No post abaixo já falei da vidinha dos muito ricos na América. Ou melhor, vamos lá a falar verdade: falei de uma madame muito muito bronzeada e muito rica que esbanja milhões, que foge ao fisco, que faz caridadezinha, que financia fundações e apoia políticos e que teve à venda um flat que era um miminho e uma pechincha.
E agora estava aqui a hesitar em falar da entrevista dessa malandreca que dá pelo nome de Teodora Cardoso. Mas descurti. Não estou à altura de tão majestática personagem, se ela diz que não se olha para a frente é porque não se olha. Depois pensei falar do Henrique Monteiro que resolveu soltar a franga e dar largas aos pirilaus que existem dentro dele. Que o texto não é ordinário, diz ele. Ok, se ele o diz. Que nem convém que o dito órgão ande demasiado nas bocas do mundo, diz também ele. Está bem, abelha. O que sei é que achei melhor não me alongar porque não nutro simpatia especial pelo senhor e o tema também não ajudaria. Portanto, adiante. Depois ainda pensei em falar da entrevista do Miguel Sousa Tavares ao DN, na qual aparece com aquele seu ar esbodegado contra uma parede em cor-de rosa-lilás marroquino. Em tempos achei que ele tinha muito charme. Agora já não, parece que virou um canastrão convencido, armado em petulante blasé. Perdeu a graça. Influência da madame-sua-esposa, talvez. Portanto, desisti de falar dele. Finalmente, ainda me apeteceu meter com o pequeno Nóia. Mais um a tirar o tapete ao láparo -- que já ninguém tem pachorra para aquele tom catastrofista e o escambau. Mas a melhor do petiz foi mesmo a de espetar uma alfinetada no Santana que está tão bem onde está, nunca ele esteve tão bem, a ganhar na Misericórdia e na televisão, um pézinho de meia que não é brincadeira, e agora vem o catraio a lançar a ideia peregrina de ele ir para a Câmara. O Flopes até deve ter sentido um calafrio pela espinha abaixo. Aquele Nóia é mesmo um venenozinho em forma de gente. Mas também não me apetece estar a meter-me nas guerrinhas de alecrim e manjerona e nas economias domésticas entre os despojos do psd.
Por isso, fico-me pelas matérias estivais e mostro apenas algumas imagens da Caparica banhada pelo sol neste domingo que se adentrou por Agosto. Nos dias de muita gente na praia não me aventuro. Passeio cá em cima, apanho sol enquanto caminho e vou olhando, de longe, o mar. Não sou capaz de estar na areia rodeada de gente. Tenho um certo lado de bicho-do-mato. E caminhar no meio de uma multidão também não. Ou apanhar um engarrafamento para entrar e sair das praias mais remotas também não. Por isso, antes de irmos petiscar na esplanada do grego, andei como sempre ando, feita turista acidental. O mar muito azul, o céu muito azul, uma aragem que suavizava o calor.
E eu já ia de férias.
Ia. Mas não vou. Gaita. A ver uns a irem, todos lampeiros, outros já a chegarem, todos no bronze e na boa onda, e eu ainda aqui de pedra e cal. Ninguém merece.
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E relembro: caso queiram colher ideias para decorarem a vossa querida casinha, desçam até ao post que se segue. Eu, por mim, já vi como é que hei-de arrumar os meus sapatos.
Depois de na 3ª feira, na TVI, as questões se terem centrado essencialmente no carácter, revelando o duvidoso nível de António José Seguro e a calma olímpica de António Costa, o debate na SIC foi muito diferente.
Clara de Sousa, gira como sempre e muito bem, directa e de rédea curta, levou o debate para o terreno das ideias. Sabido que é que não é com respostas de um minuto ou dois que alguém consegue explicar como vai tirar o pé do País da lama, tem que se reconhecer que uma amostra do que pensam e de como pensam conseguiu, apesar de tudo, ser antevista.
E aí, quando António Costa começou a responder, percebi que tinha mudado de tercio. A montada era outra e o tipo de bandarilhas também. Se, na TVI, tinha ido numa de contenção e delicadeza para poupar o Tozé (tal como o Caro HB disse num comentário ao texto de ontem), na SIC mostrou que a coisa não ia ser um passeio para o Piu-Piu. Tivemos faena a preceito e quase festa rija.
De cada vez que o Piu-Piu piava, António Costa, contido e zen, deixava transparecer que, por dentro, estava a pensar, 'Ó pá, make my day...' e, mal o outro acabava, pumba. Sempre delicado e com elevação, com o argumentário no plano político e não pessoal, não as poupou:
que o Tozé andava a apregoar ideias como suas quando eram património do PS,
que apregoava como novas as medidas quando, em 80 e tal, apenas seis medidas e meia é que diferem das do programa eleitoral de 2009 e é porque são questões conjunturais, uma das quais até já ultrapassada, etc e tal
que apregoava que eram medidas inovadoras quando algumas constam de programas do partido desde 1995.
Enquanto ouvia isto, o Tozé toldava os olhos, rangia os dentes e não sei que mais fazia que as câmaras não tivessem captado mas não devia ser coisa boa. Alguém devia ensinar o homem a disfarçar a raiva.
António Costa apresentou ideias (tanto quanto possível nos escassos minutos de que dispõem) e, quando o Tozé disse que finalmente o via a apresentar ideias, o Costa saltou outra vez com alegria: isso significa que andaste apenas a dizer o que as agências de comunicação te dizem para dizeres em vez de leres a moção que apresentei. O Tozé, ar esgazeado, fingindo que ria mas com os dentinhos a tremerem de raiva, nem sabia o que responder.
Às tantas, no meio da confusão, o Tozé, sempre a querer descer do chinelo, saíu-se com uma fantástica: que, enquanto os autarcas estavam de janela, ele andava a percorrer o País. Costa disse logo que lá andar muito pelo País ele tinha andado, tinha era conseguido pouca coisa e aproveitou para lhe perguntar se era isso que ele pensava dos autarcas, que estavam de janela. Seguro, voz a tremer de raiva, respondeu que não eram os autarcas, era ele, Costa. António Costa já nem comentou tamanha infantilidade.
E António Costa falou nos erros de Seguro enquanto oposição débil, na falta de ideias, na falta de capacidade de mobilização, no eleitorado órfão, na falta de capacidade para se demarcar do PSD no que fazia sentido ou para contribuir para alguma convergência quando isso era razoável. E, quando o outro reagiu, sempre tentando levar a coisa para o plano pessoal ('fica-te mal dizeres isso'), Costa rematou à baliza 'tu não foste capaz'.
E apresentaram, pois, as suas ideias. Forçosamente têm que ser ideias gerais mas na forma de apresentar as suas, António José Seguro quer particularizar como que para provar que tem mais ideias, não percebendo que isso não é assim que funciona, parece imaturo.
António Costa tem uma estrutura mental mais lógica, mais sistematizada e sabe que não vale a pena querer inverter a ordem dos factores ou falar de tudo ao mesmo tempo. António Costa sabe e é isso que diz que a primeira prioridade é injectar liquidez na economia e por isso defende que o foco esteja nos fundos estruturais e em políticas de relançamento económico e combate ao desemprego e pobreza. Não são só razões sociais: são também razões económicas pois só com liquidez a economia conseguirá renascer e só com relançamento económico e investimento, poderá haver crescimento e geração de valor.
António Costa sabe e disse-o de forma clara que o sentimento europeu é outro e que o fundamental é inverter o paradigma: não é menos austeridade mas sim crescimento.
Perfilho as suas ideias e não faço outra coisa senão defendê-las desde há mais de 3 anos.
E António Costa falou no conhecimento, na ciência, na investigação e falou no apoio às empresas e na reforma administrativa do território.
António José Seguro, boca seca, risinho nervoso e amarelo, também disse umas coisas mas vê-se que não sabe prioritizar as ideias, vê-se que, para ele, tanto valem ideias que são balões cheios de ar ou ideias complexas. Dá pena vê-lo a querer mostrar serviço agora que aparente e desejavelmente está de saída.
No final, diria eu que já com o Tozé com alguma dificuldade em se aguentar sentado, António Costa felicitou-o por se ter sabido portar como deve ser, por não ter cedido ao impulso dos ataques pessoais, tanto mais desagradáveis por serem entre camaradas. O outro parecia que estava a sangrar mas queria fingir que estava a gostar e, por isso, mantinha-se de sorrisinho morto pregado à cara, boca em biquinho, dentinhos a quererem vir para fora, olhar descompensado. Andou a pedi-las mas foi confrangedor.
Finalmente, uma vez mais ficou claro que António Costa fala de frente, sabe ser firme e duro, e tem sentido de humor. O seu sorriso é simpático a quem o vê.
António José Seguro tem mau perder, tem uma simpatia artificial, é tudo muito construído, não convence ninguém.
Digo isto e tenho que corrigir: todos os que apoiaram antes convictamente Passos Coelho contra Sócrates e que agora, apesar de toda a destruição que Passos Coelho infligiu ao País, continuam a não ser capazes de assumir que se enganaram completamente, esses continuam a ver virtudes no Tozé. Diga ele o que disser ou faça o que fizer, esses artistas que inundam os jornais, as televisões e a blogosfera continuam a achar que 'esteve melhor' do que António Costa. Percebo-os: quem já antes revelou tamanha incapacidade de entendimento, não se cura de um dia para o outro. Mas isto pode ser que seja eu a ser tendenciosa, a deixar-me guiar pela intuição, já que acho óbvio que não há comparação possível entre um e outro.
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Permito-me transcrever a deliciosa parte final da crónica de Ferreira Fernandes no DN, intitulada 'Não vou discutir a baixa do IVA, não' :
Já aqui o disse: não gosto de Seguro. Não é por esta ou aquela linha política. E nem é por essa coisa que salta nos políticos quando falta, o carisma. É pela cara mesmo. O falso afeto. Isto é, por uma razão política maior. Se ele chegar a primeiro-ministro e encontrar o ministro alemão Schäuble, não quero vê-lo a debruçar-se e perguntar: "Então, como vão as perninhas?"
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Uma pergunta para terminar: o que é que ainda leva a que alguém convide o Henrique Monteiro para comentar o que quer que seja? Ouvi os comentadores na SIC N durante um bocado e, de cada vez que lhe davam a palavra, ele desatava a desfiar as suas próprias ideias, contraditórias e paradoxais como sempre, sounbites e pouco mais e nunca lhe ocorreu que estava ali para comentar os candidatos e não para fazer campanha a favor dele próprio. É um fala-barato que cansa. Claro que, no meio de mil imprecações... zapping!
Bem. No post abaixo já falei de uma tendência de moda que Kate Moss antecipa para o outono/inverno e, mais abaixo ainda, já falei das mulheres que têm qualquer coisa de especial na passadeira vermelha de Cannes/2014.
Frescuras, frioleiras ou futilidades, como lhes queiram chamar (e chamo-lhes coisas levezinhas) são, portanto, a seguir.
Aqui, agora, está na hora de falar de coisas quase sérias. As sérias vêm a seguir.
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Todos os dias, quando espreito o site do Expresso, dou com um aparato de publicidade ao site do Expresso Diário.
Comprando eu, semanalmente, o jornal em papel, usando o código que vem na revista não tenho que pagar o acesso ao jornal diário. Mas terei que me registar. Nada de mais. Todos os dias me identifico nos mais diversos sítios. Mas há uma diferença. Identifico-me ou nos sítios em que sou obrigada a entrar por motivos profissionais, por exemplo, ou por necessidade (ex: bancos), ou por gosto.
Agora, porque haveria eu de me dar ao trabalho de me registar num sítio que tem, logo no frontispício, criaturas como o Henrique Monteiro, o José Gomes Ferreira ou o Henrique Raposo ou que tem agora como comentadores sujeitinhos como aquela luminária ex-JSD, Duarte Marques? Não dá, não é? ... E que está cheio de entrevistas a Passos Coelhos ou outros quejandos? Não dá.
Tem lá gente decente, concordo. Mas os que referi incomodam-me demais.
Tenho pena pelos outros mas, temos pena, não tenho pachorra para ter trabalho para ver gente que prefiro ver pelas costas.
Não faço ideia se estão a ter muitos aderentes ou não mas, não sei porquê, palpita-me que não.
Além do mais, de caminho, deram cabo do site normal do Expresso já que agora quase tudo remete para o Expresso Diário. Torna-se fastidioso quase não conseguir ler um único artigo inteiro.
Avançar para um projecto novo com gente datada, que já conhecemos de ginjeira e não pelos melhores motivos, não é aposta ganhadora. Ou ir buscar jotas, gente pouco escolada ou gente colada ao poder também não.
Não sei quem arquitectou a coisa, quem é que escolheu os colaboradores, quem é que dirige aquilo - mas, quem é, não foi inovador nem está a revelar grande visão.
[Tomara que não seja o Pedro Santos Guerreiro de quem eu tanto gosto, senão sentir-me-ei, de futuro, um bocado inibida em continuar a desancar neles.]
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PS: Não tem nada a ver com isto mas, enquanto escrevo, estou a ver televisão e acabo de ver um bocado da entrevista de Passos Coelho não sei a quem mas sei que tentava falar em inglês. Credo. Que aflição. Mas aquela avantesma nem se deu ao trabalho de ir frequentar um curso de inglês técnico...? Please. Será que aquele fulano não me poupa a nada...? Tenham dó.
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Para não sair do campo da moda, fui buscar uns cães todos fashion, dogs vogue, fotografados por Sophie Gamand.
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Relembro: abaixo deste há mais posts relativos a moda mas, desta vez, moda humana - no feminino. Moda e beleza. E charme.
No post abaixo falo-vos das três rainhas que visitaram Lisboa neste belo início de Maio, maduro Maio, e, mais abaixo, dou-vos a possibilidade de, no convés ou noutro lugar qualquer, agarrarem o par dos vossos sonhos e dançarem uma bela valse-musette.
Tinha já aqui separado umas fotografias para vos mostrar como está uma beleza o meu heaven e como estava uma maravilha a praia hoje de tarde. Mas tantas as solicitações temáticas que estou aqui num virote, sem saber para onde me virar e, por isso, duvido que vos fale das minhas frescuras.
Vamos, pois, a assuntos mais cosmopolitas.
Saíu hoje o 1º número do Expresso online diário. Um vespertino na internet, diário, com a chancela Expresso.
No Expresso em papel já tinha visto muita propaganda sobre isso mas, confesso, tive mais em que pensar e a coisa varreu-se-me.
Há pouco, ao ver o Malparado, li uma chamada do Pedro Mexia para OS QUATRO GRANDES, a sua 1ª crónica no Expresso diário.
Noblesse oblige, lá segui o link e lá fui parar. Debalde. Ou fazia login ou registava-me. Ora, tenho mais do que fazer. Capaz de ser fácil, capaz de um dia destes me dar para isso. Mas hoje, népias, hoje não me apetece.
A coisa pode ter virtudes, não digo que não.
No Grupo onde trabalho sou tida por early adapter, ou seja, faço parte daquela raça de gente que adapta as coisas às primeiras.
Onde me cheira a novidade, aí estou eu pronta a embarcar. Resistência à mudança da minha parte? Zero. Pelo contrário, têm é que me agarrar.
Por isso, isto de não me apetecer sequer espreitar não é a resistência habitual de que já todos os investidores estão à espera.
Não, é mais do que isso. É mesmo aversão. Eu explico.
Chego à 1ª página do site do Expresso e quem é que eu vejo logo ali a guardar o templo? O Ricardo Costa e o Henrique Monteiro, este em fotografia nova mas, ainda assim, com a mesma cara.
Não dá.
Um, tudo o que escreve é para mostrar que sabe muito ou que já antes tinha previsto ou a fazer de conta que está a escrever na pedra para um dia poder comprovar que já disse, uma espécie de Cavaco. Não há pachorra. O outro ainda é pior. Fala de alto, fala com muita convicção, mas baralha tudo, especialmente se o raciocínio mete números, baralha tudo, não tem o mínimo, mas o mínimo, senhores, de raciocínio algébrico, a lógica para ele é uma batata que ele trata a pontapé, e tanto diz uma coisa como o contrário e sempre com ar de quem fala de cátedra. Ainda menos pachorra.
Depois o insuportável Raposo, o Henrique Raposo, essa criatura detestável, armado em engraçadinho, outro para quem a aritmética é um mistério que ele, não a percebendo, poderia ao menos respeitar, mas nem isso. Um arrogantezezo armado em intelectual displicente. Alguém que, se eu tivesse um jornal meu, nem para escolher onde pôr os anúncios haveria de contratar, quanto mais para lhe dar uma coluna. Impossível.
E há mais. Os temas giram todos à volta do Governo, dos ministros, como se aquela seita tivesse sorvido o Expresso e o Expresso agora pouco mais fosse que o diário do regime, um jornal de campanha, mas uma campanha mal-afamada. Para se armarem em desligados do poder, abrem com o Seguro. Treta. Sabem que o Seguro não tarda está primeiro-ministro e já se estão a fazer ao piso. Sempre à babugem do poder, uma seca.
E depois, de maneira geral, os textos são sempre formais, desengraçados, sem sal, uma maçadoria, como diz o láparo.
Como eu tinha acabado de escrever um texto sobre as três rainhas que nos visitaram esta terça feira, ao entrar no site do Expresso, tive curiosidade de ver o que tinham eles escrito sobre o assunto. Pois bem: uma sensaboria. E, no final do texto, ainda os Secretários de Estado, o Mesquita Nunes e o Sérgio Monteiro, para dar aquele toquezinho de Governo que parece que contamina todos os artigos.
Estou a ser injusta para alguns? Estou. Estou a ser injusta para o Pedro Santos Guerreiro, por quem estou (jornalisticamente) apaixonada, para o Pedro Mexia que é sempre aquele valor seguro, para o Daniel Oliveira que é um peso pesado do jornalismo de intervenção. Mas quem manda meterem-se com más companhias? Têm que ganhar a vida, eu sei, quem o não tem? Não os condeno. Mas isso não me leva a dar-me ao trabalho de me registar para fazer o login quando sei que vou ter que levar com a conversa fiada e bacoca de algumas das figuras de proa do jornal e com as fotografias da Albuquerque, do Passos, do Seguro e de toda essa tropa que parece ser a razão de viver do Expresso.
Tenho pena, Pedro Mexia. Os seus quatro grandes devem, certamente, ser fantásticos mas, se para saber quem são, tenho que gramar com os acima referidos pequenos, então, paciência, vou permanecer na ignorância.
Estou com esta conversa toda quando semanalmente não passo sem a minha dose de Expresso, sou adicted mesmo. Sei que não deveria consumir mas ressaco se o não faço. O meu marido recrimina-me e eu, como agarrada que se preza, faço-me desentendida, desvalorizo. Mas, por dentro, condeno-me. De cada vez que vejo os títulos que escolhem, os fretes que fazem, a inside information que as fontes próximas do governo lhes passam e que eles propalam de gosto, condeno-me, claro que me condeno.
Mas, enfim, tudo tem uma explicação. E a explicação chama-se José Tolentino de Mendonça, Pedro Mexia claro, Clara Ferreira Alves, João Garcia, Fernando Madrinha, Ana Cristina Leonardo (agora injustamente reduzida a uma pequena coluna), Jorge Calado, Nicolau Santos, Pedro Adão e Silva, tal como antes, nos idos do Expresso, António Guerreiro, José Manuel Mendes, e isto só para falar dos recentes. Talvez outros de quem, injustamente, devo estar a esquecer-me.
Por estes, eu fecho os olhos ao Henrique Monteiro, ao Ricardo Costa, ao execrável Raposo, à alforreca Daniel Bessa, ao cata-vento João Duque, àquele inconsistente João Vieira Pereira, ao Martim Avillez que fala muito e não diz nada, e a todos esses que considero não fazerem um jornalismo sério mas, sim, um jornalismo de papagaiada, sem substância, que cavalga a espuma dos dias, não deixando qualquer marca.
Mas isso já me habituei a aceitar. É como ir à praça, e, ao querer a posta do meio, por exemplo a do safio que não tem espinhas, as peixeiras obrigarem-me a trazer um bocado do rabo, cheio de espinhas, incomestível. No peixe e na versão impressa do Expresso, eu já me habituei.
Agora, entrar para ver como é, e aparecer-me o Seguro, todo apertadinho, a ajeitar a gravata e eu ter que me registar para ver o resto...? Ná. Arranjem-me produto melhor para ver se me convencem.
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A música lá em cima é, claro, Maio, Maduro Maio (do José Afonso) aqui interpretada por Emmy Curl
As fantásticas fotografias manipuladas são de John Wilhelm com a sua família: Lou ( 5 anos), Mila (2 anos), Yuna (6 meses). Uma graça.
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Relembro:
Sobre as maravilhosas rainhas dos mares que volta e meia descem o Tejo e visitam Lisboa, é descerem até ao post seguinte.
Sobre a valsa musette e o seu inegável charme francês que nos leva até a um tempo em que a alegria se vivia com o corpo, é descerem ainda um pouco mais.
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E, por agora, fico-me por aqui.
Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta feira.
Boas danças!
No post abaixo falei do assédio que o Um Jeito Manso anda a sofrer por parte de um tal Bruno Maçães e de um tal Marques Guedes; e, por isso, lancei um lancinante apelo a que alguém o venha socorrer senão ainda corro o risco de inconseguir continuar manter-me longe dos níveis frustacionais - e que venha a primeira Sãozinha Esteves e me atire a primeira pedra.
Mas que é lá isso: uma conversa sem soft power e sem mística, perguntam vocês? Temos pena.
Mas isso é a seguir. Agora, aqui, a conversa é outra.
*
Li sem espanto mais uma das maravilhosas crónicas do grande analista Henrique Monteiro no Expresso online. Calibrar - não há como fugir, diz ele.
Seja o que for que os inteligentes do Governo de Passos Coelho & Paulo Portas façam, lá vem ele, armado em tia, dizer que é mau mas que haveremos nós de fazer?, não há volta a dar, era bom que houvesse mas não há, e antes isto que uma coisa pior e, em conclusão, vamos lá a fazer o que eles dizem. E depois enfeita o texto com umas auto-citações, uns raciocínios pretensamente elaborados mas sempre errados do ponto de vista aritmético (mas sabe lá ele o que é aritmética) e, todo contente com a sua própria graça, invariavelmente termina concluindo que é isto e que vá lá que é isto, porque a alternativa seria pior.
Há meses que, mais coisa, menos coisa, anda a martelar neste mesmo registo.
O Governo vai falhando em tudo, vai ficando provado à saciedade que todas as medidas que põem em prática dão resultado contrário ao pretendido - mas nada disso faz soar uma campainha na inteligente cabecinha do Henrique Monteiro.
Parva és tu que ainda lês o que ele escreve, diz-me o meu marido. Pois.
Mesmo sobre esta parvoíce do Governo se vingar do último chumbo do Constitucional (chumbo por uns humilhantes 13-0) com uma provocação descarada, carregando uma vez mais à força toda sobre os funcionários públicos e pensionistas, o Henrique Monteiro vem dizer que tinha que ser e que é melhor isto que qualquer outra alternativa.
Há indivíduos que são assim: parece que gostam de ver sofrer e, até, de sofrer.
Mas, enfim, cada um é como é e nada a fazer. Chato é que gente assim ande a pregar tão fraca doutrina pelos meios de comunicação social mais lidos e vistos do país. Ele é no Expresso online, ele é no Expresso escrito, ele é na SIC. Um perigo, estes arautos do empobrecimento e do retrocesso. Ajudam uma população a mentalizar-se que não outro caminho senão agachar-se e, de preferência, de bico calado.
Adiante.
A ideia agora é outra. Dado que o Henrique Monteiro é pessoa das palavras (e zero de números) daqui lhe lanço uma adivinha: na novilíngua passista o que significará recalibrar um analista?
Se eu fosse a ele, protegia-me.
É que, pelo rumo que isto leva, não tarda que o Governo decrete que, para tapar o buraco (e com estas suas políticas, haverá sempre muitos buracos por tapar), vai ter que recalibrar mais umas medidas.
E vai chegar ao ponto em que já esmifrou até ao tutano os funcionários públicos e os pensionistas e vai começar a virar-se para outros lados, de forma mais selectiva.
E, já viu o Henrique Monteiro, quando o Governo apontar aos analistas?
É que é preciso ter cuidado com a limitação de vocabulário daquela gente. Analista são eles capazes de pensar que tem a ver com o anal dos jornalistas e, nisto de anal e de buracos para tapar e com esta moda de calibrar e mais não sei o quê, já viu o Henrique Monteiro o tremendo risco que corre se eles resolverem recalibrar os analistas?
E, interrogo-me eu: se esse dia chegar, será que vai o Henrique Monteiro também dizer que não há como fugir? Que tem que ser e que podia ser pior...? Não sei. Pergunto.
Por isso, não será de analisar primeiro as alternativas, aconselhar-se junto de quem sabe de números, antes de decretar que sim, vamos lá a isso porque não há como fugir? Ai, Henrique Monteiro, se V. soubesse alguma coisa de matemática saberia que, quando a tendência é decrescente, a derivada é negativa e, quando isso acontece, muitas vezes difícil é saber quando pára. A via para resolver o problema da dívida pública passa pelo estímulo à economia e não por sugar a liquidez circulante através de cortes e mais cortes e mais cortes.
Até a mais maria das marias-vão-com-as-outras tem que chegar a um ponto em que tem que ser capaz de dizer NÃO. Ou não?
*
As duas primeiras imagens são as que encimam (ou encimaram) as crónicas do analista Henrique Monteiro e a última acabei eu de a obter fotografando uma imagem do Expresso de hoje.
A recessão aliviou um bocadinho, o desemprego aliviou um niquito e logo
Passos Coelho, aquele que, como é sabido, gosta muito pouco da verdade,
e mais o Paulo Portas que, no meio da ficção borbulhante em que gosta de se movimentar, comunica através de sounbites mesmo que não queiram dizer coisa nenhuma ou uma coisa e o seu contrário,
e mais o arautozinho pequenino de seu nome Marques Mendes
e mais o Henrique Monteiro que não gosta de números e a quem, portanto, as explicações que têm como base a interpretação numérica lhe passam completamente ao lado,
e mais uns quantos papagaios que dizem o que calha desde que, dessa forma, possam cavalgar qualquer onda
vêm para as televisões pipilar, dizendo que isto é fruto da política que o PSD e o CDS vêm pondo em prática.
Estranhamente da oposição poucas vozes têm aparecido para desmontar a estupidez e o logro do raciocínio.
Mas eis que João Galamba, o menino bonito do PS, veio explicar o que se está a passar. Foi no Expresso deste sábado e a explicação está clara como água.
Infelizmente já não tenho os cadernos Principal e o de Economia aqui comigo, já os levei para casa dos meus pais, pelo que, mesmo que quisesse transcrever as partes mais relevantes desse artigo, não o poderia fazer.
Mas não faz mal porque o que ele diz é o que eu penso e o que os números demonstram, pelo que falo com palavras minhas.
A melhoria da economia resultou do aumento do consumo interno e não de qualquer outro factor. Ora a melhoria do consumo interno deve-se ao chumbo das medidas mais penalizantes por parte do Tribunal Constitucional. Ou seja, a melhoria resultou justamente do facto de a política do Governo ter sido impedida de ser posta em prática em algumas das suas componentes.
É que, ao haver mais dinheiro em circulação (o subsídio de férias, por exemplo), a economia reanimou-se. São sinais ainda ténues porque a massa monetária em circulação não aumentou assim tanto - mas é o suficiente para demonstrar como é letal a política de austeridade pois, tendo havido um ligeiro alívio dessa maldita austeridade, logo a economia deu sinais de querer respirar.
Não perceber isto é não perceber que, se o OE 2014 não for chumbado pelo Constitucional naquilo que tem de mais gravoso, logo os indicadores se voltarão a inverter.
Será que isto é assim tão difícil de perceber?
[E não falo num outro aspecto, o de que este Governo não reformou nem um pouco a máquina do Estado tendo, inclusivamente prejudicado o seu funcionamento e agravado os seus custos tal como o Tribunal de Contas tão inequivocamente o sinalizou. E não falo nas nomeações abstrusas de miudagem inexperiente, boys, filhos de banqueiros, amigos e familiares, ou nas nomeações aberrantes como a do ex-director nacional da PSP que vai para paris ganhar mais de 12.000 euros por mês. E não falo disso ou de muito mais porque falar nisto me deixa incomodada. A incompetência e a estupidez a mim incomodam-me mesmo. A sério.]
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Sobre as arriscadas acrobacias financeiras do grupo financeiro do regime, o Grupo Espírito Santo, que são de tal maneira que até o Wall Street Journal se espantou e lhes deu notícia, falo no post abaixo.
No Ginjal tenho o Pde.José Tolentino Mendonça com a Presença mas pura dita por um jovem muito talentoso, Guilherme Gomes. As minhas palavras andam comigo sobre as árvores para não destoarem das palavras do Padre-Poeta.
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E, por agora, é isto. Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo domingo!
Palavra que me apetece desligar durante uns tempos. Já me falta a paciência para ver tanta falta de coerência, tanta demagogia, tanta impreparação e incompetência - mas ainda me falta mais para andar aqui a pregar contra isso. No entanto, também me custa fazer de conta que não vejo o que vejo. Por isso, mesmo que já ninguém leia estas minhas investidas, volto à carga.
Paul Krugman, prémio Nobel da Economia, escreve alto e bom som que alguém tem que pôr fim ao pesadelo português, a esta sistemática e devastadora destruição da economia.
O BEI (Banco Europeu de Investimentos) acusa a Comissão Europeia de bloquear fundos destinados ao financiamento de pequenas e médias empresas portuguesas e.... pasme-se: a Comissão Europeia acusa o BEI da mesma coisa. Inadmissível. Uns empata-fxxxx que não fazem nem deixam fazer e que se entretêm a acusar-se uns aos outros.
Lá dizia a Merkel (que também deve ser esquizofrénica) que Durão Barroso é um incompetente que está a destruir Portugal com tanta austeridade em vez de desbloquear verbas disponíveis para estimular a economia.
Pois bem. E, enquanto isso, o que fazem os alunos marrões da treta que nos (des)governam? Batem-se para que essas verbas sejam desbloqueadas? Usam os argumentos do Prémio Nobel e de todos os economistas que explicam à saciedade que a rota a seguir é outra que não esta? Não. Não fazem nada. Nada!
E porque venho agora com isto? Não apenas porque me revolto por ver o meu País a ser destruído, como me parece que há ainda muita gente que não acredita que HÁ ALTERNATIVA!!!!
HÁ! HÁ ALTERNATIVA!!!!!
Henrique Monteiro anda muito equivocado nas análises que anda a fazer.
Devia receber algumas explicações de matemática
Um dos que todos os dias escreve crónicas em que revela que ainda não percebeu o que está a acontecer é o Henrique Monteiro. Até me dói, tanto o desconhecimento e o enviesamento de raciocínio. Escreve ele que as pessoas acomodadas querem viver bem em vez de abdicarem dos seus direitos, que deviam perceber que o dinheiro não chega para tudo, que é preciso cortar. Diz ele que os acomodados se deveriam estar a preocupar é com os desfavorecidos e com os desempregados em vez de estarem a defender privilégios.
Tudo mal. Parece bem mas está mal. A conversa dele, tal como a dos que ainda defendem a estupidez que nos caíu em cima, é a conversa de quem não percebe de números e facilmente se deixa levar pela moral judaico-cristã, da culpa, da expiação da culpa, dos bons, dos maus.
Ora a questão é mais simples que isso: é aritmética. (Claro que também é moral. Mas fico-me pelo mais simples: pelas operações elementares).
Por exemplo, querer que não se despeçam funcionários públicos, querer que não se cortem os ordenados aos funcionários públicos não é querer manter privilégios: pelo contrário, é defender os desempregados e os mais desfavorecidos.
Porquê?
Porque os funcionários públicos, enquanto trabalham, pagam impostos, têm dinheiro para comprar coisas. Se ficarem desempregados deixam de pagar impostos, passam a receber subsídio de desemprego (enquanto o receberem) o que desequilibra as contas públicas, deixam de poder fazer compras, haverá mais lojas e restaurantes a fechar, etc.
Ou seja, defender os mais desfavorecidos é, por exemplo, defender a existência de uma classe média sólida, com excedentes financeiros (excedentes que irão para bancos, que precisam de dinheiro para financiar a economia, ou para o consumo, que é necessário para também manter a economia de retalho)
Para pessoas que não têm facilidade com números, há coisas que não entram bem. Para essas, vou dar um exemplo.
Imaginem os meus amigos que têm uma horta de onde apanham batatas. Suponha que são duas pessoas na sua casa e que ambos trabalham na horta. Todos os dias têm 8 batatas, 4 para cada um.
Suponha agora que um de vós parte uma perna e deixa de trabalhar na horta. O outro dificilmente dá conta de tudo e as batatas começam a escassear. Agora já são apenas 6 batatas, 3 para cada um. Ao fim de algum tempo, cansado e fraco, o que trabalha começa a dar menos rendimento e já só há 4 batatas, 2 para cada um. O Henrique Monteiro ou o Passos Coelho, se fossem a vossa casa, diriam que há gente a mais para o número de batatas e que o que há a fazer é um dos dois deixar de comer batatas.
Tempos depois, um de vós, porque já não come, e o outro porque é o único a trabalhar e já não tem muito para comer, já ficam os dois de cama e, ao fim de algum tempo, já só há 1 batata por dia. Até que já não há batata nenhuma e um já morreu e outro para lá caminha.
(Este exemplo é a fingir e bem longe da vossa casa... e façam o favor de bater três vezes na madeira. Bolas, devia alterar o exemplo, credo, que mau gosto o meu, foge...)
Mas enfim, relevem, por favor. Voltando ao estúpido exemplo: a opção foi a errada. A solução não era comerem menos batatas porque, quando se entra num caminho descendente, é difícil saber onde parar, porque a redução alimenta a redução. A solução seria arranjar quem fosse ajudar a produzir mais. Produzindo mais batatas, haveria o suficiente para todos e talvez até houvesse excedentes para vender.
Mas a opção errada foi a que se seguiu em Portugal - com a agravante de que, apesar de se constatar o descaminho que tudo está a levar, apesar de perceber o desastre, se persiste na rota.
Só espero que os burros não se venham queixar por estar a associá-los
aos incompetentes que estão a desgraçar Portugal
Um bando de burros achou que a solução para reduzir o défice e a dívida era secar a economia, retirar o dinheiro de circulação (reduzindo ordenados, aumentando impostos, etc). Resultado: aconteceu o oposto do que supostamente era pretendido.
A solução para Portugal passa pelo oposto disso, passa por resolver o problema estrutural, ou seja, a debilidade económica. O que há a fazer é injectar liquidez (esses mil milhões que estão travados em Bruxelas davam uma boa ajuda), investir, atrair investimento (estrangeiro, se necessário for), de preferência investimento produtivo, de preferência de elevado valor acrescentado, de preferência virado para a exportação, e, em simultâneo, desenvolver (de imediato) programas de desenvolvimento de proximidade como, por exemplo, programas de reabilitação urbana, e fazer creches, fazer lares, ou seja, investimento útil e espalhado pelo país para absorver mão de obra em todo o país e para mover a economia em todo o país. E apostar com muita força no ensino, na investigação, na formação profissional. E apostar com muita força no turismo, não apenas no turismo apoiado na geografia mas também na história e na cultura, em reabilitação de monumentos, de acessos a monumentos, na dinamização cultural envolvente. E fazer tudo isto de forma articulada. E fazer já!
E deixar de atirar com pessoas para o desemprego!!!!!
E, no Governo, deixarem de contratar assessores, adjuntos, consultores, gabinetes de advogados. E acabarem com tudo o que seja redundante (institutos, fundações, etc): tudo aquilo que diziam que iam fazer e não foram capazes. Mas, até isso é relativamente secundário. O importante é mesmo o que disse acima: pôr a economia a mexer. O essencial é retirar pessoas do desemprego (não apenas por razões humanas, mas também porque isso causa um buraco tremendo nas contas): pô-las a trabalhar pois não apenas pagam impostos como põem a economia a funcionar.
Ou seja, Caro Henrique Monteiro e Caros Todos que não atinam com números: onde há que mexer é na parcela de cima, é fazer crescer o 'bolo' a repartir e não na parcela subtractiva pois, mexendo nessa, acabar-se-á também por diminuir a parcela de cima e o resultado será pior - e imparavelmente pior.
Será que me fiz entender? Para mim, que sou dos números, isto é simples. Mas, para quem é das letras e avesso a números, se calhar é difícil.
Diz Henrique Monteiro: Uma notícia do Financial Times revela que um algoritmo utilizado por uma equipa da Universidade de Cambridge consegue extrair das contas de Facebook dos cidadãos dados que estes não revelam na rede social. A orientação sexual, por exemplo, consegue um grau de precisão de 88%. Na origem étnica, 95% e nas preferências religiosas e políticas, 80%.
Os meus colegas da Exame Informática disseram-me que plataformas para traçar os perfis de clientes de marcas através dos likes deixados no FB já nem sequer são ficção como, pelo contrário, existem e são utilizadas por empresas.
Tudo isto significa duas coisas: primeiro, que a nossa vida é devassada a partir de nós próprios, do nosso comportamento; depois, que não é necessariamente o Estado ou a polícia a provocar a devassa, mas empresas, plataformas, algoritmos.
É verdade.
Faço regularmente as minhas compras num grande hipermercado e tenho cartão de cliente pois, com ele, posso auferir de descontos suplementares. Pois bem, para aí de dois em dois meses recebo em casa cupões de desconto para determinados produtos. E para que produtos? Produtos que me seduzem: produtos de higiene ou de beleza da marca que uso, brinquedos, pijamas de bebé, etc. Ou seja, não posso deixar de aproveitar. Aqueles são produtos que adquiro regularmente. Como é que eles sabem o que é que eu compro? Simples. Todas as minhas compras ficam registadas na base de dados do seu sistema informático. E, da análise ao que compro, é fácil extrapolar quais os meus gostos e, a seguir, cruzar essa informação com produtos em relação aos quais estão a ser negociadas com os fornecedores compras em maior quantidade que permitirão preços mais baixos.
Dito assim parece fácil. Mas se pensarmos em centenas de milhares de clientes, se não milhões (porque não têm hipermercados só cá), e em milhões de compras, perceber-se-á que uma coisa deste género tem que ser feita automaticamente, recorrendo a potentes algoritmos - e tudo para quê...? Claro: para aumentar o volume de negócios do dono da cadeia de hipermercados!
Exemplo de um algoritmo apenas para dar a ideia de que se trata: árvores de decisão, regras, condições
(se acontecer isto, faz-se aquilo, se não acontecer, valide-se outra condição... e por aí fora).
Isto é a maravilha das maravilhas para matemáticos. Definir modelos, descobrir leis estatísticas, aferir a sua adesão à realidade, aplicar probabilidades e conjugar tudo isso com todas as teorias da investigação operacional, gestão de stocks, filas de espera, optimização, etc, é o que há de mais aliciante.
Mas, apesar de estarmos a falar de biliões, triliões de registos, isto não é nada quando pensamos no brutal volume de informação que se armazena nas bases de dados do Facebook, por exemplo (ou do Blogger, ou do Twitter, ou do LinkedIn, ou do Gmail, etc, etc).
Mas centremo-nos agora no Facebook (sabendo que o que se passa nas outras redes sociais é idêntico). Milhões de pessoas em todo o mundo carregam informação a toda a hora, fotografias, textos, informações de sítios onde foram, onde gostariam de ir, etc. E os amigos vão comentando, colocando likes, etc. Mesmo a informação restrita ou confidencial é guardada nas mesmas bases de dados.
Onde reside todo esse brutal volume de informação? Não é no computador de cada pessoa mas, sim, em potentíssimos computadores instalados em ultra sofisticados centros informáticos.
Um dos vários e potentes Data Centers da empresa Facebook
E esta é a primeira coisa que as pessoas devem estar cientes: toda a informação, fotografias, chats, etc, tudo o que escrevem ou colocam na sua página está guardado, é acedido e processado em longínquos computadores, operados sabe-se lá por quem.
Um dos Centros Informáticos (Data Center) da Facebook.
Geralmente são quase uns bunkers
A segunda coisa que devem estar cientes é que entre o seu próprio computador pessoal e esses longínquos grandes computadores estão as telecomunicações que também recorrem a computadores operados por pessoas (claro que são muito automatizados mas há sempre pessoas a aceder a eles).
Claro que podia também falar que os computadores avariam, que as comunicações vão abaixo, que tudo o que pensam que têm lá para sempre pode desaparecer num instante, etc, mas há tantas redundâncias que mesmo que ocorram falhas durante algum tempo, em princípio será coisa de curta duração e, em princípio, não ocorrerá nada de dramático (mas essa hipótese não deve ser descartada).
Mas a outra grande coisa que as pessoas devem saber é que não há almoços grátis, ou seja, não há serviços grátis. Não pagam nada para usar o Facebook? Não. Usam computadores potentes, computadores esses que usam softwares sofisticadíssimos, onde trabalham muitos milhares de pessoas, pessoas que trabalham para uma empresa riquíssima, instalada em modernos e sofisticados escritórios... e ninguém paga nada?
Pois. A questão é que o modelo de negócio não assenta nos utilizadores que têm uma página (ou uma conta de Google ou outra coisa do género) mas, sim, na publicidade e no volume de vendas que se processa sobre estes veículos. Ou seja, para a Google, para a empresa Facebook o que interessa é a publicidade que lá é feita e os negócios que, por essa via, lá se fazem.
Modelo de Negócio Facebook (canvas)
Ora, para facilitar isto, ou seja, para perceber que publicidade deve ser feita junto de quem, estas grandes empresas (Google, Facebook, etc) analisam toda a informação individual de cada pessoa.
Claro que isso não é feito à mão e a olho por pessoas mas sim por programas informáticos (que, claro, são feitos por pessoas!).
Quem tem contas de mail Gmail (um dos muitos veículos comerciais da Google) já deve ter reparado na publicidade que lá lhes aparece em cima, ou em baixo, ou de lado). Na minha caixa de correio, nas alturas em que falo com alguém nas minhas sessões de fisioterapia lá me aparecem anúncios de clínicas de fisioterapia, se falo de livros aparecem-me anúncios de livrarias, se falo de perfumes, são perfumarias.
Agora está lá este anúncio.
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Nunca pensaram como é que isso lá vai parar? Eu sei: neste caso, está lá aquilo porque tenho recebido mails de um Leitor que me dá conta das suas maravilhosas viagens.
Pois... todas as palavras escritas são analisadas (mas analisadas segundo padrões de repetição, pois pode ter sido uma utilização pontual), depois é percebido um interesse, depois isso é cruzado com os anunciantes disponíveis e os anúncios são enxertados nos sítios mais visíveis, valorizados consoante o posicionamento. E depois se houver cliques que conduzam as pessoas até aos sites lá anunciados, o anunciante paga à Google (ou ao Facebook ou ao que for). E, se forem sites de vendas, por cada transacção há um tanto a pagar, uma comissão, chamemos-lhe assim.
Não é para nos escandalizarmos porque isto é o que é. Este é o modelo de negócio destas empresas. Sem ele, sem o negócio feito por esta via e desta forma, não existiam Facebook gratuito, mails gratuitos, blogues gratuitos. Ou não existiriam de todo ou teríamos que pagar para os ter. Tão simples quanto isto.
Ora como, para a utilização planetária ser possível, terá que ser gratuita, a solução está em usar essa utilização como plataforma ou veículo para fazer negócio. E, assim sendo, a matéria prima para esse negócio é a informação que aí colocamos (mails, posts, chats, fotografias, likes, tweets, etc). Depois existem as ferramentas para lidar com tudo isso: computadores, programas informáticos, comunicações. O mais nevrálgico são os programas informáticos e os algoritmos que seguem que tentam perceber o raciocínio e as motivações das pessoas.
Estamos, portanto, a falar de algoritmos complexos, que correm por detrás das páginas das pessoas. A trabalhar nestas empresas estão os mais brilhantes matemáticos ou físicos da actualidade. Manusear, manter, extrair informação com valor é um dos grandes desafios destes novos grandes negócios globais. Às tecnologias associadas a isto chama-se globalmente BIG DATA. Volumes monstruosos de informação, sem fronteiras, multilingues, circulam entre computadores, dela sendo extraídas informações para toda a espécie de fins comerciais.
Há numerosos vídeos sobre isto mas incluo um muito pequeno (que é forçosamente simplificado e incompleto) mas para não ser maçador e porque é em língua portuguesa (do Brasil):
Claro que, supostamente, há confidencialidade nisto. Ou seja, em princípio tudo isto serve apenas para gerar vendas, dinheiro para estas empresas. Ou seja, sendo detentores de mails de toda a gente, segredos, fotografias, tudo o que se possa imaginar, ninguém vai usar isso para chantagear ninguém. Mas, não nos iludamos, ninguém está livre disso.
Em primeiro lugar, não há sistemas informáticos invioláveis. Não há. As redes dos Bancos, do FBI, do Pentágono, do que quer que seja, já foram violadas. Não há nada que seja inviolável. Por isso, volta e meia sabe-se que as bases de dados de grandes empresas ou grandes instituições, foram violadas e que a informação anda por aí à solta.
WASHINGTON: US authorities were investigating Tuesday after hackers posted personal financial data belonging to First Lady Michelle Obama, the head of the FBI and several A-list celebrities online.
Hackers using a Russian web address published the credit reports and social security numbers for Obama, Federal Bureau of Investigation Director Robert Mueller, US Attorney General Eric Holder, and Los Angeles Police Chief Charles Beck.
They also posted social security numbers and other personal information relating to Vice President Joe Biden and former first lady and secretary of state Hillary Clinton.
Entertainment stars Beyonce and husband Jay-Z, Paris Hilton, Kim Kardashian and Britney Spears also saw details leaked, as did tycoon Donald Trump, former Alaska governor Sarah Palin and bodybuilder-turned-actor and former California governor Arnold Schwarzenegger.
Mas há ainda outra coisa. Grande parte das violações de segurança informática não resulta de ataques do exterior mas sim do interior. Ou seja, colaboradores que conhecem os sistemas de segurança e que, por maldade, ressabiamento ou por outro motivo, resolvem copiar informação e passá-la cá para fora. Simples. Mas literalmente quase impossível de impedir.
Claro que, geralmente, quem o faz, vai à procura de informação de contas especiais e não de contas de vulgares anónimos. Mas, por vezes, quando um volume de informação é roubado, vai lá o que interessa e, por arrastamento, tudo o que estava à volta.
Mas, mesmo que não pensemos agora no assalto à informação mas apenas no manuseamento para utilização comercial ou outra: imagine o Leitor que o seu nome no Facebook é Manuel dos Anzóis. Imagine que alguém por um qualquer motivo quer saber tudo o que há a saber de si. Vai à internet e faz um varrimento para ver tudo o que há relacionado com o Manuel dos Anzóis. Apanha-o, por exemplo, a fazer comentários em blogues ligados a uma determinada orientação política e uma série de likes no Facebook sempre que se fala de eventos gay.
Num ápice traça um retrato, faz um dossier com as suas preferências sexuais, políticas, desportivas - é que os seus actos são rastreáveis ao longo da imensa rede.
Mas imagine agora que tem maneira de usar um programa mais sofisticado que relaciona o 'seu nome' com o local de onde acede e, a partir daí, com tudo a que acede a partir desse local mesmo que com outro nome. Nessa altura a coisa pode começar a ser verdadeiramente preocupante. E não estou a ficcionar.
Não vale a pena começarmos agora a ficar paranóicos mas é bom que estejamos cientes disto para nos precavermos na medida do possível, não nos expondo demais. Pense o meu Leitor por mais um pouco. Pense em todos os seus mails, nas fotografias que estão nos mails, pense em tudo o que já colocou no Facebook, mesmo o que é de visualização restrita. Está tudo por aí, algures, em computadores que comunicam uns com os outros através de comunicações que passam por muitos e muitos computadores. Pense que não há garantia de que isso não venha a ter utilização perversa.
Estas coisas usam programas informáticos. Basta que haja um erro numa actualização para que, por exemplo, informação privada fique exposta. Claro que, quando isso acontece, logo que os informáticos se apercebem, corrigem o erro ou, se for grave, cortam o serviço até que o erro seja resolvido. Mas e o tempo em que a informação privada esteve no ar...?
Não nos assustemos mas percebamos que estamos a colocar parte da nossa vida pessoal, privada, nas mãos de gente que não conhecemos, que se rege por princípios que desconhecemos. Um mundo global e desregulado.
Desregulado mas com regras moralistas que podem causar espanto. Se este post já não estivesse tão longo e eu não tivesse que me ir deitar (amanhã tenho que me levantar muito cedo) falava um pouco mais disto a propósito de uma notícia bizarra.
O Jeu de Paume já não pode mostrar nus no Facebook
Com 31 mil seguidores, o museu parisiense teve a sua conta nesta rede social fechada por 24 horas como sanção à publicação de uma fotografia de 1939.
Étude de Nu, Laure Albin Guillot
- Causa de escândalo no Facebook...! -
A fotografia, Étude de Nu, trabalho de 1939 que mostra uma mulher reclinada sobre uma cama, o sexo tapado pela ponta de um lençol e o peito e descoberto, funcionava como anúncio da exposição retrospectiva que a instituição dedica à autora: a francesa Laure Albin Guillot. Da parte do Facebook, porém, teve o mesmo tratamento que qualquer nu – mereceu a sanção de 24 horas e um aviso à instituição. O terceiro, depois de avisos idênticos devidos à publicação anterior de nus de outros dois fotógrafos: o francês Willy Ronis e o mexicano Manuel Álvarez Bravo. Segundo as regras da comunidade, uma quarta infracção poderá levar ao encerramento permanente da conta do Jeu de Paume.
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Só visto...!
Não sei como é que os programas informáticos do Facebook reconhecem um nu no meio dos triliões de fotografias que existem nas páginas do Facebook de todo o mundo ou se são as pessoas que o vêem que o denunciam mas tudo isto é ridículo. Toda a informação é 'devassada' informaticamente para propiciar o negócio que alimenta o Facebook e depois há um medieval regulamento que impede que lá se coloquem nus mesmo que nus artísticos. Tudo isto é um absurdo de uma ponta a outro e mais vale nem pensarmos muito em tudo isto para não ficarmos perplexos para além da conta.
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Palpita-me que isto hoje ficou comprido e chato à brava mas, como devem ter percebido (se aguentaram ler até aqui...) este é um tema que me interessa. Se eu um dia me metesse a doutorar-me numa coisa qualquer, escolhia talvez este tema porque é a um tempo assustador e aliciante, um desafio com muitos riscos, riscos difusos, que são os mais perigosos.
Com isto, nem vou ter tempo de cumprir com toda a minha empreitada nocturna habitual. Amanhã o meu dia começa muito cedo e não posso ficar aqui até alta madrugada. Agora a ver se ainda vou responder aos comentários de ontem. E não vou rever nada do que escrevi para não me atrasar mais. Já sabem: se encontrarem vírgulas por aí a voar ou letras de pernas trocadas finjam que não dão por nada, está bem? Mas se forem erros de palmatória, por favor avisem-me, está bem?
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Só me resta despedir-me: tenham, meus Caros Leitores, uma bela quarta feira.
Faço muitos likes à vossa felicidade, está bem? E don't worry, be happy!
1. Os meus pais trabalharam toda uma vida, nunca fugindo ao fisco, nunca usando esquemas de qualquer espécie para usufruirem daquilo a que não teriam direito. Descontaram para a Segurança Social sobre todas as verbas que receberam a troco do seu trabalho. A verba que lhes foi atribuída a título de pensão de reforma é a que resulta dos cálculos efectuados pelas entidades públicas que gerem os fundos de pensões. A verba que recebem não é esmola, não é benesse - a verba que recebem é uma verba justa, devida, legítima.
Os meus pais têm cada vez mais despesas porque o estado de saúde do meu pai a isso obriga mas a verba que recebiam, fruto dos descontos que fizeram durante uma vida de trabalho, era suficiente. A partir de agora não sei. E com a sanha de Passos Coelho contra os reformados temo que cada vez seja pior. E isso preocupa-os. E isso acontece numa fase da sua vida em que não mereciam ser atormentados por um sujeito que não os respeita.
Embora não me tenham passado procuração, sinto-me no direito de vir aqui e dizer bem alto a Passos Coelho que, por causa do que se está a passar com os meus pais e com todos os reformados honestos, me envergonho de o ter como Primeiro Ministro do meu País. Envergonho-me.
Passos Coelho
O pior primeiro ministro desde o 25 de Abril
Empobrece, destrói, humilha os portugueses - e depois ri
Há limites e Passos Coelho, um a um, ultrapassa-os todos. Ofende as pessoas. Assusta as pessoas. Retira às pessoas a perspectiva de um futuro digno e viável. Retira-lhes confiança no Estado. O Estado encontra-se ocupado por gente que não é gente de palavra, gente de bem e isso é uma ameaça para os portugueses. Os portugueses não merecem isto.
Passos Coelho provoca, assusta, ofende os portugueses
E, depois, ri
2. Os mais novos abandonam o País (deixando o sistema de segurança social cada vez mais desequilibrado), os mais velhos definham, assolados pela indignidade com que o Primeiro Ministro os atinge quotidianamente.
Cada vez mais crianças têm fome e têm que ir à escola nas férias para se alimentarem. E há cada vez mais crianças abandonadas nos hospitais.
E, como se a miséria não fosse suficiente, hoje soube-se que até os cavalos puro sangue estão a ser mandados abater e os números são assustadores. Os cavalos são seres inteligentes, sensíveis, próximos dos humanos - e estão a ser vendidos a preço de carne barata, para talhos. Aterrador.
Leia-se a este propósito o artigo de Nicolau Santos que começa assim: Este ano já foram abatidos em Portugal 2803 cavalos da raça puro sangue lusitano. Não foram abatidos por doença, mas porque os seus criadores não conseguem vendê-los e também começam a não ter meios para os alimentar. Por isso, entre vê-los morrer à fome ou dar-lhes uma morte condigna, os criadores optam pela segunda via.
O abate de cavalos de sangue lusitano é uma metáfora para o país. Estamos já a entrar na fase de começar a sacrificar os que nos estão mais próximos: animais de companhia, de estimação ou de criação - o que vai a par com o crescente aumento do número de idosos que são deixados nos hospitais pelas famílias ou de crianças abandonadas à porta de instituições de caridade ou dos sem-abrigo que começam a proliferar nas cidades.
E acaba assim: Se já chegámos ao ponto de abater cavalos puro sangue lusitano, temos de nos preparar para o tsunami social que vai devastar o país em 2013. Será o ano da total desesperança, do desespero, da impotência - mas também da indignação e da revolta. Construir algo a partir deste quadro vai demorar décadas.
3. Segundo se lê no Expresso, no artigo de Henrique Monteiro, um jornalista brasileiro, Ancelmo Goes (citado no 'Público' num excelente artigo de Cristina Ferreira, onde vou buscar esta informação toda), escreveu a 28 de Outubro no jornal 'O Globo': "Quem está ajudando o empresário Germán Efromovich a comprar a TAP é Miguel Relvas".
Diz ainda Henrique Monteiro: José Dirceu, ex-todo poderoso no governo de Lula, está preso, por corrupção; Efromovich é uma personagem de certo modo estranha, nascido na Bolívia, naturalizado colombiano, brasileiro e polaco, dono da Avianca que se prepara para comprar a TAP (há quem diga que por tuta e meia, mas disso não estou certo). Falta uma pessoa para se compor o triângulo, porque há sempre um triângulo nestes negócios. E já adivinharam quem é - Miguel Relvas.
Miguel Relvas
Em cima de todas as jogadas, sorridente, anafado, rosado
É só saúde, é só contactos....
Entretanto, o Gabinete do Primeiro Ministro já reagiu. Diz que Os membros do Governo não mantêm qualquer tipo de relacionamento privilegiado ou outro, a título individual, com as entidades envolvidas naqueles processos, que são objeto de escrutínio rigoroso e de decisão colegial em sede própria, ou seja, em Conselho de Ministros. É precisamente nesse quadro que o Governo procede à avaliação de todas e cada uma das propostas, pautando sempre as suas decisões por critérios de escrupulosa observância da legalidade e do interesse nacional", lê-se num comunicado do gabinete do primeiro-ministro enviado à Lusa.
Ou seja, haja o que por aí houver, a responsabilidade última de tudo o que se fizer é do Conselho de Ministros. Ou seja, de todos os que lá estiverem. Ou seja, não apenas de Passos Coelho, Relvas, etc, como também de Paulo Portas.
Paulo Portas
ou o dilema de um homem que envelhece e entristece a olhos vistos
4. E, aqui chegados, assalta-me a mesma dúvida de sempre: o que está Paulo Portas a fazer neste Governo? Gosta de fazer papel de embrulho e, de passagem, sancionar todos os desmandos que os outros levarem a cabo? O que o prende? Está à espera de quê para mostrar que ama Portugal e os Portugueses, para mostrar que tem sentido de Estado? Ou a conversa de ser patriota era conversa fiada?
5. Para não terminar isto de forma deprimente, vamos a uma boa gargalhada. É tempo de anedota. Ou seja, é tempo de Vítor Gaspar, o tal que não acerta uma.
Pois bem, leio agora na Agência Financeira do IOL o o seguinte: Não é de agora que Vítor Gaspar falha nas previsões para a economia portuguesa. O filme de 2012 já tinha acontecido em 1993. O único ano de recessão na década de 90 teve o dedo do atual ministro das Finanças.
Na altura, quem mandava nessa pasta era Braga de Macedo, o ministro otimista, de tal forma que as suas estimativas até ficaram conhecidas como a «teoria do oásis».
No ano anterior, em 1992, Gaspar era diretor do departamento de estudos económicos do Ministério das Finanças. Portanto, esteve por detrás das previsões feitas para 1993.
O «oásis» acabou por se traduzir numa recessão, menor do que a vivemos hoje, mas uma recessão. Previa-se um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2% em 1993, mas a economia acabou por recuar 0,7%. Uma grande diferença face ao ano anterior, em que a riqueza criada tinha aumentado 3,1%.
Rapaz esperto, portanto. Uma esperteza que vem de longe. Assim vamos, entregues a incompetentes com provas dadas.
E por aqui me fico. Não sei se hoje voltarei aqui. Se tiver tempo, ainda voltarei.
*
Voltei, uma hora e tal depois voltei. Por dois motivos. Não é pelo que eu pensava há pouco, pois, então, estava a apetecer-me escrever na pele da mulher bela e solitária sobre a qual tenho vindo a escrever nos últimos dias. Mas afinal, dado o adiantado da hora, já não tenho tempo para isso. Por isso, os motivos são outros.
Primeiro, para vos oferecer uma coisa que vale mesmo a pena, numa tentativa da minha parte para que não saiam daqui a dar o vosso tempo por perdido. Mostro-vos um duo virtuoso que uma Leitora me deu a conhecer através de mail e a quem muito agradeço, o Duo Main Tenant.
Em segundo, para vos convidar a virem daí até ao meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa. Hoje as minhas palavras sairam do decassílabo de Vasco Graça Moura e saíram desenfreadas, tresloucadas, uma coisa que só vista, até tive que pedir desculpa pelo meu francês, se é que me entendem. O Elger bem que tenta disfarçar o meu vernáculo. Espero que o consiga.
*
E é isto, meus Caros Leitores. Tenham uma bela terça feira.
E se, mesmo depois do que acabaram de ver, ainda sentirem uma raiva a crescer-vos nos dentes, não os arranquem.
Guardem-nos (aos dentes) para ferrarem uma dentada na primeira oportunidade em que tenham o Passos ou o Relvas por perto.
Força.
*
PS: Volto aqui mais uma vez pois acabei de ver nas estatísticas do google que uma pessoa, neste momento, veio cá ter depois de ter colocado a seguinte questão: "homem manso pode ser gay?"
A esta hora deve andar perdido por aqui tentando descobrir a resposta a esta pergunta. Não vai ser fácil pois, que me lembre, nunca me pronunciei sobre tão intrincada questão. Mas vou tentar corrigir tão maçadora omissão. A ver se ainda vou a tempo.
Não sou entendida nem em homens mansos nem em gays mas, se me é permitida a incursão em territórios pouco conhecidos, arrisco a dizer que sim, que pode ser. Um homem manso pode ser qualquer coisa, até gay. Os homens que são homens não se querem mansos. Os touros também não. Costumam preferir as tábuas; e homens e touros nas tábuas é uma maçada. Por isso, se calhar os touros mansos são gays. Mas, se calhar também há bravos que são gays. Os gays andam muito por aí. Os que não são gays também. Uma bicheza que há por aí muita; e aqui refiro-me a touros gays, uns bravos, outros mansos.
Espero ter sido clara. Mas, se não fui, Caro Leitor, não me leve a mal. Depois de ter estado a falar no Passos Coelho e no Relvas costumo ficar perturbada, e nem sempre mansamente. Mas, a maior parte das vezes, mansamente. Contudo, atenção!, posso ser mansa e ser alegre mas tábuas não é comigo.