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domingo, dezembro 03, 2017

O sol da Caparica em noite de lua cheia




A lua está linda por demais. Não há explicação para uma coisa assim. Temos a sorte de viver num planeta onde, à sua volta, esvoaça uma lua caprichosa que ora se mostra ora se oculta, brilhando com uma luz imaginária.

Está frio. Na rua, agora à noite, uma frialdade quase cortante mas, no céu, a lua brilha como uma mulher nocturna, como um pássaro incandescente.

Estou em casa, aqui está um calorzinho bom. Sempre nos meus afazeres, sempre nos meus compromissos, foi já de noite que consegui regressar a casa. No carro, tinha momentaneamente adormecido mas o sono não durou mais que uns cinco minutos. Pensei dormir uma sestazinha ao chegar mas outros afazeres se impuseram. Agora, telefonemas feitos, a pensar que devia ir fazer umas arrumações mas ainda não, se calhar hoje já não, aqui estou, preguiçosa, vontade de ler, vontade de não o fazer, uma indolência que se instalou, colando-se-me aos dedos.

A noite passada, a meio, acordei com vontade de pintar. Um fundo branco e prateado e umas flores amarelas: duas flores amarelas, flores surreais, escandalosamente fictícias, um amarelo dourado intenso. Acordei a pensar que uma das flor deveria estar a ver-se ao espelho. Uma flor amarela, desnuda, a ver-se ao espelho como se fora vénus. E, acordada, estava sem saber se teria as tintas suficientes. E pensava que tinha que pintar de dia para ter a luz certa para bem escolher os cambiantes das cores. Depois voltei a adormecer e, durante o dia, não consegui oportunidade para pintar. E já sei que me vou esquecer do sonho.

Há pouco, quando estava a vir para a sala, vinha às escuras e, antes de acender a luz, pensei que podia começar uma história assim: uma mulher estava em casa e, ao acender a luz da sala, tem um sobressalto quase fulminante vendo um desconhecido sentado no sofá. E foi tão real essa imagem que foi a medo que acendi a luz. Tenho estado aqui com esse susto a trabalhar no subconsciente. Quem era o homem? Quem era a mulher? É assim que começam as minhas histórias: sem eu saber nada. Depois começo a escrever e os enigmas vão sendo desvendados. Mas esta história acho que não vou escrever porque parece que sinto que seria intensa demais e eu não tenho vida para me entregar a coisas assim.

Agora, o meu marido apareceu-me aqui à minha frente. Olhei e apanhei um susto. Estava com uma daquelas coisas escuras a cobrir-lhe o rosto quase todo. Não estava à espera, assustei-me, nem me parecia ele. Comprou uma daquelas espécies de golas pretas muito grandes que só deixam os olhos de fora, para, quando faz caminhadas de madrugada, não ficar enregelado. E agora lembrou-se de a experimentar. Que susto. Eu a pensar no estranho sentado na sala e aparece-me ele nestes preparos...

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Bem, por tudo isto, estando eu assim -- com vontade de e sem energia para -- vou ver as fotografias que fiz  ontem, na praia.

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Aqui estão. O Sol da Caparica no Dia da Restauração



















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Um feliz dia de domingo a si que aqui está a fazer-me companhia.
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quarta-feira, novembro 15, 2017

Momento Zen para ver se me inspiro




Aquela ali em cima podia ser eu agora. Excepto que all in pink não é exactamente o meu style. Também não uso pijamas. Por acaso tenho um assim, como o dela, mas em cetim verde água. Mas não me lembro da última vez em que o vesti. Da última ou da única. Se calhar em algum dia de inverno em que estava com gripe. Na última vez que estive em Madrid trouxe um todo merveilleux da loja de lingerie na Serrano onde sempre vou quando por lá passo. Mas ainda nem o estreei. Tenho algumas coisas em comum com a Marilyn e uma tem a ver com isto. A outra tem a ver com o Nº 5. Et pour cause.

Acho que ficava pink das ideias se me obrigassem a dormir num quarto todo em cor-de- rosa. Quando alguém me mostra a casa e chego ao quarto e vejo colcha cor-de-rosa, cortinas em cor-de-rosa, tudo muito cor-de-rosa, dá-me uma pena tal que mal consigo articular palavra. Felizmente há muito tempo que não passo por experiência tão traumática.

Mas por acaso tenho uns lençóis cor-de-rosa. Vêm ainda do meu enxoval. Têm um bordado também em cor-de-rosa com o olhinho das florzinhas em branco e uma barra com um folho do mesmo tecido mas um folho deveras artístico, tudo feito, certamente, a partir de desenhos arranjados sabe-se lá onde. Não me lembro se fui eu que escolhi tal obra de arte ou se foi presente. Quando casei tinha um enxoval e pêras. Ainda está quase tudo novo. Fiz o enxoval quando comecei a namorar a sério e o meu namorado só falava em casamento e até a mãe dele me oferecia coisas para a casa. Devia eu ter uns dezassete ou dezoito anos. Hoje nada disto me parece normal mas, na altura, acho que ninguém me achava demente por embarcar numa maluqueira destas.

Bordados, rendas. Thanks God, a maioria em branco. Felizmente quando era deixada à solta, optava por coisas que deixavam a minha mãe estupefacta: lençol de baixo em cor de tijolo e o de cima às riscas verticais côr de tijolo, verde seco e beige. Por exemplo. Uma ousadia. 

Quando me casei (com outro namorado, bem entendido) só fazia sentido usar as coisas mais fora da caixa. Se calhava pôr uma coisinha mais coisinha na cama logo o meu marido dava sinais de perplexidade: 'O que é isto?!'. Mais: coisas com folhos e rendas também dão muito trabalho. Ora, não passo a roupa de cama a ferro. Seca-se direitinho, depois tudo bem dobradinho e está feito. Por isso, mais vale que seja com roupa que passe bem sem ferro. Portanto, gavetas e gavetas de roupa de enxoval e nunca lhes dou uso. 

Agora, gosto sobretudo da roupa de cama da Zara Home. São lençóis muito largos, de bom tecido e com uns belos padrões. Esta semana tenho em baixo um beige e em cima um branco com uns belos desenhos em beige e uma espécie de dourado. Fica com pinta. Assim, sim.

Bem. Não era nada disto que eu queria dizer.

Vinha aqui só para dizer que vou ver se me inspiro para acabar a história das wild roses. E que, assim sendo, não estranhem se demorar a aparecer qualquer coisa. Estou um bocado num impasse sem saber como chegar ao desfecho. Por isso, vou aqui ficar sossegadinha a ouvir música (e a fazer de conta que não ouço os mails de trabalho a chegarem). Não. Sossegadinha não, senão adormeço. Vou pôr-me a escrever de olhos quase fechados a ver se a ideia se desdobra.

Devia era ver se aprendo yoga para fazer quando estiver a atravessar situações complexas como esta. Melhor: vou ver se consigo fazer esta posição a ver se me aguento. E se resulta.

Se não aparecer, é porque parti um pulso.


Até já.