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segunda-feira, fevereiro 12, 2024

Não me peçam para comentar o lado positivo e as coisas grossas de que o PCP gosta.
Vou antes contar como foi o meu dia, incluindo o telefonema da minha amiga sobre a minha mãe

 


Dia chuvoso e sem grande atractivo. Mais um dia em casa da minha mãe, mais um dia confrontada com armários e roupeiros cheios que nem ovos, coisas boas, mal empregadas para serem deitadas fora, e nós sem as querermos para nós, porque não temos falta, porque não temos onde pô-las, porque não nos serve ou não são o nosso género.

Tudo muito, muito, tudo infindável.

Valeu-me a minha filha que fez um bom rastreio e que consegue ter um desapego que eu não tenho.

Começo a pensar que, se a minha mãe guardou durante toda a vida, é porque era importante para ela e, se era importante para ela, dá-me pena deitar fora.

Mas tem razão, ela (e do meu marido nem falo pois, por ele, não aproveitava nem um só copo) pois poderia ter importância para ela mas teve-as guardadas longe da vista, durante décadas. A nós pouco nos diz e, a guardarmos tudo aquilo, seria também para ter encafuado, sem qualquer préstimo. E vamos ter as nossas casas atafulhadas de coisas que vão estar escondidas e que são inúteis?

É verdade, reconheço.

Portanto, enchemos vários sacos com coisas que considerámos lixo. 

E voltei a deixar a cama com uma pilha imensa de roupa que a senhora -- que lá ia a casa e que lá irá até esta monda estar feita -- fará o favor de ver se quer alguma coisa para ela e, o que não quiser, tratará de lhe dar destino. Contou que uma rapariga brasileira que veio para Portugal quase só com a roupa que trazia no corpo delirou com a leva anterior, que lhe assenta tudo bom, que está feliz da vida. Fico contente.

A minha filha levou algumas coisas, eu trouxe coisas que acho que têm valor e não podem ir para o lixo e que ela não quer e o meu filho ainda menos.

Ela também já levou alguns livros e eu trouxe também uns quantos. O meu filho diz que fica com o Eça. Mas espero que ele fique com mais alguns pois há muitos, muitos. Eu depois verei se há alguns que  não tenha ou que minimamente me interessem. Depois... nem quero pensar.

E de copos nem sei que dizer. Várias prateleiras cheias de copos. Ora, ninguém quer mais copos, e eu não tenho mesmo onde pô-los. É de loucos, não sei como é possível ter tantos copos. E eu, que ali vivi e que toda a vida frequentei aquela casa, nunca tinha reparado em tal. A gente, à força de tanto ver as coisas, parece que deixa de vê-las. Penso que vamos ter que embalá-los e serão mais alguns caixotes que ficarão na garagem. Como já aqui o referi, só espero que os meus netos, quando estiverem a 'montar' as suas casas, queiram ficar com todo o material que cá estará à sua espera.

Entretanto, quando estava lá, ligou-me uma amiga. Gostei imenso de falar com ela. Conhece a minha mãe desde os nossos dez anos. Contou-me que tem uma grande admiração por ela desde essa altura pois, nesse tempo, entre o nosso grupo de amigas e amigos, era a única mãe que trabalhava. Todas as mães estavam em casa. Lembra-se de estar em minha casa e gostar imenso de falar com ela e de, outras vezes, passarmos pela escola em que ela dava aulas e vê-la, com a sua bata branca. E isso, para ela, era o máximo. Achei graça ela dizer isto. Nunca tinha visto isso segundo essa perspectiva. Para mim era natural a minha mãe trabalhar, tal como era natural que todas as outras mães estivessem em casa. Depois, voltou a estar frequentemente com a minha mãe pois era médica no Centro de Saúde onde a minha mãe ia e, portanto, conversavam sempre e, através dela, ia sabendo sempre notícias de mim. Tal como eu ia sabendo notícias dela. Mas, diz ela, que, do que conhecia a minha mãe, não estranhou a decisão de não nos contar a doença que tinha, não se deixar aprisionar pelos exames e tratamentos que, vendo bem as coisas, não iam servir para salvá-la e iam estragar-lhe a qualidade dos últimos meses de vida. Assim, teve uma morte muito rápida. Quando eu disse que ainda me custa acreditar e que me custa perceber como é que ela esteve tão bem, sem que ninguém percebesse nada, até cerca de mês e meio antes de cair a pique, disse ela: 'Mas ainda bem, não é? Ainda bem que esteve bem quase até ao fim, não é?'. Pois, nessa perspectiva, sim. Esta minha amiga nunca foi médica dela mas conversavam muito e diz que também nunca lhe percebeu nenhum mal estar ou que sofresse daquilo que viria a morrer. Mas reforçou várias vezes: 'Ainda bem que foi assim'.

Hoje, lá em casa, vi as flores que plantou, ela própria, no canteiro do meio, perto do portão, pouco antes de ir para a residência. Estão floridas, alegres. São a prova viva da força dela.

Queixava-se de mil pequenos sintomas, coisas que atribuía sempre aos comprimidos que tomava, achava que mais valia não tomá-los pois vivia melhor sem os seus efeitos secundários. Pelos vistos também não os tomava todos. E, se calhar, dada a conjunção de maleitas e dada a sua idade, mais valia gozar a vida como se tivesse vinte anos, sem medicamentos e, quando tivesse que ser, isto é, quando chegasse a sua vez, chegava. E chegou. Para o mês que vem faria noventa e um anos. 

E toda a gente fala dela como uma pessoa jovial, independente, bem disposta e muito sociável. Uma vez, ao princípio de estar na residência, eu estava a falar-lhe de uma senhora que tomava as refeições na mesma mesa, uma senhora muito interessante, escritora. Como havia lá mais duas, uma delas, uma das quais sua amiga, a minha mãe perguntou a qual me referiu eu: 'Qual, a velhota?'. Fiquei como sempre ficava quando ela se referia às pessoas da idade dela ou mesmo mais novas como 'velhotas'. Mas, de certa forma, percebia. É que, se as outras pareciam ter a idade que tinham, a minha mãe não parecia nada uma velhinha. Nada. Uma vez, ela tinha que ir aos Correios. Disse-me que não ia em dada altura do mês porque estava 'cheio de velhos que iam receber a pensão'. Só que ela parecia bem mais nova mas, na realidade, já era nonagenária. Mas não se sentia. Nunca se sentiu velha. Quando se queixava que os medicamentos para o coração lhe provocavam a sensação de cabeça vazia e tinha receio de ter tonturas, eu e os médicos dizíamos que, se calhar, por segurança, podia usar uma bengala. Nem pensar. Nunca usou. Para ela usar bengala devia ser sinónimo de ser velha. E, de facto, ágil e desembaraçada como era, uma bengala não tinha nada a ver com ela.

Enfim.

Por vezes penso que pode parecer estranho eu, tão cedo, estar a querer dar destino às coisas da minha mãe. Não sei explicar. Como fui várias vezes a casa dela não estando ela lá (quando foi para a residência, como já contei, nas duas ou três primeiras semanas, enquanto ainda estava bem, queria mais casacos, mais sapatos, calças de fato de treino, etc). Por isso, entrar em casa sem ela lá estar não me faz impressão. E acho que, resolvendo já isto, me custa menos do que estar muito tempo sem lá ir e depois ir a uma casa abandonada, triste. Não sei explicar. Cada um vive e gere as suas emoções da forma que lhe é mais natural. Eu parece que fico mais tranquila se souber que as coisas que lhe eram mais queridas estão connosco, em nossas casas. Parece que assim, arrumando e organizando e vendo as suas coisas (como, por exemplo, as cartas, as fotografias, etc), estou a honrar melhor a sua memória, não deixo as suas coisas por lá, tristes e sem razão de ser.

Hoje descobrimos uma coisa que nos fez rir. Num dos roupeiros, numa bolsinha de crochet feita por ela para supostamente trazer, à tiracolo, com o telemóvel ou com a carteira, meia escondida no meio de uns casacos compridos, descobrimos cadernetas antigas da CGD, envelopes de cheques, uns antigos, outros actuais e, no meio, completamente ocultado, um molho de fotografias. Eram fotografias minhas com aquele namorado de quem já tantas vezes aqui falei. Nem me lembrava que as tinha. Ou seja, deu-lhes sumiço, escondendo-as completamente. Provavelmente foi para que nunca se corresse o risco de o meu marido ou os miúdos darem com elas. Mas que mal fazia? Não sei. Só sei que ela nunca engraçou com ele. Não quis que, de alguma forma, ele fosse tema. Fartámo-nos de rir.

Assim, parece que, às tantas, vamos encarando com mais naturalidade o que aconteceu e que tanto nos abalou e que tanta tristeza nos trouxe.

Afinal é o que se diz, a vida continua.

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Chegámos a casa ainda a tempo de vermos o Montenegro com a Inês Sousa Real, uma coisa sem história, pelo menos pela parte que me toca. Nada que se lhe diga. E vimos o infeliz Raimundo que, coitado, não consegue dar uma para a caixa a debater com a Mortágua. Também nada a dizer a não ser que o Raimundo arranjou dois tópicos: o PCP está ao lado do que é positivo e que só vale a pena o que é grosso. Quem viu e ouviu poderá confirmá-lo. Ora não explica o que é isso das coisas serem positivas e, quanto àquilo de só valer o que é grosso, nem vou querer saber até porque a língua portuguesa é traiçoeira. Tirando isso, é uma mão cheia de nada e que, quando quer dizer qualquer coisa, não é capaz. E quando se esforça, como no caso da Ucrânia e da Rússia, é uma infelicidade, vem com a conversa das 'forças da paz' sem que ninguém consiga perceber o que é isso das forças da paz. Uma conversa de pombinha, ainda por cima titubeante. 

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Uma boa semana a começar já nesta segunda-feira

Saúde. Ânimo. Paz.

domingo, março 03, 2019

Como um rio que se funde noutro





Olho-me nos olhos. Nunca tive medo de espelhos. As pálpebras, o rosto, as rugas hesitantes que me atravessam a testa. Os cabelos brancos e abundantes. O torso ainda firme e um pouco mais compassivo. O desejo discreto mas imparável. A fala fácil mas um nadinha mais ponderada. Onde está a minha idade? ´Vai aos ziguezagues', diria Sabato. Atiro-me para as nuvens, como sempre fiz, agora mais diurnas. Mais próximas da mão. Deixo-me envolver por elas, 'nuvens que envolvem o tempo', leio num dos poemas da loucura de Hölderlin. Agarro como posso os restos da minha própria. Restos? Olhando para o mar é como se ela, a loucura normal, fosse uma variante do meu olhar nos espelhos da casa, entre estantes caóticas, como gosto que sejam as estantes dos outros, jamais as minhas, encontrar o que não espero encontrar, mas o que mais me concentra nesta casa é o mar, o espelho do mar, o seu peso oscilante, como se ele fosse outro rosto meu, vacilante como o meu, enquanto o olhar de Myah, de todos o mais brilhante, não entra pela casa dentro. Onde estás tu? Como um rio que se funde noutro.


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Palavras de Casimiro de Brito in 'Uma lágrima que cega' ao som de Yann Tiersen com The lost notebook. As fotografias são de Emma Tempest. 

No fim, "On Growing Old" de John Masefield é lido por Tom O'Bedlam e os bailarinos de Introdans dançam Unfold numa coreografia de Robert Battle ao som de uma ária da ópera Louise de Gustave Charpentier

quarta-feira, fevereiro 27, 2019

Sobre o que vamos fazendo





Uma vez fiz uma almofada com fios saídos em argolinhas. A estopa estava esticada num bastidor. O desenho era inventado e as cores eram vermelho e laranja. E fiz toalhas de chá que penso que nunca usei. Crochet. E panos de tabuleiro. E uma toalha de renda grande. Usei-a uma ou duas vezes. É muito difícil de passar a ferro. E colchinhas de lã para as camas dos meus filhos. E tricot. Camisolas, casacos. E bordados. Muitos bordados. Algumas gavetas cheias desse meu dedicado labor, dessas inutilidades.

Houve uma altura, há mil anos, em que apanhava alguns transportes públicos para ir trabalhar. Trabalhava longe. Levava lãs e fazia crochet. Iam muitos colegas, todos homens. Ao princípio gozavam. Depois habituaram-se. 

Foi o meu percurso até chegar aos tapetes de arraiolos. Já não sei quantos fiz, tapetes e carpetes. Comecei por um simples. Logo a seguir quis fazer complicados. Outros à mão livre. O prazer de, do nada, de peças soltas -- um tecido, umas lãs -- fazer nascer uma peça intemporal.

Tenho isto: há coisas que não sabemos fazer mas que aprendemos e deixam de ser complicadas. Há outras coisas que não sabemos mesmo e que nunca conseguiremos.

Exemplifico. Quis ter os meus filhos a sangue frio e tive-os. Já aqui o contei várias vezes: foram partos muito complicados, induzidos, com fórceps. A sangue frio. Sem medo das dores. Sem pensar duas vezes. 
No trabalho também assim. É para fazer, faz-se. Não me ocorre pensar que nunca o fiz antes, que posso não ser capaz, que pode correr mal. Faz-se. O caminho faz-se caminhando.
Mas quando a minha filha tinha um dente a cair, preso por um fio ensanguentado, não consegui puxá-lo. Fomos para a casa de banho, assim não podia ficar, um dente suspenso por um fio. Tentei. Tentei mesmo. Enchi-me de coragem. Mas não consegui. A perspectiva de poder magoá-la tolheu-me os movimentos. Não consegui. Senti-me a desmaiar. Tive que me sentar, a ver tudo branco. Medo que lhe doesse. Ela, pequenina, pôs-se ao espelho, puxou o dente, arrancou-o. Ainda hoje fala disso. 
No outro dia, um menino disse-me que tinha um dente a abanar muito, quase a cair. Dias depois disse que já tinha caído, que a mãe tinha puxado. Relembrei. Pensei que, se tivesse que ser eu, voltaria a não consegui-lo. 

E a fotografia. Não tenho paciência para ler manuais, para ler livros técnicos ou para ir a aulas. Qualquer desses rituais me tiraria o gosto da descoberta. Faço fotografias a eito, milhares de fotografias. Mas não posso falar disso ao pé de quem saiba pois tendem a fazer-me perguntas sobre técnicas, se faço assim ou assado, se a objectiva é esta ou aquela. Não sei. Não quero saber.

Também não as organizo. Não sei se alguém, algum dia, vai fazer alguma coisa com tudo isto que, ao longo da vida, tenho vindo a fazer.

Uma pessoa contou-me que está a dar rumo às coisas dos pais. Uma casa muito grande, cheia de coisas. Diz que nunca mais acaba. Não sabe o que fazer. Há coisas de que não quer desfazer-se mas não tem onde guardar tudo o que acha que deveria preservar. Fala com lágrimas nos olhos.

Ao ouvir, pensei na minha casa. O meu marido diz muito isso: não vamos criar um problema aos miúdos. Geralmente é o argumento que vem para cima da mesa quando me quer convencer a deitar fora metade das coisas. Mas tem razão. Pode ser um grande problema. Tantos tapetes já sem saber onde pô-los, tantos quadros que já não tinha onde guardar (que paredes para os pôr já não havia), tantas fotografias que por aí estão em discos e nem sei onde mais.

Por isso, aqui, escrevo para o vento. Palavras soltas ao vento, para quem as quiser ler. Cartas que escrevo para quem gosta de me ler. Uma vez escrevi um livro. Não sei dele. Acho que estava numa disquette. Outra vez comecei a escrever outro. Achei por bem pôr uma password. Esqueci-me dela. Não faço ideia em que computador estará. Perdeu-se.


E talvez isto que acabaram de ler não faça muito sentido mas é que era para falar de uma coisa que me contaram e, afinal, achei melhor guardar o assunto só para mim. Pelo menos, para já.

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As pinturas são de Vermeer, ao som de Yann Tiersen com Porz Goret

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Caso sejam apreciadores de Trompe l’oeil: a arte da ilusão queiram descer até ao post seguinte.

Trompe l’oeil: a arte da ilusão




Mais do que os ângulos óbvios, a mim atraem-me os dúbios, os súbitos, os incompreensíveis. Se possível, indecifráveis.


Claro que uma flor é uma flor é uma flor e que, por isso, há que respeitá-la não a mascarando entre ilusões. Ou uma árvore. A dignidade de uma árvore não permite a dispersão. Afinal uma árvore também é uma árvore também é uma árvore. Mas o reflexo de brinquedos numa janela de vidro de onde se vê o jardim pode dar uma ilusão interessante. Ou o emaranhado a la Pollock de mil pequenas folhas, pequenos pauzinhos, pedrinhas, florzinhas -- também curioso. 

Também me interesso pelo que não se vê do exterior. Uma fenda numa parede de onde nasce uma luz vinda não se sabe de onde, um navio que nasce de um telhado plasmado na janela da minha sala, uma lua suspensa nos ramos nus tangenciais a um telhado.

Na vida a três dimensões também me interesso pelo que existe sob a pele, seja a minha, seja a dos outros. 

Por exemplo, alguém sempre sorridente que, afinal, está em sofrimento por uma razão que ninguém imagina e que precisa tanto de desabafar. Ouvi-la, espantar-me por ela saber disfarçar tão bem. Ou outra pessoa, conhecida pelo seu profissionalismo numa área bem comum e que, afinal, é também pintora, com obra exposta. Ou um outro, pessoa com vários cargos relevantes, uma vida profissional preenchida, com muitas viagens a muitos países, alguns bem longínquos, e que, afinal, nada conhece do seu país e, na verdade, pouco parece conhecer do mundo real.

Situações que fazem nascer a vontade de olhar melhor, de prestar mais atenção para conhecer o que está para além do imediato. A vida como uma infinita sucessão de camadas quase invisíveis. Ou de véus. Ou de espelhos.

Isto a propósito de.

Sou devota de Steve McCurry. De cada vez que há uma entrada no seu blog, vou logo espreitar. E são sempre imagens extraordinárias, algumas das quais cometi a ousadia de trazer aqui. E gosto de ver as sóbrias citações que escolhe para acompanhar as imagens. O post de hoje tem o nome que dei a este meu. E foi de lá que também transcrevi, em tradução livre, o que abaixo coloco em itálico.
Vivemos num mundo de fantasia, um mundo de ilusão. A grande tarefa que temos na vida é encontrar a realidade.
– Iris Murdoch
Há uma ilusão de óptica em cada pessoa que conhecemos 
– Ralph Waldo Emerson
Sou obcecada com o trompe l’oeil – a ideia de algo que existe e não existe
– Alessandro Michele

Não é todo este mundo uma ilusão?
– Angela Carter


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Trompe L'Oeil -- Jiří Kylián