Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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terça-feira, março 29, 2016

Hannah Arendt e o amor
- não é por nada mas em alguns aspectos até parece que, nisto do affair com o Heidegger, se juntou a fome com a vontade de comer


Estava eu folheando a revista Bula e dou com umas cenas da Hannah Arendt armada em poeta, uma coisa que, a meu ver, é muito chocha, daquelas experiências a que algumas pessoas se dedicam quando lhes dá para o lirismo -- passarinhos pipilantes, gotas de chuva, pingo, pingo, amores incompreendidos, ventos que parecem lamentos e ameaçadoras nuvens cinzentas. E, quando já eu estava a franzir o sobrolho, dou com uma dissertação que ainda me deixou mais desconfiada: um texto todo prosa, com um título todo a armar-se ao poderoso mas, ó senhores, uma basbaquice de dar dó.

Não é que ela, como filósofa, não tenha obra capaz. Tem, e as suas palavras mantêm-se e manter-se-ão válidas forever. Não que eu seja entendida, claro, até porque é sabido que eu é mais cozinhados (podia dizer que eu é mais bolos mas, não, não gosto de fazer bolos porque requerem que se siga a receita e eu sou demasiado anarca). Mas, com a ligeireza que me caracteriza, posso dar-me ao luxo de mandar umas bocas a propósito de alguns temas mais exquisites. Por isso, com a devida licença dos fundamentalistas, deixem que o diga: uma pessoa pode ser boa na sua área mas sê-lo apenas num determinado ramo. Ora o ramo da Arendt, cá para mim, devia ser mais o mal, não o amor -- pelo menos a julgar pela conversa que abaixo transcrevo.

Hannah Arendt  e Martin Heidegger

E digo isto porque acho que ela não devia perceber bem o que era isso do amor -- e não percebia que não percebia -- senão não falava como o descreveu, como se isto do amor fosse matéria sujeita a dissecações e a escalpes e como se alguma vez uma criança fosse um 'entre' duas pessoas que se amam e mais não sei o que ela para ali diz, senhores...

A confusão que vai na cabeça das pessoas que têm o vício de dissertar sobre tudo e sobre nada mesmo do que não conhecem é uma coisa que aflige. Pôr-se uma pessoa a cortar o amor às postas é assim como pôr-se um burocrata da gramática a retalhar as estrofes do Lusíadas. 
Quando se encontrava o sujeito e se conseguia acasalá-lo com o predicado e com todas as outras coisas que, quando aprendi, se chamavam complementos directos e indirectos e que agora mudaram de nome, já uma pessoa se tinha alheado do sentido da coisa.
Senhores, nada pior que gente chata que tinge de mau feitio tudo aquilo em que toca, que isto de contar orações nos Lusíadas ou filosofar a propósito das crianças expelidas só pode ser mau feitio. Ora vejam bem o que aquela alma de Deus foi capaz de dizer sobre o amor (que é uma coisa tão simples, tão sem gramáticas, tabuadas ou receitas).

O amor é uma poderosa força antipolítica


“O amor, em virtude de sua paixão, destrói o ‘entre’, esse espaço que nos relaciona com outros e nos separa deles. Enquanto dura seu encanto, o único ‘entre’ que pode inserir-se no meio de dois amantes é a criança, o próprio produto do amor. A criança, esse ‘entre’ com que os amantes agora estão relacionados e mantêm em comum, é representativa do mundo onde ela também os separa; é uma indicação de que eles inserirão um novo mundo no mundo existente. Por meio da criança, é como se os amantes retornassem ao mundo do qual seu amor os expeliu. Mas essa nova mundanidade, resultado e único final possíveis de um caso de amor, é, num certo sentido, o final de um amor, que deve superar novamente os padrões ou ser transformado em outro modo de estar juntos. O amor por sua natureza não é mundano, e é por isso — não por raridade — que é não apenas apolítico, mas antipolítico, talvez a mais poderosa de todas as forças antipolíticas humanas.”

(Trecho de “A Con­dição Hu­mana”, de Hannah Arendt)

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E já agora, para que não pensem que tenho alguma coisa contra a senhora -- claro que não tenho -- vejam bem um dos seus poemas (supostamente feito a pensar no seu amor, o Heidegger, aquele chato que, no meio de algumas de jeito, se se distraía enchia páginas a falar da coisidade das coisas e de outras coisidades do género)

Por que você dá sua mão
Envergonhado, como se fosse um segredo?
Você é de uma terra tão distante
Que não conhece o nosso vinho?

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De qualquer forma, não sou fechada à erudição pelo que se houver aí algum Leitor dado às ciências ocultas e que consiga descortinar siso e profundidade, quiçá até profundidade de campo, no primeiro texto ou sentido estético no pequeno poema, pois é só explicar-me, mas explicar devagarinho, que eu, com a minha abertura de espírito, cá estarei para tentar alcançar.

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Já agora, porque acima referi aquilo de ela ser expert no mal (e isto de dizer que ela é uma expert já sou eu a querer portar-me bem; podia, em vez disso, falar em skills -- e, lá por estar com este linguajar de consultora de meia tigela, que não se pense que há menos respeito; isto é só mesmo uma maneira de sacudir a poeira), uma cena do filme homónimo dirigido por Margarethe von Trotta:

Hannah Arendt  (Banalidade do Mal)



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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira (corrijo, depois de ver o comentário abaixo) terça-feira!

E divirtam-se, ok?


sábado, março 26, 2016

Um par de sapatos


Um par de sapatos -  Vincent van Gogh, 1886


Se, entretanto, já leram o que escrevi no post mais abaixo, saberão que, a ler livros que percorrem os caminhos do pensamento, não sou flor que se cheire. Não fui feita para nadar nas funduras, sou mais de procurar a luz que beija a superfície. Os labirintos do fundo do mar, que são parecidos com as convoluções da mente, contêm meandros onde há que ter vagares para se lá estar; ora, eu não sou de me deter, em sossego, nos desvãos por onde algumas mentes gostam de vaguear. Se por, um acaso ou incontida curiosidade, não resisto e por lá entro, logo quero perceber onde eles levam, quero atalhar caminho, fazer batota, chegar ao fim. O verdadeiro prazer de percorrer os caminhos apenas o alcanço se vou sem ir pela mão, se puder ir, em campo aberto, a correr ou aos saltos se assim me apetecer, se puder interromper, mudar a meio, parar a olhar para o outro lado, sair do trilho, subir a rochas para de lá olhar noutra direcção.

Mas, se isso é verdade, não o é menos se eu disser que inesperado e gostoso prazer tenho também se, andando por lá, ansiosa, querendo ver a luz -- sentindo que mergulhei num deserto sufocante feito de corredores cheios de intermináveis prateleiras, e prateleiras cheias de infinitas gavetas, e gavetas cheias de minúsculos e incontáveis compartimentos, e tudo, tudo, tudo, com etiquetas, etiquetas desnecessárias, repetitivas, ilegíveis -- descobrir, de repente, um oásis, uma clareira, uma luminosa e acolhedora capela.

Transcrevo:

(...) Pela pintura de van Gogh nem sequer podemos determinar onde estão estes sapatos. À volta deste par de sapatos camponês não há nada a que possam pertencer, nem aonde, apenas um espaço indeterminado. Nem sequer estão pegados a eles torrões de terra do campo de cultivo ou dos carreiros, o que poderia ao menos apontar para o seu uso. Um par de sapatos de camponês e nada mais. E, apesar disso...

Da abertura escura do interior deformado do calçado, a fadiga dos passos do trabalho olha-nos fixamente. No peso sólido, maciço, dos sapatos está retida a dureza da marcha lenta pelos sulcos que longamente se estendem, sempre iguais, pelo campo, sobre o qual perdura um vento agreste. No couro, está a marca da humidade e da saturação do solo. Sob as solas, insinua-se a solidão do carreiro pelo cair da tarde. O grito mudo da terra vibra nos sapatos, o seu presentear silencioso do trigo que amadurece e o seu recusar-se inexplicado no pousio desolado do campo de Inverno. Passa por este utensílio a inquietação sem queixume pela segurança do pão, a alegria sem palavras do acabar por vencer de novo a carestia, o estremecimento da chegada do nascimento e o tremor na ameaça da morte. Este utensílio pertence à terra e está abrigado no mundo da camponesa. (...)

Todas as vezes que a camponesa, já noite dentro, põe de lado, no seu cansaço dorido mas são, os sapatos e, estando ainda escura a madrugada, os volta a tomar para si, ou quando, nos dias de descanso, passa junto deles, ela sabe tudo isto sem quaisquer considerações ou observações. (...)

Camponês e camponesa plantando batatas -  Vincent van Gogh, 1885



Prelúdio em B-flat Minor, BWV 867 -- J.S. Bach, Nancy Gerst, pianista

com as palavras de Martin Heidegger em 'Caminhos de Floresta' 

no capítulo 'A origem da Obra de Arte'

(de onde também transcrevi as palavras acima a partir do livro da ed. Fundação Calouste Gulbenkian )


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E queiram, então, se para aí estiverem virados, claro, descer até ao post seguinte onde se fala também de arte com alguns casos práticos.

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quarta-feira, agosto 26, 2015

Uma cabana in heaven, um espaço para pensar (e para ler e para fotografar... e para varrer, limpar, lavar, desbastar...)


No post abaixo falei de três professoras por recordá-las como jovens ou sem idade, em contraponto com as outras que recordo antiquadas, quando não velhas. E, a propósito de viver de acordo com a idade que se sente e não com a que o Cartão de Cidadão indica, mostrei um filme com piada.

Aqui, agora, continuo numa boa. 

Comecei as minhas férias e estou confiante de que vou conseguir ter, de facto, uns dias de descanso. A nível familiar (e, em particular, a nível clínico) tudo parece estar agora relativamente tranquilo e, até à próxima consulta, que é no início da próxima semana, conto ter um período de acalmia, isenta de compromissos, afazeres, combinações. Cheguei a esta altura do ano a precisar mesmo de desligar, de dormir. E se tenho dormido... Hoje estou in heaven e, para começar, já deitei mão ao que se impunha: limpezas a preceito. Varrer, lavar, arrumar, limpar, regar. Amanhã a empreitada continuará porque isto estava mesmo a precisar de uma barrela valente. Curiosamente, este trabalho não me cansa. Pelo contrário, gosto imenso de deitar mão a estes trabalhos braçais. Levantei-me tarde e passei o dia nisto e, pelo meio, estive a ler, deitada, a luz coada a entrar pela sala. 

Para onde quer que olhe, vejo coisas que precisam de arrumação ou reorganização. Por exemplo, os livros aqui na sala em que escrevo estão sem rei nem roque. Nas estantes do corredor, umas que tenho embutidas no meio da parede, os livros estão por autores ou por colecções. Mas estes aqui são os que vou trazendo para o fim de semana ou para as férias e que, por aqui, vão ficando. Estava a limpar o chão e olhei para eles, sem saber o que lhes fazer. Ou os levo de volta para a outra casa, para ficarem junto dos respectivos pares, ou tento encontrar uma ordem lógica para os ter aqui. Assim, parecem-me a prova provada do caos que é o meu gosto literário. 












A ver se amanhã me inspiro e vejo se dou um jeito nesta anarquia. Entretanto, para estes dias em que andarei entre cá e lá, mas tentando arranjar um tempo para ler em sossego, trouxe mais uns quantos. Tenho esta coisa de ler de forma picada, de ler um bocado de um, saltar para outro, encantar-me com a surpresa da linguagem, voltar onde me maravilhei, reler uma passagem, e partir para nova busca.

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Everywhere we go


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Hoje estive com Os Cães de Tessalónica que trouxe mas, pelo meio, com La Cabana de Heidegger, un espacio para pensar, que encontrei caído atrás de um sofá e de que já uma vez aqui tinha falado.


(A Cabana de Heidegger em cima de uns tapetes que tinha estado a sacudir)


Como me identifico com a forte ligação entre o nosso eu mais profundo e um lugar de que se fala neste livrinho tão interessante... Também eu ando pelo meio das árvores a ver como o sol as deixa brilhantes e macias sob a luz dourada, também eu olho o vento nas ramagens, também eu afago com o olhar as suaves montanhas ao longe.

E vejo os traços do tempo nas paredes e, em vez de ter vontade de as pintar, vou é a correr buscar a máquina para as fotografar. Acho-as lindas, a sua beleza evoluindo com o passar do tempo, desenhos de cor que os líquenes inscrevem nos rastos da água da chuva que escorre das telhas. E as folhas caídas, e as sombras das árvores sobre os bancos, sobre os muros, tudo , tudo me encanta. 

Transcrevo alguns excertos do que ele escreveu sobre o lugar que amava de uma forma intensa e que, de certa forma, influenciou a sua obra e intercalo com fotografias feitas hoje, in heaven.




Cuando la luz de la aurora crece en silencio sobre las montañas...

Cuando al comenzar el verano se abre una solitaria flor de narciso en la pradera y una rosa de las rocas brilla bajo el arce...




Cuando el viento, al cambiar de repente, murmura en las vigas de la cabaña y el tiempo amenaza con volverse desagradable...




Cuando en un dia de verano la mariposa se posa en una flor y, con las alas cerradas, se balancea con ella en la brisa...




Cuando la luz de la tarde, inclinándose en algún lugar del bosque, baña de oro los troncos de los árboles.




Cuando el arroyo de montaña en el silencio de la noche cuenta su caída sobre las piedras...


Uma lua transparente que apareceu no meu céu para me fazer sonhar
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E, caso vos apeteça ver um vídeo muito bem disposto e ler alguma coisa sobre a memória que guardo de três das minhas professoras, queira, por favor, deslizar até ao post seguinte.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira.
Muitas felicidades a todos.

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quinta-feira, abril 09, 2015

A cabana de Heidegger


Ora bem. No post abaixo há uma história com uma moral muito útil e, de bónus, uma prova científica de que afinal os homens conseguem pensar em duas coisas ao mesmo tempo.

Mais abaixo ainda há uma 'cena' que é uma maravilha e uma maluquice e que, de forma alguma, deve ser reproduzida pelos meus Leitores, especialmente pelos que têm amor à vida.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é completamente outra.





Ryuichi Sakamoto 'The Sheltering Sky'



Quando penso em ter tempo livre para mim, por exemplo um dia que me reforme e que possa dispor livremente do meu tempo, penso em dedicar parte dele a escrever. Nada a sério, que para isso não me parece que tenha suficiente competência, mas para estar entretida ou para me descobrir melhor. 

No entanto, quase tão importante como ter tempo suficiente para poder escrever coisas com princípio, meio e fim, é pensar onde. Aliás, se penso em escrever, quase que a primeira coisa em que dou por mim a pensar é nos aspectos logísticos. E, confesso, a coisa não é pacífica. Não quero estar isolada mas também não quero estar distraída. Não quero estar fechada mas também não quero dar por mim a olhar pela janela, não quero estar confinada ao espaço estrito do computador mas sei que, mal dou por mim, estou cercada de livros. 

Imagino-me numa mesa grande de madeira. Nas pontas alguns livros mas, no sítio onde escreveria, um espaço aberto. Talvez com uma jarra com flores. Flores frescas, perfumadas. 

Quando estou in heaven já experimentei escrever na mesa da sala de jantar mas não me agrada muito, parece que estou desacompanhada.

Mas se me ponho a escrever na escrivaninha da sala de televisão, parece que não tenho o distanciamento suficiente.

Se vou para a rua, para a mesa que está debaixo do telheiro, ou há luz demais ou calor ou frio ou vento ou reparo que devia varrer ou que devia regar.


E depois há os aspectos prosaicos: uma pessoa tem vontade de escrever mas não deixa de ter a sua vida normal e ora é preciso ir ao supermercado, ora é hora de fazer o almoço, ora é hora de ligar à mãe e aos filhos, ora é preciso arrumar a casa, ora tudo isso.

Não sei como fazem os escritores de verdade. Volta e meia leio que pegam na trouxa e vão para um hotel. Mas eu isso acho que não, acho que me parecia impessoal, impróprio para uma pessoa mergulhar dentro de si. Mas depois penso que talvez num hotel ao pé do mar fosse possível e, imagine-se, dou por mim a pensar em Saint-Malo. Não sei porquê mas acho que em Saint-Malo poderia escrever muitas páginas.

Agora estou aqui na sala, sozinha, a mesa pejada de livros, um candeeiro de pé iluminando o computador, a televisão ligada.  Talvez conseguisse escrever aqui mas só de noite. Parece que aqui só de noite quando a cidade dorme e a chuva cai sozinha na rua, escorre aqui na janela, uma solidão boa.

Contudo, aqui, assim, acho que só me dá para escrever coisas à toa.

Mas estou com esta conversa porque tenho aqui comigo um livrinho que me está a agradar muito. Leio aos bocados, não tenho tempo para mais, mas estou a gostar mesmo. Chama-se 'La cabaña de Heidegger - un espacio para pensar' de Adam Sharr. 




Desde el verano de 1922, el filósofo Martin Heidegger (1889-1976) comenzó a habitar una pequeña cabaña  en las montañas de la Selva Negra, al sur de Alemania. A lo largo de los años, Heidegger trabajó desde esa cabaña en muchos de sus más famosos escritos, desde sus primeras conferencias hasta sus últimos y enigmáticos textos.


Leemos en su introducción “Este libro trata de una intensa  relación entre el lugar y la persona. En el verano de 1922, Martin Heidegger (1889-1976) se mudó  a una pequeña cabaña construida para él en las montañas de la Selva Negra en el sur de Alemania.  Heidegger llamó a este edificio, de aproximadamente 6×7 metros en planta “die Hütte (la cabaña). En ella trabajó en muchos de sus más famosos escritos, desde sus primeras conferencias, que cautivaron a los estudiantes, y sus primeros apuntes del libro “Ser y Tiempo”, hasta sus últimos y tal vez más enigmáticos textos. 

Heidegger pensó y escribió en la cabaña a lo largo de cinco décadas, a menudo solo, reclamando una intimidad emocional e intelectual con el edificio, sus alrededores y el paso de las estaciones.

Para Heidegger, Todtnauberg fue mucho más que un emplazamiento físico. En 1934 hablaba  de entender su obra filosófica como parte de las montañas y de que el trabajo le encontraba a él junto con el paisaje. 



Se concebía a sí mismo como un escritor sensible, sugiriendo que la filosofía transmutaba el paisaje en palabras a través de él, casi sin intermediarios. 

El filósofo aseguraba que había un sustento conmovedor en el clima cambiante de la localidad, el sentido de interioridad del edificio, la lejana vista a los Alpes y la primavera. Atribuía una “ley oculta” a la filosofía de las montañas. 


Mientras que algunos han encontrado un valor en el provincialismo de Heidegger, otros encuentran penosa su abdicación de la acción y su tendencia al romanticismo, dado su destacado compromiso con el régimen nazi en la Alemania de la década de 1930. 

Al abordar los escritos de Heidegger - en especial a los que se refieren al “habitar” y al “lugar”, que han interesado a los arquitectos - es importante considerar las circunstancias en las que el filosofo se sintió “transportado” dentro del “propio ritmo” de las obras .


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Poema de Heidegger recitado por Abujamra

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As fotografias mostram a cabana de Heidegger

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Relembro que, por aí abaixo há mais dois posts, um de humor e outro de natureza, desporto e loucura.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma quinta-feira do melhor que há.

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