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domingo, janeiro 06, 2019

As implacáveis Procuradoras: a Santa Mana Joana e a Manuela Boca Guedes
[E Marcelo e Bolsonaro e o tal da TVI que convidou um criminoso fascista e etc]





De passagem pela SIC vejo anúncio à Procuradora Manuela Moura Guedes. Espuma raiva. Acusa, condena, decreta penas. Implacável. Com ela não há inimigos que lhe escapem. Não precisa de provas nem de contraditório. Com ela é assim mesmo: chateaste-me, já dançaste. A cartilha lida, o destino traçado num piscar de olhos, num retorcer de boca.

Foi-se a Santa Mana Joana e ficou a Moura Guedes. Estava a vê-la e a pensar na implacável Santa Mana a quem também ninguém escapava. Só escapavam os que, lá de dentro, enviavam informação, gravações, vídeos e o que calhasse para o Correio da Manhã e Lixeiras associadas.

No pontificado da Santa Mana, muita gente tombou. Gente importante. Tombaram e todos nós assistimos ao seu tombo. Vimo-los humilhados. Era chegado o tempo de dar cabo dos corruptos. Lemos as transcrições, ouvimos as gravações, vimos imagens que comprovavam que eram culpados. Corruptos da pior espécie finalmente vergados. A Santa Mana até foi canonizada em vida, tantos os seus bons feitos: com ela não ia ficar pedra sobre pedra e pena era que não ficassem logo presos mal os investigadores lhes punham os olhos em cima.


Até que agora veio o desfecho de um caso, o dos Vistos Gold. Afinal quase todos inocentes, os processos sem ponta por onde se lhes pegasse. Entretanto, durante anos a vida destas pessoas devassada, a vida pessoal e profissional sacrificada. E por nada. Apenas porque a Santa Mana e a sua malta resolveram que sim. 

Arrependimento pelo que vão destruindo à sua passagem? Estou em crer que nenhuma. São implacáveis, estas duas Procuradoras. Estão bem uma para a outra. Com elas não há inocentes, só culpados, e ainda bem que elas estão atentas e são como são.

Um dia destes a Procuradora Boca Guedes voltará à política. E será bem sucedida. Todo o palco que a SIC lhe está a dar é uma boa rampa de lançamento. Haverá muita gente a achar que sem elas os corruptos continuariam à solta. Há que ter Procuradoras justiceiras e poderosas para que o mundo fique mais limpo. Se, pelo meio, destroem uns quantos inocentes, azarinho.


Entretanto, na TVI um tolo que não faço ideia quem seja resolveu levar um criminoso com ideias racistas e fascistas a divulgar as suas ideias. E há quem ache que isso é liberdade de expressão. Um dia destes, alguém dará mais um passo e convidará o criminoso a ter presença cativa num programa de televisão, que é um lugar bom para lançar na política os alarves, os boçais, os populistas. E, se for a votos, capaz de muita gente votar nele, não sabendo ou não querendo saber dos seus antecedentes, e achando que ele é dos bons, que diz as verdades, que é justiceiro, que é dos rijos.


E há também aquilo de Marcelo 'normalizar' o bronco e perigoso Bolsonaro, tratando-o como irmão e dando um passo maior de aproximação, convidando-o a visitar Portugal. Dadas as circunstâncias históricas e dadas as comunidades de portugueses lá e de brasileiros cá, que mantivesse um relacionamento diplomático discreto parecer-me-ia razoável -- mas que Marcelo não tenha arranjado uma forma diplomática de se demarcar das ideias anti-democratas de Bolsonaro deixa-me francamente incomodada.


Caminhamos sobre areias movediças. Há perigo rondando as nossas vidas e vem de onde menos se esperaria -- das instituições que deveriam zelar pelo cumprimento da lei e que, afinal, em puros exercícios de paranóia ou vingança dão cabo de muita gente, dos órgãos de comunicação social que promovem difamadores, demagogos, fascistas, de políticos que elegemos sem cuidar de escolher bem. A  qualquer momento um inocente pode ver a sua vida desgraçada sem nada de mal ter feito. As instituições democráticas são frágeis.

É obrigação de todos nós e das instituições que nos representam zelar activamente pela qualidade e sustentabilidade da democracia. E isso tem que começar a ser ensinado e praticado nas escolas, desde a infantil ao ensino superior (no dia em que isso acontecer, de certeza que praxes humilhantes acabam naturalmente -- só para dar um exemplo) e também é bom que comecem a existir, nas estações públicas, programas (criativos, interessantes) que ensinem e fomentem a cidadania livre, exigente, democrática. E é bom que os deputados se debrucem sobre todos estes riscos e engendrem formas de os evitar ou, pelo menos, mitigar.


É que uma coisa é certa: não podemos estar à mercê de Procuradoras como a Guedes ou a Vidal e é bom que por aí, em lugares de influência, não esteja gente estúpida, ávida de protagonismo ou ignorantes que abram a porta às serpentes que devoram a democracia. Nem devemos pôr-nos a jeito para que haja alguma vez o risco de virmos a ter por cá um anormal como o Bolsonaro ou o Trump. É essencial que nós, os inocentes, possamos viver uma vida descansada e que o país em que vivemos não seja um lugar perigoso.

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As imagens mostram trabalhos de James Turrell.

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E agora, caso ainda não estejam ao corrente, queiram ver a minha resposta muito a sério ao Anónimo e Meio. É já a seguir pelo que queiram descer um pouco mais.

terça-feira, outubro 16, 2018

Manuela Moura Guedes, uma procuradora que está a tornar a SIC uma bandalheira.
Do caraças também a zaragata entre a Raquel Varela e a Isabel Moreira nos Prós e Contras em torno do #MeToo.
E até lá vi um artista a insinuar que quando quero dar um beijinho a um dos meus pimentinhas estou a assediá-lo e a abrir a porta a futuras violências domésticas.
Foge. A televisão está a tornar-se um verdadeiro manicómio.


Isto, depois dos flamingos, é dose. Mas acho que tem que ser. Eu não queria. Mas sinto que é uma questão de dever. É que estava eu escrevendo sobre aqueles passarinhos cor-de-rosa armados em bailarinas de can-can de perninha de canivete e, na televisão, um pesadelo.

Já antes, ao jantar, querendo paz e sossego, sem querer, fomos dar com uma procuradora a fingir, uma jararaca armada em populista, pré-candidata a qualquer coisa. E atenção ao sinónimo de jararaca porque isto não foi metáfora, não, foi mesmo alerta. Já avisei antes: quando se traz um ovo de serpente para o ninho e se aceita chocá-lo é só esperar a hora em que o bicho vai partir a casca e desatar a sair por aí espalhando veneno, mordendo incautos, fazendo vítimas.

Foi uma luta, incluindo comigo mesma. Queria perceber a dimensão da porcaria que estava a ser aquele espaço de comentário mas, por outro, fui incapaz de suportar tão nauseabundo espectáculo. Não se consegue ver uma coisa assim: é mau demais. Não são apenas os trejeitos, a desbragada desbocagem, os olhares de doninha matreira: é o linguajar, o querer ter a fala do povo, é o avacalhamento da análise política. Se daqui por algum tempo se apresentar a votos, vai ter votos. Haverá sempre gente ignorante que vai achar que ela é frontal, que não tem medo, que vai pôr os safados na linha. E, sabido é, gente ignorante não sabe votar, só sabe é dar tiro no pé. A base eleitoral dos populistas é a gente que eles vão 'fornicar' em primeiro lugar. Cordeiros inocentes.

Vejo o ar apatetado do Rodrigo Guedes de Carvalho e tenho pena. Aposto o que quiserem em como deve interrogar-se mil vezes se tem mesmo que aturar aquilo. Estar ali a fazer o triste número de compère com aquela mulherzinha mal informada e, do que se percebe, mal formada é coisa que uma pessoa decente como o Rodrigo não deveria ser obrigada a fazer. Se alguém da concorrência quer ir buscá-lo é agora a altura certa. Estar ali, no jornal da noite, a dar palco a uma pessoa como a Moura Guedes suja qualquer carreira pelo que acredito que ele esteja mais do que disponível para se mudar para ambientes menos poluídos.

A SIC acha que contratando gentinha como a que tem vindo a contratar -- gente que diz mal gratuitamente de tudo, mesmo das coisas boas, gente que manipula, distorce, 'abandalha' a conversa por tudo e por nada -- vai ganhar audiências, mas daqui aviso: engana-se. Para bandalheiras já há outros canais e, mal por mal, quem gosta mesmo de bocas javardolas, prefere atascar-se na lama a sério. É que, parecendo que não, ter ali o Rodrigo Guedes de Carvalho de ar acabrunhado ainda nos faz perceber que aquilo ainda não bateu completamente no fundo e ainda nos dá alguma esperança que ele, em directo, um dia ainda se levante, atire com os papéis ao chão (os papéis ou o iPad) e diga alto e bom som: 'Bardamerda para o populismo'.

Não consegui ver toda a intervenção da dita procuradora. Não aguentámos. Aquilo é mesmo abaixo da linha de água, aquilo é mesmo uma vergonha.

E, tendo feito zapping à Bocas Moura Guedes, eis que, passado um bocado, chego à sala e dou com um duelo de titãzitas: Raquel Varela e Isabel Moreira em animada zaragata por causa do #MeToo. 

Na assistência, uma criatura do sexo masculino de longa e lisa cabeleira, óculos redondinhos e ar a atirar para o alucinado saíu-se com uma de que a violência começa logo com a família a fazer com que as crianças sejam vergadas a ponto de darem beijinhos às avós. Se estivesse ao pé dele dava-lhe logo um puxão de cabelos. Criatura mais doida. Ou teve uma avó com bigode à escovinha e verruga cabeluda cujos beijos o deixaram traumatizado até hoje ou foi assediado por alguma velha que lhe fazia lembrar a avó. Só pode. 

No balcão, uma senhora loura, vestida de branco e uma rosa encarnada e espumante ao peito, mostrou-se logo insurgida. Béu, béu, não sei quê. Não sei quem era nem ao que ia mas, pelo ar e pelo tom de voz, palpita-me que seja do movimento Pró-Vida. Se bem que não sei o que é que o Pró-Vida tem a ver com o MeToo. Na volta são movimentos rivais e aquilo ali era mas era um campeonato.

No meio disto a Isabel Moreira, irritada com a Varela, já mal escondia a raivinha estrepitosa que subia dentro dela. E a Raquel Varela, com aquela pose superior, mal disfarçando que dentro dela existe uma feroz fräulein, uma dominatrix de bota de tacão e chicote na mão, levantava o queixo e lançava farpas venenosas às virgens ofendidas encabeçadas pela Moreira.

Não sei quem ganhou porque fugi dali a sete pés. 

No meio daquela luta de galinhas -- rapaz de longa melena incluído -- não faço ideia quem ganhou nem sei bem qual a causa que aquelas ali defendiam. Penso que a Raquel é mais da linha ajoelhou tem que rezar e a Moreira é mais na base do querido foi tão bom até aqui mas agora já chega, faz favor de sair

Também estava lá um senhor com alguma idade e uns papos nos olhos que percebi que devia ser psiquiatra e que, do que vi, atirou algumas ao lado. Mas, lá está, no meio daquela confusão, não sei se a ideia não era mesmo atirar bolas para o pinhal. Só sei que, às tantas, um jovem, não sei se cientista, mostrou umas folhas, uma por cada assediador: um cientista rodeado de mulheres que me pareceu que tinham pouca roupa e um glaciar ou nem sei bem o quê que até mudou de nome para evitar conotações assediantes. Parece que o padrinho que lhe tinha dado o nome tinha tentado meter o bedelho onde não devia. 

Uma maluqueira pegada.

Também reparei na Fátima Campos Ferreira: estava atónita e sem conseguir ter mão naquele cri-cri todo que para ali ia. Dá para perceber. Eu ainda tinha um comando para fazer zapping mas ela, coitada, teve que gramar aquele descabelamento até ao fim. 

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Salvou-me a noite o Zé de Abreu. Anda a dar um belo abre-olhos à tonta da Regina Duarte -- que deve estar toldada das ideias para apoiar o palhaço Bolsonaro -- e não se deixa papar pela safada da Carola e pelo inútil do Remy. 

E disse.

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E queiram deslizar e ir de visita até a um exército de flamands roses. Uns verdadeiros galãs que sabem ter graça na forma como se exibem. 

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sexta-feira, setembro 28, 2018

Agora que a Santa Mana Joana está de saída, eis que chegam à ribalta duas santinhas new wave, as duas divas maiores do showbiz --
Lady Cri, a Princesa das Audiências do Povo, e Manu, a desbocada Cruella Moura Guedes que tem sempre muitas contas para ajustar



Eita, cena mais benta. Vozes ao alto. Logo agora que o altar estava em risco de ficar sem santas, com a Mana Joana a deixar o casal Mariani e o seu pet, o Láparo, sem terem a quem acender velinhas, vem o canal do Tio Balsas e, de uma vezada, resolve saciar a fé deles e demais povão. Vozes ao alto. 

Começou com a Santa Cristina, AKA Sta Caga-Milhões, a new Princesa do Coração dos Anunciantes e do Povo, a prometer animar a malta com muitos desmanchamentos de sisudos e outras surpresas e continua com a Bocas Moura Guedes, comentadeira de notícias e alimentadeira de polémicas de faca e alguidar. Temos santinhas no altar, o povão já pode rezar, fazer votos, pagar promessas, confessar-se, aprender o caminho para o céu. As audiências vão começar a subir, ah isso vão. 

Não tardará muito até termos a Boca Guedes a dar entrevistas à Caras, depois os intelectuais da Passadeira Vermelha a comentar as entrevistas da Bocas, depois o ilustre académico Casanova, essa misteriosa e pessoana criatura, a comentar o carnaval televisivo que há-de galopar a passos largos (pardon my french, que é como quem diz, relevem o equídeo pleonasmo) a caminho do refugo total. Um circo. Com sorte também vão repescar o Marinho Pinto, o Zezé Camarinha, a Maria Leal, o Paulo Futre (esse conceituado andrologista) e outras grandes figuras do mediatismo tuga para terem o seu próprio programa.

E porque a Senhora Directora Cristina gosta de desconstruir e surpreender, não me admiraria nada que ainda fosse desestabilizar as Manas Carmelitas que estão em silêncio há anos e as pusesse a desfilar em biquini ou a cantarem rap ou que a próxima contratação fosse essa sumidade da intelectualidade religiosa, esse artista que assentou arraiais no coito dos Cavaquistas & Laparistas Encostados, AKA Observador, o Pdre Portocarrero de Almada e lhe dessem canal, pondo-o a comentar as toilettes e penteados das deputadas do Bloco de Esquerda, do PCP e demais esquerdas reunidas (obviamente pouparia a Madame Cristas, essa devota da Nossa Senhora dos Manda-Chuvas e outras individualidades que publicamente já tivessem dado mostras de grande devoção)


Também penso que estamos a caminho de ter telejornais da noite ditos por stripteasers (machos e fêmeas, quiçá até por híbridos como o famoso Carlos Costa (não o do Banco de Portugal porque esse não dá canal)), por ter a Quadratura do Círculo animada por back dancers e sorteios de dinheiro entre quem telefonar e acertar em perguntas simples formuladas pelo Pacheco Pereira ou o Eixo do Mal, não com aqueles paineleiros vintage que já são muito déjà-vu, mas por malta com sangue novo como, por exemplo, e é mesmo só por exemplo, a Carolina Patrocínio, o Cláudio Ramos, a a Georgina Rodriguez, o saudoso Bruno Maçães e, para dar conteúdo intelectual à coisa, o não menos saudoso Lombinha dos Briefings. Tudo devidamente moderado e apimentado pela Madame Bocas Guedes. Claro está.

Boa. Ainda há uma fatia de pizza!
Efe-Erre-Á! Á!

(Imagens photoshopadas por Hayati)

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Só boas notícias. Por isso, aleluia, irmãos, aleluia! Vozes ao alto. Cantemos. 

(Eu, se fosse a Princesa Cri, contratava já este jovem altamente promissor para ir abrilhantar o noticiário da noite. Qual Rodrigo? Qual Clara? Pelo amor da Santa... esses já eram)

Aleluia


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Não sei se depois de notícias tão estaladiças e pipoquentas terão vontade de tigres.
Se tiverem, Borges poderá levar-vos pela mão.

sexta-feira, maio 11, 2018

Só uma pergunta:
a diligentíssima Santa Mana Joana já seguiu as orientações da pura donzela que dá pelo nome de Manuela Moura Guedes e já começou a investigar o seu antecessor Pinto Monteiro?



Só a ficção poderá um dia descrever o que a SIC, o Correio da Manhã e demais avençados andam a fazer, ressuscitando mortos, desencantando fantasmas e fantasiando de jornalistas toda a espécie de figurantes e ressabiados.
[E, para que não subsistam dúvidas, uma vez mais repito: que quem for julgado culpado -- pelos Tribunais e não pela justiça popular -- seja condenado. E chamo a atenção: não é isso que, neste meu humilde texto, está em causa. O que está em causa é a tentativa de atropelo aos valores mais basilares do Estado de Direito, criando na opinião pública o sentimento de que os Tribunais são desnecessários uma vez que a verdadeira condenação é a que acontece na praça pública. Perigoso isto.]
Só a ficção poderá reproduzir a sanha desenfreada a que se assiste. Galinhas destravadas, desbocadas a preço de saldo, patetas que se julgam ilustrados, dâmasos e manos costas de braço dado -- de tudo tem vindo a terreiro para saltar a pés juntos sobre quem está na mó de baixo. De repente, um único homem arca com todas as culpas do universo e todos os que o tocaram são postos sob escuta, sob suspeição. Todos. Os que parece que fizeram, os que podem ter feito, os que alguém acha que gostavam de ter feito, os que se pensa que gostavam de um dia poderem fazer, os que ninguém sabe se não fizeram, os que talvez tenham tido um sonho em que pareciam que estavam a fazer, os que juram que nunca fizeram mas sabe-se lá se fizeram, se não fizeram -- tudo suspeito, tudo condenado, tudo pronto para ir para a cruz, tudo pronto para ser apedrejado.

Um desfile de acusadores de pedras na mão.

E, cereja em cima do bolo, em horário nobre, a mega-bocas, a injuriadora-mor, a desbocada Moura Guedes é alcandorada ao balcão da SIC para mostrar a mal contida raiva, para clamar por ainda maior vingança -- e, para tornar ainda mais divertida a ópera bufa, enquanto louvava a Santa Mana Joana,essa eficientíssima magistrada, lança o repto de mandar investigar Pinto Monteiro. Nem mais.

Pena que tenha deixado pelo caminho outros de quem poderia ter-se lembrado como o tal dos submarinos ou aquele de quem se falou aquando dos cartões gold ou o outro que ganhou uns oportunos e valentes cobres com acções do BPN ou os da Tecnoforma. E mais uns quantos. Mas desses a boca escancarada da Moura Guedes esqueceu-se. Pena. Pena.

Isto de que agora falo deu-se há dois dias e eu nem estava para falar no assunto. Mais que fazer. Mas agora, depois dos meus bem-amados bailarinos da areia e do Charlot, apeteceu-e encerrar o expediente com um verdadeiro número de burlesco e nada melhor do que falar em mais uma palhaçada da SIC, esta com a Boca Guedes.

Vamos ver quem ainda lá vão ter em horário Nobre. A Felícia Cabrita, talvez. Essa é que era. Quiçá, até, uma mesa redonda moderada pelo Dâmaso: a Felícia Cabrita, a Moura Guedes, a Lenita Matos e o Totó Miguel Tavares, mesa redonda essa, no fim, comentada pelo mano Costa. Boa?

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Mas vá, chega de burlesco em mau. Que entre o burlesco em bom.

Imaginemos, por exemplo, esses dois grandes admiradores do tal que agora todos querem espezinhar: a acima referida, a pura Moura Guedes, com o marialva José Rodrigues dos Santos. Imaginemo-los in love, unidos pelo ódio ao tal outro. Faz de conta que são estes aqui abaixo, Masokiss e Sven Inches. Apreciemos a sua arte.


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E agora permitam que vos aconselhe a continuar a deslizar porque abaixo é que estão os números de qualidade.

quinta-feira, janeiro 16, 2014

Teresa Caeiro está grávida? A que é que a Clara Ferreira Alves foi operada? A Clara Ferreira Alves é casada? A Manuela Moura Guedes tem a casa à venda? O Passos Coelho não tem vergonha na cara? A namorada do Hollande está grávida?


No post abaixo partilho convosco dois vídeos que, tendo já algum tempo, não deixam de ser relevantes como documentos que ajudarão a perceber melhor a nossa história recente. Ou não. Ou seja, ou são documentos históricos ou  peças de humor. Eu ainda não me decidi. Vocês ajuizarão.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra. Cusquice pura e dura.

*

Volta e meia, vou aqui às estatísticas do blogue e espreito as palavras que as pessoas colocam nos motores de busca e, através de quais, vêm parar aqui, ao Um Jeito Manso. Como já aqui o referi algumas vezes, os motores de busca, dos quais o google será o mas conhecido, utilizam algoritmos complexos que, pegando nas palavras que as pessoas escrevem, vão percorrer biliões de sites por todo o mundo, ordenando-os segundo a forma como o site parece corresponder melhor ao que a pessoa pretende com as palavras que escreveu.

Ora, sabendo isso, só posso concluir que ou o Google utiliza algoritmos cheios de bugs ou eu esqueço-me do que aqui escrevi pois a verdade é que é para mim um mistério o que aqui encontro.

Tirando as palavras-chave que percebo e, claro, que são em maior número ('um jeito manso', 'blogue um jeito manso', 'quem é a autora do blogue jeito manso'), as perguntas mais recorrentes da última semana são as que puderam ler no título da mensagem. Ora, quem aqui entrou à procura de respostas, não as encontrou pois eu, tirando uma, em relação a qualquer das outras, não faço ideia.

(Uma coisa é certa: muitas vezes soube que havia coisa através das palavras que usam para aqui chegar. As pessoas ouvem rumores, tentam confirmá-los no google - e, depois, ao fim de algum tempo, chega a confirmação).

Mas, então, para que as pessoas não se sintam defraudadas entrando aqui e não encontrando nenhuma resposta às suas dúvidas, vou pronunciar-me.


A Teresa Caeiro está grávida?


Não sei. Não estará apenas gordinha? É preciso não esquecer que estamos a sair das festas de Natal, Ano Novo, Reis. Além disso, o maridão gosta de cozinhar. O que sei (wikipedia dixit) é que faz 45 anos no próximo dia dos namorados e, portanto, se é para vir um maninho para o seu filho, terá que se apressar. Já o maridão, o Miguel Sousa Tavares, a vir aí bebé, tê-lo-á quando tiver 62 anos e sendo, provavelmente, já avô. Mas, enfim, esteja a Teggy grávida ou não, e apesar de ser do CDS, partido mal afamado, só desejo é que, entre ela e o marido, corra tudo pelo melhor.



A Clara Ferreira Alves foi operada? E é casada?


Também não sei responder a nenhuma das perguntas. O que sei é que, de facto, faltou a vários Eixo do Mal (não sei se compareceu ao último porque eu estava in heaven e lá só apanho os 4 canais generalistas) e, de cada vez que não estava, os colegas de mesa diziam que ela estava a recuperar bem. Também sei que não há-de ter sido nada de grave pois manteve as crónicas no Expresso, certinhas, direitinhas, com a qualidade de sempre. Seja como for, o que desejo é que esteja bem, que não tenha sido nada de grave. Gosto da forma frontal e lúcida como se exprime, quer verbalmente quer por escrito. Quanto a ser casada, não faço ideia. Que seja feliz - casada, solteira, viúva, divorciada ou amancebada - é o que lhe desejo.



A Manuela Moura Guedes tem a casa à venda?


Não faço ideia. Há muito boa gente a desfazer-se de casas grandes e caras cuja manutenção é onerosa e cujos impostos são proibitivos. Também conheço quem se desfaça de casarões e os troque por apartamentos mais pequenos apenas porque acha que já não tem idade para casas grandes e quase sempre vazias (pensam isso geralmente depois dos filhos saírem de casa). Não faço ideia do que se passa com a Manuela Moura Guedes no que à casa diz respeito (aliás, nem à casa nem a nada mais).



O Passos Coelho não tem vergonha na cara?


Devo dizer que esta pergunta é recorrente. Às vezes, em vez de Passos Coelho a pergunta refere-se a Paulo Portas.

Não conheço pessoalmente nenhum deles mas, do que me é dado ver, a esta acho que posso responder sem correr o risco de me enganar: acho que, quer um, quer outro, não têm qualquer vergonha na cara.

Nenhuma.



A namorada do Hollande está grávida?


Esta pergunta apareceu várias vezes ontem. Não sabia (e não sei) mas, de facto, fui pesquisar e parece que a imprensa diz que sim, que Julie Gayet está grávida de 4 meses. 


A ser verdade, o Hollande é mesmo uma fera, um touro, um ser apaixonado, um sedutor, um garanhão, qualquer coisa (porque qualquer coisa é, não me venham com coisas; não parece, nem se percebe o que seja mas, enfim, algum trunfo secreto ele tem).

Agora uma coisa vos digo: gostei da segurança dele na conferência de imprensa, sem expor a sua vida e sem se armar em santo, sem moralismos escusados. Não há dúvida que a França é o reino do amor, parece que ninguém consegue fugir a um belo e picante romance. Pois que sejam todos muito felizes é o que eu lhes desejo.


***

Recordo: desçam, por favor, até ao post seguinte pois há dois vídeos singulares (e mais não digo para não estragar a surpresa).

***

E, por hoje, fico-me por aqui. 
Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta feira! 
E animem-se, está bem? 

domingo, setembro 29, 2013

Afinal a Manuela Moura Guedes não fez cirurgias por razões estéticas mas sim porque tinha uma doença no rosto. E, por isso, aqui estou a reparar a minha incorrecção. E, de caminho, falo sobre uma coisa que escrevi no outro dia e que percebi que impressionou uma pessoa que me escreveu. Contra a solidão, a tristeza e as sombras que venha a luz e que cantem os three little birds. Haja alegria, minha gente.


No post abaixo falo do gnomo no jardim, ou seja, falo do artigo assim intitulado da autoria de Clara Ferreira Alves, no Expresso deste sábado, e que incide sobre o último livro de José Rodrigues dos Santos. Um artigo imperdível.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, reparo uma incorrecção minha e reflicto sobre uma coisa que, no outro dia, aqui escrevi.

*


Manuela Moura Guedes no Quem quer ser Milionário


Primeira observação: referi-me no outro dia ao regresso de Manuela Moura Guedes à televisão e às entrevistas que ela anda a dar por tudo o que é órgão de comunicação social. Não é pessoa cujo exercício profissional me agrade. Também me desagrada o tom que usa para falar e as expressões que faz, que me parecem descabidas. O tom de voz e os trejeitos quase anulam o que diz.

Mas referi-me às cirurgias plásticas que tem feito e que não a têm favorecido nada. Ora, em mais uma entrevista, desta vez no Expresso (as agências de comunicação a funcionarem em grande: arranjando publicidade através destas presenças), Manuela Moura Guedes refere que não foram cirurgias voluntárias mas sim fruto de uma maleita que a atormentou e que bastante mossa lhe devem ter feito pois diz que foi nessa altura que começou a tomar anti-depressivos. Diz que lhe apareceram quistos no rosto, que a deixaram deformada e que, na altura, teve que continuar a trabalhar porque as audiências estavam em alta, não podia deixar de aparecer. Imagino o tormento que deve ter sido. Teve que tirar os quistos, fazer infiltrações de corticóides. Acrescenta que só agora, com um médico iraniano, é que está a recuperar as suas feições.


Por isso, justiça seja feita: foi corajosa em ter continuado a expôr-se apesar dessa doença estranha e teve que ser também muito corajosa para suportar as observações desagradáveis referindo as operações plásticas quando, afinal, se tratava de uma doença.

E eu aqui, pela parte que me toca, reparo o meu erro.

*

Segunda observação: recebi hoje um mail em que se transcrevia um pequeno excerto de um texto escrito por mim, dizendo que, de facto, é assim mesmo que se passa.

O excerto é este:


As sombras não são boas companheiras, parece que sugam a vida. 

Aos poucos, a vida, destituída de luz, vai procurando mais e mais sombra, a matéria vai ficando rarefeita, apenas o silêncio já parece suportável. 

E depois já não são apenas sombras, já é um negrume que avança como irreversível gangrena.




Li a frase quase como se não tivesse sido escrita por mim. E assustei-me um pouco: tomara que estas minhas palavras não causem mais ansiedade em quem se sinta assim, rodeado por sombras. 

Não era essa a minha intenção. Muito pelo contrário, por eu achar aquilo mesmo que escrevi, é que tantas vezes aqui apelo a que, quem se sinta aflito, sozinho, sem apoio, sem ver saídas para os seus problemas, peça ajuda, não receie pedir ajuda. E saia de casa, abra as janelas e respire ar fresco, e passeie, e vá ao cinema, e ouça música, e qualquer coisa que ajude a trazer para fora da zona em que as sombras mais pesam.

Estar na zona de sombra pode ser bom, pode ser aconchegante, a sombra como uma seda, o silêncio como um bálsamo. Mas a sombra é boa por contraste ao excesso de luz. Quando a luz desaparece e toda a vida é invadida pela sombra, começam a desaparecer as referências, começam a quebrar-se os laços com o que se situa no exterior, a solidão começa a criar raízes que sorvem toda a seiva, que puxam para o vazio aqueles que se encontram mais fragilizados. Há que evitar isso a todo o custo.


Por isso, se alguns dos meus leitores leram as minhas palavras com alguma angústia, peço que as vejam como um apelo para que não se deixem tomar pela desesperança. 

Por muito fracas que sejam as vossas forças, por favor reinventem-se, acreditem em que melhores dias hão-de vir, procurem a luz, a cor, a inocência do riso das crianças, o afecto dos animais - qualquer coisa. 

É certo que estes dias cinzentos não ajudam muito mas não faz mal, respirem o ar molhado, sintam o ar fresco nos vossos rostos, riam, pensem em coisas boas. Não cultivem a solidão, não se habituem à ausência, à falta de afecto e de esperança. Não deixem que se quebrem os laços que vos ligam aos outros.

...

E agora já chega de palavras senão ainda me dizem: falar é bom para quem fala de barriga cheia, para quem tem uma família boa, uma vida sem problemas.

Eu calo-me já mas, primeiro, deixem que vos diga que não sou uma construção ficcional, não sou uma abstração: não, eu sou de carne e osso, tenho problemas, passo por momentos complicados, sou igual a toda a gente. No entanto, não me dou por vencida, vou à luta, vejo o lado bom das coisas, ponho o mau para trás das costas. Mas, enfim, cada um é como é. E isto também não pretende ser conversa azulinha com passarinhos em fundo, daquelas de conversa fiada e de pseudo-auto-ajuda - até porque cada um é que sabe de si e onde mais lhe dói e se as penas de que padece são das que voam ou das que se enterram na carne.

E adiante que para a frente é que é caminho

Mas, de qualquer maneira, se é para ter música celestial, um céu muito azul, passarinhos e borboletas, que seja como deve ser. Portanto, música, por favor: Three Little Birds (aqui não por Bob Marley mas por uma menina com uma bela voz e muita alegria de viver, Connie Talbot). 


Uma alegria vê-la e ouvi-la.




*

Nota: Era para ter falado hoje de Os Idiotas do Rui Ângelo Araújo mas, com isto, acabei por me atrasar e amanhã tenho que me levantar cedo pois tenho um dia cheio de afazeres de toda a ordem (entre os quais votar, é claro). A ver se amanhã consigo.
*

Relembro: sobre o gnomo no jardim, isto é sobre o JRS - que a Clara Ferreira Alves demoliu sem dó nem piedade no Expresso deste sábado - é descerem, por favor, um pouco mais.

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E tenham, meus Caros Leitores, um belo domingo.

quinta-feira, agosto 29, 2013

Manuela Moura Guedes volta à televisão, à RTP, agora como apresentadora do "Quem quer ser milionário". Faz-me lembrar aqueles jogadores de futebol que andam pelos principais clubes para depois irem acabar em decadentes clubes da 5ª divisão. Foram rosas, agora são cardos. [Nem sei porque, então, falo nisto quando há tanto assunto sério para se falar (o Governo que forneceu dados incompletos ao FMI e com base nos quais o FMI acha que se deve baixar ainda mais os ordenados; a intervenção militar na Síria não se sabe ao certo porquê nem para quê mas relativamente à qual já se ouve o rufo dos tambores; os alemães que acham que os gregos devem entregar património já que não podem pagar a dívida). Mas são assuntos sérios, tristes, e eu ando com dificuldade em carpir. Prefiro pairar como se não desse pelas coisas más. Vocês desculpem lá.]


Cheguei a casa há pouco. Mais uma noite de laré. Enquanto os dias ainda estão granditos e as noites amenas há que aproveitar. Tirei umas fotografias e agora poderia falar no que andei a fazer e mostrar-vos em que param as modas - mas o facto é cheguei a casa tão cansada e tão perdida de sono (isto vai-se acumulando, sabem; a ver se este fim de semana consigo recarregar as baterias) que agora não tenho energia para as passar para o computador, escolhê-las, reformatar as que quiser colocar no blogue, etc, não tenho mesmo (e não faço outra coisa senão bocejar, credo). Fica para amanhã ou depois. 

Além disso, já estou como ontem. Por um lado acho que deveria falar de coisas sérias mas, por outro, apetece-me é pairar com ligeireza sobre coisas que não interessam para nada.

E assuntos sérios é o que não falta. Um autêntico massacre:

  • O Governo, se facultou dados que espelhavam uma realidade incompleta e que percebia que, com isso, ia induzir o FMI em erro, dando-lhes a ideia de que ainda existe margem para mais cortes de ordenados, fez mal. Mas, se o fez (e é óbvio que o fez), não consigo ficar espantada. Acho que esta gente que nos governa é, no seu conjunto, um bando de feios, porcos e maus. Seja porque gostam de fazer sofrer a populaça, seja porque são desmazelados, seja porque a sua incompetência não dá para mais, o que se passa é que dali só espero mesmo que façam porcaria. Por isso já nem me apetece falar deles. É gente que lá não devia estar e ponto final. Por cada dia a mais que lá estão, de mais disparates se vai sabendo. Se o dono de um restaurante contratar um cão como empregado de mesa, alguém se pode espantar se o cão meter as patas dentro dos pratos? Estranho será o contrário. É como com estes: a gente espantar-se-á é no primeiro dia em que façam alguma obra asseada.

  • É como o iminente ataque à Síria. Sentimos que estamos em counting down e sabemos que muitas vidas se vão perder. Cirúrgica ou não, a intervenção vai sair cara em recursos de toda a espécie, incluindo os humanos. As consequências indirectas, neste caso, não serão inferiores às directas. Um perigo, esta brincadeira. E nem percebo quem é que vai financiar isto com os cofres americanos e europeus quase vazios. Tal como ontem referi, se houvesse alguma lógica nisto, dever-se-ia perceber em nome de quê e para quê se vai intervir militarmente num país - ainda por cima sabendo que isso vai perturbar o já de si instável equilíbrio de forças entre blocos de interesses económicos e geo-estratégicos antagónicos. Ninguém quer que se massacrem civis mas também ninguém quer que, sem provas (verídicas) e sem alternativas políticas conhecidas a priori, se avance à maluca. Mas parece que é isso que vai acontecer. Entretanto o governo sírio parece que entregou provas na ONU que demonstram que foram os rebeldes e não eles que usaram armas químicas. E, perante, divergências tão agudas e as inconsistências do costume por parte dos americanos, continua a assistir-se ao avanço, que quase parece irreversível, para uma guerra de consequências imprevisíveis. Não há dúvidas: o lobby do armamento e tudo o que tenha a ver com a indústria da guerra são vergonhosa e assustadoramente poderosos. É para isto que lhes dá jeito (a eles e ao sector financeiro) que nos governos dos países estejam zés-ninguéns sem miolos, joguetes fáceis, paus mandados sem moral. 

  • Também podia falar de uma notícia que me chocou (e devo mesmo ser muito parva para ainda me chocar com coisas destas). Transcrevo uma parte:

O presidente da Federação da Indústria Alemã (BDI), Ulrich Grillo, propõe como alternativa na resolução da crise grega que Atenas transfira parte do seu vasto património nacional para o fundo de resgate europeu, que poderá vendê-lo para se financiar. 

Acho isto asqueroso. Primeiro, para ter excedentes na balança de transacções, a Alemanha exporta ou força a que os outros países importem (por exemplo impondo regulamentos cujo cumprimento só é possível com recurso a equipamentos fabricados na Alemanha, como aconteceu, por exemplo, com os equipamentos de climatização obrigatórios para efeito de restauro escolar), depois, para que tenham dinheiro para o fazerem, emprestam dinheiro; a seguir, quando as contas dos outros começam a mostrar sérios desequilíbrios, fecham os olhos à maquilhagem das contas; a seguir fecham a torneira e exigem o pagamento da dívida; como não têm como pagar, impõem-lhes juros agiotas e, quando os pobres estão exauridos e na mais indigente míngua, pretendem sacar-lhes o património. É certo que isto é um déjà-vu mas o que é chocante é como décadas (ou séculos!) de história em cima de episódios vergonhosos como o que se volta a pretender levar a cabo não serviram para os povos se precaverem. É mesmo a lei do mais forte - porque, de facto, deixemo-nos de fantasias, isto é uma selva e o resto é conversa.
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Por isso, porque tudo isto me parece mau demais, previsível demais, inevitável demais, é compreensível que só me sinta bem com os pés na rebentação, naquele sítio em que não é água nem deixa de ser: uma espuma que vai e vem, não deixando rasto.

Ou seja, só me apetece falar de coisa nenhuma.




No outro dia, quando estava in heaven e meia a dormir, vi na RTP 2 a repetição do Lado B do Bruno Nogueira. Estava lá a Manuela Moura Guedes. 


O meu marido também estava entre o sono e a difícil vigília. Tenho ideia que quando fez zapping e foi ali parar, disse qualquer coisa como ‘coitada, olha para ela…’. Tenho ideia que levantei os olhos do Expresso que estava a tentar ler a todo o custo e que também fiquei impressionada. Fico sempre quando a vejo mas desta vez fiquei mais. Deixo aqui a parte inicial da entrevista, que tenho ideia que nem é a mais significativa daquilo que estou a dizer mas agora não consigo estar a ver tudo para escolher a parte mais obnóxia.





Mas não foi apenas pelo rosto insuflado – lá está: maçãs do rosto enxertadas, subidas, redondas, boca a transbordar de botox, arrebitada, esbardalhada, a disformidade do costume que, vá lá saber-se porquê, atrai tantas mulheres -, foi sobretudo pelos trejeitos dengosos, pelas boquinhas, parece que se estava a armar em boa, volta e meia toda ela parecia esponjar-se no braço do sofá, toda ela revirava olhos, boca, língua. Um disparate. E dizia coisinhas, parecia uma adolescente palerma – olhem nem sei.

Por mais do que uma vez o meu marido tentou tirá-la do ar, dizia que não conseguia ver aquilo. Mas as alternativas deviam ser piores, ou então era o nosso sono que nos deixava sem acção, pelo que por ali foi ficando.

Cheia de requebros, meneios, sacudidelas de cabelo, olhares lânguidos, queixava-se que estava sem trabalho, em casa, que gostava de voltar à televisão (e tudo isto, claro, à mistura com mostrar que se acha uma fantástica jornalista, acutilante, incisiva, brava, do melhor que há – quando era, sobretudo, mal educada, exagerada, incomodativa; as entrevistas conduzidas por ela eram um stress que não acrescentava nada à qualidade do que as pessoas diziam, pelo contrário, tinha vezes de quase nem as deixar falar).




Se eu fosse responsável por um canal de televisão também não a contratava. É conflituosa, cria atritos com os próprios convidados. Não é isso que a gente quer ver. Eu, pelo menos, chego à noite e quero é calma. Quero ser informada, sim, ouvir opiniões, sim, mas com bons modos, nem gritos, nem vozes sobrepostas, nem gente com modos arrogantes ou intempestivos.


Pense-se, por exemplo, na diferença para uma impávida mas incisiva Ana Lourenço, para uma serena e atenta Carla Moita

 ... ou, continuando apenas nas mulheres:

para uma tranquila mas certeira Clara de Sousa, e ainda para uma suave mas intransigente Paula Costa Simões.




Mas eis que vejo agora que a RTP a repescou mas, ó vã glória de mandar, ó tristes rasteiras do destino, já não para nenhum cargo de chefia, já não sequer para jornalista mas, tão só, para entertainer. Em vez do Malato, a Bocas Moura Guedes a apresentar um concurso, o Quem quer ser milionário


Fico sem saber bem o que dizer. Não posso esconder que sinto uma certa pena. A vida dá voltas…

Percebo que ela se aborreça de estar em casa, diz que jardinava, que fazia ginástica, que tinha um personal trainer que a ajudava a manter a forma, coisas assim: de facto muito pouca adrenalina para quem se alimentava dela. Acredito que a ânsia por sair de casa e voltar à pica de ter as câmaras à frente devia ser muita. Talvez isso justifique a decisão de ir apresentar um concurso na RTP.

Mas será que justifica mesmo? Não será isso uma forma triste demais de nos voltar a aparecer pela casa dentro? Não sei. Não sei mesmo.

Às tantas perdeu-se mas foi uma artista da rádio, TV, disco e da cassete pirata.


Foram cardos, foram prosas. 



Ou foram rosas e agora são cardos? É isso, não é...? Agora é chegado o tempo dos campos de cardos.



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A ver se amanhã escrevo sobre a nossa Avenue, nomeadamente sobre o que se pode ver por lá.

Hoje fico-me por aqui e a ver se consigo ir a pé até à cama.

Resta-me desejar-vos, meus Queridos Leitores, uma bela quinta-feira!!!!!

terça-feira, janeiro 15, 2013

Manuela Moura Guedes dona de casa, desempregada, sozinha, isolada. Uma capa da Flash muito triste. E a minha amiga por quem todos estamos a torcer. E, nem sei se a propósito, uma viagem pelo imenso espaço sideral - do infinitamente grande ao infinitamente pequeno




Manuela Moura Guedes, de entrevistadora temida a dona de casa desempregada,
confessa-se agora sozinha e isolada

Capa da edição da Flash agora nos escaparates



Talvez sejamos mesmo uma ilha, nós próprios rodeados de gente. Ou rodeados de nada, um imenso vazio à nossa volta. Ou nós e outras ilhas, um pequeno arquipélago na imensidão do espaço.

Talvez a lente de algum observador invisível suspenso no espaço, a que alguns chamarão deus, consiga ver o infinito espaço. 




Nele verá constelações boiando, buracos negros, imprevistos movimentos; e talvez consiga também ouvir o silêncio, o imenso silêncio sideral. Ou uma música por nós nunca sequer antecipada. Curioso, atento aos pedidos que lhe chegam e infinitamente capaz de a todos analisar, esse distante e piedoso observador rodará a lente para se aproximar. 




A sua visão entrará, então, apenas numa pequena fracção de espaço onde verá um imenso caldo de luz. E aproximará ainda mais e verá estrelas, umas muito antigas, luz branda, coada, outra maduras, e outras muito jovens, chispando, uma luz intensa e vibrante. E verá silenciosos planetas. Grandes, pequenos, gélidos, flamejantes, cinzentos, discretos, exuberantemente anelados: vários planetas. 




E, tal como por vezes lhe acontece, um dia, no meio de tudo, verá um pequeno planeta azul. Pequeno, um pequeno ponto florindo no imenso espaço.




Aproximará ainda mais a lente. Um mar muito azul, serpenteando ao longo do verde, do branco, alguns salpicos de castanho ou amarelo: uma bolinha de brincar. E ao observador longínquo apetece-lhe brincar. 

E então aproxima ainda mais a lente e começa a ver uma superfície recortada, parece quase um bicho de várias patas que se desenha sobre uma superfície de água.




Aproxima ainda mais a lente e vê casas, muitas casinhas, e estradas de brincar, comboiozinhos que atravessam os campos e barquinhos que cruzam os mares. 




Ao longo de alguns anos alguém se entreteve a brincar, a fazer construçõezinhas com muitas luzinhas, lagos, jardins, um pequeno mundo em cada bairro.

Aproxima ainda mais, quase no limite. Vê figurinhas ínfimas, insignificantes criaturinhas, pontinhos. Animais, pessoas, árvores, rochas e outras pequenas coisas, umas quietas, outras mexendo-se. 




Aproxima ainda mais a lente e foca-se nas pessoas mas tem dificuldade em distinguir uns de outros, são todos demasiadamente iguais. Uns choram, outros riem, uns andam vestidos, outros nus, uns cantam, outros dançam, outros guerreiam, outros insultam-se, outros abraçam-se. 

Um deles sou eu, outro será você que me lê, quase iguais, quase irrelevantes.

E, no entanto, vistos não a esta escala infinita mas à nossa e limitada pequena escala que importantes nos achamos.

Mas não somos importantes. Somos pequenos, frágeis, pequenos seres que aparecem e desaparecem numa infinita sucessão de aleatoriedades. 




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Uma ex-colega minha, de que aqui falei há dias e com quem trabalhei durante anos, sempre foi uma excelente pessoa, irrepreensível, nunca lhe conheci, com ninguém, nem o mais leve desentendimento. Frontal, sincera, trabalhadora, bem disposta, conciliadora. Uma vida tranquila, saudável. Talvez por isso, por ser assim, nunca se lhe tenha conhecido doença. No entanto, dentro dela uma pequena bolha silenciosa estava em contagem decrescente. Rebentou no outro dia, sem aviso prévio, sem qualquer sinal. 

Foi operada e a operação correu bem. Está a reagir muito bem e toda a gente está muito animada. Diziam-me hoje que já vai respondendo a estímulos, mostra reacção quando se fala com ela, tentou abrir o olho e tentou olhar… enfim, devagarinho, vai melhorando

Uma mulher dinâmica, independente, que vivia a ajudar os outros, passou num instante a uma criatura indefesa, dependente, numa situação em que abrir um olho já é uma vitória que a todos enche de esperança. 

Precária, pois, a nossa condição.

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Vejo também na capa da revista Flash uma mulher que em tempos foi poderosa.




Nos tempos vitoriosos do Jornal Nacional na TVI ela era arrogante, quase ofensiva, permitia-se quase agredir os convidados, interrompia-os, insinuava maus comportamentos, sugeria más práticas, derrubava reputações, agrediu verbalmente, por mais do que uma vez, o primeiro ministro deste país a quem mostrava odiar – e agora aparece-nos quase como uma caricatura de si própria, uma mulher decadente, uma pose de vedeta arruinada. 

A cabeça pende sobre o ombro, a mão eleva-se sem energia para tapar o decote, hesitante no agarrar da estola de pele que ali quase parece despropositada. Vê-se que tenta sorrir mas não consegue, e os lábios excessivos e excessivamente pintados tornam-na triste e quase grotesca. Olho-a e sinto quase pena.

Manuela Moura Guedes não previu, certamente, no período áureo da sua carreira, que não seria poderosa e temida toda a vida. Leio na capa da revista que está desempregada há dois anos, que queria trabalhar, que é uma dona de casa insatisfeita, que passa o dia a fazer limpezas e a cuidar dos filhos, que se sente sozinha e isolada. Passou de moda, passou à história. A sua glória alimentava-se do ódio que sentia ao socratismo que ela ajudou a derrubar. O socratismo está morto e a glória de Manuela Moura Guedes também. 

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Curtos e incertos são, pois, os caminhos da glória.

Curta, incerta, precária, insignificante a nossa vida. Que a usemos, então, enquanto podemos, da melhor forma, com generosidade, humildade e leveza, sentindo a beleza do que nos rodeia, agarrando cada instante, certos da volatilidade da nossa sorte. Ao menos isso. Não somos estrelas, ninguém o é: somos menos que ínfimos pontos no universo.


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Saíu tão longo este texto... Mas, mesmo assim, permito-me ainda convidar-vos a virem comigo até ali ao meu outro lado, até ao Ginjal e Lisboa. Hoje temos uma estreia, José Gomes Ferreira. E em volta do seu poema escrevi palavras que contrariam o poema, levada pela fotografia que gostava mesmo que fossem ver. Nos meus passeios testemunho situações do além e a que ali reporto é, seguramente, uma delas. A música é, de novo, um momento feliz, João Gil e Jorge Palma. Senta-te aí.

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E nada mais por hoje. Apenas desejar-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça feira, cheia de luz.

segunda-feira, julho 04, 2011

Bernardo Bairrão, o homem que tem inimigos perigosos (desculpem, poderosos)? O ex-futuro Secretário de Estado foi vítima de vingança? A Manuela Moura Guedes não lhe perdoou?

Até ouvi dizer que, quando defendeu Sócrates, dizendo que a saída da Manuela Moura Guedes da TVI era devida a decisões editoriais e não a pressões políticas, lhe apareceu uma cabeça de cavalo na cama. Brincadeirinhas de mau gosto...

Bernardo Bairrão que ia ser Secretário de Estado e que, segundo relata o Expresso na edição deste sábado, devido a um SMS de Manuela Moura Guedes para o Primeiro Ministro Passos Coelho, acabou por ficar pendurado
Ongoing, o Grupo que, segundo o Expresso, é muito 'próximo' deste governo e que estará interessado na privatização da RTP (privatização que não merece agrado a Bernardo Bairrão)
Boneco de espetar agulhas
(não sei a que propósito veio aqui parar)

O casal Manuela Moura Guedes (que agora também foi repudiada pelo Balsemão, poor girl) e José Eduardo Moniz que saíu da TVI e que agora é vice-presidente da Ongoing


A OnGoing, Grupo de Nuno Vasconcellos, já despertou o meu interesse quando contratou Jorge Silva Carvalho, ex-chefe dos espiões. Acho também engraçada a dangereuse liaison de tantos deles à maçonaria. Ao que consta é um Grupo cheio de fraternidade, todos irmãos de Miguel Relvas, a verdadeira eminência parda do Governo. Estas coisas despertam-me perplexidade, curiosidade.

Ou seja, coitado do Bernardo Bairrão.