Infelizmente, nos últimos anos, já tive que ir muitas vezes a hospitais, muitas vezes às urgências, outras vezes ao SO, outras vezes a enfermarias. Muitos sustos. Se em alguns casos, os meus familiares recorreram a hospitais privados (e felizmente têm seguros que lhes permitem fazer face a essas despesas), noutros a experiência é a dos hospitais públicos.
Durante a semana que passou, o meu pai esteve, uma vez mais, no hospital. Foi chamado o INEM e foi levado paar o hospital público da cidade.
A urgência estava apinhada. Os corredores estavam pejados de macas com doentes que gemiam, gritavam, arfavam. A chamada sala aberta -- que não percebi se era apenas a sala onde estava o meu pai ou se também uma outra sala -- estava identicamente cheia de doentes em estado complicado. Lá fora, várias ambulâncias não podiam ir-se embora pois não havia macas suficientes no hospital e os doentes que tinham levado continuavam nas macas das ambulâncias.
Durante a semana que passou, o meu pai esteve, uma vez mais, no hospital. Foi chamado o INEM e foi levado paar o hospital público da cidade.A urgência estava apinhada. Os corredores estavam pejados de macas com doentes que gemiam, gritavam, arfavam. A chamada sala aberta -- que não percebi se era apenas a sala onde estava o meu pai ou se também uma outra sala -- estava identicamente cheia de doentes em estado complicado. Lá fora, várias ambulâncias não podiam ir-se embora pois não havia macas suficientes no hospital e os doentes que tinham levado continuavam nas macas das ambulâncias.
Ao fim de duas horas do meu pai ter entrado, consegui ir ao pé dele e a enfermeira disse-me que ele aguardava o resultado de exames mas que, da forma como aquilo estava, ainda deveria demorar talvez mais uma hora ou hora e meia. Não consegui falar com o médico que lá vi pois, enquanto lá estive, ele esteve ocupado. Aliás, coitado, não sei como aguentava aquilo.
Ao fim de cerca de mais duas horas cá fora e sem nada conseguir saber, a informação que, a muito custo, consegui obter é que afinal ainda não tinha ido fazer os exames pelo que continuaria em observação e em manobras de mitigação dos sintomas. Esperámos. Até que acabaram por nos dizer que podíamos ir para casa e voltar de manhã para tentar obter notícias.
Ao fim de cerca de mais duas horas cá fora e sem nada conseguir saber, a informação que, a muito custo, consegui obter é que afinal ainda não tinha ido fazer os exames pelo que continuaria em observação e em manobras de mitigação dos sintomas. Esperámos. Até que acabaram por nos dizer que podíamos ir para casa e voltar de manhã para tentar obter notícias.
Ao fim da manhã do dia seguinte o meu pai teve alta e na nota de alta pode ler-se que ainda aguarda RX ao tórax. A urgência estava ainda mais caótica. Aparentemente desistiram de esperar que ele fizesse o exame e mandaram-no para casa.
E a minha dúvida é a seguinte: ainda não começaram as gripes e durante as longas horas que lá estive não vi que chegassem tantos doentes que justificassem tal lástima na urgência. Aliás, hoje vi na televisão que as ambulâncias tiveram que ser desviadas de lá pois a urgência não conseguia receber mais doentes.
Portanto, inclino-me para que aquela situação desastrosa terá origem não em afluxo anómalo de doentes mas, sim, num estrangulamento interno na própria urgência: ou faltam médicos, ou enfermeiros ou pessoal auxiliar ou, então, pessoal ou equipamento no laboratório ou nos aparelhos de diagnóstico como o RX. E deve ser por isso que os doentes se acumulam nos corredores sem que lhes consigam dar 'vazão'. Diria eu que uma averiguação básica deveria ser capaz de identificar as razões do estrangulamento e, sem grande acréscimo de custos, resolvê-la.
Contudo, aqui entra uma outra dúvida que tenho. Por todo o lado se vêem hospitais privados em construção ou hospitais privados já existentes em obras para duplicar a sua capacidade. E não apenas novos grandes hospitais mas também clínicas. E eu interrogo-me: de onde vêm tantos médicos, tantos enfermeiros, tantos técnicos de meios de diagnóstico? Não percebo. Não pode haver tanto pessoal. em especial médicos. Que eu saiba não abriram mais faculdades de medicina nem alargaram o número de vagas. Portanto, ou muito me engano ou é na escassez física de recursos humanos que reside a raiz do problema.
E, se assim é, que se inventariem os técnicos de saúde necessários no país (médicos, enfermeiros, técnicos - e não junto aqui o pessoal auxiliar pois admito que seja mais fácil recrutá-lo do que aos que exercem funções mais especializadas). E que, por uma vez, se tirem as análises partidárias da equação -- porque são estúpidas e tendenciosas -- e se faça uma análise algébrica simples. E se há um défice efectivo de profissionais pois que, com urgência, se estabeleçam protocolos com as escolas e institutos para aumentar rapidamente o número de vagas (e se mande a Ordem dos Médicos à fava caso não queiram alargar o número de vagas). Mas, até lá, que se recrutem do estrangeiro todos os que hoje e nos próximos anos faltam. Urgentemente.
E não falei noutros técnicos que provavelmente são também deficitários: os técnicos de manutenção de equipamentos médicos, nomeadamente os de electromedicina e outros mais sofisticados. Se esses equipamentos avariam e não houver quem os repare, os doentes esperarão horas a fio por um resultado que pode não vir.
Acredito que não está em causa um aumento significativo no orçamento da Saúde pública pois o que hoje se paga em trabalho suplementar, em folgas compensatórias, em pagamento de reparações de equipamentos seja a que custo for a empresas externas poderia ser compensado por ter mais técnicos residentes a praticarem horários normais.
Acredito que não está em causa um aumento significativo no orçamento da Saúde pública pois o que hoje se paga em trabalho suplementar, em folgas compensatórias, em pagamento de reparações de equipamentos seja a que custo for a empresas externas poderia ser compensado por ter mais técnicos residentes a praticarem horários normais.
Este tema tem que ser visto desapaixonadamente mas tem que ser visto já. É que não estou a falar apenas do desconforto de doentes e acompanhantes que esperam horas a fio: falo da saúde das pessoas. Falo de experiências que podem ser traumáticas ou fatais na vida das pessoas.
Diria que António Costa deveria conseguir um acordo de regime para conseguir pegar o tema da Saúde pelos colarinhos. Se não há pessoal que chegue, e estou convencida que não chega mesmo, o lençol não esticará e rasgará pelo lado mais frágil: o Serviço Nacional de Saúde. E isso não pode acontecer. É a saúde de todos que tem que ser defendida.
E Marcelo Rebelo de Sousa que tanto fala da Saúde deveria assegurar isto mesmo: o tema não é de esquerda nem de direita nem de chicana nem de bandeira nem arma de arremesso nem de ricos nem de pobres -- o tema é sério, é urgente e é de todos.
E Marcelo Rebelo de Sousa que tanto fala da Saúde deveria assegurar isto mesmo: o tema não é de esquerda nem de direita nem de chicana nem de bandeira nem arma de arremesso nem de ricos nem de pobres -- o tema é sério, é urgente e é de todos.
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As pinturas podem não parecer mas são de Rothko, «Une berceuse de la mort...» é de Fauré
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Uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.
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Uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.







