Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca
Mostrar mensagens com a etiqueta Helen Mirren. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Helen Mirren. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, março 10, 2016

Isto de cumprimentar com beijo na boca parece moda que está a vir para ficar.
Cá por mim não digo que não (desde que seja eu a escolher a quem dou, claro).
Veja-se o caso de Dame Helen Mirren, 70 anos, que deixou Stephen Colbert, o entrevistador do The Late Show sem palavras, atarantado:
de repente, viu-se agraciado com um caloroso beijo na boca. Ora toma!



Dame Commander of the Order of the British Empire Helen Lydia Mirren é uma mulher com muita pinta: bonita, elegante, sensual, talentosa, excelente actriz, premiada, reconhecida, acarinhada etc e tal. Além disso, aos 70 anos, é rosto da L'Oreal pois tem sabido envelhecer com orgulho, sem plásticas, sem se deformar. Tem rugas e não se envergonha delas, tem um belo colo, umas belas poitrines -- e é com graça e despudor que exibe as suas delicatessen.

E tem, sobretudo, a par de uma feminilidade e de uma sedução inteligentes, uma desconcertante desenvoltura, toda ela cheia de charme.

Li que ontem, ao entrar no palco em que ia decorrer uma entrevista no The Late Show, antes que Stephen Colbert, o entrevistador (de 51 anos), tivesse oportunidade de perceber o que lhe ia acontecer, ao cumprimentá-lo, Dame Helen o abraçou calorosamente e, com galanteria, lhe deu um beijo na boca. 

E não se ficou por aí pois confessou que não foi sem querer, que há anos que tinha vontade de fazê-lo pelo que não podia perder a oportunidade. Nem mais.
"If I didn't do it, then I'd never get to do it," explicou ela "I have been dreaming of doing that for about fifteen years. I just grabbed my chance. I'm sorry."
Depois de se refazer da surpresa e, até, com algum embaraço, Colbert brincou "That is one of the nicest greetings any guest has ever given me." E mais tarde acrescentou, "You know what you're doing."

Por seu lado, mais à frente na conversa, Helen, gloriosamente descarada nos seus belos 70 anos, continuou a flirtar com o tímido entrevistador: "Your  lips are very soft!" e até lamentou não se ter alargado ainda mais  ("Oh, why didn't I do more?").

E eu penso: mas porque não? Se uma pessoa acha um homem interessante, porque não chegar ao pé dele -- esteja-se onde se estiver -- e dar-lhe um gostoso beijo na boca?

Penso no Juncker: chega ao pé de qualquer um e vá de duas beijocas. Qual o mal? E, até, que se diga que não são nada de mais porque são na cara. 

Bem, o Marcelo por pouco não levou na boca. Dá ideia que foi mesmo na comissura labial ou, se não foi, andou lá muiiiiito pero. Até fecharam os olhinhos - olha para eles...


Já com o Pablo Iglesias me parece um certo abuso. Vá que uma pessoa, na Assembleia, diz qualquer coisa que, a ele, carnal Pablo, lhe cai no goto. Sujeita-se a que, mal dê por ela, já esteja com a língua do Pablito na boca.

Bem, língua ainda não deve haver - embora quem já passou pela experiência diga que o malandro, quando beija, beija para valer. E quando é do mesmo sexo e a mulher vê tudo na televisão...? Ui.
Diz o deputado Xavier Domènech que a mulher lhe perguntou depois: 'E olha lá, não tens nada para me dizer...?' 
Ele bem tentou fazer-se de despercebido 'Não, nada. Porque perguntas isso...?' 
Mas, coitado, de nada lhe valeu: a mulher e o mundo inteiro tinham visto aquele belo momento de amor.
O beijo

Portanto, isso assim, um beijo roubado, não me agradaria -- poderia calhar-me um estupor horroroso, credo, nem pensar. Agora ser uma pessoa a escolhê-los, e bem escolhidos, e aplicar uma beijoca a preceito já não me parece muito mal.

Estava aqui a pensar a quem é que eu gostaria de ser apresentada para fazer a experiência e, assim de repente, não estou bem a ver. Na volta, acho que sou muito desinibida mas, ora bolas, sou é uma conservadora tipo beata, opus dei encartada. 

Bem. Não é para falar das minhas picuinhices que aqui vim (mas, que chatice isto, vejam bem que agora não há um único que me apeteça beijar de beijo na boca, assim numa de social...) 
(Também não ia aqui dizer, não é?, que eu não parva mas não sou burra)
Adiante, pois. Vejam, por favor, o vídeo que é uma graça. E a ver vamos se a moda não vai mesmo pegar. A acompanhar com atenção a TVI 24 esta quinta à noite: a ver vamos se a Manuela Ferreira Leite não vai pregar um valente chocho no Paulo Magalhães...

Ó para ela com ar de danadinha...!
Vai uma aposta em como o Paulo Magalhães também vai ficar sem palavras?


No The Late Show with Stephen Colbert Helen Mirren deixa o pobre Stephen sem palavras


____

Tinha aqui uma ideia para umas 'cenas' à maneira, até estive a tirar fotografias e tudo, umas receitas de amor para mulheres tristes, e inclusivamente já tinha a banda sonora na cabeça e, no fim, distraí-me com esta brincadeira e agora já não dá, já é tarde. A ver se fica para amanhã pois é coisa do mais instrutivo que há (p'ra menina e p'ro menino). Vão por mim, que vos vai ser muito útil.

____

Mas, antes de se irem embora, desçam ainda até ao post abaixo onde falo do discurso de Marcelo, dos sorrisos, da festa da tomada de posse do nosso novo Presidente da República, e mostro fotografias do concerto e ele, todo feliz, de boné e mantinha nas pernas, uma graça. 


quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Aquelas que, em tempos, foram mulheres muito belas


Bem, agora que que se ouvem tantas meninas a gritarem que vem aí o lobo e que eu já disse o que tinha a dizer sobre o assunto -- deixando umas sugestões para os senhores que nos governam -- vou intervalar.

De qualquer maneira, a quem não aguentar a espera e quiser já ouvir-me a dar conselhos ao Costa, ao Centeno (que, coitado, tão estafado parece estar, dá ideia de já mal poder com uma gata pelo rabo) e ao Mister Foreign Affair e, tagarela como sou, também a falar do orçamento, de caniches que não largam, de incontornáveis popotas e de galinhas bronzeadas e sei lá que mais, pois que salte já daqui até lá para baixo.

É que, aqui, agora, vou falar de mulheres. Da beleza das mulheres quando deixam de ir para novas. (Hélas, como é o meu caso).

 Jennifer Lawrence, 25 anos, e Jane Fonda, 78 anos -  por Annie Leibovitz para a Vanity Fair, 2016



Silêncio e tanta gente - Maria Guinot


Hoje fui ao supermercado à hora de almoço. Todas as semanas levamos as compras mais pesadas para que a terceira idade não tenha que o fazer. Quando me atraso, o meu marido despacha tudo num ápice: as compras cingem-se ao estritamente necessário. Quando eu vou, dou-lhe cabo do sistema nervoso porque o tempo é limitado e eu, sem querer, perco-me. 

Jane Fonda, 1978

Geralmente, mal o apanho de costas, pisgo-me a ver se há promoções na zona dos cremes. Vejo para que idades são eles recomendados para ver se são mesmo os que eu deveria usar, se apagam as rugas, se eliminam a flacidez, e mais qualquer coisa de que agora não me lembro. Vejo se são de dia, de noite, se são tratamentos reafirmantes, se são daqueles que simulam preenchimento, etc. (O que será a outra coisa de que não me lembro?) Adiante. Depois vou ver os mais caros, para ver as novidades. Um balúrdio. Arrepio caminho e, se estou a precisar, fico-me pelos mais básicos.

Volta e meia encontro na casa de banho do escritório algumas colegas retocando as maquilhagens. Só vejo coisas de marca. Eu não. Abasteço-me na fancaria e, de preferência, no que estiver em promoção. Perdulária só sou com livros (ou coisas para a descendência, claro).

Pois bem, hoje havia promoções das boas, 35% de desconto. Abasteci-me, claro está. Agora já apliquei um creme de noite, dos novos. Com um descontão destes, trouxe um daqueles que, só pela embalagem, a gente já vê que é coisa técnica, certamente mais eficaz do que um lifting.

(Só espero amanhã, quando me vir ao espelho, poder constatar que estou com a cara que tinha aos 15 anos, sem uma ruguinha, pele quase de bebé.)

Helen Mirren, 2016
Tenho na parede do meu quarto, umas fotografias de quando me casei, banhada de sol, eu de calças brancas, justinhas, túnica Augustus branca, quase transparente, com uns bordadinhos brancos, cabelo curtinho, risonha, completamente in love e abraçadinha a um moreno sóbrio parecido com um sírio cabeludo e barbudo. 

Helen Mirren por Lord Snowdon, 1995

Por baixo dessas fotografias coloquei uma minha e uma dele quando tínhamos eu um ano (quase careca, apenas uma penugem clarinha, e toda risonha) e ele com dois (cabelo escuro, muito penteadinho e muito sério).

Volta e meia páro a olhar: eu com 1 ano, eu com 20 anos e, depois, se me olhar ao espelho, eu agora. E tento perceber quantas das minhas células actuais sobreviveram desses meus verdes anos. Penso que já devem ter ido todas à vida e, no entanto, sou eu, a mesma.

Mas os traços da idade estão cá e mais virão. Melhor: tomaram que venham que será sinal que estou viva. E, de resto, com cremes milagrosos, quem sabe se não parecerá que cristalizei no tempo, sempre com carinha de vinte anos.

(Estou a brincar, bolas, não quero parecer um fóssil, senão, às tantas, ainda me confundiam com a Senhora Dona Lady).

Diane Keaton por Annie Leibovitz, 2016
Diane Keaton, 1985
Dantes eu pensava que as mulheres eram bonitas quando eram novas e que, depois, eram o que tinha sobrado. Agora já não penso assim. Agora já acho que há beleza em todas as idades. Além disso, quando me distraio, logo penso: olha, de qualquer maneira uma mulher aos 70 ainda é capaz de parecer toda gira aos olhos de um homem de 80. Mas é um pensamento parvo, claro, até porque o que não faltam são mulheres que despertam paixões em homens bem mais novos.

E o que se passa com mulheres, passa-se com homens. Contudo, a pele dos homens parece que resiste melhor ao passar do tempo. Ou, então, sou eu que sou mais benevolente com eles. Mas que os homens ficam mais interessantes, mais inteligentes, melhores companhias, isso é inquestionável -- isto, claro, se não ficarem velhos babacas, taralhoucos.

Mas volto às mulheres para referir aquilo que verdadeiramente penso a propósito disto: interessantes são as mulheres que não têm medo de parecer velhas, feias, sem graça. Interessantes são as mulheres que amam a vida e a querem viver, toda, tenham a idade que tiverem. Interessantes são as mulheres que ousam, que desafiam, que seduzem. Interessantes são as mulheres que gostam do seu corpo, que querem amar e ser amadas. Interessantes são as mulheres que têm prazer em despertar interesse e que estão disponíveis para se interessar pelos imprevisíveis instantes de felicidade que a vida tem para oferecer. Tenham 20, 40, 60 ou 80 ou mais anos.

Charlotte Rampling por Helmut Newton, 1974

Charlotte Rampling, Annie Leibovitz, 2016


Mulheres brancas e pretas, sempre belas em qualquer idade

As mulheres que dão cartas em Hollywood - por Annie Leibovitz para a Vanity Fair  2016

.................

Hoje, quando cheguei aqui à sala vinha numa de falar de um certo lobo com um filósofo à mistura. Mas, depois de umas boas charutadas (vide post abaixo), nada como dar uma espairecida e, por isso, desviei-me para isto das mulheres. A ver se amanhã venho, então, de lobo pela mão que agora, com o sono com que estou, vou mas é pregar para outras pradarias.

Caso estejam fartos de tanta mulherada, aceitem o meu convite e venham dar vivas a Portugal, enquanto as maria-amélias suspiram de saudades pelos algozes. É já aqui abaixo.

...

quinta-feira, outubro 08, 2015

Ao terceiro post da noite no Um Jeito Manso já não há cagarras nem social-cagarras, nem PàFs nem social-Pafiosas, nem bardajonas alemãs nem padrolas de pau carunchoso: só há velhinhas a protestarem por mais sexo.


Pois é, meus Caros, o meu dia voltou a ser uma coisa naquela base. Nem digo nada para não me verem como a mestra do déjà-lu. Mas em consequência do que foi, já me deixei dormir aqui, nesta cadeira, umas quantas vezes. Felizmente só me dá para cabecear, senão já estava estatelada no chão há que séculos. Olha, se fosse sonâmbula e me desse para escrever coisas parvas... Estavam vocês aí à espera de ler coisa esperta e só vos saía macacada. Mas não, cabeceio, acordo, escrevo, adormeço e volto a dar saltos como se estivesse a cair do texto abaixo mas não passo disto, mantenho-me uma cabecinha pensadeira.  Contudo, não quero desafiar a minha sorte e, por isso, com vossa licença, vou atalhar razões e dizer-vos que, a seguir, poderão encontrar o caminho para um dos melhores blogues da actualidade onde darão com um texto que deveria ser emoldurado e afixado em todas as paredes públicas, especialmente nas das cidades em que ganharam os PàFs, E, mais abaixo ainda, encontrarão a fotografia daquela que terá sido a escola da turminha dos pafiosos e, en passant, ainda aproveito para uma de corte-e-costura em volta das madamas da coxa grossa e das mademoiselles da barbicha esfiapada que por aí andam, todas nervosas, com isto do PCP apoiar o Costa e do Costa se estar a portar como a charneira do regime. Consta que, histericazinhas, já culpam o Mister por não ter sido mais claro e não ter dado um valente chega para lá nos piolhosos dos esquerdalhos.

Mas adiante, que isso é a seguir a este. Aqui, agora, viro-me para a vida como ela é.







Já se sabe que os novos 50s são os antigos 40s e que as balzaquianas de ontem são as ninfetas de hoje. E já se sabe também que é depois na menopausa que as mulheres descobrem a amplitude máxima da sua sexualidade e mais umas quantas coisas agradáveis para elas e para os seus respectivos parceiros sexuais. O tema dava pano para mangas mas, a esta hora e já a dormir, o texto fica mesmo de alças.


Portanto, deixa-me ir direita ao tema: li uma notícia ainda mais fantástica do que a da jovem mulher que se divorciou por não suportar ser gozada por ter um marido pequenino. Agora é uma italiana fogosa, professora reformada que já vai no terceiro marido, que se queixa do marido não dar fogo à peça com a frequência que ela almeja. A habilidade do homem não dá para mais do que duas vezes por mês e o que é isso para quem tem apetite para muito mais?

Pediu divórcio, deu as suas razões e, apenas quando o advogado tentou mediar o desaguisado, é que ela condescendeu: que não queria mesmo ver-se livre de mais um maridão, queria mesmo era que ele tomasse viagra. O pobre homem alegou em sua defesa que se entregava ao jogo da petanca em vez de aos jogos de cama para que a mulher o desencaminhava porque sofre do coração e não pode tomar o comprimido azul. Coitado.

Mas até aqui nada de especial: homens de fraco alimento é  o que não faltam e mulheres desanimadas com a falta de competência do companheiro idem. 




A graça disto é que a dita senhora tem 84 anos. 84. E o maridão tem 88. Na volta, aos 84 as mulheres já são todas assim: duas por mês? Era o que faltava. Duas por semana e é o mínimo. Menos que isso é divórcio por falta de comparência. Nem mais. Assim é que é.

Se por aí estão algumas Leitoras também desiludidas com o desempenho fraquinho, fraquinho do maridão, nada de desanimarem. Protestem, reivindiquem, façam manifs à porta do quarto,  falem com a Avoila para criar um sindicato, qualquer coisa. Mas nada de se resignarem. Agora uma coisa vos aconselho eu: nada de desfazerem um viagra às escondidas no copinho de leite não vá o pobre sofrer mesmo do coração e ainda ficar com ele erecto todo o santo dia (ele, o coração, claro).

....

A segunda fotografia mostra a talentosa Helen Mirren, uma jovem de 70 anos, e a primeira e a terceira mostram Carmen Dell'Orefice, primeiro quando era uma virginal menina e agora, uma moça justamente com 84 anos.

Jane Birkin e Serge Gainsbourg interpretam La décadanse
..

E queiram, por favor, deixar-se deslizar por mais dois posts por aí abaixo.


sábado, junho 06, 2015

Adele, a mulher de ouro


Chego ao fim da semana e apetece-me ir espanejar, laurear, arejar, mudar de registo.

Fomos ver A mulher de Ouro, o filme que conta a história verídica da recuperação de Portrait of Adele Bloch-Bauer I -- o quadro de Klimt, datado de 1907 -- por parte da sobrinha de Adele, Maria Altmann.





Poderia compor um texto adequado à importância e beleza da obra e da odisseia que foi a recuperação do quadro que os nazis tinham roubado da casa da família e que estava exposto em Áustria. Contudo, perdoar-me-ão, mas estou mesmo incapaz disso. Por isso, transcrevo do cinecartaz:

Helen Mirren
Passaram-se quase seis décadas desde que Maria Altmann (Helen Mirren), de origem judia, foi obrigada a sair de Viena (Áustria) para escapar à invasão nazi. Agora, decidida a recuperar o "Retrato de Adele Bloch-Bauer I", o famoso quadro de Gustav Klimt que foi confiscado à sua família pelo exército alemão, ela deixa Los Angeles (EUA) e regressa, pela primeira vez, à cidade onde nasceu.  
Para a ajudar na longa batalha judicial que a espera – e que vai implicar um confronto com o Estado austríaco e o Supremo Tribunal dos EUA –, apenas poderá contar com Randol Schoenberg (Ryan Reynolds), um jovem advogado corajoso mas com pouca experiência.  


Maria Altmann


Com realização de Simon Curtis ("A Minha Semana Com Marilyn") e argumento de Alexi Kaye Campbell, inspira-se na verdadeira história de Maria Altmann (1916-2011) e na sua longa luta para recuperar o património perdido durante a Segunda Grande Guerra.





Woman in Gold - trailer



.....

A palavra à verdadeira Maria Altmann a propósito do quadro que retrata a sua tia Adele




...

Secrets of New York: The Portrait of Adele Bloch-Bauer




...

Para quem possa:


Gustav Klimt and Adele Bloch-Bauer: The Woman in Gold

April 2, 2015 - September 7, 2015

Note: Although the exhibition "Gustav Klimt and Adele Bloch-Bauer: The Woman in Gold" is only on view through September 7, the painting Portrait of Adele Bloch-Bauer I by Gustav Klimt is on permanent view at the Neue Galerie.

"Gustav Klimt and Adele Bloch-Bauer: The Woman in Gold" is an intimate exhibition devoted to the close relationship that existed between the artist and one of his key subjects and patrons. Included in the exhibition is a display of Adele Bloch-Bauer I, paintings, related drawings, vintage photographs, decorative arts, and archival material.
----

Permitam que vos convide a visitar os dois posts abaixo deste: um sobre a revolução facial que uma maquilhagem bem feita pode operar no rosto das mulheres (tema que desperta em mim grande curiosidade: será que se me entregar nas mãos de uma maquilhadora inspirada poderia ficar tão linda como qualquer das beldades que escolhi para ilustrar o tema?) e um outro sobre a experiência de beijar um desconhecido, às cegas.

----

Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado, um sábado dourado e feliz.

...

quinta-feira, abril 02, 2015

A base de dados dos contribuintes está escancarada? A Autoridade Tributária é a casa da mãe Joana, entra quem quer e faz o que quer? Pois. Mas eu prefiro falar da Dame Helen Mirren, de novo brilhante como Queen Elizabeth II em The Audience. E na paródia com Jimmy Fallon.


No post abaixo divulguei uma curiosa e sugestiva campanha publicitária alertando para os riscos do sexo inseguro. Tem graça, alguma malícia e é muito útil.

Agora, aqui, estava com vontade de falar da bandalheira que para ali vai pela Autoridade Tributária que, de resto, é a imagem de marca deste governo indigente. Parece que ninguém sabe o que se passa em lado nenhum, mais parece que não passam todos de uma cambada que se abancou sem fazer ideia de a quantas anda, os serviços aparentemente sem rei nem roque, uma vergonha (ou melhor, uma falta de vergonha). Funcionários da Novabase, da Accenture, tarefeiros, estagiários, todo o mundo e mais alguém com via verde para acesso franco aos dados dos contribuintes. E ninguém consegue perceber se tudo se passa à revelia do Secretário de Estado, da Ministra e do Primeiro-Ministro ou se é tudo também uma cambada de mentirosos. 


Mas já nada disto me interessa, é tudo já demasiado pífio, um clima de fim de festa sem honra.

O desemprego está a aumentar e o Láparo diz que isso não o embaraça. Só tontices em que uma pessoa não sabe se são as palavras que ele usa que são mal escolhidas ou se é mesmo aquilo que ele quer dizer. 


E depois também a bandalheira do que se passou nas eleições da Madeira: parece que nada funciona e que ninguém é responsável, nem sequer consegue explicar o que se passa.


Por isso, vou dizer o quê? Pôr-me a remexer nesta bagunça? Não me apetece. Não gosto de mexer no lixo. 

Portanto, se não se importam, dou antes o palco a uma mulher de muito talento, Dame Helen Mirren.




No âmbito da promoção de The Audience na Broadway foi ao programa de Jimmy Fallon, The Tonight Show. E foi um show. O sentido de humor, a malandrice desempoeirada, o sotaque so posh (acentuado pelo hélio que aspirou), a capacidade de improviso são uma delícia, chegando a simular um discurso de aceitação do Oscar. 




....

Já agora:


Helen Mirren em The Audience


....

A campanha do pirilau graffitado é já aqui abaixo.

..

quinta-feira, agosto 16, 2012

Do espiritual na arte - a palavra a Wassily Kandinsky (aqui sobre o vermelho e sobre o amarelo)


Um arabesco, por favor


O guitarrista Richard Durrant interpreta o seu arranjo do Arabesco nº1 de Debussy. 
O filme animado é da autoria de Miranda Vincent.


Enquanto me embrenho tentando descobrir quem assassinou selvaticamente o solitário escritor Michel Houllebecq, intercalo com a leitura de um pequeno e fascinante livrinho, Do espiritual na arte, de Wassily Kandinsky, pintor que admiro bastante.

Como já aqui referi inúmeras vezes, gosto muito de pintura abstracta. O que não existe senão quando é produzido por um artista interessa-me muito mais do que uma representação tal e qual da existência tal como a conhecemos.

Ouvir e ler sobre a arte tal como a sentem os artistas que admiro é coisa que me motiva sobremaneira. Por isso, a leitura deste livro quase me emociona. Se vos transcrever aqui algumas partes, muitos dos que me estão agora a ler são capazes de achar que não sou boa da cabeça para me emocionar com coisas assim. Mas é um facto.

Acho que a este livrinho irei voltar frequentemente. Agora deixo-vos aqui apenas um pouco, antes de me ir outra vez deliciar com a sua leitura.



Élan tempéré - última obra de Kandinsky (1944)


Numa composição triste, só a utilização do vermelho introduz o elemento dramático. Com efeito, o vermelho, quando isolado, não causa qualquer tristeza no tranquilo espelho da alma.

Quando aplicado a uma árvore, estamos em presença de um caso totalmente diferente. O tom fundamental do vermelho subsiste tal como nos exemplos precedentes; mas aqui junta-se o valor psíquico do Outono para a alma sensível (já que esta palavra, 'Outono', é, só por si, uma unidade psíquica, como o é qualquer conceito real, abstracto, imaterial ou físico). A cor associa-se intimamente ao objecto, e constitui um elemento que age sozinho, privado do som dramático (...).

Com um cavalo vermelho é outro caso bem distinto. Basta pronunciar estas duas palavras (cavalo vermelho) e somos transportados para outra atmosfera. Um cavalo vermelho não existe na realidade. A sua impossibilidade natural exige um envolvimento igualmente artificial. Sem isso, seria apenas uma curiosidade (cujo efeito superficial nada teria em comum com a arte), um conto de fadas mal interpretado (e, portanto, uma curiosidade que dificilmente passaria por obra de arte)


Pintura de Kandinsky

(...) 

Com efeito, o primeiro movimento do amarelo, a sua tendência para prender o olhar, tendência que, ao forçar a intensidade que lhe é própria, se pode tornar importuna; e o segundo movimento, ao saltar todos os limites, expande força à sua volta, assemelhando-se às qualidades de qualquer força material que se precipita inconscientemente sobre o objecto e se derrama de modo desordenado para todos os lados. Considerado directamente (em qualquer forma geométrica), o amarelo atormenta o homem, espicaça-o e excita-o, impõe-se-lhe como um constrangimento, importuna-o com uma insuportável insolência. Esta propriedade do amarelo, que tende sempre para os tons mais claros, pode atingir uma intensidade insustentável para o olha e para a alma. Assim potenciado, soa como uma trompeta vibrante, que tocasse cada vez mais alto, ou como uma fanfarra ruidosa.

*

Partilhemos agora um pouco a opinião de Helen Mirren sobre Kandinsky, junto de Kandinsky.


*

Tenham, meus Caros Leitores, um dia cheio de cor.