostra é sobretudo uma homenagem às Caldas, à linguagem gestual, e à extroversão como forma saudável de manifestar emoções. Nada, portanto, de estarem para aí com as vossas mentes perversas em acção, a pensar que isto é uma cena de tipo: 'Ai é?! Então, olha, toma lá!'. Claro que não. Nada, nada a ver - já disse.















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PS: Atenção: Tal como disse, as imagens nada têm a ver com o láparo, também carinhosamente conhecido por laparoto-papinho-d'anjo, mas tão pouco têm a ver com o super-judge Alex, esse nosso omnisciente e omnipresente deus na terra que nos deixa sempre de boca aberta com a prova da sua supimpa inteligência, perspicácia e coerência.

Esta última, de recuar e manter Sócrates em preventiva, foi das boas, vai ficar nos anais (diz-se anais, não diz? Bolas que esta língua portuguesa é mais traiçoeira do que eu sei lá o quê...): ganda judge, ganda decision! 

Mas olhem: nem tem a ver com ele nem, também, com o Rosarinho que tão bem sucedido tem sido na sua vida profissional, cada tiro, cada melro (mas só em sonhos, claro). Nada, nadinha a ver com qualquer deles, nada, nada, nada.

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E, já que estamos com um odor a eleições no ar, deixem que aqui deixe o Hino nacional definitivo 
- do canditado Vieira, claro (que, ao pé de uns que eu cá sei, tem até muita classe)


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E, por agora, fico-me por aqui.
Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo Dia de Portugal.
Alegria, minha gente.

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quinta-feira, março 12, 2015

O candidato Aniceto Silva


Depois de nos dois posts abaixo ter dado palco à matemática na poesia, ao amor expresso graficamente, ao humor na matemática e tudo à boleia dos meus queridos Leitores, aqui, agora, mudo e comprimento de onda e, dando de novo a palavra a um Leitor, desta vez ao Leitor P. Rufino, deixo-vos um conto suculento. O candidato Vieira junta-se à festa para a abrilhantar já que o assunto tem a ver com eleições presidenciais. Temos, pois, assuntos de Estado. A vossa atenção, por favor.







Aniceto Silva, sentado na sua sala de estar, em casa, ouvia atentamente o que o Presidente dizia, sobre as características e perfil que o seu sucessor deveria possuir. 

Tinha sido um apoiante de Cavaco e depois de Passos, pessoas que admirava, pela perseverança, coragem, idoneidade, isenção, inteligência e capacidade de diálogo, que ambos possuíam, em sua opinião.

Era Presidente da Câmara de Arrabaldes-de-Baixo, eleito pelo PSD, de que era militante quase desde que nascera. 

Em comum com Cavaco tinha o facto de o seu mandato também estar a expirar. 

Mas, havia uma diferença entre os dois, que importava registar: enquanto que o PR no fim do mandato iria para casa, ele, Aniceto, tinha ainda uma vida à sua frente. Até pela diferença de idades. Contava apenas 57 anos, embora (“uma chatice!”) um pouco gastos. O clima gélido no Inverno e insuportavelmente quente no Verão tinha-lhe estragado o “carão”, como dizia para consigo.

Ora, Cavaco enumerara um conjunto de requisitos que ele, Aniceto, entendia possuir. Era um tipo viajado, pois visitara as várias comunidades portuguesas originárias do seu Concelho, a viver por esse mundo fora, na Europa, Venezuela, Brasil, Canadá, Austrália, em Angola, no Dubai e até na Tailândia (onde provara as famosas massagens, por ocasião de uma visita que ali fizera uns anos atrás, para se encontrar com os conterrâneos que ali trabalhavam, em número de 4). Arranhava algum inglês, francês e desenvencilhava-se razoavelmente em espanhol. E sabia cumprimentar em alemão. Nessas ocasiões, mantivera contactos com algumas das autoridades dos países que visitara. “Ora, se isto não era experiência em Política Externa, em Relações Internacionais, vou ali e já venho”, pensou o bom do Aniceto.

Outra coisa em comum que possuía com Cavaco era o facto de também ser casado (“um Presidente tem de ter uma mulher que o acompanhe, faz parte!”, pensava). A Maria Reguengas era uma mulher apresentável, que não ficava a dever nada à Maria Cavaco, de forma nenhuma, embora de aspecto mais rude. Pouco, todavia. Mas isso até era uma qualidade a explorar, visto ser uma mulher do povo e quem mais ordena é o povo, lá diz a canção! Reguengas não falava línguas, mas para isso lá estava ele. 

Havia apenas um pormenor que o afligia, que era serem ambos, ele e a sua Senhora, baixotes. Mas, bolas, também o Vitorino do PS era e nem por isso desdenhava ser candidato a PR, se o convidassem! E depois, um homem não se mede aos palmos, mas pelo que vale, pelo que provou. E ele, Aniceto Silva, que era Presidente daquela Vila e sede de Concelho há 4 mandatos seguidos, tinha provado o seu valor. Mandara construir piscinas, creches, autorizara Centros Comerciais, permitiu a construção de muito prédio (embora quase desabitados, por causa da crise), captara investimento do Bangladesh, da Venezuela, concedera uma licença para uma grande casa de massagens tailandesas (que era um sucesso!) e até tinha conseguido vender uns terrenos a chineses, russos e angolanos, sabe-se lá para o que eles os queriam, não importa, era dinheiro estrangeiro ali investido! Ora isto era Diplomacia económica, ou não?

E, assim pensando, enquanto via a Casa dos Segredos (aquela Teresa Guilherme mexia com ele! O que ele dava para uma noitada com a referida!), decidiu-se em avançar com a dita candidatura, visto, como julgava, o seu perfil se encaixar na perfeição no modelo idealizado por Cavaco Silva (“até no apelido tinha semelhanças com ele, que engraçado!”, cogitava).

E pôs o seu plano em marcha. Contactou todos os grupos de conterrâneos da Diáspora e, com promessas de loas, lá obteve o apoio necessário. Conseguidas as assinaturas indispensáveis e após o “sim” do Tribunal Constitucional, Aniceto anunciava ao Mundo o seu Programa de Candidatura.

A seu lado, Maria Reguenga escutava-o embevecida. Já se via “Presidenta”. Até uma lagrimita lhe escorreu pela face gorducha e vermelhuça, indo depositar-se nos beiços. Lambeu-a. O anúncio foi feito no largo da Câmara de Arrabaldes-de-Baixo, para gáudio da população. E teve honras de TV, pois todos os canais ali estiveram (embora a convite dele, instalados no hotel da terra e pagos pelo orçamento da Câmara).

Uma vez concluída a apresentação programática, esfregando as mãos papudas e peludas, com as unhas limpas (resultado do esforço hercúleo da sua Reguenguinha, como lhe chamava carinhosamente em privado, com recurso a uma escova de arame), bateu as palmas, que todos de imediato imitaram, seguindo-se uma almoçarada bem regada, para todos ali presentes (suportada pelo orçamento camarário). 

Após o pesado repasto, sentia-se capaz de desfiar o Mundo! E, enquanto tagarelava com alguns jornalistas e gente importante do Concelho, coçando a grossa e rotundíssima pança, começou a pensar nos debates que mais tarde teria de enfrentar. Não os temia! Trucidaria todos os seus opositores. Tinha o dom da palavra! Estava confiante. 

Passos Coelho é que lhe estava atravessado, pois não o reconhecera como candidato do PSD, preferindo Rui Rio, que afinal não se candidatara (“e ele que o apoiara tanto! Ingrata criatura!”). Já o Professor Marcelo fora simpático com ele, num comentário que fizera, num Domingo, perante Judite de Sousa, ao dedicar-lhe 30 segundos e designando-o como o candidato das Berças. Até lhe enviara um cartãozinho, a agradecer a atenção.

Agora, pensava, era só esperar por Fevereiro de 2016 e tomar posse!

E quando na rua se lhe dirigiam e chamavam de “Senhor Presidente”, já confundia essa designação com a futura, uma vez instalado em Belém.

Os cartazes da sua candidatura eram sóbrios e transmitiam uma mensagem que o povo compreendia. De dedo espetado, sorriso na boca e umas breves palavras: “vão por mim, que vão bem!”

Parou um momento, a olhar-se, num cartaz, junto a Câmara.

Depois, entrou ali, subindo as escadas e abriu a porta do seu gabinete, onde ao fundo se encontrava pendurada uma grande fotografia sua, em caixilho dourado. 

Acabara de se sentar na sua poltrona, quando a sua secretária, abrindo a porta, lhe anunciou estarem ali, à sua espera, duas pessoas da Segurança Social que queriam falar com ele. Tremeu, mas lá os recebeu.

Afinal, não vinham com más intenções. Estava em falta com algumas declarações, “que se esquecera de fazer” para a Segurança Social, uns anos atrás, mas tendo em vista o procedimento que tinha existido para com o Senhor Primeiro-Ministro, de lhe ter sido facilitado o pagamento praticamente sem penalizações, ali estavam para o ajudar também a limpar o seu anterior historial em falta, a fim de poder manter a candidatura à Presidência imaculada. Agradeceu-lhes, ofereceu-lhes um almoço, custeado pelo orçamento camarário e lá se resolveu tudo, para seu descanso.

Ainda teve um outro aborrecimento, igualmente resolvido a contento, quando se veio a descobrir que tinha comprado umas acçõezitas do ex-BPN a preço de saldo, que depois revendera por valores superiores, obtendo um ganho considerável. Prometeu ao director da sede do antigo BPN, que lhe facilitara esse negócio (a troco de financiamento de umas obras autárquicas que mandara construir) um lugar como assessor económico, uma vez eleito e o caso foi desmentido. 

E, após uma campanha difícil, bem debatida, Aniceto Silva, acompanhado pela sua Maria Reguenga tomava posse como PR deste imaginário país.


Autor do conto: P. Rufino

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Candidato Vieira recomenda lavagem das partes baixas


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A inclusão das fotografias e dos vídeos do Candidato Vieira é da minha responsabilidade. 
Como é sabido sou devota do Manuel João.

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E sigam, por favor, para os dois posts seguintes que são ambos altamente educativos.

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