Mostrar mensagens com a etiqueta Sarah Chang. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sarah Chang. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, julho 20, 2012

Comecei de férias: saí da cidade com um calor infernal e já estou 'in heaven' com um ar fresco, tão agradável. Que bom!


Música, por favor

Massenet - Meditation (da Ópera Thais), 
interpretado por Sarah Chang no violino, aqui com Placido Domingo dirigindo a orquestra

*


Quando hoje saí da cidade, estava um calor impossível. Antes, passei pela beira do rio e deliciei-me com a maresia e com a visão dos belíssimos veleiros acostados ao pé de Sta Apolónia. E deliciei-me também a fotografar. Ah, parece que estou a renascer...!




Com o sol dourado da tarde, Lisboa fica linda e os veleiros estavam quase irreais, os mastros pareciam revestidos a renda, a brilhantes. Aqueles grandes cruzeiros ali, ancorados num Tejo cujo ondular parecia coberto de luz rosada, junto a uma cidade de cores suaves, tingida pelo sol suave da tarde, que maravilha, vocês haviam de ver. Tão bonito, tão bonito.

Hoje saí do meu cativeiro: agora que vos escrevo já estou in heaven. Quando cá chegámos, depois de quase três semanas de ausência, a natureza já estava a agir como dona do espaço. O portão já estava cheio de teias de aranha, o caminho à volta da casa coberto de montes de folhas secas e até a porta de casa estava já coberta de teias. É impressionante como, mal a gente se retira, mesmo que temporariamente, a natureza se apodera logo das casas.

Cá dentro, para além de algumas teias, também, em vários sítios, algumas colónias de bichos de conta. Claro que, ao deparar com este cenário, me deu logo vontade de fazer uma coisa que adoro (quem me conheça daqui já sabe que sou mulher de gostos simples): varrer! Mas ainda não dá para isso, acho e, aliás, hoje já tinha abusado um pouco. No entanto, amanhã vou tentar, começo cá dentro e, se me aguentar bem, avanço para a faxina no exterior. Parte do encanto das minhas férias reside nisto: fazer limpezas, lavar tapetes e carpetes, varrer a rua e apanhar folhas secas, regar, aparar ramos e serrar pernadas de árvores, podar o que apanhar à mão, fazer refeições saborosas cujo cheirinho saia pela chaminé e perfume o exterior, descansar à sombra da grande figueira, ler, ouvir os pássaros, olhar as árvores, olhar os montes ao longe. Aliás, sendo mais precisa: parte do encanto da minha vida reside nisto.

Quando cheguei, não resisti e, devagar, com muito cuidado - porque isto de andar em piso pouco regular agora é do pior - dei um pequeno passeio. Que saudades eu tinha, que saudades.

E encontrei tantas diferenças.




A começar, a linha do horizonte à nossa frente apresenta novidades - ou então, não tínhamos reparado e os moinhos de vento já estavam há mais tempo. Mas fica bonito. A fotografia foi feita com bastante zoom. De facto, o que se vê, pelo menos num fim de tarde como o de hoje, são uns suaves segmentos dourados que giram ao longe.

Depois as figueiras estão carregadas, tantos figos. Ainda estão pequenos e verdes, no meio de uma folhagem de um verde intenso.




Não tarda, estarão grandes, macios, rebentando, deitando leite, vermelhos e doces por dentro. Nessa altura serão uma tentação e eu tenho tanta dificuldade em resistir a tentações doces, assim.

As silvas, que há pouco estavam floridas, umas flores pequenas, delicadas, de penugem rosada, estão agora cheias de amoras. Ainda não estão bem no ponto (confirmei; como disse, há coisas a que não resisto e já as provei).




Agora estão a ganhar cor, algumas já cor de sangue vivo, macias. Mas, aos poucos, ficarão escuras, e só então ficarão doces, doces, deliciosas. Gosto tanto de amoras, selvagens, ínfimos bagos sumarentos.

E depois o alfazema. 




Aqui, para me perceberem, deveriam ter convosco uma espiga de alfazema, esfregá-la na palma da mão, fazer com que o odor se soltasse, aspirar suavemente.  Que bem que cheira à tardinha, quando o sol faz a planta suar e o perfume no ar é forte, limpo.

Amanhã vou apanhar e fazer raminhos, ato-os e ponho-os em lugares estratégicos. Fica tão bonito e fica tudo tão cheiroso, vêm-me à ideia as gavetas com lençóis de linho, barras bordadas a ponto Richelieu ou com renda, tudo imaculado e a cheirar a lavadinho, a lavanda natural.

Também apanhei alguns orégãos e amanhã a ver se apanho mais. A minha mãe seca-os à sombra, depois põe em frasquinhos que distribui pela família. Não dispenso para temperar a salada de tomate. Cheiram tão bem, sabem tão bem.

Quando andava por ali, feliz, feliz mesmo, reparei na minha sombra no meio da terra pedregosa (agora sequíssima, há tanto tempo sem chover e com este calor marroquino), terra que tanto amo, e fiquei contente por estar ali, impregnada nela, e feliz também por estar pelo meu próprio pé, a andar sem apoios. Fotografei-me para registar o momento e partilho-a aqui convosco. 




É uma imagem a la Giacometti, pernilonga, a sombra alongada com que o sol, antes de se pôr atrás dos montes, nos presenteia. Sou eu a fotografar a mulher renascida cujas células vivem inscritas nesta terra, nestas pedras, nesta vegetação campestre, aqui in heaven.


Comecei hoje, portanto, as minhas férias e estou no sítio, em todo o mundo, onde eu sou mais eu.

*

Já agora, convido-vos a ver a Kate Moss, bad girl, uma moça que também renasceu, que também se levantou - e andou por um heaven fresquinho até que chegou ao inferno do calor (comigo o percurso foi ao contrário pois, primeiro, passei por um calor dos diabos e só depois é que cheguei aqui, in heaven, dando, então, com uma temperatura muito amena; e, agora, de noite, até está uma aragem fresquinha, mesmo boa). Mas ela, no fim, foi deitar-se outra vez... e eu não! Eu já me aguento bem de pé! Aleluia!



**

E é isto, meus Caros Leitores. 
E a vocês desejo que se divirtam, que descansem, que se animem:  be happy! Enjoy!