Desde que me conheço que sou muito sensível a perfumes. Sempre os usei. Os cheiros produzem em mim um efeito que não sei descrever. Efeito abrangente, talvez. Uns trazem-me memórias, outros transportam-me para outros mundos. Não sou capaz de sair de casa sem me perfumar. Aliás, até sou. Mas só em férias ou ao fim de semana, e isto se não tenho nenhum programa social. Mas, nesses casos, compenso com cremes corporais com bom cheirinho.
Durante muito tempo fui experimentando. Uma vez, conheci uma amiga da minha filha, uma miúda gira, moderna, muito alegre. Cheirava mesmo bem e tinha um toque de irreverência. Não descansei enquanto a minha filha não lhe perguntou o que era. Era o Light Blue que ainda mal se conhecia. Usei-o durante algum tempo. Outra vez conheci o One do Calvin Klein. Gostei. Era bom, leve, quase neutro, coisa para o dia a dia.
Até que descobri o Chance da Chanel. Usei-o quase em exclusivo durante anos. Pareceia-me indissociável da minha existência. Mas não sou dada a fidelidades gratuitas, especialmente quando a diversidade é tanta, tão boa, tão apelativa. Ia sarabandeando com outros, mas, obviamente, mantendo a base Chance.
Até que ousei o Nº 5. E aí foi o coup de foudre. Não há outro como o Nº 5. É verdadeiramente intemporal. E o aroma não se adultera ao longo do dia. Há muitos perfumes que, ao fim do dia, já viraram adocicados, outros vulgarizam-se com o contacto com a pele, com a transpiração natural. O Nº 5 não. Altera-se, sim, mas levemente e para melhor, torna-se mais íntimo, mais feminino, diria que mais sensual. Haverá peles onde o Nº 5 se adultere mas na minha não. Do que sei de perfumes, cada pele absorve e transforma o perfume de uma maneira muito própria. Em mim, o Nº 5 é assimilado de forma muito pessoal, muito minha, muito boa. Pelo menos, é assim que o sinto e, naturalmente, falando de sensações, tenho que falar das minhas que são as únicas que conheço na primeira pessoa.
Até que descobri o Chance da Chanel. Usei-o quase em exclusivo durante anos. Pareceia-me indissociável da minha existência. Mas não sou dada a fidelidades gratuitas, especialmente quando a diversidade é tanta, tão boa, tão apelativa. Ia sarabandeando com outros, mas, obviamente, mantendo a base Chance.Até que ousei o Nº 5. E aí foi o coup de foudre. Não há outro como o Nº 5. É verdadeiramente intemporal. E o aroma não se adultera ao longo do dia. Há muitos perfumes que, ao fim do dia, já viraram adocicados, outros vulgarizam-se com o contacto com a pele, com a transpiração natural. O Nº 5 não. Altera-se, sim, mas levemente e para melhor, torna-se mais íntimo, mais feminino, diria que mais sensual. Haverá peles onde o Nº 5 se adultere mas na minha não. Do que sei de perfumes, cada pele absorve e transforma o perfume de uma maneira muito própria. Em mim, o Nº 5 é assimilado de forma muito pessoal, muito minha, muito boa. Pelo menos, é assim que o sinto e, naturalmente, falando de sensações, tenho que falar das minhas que são as únicas que conheço na primeira pessoa.
Nos últimos anos, contudo, tenho-me aberto totalmente a novas experiências: há Hermès maravilhosos, há outros Chanel também bons (Nº 19, Allure, Cristalle, CoCo, por exemplo), há um de que gosto muito, Loewe, o que é bergamota, um aroma cítrico que se mantém perfeito ao longo do dia, fresco, elegante. Gosto. Ou o Daisy de Marc Jacobs que tem um toque a violeta. E outros. Experimento. Têm que ser florais, frescos, nada adocicados, nada quentes. Por exemplo, os Armani acabam sempre por se tornar um bocado intensos, intrusivos. Talvez a Acqua di Gioia seja a excepção, porque é, de facto, agradável.
Enquanto escrevo, seguindo o oportuno conselho do Paulo, estou a ver o documentário sobre o Nº 5. ouço que é abstracto. E é isso mesmo. Acho que nenhuma outra característica se lhe aplica tão bem: é abstracto. Aldeído, jasmim. Seja. Mil outras faíscas, também. Mas é a combinação elegante que faz a diferença.
Sou também muito sensível ao lado estético. Os frascos dos perfumes são fundamentais. É como a encadernação, a gramagem do papel, a paginação num livro. Uma coisa deve vestir bem a outra. O corpo certo para encadernar a alma. O frasco do Nº 5 é o certo. É lindo. Sóbrio, elegante, equilibrado.
Quando saíu o Gabrielle fui logo ver, cheia de curiosidade. A Casa Chanel é cheia de novidades, gente arejada das ideias, gente com bom gosto. Mas não me atraíu. É bom, claro. Todos os perfumes Chanel são bons. Mas parece-me um bocado incaracterístico, nada que me apeteça muito ter a cobrir as zonas do corpo onde gosto que me beijem (o que, caso não saibam, é o conselho de aplicação para o Nº 5). Falta-lhe carisma, falta-lhe lampejo, falta-lhe corpo, falta-lhe a inspiração que, quando envolvendo a transpiração, vira arte.
Saíu agora o novo vídeo publicitário e como todos os vídeos Chanel é um encanto. Refere-se ao lançamento do novo Gabrielle: Essence. Realização de Nick Knight, 'uma ode à luz e à liberdade', com a graciosa Margot Robbie a encarnar a mulher Chanel, uma mulher que, segundo dizem, se caracteriza pela sua graça e carisma. Leio que o filme pretende corresponder à la fragrance aux notes de jasmin, de tubéreuse de Grasse, d’ylang-ylang des Comores et de fleur d’oranger de Tunisie. Um filme muito bonito.
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E aproveito o post para aqui deixar uma fotografia de Diane Kruger feita pelo talentoso Peter Lindberg (falecido ontem) para a Chanel
E até já.





















