Mostrar mensagens com a etiqueta Nuno Vasconcelos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Nuno Vasconcelos. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, janeiro 04, 2012

Judite de Sousa está a ganhar balanço para ser a próxima Pin-Up do Hot Magazine? Luís Montenegro também usa aventalinho com o monograma da Loja Mozart? Mas que bem. Espiões, deputados, jornalistas, ministros, olha que bela mistura. E pérolas dentro de ostras algarvias. E esperma feito em laboratório. Que rica caldeirada! Só falta mesmo uma posta de safio.

 
Meus Caros, hoje estava cheia de boas intenções, juro. Queria falar-vos da situação na Grécia, da forma desastrosa como a Zona Euro está a ser gerida, queria partilhar convosco a opinião de Georges Soros, tudo assuntos prementes e actualíssimos.


Mas há pouco, enquanto jantava, vi o final do Jornal das 8 na TVI, conduzido pela Judite de Sousa. Enquanto falava e só lhe via a parte de cima do corpo, já pressenti que aquilo não augurava nada de bom. Já ontem tinha tido um arrepio quando a vi mas estava ainda sob o efeito da visão da D. Elma e relevei a D. Judite, até porque só a apanhei de relance, quando se levantou para encerrar as hostilidades. Mas agora, que reincidiu, tenho mesmo que puxar o assunto à colação. Ontem estava de mini-saia preta, meia preta, bota por cima do joelho e camisa reluzente de um encarnado vivo. Um despropósito que só visto.

Hoje estava de blusa preta cheia de pedrarias junto ao pescoço. Como está loura platinada, carregada de pintura, aquela concentração de grandes pedras sobre preto tornava o conjunto nitidamente too much. Mas o pior veio mesmo quando se levantou. Ó senhores... Estava de sainha rodada e estampada, curtinha, pelo meio da pernoca e de novo de bota alta, desta vez pela rótula. Uma coisa inexplicável. Nem sei se não estava ainda mais espampanante que a D. Elma de mãos nas mamocas e casaquinho de peles.

Não percebo o que lhe deu - é que até há pouco tempo parecia que tinha atinado com a imagem, estava mais discreta, parecia até mais bonita, mais simétrica. Agora deu-lhe para isto. Oh senhores...!

""""""""

Mas até ser vítima deste choque estético, até me estava a parecer que o dia estava repleto de notícias promissoras.

1. O dia noticioso andou à volta da Loja Mozart. Há que séculos que aqui, neste mesmo sítio, dei conta das dangereuses liaisons entre esta lojinha maçónica (70 membros mais coisa, menos coisa), o poder, o coito dos espiões (coito=lugar protegido e não coito=cópula, que é lá isso...?), a comunicação social.

De lá vem o inefável e anafado Jorge Silva Carvalho, o supostamente ex-espião do SIED - mas, ao que consta, ainda com muitas liaisons - de lá vem Nuno Vasconcelos (ou Vasconcellos?) da Ongoing, de lá, pelos vistos, vem também Luís Montenegro líder parlamentar do PSD, ao que soa, de lá vem o omnipresente Miguel Relvas, tudo gente fina. O que eles para lá congeminam, só eles sabem. Influências, jogos de poder, interesses, intrigas, espionagem à mistura, cartas na manga, fotografias em envelopes (?) - são coisas que nos podemos divertir a imaginar mas que não temos como provar. Parece que há uma Comissão Parlamentar, da qual o próprio Luís Montenegro é membro, que faz de conta que anda a investigar. Não vai dar nada como é mais que óbvio.

Mas não é essa caldeirada que agora me interessa. O que me interessa é imaginar o cenário em que aquelas reuniões decorrem.


Esta fotografia está na net e refere-se a um encontro creio que no Brasil. Será que aqui em Lisboa, na Loja Mozart, é uma coisa assim...? Todos de aventalinho muito engomadinho, cheio de gregas acetinadas, bordadinho inglês e outras aplicações mimosas? E de babete ou gola da mesma cor que os enfeites do aventalinho...? Tão giros...! Gostava tanto de os ver...! De ouvir, não, que deve ser uma coisa a atirar para o assustador. Mas, vê-los, deve ser tão enternecedor.

^^^^^^^^

2. Bom; mas as notícias interessantes não se ficaram por aqui. À vinda para casa (que é meu grande momento de absorção informativa) ouvi uma coisa mesmo empolgante. Foram encontradas pérolas em ostras algarvias do género Crassostrea.

A descoberta deveu-se ao Instituto de Investigação das Pescas e do Mar (IPIMAR) e ao Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve (CCMAR) e, em 750 ostras, apenas 2 estavam recheadas com 6 pérolas ao todo.


A imagem acima corresponde a uma dessas pérolas.

Fiquei entusiasmada com a notícia. Vocês, meus Caros, devem achar que 6 pérolas não são motivo de conversa. Mas, sabem, vou confessar-vos: adoro pérolas. Verdadeiras de preferência, mas também de cultura e, à falta de melhor, também de pura fantasia. É daquelas coisas intrinsecamente elegantes, que tornam interessante qualquer mulher.


^^^^^^^^^^^^^^

3. Mas o mais interessante fica para o fim. Investigadores alemães e israelitas conseguiram produzir esperma em laboratório. Dizem que os espermatozóides eram muito jeitosinhos, muito bem feitinhos, a cabecinha muito bem desenhadinha. Nadam numa solução gelatinosa muito parecida com a que se encontra nos testículos.

Por enquanto ainda são apenas experiências com ratos mas a ideia é estender a coisa aos humanos e os cientistas estão muito animados.


Também acho empolgante - pérolas nas ostras algarvias ou espermatozóides feitos em laboratório, tudo coisas que dão jeito.

Claro que os meus amigos homens já devem estar a sentir-se incomodados. Mas que não seja por isso. As mulheres não vos querem apenas para procriar (agora até me lembrei de um deputado, de seu nome João Morgado, que tinha essa ideia e que, inclusivamente, inspirou um divertido poema a Natália Correia). Procriar é apenas uma ou duas ou três vezes na vida (em média, claro). As mulheres dão várias outras utilidades aos homens, estejam descansados.

Por isso, se se portarem bem, se forem simpáticos, se forem bons e pacientes companheiros, se trocarem as lâmpadas em casa, se pendurarem quadros ou cortinados, se montarem estantes do IKEA e não andarem ofegantes e revoltados enquanto carregam os caixotes para dentro do porta bagagens, se forem carinhosos, se perceberem quando mudamos de penteado, se não se importarem de esperar que a gente se arranje como deve ser, se gostarem de andar a passear de mãozinha dada, enfim, se merecerem, talvez as mulheres não vos descartem. Capisce?!

^^^^^^^^

E pronto, meus amigos, hoje fico-me por aqui. Amanhã logo tento trazer assuntos mais maçadores, está bem? Hoje deu-me para isto, para coisas de insustentável leveza.

Divirtam-se!
  

quarta-feira, setembro 14, 2011

'Andar no fio da navalha', 'O ruir dos nossos sonhos', 'Da queda da Grécia ao sobressalto na Europa', ou antes 'Como é que chegámos aqui?!' - valham-nos os homens bons como o Dr. Silva Lopes que 'empacotava o Alberto João que nem ginjas' (*)


Meus Caros Amigos, as coisas estão de novo muito incertas. Com as ilhas vendidas ao desbarato e a sofrer a agiotagem de juros a mais de 60%, a Grécia (que estudámos como o berço do conhecimento e da democracia, lembram-se?) está a sofrer a humilhação que sofrem os desapossados, os desacreditados.

Mas, ruindo a Grécia, a Europa afundar-se-á ainda mais um pouco.

Os urubus aí andam, a sobrevoar os nossos tectos, a rondar os nossos antigos sonhos.

Pensávamos que estávamos a construir um futuro, pensávamos nos anos dourados da nossa reforma, pensávamos num futuro risonho para os nossos jovens, idealizávamos um admirável, tecnológico e descansado futuro para os que agora são ainda crianças.

Tínhamos qualidade de vida e achávamos isso natural dado que trabalhamos, dado que investimos antes na vida que temos agora.

Mas um dia começámos a ouvir que lá bem longe havia uma crise, a dos subprimes, depois ouvimos falar numas tais Fanny Mae e Freddie Mac, nomes engraçados, era tão longe de nós, depois veio a surpresa do escândalo do Maddoff e a queda do Lehman Brothers e o mundo começou a estremecer. A grande AIG e grandes bancos, até em Londres, e a coisa já estava aqui.




Escândalos domésticos de má gestão e usura começaram a rebentar por cá e os anteriores casos exemplares de boa gestão como Rendeiro e afins e toda a trupe do BPN, deram à costa. E, de repente, tudo estremecia e nós começámos a temer que a nossa vida anterior tivesse, afinal, sido apenas um sonho.




O BCP, caso de estudo, um banco que soube diferenciar-se e, assim, crescer, viu-se envolvido em guerras pouco cristãs, ódios fraticidas, formaram-se facções, a banca, ah a generosa banca que tanto ajudou à festa, emprestou dinheiro à tripa forra para o que fosse preciso, para tomar partido contra accionistas mal amados, para crescerem sem que, de outra maneira, tivessem como, e a banca foi emprestando dinheiro tendo como garantia as própria acções, e a banca emprestou também para que as pessoas comprassem casas que jamais poderiam pagar, para que as pessoas fossem de férias à Turquia, à República Dominicana, emprestou dinheiro para que as empresas investissem não tendo os accionistas que meter lá nem uma pinga do seu sangue... e assim fomos, até que um dia, de repente, tudo isso era, afinal, mal feito.

Um dia o dinheiro rarefez-se e as acções desvalorizaram-se e os grandes empréstimos ficaram a descoberto, um dia a banca fez as contas e viu que já não tinha dinheiro para continuar a emprestar e que toamara que ninguém se lembrasse de levantar os depósitos (porque o dinheiro tinha ido para Joe Berardo derrotar O Dr. Jardi, para o Nuno Vasconcellos da Ongoing se tornasse accionist ade referência na Zon, e por aí fora, por aí fora (porque, afinal, vemos agora, ricos não os há, o que há são grandes endividados que vivem como ricos).


Joe Berardo no seu Budha Eden Garden

E, no Estado, um dia viu-se que já não tinha dinheiro para pagar as reformas, as baixas, os subsídos de férias e que só tinha dinheiro para trocos, nem quase já para ordenados.

E assim fomos até que um dia acordámos e estávamos de joelhos.

Um dia acordámos e a Irlanda também já assim estava, a Grécia era a paródia do mundo.



E este é o tempo que vivemos.

Os nossos governantes são abúlicos, dizem uma coisa aqui, outra quando estão pela mão da madame Merkel, dizem uma coisa entre nós, dizem o contrário quando se apanham longe de nós, dizem que estão a esforçar-se e só os vemos a irem-nos ao bolso sem dó nem piedade.

E hoje a troika diz que não chega, que nos últimos meses já se desviaram mil milhões (mas onde, Mr. Gaspar, onde?!, como é possível tamanho desvio em tão poco tempo?), que novos sacrifícios são precisos. E Vitor Gaspar, obediente, assegura à troika, 'ok, there will be blood' e já pensa quais as próximas vítimas que irá sacrificar


O dito Gaspar: já têm que o levar quase pela mão que ele, pelo ar, já não dá lá muito bem com o caminho

Mas o que é aquilo que ele tem ali pendurado nas calças, bem na frente...?
(estou aqui a ver se percebo e não consigo)

Ao que chegámos, ao que chegámos... Que descontrolo, que aflição!

Entretanto, na Madeira, o Alberto João, depois de resolver fazer oposição aos cubanos e de, com essa desfaçatez, ter provocado mais um rombo nas contas públicas, prepara-se airosamente para ser reeleito.

Tudo isto é patético, tanto mais que assistimos mansamente (ah como eu às vezes odeio o meu jeito manso), a esta pouca vergonha.

No outro dia, o Comissãrio Europeu para a Energia, o alemão Gunther Oettinger, saíu-se com uma ideia peregrina: a de que as bandeiras dos países faltosos fossem postas a meia haste. Nem mais.



Até me admiro que não tivesse também proposto que os governantes desses relapsos países comparecessem nas reuniões com orelhas de burro. E eu não sei se me ria, se já não ligue nada a tanta parvoíce. Teria graça ver o Passos Coelho, submisso, de orelhas de burro, a lamber os pés à Angela - mão não, não quero ver isso. É que ele é português e eu sou muito portuguesa, não quero ver os portugueses a serem humilhados.


Mas, se quase só vejo parvoíce á minha volta, há pessoas cujas opiniões venero. Não há muitas, mas há algumas. Às vezes até posso não concordar com algumas coisas mas são sempre opiniões inteligentes, sérias, sóbrias, ditas por genuína vontade de contribuir, nada de vão exibicionismo. Uma dessas pessoas que eu ouço e vejo com respeito, admiração, carinho mesmo, é o Dr. Silva Lopes.

Um homem bom


Ele fala, com aquele sorriso de homem bom, com aquelas suas belas mãos de homem sábio, e eu quero que à minha volta toda a gente se cale para eu o poder ouvir atentamente.

Hoje ele falou. E disse que achava que se deveria fazer uma lei que impedisse os governantes que fossem infractores fiscais de voltar a candidatar-se durante uns quantos anos, 10 sugeriu ele. E exemplificou: 'com uma lei destas o Alberto João Jardim há muito que tinha deixado de poder fazer o que tem andado a fazer, nomeadamente a fazer oposição política com o dinheiro dos nossos impostos.'

Grande ideia. E tão simples. Como sabe bem ouvir a voz de gente séria, sábia, generosa, culta à moda antiga.


(*) O Crédito a quem de direito - aprendi a expressão 'empacotar que nem ginjas' com a fiel depositária do mais conhecido Fio de Prumo deste País que a usou num divertido comentário que aqui me deixou, e, por tal, daqui lhe envio os meus agradecimentos.

terça-feira, agosto 16, 2011

Empresas públicas e privadas: chegou o MEGA SALDÃO; bye bye interesses estratégicos, bye bye orgulho nacional



A imprensa económica vem dando conta de (mais) uma situação que (para mim, pelo menos) é angustiante.

No tecido económico nacional temos, por um lado, as empresas de capitais públicos ou com uma participação pública qualificada; do outro, temos as empresas ou grupos privados. Não vou aqui referir-me, dentro deste segundo grupo, à sua maior componente, as pequenas e médias empresas: vou cingir-me às grandes, as maiores empregadoras.

O primeiro grupo, como é sabido, foi colocado em regime de outlet e vai ser despachado a grande velocidade, seja a que preço for, nem saldo é, é mais na base de despachar o stock, que vamos para mudança de ramo, vai a peso e faz-se desconto, vai pelo que quiserem dar. Qual interesse estratégico, qual quê? Marcha tudo e rápido, que temos pressa.


Aquelas que, durante anos, foram consideradas o reduto do imprescindível controlo nacional vão passar para as mãos de quem quer que seja, que as vão gerir como quiserem. O mais aborrecido disto? É que tirando uns dois ou três 'ricos' cujos recursos não são elásticos, em Portugal não há capitalistas, não há dinheiro e, portanto, todas as nossas estimadas jóias da coroa vão parar a mãos angolanas ou brasileiras ou russas ou chinesas ou ao que for.

Quando as direcções dessas empresas começarem a ser exercidas não por portugueses mas por pessoas dessas nacionalidades, as coisas começarão a ficar claras. A seguir assistir-se-á, em muitos casos, a que os serviços passarão a ser assegurados a partir desses países numa lógica de eficiência, de sinergias, shared services pois então.

Mas atentemos agora ao segundo grupo, o dos grupos privados. Tudo no maior sufoco. Se virmos a situação das que estão na bolsa, perceberemos a situação aflitiva em que se encontram. Como muitas vezes já aqui o referi, estas nossas grandes empresas não resultaram (na sua grande maioria) de uma aplicação de capital líquido por parte dos accionistas de referência: não, resultam de fortes alavancagens financeiras. Business cases e project finance e não era difícil: com capitais alheios, muitas vezes dando como garantia as próprias acções, as empresas lá foram investindo e crescendo.

Agora, em plena crise, com os encargos financeiros a dispararem e, por outro lado, com as acções a desvalorizarem, temos o mix que atira com estas empresas para o buraco. Por um lado os custos aumentam dramaticamente, por outro lado as acções que garantiam os empréstimos deixaram de valer grande coisa.


Ou seja, a dívida fica a descoberto. Ficando a descoberto, os bancos, em pânico, querem reaver o dinheiro que lá meteram e as empresas, com o negócio já de si péssimo e estranguladas financeiramente, não têm como.

Isto é: estão as empresas penduradas, incapazes de crescer e, muitas, de se aguentar, e os bancos a ficarem atafulhados com uma dívida incobrável, lixo, e com os seus rácios a degradarem-se.

Como se a situação não fosse já assustadora, eis que o Governo se prepara para deitar abaixo a última protecção nacional: vai legislar no sentido de impedir a oposição, até agora permitida, a OPAs hostis.

Ou seja: com as empresas de tanga, aflitas, a valerem tuta e meia (e note-se que a desvalorização bolsista a que se tem assistido não é apenas fruto da apreciação racional dos mercados: não; há fortes indícios de que práticas especulativas como o short selling ou o naked selling têm estado a assolar as bolsas europeias e, entre elas, a portuguesa), está na cara que, não vai faltar muito para que todas elas caiam às mãos de quem lhes quiser pegar.

Poderia agora falar de um caso muito mediático: fala-se que não tarda a Impresa está nas mãos da Ongoing. A brutal desvalorização a que a Impresa tem sido submetida torna-a um alvo fácil, nomeadamente para a Ongoing que já valerá, por estes dias, 5 ou 6 vezes mais que a Impresa.

Nuno Vasconcellos e Francisco Pinto Balsemão
Uma guerra sem tréguas

Mas não é apenas a Impresa. Grupos maiores e de referência nacional atravessam, por estes dias, iguais momentos de total incerteza.

Assim, temo bem que daqui por algum tempo, não muito, Portugal tenha a sua economia (leia-se: as suas maiores empresas) nas mãos de capital estrangeiro.

Isso aliado a uma política liberal inculta, nas mãos de uma rapaziada maioritariamente impreparada, sem uma visão humanista da história, e integrados no caldo pantanoso que é hoje a UE, faz-me prever tempos de retrocesso histórico, tempos de capitulação.

Portugal, que durante tanto tempo teve uma história de que se podia orgulhar, corre sérios riscos de perder a sua verdadeira autonomia, a sua identidade.

Na Europa que patina em todas as frentes (a ecomia alemã a estagnar, deixando de impulsionar a zona euro, a economia francesa refém dos mercados que temem a exposição à dívida italiana, a italiana, a espanhola, a belga, já a sofrerem as bicadas dos abutres que cheiram as fragilidades à distância, as economias grega e portuguesa a serem sugadas pelos impostos, etc, etc), Merkel e Sarkozy juntaram-se hoje e apresentaram uma nova cartada: propuseram um governo económico para a zona euro, avançando com Rompuy, apagada criatura, para chefiar este goveno que se reunirá cerca de 2 vezes por ano; medidas fiscais uniformizadas sobre as transações financeiras e a inscrição nas constituções de todos os países de limite ao défice.

Medidas para show off mas de resultados práticos dúbios e demorados quando agora se precisa de decisões rápidas, inovadoras. E mantêm-se contra as eurobonds. Ou seja, a Europa e a Zona Euro a marcarem passo, em frágeis equilíbrios, enquanto a situação geral se degrada. O pântano a alastrar.


A cada dia que passa mais pessimista fico com esta situação. Daqui por algum tempo, temo bem que, neste mar parado, a fazer valer a sua portucalidade, restem apenas os escritores, os artistas em geral e nós, os bloggers, os que nada riscam.

Mas não todos os bloggers. Como sabemos, o que não falta são os que, tentando um lugar à boleia seja de quem for, escrevem consoante a feição de que sopram os ventos.

Nem os jornalistas, que esses são assalariados de empresas em que terão que se reger por deveres de lealdade em relação à entidade patronal que será a Ongoing, a Sonae, a Cofina, a Media Capital, etc.


O casal que hoje manda nos países da União Europeia

E tão longe que eles estão de nós

sexta-feira, agosto 12, 2011

Mário Crespo e Carlos Moedas num flirt televisivo na SIC mostram uma insensibilidade alarve perante os sacrifícios que estão a ser impostos. Triste.



Há pouco na SIC Notícias, Mário Crespo estava no maior enlevo com o engenheiro civil Carlos Moedas, o especialista em fiscalidade do PSD e zelador pelo bom cumprimento das medidas da Troika.


Crespo, com sorrisinho alarve, derretia-se e Moedas correspondia, matreirinho, rasteirinho. Comentava Crespo, 'Pagava-se termas, pagava-se SPA e agoras queixam-se que não podem ir ao SPA'. E riam, superiores, vingadores, sorrisinho gozão.

Esquece-se o senhor Crespo que as termas são um meio terapêutico eficaz no tratamento e prevenção de maleitas várias, como os problemas respiratórios ou reumatismos.

Uma das minhas avós que sofria de artroses reumáticas dizia que aguentava melhor os invernos quando, no verão, fazia termas em S. Pedro do Sul. Eu própria, quando os meus filhos eram pequenos, fiz termas com eles, que sofriam, à altura, de alergias e asma. Nunca as verbas foram suportadas pela Segurança Social pois os tratamentos eram prescritos por médicos privados mas não me choca nada que sejam tratamentos comparticipados, quando prescritos por médicos. Estamos a falar de tratamentos e não de SPA, ouviu senhor Crespo?

No entanto, numa época de aperto como esta, também não me choca por aí além que deixem de ser comparticipados.

O que me choca mesmo é a alarvidade de quem demonstra total insensibilidade para quem está doente ou tem familiares doentes, para quem vê alívio nas termas e não tem dinheiro para as pagar.


Mas o pior ainda estava para vir. O sonsinho do Moedas dizia com ar maroto, de quem começa a estar ambientado nos estúdios de televisão, 'Vamos lá a ver, as pessoas protestam sempre. Se a si lhe cortassem o ordenado, você também não gostava'.

Responde, rápido e sorriso valente, o Crespo: 'Ah, isso não, não gostava; não gostava e se calhar nem deixava'

E, então, pasme-se, não é que o inteligente do Moedas lhe responde, todo sorridente, fiel amigo, solidário: 'Não deixava e não deixava muito bem!'

E riram os dois, todos valentões.

E eu penso que isto não se pode aturar.

Então este Moedas e esta gente que anda a impor sacrifícios de toda a espécie, ri-se e diz que, se fossem eles, não aceitavam os ´cortes, os sacrifícios?!

Mas estão a brincar?


E olhe, Nuno Vasconcellos, nisto estou consigo: este Crespo não se aguenta!

terça-feira, julho 26, 2011

Onde se tenta falar da Ongoing (maçonaria?, mozart?, espionagem?, media?) e onde se mostra que isso perde relevância, here, in heaven

Começo a escrever já passa da uma da manhã. Os meus meninos, os grandes e os pequenos, já dormem e a casa, finalmente, ficou silenciosa. Esta semana dificilmente poderei escrever grande coisa pois chego a esta hora já estafada. 

Tenho aqui um livro, ao meu lado, para ler antes de adormecer mas duvido que lhe consiga pegar.

Estava com a ideia de hoje me voltar a pronunciar sobre uma coisa de que já aqui tinha falado há tempo: o Grupo Ongoing, o Grupo em que o big chief é maçon e gosta, o que é natural, de se rodear de irmãos mas que tem um fraquinho, e isso já não me parece tão natural: gosta de ter consigo ex-espiões.

Nuno Vasconcellos, grande apreciador de Mozart, mais Jorge Silva Carvalho, ex-SIED, e ex-adjuntos, mais José Eduardo Moniz, mais amizades fraternas com o governo, nomeadamente através de Miguel Relvas, interesses vários em negócios vários, entre os quais, ao que parece a RTP - ou seja, temos aqui os contornos de uma potencial bomba-relógio ao retardador que Passos Coelho terá que gerir com pinças.

Houve promessas? Houve investimentos e compromissos assumidos com base nessas promessas? Está, agora, a haver a cobrança dessas promessas? Não foi isso que o irmão Jorge Coelho há tempo nos quis dizer na Quadratura do Círculo?

Pelo que se percebeu o pobre Bernardo Bairrão já foi uma vítima deste equilíbrio instável mas a ver vamos se a coisa vai ficar por aqui.

Dado o adiantado da hora não tenho cabeça para dissertar sobre o tema. Não quero parecer uma lírica ou uma saudosista até porque a influência do longo braço maçónico sempre se fez sentir nas sociedades e seria ingénuo da minha parte vir aqui questioná-lo.

O que a mim me causa alguma perplexidade ou prurido (no sentido mesmo de reacção alérgica) é este cocktail: maçonaria, ex-expiões, comunicação social. Não sei. Parece-me que há qualquer coisa de perigo dissimulado nisto. Gosto de sociedades abertas, transparentes, em que as pessoas vão à luta em campo aberto, dando o peito às balas. Não gosto de poderes ocultos, segredos guardados, meios de comunicação social, tudo misturado.

Mas, enfim. Enquanto ao lado agora ouço um bebé que há instantes chorava e que agora faz aqueles sons gostosos de quem mama regalado, vou despedir-me mostrando-vos alguns fragmentos do meu mundo, here in heaven. É uma forma de vos dizer que ataques nervosos como os da Ana Cristina Leonardo, Ongoing e as suas movimentações, e outras coisas do género, me parecem algo irrelevantes quando aqui estou, pés descalços, mãos na terra.

É também uma forma de vos dizer que sejam bem vindos aqui, a esta minha casa, ao Um Jeito Manso. 

Os loendros estão carregados de flores de perfume doce
(que começam a murchar, dado o calor intenso)


À tardinha, recanto junto a uma janela
(os meus chapéus)


Há sempre um deus fantástico nas casas
em que vivo, e em volta dos meus passos
eu sinto os grandes anjos cujas asas
contêm todo o vento dos espaços

(o poema é de Sophia mas sinto-o como meu - porque exprime o que sinto)
 
Pôr-do-sol: os meus cedros lá em baixo em primeiro plano
A serra, ao fundo, a recortar o horizonte

segunda-feira, julho 04, 2011

Bernardo Bairrão, o homem que tem inimigos perigosos (desculpem, poderosos)? O ex-futuro Secretário de Estado foi vítima de vingança? A Manuela Moura Guedes não lhe perdoou?

Até ouvi dizer que, quando defendeu Sócrates, dizendo que a saída da Manuela Moura Guedes da TVI era devida a decisões editoriais e não a pressões políticas, lhe apareceu uma cabeça de cavalo na cama. Brincadeirinhas de mau gosto...

Bernardo Bairrão que ia ser Secretário de Estado e que, segundo relata o Expresso na edição deste sábado, devido a um SMS de Manuela Moura Guedes para o Primeiro Ministro Passos Coelho, acabou por ficar pendurado
Ongoing, o Grupo que, segundo o Expresso, é muito 'próximo' deste governo e que estará interessado na privatização da RTP (privatização que não merece agrado a Bernardo Bairrão)
Boneco de espetar agulhas
(não sei a que propósito veio aqui parar)

O casal Manuela Moura Guedes (que agora também foi repudiada pelo Balsemão, poor girl) e José Eduardo Moniz que saíu da TVI e que agora é vice-presidente da Ongoing


A OnGoing, Grupo de Nuno Vasconcellos, já despertou o meu interesse quando contratou Jorge Silva Carvalho, ex-chefe dos espiões. Acho também engraçada a dangereuse liaison de tantos deles à maçonaria. Ao que consta é um Grupo cheio de fraternidade, todos irmãos de Miguel Relvas, a verdadeira eminência parda do Governo. Estas coisas despertam-me perplexidade, curiosidade.

Ou seja, coitado do Bernardo Bairrão.

terça-feira, novembro 30, 2010

Uma pessoa coscuvilheira de avental a preparar-se para divulgar os segredos dos vizinhos...? Perigoso...! Mas não. Nada disso: trata-se apenas do chefe dos espiões no estrangeiro, maçon graduado, a prepara-se para exercer os seus bons ofícios ao serviço de um Grupo ligado à Comunicação Social. What's the matter...? Jorge Silva Carvalho is going to Ongoing...? What a great movie.

Um Grupo que teve origem na indústria, a velhinha e prestigiada Sociedade Nacional de Sabões, nos frenéticos anos 90, como tantos grupos, resolveu largar os ditos negócios maduros, posicionando-se nas cash-cows: media, imobiliária, energia, participações financeiras. Nasceu assim a newcomer Ongoing, encabeçada pelo Nuno Vasconcellos (late yuppie, cabelo puxado a gel comme il fault).

Receita Mckinsey ou BCG ou qualquer outra consultora major.

O site da Ongoing não contem informação financeira, o que é pena.

No Expresso deste fim-de-semana, conforme recorte aqui abaixo, vejo o que deve ser a total alavancagem financeira: participações de leão adquiridas com financiamentos BCP, BES, the usual thing. Mas sem informação nada se pode concluir.


Mas, também curiosas, são as contratações que Nuno Vasconcellos faz para o seu Grupo.

Por exemplo, que ideia a dele convidar para a Ongoing o seu amigo-chefe-dos-espiões-no-estrangeiro?

E que mistura curiosa é esta? Um espião maçon (ao que se diz, colega maçónico do Miguel Relvas e outros). Espião maçónico...deve saber segredos que nunca mais acabam...

São úteis esses segredos para um grupo de comunicação social?

Nuno Vasconcellos, outro destacado maçónico, grande chefe da grande loja, deve achar que sim.

Mas será que o grande mestre espião Jorge Silva Carvalho vai ter o sentido de estado suficiente para declinar a amabilidade do convite?

Recordemos: o ex-Director do SIED saíu da sombra para, no momento mais delicado, 3 dias antes de começar a Cimeira da Nato em Lisboa, mostrar que tem sentido de responsabilidade, que tem jeitinho...demitindo-se com estrondo. Parece impossível mas aconteceu. Cortaram no orçamento do SIED para o ano que vem e o seu sentido de estado não foi suficiente para, ao menos, ficar calado durante duas semanas...


(Do Expresso de 27 de Novembro: Jorge Silva Carvalho, prepara-se para fazer companhia a outra rapaziada fixe que já se mudou para a Ongoing)

Há pouco tempo foi esta outra grande figura da Nação, este reputado deputado do PSD de que se conhece valioso contributo a favor do povo português (aqui pigarreio...mas não sei como se transcreve esse som...) que, causando até embaraço às hostes pê-esse-dê, se mudou de armas e bagagens para a Ongoing.






Que tempos deslustrados estes que vivemos...

Mas acompanhemos este Grupo, a Ongoing. Talvez nos vá continuando a proporcionar surpresas.