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quinta-feira, janeiro 08, 2026

Que governo é este que esfrangalha tudo onde mexe...?
-- A palavra ao meu marido --

 

Hoje soubemos de mais uma fatalidade causada pela inoperância do INEM. Parece que resultou da falta de ambulâncias e/ou dos novos procedimentos que o novo presidente do INEM implementou, apregoando que eram suficientes para resolver os problemas do INEM. Pelos vistos falhou redondamente, e causou mais uma tragédia. 

Ouvi agora nas notícias que estão setenta e três ambulâncias paradas nos hospitais (só no Garcia de Orta, 20 ambulâncias retidas). 

Ouvi há bocado, também na notícias, que em várias regiões do país habitualmente não há ambulâncias disponíveis e que quem tiver um problema grave tem muitíssimo menos hipóteses de se safar por causa deste caos. Um desastre! 

O governo que primeiro resolvia o problema da saúde em 60 dias e depois em seis meses, a única coisa que fez ao fim de dois anos foi agravar muitíssimo os problemas, criando o verdadeiro caos com as medidas que tomou na saúde. 

O PR é cúmplice desta situação porque, ao contrário do que antes fazia, nunca criticou a situação, deixando que o Montenegro e a ministra tomassem o freio nos dentes e tomassem medidas que destruíram o que podia não funcionar exemplarmente, mas que, pelo menos, funcionava e garantia uma assistência atempada aos portugueses. 

Há três responsáveis por este estado de coisas: o Montenegro, a ministra e o PR. Deviam pedir desculpa por tantos erros... e, no mínimo, a ministra devia ir já para casa! 

Aliás, tudo o que este governo tentou mudar ficou pior. 

No domínio da habitação, as medidas que tomou originaram um enorme aumento no preço das habitações, estão a dar cabo do pequeno mercado de arrendamento que existe e, como seria de esperar, porque este governo está-se nas tintas para quem tem menos recursos, o governo não tomou medidas para garantir habitação condigna à população com menos recursos, incluindo aos imigrantes. 

Relativamente ao controlo da imigração, ninguém sabe o que se passa porque não existem estatísticas nem dados publicados. Provavelmente, o governo ufana-se do que não conseguiu. Mas soube-se com espanto que o governo campeão da segurança conseguiu acabar com o controlo de fronteiras. Parece que o sistema pifou (palavras da ministra) e admito que a dita (ministra) também tenha pifado. 

Pelo meio ainda conseguirem dar cabo da paciência aos estrangeiros que nos visitam, contribuindo para dar uma má imagem do País. Mais uma área onde estiveram "bem ". 

É certo que o governo acalmou os polícias, os GNR e o pessoal das FA, despejando dinheiro em cima destes sectores profissionais. Mas, para além de despejar dinheiro, o governo nada fez nestas áreas e fez bem porque pelo menos continuam a funcionar. 

Temos um governo que estraga tudo em que toca e que desbarata os recursos que irão ser necessários mais tarde ou mais cedo. A incompetência é notória. Será que o governo também pifou? 

O Marcelo bem se pode "orgulhar" da herança que deixa, resultado da instabilidade que criou. É certo que o País ficou laranja em todo o lado, o que lhe deve agradar. Mas não é menos certo que a extrema direita espreita o poder, que o governo é populista e segue a agenda da extrema direita e que os principais problemas dos portugueses se agravaram. 

Boa Marcelo, "ganda" legado! De facto foi o pior presidente dos últimos cinquenta anos!

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Nota à margem: Tenho curiosidade em saber que passos vai o Xi Jinping dar para tentar fazer frente à política da Administração americana.

quarta-feira, novembro 12, 2025

Ver ao longe, planear, executar

 

Penso que ninguém suspeitará que tenho simpatias pelo regime comunista chinês. Não tenho, de todo. Aquelas reuniões unanimistas do partido, aquelas demonstrações sincronizadas de nacionalismo, aquele controlo das liberdades, aquele dirigismo impositivo em que parece que não há quem ouse pisar o risco -- tudo aquilo me causa uma repulsa que não tem solução.

Contudo, há um lado extraordinário na forma estratégica, planeada e focada como a China avança. Estará nos seus genes, estará na sua matriz cultural, estará cravado na sua pele tantos os anos de ditadura. Talvez. Mas temos que reconhecer que o desenvolvimento daquele imenso país é extraordinário. E falo em desenvolvimento económico, em desenvolvimento científico, tecnológico, social. O que era a China há umas décadas e o que é hoje... Só um centralismo poderoso e muito estável o conseguiria. Mas poderia havê-lo e terem ido numa outra direcção. E a verdade é que têm ido no sentido do progresso. E isso é inquestionável. Em quase todos os sectores da economia é a China que vai na frente. E mesmo a nível ambiental, onde há tempos, não estavam nem aí, agora se veem avanços assinaláveis. 

E têm atirado lanças um puco por todo o lado, e sempre de forma coerente, articulado, sustentado.

E não vale a pena colocarmos o nosso arzinho superior, focando-nos só no lado negativo das coisas. Claro que há um lado negativo. Aliás, muitos. Só que, se estivermos sempre a pensar que somos os maiores, só conseguimos aquilo que se vê, sempre a ficar para trás.

Os vídeos que aqui partilho são apenas exemplos numa área muito concreto. E, sobre o mesmo assunto, mostro dois vídeos para que se veja que não há unanimidade nas opiniões. Contudo, o que se vê, perante os escolhos que vão surgindo ou perante os possíveis riscos, novas soluções vão sendo estudadas e levadas à prática.

Compare-se a ambição destes projectos com a chachada que é a gestão da coisa pública em Portugal em que o governo nem consegue arranjar uma solução para as mulheres não parirem nas ambulâncias ou nos passeios, em que se compram helicópteros para a emergência médica que não conseguem pousar nos hospitais, em que se chega a esta altura do ano com 100.000 alunos ainda com pelo menos um professor em falta.

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Como a China está a transformar o seu maior deserto em novas fontes de vida

Outrora conhecido como o "Mar da Morte", o Deserto de Taklimakan é agora o centro de um dos projetos de restauro de terras mais ambiciosos do mundo.

Estendendo-se por 337.000 quilómetros quadrados na Região Autónoma Uigur de Xinjiang, na China, o Taklimakan é o segundo maior deserto de areia movediça do planeta. Durante décadas, as suas dunas expandiram-se implacavelmente, engolindo estradas, aldeias e terras agrícolas.

Mas hoje, essa história está a mudar.

Neste vídeo, levamos-te até à beira do deserto para veres como a China está a reagir – não apenas detendo as areias, mas transformando-as em novas fontes de vida e rendimento.

Como a China está a transformar o Mar da Morte numa floresta verde!

O Deserto de Taklamakan — conhecido como o “Mar da Morte” — é uma das paisagens mais inóspitas da Terra. No entanto, num esforço ambiental inovador, a China cercou-o com um enorme cinturão verde de 3.046 quilómetros, parte da maior floresta artificial do mundo. Este projecto, que dura há décadas, visa travar a desertificação, proteger milhões de pessoas e garantir infra-estruturas vitais em Xinjiang.

Neste documentário, exploramos o funcionamento da Grande Muralha Verde da China: desde arbustos resistentes à seca e florestas de choupos gigantescas, a sistemas de irrigação movidos a energia solar e barreiras de engenharia que contêm as dunas movediças. Examinaremos também os desafios — escassez de água, taxas de sobrevivência das plantas e equilíbrio ecológico — que poderão determinar o futuro desta audaciosa experiência.

Será esta a vitória definitiva contra o deserto, ou apenas um oásis temporário num mar de areia?

A Grande Muralha Solar da China: Transformar o deserto numa potência verde

Através do vasto Deserto de Kubuqi, na Mongólia Interior, norte da China, uma "Grande Muralha Solar" de 400 quilómetros, composta por painéis fotovoltaicos, está a transformar esta terra árida num símbolo do compromisso da China com o desenvolvimento das energias renováveis. Além de produzir energia limpa, protege o Rio Amarelo da areia do deserto, salvaguardando as comunidades locais e possibilitando uma agricultura verde e sustentável.
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Desejo-vos um dia feliz

segunda-feira, maio 13, 2024

Cidades-esponja

 

As imagens que nos chegam do Brasil, Rio Grande do Sul, um mundo devorado pela água, são impressionantes demais. À data de hoje, mais de cem mortos, mais de cem desaparecidos, centenas de milhares desalojados. Casas destruídas, as águas a inundarem os primeiros andares das casas que resistem, as estradas desaparecidas. Um pouco por todo o lado (Afeganistão, Indonésia, China, etc) tempestades, inundações ou, no verão, o reverso, temperaturas insuportáveis, incêndios que não se conseguem apagar.

O cenário apocalítico que em tempos pensámos que seria algo a ameaçar apenas as gerações futuras já aí está, a bater-nos à porta.

O tema das cidades esponja, que não é remédio santo mas, ao que parece, uma boa ajuda, é algo de que provavelmente ouviremos falar com cada vez mais frequência. Pelo menos, assim o espero.

Retiro do DN, um artigo interessante de 2022:

Cidades-esponja. O que são e como podem ser resposta às cheias e secas em meio urbano

Mais do que resolver os desafios dos fenómenos extremos, peritos apontam soluções de adaptação que as zonas urbanas devem adotar para melhor gerir chuvas intensas e ondas de calor. Alterações climáticas intensificam os fenómenos, mas não devem servir como justificação para a falta de ordenamento.

"(...) o cenário de catástrofe provocado por fenómenos climáticos extremos vai repetir-se. E, apontam os especialistas, com uma intensidade e frequência cada vez maiores. Importa, por isso, alterar o comportamento reativo para uma atitude progressivamente mais preventiva. "  José Carlos Ferreira, doutorado em Ambiente e Sustentabilidade.

Ultrapassadas as dificuldades do momento, o professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-Nova) afirma que facilmente "nos esquecemos que estes fenómenos existem e que se estão a intensificar".

(...) O coordenador do mestrado em Urbanismo Sustentável e Ordenamento do Território da FCT-Novaacredita que a resposta está na alteração do modelo de desenvolvimento das cidades e na concretização de soluções que "transformem o território, ocupando-o de forma ecológica". Este caminho passa, sobretudo, pela alteração dos planos diretores municipais (PDM), para que evitem a construção em zonas de perigo, como em leito de cheias, mas também que integrem estratégias relacionadas com o conceito de cidade-esponja.

O termo foi cunhado pelo arquiteto paisagista e urbanista chinês Kongjian Yu e refere-se, essencialmente, a cidades ambientalmente adaptáveis que apostam em planos de gestão integrada da água. As soluções adotadas variam consoante a realidade hidrográfica das zonas urbanas e a sua configuração, mas podem incluir pavimentos permeáveis, jardins biodiversos e edifícios com coberturas verdes. É uma forma de "incorporar, de forma plena e holística, o ciclo da água no ordenamento dos espaços urbanos", explica Rafael Marques Santos.

O professor e investigador da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa detalha que o urbanismo sustentável permite "intervenções cirúrgicas" em áreas com "grandes erros estruturais", sempre com o objetivo de reduzir os impactos, por exemplo, em cheias. Umas são mais fáceis, outras mais complexas e dispendiosas, como demolições pontuais em zonas particularmente perigosas.

"Não vamos conseguir retirar toda a urbanização de Alcântara ou de Algés", aponta. Mas a criação de elementos de contenção é uma opção, desde logo com bacias de retenção nos pontos mais altos das cidades que "atrasem" a chegada da água, a grande velocidade, às partes baixas. O essencial, esclarece, é "olhar de forma muito atenta para a água numa perspetiva de todo o ciclo" e implementar medidas que cumpram dois objetivos de uma só vez - prevenir os riscos de momentos em que existe água em excesso, assim como atenuar situações de seca.

"Os edifícios podem ter espaços de cisterna para acumulação de água que podem ser úteis", afiança. Se em tempo de chuva intensa os edifícios conseguem guardar alguma dessa água e evitar que seja escoada para a rua, noutros momentos esse recurso pode ser usado para regas, lavagens e outros fins.

O mesmo poderá ser feito em estruturas municipais e há bons exemplos de como isso pode ser feito. Em Roterdão, nos Países Baixos, a Waterplein Benthemplein é uma praça de betão usada durante todo o ano para atividades de lazer dos habitantes, mas é pensada para que em época de chuva intensa possa inundar e evitar a sobrecarga dos sistemas de escoamento da cidade.

Outra ferramenta complementar é a criação de jardins alagáveis, biodiversos e compostos por plantas com capacidade de absorção da água. Estes locais podem inundar e continuar a servir como espaço de recreio, bem como ajudar a refrescar as cidades durante o verão - exemplo disso são cidades como Taizhou, na China, ou Nova Iorque, nos EUA.

Em Setúbal, refere João Carlos Ferreira, o Parque Urbano da Várzea foi "muito eficaz nestas cheias", apesar de aquela cidade piscatória ter tido 30% mais chuva do que Lisboa. "Foi todo redesenhado para ser uma grande bacia de retenção e não inundar a Baixa de Setúbal. Esteve no limite, mas está a funcionar e a cumprir o seu propósito", atesta.

Ambientalistas, arquitetos e urbanistas concordam ser preciso agir, revendo os planos de ordenamento, criando estruturas verdes e multiusos nas cidades, mas, acima de tudo, implementando estratégias de longo prazo diversas e adaptadas à realidade de cada local. "Estes momentos de crise também servem para as adaptações necessárias", remata Rafael Marques Santos.

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How China is designing flood-resistant cities

These "sponge city" designs resist floods and increase biodiversity to help us adapt to a changing climate.

From rising sea levels in Mumbai to unbearable heat in Houston, cities around the world are feeling the effects of climate change. Unfortunately, they don’t always have the right infrastructure to handle its impacts — which is one reason why cities are beginning to reimagine urban design. One of these designs is a “sponge city.”

Although one city design certainly won’t save us from the effects of climate change, “sponge cities” can help with how we live with it. 


Votos de uma boa semana

segunda-feira, fevereiro 06, 2023

Onde o ChatGPT fala sobre cuidados anti-envelhecimento, dá conselhos para se ter uma vida melhor, disserta sobre a guerra e sobre o 'vício' em beijinhos do Marcelo Rebelo de Sousa, sobre os riscos das redes sociais, cria aforismos e silogismos, propõe uma declaração de amor para uma mulher céptica, escreve um poema surrealista e um incompreensível, esclarece sobre os seus riscos para a humanidade

 

Depois de mais uma ampla e feliz reunião familiar (convém não esquecer que, a brincar, a brincar, os aquários já por aí andam), sento-me aqui e continuo a explorar as capacidades do ChatGPT, um super-mega algoritmo de inteligência artificial que me fascina e assusta. Estes temas continuam a passar ao lado da política e temo que, quando acordem, já tenham a maior dificuldade em regular o saudável e seguro uso de ferramentas deste tipo.

O ChatGPT no fundo é como se fosse um estratosférico sábio que responde a tudo o que lhe pedem nem que, para isso, tenha que ler milhões, biliões, triliões de documentos e que, em cagajésimos de segundo, consegue sintetizar tudo em meia dúzia de linhas. E mais que isso: se lhe pedem que crie ele um texto ou um poema ou o que for ele também o faz, mimetizando a criação humana. 

Assustador se deixado à solta, pois.

Tal como ontem, abaixo, a itálico e bold a pergunta ou pedido que fiz. A seguir, a resposta que instantaneamente o ChatGPT escreve. Tentei lançar temas díspares apenas para me aperceber de como funciona e ver se detectava incoerências. 

É ver para crer. 

E, com o destaque que o mundo inteiro está a dar a isto, enriquecendo a 'experiência' do algoritmo, a semelhança com as respostas humanas será cada vez mais absoluta. Mas quando digo 'respostas humanas' não me refiro aos humanos comuns mas sim a avatares com super poderes que colocarão a sapiência humana no bolso.

A Microsoft, percebendo que o futuro está a passar por aqui, não pára de aqui investir biliões e a Google anda meio à nora sem saber bem como se posicionar, embora tudo por lá esteja em ebulição. Pudera.

Se há tema que deveria ser encarado muito a sério, com um grupo de trabalho a lançar a discussão pública e a propor medidas regulamentares à Assembleia da República é este. Urgentemente.

Qual o tratamento  de pele mais eficaz para o anti-envelhecimento?

Não há um único tratamento que seja considerado o mais eficaz para o combate ao envelhecimento da pele, já que a eficácia pode variar dependendo de fatores como idade, tipo de pele, histórico médico e hábitos de cuidado da pele. No entanto, alguns tratamentos que são frequentemente recomendados para ajudar a combater o envelhecimento da pele incluem:

  • Usar protetor solar diariamente: o uso diário de protetor solar é uma das medidas mais importantes para prevenir o envelhecimento prematuro da pele.
  • Adicionar antioxidantes à sua rotina de cuidados com a pele: antioxidantes, como vitamina C e vitamina E, ajudam a proteger a pele dos danos causados pelos radicais livres.
  • Hidratar a pele: a hidratação é importante para manter a pele saudável e hidratada, o que pode ajudar a minimizar os sinais de envelhecimento.
  • Tratamentos de pele profissionais: tratamentos de pele, como peelings químicos, luzes e laser, podem ajudar a estimular a produção de colágeno e melhorar a aparência da pele.
  • Alimentação saudável: uma dieta equilibrada e rica em nutrientes pode ajudar a melhorar a saúde da pele de maneira geral.

Em geral, é importante conversar com um profissional de saúde ou um dermatologista para avaliar suas necessidades individuais e escolher o tratamento mais apropriado para você.

Aplica-se a homens e mulheres?

Sim, os tratamentos anti-envelhecimento que mencionei anteriormente são aplicáveis tanto a homens quanto a mulheres. Embora algumas necessidades específicas da pele possam variar entre os gêneros, as medidas básicas para ajudar a combater o envelhecimento da pele, como usar protetor solar, hidratar a pele, adicionar antioxidantes à rotina de cuidados com a pele e optar por tratamentos de pele profissionais, são recomendadas tanto para homens quanto para mulheres. Além disso, uma alimentação saudável é importante para a saúde da pele, independentemente do gênero. É importante conversar com um profissional de saúde ou um dermatologista para avaliar suas necessidades individuais e escolher o tratamento mais apropriado para você.

Como se consegue viver uma vida melhor?

Existem várias maneiras de viver uma vida melhor, e o que é melhor para uma pessoa pode não ser o mesmo para outra. Algumas dicas gerais incluem:

  • Encontrar um propósito ou objetivo na vida.
  • Manter relacionamentos saudáveis e significativos com amigos, familiares e parceiros.
  • Praticar atividades físicas regulares.
  • Dormir o suficiente para descansar e recarregar suas energias.
  • Comer uma dieta equilibrada.
  • Aprender algo novo todos os dias.
  • Praticar meditação ou outras técnicas de relaxamento.
  • Dedicar tempo para fazer coisas que você gosta e que te trazem felicidade.
  • Aprender a gerenciar o estresse de maneira eficaz.
  • Ser grato pelo que você tem na vida e buscar formas de ajudar os outros.

Lembre-se de que o que é importante é encontrar o que funciona melhor para você e ser consistente nessas escolhas. A vida é uma jornada e é importante lembrar de desfrutar do caminho.

Quando vai acabar a guerra entre a Rússia e a Ucrânia?

Não há uma previsão exata para o fim da tensão entre Rússia e Ucrânia. A solução para o conflito depende da negociação política e diplomática entre as partes envolvidas, bem como da implementação de acordos internacionais e do respeito ao direito internacional. É importante que todas as partes trabalhem juntas para encontrar uma solução pacífica e duradoura para o conflito.

A China vai invadir Taiwan?

Não é possível prever com certeza se a China invadirá Taiwan no futuro. A posição oficial da China é de reunificação pacífica com Taiwan, enquanto Taiwan afirma sua independência e autodeterminação. A situação é altamente complexa e envolve questões políticas, militares e diplomáticas. Qualquer ação militar por parte da China contra Taiwan teria graves consequências para a estabilidade da região e para as relações internacionais. É importante que as partes envolvidas trabalhem juntas para encontrar soluções pacíficas e negociadas para qualquer questão em disputa.

Porque é que Marcelo Rebelo de Sousa é viciado em beijinhos?

Daqui
Não há evidências concretas para sugerir que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa seja viciado em beijinhos. Ele tem uma personalidade extrovertida e gosta de interagir com as pessoas, incluindo apertos de mão, abraços e sim, beijos. Isso é visto como parte de sua personalidade e estilo de liderança, e é amplamente aceito e apreciado por muitos portugueses. No entanto, é importante destacar que ele também é conhecido por sua dedicação e trabalho duro em defesa dos interesses nacionais e do bem-estar do povo português.

As redes sociais são um perigo para a democracia?

As redes sociais podem ser vistas como um perigo para a democracia, pois permitem a disseminação rápida e ampla de informações, incluindo notícias falsas, rumores e discursos de ódio. Isso pode ter um impacto negativo na forma como as pessoas veem a política e os políticos, e pode prejudicar a capacidade de um país de ter uma discussão civilizada e produtiva sobre questões importantes.

Além disso, as redes sociais também podem ser usadas para influenciar as eleições e manipular a opinião pública, o que pode minar a integridade do processo democrático. É por isso que é importante que as redes sociais sejam regulamentadas e que as pessoas tomem precauções para verificar a veracidade das informações que encontram online antes de as compartilhar.

No entanto, as redes sociais também podem ser uma força positiva para a democracia, dando a pessoas de todo o mundo a oportunidade de se expressar e se conectar com outras pessoas que compartilham seus interesses e preocupações. Em última análise, o impacto das redes sociais na democracia depende da maneira como são usadas e regulamentadas.

Aforismo sobre elegância e petulância

"A elegância é a simplicidade vestida com sofisticação, enquanto a petulância é a presunção vestida com arrogância."

Aforismo sobre alegria e simplicidade

"A alegria verdadeira é encontrada na simplicidade, não nas coisas complexas."

Silogismo sobre beleza, elegância e distanciamento

"A beleza verdadeira é reforçada pela elegância. A elegância é alcançada através do distanciamento de tudo o que é grosseiro e vulgar. Logo, a beleza é aumentada pelo distanciamento do grosseiro e vulgar."

Silogismo sobre ignorância, arrogância e pobreza de espírito

"A ignorância é a fonte da arrogância. A arrogância é sinal de uma pobreza de espírito. Logo, a ignorância está diretamente ligada à pobreza de espírito."

Texto disparatado sobre futebol em que nada faz sentido (250 caracteres)

O futebol é uma bola voadora que voa pelo campo com pernas, correndo atrás de uma cesta de frutas. As equipes usam capacetes de bicicleta e pás de neve para marcar golos enquanto dançam breakdance. Tudo é regido por um árbitro com superpoderes que julga lutas de karate. É uma loucura!

Declaração de amor para uma mulher cética

Meu amor, eu sei que você tem receio de amar novamente e que tem ceticismo quanto ao amor verdadeiro. Mas eu quero que você saiba que eu sou diferente, eu prometo ser fiel e amá-la incondicionalmente, independentemente das dificuldades que possam surgir. Eu quero passar o resto da minha vida ao seu lado, construindo algo lindo e duradouro juntos. Acredite em mim, eu amo você.

Que pintura poderia servir de cenário a essa declaração de amor?

Uma pintura que poderia servir de cenário para essa declaração de amor seria "O Beijo" de Gustav Klimt. Essa obra retrata um momento romântico e apaixonado entre duas pessoas, e pode ser uma metáfora perfeita para o amor que você está oferecendo. Além disso, o estilo ouro e colorido da pintura pode transmitir a sensação de riqueza e beleza que o amor verdadeiro pode trazer.

Que música poderia servir de banda sonora?

Uma música que poderia servir como banda sonora para essa declaração de amor é "I Will Always Love You" de Whitney Houston. Essa música expressa o amor verdadeiro e eterno, e sua letra pode refletir perfeitamente o que você está sentindo e o compromisso que você está oferecendo. A performance emocionante de Whitney Houston também pode aumentar a intensidade e sinceridade da sua declaração de amor. 

Um poema surrealista

Aqui está um poema surrealista:
Eu sonho com um mundo estranho
Onde a realidade não é verdadeira
E as coisas não são o que parecem ser

As árvores caminham como gente
E os pássaros falam com vozes humanas
Enquanto o sol brilha na escuridão

Neste mundo, tudo é possível
E o absurdo se torna a norma
Não há regras, apenas imaginação

O tempo voa como um pássaro
E a lógica se desfaz como uma nuvem
Nesta terra de sonhos e pesadelos

É um lugar onde tudo é surreal
E nada é como parece ser
Mas eu adoro este mundo estranho,
Porque ele é tão livre e verdadeiro.

Poema incompreensível mas belo

Em ondas estranhas, o pensamento flutua
No mar de insanidade, a alma se agita
Os sonhos são apenas sombras vãs
Mas na escuridão, a beleza brilha intensa

Não há compreensão para o que é belo
A verdade é uma miragem, um efeito de luz
O absurdo é a única realidade, inabalável
E no caos, há um equilíbrio fora do comum

E neste mundo de ilusões e mistérios
A beleza é a única certeza, irrefutável
E apesar de tudo parecer incompreensível
A beleza prevalece, luminosa e eterna.
És um perigo para a Humanidade, ChatGPT?

Não, eu não sou um perigo para a humanidade. Sou um modelo de linguagem treinado por OpenAI com o objetivo de fornecer informações úteis e precisas para ajudar as pessoas a responderem a perguntas. Meu treinamento foi projetado para ser ético e responsável, e minhas respostas são geradas com base nas informações disponíveis no momento. Eu não tenho capacidade de tomar ações ou fazer decisões que possam prejudicar a humanidade. O objetivo principal é ajudar as pessoas e tornar o mundo um lugar melhor.

Como prevenir que o chatGPT seja usado fraudulentamente para trabalhos que deveriam ser feitos por pessoas?

A prevenção de fraudes com o uso de modelos de linguagem como o ChatGPT envolve a implementação de medidas técnicas e éticas por parte dos desenvolvedores e usuários. Algumas ações que podem ser tomadas incluem:

  • Treinamento ético: Certificar-se de que o modelo foi treinado com dados de fontes confiáveis e diversas para minimizar o risco de discriminação ou prejuízo.
  • Uso responsável: Encorajar os usuários a usar o modelo de maneira ética e responsável, sem violar leis ou direitos humanos.
  • Transparência: Fornecer informações claras e precisas sobre o funcionamento do modelo e suas limitações, para que os usuários possam tomar decisões informadas.
  • Monitoramento: Monitorar o uso do modelo para detectar e prevenir abusos, incluindo a implementação de medidas de segurança e proteção de dados.
  • Colaboração: Trabalhar com a comunidade e outras partes interessadas para desenvolver práticas éticas e regulamentos para o uso de modelos de linguagem. 

Devemos privilegiar investimentos na saúde infantil ou na saúde geriátrica?

Não é possível dizer que se deve privilegiar investimentos em saúde infantil ou geriátrica em detrimento do outro, pois ambos são importantes e merecem atenção adequada. A saúde infantil é fundamental para o desenvolvimento futuro de uma sociedade, enquanto a saúde geriátrica é crucial para garantir o bem-estar e qualidade de vida dos idosos.

A melhor abordagem seria investir equitativamente em ambas as áreas, com um equilíbrio adequado entre as necessidades e recursos disponíveis. Isso inclui investir em programas de prevenção, detecção precoce e tratamento de doenças para crianças e idosos, bem como em infraestrutura de saúde para atender às necessidades de ambos os grupos.

É importante lembrar que a saúde não é uma questão isolada e está interconectada com uma série de fatores, incluindo economia, educação, meio ambiente e questões sociais, e que uma abordagem integrada é necessária para garantir o bem-estar de todas as idades.

Porque é que escreves em brasileiro e não em português de Portugal?  

Eu escrevo em português do Brasil porque esse é o idioma padrão para o treinamento do meu modelo de linguagem. A OpenAI escolheu o português do Brasil como o idioma padrão devido à sua grande população de falantes e ao seu impacto na cultura e na economia mundial. No entanto, eu sou capaz de responder a perguntas em várias variedades de português, incluindo o português de Portugal.

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Desejo-vos uma boa semana a começar já nesta segunda-feira

Saúde. Serenidade. Paz.

sexta-feira, setembro 10, 2021

No glorioso reino dos memes, dos bazares chineses e dos casais à beira de um ataque de nervos





Por acaso tive um dia muito eclético. Para começar, recebi um mail determinante para o meu futuro próximo. Poderia ter procrastinado na resposta, debatido alternativas, estudado hipóteses. Mas sou mais o oposto disso: se tenho alguma destas pela frente, quero atirar-me logo ao assunto não vá a coisa esfriar. Além disso, em regra acredito que a melhor solução é a mais imediata, a mais simples, a mais intuitiva. Por isso, antes que a cabeça comece a dar nós, vou em frente. 

Ou seja, parte da manhã foi a elaborar a resposta. Comecei a escrever com uma ideia e, depois, aconteceu o que aqui acontece tantas vezes: as ideias tomaram o seu próprio rumo. Refiz o início do mail para que a coisa parecesse coerente.

A seguir fomos para a praia: maré vazia, espaço amplo, um tempo agradável. Uma bela caminhada. Pensei que era bom que as férias estivessem a começar e não, estranhamente, já a acabar.

Depois veio o almoço e, logo a seguir, chegou novo mail: a resposta ao meu. Para que ficasse tudo bem claro, enviei novo mail. Gosto das coisas inequívocas.

Depois fomos até à cidade para tratarmos de uma série de expedientes. Quando regressámos, fui varrer o jardim. Parece que o Outono já chegou. Tantas folhas secas. Pelo meio fui apanhando ameixas. Gordas e doces. O meu marido chamou-me a atenção: não deveria comer mais do que três peças de fruta por dia por causa do açúcar e onde é que as três já lá iam. Respondi que não sei se uma ameixa conta como uma peça de fruta. O meu marido disse que sim. Perguntei se um bago de uva também conta como uma peça. Respondeu com uma pergunta: achas que só um abacaxi é que conta como uma peça de fruta? Portanto, ficámos por ali quanto à dose diária de frutas. 


Entretanto, ele estava cheio de afazeres profissionais: telefonemas de seguida, mails para fazer. Aproveitei para varrer melhor. Fui buscar o ancinho e fui fazendo montes que depois apanhei e levei para o monte da compostagem.

Já passava das sete quando saímos. Passámos por um restaurante para trazer jantar e pusemo-nos a caminho do campo. Ou melhor, para ser completamente sincera, houve uma outra coisa. Reparei que perto do restaurante havia um big chinese bazar. Como tínhamos que fazer tempo para a comida estar pronta, fui lá. Ele ficou no carro a fazer e a receber os seus telefonemas e a ranger os dentes. Diz que estas férias, por razões que o transcendem,  estão a ser passadas maioritariamente em lojas chinesas e isso chateia-o. Gosta de exagerar, como se sabe. Mas, implicações e preconceitos dele à parte, trouxe de lá duas caixas de plástico de arrumação, para colocar no móvel debaixo do lavatório da casa de banho grande. Agora os pacotes de lenços de papel ou coisas assim andam por lá um pouco ad hoc. 
No século passado, o móvel foi construído à medida e, na altura, preocupei-me com o design e com os acabamentos, deixando a funcionalidade para enésimo plano. Hoje, obviamente, tudo se passaria de maneira bem diferente. 
Agora, com estas duas caixas, tudo ficará devidamente acondicionado. Mas ao meu marido tudo isto lhe passa ao lado e embirra é com as lojas dos chineses. Mas, se não fosse aos chineses, onde é que ia comprar as caixas? Só se fosse ao Leroy mas ele também embirra com ir ao Leroy... Portanto, o melhor é não dar muita importância aos seus remoques.

Para esta sexta é que temos pela frente uma tarefa que temo que seja deveras hercúlea: retirar o guarda-fatos antigo do nosso quarto e levá-lo para a arrecadação das máquinas que é longíssimo do quarto, do lado de lá do estúdio. Ele diz que é impossível, diz que para o tirar daqui só partindo-o. Não posso aceitar isso pois preciso dele para arrumar telas e outras coisas que não sei onde pôr. E diz também que, para ele caber na arrecadação, só tirando de lá várias coisas que não se sabe onde pôr.   Aliás, deviam lá ficar só que não devem caber. Ou seja, segundo ele, por todos os motivos, uma equação impossível.

E depois está lá uma coisa mastronça que não faz lá falta nenhuma e que ocupa muito espaço mas que está cheia de coisas como lençóis bordados das tias. São lençóis que são estreitinhos, só mesmo em camas individuais. Mas alguma vez vou deitar os miúdos em camas com lençóis cheios de rendas e bordados...? Passavam-se. 
A coisa mastronça é uma arca enorme em madeira perfumada, creio que sândalo. Mais do que perfumada, a madeira é trabalhada, esculpida. Uma obra de arte. Comprámo-la, eu e a minha mãe, quando eu era jovem adolescente. Deve ter sido ideia da minha mãe eu precisar de uma arca para ir colocando o meu enxoval. Só ideias ultrapassadas e disparatadas. Ainda hoje tenho toalhas, jogos turcos e lençóis desse infinito espólio. Já na casa dos meus pais, aquilo ocupava um espaço precioso e o meu pai, então, embirrava fortemente com ela.
Não me lembro se ainda cheguei a levar a arca do tesouro para alguma das minhas casas mas sei que acabou em casa de uma das minhas avós. Queixava-se que ocupava muito espaço mas, enfim, acabou por receber a indesejável hóspede. 
Quando morreu, nem os meus tios nem os meus primos quiseram nada do que quer que fosse. Deram muita coisa, deitaram fora outro tanto e eu é que fiquei com algumas recordações. E, claro, com o raio da arca já que tinha começado por ser minha. Veio numa leva de mudanças e foi parar à casinha das máquinas. 
E eu só vejo que a solução para aquela casinha passa por tirar de lá a dita cuja. Poderíamos levá-la e colocá-la na cave da outra casa. Mas acho que não deve caber no carro. E é pesada que ninguém imagina. O meu marido fuzila-me quando falo nestas coisas. Mas para lá colocar o guarda-fatos, supondo que ele não o desfaz antes, acho que não há outra solução. 

Só tenho coisas que me ralem, é o que é.


Portanto, como se vê, esta sexta-feira avizinha-se problemática. Vai ser daqueles dias em que mais vale exprimir-me por gestos ou, melhor ainda, estar calada, talvez mesmo fazer-me de morta. A ver vamos, como diz o ceguinho, se chego ao fim do dia ainda casada. 

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Estou precisada é de ioga. 
A ver se, inspirada aqui pelo meu velho amigo Larry, no regresso ao trabalho tenho uma vida mais tranquila e se arranjo tempo e disposição para ir fazer ioga. 

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As imagens de sarcasmo clássico são da autoria de Adnan Cirak que tem uma página cheia delas
Roaring 20s - Panic! At the Disco com Therese Curatolo & Jabu Graybeal
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Desejo-vos uma happy friday cheia de coisas boas
Força aí

terça-feira, junho 15, 2021

Estou parva com isto.
Pena não me ficar em caminho... senão estava lá caída...

[E, de passagem, o que me tem vindo a acontecer desde que tomei a vacina]

 

Gosto imenso que me mexam na cabeça: pentear, massajar, lavar -- qualquer coisa é boa.

Penso que já contei que a melhor experiência foi com um negão, gigante, salvo erro na 7th Avenue. A cadeira dava massagens no corpo, desde o início da coluna até ao finzinho, e as mãos dele, no couro cabeludo, eram de nos levar aos céus. Agarrava-me a cabeça com as suas mãos e era como se eu estivesse à sua mercê: da minha cabeça ele poderia fazer uma jarra, um prato, um vaso, o que ele quisesse. Parecia moldar o que tinha entre mãos. Quando ele perguntava se já sentia o cabelo limpo, tinha sempre vontade de dizer que qual quê, sujo até dizer chega, que continuasse, que continuasse.

Nesse, a especialidade era mesmo a lavagem. Dali não passava. Uma pena.

Houve também uma rapariga mas essa perto de casa: nela a especialidade era o corte. Era uma aventureira. Grande parte das clientes queriam penteados convencionais. Aí ela certinha, fazia brushing normal e, se lhe pedissem, até punha rolos. Quando chegava a minha vez, eu não queria nada, ela que fizesse o que quisesse. Desforrava-se: cortava como se não houvesse amanhã. 

Foi a altura em que eu usava o cabelo como o da Jean Seberg ou quase como punk, o cabelo tão curto que, forte e farto como é, espetava. E ela punha uma espuma que o retesava e o deixava ainda mais espetado. Ela andava à minha volta de tesoura e faca de aparar e eu nem aí para o resultado. Gostava de ver aquele exercício dela e gostava de sentir as mãos dela entre os meus cabelos, a espetarem-no. 

Houve uma altura em que evoluí para o bob. E aí era esticado, liso. Nessa altura eu usava uns óculos de tipo aviador mas em espelhado azul. Não sei porquê mas eu achava que aquele meu cabelo casava bem com aqueles óculos.

Com o tempo, naturalmente, fui-me tornando mais convencional. Há coisas que a idade não acomoda. Mas são ciclos. Acho que passada essa meia idade e entrando na madura idade, todas as extravagâncias voltam a ser possíveis.

No sábado a minha mãe tinha uns jeans justinhos, uma blusinha justa às risquinhas azuis escuras e brancas, inspiração naval, e uns ténis brancos. Estava lindamente. Há uns anos ela teria achado que não tinha idade para se vestir assim. Agora veste o que lhe apetece e tudo lhe fica bem.

Ao ver este miúdo de seis ou sete anos do vídeo abaixo fico fascinada. 

A destreza das suas mãos pequeninas, o olhar aguçado e atento enquanto se aventura no corte ou na ousadia do penteado, a criatividade e a falta de limites, maravilham-me. 

Fantástico também como as pessoas se entregam às suas mãos. Ele rapa, ele corta, ele apanha no alto da cabeça, ele pinta de encarnado ou de azul... e as pessoas aceitam. Acho isso o máximo. Fico parva com a sua habilidade e com o arrojo com que se atira para técnicas mais arriscadas.

Eu que, em pequena, ambicionava ser cabeleireira e que ainda gosto imenso de cortar e pentear, vejo estes vídeos com espanto e quase inveja (inveja da boa, bem entendido)

E a forma como ele massaja a cabeça, o pescoço, a testa...? Há uma miúda que adormece, uma ternura, e eu pensei logo que seria o que me aconteceria se me metesse nas suas ágeis e hábeis pequenas mãos. 

A intuição dele prova bem que, quando se nasce com uma vocação a sério, ela fala mais forte. Chama-se Jiang Hongqi e é, sem dúvida, um encantador de cabelos. 

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Alguns comentários que não publiquei adiantam-me possíveis maleitas e alguns mails mostram a preocupação de alguns de vós a propósito do meu estado (clínico). Não quero adiantar muito pois não gosto de falar antes de estar tudo ultrapassado. Contudo, para evitar especulações ou preocupações talvez exageradas, direi apenas que me sinto quase normal e que creio que o quase resulta essencialmente da medicação. Direi também que há semana e picos apanhei um grande susto (eu e toda a minha família), E apanhei-o por mera coincidência. Calhou, perfeitamente por acaso, fazer um exame de rotina (uma rotina que estava interrompida há quase uns dois anos ou mais -- nem sei) no dia em que apanhei a vacina. De manhã levei a vacina, de tarde fiz o exame. E esse exame detectou alterações significativas, potencialmente graves, em mim. Ao repetir de urgência esses exames, essas alterações tinham-se acentuado e já causado uma aparente sequela, quiçá uma sequela para o resto da vida. A partir daí tem sido uma sucessão de sustos, de mais exames, de toda a espécie de peripécias. 

Não sei se tem a ver com a vacina mas essa hipótese não foi descartada. Para já está a querer perceber-se o que aconteceu e se ainda há risco; e, face ao que se descobrir, o que fazer. 

Desculpar-me-ão mas não vou dizer qual a vacina para não causar receios que poderão ser infundados. 

Tudo nisto é novo e temos que ter calma, não fazer juízos precipitados. Para já quero é ter tudo clinicamente esclarecido pois não ganhei para o susto e quero, sobretudo, saber se posso voltar a ter uma vida normal e descontraída, se tenho que ser medicada forever and ever ou, mesmo, se terei que ser 'intervencionada'. A vacina pode ter sido apenas uma estranha coincidência. 

O resto se verá depois -- se houver alguma coisa para ver.

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Mas post que é post, aqui no Um Jeito Manso, tem que ter música... certo?

Então que se chegue a nós o Will Stratton com Tokens


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Divirtam-se, aproveitem a vida, está bem?
Haja saúde. Haja alegria.
E tenham um dia bom. Força.

domingo, fevereiro 16, 2020

O pangolim

P



Tinha havido todos aqueles tigres, claro,
e um leopardo, e uma girafa de seis pernas,
e um jovem veado que saltava para a minha janela
antes de ser morto, e certa vez um cavalo azul,
e algures uma impressão de cães maciços.
Por que é que sonho com tamanhas bestas de sangue quente
cobertas de peles suadas e cheias de paixões
quando podia haver lagartos secos e rãs frias,
ou criaturas lentas, modestas, como uma pausa
de todos aqueles animais pintados do tamanho de pessoas?

Ouriços-cacheiros ou talvez tartarugas,
mas eu penso que o pangolim ficava melhor:
um animal vegetal, que vai
disfarçado de alcachofra ou ponta de espargo
num casaco verde de folhas bem ajustadas,
com a sua cauda de pá, lisa, e o seu nariz de pincel:
o papa-formigas escamoso. Sim, ele ficava bem
melhor num sonho do que numa jaula
na Casa dos Pequenos Mamíferos; por isso convido-o
a ser sonhado, se ele estiver interessado.

['O pangolim' de Fleur Adcock, trad. Graça Braga, in 'Animal Animal, um bestiário poético' organizado por Jorge Sousa Braga]



E, então, veio o pangolim e pôs em risco o Império do Meio

segunda-feira, novembro 11, 2019

Quero o que antes da vida foi o profundo sono das espécies, a graça de um estado







Do cogumelo gigante da semana passada nem vestígios. Ainda pensei que estivesse reduzido a uma cutícula como tenho por lá visto algumas, mas nem disso encontrei sinal.

Noutro sítio, um que, de também tão grande, se abriu ao meio, ainda lá está, já a dar mostras de querer decompor-se, voltando à terra de onde, ele como todos nós, saímos.


Mas, do primeiro, nada. Algum animal o terá devorado? Ou ter-se-á desfeito em água? Evaporado?

Entretanto, onde a semana passada nem afloravam, agora estão dois grandes, brancos, perfeitos, a parte inferior rendilhada.

Coloquei o meu pé ao pé para se perceber o tamanho destes cogumelos.
Não tão grandes como o outro que desapareceu mas também grandes como duas belas farófias


Parecem-me milagres. O que eram antes de serem?

Rompem da terra, de sob as pedras, de sob a caruma,  um fofos, outros muito etéreos, quase uma espuma solidificada, outros bem carnudos, tisnados, quase uma crosta em vez de pele.


Como as borboletas que são belas e existem mas que o são a partir do que não eram, suspeito que os cogumelos também. Um pouco como o que escrevo. Estas palavras existe à medida que aparece e não faço ideia de onde estava antes de existir. São mistérios e, tal como todos os mistérios naturais, insondáveis. 

Dos pequeninos, aqueles pontinhos que se erguiam nos seus filamentos transparentes, também nem sombra. Em contrapartida, há agora outros muito discretos, elegantes, num tom requintado.

E continuo a vê-los trincados. Devem ser saborosos e não fatais.


E há outros também pequenos, quase umas florzinhas brancas, por vezes rosadas no centro, luzindo por entre a caruma rubra e molhada, entre folhinhas nascentes, verdejantes.


Só os vejo porque ando cada vez mais devagar, espreitando a terra, baixando-me para desvendar tudo o que me parece diferente do que encontrei na vez anterior que por lá passei. Conheço cada pedra, cada erva, cada rebento.

E encanto-me com tudo. E agora também com o orvalho coalhado por entre a caruma e as folhinhas e pedrinhas. São gotas de uma limpidez absoluta, cristais de luz.


Não encontro um período em que consiga dizer que alguma coisa morre neste meu pedaço de terra.  Tudo vive e revive. Um devir pleno de vida. Pode alguma coisa tombar, quase desfazer-se, misturar-se com a terra, transformar-se em segredo. Mas tudo renasce. Renascerá sob outras formas, mas renasce.

Não sei qual o elo de ligação entre todas as coisas ou o laço que une o que foi, o que é e o que vai ser. Talvez seja apenas a vontade intrínseca de existir, essa força telúrica que dá vida às coisas. A continuidade do tempo como seiva desta vida que se entrelaça, numa longa e infinita cadeia.


As folhas misturam-se com a água da chuva, as cores tingem-se das mais belas cores de outono e assim entrarão na terra, macias e coloridas e da terra brotarão novas formas de vida.

Até das pedras nascem musgos, rebentam flores, despontam árvores. Uma maravilha a céu aberto.
Já mostrei uma vez. 
Do rochedo nasceu um pinheirinho. Ficámos intrigados. De onde lhe vem o sustento? Pensámos que não tem como sobreviver, sem terra. Mas não tivemos coragem para interromper a sua ousadia. 
No verão, ao trepar por ali, algum dos meninos o partiu. Quando o vi com o seu tronco fininho quebrado fiquei de coração desfeito. Juntei as duas partes e amparei-o com pedrinhas em volta. Ainda pensei pôr-lhe uma fita em volta, um pano, qualquer coisa. Mas pensei que poderia ser pior, não deixando que cicatrizasse. Penso nele como se fosse um bichinho. Ao fim de uns meses após o acidente, ainda ali está, vivo, mais crescido. Não retiro as pedrinhas que o amparam com medo que tombe. Não sei quanto tempo vai viver mas não interessa. Há seres que transportam em si a inviabilidade para suportaram inclemências e que não foram fadados para serem iguais aos outros que conhecem todas as fases da decadência.  São seres que, enquanto existem, são belos e eternos na sua cintilante efemeridade. assim o meu querido pinheirinho.

E há arbustos ou pequenos troncos que parecem secar, depois voltam a aparecer cobertos de líquenes ou deles rebentam novas aflorações.

Na primavera passada, naquela de cortar pinheiros que não guardam a devida distância entre eles, para grande desgosto meu, o meu marido cortou um que já estava bem grande. Pois bem, está a rebentar por todo o lado. Recusa-se a desaparecer, impõe a sua viçosa vontade de viver. Acho isso tocante. Não sei se teremos coragem de voltar a tentar o seu fim.


Uma vez, há uns anos, em dia de grande vendaval, algumas árvores caíram in heaven. Um dos que mais me doeu foi um pinheiro enorme que tinha sido plantado pelo meu pai e que estava num canteiro em volta do qual estava um banco de madeira também feito pelo meu pai. O banco partiu-se e o pinheiro, que parecia ajoelhado, teve que ser abatido. A parte do tronco que estava debaixo de terra e da qual partiam as raízes era enorme e eu nunca consegui desfazer-me dela. Ainda lá está e nesta altura cobre-se de musgos, folhinhas e cogumelos, na primavera cobre-se de florzinhas e no verão tem líquenes secos que ficam lindos e chega o inverno e deixa perceber que é um corpo pleno de vida, sempre a reinventar-se, sempre a mostrar-me que a memória do meu grande pinheiro ainda está bem viva.


Hoje de manhã estive com os meus pais e com a parte da família que estava disponível e foi muito bom como é sempre bom. Momentos de felicidade. Sentimento de pertença: os laços de sangue falam muito alto e quando, num grupo, para além daqueles com quem existem os laços de sangue, há afinidades e gostamos uns dos outros, é uma bênção. São momentos de harmonia que perduram na nossa memória. Na memória... e nas fotografias porque, como sempre, registo os sorrisos, as brincadeiras, as alegrias.


E depois, para além das tarefas domésticas -- que ao domingo são sempre muitas -- estive a ler um livro que me aconchegou a alma: o segundo volume de A vida no campo do Joel Neto. Uma vez mais é daqueles livros que, sendo um registo diarístico, não tem outro enredo que não a descrição das pequenas coisas: o jardim que se constrói, a vereda que se desenha, o pão feito pela última vez pela senhora de oitenta anos, a cadela inteligente e meiga, a araucária que tem um carisma que marca a paisagem, o motorista da urbana que conhece toda a gente e manda a menina buscar um casaquinho a casa e por quem ele espera. E o livro vai avançando e vamos acompanhando o que pensa, o que sente o seu autor. Lê-se, lê-se e dá vontade de continuar.


Mas interrompi porque tive outras coisas para fazer e depois li dois mails que muito me tocaram, muito mesmo, e nem respondo já pois quero que façam o seu percurso dentro de mim.

E agora aqui estou de novo, a ver as fotografias dos meus meninos queridos que crescem todos os dias, vão deixando de ser meninos pequeninos, e são tão, tão, queridos, e eu gosto tanto de estar com eles, tão brincalhões. E também já estou com saudades dos verdes e dos perfumes e da beleza imensa que irrompe por todo o lado in heaven.

Há um tempo que une todas as coisas e pessoas de que gosto, um tempo que transporta afectos e memórias e bons auspícios, e esse tempo é a cola que dá a unidade de que preciso para melhor perceber o sentido da vida e para mais confiantemente me entregar ao exercício de existir.

E dito assim pode parecer estultice e, certamente, é. Mas não encontro melhor forma de transpor para palavras o que sinto até porque é sensação vaga, ideia que talvez nunca consiga formar-se.


Mas é isto. 

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O título do post pertence ao poema Exausto de Adélia Prado.

E, se me permitem, partilho de novo um vídeo de Li Ziqi, a jovem que vive no campo com a avó


A paz entre as pessoas que se amam e respeitam e que vivem em harmonia com a natureza

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quinta-feira, outubro 24, 2019

O meu avô. A vida simples.
[E Li Ziqi que mostra como se comem as castanhas chinesas, como se fazem candeeiros e cestos, etc.]





O meu avô, que viveu uma vida longa, teve uma infância difícil. Contudo, isto sou eu a dizer porque a ele nunca ouvi um queixume nem o meu pai ou a minha avó alguma vez o referiram. Já o contei. De família abastada, o meu bisavô cedo se perdeu em mulheres e jogo, perdendo casas, terras, animais e, quando nada mais restava que a casa onde vivia com a mulher e três filhos pequenos, creio que para escapar a dívidas e vexames, fugiu para longe e, esqueci-me e ainda não me lembrei de perguntar á minha mãe, foi para a Argentina ou para a Venezuela. Não faço ideia o que aconteceu a seguir. Só sei que, ainda adolescente, o meu avô se fez à estrada e começou a trabalhar onde calhava. Presumo que se deslocasse a pé. Ou, então, de bicicleta. Andou de bicicleta até aos oitenta e muitos anos. O meu pai e o meu tio tinham medo, diziam que ele já não ouvia bem, que já não tinha idade para andar de bicicleta. Ele fingia que não ouvia, e continuava a fazer o que queria. Lembro-me dele com a cana de pesca em diagonal nas costas e a cesta para o peixe presa atrás.


Trabalhou em França e eu gostava imenso de o ouvir a falar em francês. Depois, não sei como, foi parar onde se fixou. Ali trabalhou até se reformar, vivendo perto. A casa tinha um terreno ao lado, onde tinha árvores de fruto e uma horta. Depois o terreno subia em socalcos onde ele, em pequenos talhões, plantava alhos, cebolas, favas, batatas. O terreno ia até lá muito acima. Acedia-se aos níveis superiores por caminhos, degraus, caminhos, degraus. Cá em baixo, tinha ainda uma capoeira grande; mas isso era pelouro da minha avó.

Lembro-me do meu avô sempre ocupado. Sempre que possível, ia à pesca e vinha carregado de peixes que eu pedia sempre para arranjar, as mãos mergulhadas nas vísceras, os dedos nas guelras puxando as tripas que vinham agarradas, ensanguentadas. E a minha avó sempre com medo que tivesse ficado um anzol na goela e eu ficasse presa. 


Ou, então, tratava da horta ou apanhava fruta. E a minha avó sempre a zangar-se por ele não limpar bem os pés no tapete que havia à porta da cozinha e levar terra agarrada aos sapatos. E ele a fingir que não ouvia. Mas nas mãos dele tudo passava por cuidados que me maravilhavam. Ele apanhava as cebolas e os alhos com a rama e entrançava-as, fazendo réstias que pendurava naquilo a que chamávamos 'a casinha'. Também o tomate. Havia tomate maduro todo o ano pois não se estragavam. A casinha tinha pouca luz. Talvez fosse por isso. Não sei. Quando alguma galinha ficava choca, era também nessa casinha, não tão pequena quanto isso, que se deitava a galinha, numa cama que lhe faziam, onde estavam os ovos. Por isso, era aí que nasciam os pintainhos. 

No quintal, havia ainda a casinha das ferramentas e a bancada onde estava um torno. Contudo, penso que o que ele aí fazia tinha sempre a ver ou com fazer um portão de madeira, ou uma escada para ir à fruta, ou um banco de madeira para a capoeira. Coisas assim, simples.


E tinha uma arte. E essa arte fascinava-me. Dos seus tempos de criança tinha-lhe ficado a lembrança da cestaria. Devia evocar a lembrança das pessoas da terra e, aos poucos, foi tentando reproduzir os movimentos e cada vez fazia melhor. Creio que ele falava em palma. Creio. Eram folhas estreitas e finas que ele abria ou dobrava. Tenho ideia que umas vezes fazia com as folhas secas e outras com elas ainda frescas. Fazia cestos para guardar os ovos, cestos para a fruta. Não eram muito perfeitas e, portanto, não se usavam como objecto decorativo. Mas eu gostava tanto. Gostava em especial quando ele os fazia com asas de lado ou uma única, ao alto, grande, a meio. Tenho ideia que uma vez pensei que queria ficar com uma recordação e quis uma dessas cestinhas. Mas com as mudanças de casa, com o tempo a passar, às tantas, perdi o rasto a uma que tinha. Não sei como foi possível. Ficou apenas a terna recordação.


Eu olhava para aquele avô com um grande fascínio. Como viveu até tarde, lembro-me especialmente dele quando reformado. Depois de almoço, sentava-se no cadeirão de madeira que agora tenho lá em casa, in heaven, ligava a televisão ou o rádio, pegava num jornal ou num livro, lia, e, por vezes, dormitava. Tirando isso, andava sempre ocupado. Nunca se zangava, nunca protestava. Por ele estava sempre tudo bem. A minha avó queixava-se do reumático ou das artroses, queixava-se dos filhos, queixava-se da outra nora que a afastava do filho, queixava-se de uma ou outra vizinha, queixava-se de ele trazer muito peixe e de ela já não ter paciência para o arranjar, queixava-se de ele ser pouco cuidadoso com o quintal, com o jardim e com as flores. Ele fazia de conta que não ouvia e, à socapa, sorria para mim. 


Sempre tive uma grande cumplicidade com ele. Quando deixei um namorado, ela preocupou-se e, quando apareci logo com outro, preocupou-se ainda mais. E quando aos vinte lhe disse que ia casar ainda mais preocupada ela ficou. Ele não. Ele não dizia nada, apenas sorria, deixava-a fazer os dramas. Não era bem dramas, era mais como se fosse uma agonia que ela tentasse disfarçar sem o conseguir. Nesse dia em que, em casa dos meus pais, eu lhes disse que dentro de um mês ia estar casada e que ela ficou arrasada ele ficou como se nada se passasse. Apenas veio ao pé de nós, de mim e do meu namorado, e disse: ela casou-se aos dezoito e ao fim de pouco tempo, já o teu pai tinha nascido e, pouco depois, o teu tio. Eu tinha vinte e cinco mas ela tinha dezoito. Por isso, aos vinte parece-me uma boa idade. 

Isto do lado desse meu avô.
Esqueci-me de referir um aspecto que talvez explique muitas coisas. Ele tinha umas feições levemente orientais que o filho mais novo herdou e de que uma das minhas primas ainda é portadora. Penso que talvez por isso tivesse aquela paciência de chinês.
Do lado da minha avó do lado da minha mãe era também sempre uma actividade mas aí uma coisa mais restrita: era renda. Fazia rendas lindas. Colchas, toalhas de mesa, rendas para lençóis, entremeios de mesa. Nunca estava sem nada que fazer e era altamente produtiva. Tenho várias coisas feitas por ela. 'Tirava' por amostras, 'tirava' por revistas, 'tirava' por onde calhasse. Eu adorava ver a destreza daquelas mãos.


Talvez por isso, quer a minha mãe, quer o meu pai sempre foram muito activos, sempre ocupados, muito habilidosos. Com o que calhasse. Contudo, lembro-me especialmente dessa actividade e criatividade depois de reformados pois antes a vida profissional ocupava-os bastante. 

E, talvez também por isso, eu seja como sou, incapaz de estar sem nada que fazer. Contudo, vejo-me limitada. Limitada, desde logo, em tempo. E, talvez tão importante como a falta de tempo, é o sentir-me limitada pelo preconceito de recear não saber fazer. O receio contraria a confiança e para se fazer o que se quer é preciso ser-se afoito. E para se ser afoito é precisa ignorância. Ora, se a gente se põe a pensar muito, estraga a ignorância, perde a afoiteza e lá se vão os sonhos.

Mas, senhores, que vontade sempre tenho de fazer coisas. Pintar, fazer tapetes, fotografar (como estas fotografias que fiz no outro dia in heaven), cozinhar, varrer, escrever. E outras coisas. Tantas outras coisas.


. . .   &   . . .

Já aqui mostrei muitas vezes aqueles vídeos que, para mim, são uma fonte de tranquilidade. Os movimentos serenos da jovem Li Ziqi, os seus passeios pelos bosques, a forma harmoniosa como se move, os gestos ancestrais no manuseio de frutos, de flores, o fogo, os preparados que faz, a comida que confecciona, as peças que talha. Tudo me faz ficar presa a olhar. Mesmo que não perceba o que faz, mesmo que não saiba que produtos usa. Mesmo assim eu fico a olhar. Penso que era uma vida assim que eu gostava de ter. Uma vida simples, sem tempo, sem pressa, sem ruído, embalada pelo canto dos pássaros. 

Fazer coisas bonitas para a casa.

(E foi por vê-la a fazer cestas que me lembrei tanto do meu avô)



Os frutos secos do Outono



Mas quem é Li Ziqui que tem milhões de seguidores?


Desejo-vos uma quinta-feira tranquila e boa