Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quarta-feira, janeiro 08, 2020

Paulo Cardoso, Alexandre Silva e Gimba na Prova Oral com o Alvim e a Xana Alves.
E o João Habitualmente que parece ser do caraças.
E, tirando isso, qual o desporto para cada signo.





Agora que estou a começar a escrever, está o Paulo Cardoso, com papéis na mão, a ler previsões para cada dia do ano, para cada signo. Tem graça. Pena não o ouvir a fazer previsões que se me apliquem.  O Fernando Alvim, entretanto, está com umas calças do além. Há uns anos seriam calças de pijama, agora é capaz de serem fashion. Encaixam bem nele -- e estou a falar a sério. Nele e no programa. Quando venho para casa, no intervalo dos telefonemas diários à família, ouço a Prova Oral e, quanto maior é a maluquice dele ou dos ouvintes que lhe telefonam, mais eu gosto. Na televisão também tento não perder. 

Entretanto, preguiçosa que estou depois de ter estado duas horas a pesquisar aquilo que me ultimamente me prende, fui espreitar as notícias e, tirando alguns temas sérios e outros disparatados, nada me fez tocar campainhas. Mas o que poderia ter feito tocar também não fez. Tarde demais para campainhas.

E agora entrou o Gimba, outro ser iluminado -- e também não estou a brincar. Pelo meio, entrou o Alexandre Silva, que é muito bonito, muito simpático, com um encantador sorriso tímido, e que, segundo aprendi, um inspirado chef. Até contou que fez um perfume para a namorada a partir de flores de laranjeira que estavam caídas nos passeios de Vila Viçosa. Coisas especiais. Coisas que verdadeiramente importam.

Bem, isto para dizer que, tal como quando estou a querer desopilar vou a uma loja de roupa ou a uma perfumaria e experimento tudo o que me dá na bolha, aqui vou para as Vogues desta vida.

E, lá está, apareceu-me uma daquelas que acho uma macacada mas que não viro as costas antes de ir ver o que me toca. Qual o desporto a seguir em função do cada signo. Pimbas. Lá caidinha. É parvoíce? Ah pois é. Mas eu curto parvoíce, fazer o quê? 

Transcrevo o que a ciência recomenda aos caranguejos:
Signe d’eau
Planète : La Lune, les émotions 
Véritable éponge émotionnelle, vous êtes plutôt d’une nature créative et artistique que sportive. Le sport est pour vous une manière de libérer vos émotions et d’écouter votre corps. Pas d’agressions, vous suivez le ressenti et les besoins de votre être. Vous avez besoin de vous sentir en contact avec la nature. Signe d’eau, la mer est un besoin vital, une seconde nature. Sports conseillés : natation, yoga, course à pied, paddle, aquagym, danse.  
© Gilles Bensimon pour Vogue Paris
Traduzo com o Translator para ver se tem mais graça:
Sinal de água
Planeta: A Lua, emoções 
Uma verdadeira esponja emocional, você é mais uma natureza criativa e artística do que um esporte. O esporte é uma maneira de você liberar suas emoções e ouvir seu corpo. Sem agressão, você segue os sentimentos e as necessidades do seu ser. Você precisa se sentir em contato com a natureza. Como sinal de água, o mar é uma necessidade vital, de segunda natureza. Esportes recomendados: natação, ioga, corrida, remo, hidroginástica, dança.
© Gilles Bensimon para a Vogue Paris
Também vi por lá outro artigo, este com as previsões para o ano todo, signo a signo. Mas lá me aparece outra vez que vou finalmente poder fazer aquilo por que tanto ambicionei, que um grande projecto vai ser a minha consagração e o escambau. E que vou ter tumultos mas dá-me ideia que são dos bons porque a onda é de reestruturação na minha vida e que a minha força interior vai dar boa conta do recado. Mas não transcrevo esse porque o texto é longo e, de resto, tirando eu e a Gina, não sei se há mais caranguejos aí desse lado.

Ah o que estou a rir com a boa onda daquele grupinho ali na Prova Oral. Não sei como é que alguém tem paciência para outro tipo de programas. Futebol? Comentário Político? Bahhhh.... Já eram.

Tirando isto, posso acrescentar que antes disto, apanhei a recta final de outros dois bacanos, um dos quais o João Habitualmente. Só a cara dele já é todo um programa. Aliás, o nome também. Quando se levantou pensei que todo ele, de alto abaixo, era um programa. Alto e magro como uma haste ao vento. E, em cima, no topo, aquela carinha. E, por causa do dito vento, o cabelo todo no ar. O sentido de humor dele deu-me vontade de ir conhecer a poesia. Não deve ser poesia romântica. Com aquela cara ninguém escreve poesia romântica. Está lá, na livraria, um livro dele e, por algum motivo, ainda não me saltou para o colo. Mas, agora que o vi e ouvi, talvez leia os poemas de outra maneira. Parece que nas horas livres é médico. Quiçá cirurgião. Pelo menos foi o que deduzi. Fiquei a gostar dele. 

Mais? 

Bem. Só se for que estava eu, justamente, a ver onde poderia gastar o dinheiro que, segundo uma sms recebida, tenho no cartão quando, por mero acaso, encontrei uma pessoa que me é muito querida. De imediato desatámos a conversar, resolvemos ir almoçar e fomos, sempre a conversar, acabámos de almoçar e continuámos a conversar e, tarde e más horas, saímos -- e a conversar fomos para o parque de estacionamento. Claro que cheguei tarde. Um daqueles casos em que se costuma dizer que a noblesse oblige.


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E lamento informar mas acabei agora de ler uma notícia tenebrosa e juro que estou a falar muito a sério. Tenebrosa. Devia apagar tudo o que escrevi e escrever sobre isso. Mas não dá. Prefiro alienar-me. Há coisas estúpidas demais. Podia ser ficção, pesadelo, coisa de terror. Mas é verdade. Tem a ver com camelos e com a Austrália e nunca imaginei ler uma coisa assim. Devia ser dia 1 de Abril para eu ter esperança que fosse mentira. Mas Abril ainda vem longe. Prefiro ir enfiar a cabeça debaixo dos lençóis. 

Ah, e agora também o Irão a atirar mísseis para cima de bases americanas no Iraque. Aquele Trump fê-a bonita. Estupor. Não há pachorra. Fónix.

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As fotografias são de Laura Okita

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Um dia feliz para si

sexta-feira, julho 27, 2018

António Costa dança um slow com Filomena Cautela enquanto a sorridente esposa assiste.


Por isso, tenham alguma calma que eu já cá volto. Estou a meio de um post muito erudito mas agora tenho que dividir a minha atenção entre a minha basta erudição e o charme de Costa, a irreverência de Filomena e a simpatia de Fernanda.

É na RTP, no 5 para a Meia Noite e recomendo.

Resistiu bem à alta pressão (ia para uma ilha deserta com quem...? com quem...? ora adivinhem*...) e está de boné de comandante de navio. Uma graça.

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Já acabou, que pena...

E, depois de confissões de alto lá com elas e de ter rido do princípio ao fim, ainda fez a proeza de ligar ao pobre Centeno que, de férias, nem percebeu bem o enredo em que foi metido.

Grande Costa. Não há-de o pequeno Mano Costa morrer de invejinha e fazer de tudo para o tramar...?

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* - Com o Jerónimo, claro.

Porquê? - querem vocês saber.

Não conto... Ponham para trás e vejam que vale bem a pena. Melhor que ele só os pintarolas da Fonte da Telha. Gandas cromos! Uma graça, também.

E a Filomena Cautela em grande forma na condução do programa. Sim, senhora. Goody, goody.

segunda-feira, fevereiro 05, 2018

Quem julga a actuação do Ministério Público? -- É o Dâmaso.
Quem julga os casos de justiça em Portugal? Os juízes? -- Não, é o Dâmaso.
Quem descreve a história dos últimos anos em Portugal, a da corrupção e penso que não só? -- É o Dâmaso.
Quem é o mais poderoso do País? É o nosso ubíquo Marcelo? -- Não! Nem pensar. É o Dâmaso.
Viva o Dâmaso! Viva!
Pim!


E pouco mais tenho a dizer depois o ouvir o Eduardo Dâmaso a monopolizar (com a sua presciência, assertividade e auto-segurança) o Prós e Contras. Já calou a Fátima Campos Ferreira, já calou a Maria José Morgado. o Juíz, o Advogado e o Professor que ali estão -- e todos quantos na plateia pensem que têm uma palavra a dizer sobre o tema. 


Arrasem o Ministério Público, arrasem os tribunais, arrasem o Parlamento, arrasem até a Presidência da República. Não fazem falta. Não acrescentam. Não têm a necessária coragem. Não sabem. Em representação de todos e acima de todos basta o Dâmaso.

O Dâmaso sabe que Pinto Monteiro não exerceu as suas funções ou exerceu-a de conluio com obscuros interesses. O Dâmaso sabe, no País, em cada ano, quem subornou, quem roubou, quem manipulou, quem escondeu. O Dâmaso sabe tudo.


O processo foi liquidado? O Dâmaso sabe que o foi a partir de cima. O Dâmaso sabe. O Dâmaso conta como foi.

Jornais à porta das casas onde vão decorrer buscas? -- Ora, ora, diz o Dâmaso, isso sempre aconteceu. Mesmo antes de elas acontecerem? -- Ora, ora, sorri o Dâmaso. E no seu sorriso a gente percebe a superioridade de quem sabe. 

O silêncio segredo de justiça foi violado? O Dâmaso sabe por quem. O Dâmaso sabe porquê.


Alguns jornais nunca trazem algumas notícias nas primeiras páginas? -- Vão acabar, vaticina o Dâmaso. Ele sabe.

O Dâmaso conhece os podres e as intimidades do país. Quem, como, quande, onde. O Dâmaso sabe tudo.

O Dâmaso não tem dúvidas. De nada. O Dâmaso não tem medo. De nada. O Dâmaso sabe muito. De tudo.

Acabe-se tudo o que vive do erário público (juízes, procuradores, deputados, etc, e demais agentes de despesismo e entropia) e deixe-se brilhar o Sábado e o Correio da Manhã que aí, sim, se pratica a verdadeira justiça. Deixe-se brilhar o grande líder Eduardo Dâmaso. Viva o Dâmaso. Viva! 

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E sobre o tema é isto que me ocorre. Como referi, pouco tinha a dizer. 
E menos ainda depois de ouvir o Dâmaso.

Ah, sim, já se sente o cheiro do Carnaval.


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segunda-feira, janeiro 29, 2018

Centeno e os dois bilhetes da bola.
Nuno Artur Silva e as incompatibilidades televisivas.
[E, quanto a submarinos ou Tecnoforma (ou mesmo violência doméstica), nada a declarar...?]


A verdade é que quase nada tenho a dizer sobre isto. Há alturas em que o ridículo cobre como sarna quem toma decisões que são tão estúpidas que custa a acreditar a quem as ouve.

Não sei quem é que teve a brilhante ideia no primeiro caso. Talvez tenha sido mais uma das ideias avançadas da Santa Mana Joana, essa sumidade de rigor, isenção e boa gestão. Se foi, é mais uma medalhinha que poderá ostentar na lapela, a juntar a todas as outras relativas a fiascos, passos em falso e palermices que apadrinhou.
Buscas no Ministério das Finanças, uma farronca justiceira e esdrúxula que não lembra ao diabo: como se ali alguém tivesse roubado alguma coisa, como se Centeno ou a sua equipa fossem vulgares meliantes. E os jornais, as rádios e as televisões, tudo na brocanlhice, a notiviar a baderna. Se o ridículo matasse, a Santa Mana já se tinha finado há que tempos.

A propósito da ida de Centeno à bola com o filho o que posso dizer é que não conheço os contornos já que foi tema que nunca me interessou -- mas, caraças, nem preciso de conhecê-los. Algum animal pensante acredita que Centeno se deixou corromper com dois bilhetes de futebol? Tenho cá para mim que só um néscio muito néscio acredita numa dessas. Estou em crer que nem a Santa Mana Joana ou o Super-Judge Alex acreditam em tal (e isto só para evocar duas sumidades na arte de bem avaliar situações). 

Ainda a semana passada, numa reunião, estive com uns colegas que foram a uns dados jogos a convite de uma certa empresa. Não fui porque ir ao futebol é coisa que não me assiste. Mas se fosse um concerto dos bons e estivesse para aí virada, era bem capaz de ir. E estaria eu a ser favorecida, corrompida ou comprada ou whatever por aceitar um bilhete...? Se alguém achar isso o melhor é que vá dar banho ao cão e, de caminho, se encha do mesmo shampoo e se enfie no mesmo alguidar a ver se a estupidez e as pulgas lhe saem de cima. 
Acredito que quem não costuma receber coisas destas ache muito mal e acredite que é favor que acabará por, de uma maneira ou de outra, ser pago. Pois façam fé no que vos digo: nem pensar. Quem se corrompe a sério, vende-se por muito mais do que uns bilhetes para a bola. Por muito mais, meus Caros. E fará as coisas bem feitas. Ninguém saberá de nada, não existirão provas. 

Agora ir à bola e estar ali à frente de todos? Isso é corrupção...? Caraças é que é. Por muito injusto que possa ser para quem tem menos rendimentos e nunca recebe facilidades ou prebendas que tais, a vida é mesmo assim, carregadinha de injustiças.

Convites para isto, aquilo e o outro...? A toda a hora. Read my lips: a toda a hora.

Já o expliquei e explico outra vez: há uma coisa que são os patrocínios. Quem patrocima um evento ou um clube tem direito a bilhetes. Melhor: muitas vezes o patrocínio traduz-me justamente em comprar antecipadamente parte dos bilhetes daquilo que patrocina. Depois obviamente não ficam com eles na gaveta. Distribuem-nos por amigos, clientes, etc. Imagine se um cliente, ao receber um convite para um espectáculo, reage: 'Não aceito. Sou um puro. Não quero ser corrompido'. Era a gargalhada geral no mundo do trabalho. Quem pensa assim, que vá para um convento ou que ponha a cabeça de molho.

Já o disse anteriormente: convites para cenas dessas, para viagens, almoços, pequenos-almoços executivos, conferências e o que quiserem recebo dia sim, dia sim. Geralmente nunca aceito. Aliás: raramente aceito (e ponham raramente nisso). Mas não é para não ser corrompida porque não sou de me corromper. Acredito que um dia ficarei muito rica -- mas será porque me há-de sair um jackpot chorudo no euromilhões. Não é, pois, por receio de ceder à tentação e vir a favorecer de alguma forma o ofertante: é simplesmente porque gosto de ser eu a escolher as minhas companhias e os meus programas e nas minhas horas vagas prefiro larear a pevide e não ter que fazer sala ou conversa de circunstância ou simplesmente dar de caras com colegas ou conhecidos do mundo profissional.

Quanto a terem despachado o Nuno Artur Silva depois do que ele fez na RTP e com o pretexto esfarrapado que usaram só tenho a dizer que decisões dessas são próprias de gente cobarde. De gente assim sempe ouvi dizer que não valem um caracol furado, que é como quem diz que dos pequeninos e cobardolas não se faz a história. 


Não vou dizer mais nada mas recomendo a leitura do artigo de Pedro Marques Lopes: O Nuno Artur, o CGI e a vitória da calúnia e do nojo



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Não gosto de viver numa sociedade em que se governa ou decide em função da vox populi da carneiragem ou em que se governa ou decide em função do medo da opinião das lavadeiras de roupa suja, das alcoviteiras de serviço os das virgens ofendidas que pululam nas redes sociais. Não gosto mesmo nada.
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Vou mas é escrever mais um post para a minha fofa mais doce. Quero mostrar-lhe uma coisa. Se não conseguir acabar agora de noite (estou com muito sono), tentarei acabá-lo de manhã.

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sexta-feira, junho 23, 2017

Os olhinhos ofuscados do ministro Pedro Marques perante o generoso decote da Ana Lourenço



Também quero aproveitar para dizer outra coisa. Estávamos a jantar e a vermos a RTP 3. Por indolência fomos ficando. Gosto do Ministro Pedro Marques. Gosto desde que foi Secretário de Estado. É um fulano sóbrio. Não atira foguetes, não tenta agradar, fala do que sabe e, se não sabe, diz que não sabe. E, do que sabe, fala com determinação. Gosto. Não há cá rodriguinhos, bolas de efeito, jeitos à esquerda e à direita. E dá ideia que tem os pés assentes na terra, não parece ser fulano para se deixar deslumbrar.


Mas, então, lá estava ele, tentando manter uma linha de rumo racional face a perguntas da Ana Lourenço que o interpelava numa lógica de imediatismo, como se, agora que o fogo foi apagado, já se estivesse em condições de começar a trabalhar. Que ainda não haja levantamento de estragos, que, por conseguinte, muito menos se tenha podido avaliar a forma mais expedita e económica de fazer face a todos os estragos ou se há seguros que cubram parte dos danos ou condições efectivas para se pedir o recurso a fundos, isso, para ela não interessa nada. Para aquela cabecinha (que antes me parecia mais ou menos atilada e que, com o tempo, tenho visto a tender para a desmiolice) seria normal que, não se sabendo ainda nada disso, o Ministro estivesse em condições de responder com números exactos a quanto vai custar ou quando vai estar tudo pronto.

Como é que eu poderia alguma vez ocupar cargos em que tivesse que aturar perguntas assim...? Jamais! (ler em francês de Alcochete, se faz favor). Se numa situação destas, no dia em que fosse nomeada para coordenar a reconstrução de uma coisa com a amplitude de toda a zona ardida nos diabólicos incêndios de Pedrógão e Góis, e sem se saber ainda o exacto âmbito e a real dimensão dos estragos, me aparecesse uma Ana Lourenço a fazer perguntas destas, acho que responderia com ar sério: 

            Com certeza, Ana. Eu digo-lhe. Vai demorar três meses e duas semanas e meia e vai custar quatro milhões, quinhentos e vinte e sete mil duzentos e setenta e seis euros e vinte e três cêntimos. 
A ver se ela percebia a ironia... Na volta, não.
         Para os jornalistas qualquer asneira dita com ar convicto é letra de forma, coisa equivalente ao que antes era atestado em papel azul de vinte e cinco linhas com selo branco e escriturado por notário. E quatro ou quarenta, milhões ou milhares de milhões para os jornalistas é tudo igual ao litro. Vão por mim: ainda pior que cliteracia de alguns australopitecos é a confrangedora iletracia matemática dos jornalistas. Mas, enfim, acho que, quanto a isso, não há nada a fazer. Temos que sofrer em silêncio (ou, então, seguir o avisado conselho da Mãe Preocupada).
Continuando. Na volta, a dita Ana Lourenço (e aqui leia-se Ana Lourenço em sentido lato) achava que eu estava a falar a sério e ainda me perguntava a seguir: E quantas pessoas vão estar envolvidas nessas operações? E eu, na mesma linha, responderia, com convicção: 
Ainda bem que fez essa pergunta, Ana. Vão estar envolvidos catorze engenheiros civis, dois mecânicos, quatro electrotécnicos, dez biógofos, dois astrofísicos, um astronauta, sete arquitectos, duzentos e trinta e sete pedreiros, treze electricistas, doze canalizadores, a equipa do Querido, Mudei a Casa, cinco silvicultores, dois deputados do PSD Ribatejo, trinta e três motoristas, vinte e nove agricultores, a ex-ministra Cristas, cinco jardineiros, dois fotógrafos, rédeas curtas para dez meios jornalistas, milho para meia dúzia de galinhas sem cabeça (bem, talvez essas não precisem de milho), uma gaiola para cinco papagaios e uma jaula para seis abutres.
Enfim.

Mas adiante que não era sobre isto que eu ia falar.

A cena é que a Ana Lourenço -- que hoje não se apresentava com o habitual cabelo em asa de corvo mas, sim, numa rutilante cor de cobre -- estava com um generoso decote que deixava antever parte dos seios. Acresce que dá ideia que os pousava sobre a bancada, empolando os volumes que se acomodavam dos lados do vale que se formava entre eles. 


Em frente, o pobre ministro tentava manter o olhar acima da linha de água para que ele (ele, olhar) não se afundasse na regueira por onde talvez escorresse a putativa transpiração entre-seios da Ana Lourenço.

Contudo, o pobre, de vez em quando, quando ela falava e ele se via forçado a encará-la, fechava os olhinhos, tentando não ver o que ela tinha bem à vista. Olhinhos semi-cerrados. Franzidinho, franzidinho... Ou isso ou é míope e estava, o maroto, a focar a visão para melhor alcançar as poitrines da Lady in Red Hair.

E estava eu a pensar isto -- mas em silêncio, que eu os pensamentos íntimos gosto de os guardar só para mim -- e diz o meu marido: 'Não deve ser fácil um gajo manter-se concentrado... a Ana Lourenço hoje está com as mamas quase de fora'. 


Exagero dele, claro. Não estavam quase de fora coisa nenhuma, estavam apenas sofialorianamente bem insinuantes, digamos assim.

Esta dele (dele, meu marido) até me fez lembrar uma do marido de uma colega. Conta ela que ele, quando ela sai de casa mais decotada, lhe alarga o decote com um dedo, espreita bem de perto e lhe pergunta: 'Olha lá, achas que vais bem assim, as mamas todas à mostra?'. Conta ainda ela que, calmamente, o elucida: 'Olha lá tu. E tu achas que os meus colegas costumam meter o dedo no meu decote e espreitar lá para dentro?'

E sai de casa assim mesmo, orgulhosa nos seus bem fornecidos seios.

E faz ela muito bem. Desde pequena que ouço dizer que o que é bom é para se ver. Ora essa.

Enfim. 

Isto só para dizer que, por todas as supra aduzidas razões, aquele pobre ministro Pedro Marques deve ter suado as estopinhas para sair lúcido daquela entrevista com a Ana Lourenço.


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NB: Caso este converseio não seja bem a vossa praia e prefiram prosa mais literária, desçam, por favor, para ouvirem um escritor guapissimo com voz arraçada de Pipi a falar da Madame Bovary.

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[Não sei se ainda vou dedicar-me ao meu folhetim ou se vou mas é pregar para outra freguesia. Já vejo]

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sexta-feira, outubro 09, 2015

As orelhas homossexuais de José Rodrigues dos Santos, o rejuvenescimento vaginal da Cristina Ferreira e o saudoso Malaquias


No post abaixo disse o que tinha a dizer sobre este episódio José Rodrigues dos Santos & Alexandre Quintanilha e confesso que não disse muita coisa porque o tema não me inspira por aí além. 


Provavelmente enganou-se mesmo, sei lá. Diz que não sabia sequer que Quintanilha é homossexual o que revela que, como jornalista, anda muito mal informado. Ou seja, provavelmente o problema dele é bem mais profundo do que o de se armar em engraçadinho. 

Como refiro no post abaixo, do pouco que lhe conheço, o que posso atestar é que nem vírgulas sabe colocar. Nem vírgulas nem nada: escreve mesmo muito mal. E sobre isso nunca vi ninguém indignar-se. Pois bem, nesse post, já que como jornalista deixa um bocado a desejar, sugeri que ele passasse a fazer programas de entretenimento com a Cristina Ferreira e que ambos divulgassem o rejuvenescimento vaginal que a estridente apresentadora anda a badalar, começando ele por usá-lo nele próprio, nomeadamente nos miolos que costuma usar na mão. 



Eis senão quando a Leitora Rosa Pinto, num comentário, numa de caridade, sugeriu que usasse ele o produto nas orelhas. E isso, ó Rosa, francamente, já me parece arriscado. Vai que o homem põe o produto nas orelhas e que o respectivo orifício e seus rebordos ficam mesmo rejuvenescidos. Já viu o risco? Imagine se ele se cruzava com o Malaquias, quando o saudoso ainda era vivo...? Ai, nem quero pensar. Ou, a ser verdade aquilo dos homens pequeninos, vai que ele entrevista o Marques Mendes num daqueles dias em que o catraio está num excitex. Já viu bem?

...

Dito isto, presumo que toda a gente saiba quem foi o Malaquias mas, a quem não saiba, eu conto.


Um funcionário de uma agência funerária está a trabalhar de noite para examinar corpos antes de eles serem sepultados ou cremados.

Examina um corpo, identificado como Malaquias, que está para ser cremado, e descobre que o defunto tem o maior pénis que ele já vira na vida.

Desculpe Sr. Malaquias - pensa o funcionário - mas não posso mandá-lo para o crematório com essa coisa enorme. Ela tem que ser conservada para a posteridade.

Com um bisturi, remove o pénis do morto, guarda-o num frasco e vai para casa. 

A primeira pessoa a quem ele mostra a 'monstruosidade' é à sua mulher:

- Tenho algo inacreditável para te mostrar, querida. Nem vais acreditar!

Com cuidado, abre o enorme frasco. 

Ao ver o conteúdo, a mulher grita, estarrecida:

- Oh, meu Deus, o Malaquias morreu !!! 



 [Moral desta simples e instrutiva história:  Nunca leve trabalho para casa]

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Ai que gaffe que eu cometi. Fui agora à procura do dito programa da Cristina Ferreira e do Goucha e, afinal, aquilo do rejuvenescimento vaginal não é um produto, afinal é uma cirurgia. Bolas, bolas, bolas. Até me encolhi ao ver aquelas imagens. Ai que até dói. Não ponho aqui o vídeo porque é tudo tão estranho que não quero cá daquilo. 


Mas pronto, o Rodrigues dos Santos podia, na mesma, usar a técnica nas orelhinhas, tirar o material a mais. Claro, o risco manter-se-ia até porque aquela senhora doutora, habituada que está a desbastar, desbastar e, no fim, deixar umas vagininhas todas bem feitinhas, na volta, distraía-se e deixava o Orelhas com duas passarinhas, uma de cada lado da cabeça. Um risco, um risco.


Pedir para demitir o José Rodrigues dos Santos por ser homofóbico? Ou por dizer piadas secas? Ou por ter a mania que é bom? Eu...? Não, lamento. Não costumo meter-me nestas campanhas que têm a ver com animais.


E dizer mais o quê? 

Comprei um único livro do dito. Volta e meia alguns colegas meus falam-me dos livros dele conferindo se eu já li como se, por toda a gente comprar, toda a gente tivesse que comprar. Ora eu funciono ao contrário. Leio os jornais de trás para a frente, pego nas revistas e folheio-as de trás para a frente. Sou caranguejo, não sei se estão a ver. E, portanto, se um livro já foi lido por toda a gente eu passo-lhe ao lado. 

Mas uma vez caí na esparrela. Era um livro de entrevistas a escritores e pensei que se haveriam de salvar as respostas dos escritores. Errado. Nem isso. Animal que é animal sabe lá onde pôr as vírgulas? Uma lástima. Tão mal escrito estava que me passou a curiosidade sobre o que diziam os escritores, vejam só.


Tirando isso, acho que está tudo certo. Aliás, acho que certo, certo mesmo, era ele fazer um programa a meias com a Cristina Ferreira para divulgarem o rejuvenescedor vaginal de que o Leitor P. Rufino falou num comentário ali mais abaixo. Mais: até acho que é um produto que ele bem poderia usar nele próprio: se o produto rejuvenesce vaginas, talvez lhe faça também bem aos miolos. Já que nem os usa dentro da cabeça, ao menos que se passeie com eles pela mão todos reluzentes e lubrificados a ver se engana alguém.

E é isto.
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Não, não é isto. Afinal enganei-me. Esclarecimento aqui.

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E agora é que é.

desejo-vos, meus Caros leitores, uma bela sexta-feira.
Paz e amor para todos.

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segunda-feira, janeiro 05, 2015

Pedro Passos Coelho, "O Homem sem Qualidades" [segundo Raquel Varela]


O homem sem qualidades de quem Raquel Varela fala - e fala bem! - no vídeo abaixo ao nomear o Homem do Ano 2015 não é Ulrich, o personagem do romance homónimo da autoria de Robert Musil (livro que, já agora, levou quase 20 anos a escrever). De facto, ela fala de Passos Coelho, o deplorável Primeiro-Ministro de Portugal. 


No meu subconsciente, Passos Coelho já é carta fora do baralho, uma criatura que a breve trecho será remetida para os fundos da história e que, até lá, vai desdizer o que andou a dizer até aqui com aquela flexibilidade moral que lhe é tão característica. 

Por isso, não quero perder muito do meu tempo com uma criatura que me merece um profundo desdém, talvez até mais desdém do que raiva, já que tenho para mim que todo o mal que ele tem feito a Portugal resulta da sua total impreparação para o desempenho de funções de responsabilidade.

Mas recebi a referência a este vídeo e, porque concordo com a análise feita, aqui o deixo. Merece ser visto.

O curriculum de Passos Coelho
Excerto do programa Barca do Inferno de 22 Dez 2014 - RTP Informação

Vídeo com a intervenção de Raquel Varela



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