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segunda-feira, outubro 07, 2019

Terceiras impressões sobre as Legislativas 2019:
sobre o fraco resultado do PSD e sobre o desastre que é o Rui Rio


No fim do debate na RTP entre António Costa e os outros quatro eu disse aqui que me parecia que o Rio ia conquistar alguns votos pois tinha uma conversa que iria cair bem junto de algum eleitorado que o acharia mais confiável do que a Catarina. 

A impressão que tive foi real pois, na verdade, depois do debate as sondagens mostraram que o PSD começou a subir. Contudo, mal vi a reacção dele a propósito de Tancos, pensei que, se as pessoas estivessem atentas, voltariam atrás. Achei-o, nessa altura, muito mau: troca-tintas, de carácter duvidoso. 

É pessoa que a mim me parece de tipo videirinho, mangas de alpaca, chico-espertinho, pouco polido e pouco inteligente.

© REUTERS/Rafael Marchante in DN
Tendo agora acabado de ouvi-lo fico ainda mais convencida de que é pessoa que não interessa na política nacional. A reacção que teve, todo contente, eufórico mesmo, como se o PSD não tivesse tido um resultado fraco, como se o PSD não fosse um partido derrotado. Ria-se e batia palmas como se estivesse radiante. Diz que não houve desastre nenhum, qual desastre? Quem o visse ali, a fazer o Vêzinho de vitória, a bater palminhas e a rir por todos os poros diria que aquela pessoa tinha ganho as eleições. E atrás dele todos riam na maior euforia. Só Joaquim Sarmento, o ex- candidato a Centeno, se mostrou assisadamente ensimesmado.

Mas isto não foi nada quando comparado com o chorrilho de acusações que atirou à Comunicação Social, em especial à SIC (e, inclusivamente, pasme-se, às sondagens da SIC), como se fosse isso que o tivesse impedido de ter melhores resultados. Acusou ainda os dissidentes, presumo que Santana Lopes (esse outro derrotado da noite), por lhe ter roubado votos. E acusou a conjuntura em geral. Todos conspiraram para não o deixar brilhar ainda mais, todos foram culpados pelo resultado e, só depois de confrontado por uma jornalista, é que admitiu que ele próprio teve alguma responsabilidade na derrota mas, da forma como o disse, diria que para ele é uma responsabilidade essencialmente teórica.

Tirando isso, armou-se em esperto, disse banalidades e irrelevâncias, mostrando que nada tem naquela cabeça que possa traduzir-se em algo de útil para o País. Mostrou ainda que vai agarrar-se ao que julga ser uma bóia de salvação: as autárquicas. Patético.

Está o PSD bem governado com este totó de mangas de alpaca, fraca fibra e miolo mole à sua frente.

Agora que o CDS está de pantanas e que a Iniciativa Liberal e, sobretudo, o Chega (no que é uma perigosa farpa espetada no coração da democracia) chegaram ao Parlamento era bom que o caminho para o populismo não estivesse tão aberto. E, para enquadrar os descontentes, seria bom que o PSD pudesse ser uma alternativa viável, democrática. E não é.

Com este totó, o PSD não vai longe. Presumo que não vá aguentar-se muito mais tempo. Não pode. As hostes laranja hão-de conseguir arranjar melhor alternativa.

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E agora estou a ouvir António Costa. Já cá volto para dizer o que acho mas adianto já que obviamente estou contente.

Segundas impressões sobre as Legislativas 2019:
sobre a Iniciativa Liberal e sobre o Bloco de Esquerda.
E sobre o mapa do País que está quase todo pintado de cor-de-rosa.


Depois de, no post abaixo, já ter falado da Cristas, do Jerónimo, do PAN e da possibilidade da Joacine no Parlamento, falo agora do aspecto mais relevante: o país está quase integralmente pintado com as cores socialistas.

Os resultados não são definitivos mas, neste momento, está assim:


E sobre os resultados obtidos pelos partidos, continuo:

5 - A Iniciativa Liberal conseguiu um deputado. Não sei nada deles a não ser que o presidente, o Carlos Guimarães Pinto, tem pinta de maluco e que propõem 15% de IRS para toda a gente o que, apesar de ser uma tontice, a mim agradar-me-ia bastante. Mas como o pouco que sei não augura nada de bom, deixa lá ver o que por aí vem. Contudo tenho esperança que, mesmo que seja maluqueira da grossa, um deputado não faça grande estrago.

6 - Com tanto populismo, tanto teatro, tanto golpe baixo e tanto funfum e gaitinha, o Bloco de Esquerda não ganhou nem peso relativo, nem absoluto. Fica com o mesmo número de deputados. Ou seja, depois de tanto filme, não convenceram mais ninguém do que há quatro anos. Pelo contrário, perderam até bastantes votos. Talvez isto as faça ganhar juízo. E espero que Louçã aprenda a dosear o gostinho por se exibir como o cardeal-manipulador da esquerda: é que só desajuda.

7 - Quanto ao Rio e às suas hostículas laranjas, já falo. Está a arranjar desculpas, a atirar-se à SIC e tem o grande Joaquim Sarmento na rectaguarda. Depois de o ouvir já digo qualquer coisa.

sexta-feira, outubro 04, 2019

No restolho da campanha
-- E Freitas do Amaral que não faz parte desta história --


Volta e meia coincide eu ir no carro e estar a dar um resumo da campanha. No outro dia, uma senhora dizia que, salvo erro, da Venezuela lhe tinham cortado parte da reforma ao que Catarina Martins se insurgia, que não estava certo, que devia receber a reforma por inteiro. E não sei se foi essa senhora, se outra, que lhe disse que ela lhe fazia lembrar a Princesa Diana. E a Catarina, em vez de dizer 'cruzes, canhoto, ó mulher vire essa boca mas é pra lá que não quero ter o fim triste que ela teve', fez um sonzinho enaltecido, acreditando-se já a princesa do povo, rainha dos corações. 

E isto foi o que registei na memória em vários dias.

Não, peço desculpa, registei também outra coisa: o Negrão, o tal puro que usou assinaturas de pessoas sem lhes pedir autorização, a dizer que o parlamento ia ficar cego, surdo e mudo durante a campanha por não ter sido aprovado uma reunião deles na sexta-feira para debaterem se o ministro sabia se não sabia.
E eu, ao ouvir aquela conversa desesperada, só me lembrei daquele jingle da TSF em que se ouve o dito líder da bancada do PSD, voz trémula, lançando um lancinante 'o senhor tem pelos no coração...!' ao Costa. É que, quando ouço aquele grito de dor, só me ocorre que ainda bem que foi ele e não Catroga que assim se manifestou.  
Logo a seguir, ouvi o Rio a dizer a propósito da conversa do seu líder: não morre ninguém por causa disso. E, ali no carro, sozinha, no meio do trânsito, desatei a rir. Cego, surdo e mudo, na volta também com pelos púbicos no coração mas, vá lá, morrer não morre. Menos mal.

Mas, portanto, da campanha, que me lembre, não registei mais nada.

Volta e meia, entre um e outro zapping, vi peixeiras ou mulheres no mercado ou na rua a convidarem candidatos para o quarto ou a dizerem brejeirices que deixam os pobres homens encabulados. Uma, sorrisinho malicioso no canto da boca, dizia para o candidato pôr a bandeira direita e perguntava se ele já não conseguia endireitar o pau. Geralmente, nestas ocasiões, o meu marido diz: 'Eu bem digo: as mulheres são muito piores que os homens'.
E eu, ao agora escrever isto, lembrei-me do comentário do Onirocrata e estou aqui a pensar que ele, o Ony, deveria fundar um #MeToo_Y para os homens com razão de queixa das mulheres, ou seja, para quase todos. É que as mulheres, essas malucas, são um perigo: umas deixam-se agredir física e psicologicamente pelos homens e outras apalpam-nos e fazem de tudo para desviá-los por maus caminhos. Um perigo, as mulheres. Tadinhos dos serzinhos do cromossoma y, sempre vítimas delaX.
Quanto a debates também não posso pronunciar-me pois tenho ideia que só vi um, o dos quatro contra o Costa. E entrevistas, assim de repente, acho que só o Ricardo Araújo Pereira com a Joacicine do Livre.

Mas até pode acontecer que tenha visto ou ouvido mais. Mas não me lembro, não ficou cá nada.

Para mim, estas campanhas são uma indigência intelectual, um desperdício político, uma canseira para os candidatos que andam em tournée, uma perfeita inutilidade para todos. Salvo quaisquer excepções de que agora não me lembro -- e nas tintas se alguém aí, Martin incluído, acha que o digo por sectarismo -- mas, na realidade, do pouco que vi e ouvi, foi o que constatei: acho que só o PS se limitou a dizer quais as suas intenções. O resto andou todo a malhar no PS: só chicana, maledicência, intrigalhadas, quadrilhices. Não me assiste. Ainda se essa grande figura da política nacional não tivesse desistido... Agora, com o grande Castelo Branco fora de combate, foi basicamente mais do mesmo. Sem graça. Sem conteúdo.

Não sei como é nos outros países. Nestas coisas acho que não vale a pena inventar a roda. Chama-se a isso fazer benchmarking. Gostaria, pois, de saber como fazem em países onde a democracia já leva mais anos de estrada. Não acredito que, em locais onde a malta é civilizada há mais tempo, os políticos andem em feiras a gritar 'toda a ciganada a votar no CDS', a insultarem-se, a lançarem suspeitas, a avacalharem a conversa ou a prometerem amanhãs que cantam mesmo que seja em Caracas. Ou a perguntarem o nome dos cães. Acredito que há maneiras evoluídas de mostrar aos eleitores quais as suas ideias sem ter que poluir o ambiente nem abalar a sanidade mental dos mais incautos.

Ah, é verdade, lembrei-me ainda de mais outra: aquela tal do Rio que num dia até prendia jornalistas por alimentarem a Justiça de tabacaria e, no dia seguinte, já esquecido do seu ponto de honra, os chamou para lançar a acusação contra um inocente (relembro: até prova em contrário toda a gente é inocente), fazendo o julgamento na praça pública do ministro Azeredo e do Costa. O mesmo Rio que, não tendo a malta toda desatado a apedrejar a mulher do Costa (sim, porque se o ministro sabia, o Costa claro que sabia e, logo, a mulher também tinha que saber), inventou outra: a de que o Centeno deveria receber uma aula do Sarmento, o ministro das finanças que o Rio já nomeou não se sabe bem para quê. Claro que o Centeno, que tem os dedos de testa que faltam ao Alpakas, o mandou dar banho ao cão.

E eu, que não sabia quem era esse tal génio da batata frita, o Joaquim Sarmento, resolvi googlá-lo, para lhe tirar a pinta. E tirei mas não me alongo. Hoje estou em dia bom: a santinha desceu em mim com o regaço a transbordar de caridade. Mas uma coisa eu tenho mesmo que dizer. É que, olhando o dito Quim, achei que o senhor até pode ser bom a dar aulas sobre a contabilidade das laranjas mas uma coisa ele não sabe: que as mangas das camisas do homem não devem ter vinco.

Tirando isso, noves fora nada, alekui-alekuá, xiripitatá-tatá. Urra. Urra.

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Hesitei. Freitas do Amaral merecia estar em melhor companhia aqui no Um Jeito Manso. Ou sozinho, num post apenas a ele dedicado. Mas, tudo sopesado, acho que estará bem aqui. A demonstração pelo absurdo é um método tão bom quanto qualquer outro. De um lado a Cristas, o Rio, a Catarina, o Ventura e etc e, do outro, ele.

Nunca votei em Freitas do Amaral nem sequer, em seu original tempo, alguma vez senti simpatia política pelas suas ideias. Depois, aos poucos fui adoçando a opinião. Fui achando que, independentemente das suas ideias, era um senhor, era uma pessoa respeitadora e digna. E comecei a sentir simpatia. Não propriamente pelas suas ideias que não me pareciam muito definidas mas por ele. Ou fui eu que ganhei maturidade ou tolerância ou foi ele que se chegou ao lado gauche da vida, seja lá o que isso quiser dizer.


Foi-se e eu, ao ouvir a notícia, senti pena. No outro dia, quando ia no carro com a minha mãe, passámos por uma casa que deve ter sido bonita e que está, há muitos anos, abandonada, cada vez mais degradada. Contou-me que era de dois irmãos, ambos sem herdeiros. Foram para uma residência, a casa ficou ao abandono. Agora que morreram ainda mais ao abandono ficou. Assim o CDS, uma casa que, percebi mas tarde, nasceu inteira, digna. Havia o Freitas e o Adelino. Gente inteligente, íntegra. Foi-se um, de uma maneira traumática, depois saiu outro. E o partido nunca mais foi o mesmo. Monteiro, Portas -- e, agora, descambou de vez com a Cristas. Agora que Freitas morreu, acaba a memória do CDS. Ficará ao abandono até que alguém o deite abaixo.

Mas Freitas do Amaral sobreviver-lhe-á -- quer através da obra que deixou, quer através da memória de coragem, dignidade e elevação na política que dele ficou.

Se há um panteão da memória da democracia portuguesa, de uma coisa podemos nós estar certos: Mário Soares está lá de braços abertos para receber o amigo.


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quarta-feira, outubro 02, 2019

Rui Rio sabia ou não sabia que o PSD usou assinaturas sem autorização dos seus proprietários?
O líder da Bancada Parlamentar do PSD informou ou não informou o líder do partido de que tinha feito isso?
É que que sabia é gravissimo e, se não sabia, também é muiiito grave,


Usar a assinatura de uma pessoa sem que a pessoa saiba é legal? É legítimo? É ético? É bem educado? Não é grave? Melhor: gravíssimo? 

E os senhores jornalistas que andam a dar palco ao justiceiro Rui Rio não sabem perguntar-lhe isto? Não sabem perguntar-lhe se ele sabia? E não é caso para Ferro Rodrigues chamar Fernando Negrão à Assembleia da República para ele se justificar? E se o acto de usar assinaturas sem que os próprios tenham autorizado for crime não seria caso de mandar uma participação ao Ministério Público?

Estou a falar de um escândalo dos valentes.

Transcrevo:

Casa do Douro. Deputados do PSD dizem não ter autorizado assinaturas e pedem explicações a Fernando Negrão


(...) Em causa está um documento sobre a lei que altera o estatuto de associação pública da Casa do Douro. 
De acordo com a TSF, o CDS, com 18 deputados, precisava de 23 assinaturas para avançar com este pedido tendo, por isso, pedido ajuda ao PSD. O documento contém mais 20 assinaturas de deputados do PSD (e não apenas mais cinco, como as que seriam necessárias para avançar), totalizando 38 assinaturas. Desta forma, CDS e PSD conseguiram entregar o pedido ao Tribunal Constitucional, uma vez que cumpriam com o requisito do número de assinaturas.
No entanto, há deputados do PSD que dizem não terem dado autorização para que a sua assinatura fosse digitalizada e utilizada neste documento. Foi o caso da deputada Andreia Neto que, contactada pelo Observador, garantiu não ter tido conhecimento da entrada do pedido: “Não assinei, nem dei consentimento para tal. Não conhecia o documento, porque só mo enviaram há pouco”, diz.(,,,)
Grave. Gravíssimo.

E Rui Rio não diz nada?  No PSD andam a fazer destas coisas e ele não diz nada?!

sábado, setembro 28, 2019

Tancos: factos, dúvidas e conclusões. E muitas perplexidades.



Primeiro facto: supostamente uma ou várias pessoas assaltaram Tancos e, segundo ouvi, roubaram várias caixas de munições, no total pesando toneladas, transportando-as em carrinhos de mão até ao veículo que as levou dali para fora não sei de uma vezada ou em mais. 

Dúvidas
  • Por que razão a investigação não avançou logo e não impediu o roubo quando um dos envolvidos na preparação do roubo se chibou com um mês de antecedência à PJ? Note-se: á mesma PJ que agora, no fim, aparece como a boa da fita, depois de, en passant, ter desacreditado a PJ Militar e mais uns quantos. Não atinjo.
  • Não há câmaras, não há rondas, não há nada naquele quartel que impeça que tal coisa, a ter ocorrido, se faça assim, às claras? Não atinjo.
  • Os oficiais, sargentos e cabos que lá estavam não deram por nada? Estavam a dormir? é normal, isto? Não atinjo. 
  • Por que raio de carga de água foram os ladrões roubar munições maioritariamente obsoletas?  Não atinjo. É que não atinjo mesmo.
  • Por que raio de carga de água os ladrões, supostamente, queriam vender munições obsoletas à ETA quando a ETA há que séculos que foi desactivada? Ainda menos atinjo.

Segundo facto: aparentemente pouco tempo depois, soube-se quem tinha estado envolvido no roubo e  alguns meses depois o material apareceu.

Dúvidas:
  • Porque não acusaram quem tinham de acusar e, pelas vias normais, não recuperaram o material roubado? Também não atinjo.
  • Porque é que, enquanto andavam uns, os militares, a investigar e, supostamente, a conseguir a recuperação do material roubado, andavam outros, os civis, a investigar os que que estavam a investigar? Não se atinge, parece brincadeira.
  • Porque é que os homens em geral e alguns em particular são tão infantis e têm um orgulhozinho tão besta e pueril que os leva a pelarem-se por brincar aos polícias e aos ladrões até serem velhos? Não dá para atingir.
  • Como é que, mesmo numa situação que ganhou imediatamente contornos mediáticos, os militares da PJ Militar acreditaram que iam conseguir recuperar aquele maravilhoso conjunto de tretas roubadas e ficar bem na fotografia, não desconfiando que os da PJ Civil estavam de olho e fariam de tudo para lhes fazer a folha? Dá para atingir? Não me parece. Aliás, parece improvável demais para poder ser levada a sério.
  • Porque é que os militares, mesmo perante uma situação tão absurda (porque todo aquele suposto roubo, a ter acontecido, é absurdo, cómico até), se mantiveram naquele espírito de 'defender os seus', contra tudo e contra todos, não percebendo que iam encrencar toda a gente, desde o pobre coitado do ministro Azeredo até ao Marcelo que é o Chefe Supremo das Forças Armadas? Não atinjo. Alguém atinge? Eu não.
  • Com base em quê é que alguém, no meio desta paródia, andou a 'escutar' e a ler 'sms' ministros e deputados? Não se atinge, parece coisa descabelada demais para ser verdade.
  • Que raio de ladrões são aqueles que não apenas roubam material obsoleto para tentar vender a uma organização desactivada como, quando devolvem o material, devolvem material a mais? A mais?! E como é que tinham esse material a mais? Já tinham roubado antes? Ou...? Ou tudo isto não passa de outra coisa qualquer? Não atinjo, não atinjo mesmo.

Conclusões

1ª - Há muita coisa bacoca e ridícula nesta história. Muita. Demais. Tudo isto me cheira a macacada. Aliás, estou certa que isto ainda vai dar um filme de gargalhada pegada. E, se querem que vos diga, ainda não estou certa de que tenha havido qualquer roubo de verdade. Não descarto a hipótese de que isto tudo de que se anda a falar não seja simplesmente um amontoado de invenções ridículas. Não me parece descabido que tenham começado por engendrar uma desculpa esfarrapada para uma qualquer irregularidade e que, para lhe darem substância, se tenham posto a engendrar cenas parvas atrás de cenas parvas e que, tendo o enredo descambado, lhe tenham perdido o controlo dando no que deu. E que, agora que tudo isto assumiu tamanhas proporções, já não tenham lata de vir a terreiro dizer que pedem muita desculpa por andar a causar tanto sururu porque a única coisa que aconteceu foi que, para justificarem não terem o inventário em dia, resolveram fingir que tinham sido assaltados... Ou isso ou outra parvoíce do mesmo obsoleto calibre. Quem sabe não foi uma rasteira montada para encalacrar alguém, coisa que era para ser mais discreta, e que, às tantas, escalou até onde escalou sem que se lhe pudesse pôr travão...?

2ª - Quanto ao ministro Azeredo, coitado, deixem o pobre homem em paz. É um homem decente e honrado que, sem saber como, se viu metido neste jogo de faz de conta, de meias palavras, de pactos de silêncio. Devem ter-lhe dito qualquer coisa como: 'Não se preocupe que está tudo a ser tratado e não podemos entrar em pormenores mas, tranquilo, vamos resolver tudo e isso é que é preciso e tudo o que há a fazer vai ser feito'. E o inocente Azeredo deve ter acreditado que a investigação estava a decorrer na normalidade, sem perceber que tudo aquilo era uma armação. E, cá para mim, sem ter percebido que, de uma ponta a outra, toda esta história não deve passar de uma armação. Embora, pelo menos no princípio, ele tenha suspeitado pois chegou a dizer: '... no limite pode até não ter havido roubo...'. Pois.

3ª - Toda esta pangalhada em volta disto -- com o palerma do Rio (repito e  com todas as letras: p-a-l-e-r-m-a), a cínica da Catarina e a destrambelhada Cristas a condenarem o ministro Azeredo na praça pública, a crucificarem o António Costa (que nada tem a ver com isto*) e a enxovalharem a campanha eleitoral, transformando a comédia delirante que é o 'caso Tancos' num lodaçal onde querem soterrar o Governo e o PS -- é uma estupidez pegada. Um atentado à nossa inteligência.

4ª - Quanto ao momento escolhido para lançar a acusação nem vale a pena dizer nada. É a estocada final em toda esta palhaçada. Sabendo-se a confusão que isto ia causar em plena campanha eleitoral foi mesmo agora que teve que ser. O pilar da Justiça está corroído e não venham dizer-me que isso não é um risco para a Democracia.


[*Coloquei ali um asterisco porque não sei se o Governo tem poder para mandar pôr a tropa fandanga** que estava colocada em Tancos e/ou a brigada de investigadores, todos em formatura aí num qualquer lugar de passagem para a gente que passa se poder rir deles à cara podre.  Ou a eles ou o Rio, a Catarina e a Cristas, esses três tristes da vida airada, encostados a uma parede para a gente lhes pôr orelhas de burro e ter pena deles.  É que, se tem poder para isso e ainda não o exerceu, está mal.

** E coloquei agora dois asteriscos na frase acima porque se calhar é injusto falar de todos por igual quando aquilo pode ter sido obra de apenas uns dois ou três]

Whatever...

Que entre mas é a tropa dos meus amigos Monty Python


Pim-pam-pum.

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Adendas

Chegam-me por mail dois alertas:

1º - Rui Rio no início da semana, antes de ser divulgada a telenovela chunga que é esta acusação, terá dito (aos microfones da TSF?) que estaria para dentro de poucos dias o conhecimento de mais uma encenação de António Costa. Na altura terá soado misterioso, quase a lembrar o 3º mistério de Fátima. Agora, que se sabe a que é que ele se referia, parece legítimo que se pergunte: 
Rui Rio teve acesso a segredos de justiça? Ele que até os jornalistas punha de cana? O que é que ele sabia? Sim, o que é que ele sabia? E, sim, se ele sabia, como é que sabia? 
E o afã dele, ele que dias antes tinha condenado os julgamentos em praça pública, em vir tentar enlamear António Costa parece agora ainda mais suspeito. 

2º - Enviaram-me também por mail link para um artigo de Carlos de Matos Gomes (militar, investigador de história contemporânea, escritor com o pseudónimo Carlos Vale Ferraz) intitulado Tancos e as Operações de Falsa Bandeira


Transcrevo apenas o final do artigo:
Os beneficiários desta acusação Tancos, são a PJ e o MP, que reforçam o seu poder como corpos determinantes das políticas do Estado. Poderes fáticos. É um dado. Os grandes prejudicados são os poderes eleitos pelos cidadãos, o governo saído de uma assembleia e um presidente eleito por voto direto. É ainda atingida a instituição armada, aquela que representa a última autoridade do soberano, as forças armadas.
Tecnicamente e sem subterfúgios: chama-se a isto um golpe. Para defesa da democracia e do Estado de Direito, em minha opinião, este golpe e os seus autores têm de ser enfrentados e desmascarados, com todos os riscos que isso comporta.
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E isto para dizer que a procissão ainda vai no adro e que o primeiro milho é para os pardais.

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terça-feira, setembro 24, 2019

No debate da RTP, a Catarina Martins perdeu uma boa oportunidade de estar calada.
Resolveu lavar roupa suja em público mas acabou por ter que pegar na sua própria roupa, fazer a trouxa e ficar com ela à frente da sua cara.
[E, de caminho, uma palavrinha a propósito sobre Jerónimo, sobre Rui Rio, sobre a Cristas e sobre o André.
E, claro, sobre o Costa]


Acabo de ver mais uma má jogada da Catarina no debate que está a passar na RTP 1. Resolveu armar peixeirada, atirar-se ao Costa da forma traiçoeira e deselegante e acabou por levar uma lição dele. Ficou mal, mal, mal na fotografia, esta Catarina. Acha que vale tudo, que os golpes de teatro são sempre eficazes e, afinal, ao ir longe demais, ao exagerar na forma e no conteúdo, estatelou-se a ao comprido. E, depois de levar uma valente e justa ensaboadela do Costa, em vez de enfiar o barrete e ficar caladinha, voltou à carga com uma regateirice que não lembra ao diabo. E agora, no final, vendo que a peixeirada lhe saíu mal, voltou ao tom da boa menina, de amiguinha do PS, de sonsa. Uma artista, em plena actuação. Para ela, a política é um palco e quer é receber palmas.
Não sei se há muita gente a ver o debate ou se há ainda gente oscilante quanto ao sentido de voto, mas, se houver, é bem capaz de a brincadeira lhe sair cara, é bem capaz de esta sua actuação, por mostrá-la como uma artista com défice de credibilidade, fazer perder votos ao BE. Seria bem feito.
Melhor, bem melhor, Jerónimo de Sousa. Um senhor. Tomara que o PCP fique acima do BE nas eleições. Pode defender uma ideologia datada mas uma coisa é certa: este homem é um homem honrado. E isso conta. E é sensato. E isso também conta. E o PCP é, todo ele, um partido de gente séria, gente de palavra. E isso, para os portugueses, é importante. Ou, pelo menos, devia ser.

Quanto ao Rui Rio, vejo-o divertido a assistir ao debate mas não sei se isso é determinante para alguém decidir votar nele. Talvez seja um homem espontâneo e honesto mas falta-lhe foco e sentido prático e, sobretudo, não tem mão no saco de gatos que é o seu partido e tudo isso, nas funções que desempenha, é grave.

Quanto a Cristas, nada de novo. Irrelevante. Fala, fala, mas nada de novo sai dali. Continua a ser uma flausina que debita casos, a verdadeira picareta falante. Ainda por cima, de dedo espetado. Incomoda. Cansa. Os portugueses estão cansados dela. Por isso, ou muito me engano ou, não tarda, fará parte do passado do CDS.

Sobre o André do PAN, nada a dizer. Tudo espremido, pouco sumo deita.

Escuso de fazer uma declaração de interesses. Como é sabido por quem por aqui me acompanha, não sendo eu filiada em nenhum partido, sou, em geral, votante no PS -- em especial nas legislativas. E António Costa é um grande líder, um socialista inteligente, muito inteligente, ágil e hábil, perspicaz, corajoso, paciente e determinado. E é um excelente governante. O que ele tem feito no País é notável. Portanto, será com todo o gosto e inteira convicção que votarei, uma vez mais, no PS.

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Uma palavra final para Maria Flor Pedroso: uma grande jornalista. Uma mulher de pulso. 
Ganda pinta.

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Costumo ter imagens nos meus posts e, desta vez, também as tenho. Não sei se têm a ver com o debate ou com as duas senhoras partidárias, uma conhecida peixeirona encartada e outra que, achando que os espectadores gostam de novelas que metam traições e cenas de faca e alguidar, resolveu lavar roupa suja em público, armando uma peixeirada que deixou a outra, a sister in populism, armada em superior perante tais sinais de baixeza.

Mas, se as imagens não tiverem a ver com isto ou com aquilo, também não faz mal. Vi no Bored Panda esta moda outono/inverno para galinhas e achei graça. Quem sabe não vai dar jeito a muita galinha desmiolada que por aí anda.

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E uma boa terça-feira a todos.

terça-feira, setembro 17, 2019

Quem ganhou o debate? O Costa ou o Rio?


A televisão estava lá, no ponto. Acabaram-se as férias, voltei a pegar no batente: se é para sofrer pois que venha com debate e tudo. 

Vi o começo. A Clara com aquele ar todo cheio de óculos, fazendo perceber que a todo o momento podia soltar o chicote, a Maria Flor com aquela voz encorpada que ainda ela nem abriu a boca e já impõe respeito e o José Alberto, coitado, a tentar a todo o custo mostrar que duas mulheres daquelas não chegam para o intimidar.

E, para prestar contas, o Costa e o Rio.

E o Rio naquele registo de quem está por aqui só para ver passar os ciclistas, a dizer que foi só uma forma de dizer e que disse aquilo em geral e que não sabe bem mas é capaz de ser. E Costa, seguro, os números na ponta na língua, desmanchando a prosa solta do outro. 
Só não gostei quando, respondendo à indignação do Rio sobre os julgamentos na praça pública, Costa deu de barato a suruba pegada entre o Ministério Público e alguma comunicação social de sarjeta. Isso eu não gostei. Se calhar foi sincero e um Primeiro não pode fazer nada em relação a isso. Mas, seja como for, não gostei. Preferia que ele tivesse dito que também lhe mete nojo que se condene alguém na praça pública e que com baratas dessas não pode haver piedade, só pontapé na fuça. 
Também gostei da franqueza pessoal do Rio. 
Não tem mão no partido, não leva jeito na gestão de equipas, não sabe escolher colaboradores, tem-se rodeado duma gente que não se recomenda, ziguezagueia em alturas em que seria suposto mostrar que é capaz de andar a direito, não tem visão abrangente, mija no pé do vizinho. Um desastre. Não é homem para tomar conta do saco de gatos que é o PSD quanto mais de um país. 
Mas, depois de vê-lo hoje (ainda que não com total atenção até ao fim, e já explico porquê), fiquei a achar que uma pessoa como ele é capaz de ser mais fair e menos escorregadio e perigoso do que uma Catarina-BE-Conversa-Mole que diz o que lhe vem à cabeça para soar bem, uma populista de primeira, uma espécie de gabarolas com uma certa tendência para ser traiçoeira. 

Pode acontecer que alguns indecisos, preocupados com a deriva demagógica da Catarina-Conversa-Mole, possam querer contrabalançar o efeito dela num futuro governo, votando no PSD.

Eu, se fosse ao Costa -- que esteve bem, seguro, focado, demonstrando porque é que é o Governo dele tem sido um exemplo de coragem, visão e competência não apenas por cá mas, também, na Europa -- tentava rapidamente reparar aquilo de parecer aceitar com resignação a bandalheira da Justiça e dos Media de sarjeta. A Justiça em Portugal ainda tem um long way to go e o avacalhamento de alguns dos seus agentes em alegre conúbio com o que de pior se pratica no pseudo-jornalismo-de-pacotilha é uma coisa a que tem que se deitar a mão. E Costa deveria encabeçar essa luta e não dá-la como perdida.

Tirando isso, o que aconteceu a seguir é que vi que tinha chegado um mail que eu esperava. E esse mail era a continuação de uma troca de mails de ontem. E eu, de noite, a meio da noite, tinha estado a pensar nisso, a ter ideias, já a imaginar como poderia ser. Há coisas que nos pegam pelos colarinhos mesmo que não os tenhamos. E, portanto, respondi logo. Há assuntos e há pessoas que nos tocam de uma forma especial e eu, quando isso acontece, sinto que tenho que dar tudo o que tiver para dar. E, portanto, desliguei do resto do debate. 

Não sei se acabou bem, se acabou assim-assim, muito menos prestei atenção aos comentadeiros que, mal algum osso é atirado para a rua, logo saem a correr e a latir. E digo isto sem fazer ideia de quem é que se apresentou ao serviço nos diferentes canais. Na volta até apareceu alguém diferente, com ideias frescas. Mas não vi.


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E, agora, se me permitem, sugiro que desçam um pouco mais e vejam a cabeça no ar do Boris e as barracadas que anda por aí a armar que eu, pela parte que me toca, vou ver se descanso a minha beleza que o dia já vai longo.

As fotografias que para aqui escolhi fazem parte das finalistas mas há mais para ver em The 2019 Comedy Wildlife Photography Awards


Um dia feliz para si que aí está desse lado. Saúde e boa onda.

quarta-feira, setembro 11, 2019

Rui Rio, por favor, ponha os olhos em Valerie Plame.
Aprenda a apresentar-se como deve ser a umas eleições.
[Se bem que, condescendo, não é só a falta de jeito dele. É que fazer oposição para ele não é pêra doce até porque dizer mal do Trump é bem mais fácil e apelativo do que dizer mal do Costa]


Tenho conseguido manter-me longe da mediocridade.
Dito assim, dá ideia que me acho superior. Ora não é bem assim. Sinto-me é um bocado deslocada. Ando a preferir andar enfiada no mar ou escondida no campo. Ou deitada ao sol. Dir-se-ia: rica vida. Ah pois é. Mas é o que é. E, com isto, fartei-me de vez das coisas que já conheço de ginjeira, coisadas velhas e relhas que nem em novas tiveram graça.
Quase não tenho visto televisão, quase não tenho lido notícias, em especial portuguesas. Dá-me ideia que tudo o que se passa está colado ao que já era, ao antes de férias, ao antes de há muitos anos, às maçadorias dos dias sempre iguais uns aos outros.

Apenas de vez em quando cai em mim um salpico: ou quando vou no carro ou quando me distraio e deixo o comando pousar em algum ser cinzento. Múmia, quero eu dizer. E um que é todo assim -- cabelinho à pintas, todo mangas de alpaca, todo sem pingo de graça, mostrando à mata-fome que quem não tem sentido de humor é porque não tem QI que se apresente -- é o Rio. De cada vez que fala é para dar um tiro no pé. Já os tem tipo passador. Agora diz que o Parlamento não é sítio que se frequente, que já deu para esse peditório e foi contrariado, quanto mais agora. Não leva jeito, o alpacas. Os laranjecas, de cada vez que ele se apresenta em público, até devem acender uma velinha a um santo qualquer.
Por acaso, não faço ideia de qual será o santo padroeiro dos laranjecas. Sto Aníbal, na volta. Ou São Láparo. Santinhos do pau oco que só fazem é carcomer o partido lá deles. Mas, pronto, há quem goste. Para aí uns 20% ainda gostam. Um mistério para mim.
E isto para dizer que parece que já arrancou a campanha eleitoral cá em Portugal. Não vi nenhum debate nem faço ideia se já apareceu alguma cara nova na entourage de algum. Ideia nova é mais que certo que não. Provavelmente é a mesma gente de sempre a dizer a mesma coisa de sempre. E a seguir devem aparecer os mesmos comentadores de sempre a bavarder as mesmas inutilidades de sempre. Uma seca. 

Ora, numa de serviço público, para ver se dou alguma ideia a alguém, mostro um vídeo de uma ex-agente secreta, que só pela profissão que teve já merece a minha simpatia, onde se faz anunciar como deve ser. Conta o que lhe fizeram, conta quem lhe fez, conta o que andam a fazer ao país e, para terminar, diz ao que vem. Obra como deve ser. Não há cá funfuns nem gaitinhas, não há cá mas-mas, madamezoca pedindo conselho sobre penteado, não há cá surfices sobre ondinha mediática, bolinha de sabão (a mostrar que espuminha desaparece na hora), conversinha mole sobre tema da moda, beijinhos em peixeiras, abracinhos nas feiras, copinhos ao balcão, selfies a metro. 

Não. Valerie Plame vem com tudo. 007 no feminino. De peito feito. Não vem com risinho matreiro, meias palavras, metáfora, acusação contra incertos, ameaça velada, sugestão bobinha. Não. Valerie Plame põe a marcha-atrás para mostrar o que, por lá, acontece com Trump ao volante, para logo, a seguir, fazer um pião bem rodado e mostrar que é preciso ir noutra direcção. E eu mal posso esperar por saber mais dela. Promete.

"Undercover" — Valerie Plame for Congress



Ganda pinta

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Já agora, para quem queira saber quem é Valerie Plame:



E o que se passou na sua vida:

Fair Gam

- com Naomi Watts e Sean Penn nos papéis de Valerie e do marido, Joseph C. Wilson



Agora, depois disto, veja-se como é que o Rui Rio alguma vez pode competir ou fazer alguma coisa vagamente parecido com Valerie em termos de interesse, emoção, tomates no sítio, etc, etc.

Zerinho. Tadinho dele, aliás, falta-lhe tudo.

O candidato Rio
A candidata Valerie


quarta-feira, julho 31, 2019

Olha, afinal as golas não são inflamáveis....
Mas, entretanto...


  • Quem terá sido o chico-esperto que se lembrou de lançar o boato de que as golas pegavam fogo? 
  • Quantos doutos papagaios vieram, a seguir, dizer que as golas pegavam fogo? 
  • Quantos doutos comentadores enxamearam os balcões onde se servem opiniões a copo, prontos a fazer justiça com as suas próprias mãos? 
  • Quantos jornalistas na reserva saltaram avidamente para a ribalta para sujar o bom nome do jornalismo, falando do que não sabiam?
Não sei quantos. Só sei que muitos.

Já Patrícia Gaspar tinha explicado: não se quer que as pessoas vão para o pé do fogo, que vão apagar fogos; pelo contrário, o que se quer é que fujam dele e as golas são apenas para evitar a inalação de fumo.

Mas qual quê: alguém inventou que as golas pegavam fogo e, incapazes de pegarem em assuntos inteligentes, logo todos os canais, como gato a bofe, inflamadamente se atiraram às golas e desataram a clamar contra o Governo.


E eu gostava de ver se a mesma maralha, nos mesmos canais, vai enxamear outra vez os media para fazer o mea culpa junto da opinião pública. É o vês. Caladinhos que nem ratos.

E eu gostava de ver outra coisa: será que a malta que de repente virou especialista em materiais inflamáveis faz ideia se as calças, as blusas, os casacos ou os ténis que usa ou o das pessoas que se virem em situação de fugir ao fogo são ignífugos...? Cá para mim nem lhes ocorreu tal dúvida metódica. Como burros encartados, pensar não é com eles. Põem-lhes um coisa à frente e logo eles, sem pensar, a enfiam na cabeça todos gabarolas. Se depois lhes disserem que aquilo não era um chapéu, eram umas orelhas de burro só para gozar, tiram-nas logo, fazem de conta que não é nada com eles, assobiam para o lado e dão meia volta de fininho. Não desfazendo: na verdade são uns caguinchas, uns putativos maraus de meia tigela.

E a única coisa que se pode dizer de tudo isso é: santa ignorância, santa estupidez. 

Agora dito isto, digo outra coisa: se os objectos que compunham o kit não obedeceram a uma decisão informada ou se a escolha da empresa que os forneceu obedeceu a critérios que não os normais (ie, melhor preço para qualidade e prazos de entrega equivalentes) então que se apure isso. Com rigor e sem dramas. Escrutinar os actos da administração pública é um dever e é normal nos regimes democráticos. Mas não faço ideia de se houve algum favorecimento. Se há dúvidas apure-se e apure-se sem condescendências. Não vou atrás de qualquer osso que um qualquer manhoso atire para a rua. Preciso de demonstração, de factos confirmados.

Hoje, ao ouvir as notícias, já aparecia outra: a empresa da qual o filho do Secretário de Estado tem uma quota de 20 ou 30% fez três negócios com autarquias ou lá o que foi. Posso não estar a ver bem mas, só por isto, não vejo mal nenhum. Se fizesse negócio na Secretaria de Estado à frente da qual está o pai, aí já me pareceria eticamente reprovável. Agora em organismos onde o pai não risca peva, não estou a ver qual o problema. Há que evitar fundamentalismos senão perde-se toda a racionalidade.

E digo isto com a consciência tranquila: não exerço nem nunca exerci cargos públicos nem estou ou alguma vez estive filiada em qualquer partido política. Sou absolutamente contra qualquer forma de corrupção, compadrios ou beliscaduras na ética. Mas sou também absolutamente impermeável a fundamentalismos ou juízos precipitados ou levianos.

Portugal é um país de justiceiros, de gente que se acha moralmente superior aos outros, gente que cultiva a maledicência, a intriga, a inveja, a cobardia. Mas atacar ou difamar gente que é inocente é cobardia, é também maledicência, é maldade e, frequentemente, demonstra aquela inveja surda dos que olham alguns dos que exercem cargos políticos como desprezíveis 'poderosos' esquecendo-se que, na maioria dos casos, são pessoas normais, com família, com sentimentos, com valores.

Já o referi algumas vezes: tenho, muito próximas, algumas pessoas que exercem relevantes cargos públicos. Curiosamente, nenhum deles é filiado ou simpatizante do PS, partido com que mais me identifico. E uma coisa posso eu dizer: são pessoas íntegras. E nenhum deles enriqueceu ou está a enriquecer com essa sua ocupação. Pelo contrário. Ganham menos do que ganhavam nas suas actividades anteriores e o que, de facto, ganham é cabelos brancos, dores de cabeça, estafas sobre estafas, noites mal dormidas e grandes sacrifícios das famílias.

De novo, dito isto, acrescento que acredito que haverá ainda muito por aí alguns pequenos amiguismos, combinações de correlegionários de partido que tentam influenciar pequenos negócios. Gente de Juntas de Freguesias, gentinha que ainda anda por dentro dos aparelhos de algumas Direcções Gerais. Acredito. E, havendo, acho que é gentinha que não interessa, cujos hábitos devem ser banidos, cujos crimes devem ser punidos. A transparência é fundamental.

Mas chega-se lá com maturidade, com ponderação, com inteligência -- não com juízos precipitados e goelas inflamadas. Sou a primeira a condenar oportunismos, interesseirismos, gatunagem. Mas não acuso só porque sim ou porque algum palerma que ninguém sabe quem é diz que sim. Acuso quando estou certa de que estou a ser justa. acusar. Acusar um inocente não tem perdão.

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Tirando isto: estou curiosa de saber se, por estes dias, o PSD se vai auto-destruir, comendo-se todos uns aos outros. Literalmente. Quiçá, até, biblicamente. No final, apenas um monte de ossinhos debaixo dos lençóis.
Por exemplo, o Hugo Soares, que andava por aí todo fera, comerá alguém? O Rio? Ou o Rio virará o jogo e, qual tarzan, a cavalo numa liana, conseguirá comer alguém? Quiçá o José Eduardo Martins? Ou a pombinha da paz descerá sobre eles e sairão todos de lá aos beijos na boca? E a Maria Luís Albuquerque entrará em que cena? Beijos de língua? Ou não porque toda a gente tem medo porque sabe que aquilo lá é língua venenosa? Eo marido dela pairará por lá armado em body guard? E o Miguel Pinto Luz? In love com a Manuela Ferreira Leite? E o Professor Marcelo telefonará em directo para desejar muitas audiências?
Também estou curiosa de saber se, nas próximas eleições, o CDS vai conseguir eleger alguém. Se calhar não. Se calhar, o CDS já era. O pernão não funcionou, o vestido dos kiwis também não, a peixeirada também não, o mostrar folhas com desenhinhos  na Assembleia também não, a votação no penteado também não, o falar pianinho também não, o ter diarreia de ideias também não. Bolas. Ou melhor: bola. Zero. 

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E agora uma coisa boa


E até já.

terça-feira, julho 09, 2019

Uma coisa é certa: entre o Rui Rio e o Snowball eu votaria, sem dúvida, no Snowball


Acredito que o Rui Rio não seja má pessoa de todo, acredito que, no cômputo geral, não tenha sido um péssimo presidente de Câmara, acredito que, à frente do saco de gatos que é e sempre foi o PSD, ele nem seja dos piores que por lá passou. Mas é daqueles erros de casting que não dá para disfarçar.  Acho que é daqueles casos em que um assessent lhe iria mesmo a calhar, para ver se atina com as coisas em que se mete. Por exemplo: poderia eu ter uma brilhante carreira como cantora de ópera? Claro que não, não levo jeito nem para o Ó Rama, ó que linda rama, quanto mais para a Carmen ou para a Butterfly. Está bem, está. Mas, lá está, tenho noção disso. E é, justamente, dessa noção de que Rio carece.

Como manga de alpaca, o Rui Rio estaria óptimo: ninguém teria nada a dizer, ninguém se demitiria, ninguém vinha dizer nada para os jornais, não haveria artistas e intelectuais a queixarem-se ou vice-presidentes a demitirem-se, chingando o pobre coitado de ditador, de ser um orelhas moucas, um centralizador e o escambau. Agora nas aventuras em que ele se mete, claro, só dá barraca. Uma falta de jeito que dá pena. Farto de ser conotado com uma bota de elástico, agora resolveu armar-se em modernino e pimbas: correu com toda a malta, não ficou pedra sobre pedra. Ã frente das listas só malta jove (assim mesmo: jove, sem m no fim), desconhecidos, putativos falcoezinhos, jotinhas recém nascidos, imberbes e deslumbrados, já todos a defender o planeta e o ambiente e essas causas que, de repente, ficaram in. Ou seja, foi ao partido e fez uma razia: nem autarcas, nem barões, nem malta que anda há anos e anos a dar o corpo ao manifesto. Tudo para o lixo. E nem digo que isso é bom ou mau porque laranjadas misturadas com sacos de gatos é coisa que não me assiste, não opino, nas tintas. Só digo é que percebo que a malta que dá votos se sinta renegada. Desapareceram do filme, da foto de família: uma limpeza soviética, uma lavagem a la Mao, coisa radical, photoshop feita com lixívia. Portanto, como é bom de ver, essa malta que foi de asa não vai descansar enquanto não fizer a folha ao manguitas de alpaca que, como é bom de ver, não vai ter como defender-se. Não tem trunfos.

É que aposto que, no meio daquela estonteante falta de jeito, nem é bom de dança.


Snowball, the cockatoo, esse, sim, é um caso, um exemplo. Não apenas dança ao som da música que ouve mas, na verdade, adapta a coreografia, fazendo passos elaborados e surpreendemente ajustados. Dezasseis tipos de passos. 

E, vendo-o, penso: ainda há quem se sinta o rei da cocada preta, desdenhando dos outros animais. Eu gostava de ver quantos desses narcisos enfatuados que por aí andam seriam capazes de competir com esta catatua.

Não sei o que é que a habilidade de Snowball diz sobre a parasitária espécie humana (vide o que um/a leitor/a simpaticamente aqui deixou no outro dia: "Humanos são praga no planeta", diz David Attenborough) mas a mim deixam-me com vontade de mostrar este vídeo a um certo pé de chumbo que eu cá sei, a ver se aprende. Talvez se enchesse de brios e me puxasse para o tango a preceito. Mas, cá para mim, não é só a mim que o catatuo seduz. Ah não deve ser, não.

E uma coisa é certa: se o Rio e o Snowball forem a votos, até me filio no PSD só para ter o prazer de votar no cockatoo. E, no fim, a ver se não era ver o Rio a sair pela porta dos fundos e o Snowball a subir ao palco em passo de dança. Ai não, não.

segunda-feira, maio 27, 2019

As Europeias 2019 em Portugal:
breve balanço à moda da UJM


Bem. Já falaram todos os líderes partidários e o Presidente Marcelo já rematou e, portanto, está na altura de eu me pronunciar. Há bocado já tinha botado faladura mas foi sobre sondagens. Agora já posso basear-me em factos. Para isto não ficar longo para além da conta, vou cingir-me aos que terão assento no Parlamento Europeu. O Sande e o Santana, o Rui Tavares, o Arrocha e o Ventura talvez sejam vistos num outro dia.

E, sobre os cinco contemplados de hoje, o que me ocorre dizer é que:


1. O Ambiente está na ordem do dia e ainda bem. A Europa está a acordar para a necessidade de salvar o Planeta e isso é mais do que bom, é vital. E presumo que o aumento dos votos no PAN também vá nesse sentido. Já confessei que não conheço o programa nem a actuação do partido mas provavelmente devia informar-me melhor. Ouvi há pouco o líder do PAN, de quem nem sequer sei o nome, e gostei de vê-lo, quer na indumentária quer no que disse. Não falou muito mas, no pouco que disse, não detectei disparates -- e isso não é despiciente. Será partido a seguir pois aparentemente tem sabido captar e interpretar a preocupação geral com o clima, com a sustentabilidade do planeta. Para mim foi uma surpresa.


2. O resultado do CDS enquadrou a ambição aparvalhada de Cristas. Sempre a apregoar que é a verdadeira líder da oposição e candidata a primeira-ministra, o país mostrou-lhe que, quanto muito, lhe arranja um lugar como porteira. Sempre desagradável, sempre armada em boa, sempre acusatória e agressiva, sempre a mostrar que não se enxerga, Cristas foi relegada para um lugarzinho entre a CDU e o PAN. No discurso mostrou-se a modos que meio desorientada, sem perceber bem qual o tom a usar. Humildade não é com ela mas deve ter começado a perceber que quem nasce para lagartixa nunca chega a jacaré. Foi Nuno Melo que assumiu claramente a derrota mas no meio do entusiasmo dos agradecimentos já todos aplaudiam como que esquecidos de que não tinham grande motivo para palminhas. E eu só penso numa coisa: baldas como é, se o Melo já antes era um faltista de primeira, agora que vê o partido a esboroar-se e farto de por lá andar, é que vai ser lindo. Nas legislativas o desastre deve repetir-se.


3. O resultado do PCP foi fraco e o discurso de Jerónimo de Sousa foi deslocado. Falou como se estivesse em campanha para as legislativas e não a acabar de sair de mais uma derrota eleitoral. Tentei perceber qual era a dele mas não captei: quase como se quisesse desvalorizar o que tinha acontecido e, para desviar as atenções, se pusesse a aproveitar o tempo de antena para vender o peixe dele. Mas não fez sentido. Desvalorizar a importância do Parlamento Europeu e escamotear o mau resultado só lhe fica mal. Dá ideia que são zombies, que estão em extinção e não percebem. Mas, digo de novo: dá-me pena. Há no PCP gente nova, com qualidade. Mas, enquanto não se libertarem do pesado lastro do passado, das raízes históricas que o tempo tem provado não darem planta que dê bom fruto, não irão a lado nenhum. O PCP continua agarrado a um sindicalismo que já representa apenas uma pequena parte dos trabalhadores, agarrado a uma conversa antiquada, onde campeiam também amizades que cerceiam a liberdade necessária para se modernizarem. Ou o PCP consegue libertar-se dos velhos do Restelo ou irá fazer companhia à Cristas.


4. O resultado do BE foi bastante bom. Já é o terceiro partido. Como disse há pouco, penso que o deve sobretudo à Marisa que não regateia afectos, abraços apertados, beijinhos a rodos. Com a Cristas e o seu compangnon de route sempre a despejarem provocações, insultos, trocadilhos a destilar fel e uma agressividade inusitada, o País preferiu desviar dali o olhar e focar-se nesta dupla feminina que não ofende, não insulta, não agride e, pelo contrário, distribui sorrisos, ternura e compreensão. Já o disse muitas vezes e repito: o BE tem mérito e tem apresentado boas propostas. Mas Catarina Martins tem uma pulsão populista, dizendo e oferecendo o que os seus ouvintes querem ouvir, e omitindo a impossibilidade de cumprir o que promete sem ir prejudicar outros, ou, outras vezes, bramindo contra incertos (ou contra banqueiros ou capitalistas em geral), sabendo que, com isso, colhe votos. Têm também provado que não olham a meios para atingir os fins, chegando a ser desagradavelmente desleais. Têm contado com a benevolência de António Costa que, assim como assim, tem preferido pôr-lhes a mão por baixo pois mais vale tê-las por perto do que saírem por aí, numa clara deriva populista. Claro que, se isso acontecesse, o eleitorado veria de que é que a casa gasta e o sex appeal do BE minguaria, passando a haver mais pessoas disponíveis para outras ofertas populistas que surgissem -- e é isso que o Costa (e o Prof. Marcelo) quer, e bem, evitar. O BE tem ainda a favor o de ser um partido marcadamente feminino -- Catarina Martins, Marisa Matias, as gémeas Mortágua -- e o País estar disponível para ver mulheres em lugares de poder, coisa na qual os outros partidos deveriam pensar.


5. Sobre o PSD nem sei bem o que dizer. Um disparate pegado, aquilo ali. O Rangel, coitado, esse trauliteirozito, um caceteirozito que, à mínima, fica histérico, é o que é -- e, quando as pessoas são assim, a responsabilidade não é delas mas de quem não o percebe e as convoca para coisas para as quais elas não dão. Alguém espera de uma galinha que ela suba às árvores e desate a pipilar lá de cima? Piada teve um jornalista que, no fim, querendo referir o tom irónico de alguma coisa que o Rangel tinha dito, disse erótico. E, a seguir ao erótico Rangel, que se apresentou sozinho, num cenário desolado, apareceu, então, o macho alfa do partido. Espadeirou à esquerda e à direita, distribuíu canelada, desatou à cabeçada. Não sei bem contra quem em particular pois vi o Rui Rio furibundo, enraivecido, com tudo, inclusivamente quando alguém lhe perguntou se achava que tinha condições para se manter à frente do partido. Ficou a mais de 10% de distância do PS e ficou claro que o País não tem saudades de quem tratou mal os portugueses sem que, com isso, tenha feito bem ao País. Enquanto Rio espumava, mostrando que não sabe ser empático, a plateia mostrava um conjunto de pessoas que vem dos tempos do cavaquismo ou do passismo. O PSD é outro partido que não tem sabido regenerar-se. É pena. Acredito que há muita gente decente que preferia ter um PSD mais arejado, menos preconceituoso, mais alinhado com os tempos modernos e que há-de estar a desesperar por ver o tempo a passar sem que a renovação aconteça. A continuar assim, nas legislativas ainda será pior. Rui Rio já está nitidamente a prazo.


6. O PS ganhou e não foi por poucochinho, foi por uma diferença expressiva mas, ainda assim, não espectacular. Digamos que ganhou bem e com justiça. E o discurso de ambos, Pedro Marques e António Costa, foi de natural alegria. Mostraram ter os pés na terra e a ambição de quem sente que há ainda muito caminho para andar. Contudo, para que se afirme com mais energia, o PS tem que saber limpar algumas nódoas que ainda lhe sujam a lapela. Como todos os grandes partidos com implantação nacional, regional e etc, e com anos de poder a todos esses níveis, o PS tem dentro de si, como o tem o PSD, um historial de amiguismo. Não haverá tantos caciques como entres as hostes laranjas mas há ainda alguma daquela lógica corporativista que desagrada aos eleitores. Deveria trabalhar para poder ostentar na lapela o emblema da ética e da honradez a toda a prova. E, sendo os tempos de mudança, com desafios de vários tipos e todos eles complexos, o PS deve saber abrir-se à sociedade. E deve cativar os jovens, muitos jovens. E deve saber atrair gente que saiba pensar, gente que saiba interpretar as preocupações e os anseios de hoje e de amanhã. E deve atrair mais mulheres. Quer dentro de portas quer na Europa, o PS deve saber aproveitar o voto de confiança dos portugueses e surgir como um partido com quem se possa contar para construir o futuro.

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E todos os partidos têm que saber falar às pessoas sem arrogância, não tratando as pessoas como se fossem crianças ignorantes, não cavalgando ondas e populismos. E todos têm que limpar do seu seio tudo o que seja duvidoso, oportunista, pouco sério. Um dos grandes inimigos da democracia é a abstenção e a abstenção alimenta-se do desalento que vem de as pessoas acharem que 'é tudo igual', que 'andam todos ao mesmo'. E esse deverá ser também o trabalho de Marcelo: em conjunto com os partidos, mobilizarem os eleitores. Que reflictam nas formas criativas e eficazes de trazer as pessoas para o debate público, para a intervenção política, e que consigam que, nas próximas eleições, já seja visível uma maior participação -- isso é o que desejo.

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Coloquei aqui pinturas de Botero porque foi o que me ocorreu. A política é uma coisa séria mas não tem que ser vista de forma ensimesmada.

E, pronto, já disse o que tinha a dizer. E, assim sendo, com vossa licença, vou sair daqui a dançar em pontas para ir pregar para outra freguesia.


E a todos desejo uma semana em grande, a começar já por esta segunda-feira.

sexta-feira, maio 10, 2019

Pedir ao Rui Rio que tenha juízo e esteja calado é a mesma coisa que pedir a uma galinha que declame Camões


E isto parafraseando Rui Rio que não pára de dar tiros nos pés, tendo agora dito esta coisa fantástica: Pedir ao PS que vote é o mesmo que pedir ao perú que vote no Natal.

E, dizendo isto, parece que ainda não percebeu uma coisa tão simples: se o PS acha que não há condições para integrar os nove anos, não sei quantos meses e não sei quantos dias (de professores e de todos quantos foram prejudicados com a crise) já que isso geraria saltos remuneratórios não compagináveis com o equilíbrio das contas públicas, então, não faz qualquer sentido definir travões. Travões põem-se a alguma coisa que esteja em movimento não a uma que não deve avançar.

Mas, se ele não percebe, eu explico com um exemplo: se eu acho que o Rui Rio, por condições intrínsecas dele, nunca vai poder ser um bom primeiro-ministro e, portanto, jamais votarei nele, então não faz sentido votar uma coisa a dizer que uma das condições para ele exercer o cargo de primeiro-ministro é, por exemplo, cortar o cabelo.
[Não que não lhe fizesse bem cortar aquele cabelinho amontoado na nuca, entre o escorrido e o antiguinho -- só que não seria isso que alguma vez na vida poderia fazer com que ele conseguisse, algum dia, vir a ser um bom primeiro-ministro]
E eu que tenho andado a dizer que, face ao período eleitoral, o PSD tão cedo não vai poder ver-se livre do Rui Rio, já começo a achar que, com tudo o que ele anda a dizer, destratando os deputados da sua bancada parlamentar e envergonhando e irritando tudo o que é genuíno social-democrata, ainda corre o sério risco de correrem com ele de qualquer maneira, à pressa, a trouxe-mouxe, e adeus ó vai-te embora.

É ele e o Nogueira, esse emplastro sindical que, de repente, passou a incomodar até a esquerda, mormente o PCP. Ainda vão é sair os dois da vida pública ao mesmo tempo, de braço dado.

quinta-feira, maio 09, 2019

Mário Nogueira vai sair da Fenprof e do PCP?
Sigilosamente, conto-vos qual a relação entre isso e o silêncio de Marcelo.
E explico ainda porque acho que Rui Rio anda a fazer-se de parvo


Estou a pé há umas vinte horas e, pelo meio, já tenho umas centenas de quilómetros, um (belíssimo) almoço volante, reuniões, cavaqueiras e o mais que quiserem.

E o que posso assegurar é que malta que tenho por próxima do BE (e que, por acaso, se resume a uma pessoa) e muita malta que sei que é de direita (e aqui coloco no mesmo saco PSD e CDS porque, do que lhes conheço, é por aí que votam -- e isto, em alguns deles, por não haver partido apresentável ainda mais à direita) estão todos furibundos com esses partidos. Mas ponham furibundos nisto. Coisa na base do desprezo profundo. Mais -- e posso afiançar-vos que é a pura verdade -- todos tiram o chapéu ao Costa.
Ainda me lembro de um deles, há algum tempo, estar a falar-me de um artigo do Observador e eu lhe dizer: 'Não costumo ler, é muito conservador para o meu gosto'. E ele, figura de referência na classe empresarial portuguesa, direita assumida: 'Mas sabe que eu sou conservador, não sabe?' 
Hoje, enquanto o ouvia, só pensava: 'Ui... quem te viu e quem te vê...'

Logicamente hoje não consegui ler jornais, não ouvi notícias e só há pouco, aqui chegada à sala, ao passar por um canal (SIC?), ouvi o Mário Nogueira a falar do que o Carlos Carvalhas terá dito a seu respeito e da sua própria posição sobre manter-se ou não no sindicato (e no PCP?). Não ouvi mais porque o meu marido ao vê-lo, pegou no comando e, a modos que zangado comigo, exclamou: 'Eh pá, o que isto?! Nem pensar! Este gajo é que não'

E eu que não sou prima da Maya, cunhada da Maria Helena, neta do Zandinga, comadre do Paulo Cardoso ou afilhada da pombinha do Espírito Santo o que posso dizer é que, queira o Mário Nogueira ou não queira, vai ter que sair do sindicato. Escrevam. Há muito tempo que o digo. Mário Nogueira está a dar cabo da imagem dos professores e, pior, está a chantagear o Governo (qualquer governo excepto o do Láparo) e a intoxicar o ambiente político.

Pois bem. Tenho uma notícia off the record: fontes anónimas comunicaram comigo via telepatia para me transmitirem que o nosso ex-omnipresente Professor Marcelo fez uma promessa e só volta a aparecer quando a cena política estiver higienizada, mormente limpa do Mário Nogueira.

Esta do dito Mário Nogueira andar agora a pressionar os partidos e a instá-los a deixarem-se de politiquices terá sido a gota de água. Marcelo, cansado de tudo isto, terá pensado que não consegue coexistir social e institucionalmente com uma criatura destas que achincalha desta forma os partidos e a política portuguesa.

As mesmas fontes anónimas telepatizaram-se também comigo a propósito do Rui Rio mas isso Marcelo sabe que não vai poder ser já não apenas pelo período poli-eleitoral em que estaremos entre Maio e Outubro mas também porque não se perfila alternativa no PSD. Além do mais, Rio não estará oficialmente off mas, na prática, já só estará ligado à máquina. Por isso, Marcelo que é crente mas não é maluco, não reza o terço e faz promessas para pedir milagres impossíveis mas, tão só, actos simples de higiene básica. E, portanto, o foco imediato é o Nogueira.

Resumindo: fontes anónimas e que me exigem sigilo absoluto fazem-me saber que Marcelo anda a toque de novenas, velinhas acesas pelos corredores e altares, e diz-se até à boca pequena que ninguém se admire se vir alguém parecido com ele, de colete amarelo, boné, cruz na mão, a andar pela berma da Nacional a caminho de Fátima. 

Compreendo-o. Marcelo, para existir em todo o seu fulgor, tem que ter gente com um mínimo de qualidade no espaço político, tem que ter ar respirável, estar rodeado de decência e alguma elevação.

Gentinha como a Cristas que nem inteligência tem para se desdizer com alguma credibilidade, Rio que, com uma funesta falta de jeito,  faz de parvo* e, de caminho, abandalha e faz também de parvos os deputados do PSD, ou um baderneiro como o Mário Nogueira, que não tem cabeça nem categoria para lutar decentemente pelos professores, perturbam a paz de espírito do nosso ex-ubíquo Marcelo.

Por isso, porque o País não é o mesmo sem o afecto do nosso Professor, que se levante uma onda de fundo que convença o Mário Nogueira a desamparar a loja. E que alguém comece a ajudar o Rio a ir já fazendo as malas. Quanto à Cristas, é capaz de dar jeito que continue: assim como assim, uma peixeira descerebrada pode ter, de vez em quando, alguma utilidade.

* Faço uma pergunta para exemplificar o que me leva a dizer que o Rui Rio se faz de parvo: 
Dizendo ele que só aceitaria considerar a integração de todo o tempo de serviço se houvesse um crescimento económico que o permitisse, e fala na miragem dos 10%, pergunto o que faria ele se o crescimento ano ano seguinte viesse abaixo disso. No ano seguinte, os professores devolveriam o que tinham recebido a mais no ano anterior? Voltavam a receber o que recebiam antes da integração desse tempo?
Irreal.
Diz também ele que, como reconhece que é impossível haver um crescimento de 10%, poderia pensar-se em diminuir a idade da reforma ou trabalharem menos horas. E eu pergunto ao economista Rui Rio: Isso não tem custos? Não teria que ter mais professores para compensar o menos tempo de trabalho dos mais velhos?
Brincalhão.
Como acredito que parvo ele não é, concluo que está a fazer-se de parvo. No mínimo.


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Como é bom de ver, as fotografias, respectivamente de Ezra Miller e Jared Leto na Met Gala 2019, não têm nada a ver com o texto. Ou então têm. Sei lá.

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A recomendação que visitem o em boa hora regressado Histórias de Nós -- que escreve histórias pedidas por nós -- também não vem a propósito do Nogueira, do Rio e etc. Mas visitem-no e peçam-lhe uma história que o resultado é bom de se ver. Vão por mim.

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