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sábado, outubro 26, 2024

Há uma coisa que eu não compreendo: quem compra os livros ou lê as crónicas do Gonçalo M. Tavares gosta do que lê? A sério...?
Pergunto.
.

 

Este fim de semana, por uma vez desde há séculos, comprámos o Expresso. Estava curiosa com uma coisa. Muita parra e pouca uva. De facto aquele jornalista, ou lá o que é, é um tretas. Nem vou comentar junto do meu marido pois ele bem me avisou. De facto. Tipo mais tangas.

Contudo não se perdeu tudo pois, de caminho, estive a ler o resto. Deliciei-me com aqueles de quem sempre gostei, de que continuo a gostar e de quem, tenho a certeza, sempre gostarei.

E espantei-me, uma vez mais, com a vacuidade e o disparate pegado do que o Gonçalo M. Tavares escreve. E fiquei, de novo, na dúvida: serei mentecapta? insensível? ceguinha perante a qualidade? 

É que, se há tanta gente que gosta, quem sabe se o problema não é meu...

O que eu gostava mesto é que algum dos admiradores dele viesse aqui e me explicasse. A sério. Gostava mesmo de saber.

quinta-feira, janeiro 18, 2024

Só para saber se ele sempre teve olhos azuis

 

Numa operação de zapping, comecei pela 1. E passei pela Fátima Campos Ferreira, naquele seu tom repuxado, quase gongórico, a entrevistar o José Luís Peixoto. Sei que é escritor renomado, um dos mais publicados e, se calhar, até lido. 

Quem por aqui me acompanha saberá que, nesta como em muitas outras coisas, não sou flor que se cheire. Não é por mal nem para chatear nem para mostrar que sou diferente mas a verdade é que tendo a não gostar do que é consensual para a maioria das pessoas. Não gosto nem deste fofinho nem do fofinho Valter Hugo Mãe nem do fofinho em versão tentativamente alternativa Gonçalo M. Tavares. Não fazem o meu género nem como escritores nem como pessoas. 

Mas, lá está, posso ser eu que vou em contramão na autoestrada. Se calhar estes fofos, simpáticos, que gostam de se fazer passar por simples, quase simplórios (e, se calhar, estão a ser genuínos), são como é suposto os escritores fofos serem e eu é que não atino pois toda a gente, menos eu, sabe que os escritores se querem fofos e que, os homens em geral, se querem também muito fofos. E se há algum Editor aí desse lado que não concorda pois que faça o favor de o dizer.

O que aconteceu é que o meu marido quase saltou da cadeira quando viu aquele dueto: 'Não vais pôr-te a ver estes dois pois não?'. Sosseguei-o, que não, mas que pacientasse durante dois minutos só para eu aferir a minha opinião. Não precisei de dois minutos. Mudei. Aquela pessoa que ganha a vida a ser escritor não faz o meu género. Agora com uma coisa fiquei eu estupefacta: apareceu de olhinhos azuis clarinhos. Ora juraria que é moreno de olho castanho. Ou não? Sempre foi fofinho de olho azul ou, para reforçar a fofura, resolveu aplicar lentes cor de olho de boneca?

Só isso. A quem puder esclarecer, agradeço.

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Aqui neste vídeo não se vê bem mas, no plano que calhei apanhar, eram azulinhos, azulinhos sem tirar nem pôr.

Fátima Campos Ferreira em Primeira Pessoa com José Luís Peixoto


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PS: Mas não sou só niquenta com os nossos fofos escritores-estrela. Tenho muito mais opiniões assim que fazem com que frequentemente me sinta carta fora do baralho. Quando meio mundo gaba a última obra ou a qualidade da escrita ou a honestidade da narrativa de vários outros eu salto fora, assumo-me como freak, digo logo que o mal é certamente meu. Por exemplo: Lídia Jorge. Prémios e mais prémios. E, no entanto, como escritora não tenho paciência para ela, acho-a uma maçadora. Portanto, estão a ver. 

sexta-feira, novembro 27, 2020

Alf e Gonçalo M. Tavares: o elogio da derrota em grande estilo
[Com o Valtinho aqui no meio a segurar a vela]

 

Fui a uma pequena livraria de bairro. Há muito tempo que andava a ser catequizada para lá ir e, na verdade, de bom gosto lá iria se me ficasse em caminho, se fosse fácil estacionar lá perto ou se estivesse aberta fora de horas. Nunca era o caso. Mas desta vez, por outros motivos, tive que ir a um sítio nas redondezas e aproveitei. 

Gosto de comprar livros em livrarias a que já conheça os cantos. Ali não. E, como é pequenina, tem tudo muito concentrado, cada milímetro ocupado. E não estão apenas ao alto, em estante. Não, há pilhas, tem que se ir levantando um e outro e outro para descobrir o que está por baixo. E há estantes até ao tecto e eu, míope, não consigo ver nada do que para ali vai.

Mas uma livraria é uma livraria é uma livraria e, passados os primeiros minutos de desorientação, já eu estava a separar um e outro, a fazer montinhos. E pus-me na conversa com a simpática Livreira que me contou que há quase trinta anos luta para manter a livraria aberta e que, apesar da luta, é para ela um prazer ali estar. Que conversa boa, que ambiente acolhedor.

Comprei a pensar que dali extrairia presentes de Natal para todos e, pelo meio, acredito que sobrarão um ou dois para mim. 

E, às tantas, na exploração, dei com um do Mãe, essa coisa mais fofa (refiro-me ao Mãe, não ao livro, que não li). Tenho ideia que saiu livro dele há pouco tempo pois tenho-o apanhado por aí, sempre a dizer coisas fofinhas, sempre a lamentar não ter filhos, sempre a ser o amiguinho fofo que as meninas tristes e as senhoras solitárias gostariam de ter. Nunca percebi porque é que, com tanta senhora a babar com suas as fofices, nunca nenhuma se ofereceu para ser mãe de um filho que teria duas mães, sendo que uma do sexo masculino (ups, que trocadilhinho mais coisinho). Folheei o book e pareceu-me o do costume, mais do mesmo. E digo-o isto com à-vontade e isenção até porque nunca consegui ler nenhum livro do peludo escritor. Não sei se o que vi é o último mas lá estava ele na capa, desenhado como gosta de se mostrar, nu, peludão, quase machão. Mas estava com o bracinho em frente das partes pudibundas pelo que, ó que pena, não se lhe vê o passarinho. Aliás, cá para mim já nem o tem no sítio pois, fofura das fofuras, está com ele na mão. 

Mais à frente, um do ilustre escritor Gonçalo M. Tavares. Outro que tal. Só não se queixa de não conseguir fazer filho. E, que eu saiba, também nunca se apresentou em pelota. E acho que não dá entrevistas fofas. Mas tem ar de também ser peludo e, sobretudo, também nunca conseguiu escrever coisa que se aproveite. E, igualmente, estou à vontade para o dizer: nunca li nada do ilustre escritor. Nunca consegui vencer a barreira que se ergue entre mim e a sua prosa.

Sou como os enólogos: cheiro, espreito, vejo-lhes a cor. Folheio, folheio. E só compro aquilo que me parece ter substância. E, caso me pareça que tem substância, que me pareça ter elegância. Mas, até hoje, nunca vi nenhum livro do Gonçalo M. Tavares que cumpra os mínimos.

Sou leiga? Claro. Leiguíssima. Básica? Ui, ponham básica nisso. Portanto, é do alto da minha ignorância que o digo: de cada vez que, nas livrarias, folheio algum livro do Gonçalo M. Tavares penso sempre: este fulano não dá uma para a caixa. Nada do que escreve faz sentido, tem graça ou, sequer, tem utilidade. Penso eu. De que.

Por isso, nunca percebi como é que continua a publicar livro após livro, uma publicação numerosa e incompreensível, direi mesmo torrencial  -- por acaso até acho que alguém deveria fazer-lhe o que se faz aos cães: esterilizá-lo, literariamente falando, claro --, a receber prémios, a andar por aí, até literalmente falando (passava a vida a vê-lo, na minha encarnação pré-pandémica). 

E ainda menos percebo que uma pessoa como o digníssimo alf se dê ao trabalho de escrever um longo, elaborado e erudito texto sobre a obra do dito GMT. Será que o alf conseguiu submeter-se ao castigo de tragar tanta página de tão desconchavada prosa? Ou é que nem eu (mas em bom) e consegue fazer tal dissertação só a partir do que intui da extensa e desiluminada obra? Mistérioooo....

Seja como for, é digno de se ver. Se puderem apreciem a arte de bem esquartejar a todo o post: Gonçalo M. Tavares: investigação de um sucesso inevitável (com um bocadinho de inveja à mistura, texto galhardamente ilustrado com imagens de Irina, ex-Miss Aveiro, que nada tem a ver com o contexto tal como David Gandy que aqui nos visita e que, qual J. Pinto Fernandes, igualmente nada tem a ver com a história.


Tão lindo que ele é apesar de não ser um escritor de alto gabarito como o nosso fofo Valtinho ou o nosso prolixo Gonçalito.
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E queiram continuar a descer para presenciar os pré-beijos na boca da Catarina & Mortáguas ao Rio e, quem sabe, um qualquer dia destes, ao Ventura. Como diria o outro: uma órgia.

sábado, abril 22, 2017

Pecar contra os deuses
[Gonçalo M. Tavares e António Lobo Antunes]




Para se ver como tudo é tão relativo. E, atenção, nisto que vou dizer não há ponta de certezas absolutas. Aliás, se eu tivesse levado a catequese a sério, a esta hora era muito bem capaz de estar para aqui arrependida... e ainda nem pequei. Que isto que estou a pensar deve mesmo ser pecado. E, se não é, para lá deve caminhar. Só pode.

Estou com paninhos quentes. Em vez de ir ao assunto, estou para aqui com rapapés. Já devem ter reparado.

A questão é que quero primeiro pôr-me no ponto para não irritar as leitoras catequistas que preferiam ver-me aqui a carpir, a contar do desgosto que me dá a minha celulite
(mas, azarinho, não a tenho) 
ou a chorar a minha neura e insegurança,
(azarinho, também não sinto tal -- e já bati, outra vez, três vezes na madeira não vá alguma leitora diabólica tecê-las), 
em vez de me verem a opinar toda sentenciosa. 

Por isso estou aqui nas boxes a ver se perco gás antes de começar a escrever. Mas isto custa.

Não quero irritá-las mas também não posso ficar o resto da noite para aqui a bater mea culpas no peito. Que maçadoras que são as catequistas moralistas. 


Quando agora forem ensinar o milagre da Nossa Senhora a aparecer aos pastorinhos, devem ficar a fazer figas para os meninos não andarem a ler os jornais porque isto de os padres e bispos andarem para aí a dizer que claro que Nossa Senhora não apareceu em Fátima (ia lá a Senhora vir por aí abaixo, a descer dos céus, para se ir pôr a atazanar o juízo a três pobres pastorinhos?) e que a palavra correcta não é aparição mas visão imaginativa, deve deixar sem chão muita catequista penitente.

Mas então onde é que eu ia?

Ah, sim. Não ia em lado nenhum.
Andei a passear à beira rio e depois fui jantar à praia e fiz cinquenta mil fotografias... e devem estar tão lindas... e eu sem energia para ir buscá-las à máquina. Tenho que me encher de coragem e ir porque, se não, que imagens vou eu usar aqui? 
Só coisas que me ralem.


Bem. Mas o tema hoje era para ser a subjectividade. Ou melhor: a subjectividade dos leitores ao apreciarem a qualidade da escrita. Podia ser doutra coisa qualquer mas hoje era sobre a escrita.

A questão é que não pode ser o mundo quase inteiro a estar errado e eu certa. Pois se há estudos, cátedras, adaptações a peças de teatro, prémios, traduções all over, a culpa só pode mesmo ser minha. Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa.

E ainda não saí do ponto de partida. E isto tudo para não confundir a inteligência das minhas catequistas de estimação. Imagino as pragas que elas, a esta hora, já me estão a rogar.

Mas vá. Já chega de atirar bolas para o pinhal. Está mais do que na hora de chutar à baliza.

Pronto. Lá vai.



Gonçalo M. Tavares. Primeiro chuto.

António Lobo Antunes. Segundo chuto.

(Sei que nenhum dos chutos foi à baliza mas aí, lá está, já seria esperar de mais.)

Qualquer destes escritores dedica a vida à escrita, qualquer deles escreve que se farta, qualquer deles é incensado aqui e além mar, qualquer deles pode ser considerado um escritor de culto. E, no entanto, eu acho que o que eles escrevem é ilegível, ilegível no sentido de ser uma coisa maçadora, páginas e páginas de falta de assunto, páginas e páginas de uma escrita ora redonda, ora vazia, ora redundante, ora destituída nem sei bem dizer de quê.
Não se assemelham entre si, um inventa maluqueiras desprovidas de sentido e avança sem nada dizer, personagens com nome e histórias de vida desinteressantes, e uma escrita que se nos varre da ideia à primeira aragem. O outro fala, fala, intercala falas, rodopia, volta atrás, intercala pensamentos, anda para o lado, intercala falas alheias, deita-se de costas, deita-se de frente -- e não passa disso.
Em qualquer dos casos, no meio daquilo, podem aparecer coisas bem apanhadas. Também, em tantas centenas e centenas de páginas, era melhor que fosse tudo esfumável no instante seguinte. Não. Mas, no cômputo geral, vou ali e já venho.


Porém, se me ativer ao êxito alcançado ou ao interesse que uma certa intelectualidade lhes dedica, sou levada a acreditar que me falta o neurónio descodificador daquilo. Quiçá, se eu fosse dada a tomar, cheirar, inalar ou injectar, pudesse olhar aquelas páginas e ver rios de talento, luz a irradiar das frases, pepitas a brilhar ao sol por entre os calhaus. Mas não sou dada a isso. O que a mnha mente capta é, tão só, o que os meus olhos lhe levam. O mal, cá para mim, não deve estar no que eles escrevem mas em mim que não li a Odisseia de cabo a raso, o Ulisses do Joyce, os vários tomos de Proust, a meia dúzia de livros da Ferrante, a Bíblia grega e as outras -- e, confesso, até o Rogeiro eu costumo evitar ouvir, desinteressada que sou de me instruir.

Portanto, atalhando razões: isto é tudo relativo e nunca se sabe se a culpa é do pecador, se é da catequista, se é do próprio pecado.

Ámen.


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Lá acabei por ir buscar as fotografias à máquina. Mas com que esforço...

(A primeira fotografia não foi feita ao cair do dia: foi feita de manhã, quando fui ver como estava o tempo.)

E eu estou a dedilhar no teclado e a dormir... e não faço ideia de que é que estou a escrever pelo que se a escrita estiver ainda mais ensarilhada do que a dos dois génios acima referidos, queiram sentir compaixão por esta vossa pecadora encartada.

Three Little Birds encontra-se aqui integrada no projecto Playing For Change

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NB: Nada contra as catequistas em geral. Acredito que haja muitas que o são por devoção e generosidade. Aqui refiro-me àquelas que o são porque não podem ser da polícia dos costumes, aquelas que se pudessem instituiam a lei do pensamento único e do sofrimento colectivo.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado.

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sábado, abril 18, 2015

É evidente que podemos explicar


Dia de vídeo novo no Cine Povero é dia grande. Desta vez traz-nos as palavras Gonçalo M. Tavares pela sua própria voz, cuidadosamente entretecidas com imagens e música.

(...)
é evidente que podemos fixar, explicar, concluir, exemplificar, começar, abrir 1 consultório,
curar, receber e pagar, estruturar, desenvolver, ter ideias claras e ideias claras.
é evidente que podemos pensar, dançar e depois pensar ou então o contrário
é evidente, enfim, de novo, insisto, que podemos explicar,
mas é melhor não.




Ficha técnica aqui.

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E permitam que vos convide a ver abaixo um vídeo muito interessante em que outros falam de Herberto Helder.

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