O fotógrafo é Paolo Roversi e isso, em si, já é garantia de muita qualidade. Mas nem precisaríamos de ter essa garantia pois o Calendário Pirelli é desde sempre um objecto artístico de extrema qualidade. Moda e fotografia sob a lente de quem sabe ver os pormenores e valorizar a beleza. Não é qualquer um que consegue alcançar o patamar que a Pirelli requer.
Rosalia by Roversi para o Pirelli 2010
O tema deste novo calendário tem a ver com a reinterpretação de Julieta o que, reconheçamos, é um desafio extraordinário já que Julieta não existiu. Mas, sendo Paolo Roversi o fotógrafo por excelência da melancolia e, no fundo, sendo esse o tema, o resultado final só pode ser esplendoroso.
De entre os nomes divulgados, há alguns que, do que conheço, não têm como desiludir. Claire Foy, Mia Goth, Emma Watson, Indya Moore, Yara Shahidi, Kristen Stewart, Chris Lee, Rosalia e Stella Roversi serão as Julietas de 2020.
Hoje foi 'libertado' um preview do que vai ser e eu, que gostava de um dia poder estar por perto de uma sessão fotográfica assim, fui logo ver. Uma amostra de belezura pela qual custa a esperar.
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E até já. Talvez ainda cá volte.
Tenho notícias da Clara.
Todos os anos é com curiosidade que espero pela notícia de que já se começam a saber as novidades sobre o Calendário Pirelli. A escolha dos fotógrafos é sempre criteriosa e a das pessoas fotografadas também. E cada vez mais há aspectos diferenciadores. Já lá vai o tempo em que bastavam umas meninas curvilíneas, descascadas. Agora é normal que se reconheça ali arte e uma história ou, vá, uma mensagem.
Desta vez há bailado e Albert Watson -- o fotógrafo convidado -- foi buscar, imagine-se,o meu bem amado Sergei Polunin. E como se já não fosse suficientemente excepcional também foi buscar Misty Copeland. Só de sabê-lo já fiquei encantada.
Ainda não tenho as fotografias dos meses mas tenho um pouco dos bastidores. A Gigi faz a capa do vídeo e, do que se vê, a edição 2018 promete.
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Para quem não conheça a bela Misty, aqui fica uma amostra
Chego a sexta feira à noite com vontade de virar do avesso a semana que acabei de viver. Há coisas que são tão tenebrosas que só me dão vontade de rir. Outras tão parvas que só me apetece fazer parvoíces ainda maiores.
Para acabar o dia em beleza, jantámos num restaurante simpático. De um lado estava um grupo de professoras que não fizeram outra coisa durante todo o santo jantar senão dizer mal de outras, mas mal a sério, uma coisa espantosa tal a quantidade de raiva acumulada. Do outro lado, uma família em que uma mulher falava enervadamente do mal que amigos fingidos lhe faziam no facebook fazendo-se passar por amigos de verdade. E o resto da família dava-lhe estranhíssimos conselhos sobre a forma de desmascarar os hipócritas e vingar-se dos cruéis, ao que ela rebatia com revelações ainda mais parvas que as anteriores mas que desencadeavam, nos outros, curiosas reacções de solidariedade.
E nós no meio, incapazes de dizer mal de quem quer que seja a não ser um do outro. Só que a nós o mau feitio passou mal veio a comida porque, na verdade, o nosso mal era fome.
E, no rescaldo, concluímos que éramos mais felizes por não andarmos metidos no Facebook. E eu falei naquela coisa esperta que o Facebook anunciou: quem não quiser correr o risco de ter a circular fotos ou vídeos comprometedores deve... enviá-los para lá. Dizem que traçam o ADN de cada coisa dessas e, a partir daí, mapeiam essa informação contra o que lá cair, conseguindo identificar se algum meliante ou zinha vingativa lá os quiser pôr.
Mas eu pasmo: será preciso ser-se ainda mais desesperado mental do que os incautos que usam o Facebook para entregar justamente ao Facebook aquilo que se quer esconder. Mas vai haver quem se sinta completamente seguro ao fazê-lo. São os mesmos que acreditam no Pai Natal. Que os há.
Bem.
E, na política nacional, a coisa também anda frouxa.
Ou, então, sou eu que ando com mais sono do que é costume. Tive que madrugar em dois dias e isso desestabiliza-me os humores. A verdade é que o que se passa não me dá pica.
E é que nem Madame Teodora (a Cardoso, of course) já consegue entusiasmar-me. Senhora muito datada para o meu gosto. Não está a envelhecer bem. A nível mental, quero eu dizer -- porque, calma aí, a nível físico, está do melhor que há. Não desfazendo.
Faz-me falta o láparo, o Vai-estudar-ó-Relvas, o Ex-Vice-Irrevogável, a Lulu e o seu pit-bull, o Lombinha dos Briefings, o Maçães e as suas polacas. Até do totó do Gaspar e daquele Álvaro com um ar sempre saudável eu tenho saudades para me despertarem os maus instintos. Ou do Cavaco com a sua Cavaca, agora promovida a fada-madrinha do maravilhoso Reino Encantado de São Marcelo. Olha, agora por falar nisso, lembrei-me que, por esta altura, tadinhos (dos Cavacos), haveriam de estar a preparar a árvore de natal para servir de pano de fundo à sua imprescindível mensagem natalícia. Fofos. Eles e a Joana dos naperons e dos tampões. Toda essa gente faz falta para a gente ter com que se rir à séria.
Deveríamos tê-los ainda por aí, todos juntos numa espécie de portugal dos pequenitos, num reality show transmitido em directo, com uma Guilherma a atiçar ânimos e a fazer com que fossem para a cama uns com os outros.
Sem eles, o panorama mediático acinzenta-se. É certo que os números da economia estão mais para o côr-de-rosa mas isso dá é para sorrir de gosto. É que sem totós de jeito, a gente vai rir-se de gozo de quê? Dos moços-candidatos, o Rui e o Pedro, que agora deram em ser mais laparianos que o Láparo? Não posso, não é? Não quero passar por parva. Senão isso, então, de quê? De uma lagarta passeando por entre uma salada comprovadamente biológica? Não dá, não é? Ia defender que pusessem pesticida na salada da escola? Não, não é...? Ou vou falar de quem, na escola, achou que o vídeo não tinha qualidade artística e critica agora a aluna? Não... parece-me motivo meio pífio. Seria bater no fundo: chegar ao ponto de que o único motivo de conversa já não passasse disto.
Portanto, olhem, paciência, nada mais me resta senão tentar aliviar a maçadoria que se acumulou ao longo da semana, procurando cenas que, para mim, valham a pena. Portanto, aqui estão: rãs descaradamente verdes, pretas do além*, uma das quais branca, (e daqui a nada já verão a que propósito se puseram naqueles preparos), crianças metafísicas, majorettes d'après la lettre, uma Melania assombrada na muralha da China, um jordano bué de bacano, todo LGBT. É o género de coisa que me interessa.
Entretanto, já cá tenho outra vez na sala o porta-voz de todos os ramos da sociedade portuguesa, seja qual for o ramo e o tema: o ubíquo e omnisciente Marcelo (a quem o E. trata por Marcelo-afilhado), aquele nosso bem conhecido santo padroeiro que dá conta de tudo. Nem sei de que é que agora fala mas reparei que fala com ar de quem sabe de tudo. Para além de ter muito amor para dar, está sempre pronto para dar uma lição ao povo. Mas, enfim, isso já nada tem de novo.
Salva-se, pela graça, a notícia de que alguns gays maléficos andaram a influenciar alguns leões quenianos e de tal forma que já apanharam alguns a reproduzir o que viram. Upa-la-la em cima um do outro. Se isto dá em tudo o que é cão e gato vai ser um ver se te avias a sair do armário
E é isto. E se houver aí alguém que tenha registo de alguma coisa mais importante, que se levante e diga. Senão, ficamos assim.
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Fotografias quase todas vistas no The Guardian. A dos leões que são macacos de imitação não.
Gosto de fotografia, gosto de beleza, gosto de elegância, gosto de irreverência, gosto de insolência, gosto de boas mensagens, gosto de ser surpreendida. Por isso, há coisas pelas quais sempre aguardo com expectativa. Uma delas refere-se às imagens do calendário Pirelli. Nele, os melhores fotógrafos, costumam fotografar as mulheres mais belas.
Pois bem, para este ano a Pirelli foi buscar um fotógrafo que é muito cá da casa: Tim Walker. Quando soube disso senti aquela reacção infantil de quem acerta no furo que esconde a bolinha que dá o melhor prémio.
Claro que o resultado não haveria de ser convencional e haveria de ter história, magia, inconvencionalismo, graça. Digamos que, para quem vai à procura de mulheres lindas, descascadas, em ambientes paridisíacos, poderá haver uma desilusão. Provavelmente pensará que se enganou no calendário. Mas o mundo já não é o que era. O ideal ficcionado em que apenas mulheres altas, esbeltas e sorridentes têm lugar, já era. Felizmente muito boa gente tem vindo a pugnar pelo fim da ficção da perfeição ideal e começa a ser consensual que em tudo há beleza, desde que tenhamos predisposição para a ver. E há muitas maneiras de defender a inclusão e uma das mais efectivas é praticando-a. Farta de palavras vazias, declarações inflamadas ou mediáticas bolas de efeito, fico toda feliz da vida quando o insólito marcha orgulhosamente rua afora.
E ver estas imagens ainda mais me agrada quanto, justamente, hoje, no meio de um mar de gente vi uma mulher numa cadeira de rodas e a mulher era apenas meia mulher, e vinha a sair, sorridente, de uma Zara, e vi duas crianças sem um cabelo, nem nas sobrancelhas, com gorros, máscara, rostos inchados e ambas sorridentes e felizes, e um homem que devia ser deficiente mental, muito estranho, vestido de uma forma absurda, e todo ele sorria, feliz por estar ali. E, cruzando-me com pessoas de todas as etnias e culturas e de todas as condições, senti-me muito bem porque a maior felicidade é a normal convivência no seio de um ambiente inclusivo, de genuína aceitação e profundo respeito por todas as pessoas.
Generosidade, compaixão, afabilidade, respeito, empatia, aceitação -- são estados de espírito ou predisposições mentais ou emocionais que tornam o mundo um lugar bom para se viver. Tim Walker demonstrou uma vez mais que este é o seu mundo ao encenar desta forma tão surpreendente a Alice no País das Maravilhas. E logo para o Calendário Pirelli.
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Tim Walker, salut!
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E uma feliz sexta-feira a todos quantos por aqui passam.
O meu prazer em fotografar é inversamente proporcional ao de ser fotografada.
Nunca me apanham em grupinhos a dizer cheeeeese ou ba-ta-ta. Impossível. E se tenho que ser fotografada por obrigação sou incapaz de me produzir para o momento.
Acho que já o contei. Quando o ano passado foi um fotógrafo à empresa para tirar fotografias a cada um de nós, cheguei lá e fiquei espantada com a produção de cada uma das outras mulheres. Muitas tinham ido ao cabeleireiro, vinham aperaltadas, todas de ponto em fino. Eu fui normal. Aliás, ao arranjar-me em casa, foi coisa que nem me ocorreu. Depois, estava numa reunião quando me foram chamar. Fui num ápice dar uma espreitadela à casa de banho. Achei que menos mal. Quando ia a entrar para a sala, pensei que devia ter passado uma corzinha nos lábios. Tarde demais. Pus-me lá no sítio que o fotógrafo disse e começou a dar-me vontade de rir. Ele, profissional, não ligou. Aproximou-se e pôs-me ligeiramente de lado. E eu com vontade de rir. Fiz um esforço para manter uma pose adequada ao status. E, nisto, pergunta-me ele enquanto me fixava com olho clínico: 'Sô-Tôra, não quer afastar o cabelo?' e fez um gesto com a mão, como que para afastar a franja. Fiquei preocupada: 'Mas está mal?' e ele. meio atrapalhado: 'Não... Mas podia querer afastá-lo mais da cara...' Fiquei apreensiva. Tive vontade de lhe dizer: 'Alto e pára o baile. Tenho que ir ver com os meus próprios olhos!'. Mas não, achei que, se afastasse o cabelo, poderia ficar com ar demasiado despido e e não me dispo perante qualquer um. Ficou assim. Agora olho a fotografia e não consigo formar opinião. Algumas colegas odiaram ver-se, exigiram um remake. Eu fiquei depois a pensar que, se calhar, devia ter aproveitado a oportunidade de tentar segunda chance, talvez ficasse melhor. Mas não. Só passar outra vez por aquilo... Não gosto.
Apenas de vez em quando, quando não estou nem aí, é que não me importo que o meu marido ande à minha volta a apanhar-me tal como estou, sem poses ou sorrisos pasmados.
Acontece-me também, quando me vejo nas fotografias, achar-me diferente do que era tempos atrás. Como já o contei, tendo, então, a protestar com o fotógrafo: não devia pôr-me com o sol a bater-me na cara, não tem cuidado, não me adoça a pele, mostra-me as rugas junto aos olhos, mostra que o meu rosto já não tem a frescura de quando eu tinha a vida inteira pela frente, bem podia apanhar-me em melhores ângulos, com luz mais esbatida. Etc. Ele não liga, acha que fiquei bem. E está dito. Não lhe arranco nem mais uma palavra.
Depois, se calha eu ver essas fotografias anos depois, olho e já acho que ali ainda era uma jovem, cinquenta mil vezes com mais piada do que na actualidade.
E isto contado assim até parece que dou muita importância a isto. Não dou. São pensamentos ou reacções momentâneas que desaparecem na hora.
O que entretanto aprendi é que somos sempre jovens e bonitos aos olhos de quem é mais velho e acabado que nós.
E aprendi, sobretudo, outra coisa: é que a beleza de uma pessoa é francamente subjectiva.
Gosto de me maquilhar ao de leve pois acho que sem um toque de cor, fico um bocado descorada, as sobrancelhas claras, a pele clara, parece que está mesmo a pedir uma sombra leve na pálpebra superior, um pouco de blush, coisa leve em tom de pêssego e só mesmo nas maçãs do rosto, e, nos lábios, uma passagem de gloss, cor de romã suave. Mas, ao fim de semana, nada, quanto muito um esfumado ligeiro na pálpebra superior. E, no entanto, a minha filha diz que fico melhor assim, rosto nu.
Mas não sei se ela tem razão. O meu marido, por seu lado, não se pronuncia. Não tem paciência para os meus inquéritos. E diz que receia responder o que quer que seja pois acha, que diga o que disser, ficará sempre sujeito a mais perguntas, e, se há coisa que o impacienta, é ter que dar justificações das opiniões que exprime. Por isso, tenho que me fiar na minha opinião. Contudo, nunca me deu para carregar na maquilhagem, usar base para disfarçar imperfeições, carregar no rimel, pintar os lábios de cor compacta e desenhando o contorno. Acho que não suportaria o contraste quando, à noite, retirasse a maquilhagem. Penso que deveria parecer-me com um palhaço no fim do circo, no camarim, a desfazer-me do personagem.
Mas a verdade é que tanto faz. Se nos sentimos bem e confiantes, está sempre tudo bem. E haverá sempre quem goste de nós, quem nos olhe com olhos doces de afecto ou apreço. Nem que seja um velhinho, cinquenta anos mais velho que nós (pitosga, taraulhoco, meio deslembrado).
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Vem isto a propósito do Calendário Pirelli 2017. Transcrevo:
This year, Peter Lindbergh became the first photographer to shoot three Pirelli calendars. His 2017 also marks another first for "The Cal", as the images have not been retouched. Lindbergh tapped 14 of his favorite women in Hollywood: Nicole Kidman, Lupita Nyong'o, Uma Thurman, Lea Seydoux, Rooney Mara, Kate Winslet, Robin Wright, Julianne Moore, Alicia Vikander, Charlotte Rampling, Zhang Ziyi, Penelope Cruz, Jessica Chastain and Helen Mirren. Lindbergh also included Anastasia Ignatova, a political theory professor in Moscow, that he met a dinner last year. All the women featured were tasked with sharing their natural beauty for the black and white calendar which he has titled "Emotional".
"Beauty is just commercial interest, as you see in magazines, women are washed out from every experience. That's just the opposite of what I wanted. These are the most talented women that I admire in the entire world. They are emotional and I wanted to show that," Lindbergh said during the official press conference in Paris today.
All the women in this calendar, we're women of all different facets. The calendar is physical, so what are you building inside? It's about the journey." Lindbergh and his subjects all hope to spark the cultural conversation on what real beauty looks like. "Look at this Pirelli calendar," Mirren said, "the reality is we live, we love, we continue, that's the role of women. It is very difficult, for young girls nowadays, incredibly challenging. The only way we can help them along the way is to say, life goes on a long time. You will be many things in your lifetime."
Pirelli Calendar 2017 by photographer Peter Lindbergh
Captured by legendary photographer Peter Lindbergh and featuring equally as iconic women as Nicole Kidman, Julianne Moore, Lupita Nyong'o, Kate Winslet and more.
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E tenham, meus Caros Leitores, um dia muito feliz. Vocês merecem.