Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quinta-feira, janeiro 11, 2018

'Os porcos estão inquietos?', desafiam algumas.
'Os homens têm o direito a importunar', afirma Catherine Deneuve (e outras).

Os assediadores. As feministas. As vítimas. As pseudo-vítimas.

E a virilidade, a feminilidade, a sedução. E a graça de viver.





Da mesma forma como -- e já aqui falei disso -- mais facilmente me punha ao lado das prostitutas do que das 'mães de Bragança', também agora, intuitivamente, me sinto mais próxima da Catherine Deneuve e outras do que das Oprahs Winfreys desta vida.

E, no entanto, não apenas não li qualquer dos manifestos como nem reflecti muito sobre o tema. É mesmo uma questão de intuição (ou genética, coisa cá da minha maneira de ser). Aliás, acho que nem é bem uma coisa nem outra, nem intuição nem genética, mas está a faltar-me a palavra certa. Mas é qualquer coisa nesta base.

Sobre este tema, várias vezes tenho pensado: trabalhando desde menina e moça em empresas maioritariamente masculinas, alguma vez fui assediada? Que me lembre não. E na rua? Que me lembre também não.

No outro dia, o meu marido, a propósito de uma que na televisão se insurgia sobre o facto de em Portugal nenhuma mulher se ter chegado à frente a acusar alguém, dizia, na brincadeira: 'A ela, de certeza, nenhum homem assediava, até para não ficar mal visto perante os outros homens'. Afirmação politicamente incorrecta, nos tempos que correm. E, no entanto, eu ri-me.


Penso nos piropos e graças que ouvi ao longo da minha vida e não tenho dúvida de que alegraram e apimentaram os meus dias. Desde os mais inteligentes e sofisticados até aos mais brejeiros, não me lembro de alguma vez me ter sentido verdadeiramente incomodada. Lembro-me, sim, de, em tempos idos, em autocarros apinhados, ter sentido homens parvos encostarem-se ou apalparem-me e eu me virar para eles e dizer: 'Agradeço que se afaste porque me está a incomodar', deixando-os aparvalhados, envergonhados. Lembro-me que um, uma vez, se armou em ordinário e desatou a ripostar, tendo-lhe eu dito que se calasse e tivesse vergonha. Portanto, quando saía do autocarro vinha até satisfeita com a sensação de ter posto na ordem um parvalhão.

Lembro-me também de, ao passar na rua, ouvir indecências e de fazer de conta que não ouvia ou, pelo contrário, olhar com ar interrogador, deixando os cobardolas atrapalhados.

Mas assédio, por exemplo, no trabalho, nunca. Nem nunca nada de parecido se proporcionou. Desde sempre a única mulher a chegar a um cargo de direcção, e tinha apenas trinta e um anos quando isso aconteceu, sempre me senti respeitada e nunca a nenhum passou pela cabeça ousar pisar o risco. 


Lembro-me de uma colega que, insegura e psicologicamente algo frágil (embora aparentando o contrário), confidenciava que um qualquer lhe fazia convites ousados, dizendo ela que cedia pois percebia que, se não aceitasse, ficaria prejudicada. Sempre achei isso uma ficção da parte dela pois assistia à atitude a priori permissiva da parte dela e à forma até cautelosa como ele se aventurava. 

E já aqui contei algumas vezes. Tempos houve, trabalhando eu uma grande empresa, em que havia em permanência casos e mais casos. Uma festa. A minha secretária tinha um caso com o meu melhor amigo, outro meu amigo tinha um caso com uma estagiária, um colaborador meu tinha um caso com a secretária do presidente, outro colega tinha casos com umas atrás de outras (e, como contei há pouco tempo, foi apanhado em pleno acto em cima da mesa de reuniões do gabinete um dia em que ficou até mais tarde), o vice-presidente tinha um caso com a contabilista. Etc., etc. Tantos casos que nem dá para acreditar. Alguns destes casos acabaram, outros deram em casório ou união de facto. Antes de serem casos, havia a fase da sedução. Assédio? Não direi. Melhor: nunca vi vestígios disso. Sedução, isso sim. Assisti de perto a muitos destes casos. A minha secretária, por exemplo, que andava de brincadeirinha com o meu colega (casadíssimo) e ele com ela, queixava-se-me uma vez: 'Muita conversa, muita conversa... mas passar à acção está quieto...'. Até que um dia, na sequência de um jantar de despedida de outro colega, a coisa se deu. No dia seguinte, descreveu-me ela como finalmente lá o tinha conseguido levar para casa. E eu parva com aquilo, ele tão apenas brincalhão e tão amigo da mulher, e ela, contrarando-me: 'Sim, sim... Pois olhe que não... Muito bem, lhe digo eu'. E um ar aprovador sobre a performance dele.


Ou seja, no meio daquele forrobodó (e estou a falar de uma grande empresa, moderna, produtiva, rentável), nunca vi nada que se parecesse com assédio ou sexo forçado ou moléstia de algum tipo. 

E falo no passado mas poderia falar no presente. Mas menos, muito menos. Não sei porquê mas parece que há menos hormonas em circulação. Casos assim, às claras, no puro descaramento, já vejo muito menos. Piropos malandros ou divertidos também muito menos. Os homens parece que estão a desabituar-se da arte do galanteio. A malandrice com graça pode não ser minimamente ofensiva e trazer divertimento aos dias. Mas parece que é coisa que está a sair de circulação.

Já aqui contei uma que a mim me divertiu imenso e que ainda me faz rir. Por isso, desculpme se me repito. Tinha um colega, muito engraçado e onde a malícia, ainda que inocente, era permanente. Uma vez a minha filha foi visitar-me e levou o que na altura era o seu único filho. Então, uma colega minha foi lá vê-los e, para minha surpresa, disse-me: 'Já ali estive com o avô'. E eu, admiradíssima: 'Com o avô? Mas ela veio sozinha..'. Esclarece, então, ela: 'Estou a falar do Dr. M'. Ri-me mas quase me ofendi: 'Ah, olha o disparate...'. Ao fim do dia, aparece-me ele no gabinete, todo lampeiro. Digo-lhe, toda cheia de repreensão: 'Olha lá... mas estás parvo ou quê...? Então andas a dizer que és o avô da criança...?'. E ele, ar de santinho: 'Mas não disse de quem é que sou pai...'. O que eu me ri a imaginá-lo pai do meu genro... ou seja, a ter um caso com a sogra da minha filha... 

Enfim. 

Claro que há casos e casos e o que não faltarão serão sabujos e badalhocos que se aproveitam da fragilidade de algumas mulheres vulneráveis. Sei que sim. Por exemplo, estou a lembrar-me que tive um colega, mais velho que eu, que foi criado na Casa Pia pois a mãe, trabalhando como empregada doméstica e tendo engravidado do patrão, não pode ficar com ele nem o pai o perfilhou. Só muito mais tarde, já ele a trabalhar, pode libertar a mãe da sua condição de quase escrava da casa onde trabalhava como interna. Quantos casos destes. Casos e casos. Casos tantas vezes vividos em silêncio, acobertados pelos mais pios usos e costumes, tantas vezes sob o beneplácito da igreja.


Mas aí, mais do que assédio, o que há é abuso sexual ou franco abuso de posição dominante (digamos assim) -- o que nada tem a ver com situações em que, por vezes, as mulheres falam como se fossem umas virgens ofendidas, umas tadinhas que fazem sexo oral contrariadas, umas beatas que ficam melindradas porque ouviram brejeirices e que agora, ao fim de vinte anos, vêm falar disso como se tivessem andado todo esse tempo com o piropo atravessado ou como se nunca tivessem contribuído para a situação em que se envolveram. Menorizam-se as mulheres que se fazem de indefesas e frágeis quando, tantas vezes, aceitaram, interesseiramente, favorecer esse tipo de situações.


Saibam as mulheres, antes, ver-se como iguais em direitos e poderes em relação aos homens, saibam afirmar as suas vontades sem se inferiorizarem, saibam as mulheres gostar de ser mulheres, nomeadamente prezando a sua natural feminilidade, saibam as mulheres apreciar a virilidade masculina e dar valor aos naturais jogos de sedução, saibamos todos apreciar a vida em tudo o que ela tem de bom. E não tentemos moralizar e beatificar tudo, incluindo os sentidos, o humor, a alegria, a malícia, a sedução. 


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E eu por mim fico de bom gosto a apanhar a almofada que o malandro do David Gandy está a atirar. Mas, para os meus Leitores mais moralistas que não gostam de ver homens mal comportados, então recomendo que desçam até ao post seguinte para lerem sobre a orelha encarnada do Santana Lopes.

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sexta-feira, novembro 10, 2017

Só estou para ver quando isto do assédio sexual chegar a Portugal...
Não vai haver uma única mulher que não tenha um marau para denunciar...
Cá para mim só vai escapar um homem... O Marcelo, pois claro!


Abro as revistas e os jornais online e não há cão nem gato que não tenha assediado mulher, homem, periquito ou whatever.

E que não se pense com isto que estou a desvalorizar. Não estou. Mas também vejo muita denúncia que a mim me apetece dizer que vou ali e já venho. Um piropo é assédio? Caneco. Só se for piropo badalhoco ou a despropósito. Uma atracçãozinha manifestada de forma menos disfarçada é assédio? Ora essa, não forçosamente.

Mas se isso é aceitável, razoável e, até, potencialmente apreciável já o que violente a dignidade ou vá contra a vontade do visado é intolerável e, relativamente a isso, concordo que a tolerância deve ser zero.

Aqui há dias, a propósito do Weinstein, contei aquilo de, há uns anos, me ter aparecido um big bear argelino no gabinete que me fez sentir em risco e que me incomodou demais. E agora que estou a escrever isto, lembrei-me de uma coisa que me aconteceu quando ainda era solteira. Estava muito engripada e achei que devia ir ao médico. Não sabia a que médico havia de ir. O meu namorado da altura perguntou aos pais e veio com a recomendação do médico que os acompanhava, médico prestigiado, considerado o melhor internista português. Eu novinha, novinha e ele com idade para ser meu avô. Simpático. Não disse quem me tinha recomendado. Portanto, para ele eu era apenas uma miúda que tinha aparecido no consultório. Auscultou-me. Depois quis ver-me ao RX (creio que era RX, sei que havia umas placas verticais onde eu me encostava, numa sala meio às escuras). Mandou-me pôr em tronco nu. E, juro que é verdade, começou a mexer-me nas mamas. Eu incomodada e ele a dizer que era para me encostar melhor, para se ver melhor. Tal como as técnicas de imagiologia que nos ajeitam as mamas quando fazemos mamografia, assim o estupor do velho ordinário.

Eu, sabendo-o o médico e amigo do que viria a ser meu sogro e com algum receio de que aquilo fosse mesmo assim, contive-me e não lhe preguei um par de estalos. Mas afastei-me, enojada.

Saí de lá a chispar. Mandou que lá voltasse uma semana depois. É o voltas...

Se fosse hoje teria saído dali para ir a uma esquadra denunciá-lo. Assim, engoli em seco e fiz de conta que não tinha acontecido.

Fui agora googlá-lo. Já morreu há uns anos, claro. Por isso não vou aqui dizer o nome do velho canastrão. Estou convencida que hoje já não há babacas descarados que se atrevam a fazer isto. Mas, se os houver, espera-se que recebam o devido troco e a merecida recompensa.

Mas, pelo que leio, as denúncias sucedem-se. Parece que não há actriz ou modelo que não tenha sido incomodada e que não há actor que não tenha pisado o risco. E todas elas virgens e altamente beatas e eles todos uns violadores em série. Parece que se está a passar da total permissividade para com os verdadeiros abusadores para um mundo governado por santinhas. É que são os exageros e o excesso de puritanismo que, a prazo, vão fazer com que se desvalorizem as denúncias sérias e se parodie tudo o que é queixa. Qualquer dia um olhar que faça corar uma senhora mais pudorenta já é crime, não?

Volto a dizer: não desvalorizo o (verdadeiro) assédio sexual. Apenas digo que há que distinguir o que é sério do que não é coisa alguma.

No outro dia, falei aqui incomodada com o sururu que estava a ser feito em torno de Kevin Spacey quando tudo não teria passado de uma tresloucadice de bêbado desencabrestado. Parece que afinal foi mais do que isso já que, daí para cá, não têm conta as calças masculinas que Kevin já penetrou para avaliar a genitália do respectivo dono. Toda a vida, diziam, a manter reservada a sua vida sentimental e sexual para agora esta desgraça, denúncias atrás de denúncias. Tenho pena. Só pode ser doença.



Enquanto estava a ler alguns destes artigos estava a ver, na televisão, o nosso ubíquo Marcelo a empolgar as massas no Web Summit. Depois, distraí-me e já andava ele na rua abraçado a miúdos e graúdos o maior forrobodó selfítico. Já está tão pro que ajeita o telemóvel, debruça a cabeça, abraça a preceito. Mas é tudo tão inocente que, apesar de abraçar e beijar meio mundo, ninguém vai ousar dizer que pisou o risco. E deve ser o único que está acima de qualquer suspeita. E isto, claro, porque está a caminho de alcançar o estatuto de santo em vida, tanto o conforto e qualidade de vida que distribui por via de todo este afecto que tem para dar.



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E queiram descer para assistirem à converseta entre duas brasas do mais feministas (no bom sentido) que há

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quinta-feira, abril 13, 2017

Cátia Palhinha sem cuecas -- ou 'A origem do Mundo'
[E alguns piropos sedutores para satisfazer alguns dos meus Leitores]


Só de vez em quando me lembro de ver as estatísticas do Um Jeito Manso e, ainda menos, a das palavras-chave que, a partir dos motores de busca, trazem as pessoas até mim.

Contudo, quando me apetece ficar bem disposta já sei que é a essa porta que devo ir bater. É que não é apenas a graça de perceber o tipo de questões que assola ao espírito de algumas pessoas como também o constatar em que conta me tem o algoritmo da google.

Todos os dias há algumas que se repetem. Desde logo 'um jeito manso' ou 'blog um jeito manso' ou 'quem é a autora de um jeito manso'. Isso é banal.


Também, recorrentemente, aparecem algumas através das quais antecipo o conhecimento de algumas fofocas que, decorrido algum tempo, vejo que se confirmam. Por exemplo, hoje aparece o nome de conhecida apresentadora de entretenimento televisivo ao lado de nome de bem conhecido director do Expresso. Não sei se é só fumaça, como diria o titio do filósogo Bruno de Carvalho, ou se há mesmo fogo. On vera

E há as que me aparecem quase desde o princípio dos tempos: 'alexandra lencastre plástica', 'quem operou a alexandra lencastre»' ou 'alexandra lencastre gorda'. Aliás, esta da gordura é frequente. Coisa de mulherzinha má. Presumo que sejam mulheres que vão ao google e, com sorrisinho vingador, escrevam outro dos 'best of': 'teresa caeiro gorda ou grávida?'. Acho isto de uma perversidade assinalável. Caramba: isto é lá coisa que se pergunte? Onde a subtileza...? Sugiro que, para a próxima, escrevam antes: 'quando é que o Miguel Sousa Tavares começa a cozinhar comida saudável?' ou 'qual a nutricionista onde a Teggy está com vontade de ir?'. Coisa discreta e construtiva.



Mas há uma expressão que está sempre nos tops das estatísticas do Um Jeito Manso: 'Cátia Palhinha sem cuecas'. É certo que um dia, tendo recebido um mail com uma foto da dita vedeta com a passarinha ao léu e, por sinal, uma passarinha bem penugenta, a publiquei. Aliás, tenho ideia que foi até o meu filho que ma enviou. Acho que na altura não o mencionei mas tenho ideia que sim.



A partir daí, esse post é visto com frequência porque, qual Origem do Mundo pela pena de Courbet, dá ideia que há muito pessoal que gosta de ver a gloriosa saída de quem se faz ao mundo pelas vias normais (ia escrever 'a gloriosa entrada' mas, felizmente, dei por isso a tempo).

Claro que não sei se a Cátia Palhinha ainga gosta de andar a dar ar à pluma. Também não sei se é da família de um tal João Palhinha que tenho ideia que joga futebol. Ou seja, infelizmente, sobre tão profunda e cabeluda temática nada mais tenho a acrescentar. Lamento. Ninguém é perfeito. 


Outra expressão que traz muitos leitores até mim é 'piropos sedutores'. Esta não sei bem porquê. Mas como 'sedução' é outras das palavras chaves frequentes, presumo que o algoritmo da google ache que aqui o meu inocente blog é um antro de pecado e perdição, ou, nos melhores dias, um lugar onde se pratica a sedução e onde se pode obter inspiração para sacar alguns piropos à maneira.


Ora, dizer piropos, que eu saiba, não é bem o meu forte. Portanto, temo bem que as pessoas por aqui andem, coitadas, debalde, à procura de piropos. Lembrei-me, então, de, para tentar que, na próxima, não vão daqui de mãos a abanar, inventar agora uns quantos.

Ora bem. Então, vamos lá a ver se sai coisa que se aproveite. Vou tentar que sejam usáveis por pedreiros (livres ou não livres), poetas, filósofos, engenheiros, chefs ou desocupados ou, mesmo, deputados ou comentadores. Para dizer a mulheres:
  • 'Se eu pudesse, colocava-a em água, e cheirava-a a toda a hora, minha linda e perfumada flor'
ou
  • 'Os meus olhos não se cansam de a olhar mas mais ávidos ainda estão os meus ouvidos por ouvir-lhe palavras de amor, amada minha'

Para dizer a homens e, identicamente, para ver se servem para todas as faixas etárias, preferências linguísticas, ocupações ou credos: 
  • 'De entre todas as feras do mundo, é a ti que eu escolho para me ronronares ao ouvido, oh meu leão' -- [Dúvida: os leões ronronam? ou deveria, antes, dizer: 'meu tigre'?)
ou
  • 'gosto do teu verbo, gosto da tua lógica mas gosto ainda mais da força que adivinho nos teus braços, oh meu tarzan'
claro que, se for para dizer a um lingrinhas, a coisa deveria merecer um twist:
  • 'gosto da força mental que adivinho no teu olhar mas é do teu verbo e da tua lógica que eu estou à espera desde que nasci, oh meu platão' 

[Não são grande coisa como piropos, bem sei, mas quem dá o que tem a mais não é obrigado e eu, a esta hora, com os neurónios a meio gás, já não consigo produzir melhor sedução enlatada. Aliás, estava aqui a ver se me ocorria banda sonora para este post e nada. Se me passar esta fase de 'brancas' profundas, ainda aqui venho colocar um little video.]

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E agora das duas uma: ou durmo aqui uma pequena sesta e acordo toda esperta e pronta para outro post ou descubro alguma coisa que me esperte antes de dormir ou, o que também é provável, caio aqui num sono profundo e assim me quedarei até ouvir chamar pelo meu nme.

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Ah, é verdade, as três últimas fotografias são de Helmut Newton

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Talvez o Poema dos Olhos da Amada - Vinicius

(O que acham?)


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A ver se lá para a hora do almoço consigo acabar o que vai a meio. Depois publico.

Me aguardem...

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sábado, novembro 15, 2014

O coxo e o leão. A faixa de gaja. A semente dos marmelos. E, para fazer de conta que aqui se fala é de cultura, 'Receita de mulher' e 'Um dia em Pompeia'


Com os meus agradecimentos, a palavra aos Leitores. 


.   1   .








Durante um espectáculo de circo, o leão saiu da jaula e dirigiu-se para as bancadas. 

As pessoas atrapalhadas fugiam por todos os lados e como podiam.

A determinada altura repararam que um homem em cadeira de rodas estava numa das filas e se atrapalhava todo a tentar fugir.No pânico as pessoas gritavam umas para as outras,

- Olha o coxinho! Olha o coxinho!

Ao que o próprio, aflito, respondeu:

- Fónix...! Deixem o leão escolher...!"




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.  2  .



Receita de Mulher, Vinicius de Moraes

(Adaptação para um trabalho escolar - PP PUC Minas)


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.  3  .


Britney Spears

- Sabes que nome se dá à zona da barriga das mulheres que fica à mostra quando elas andam na rua com aquelas T-shirts encolhidas? Sabes? Sabes?

- Não...

- Não?

- Não...

- Faixa de Gaja... porque mais abaixo fica a Terra Prometida e mais acima ficam os Montes Golã!

  


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.  4  .


Kim Kardashian
Ainda hoje mulher bonita, há 25 anos era quase perfeita.

Saiu de casa com o decote bem atrevido. Passou um sujeito olhou, suspirou...

- Que marmelos!!! 

A então moça riu-se e respondeu:

- Gosta? Fale com o meu pai que ele tem a semente pró senhor meter... onde quiser !!!





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.  5  .


Um dia em Pompeia


[Zero One created the animation for an immersive 3D theatre installation which gave visitors a chance to feel the same drama and terror of the town's citizens long ago, and witness how a series of eruptions wiped out Pompeii over 48 hours.]





...

domingo, novembro 02, 2014

10 horas a andar e a ouvir piropos, que coisa horrível. "Olá", " Olá beleza", "Bom dia", "Como estás?" etc, a torto e a direito. Quem é que aguenta afrontas destas? - 'O caso de uma mulher em Nova Iorque' e as réplicas: 'O caso de um homem em Nova Iorque', 'O caso de um homem em Berlim' e 'O caso de uma Drag Queen em LA'.


Foi notícia e tem estado a dar que falar um vídeo no qual uma mulher foi filmada enquanto andava na rua em Nova Iorque vestida de forma discreta e, mesmo, inexpressiva, e, escândalo dos escândalos!, apesar disso ouviu nada mais nada menos do que cem piropos. 100!


Assédio, coisa inaceitável, uma perseguição insuportável - disseram as televisões, as bloggers, as feministas. E eu, confesso, fiquei estupefacta: durante um dia uma mulher foi 100 vezes assediada sexualmente? Fogo! Como seria tal possível? Há assim tantos assediadores à solta?!

Como não é tema que me interesse muito já que acho que há muito exagero e tive mais com que me ocupar, não liguei e acabei por me esquecer.

Agora, depois de mais um daqueles dias gostosamente recheados - de oberas (como diz o pimentinha mais novo), idas a casa dos bisas e, agora à noite, leitura do Expresso - e, depois de ver o Eixo do Mal, liguei o computador, espreitei os mails (mas desculpem-me, ainda não vai ser hoje que vou responder, já é tão tarde) e, depois, ao ir à procura de uma música, apareceram-me as sugestões do YouTube e, logo à cabeça, o dito vídeo.

Obedientemente fui ver. E, surpresa!, a maior parte do tempo são cumprimentos, palavras simpáticas, uma ou outra graça, alguns convites de brincadeirinha e apenas um ou outro caso que pode ser considerado mais maçador. 

Fiquei admirada. Porquê tanto alarido perante coisas tão inofensivas? Não percebo. Será que é suposto um mundo de zombies em que ninguém olhe ou sorria ou diga uma graça, mortos vivos deslocando-se em silêncio pelas ruas?

Ora. 

No outro dia, li no DN a Fernanda Câncio, com quem costumo concordar, a lembrar-se, na crónica Boas todos os dias, que, quando era miúda, um sujeito lhe disse que a lambia toda. Claro que isso é desagradável. Uma pessoa ser toda lambida por um linguarudo que sabe-se lá se é não é um porco peçonhento, deve ser chato, capaz de uma pessoa acabar toda babada, uma coisa mesmo muito pouco higiénica. 


Mas uma baboseira daquelas é uma coisa e outra, muito diferente, é ouvir um bom dia, ou um uau, um olá ou um assobio apreciador.

Ontem li a Estrela Serrano a dizer, no seu post intitulado Piropos e Piropos,  que também achava que a Fernanda Câncio estava a exagerar, que há piropos engraçados que até sabem bem.


Já falei nisto aqui muitas vezes mas, se me permitem, volto ao tema.

Acho que é nojento que uma mulher ouça ordinarices ou se sinta ameaçada. Sei do que falo.

Quando era miúda, catorze ou quinze anos, havia um homem que me seguia num carro. Geralmente era à tarde, por onde eu andasse, lá ia ele atrás de mim. Chegava a pôr-se parado à porta da minha casa e depois ia atrás de mim. Era um homem jovem, bonito, ar interessante. Mas aquela insistência incomodava-me e assustava-me um bocado. Quando disse à minha mãe, ela ficou cheia de medo.

Uma vez, fui com ela ao Banco de Portugal, onde ela recebia o ordenado, e vi-o lá. Trabalhava lá. Quando saí e disse à minha mãe, ela queria lá voltar e ir dar-lhe uma desanda mas eu disse que podia eu estar enganada. Acho que não quis que ela se fosse enervar. Não sei se chegou a falar se não, mas acho que ele não voltou a perseguir-me.

Mas, tirando isso, nunca senti ameaças. Piadas ordinárias, isso muitas - mas ignorei. Fazer o quê? Virar-me e fazer um escândalo junto de pessoas de moral duvidosa? Ir à esquadra e voltar ao local a ver se o ordinário ainda lá estava? Pouco provável, não é?

Também aconteceu algumas vezes, quando andava em autocarros apertados, e o 15 era um horror, haver labregos que aproveitavam os apertos para se encostarem de forma incomodativa. Lembro-me de mais do que uma vez me ter virado para os parvalhões e lhes ter dito 'Importa-se de se chegar para lá? Está a incomodar-me.' E lembro-me de, mais do que uma vez ter havido reacções estúpidas em que os anormais se faziam de ofendidos e ainda tentavam ofender-me a mim. Limitava-me a responder-lhes 'Não tenho mais nada a dizer, apenas que não volte a encostar-se'.

No entanto, a maioria, larga maioria, foram gracinhas, piadas, piadolas, palavras não ofensivas. Quando, adolescente, andava com a minha mãe na rua, era frequente ouvir dizer 'Tal mãe, tal filha' ou 'Oferece-me a mão da sua filha?' ou 'Que sogra tão bonita que eu podia ter'. Seguíamos como se não tivéssemos ouvido mas mal víamos que o piropeador já não nos estava a ver, desatávamos a rir.

Uma vez, estava eu grávida em fim de gravidez, passei na Rua Castilho e estavam uns homens sentados no chão, penso que estavam no descanso de umas obras. Um assobiou, outro disse 'Mesmo assim, é boa como o milho' e o outro disse 'Pôs-se a brincar com o Zezinho e deu no que deu'. Fiz um esforço para não me rir. E ainda hoje me dá vontade de rir, eles os três sentados no chão a olharem para mim e eu com um barrigão monumental, cheia de vontade de rir e a fazer de conta que não os tinha ouvido.

Um colega meu diz-me frequentemente piadas. Já o conheço há imenso tempo, somos amigos, as famílias amigas. 
Uma vez a minha filha foi lá ter comigo, levando o mais crescido que na altura era bebé de colo. Quando chegou ao meu gabinete vinha com algumas pessoas que a foram 'escoltar' e que, no fundo, queriam estar com ela, comigo, com o bebé. 
Uma delas disse-me 'Já ali estive com o avô da criança'. Fiquei admirada: 'Com o avô...?!' 
Pensei, francamente intrigada 'Mas o que é que o meu marido anda por aí a fazer...?' 
Responde-me ela a rir, maliciosa, "Com o Dr.T. Quando a sua filha ia a passar lá em baixo, ele cruzou-se connosco, cumprimentou-a, fez umas festas ao bebé e depois disse: 'Não é a minha cara...?  Não sai mesmo ao avô...?'"
Quando nessa tarde o vi, disse-lhe 'Mas olha lá, estás parvo ou quê? Então foste dizer que és o avô da criança?'. Desatou-se a rir, 'Mas não disse de quem é que sou o pai...'. Aí fui eu a desatar-me a rir, pensando que havia de ter graça ele ser o pai do meu genro... ou seja, a sogra da minha filha ter tido um filho fora do casamento e logo com ele. 

Claro que poderia não ter achado graça, ter ficado piursa, ter achado que aquilo era assédio, ofensa, sei lá. Mas não, simplesmente achei piada. E ainda acho.

E lembro-me de mim em adolescente com a minha mãe tal como me lembro de mim com minha filha adolescente. Toda giraça, vistosa, bem vejo os olhares que lhe deitam ou as piadas que lhe dirigem. Inofensivo tudo, simpatias, simples agrados que o único efeito que produzem é levantar a auto-estima das mulheres.

E a minha mãe ainda se lembra de um piropo a que achou especial graça há muitos anos atrás, ela louríssima e um homem a olhar para ela e a dizer para o outro,  'Está ruça mas ainda está boa'. 

Qual o mal disso? Nenhum, não é?

Por isso, atalhando razões: acho que tanta polémica em torno deste tema é estéril. Se é piropo é inócuo. Se é ofensa ou ameaça é crime. São coisas distintas e por isso devem ter tratamentos distintos. E ponto.



Ora bem.

Cá está o vídeo 10 Hours of Walking in NYC as a Woman


(E digam-me lá se isto é o dramalhão que para aí pintam?)





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Claro está que as réplicas não se fizeram esperar. Um piadão.


10 Hours of Walking in NYC as a Man - parody






10 Hours of Walking in Berlin as a Man - parody





10 Hours of Walking in LA as a Drag Queen - parody






E palpita-me que a coisa não deve ficar por aqui.

E eu até sugeria que cá em Portugal se fizesse uma coisa destas. Por exemplo:

10 horas de um homem mascarado de Passos Coelho a passear em Lisboa.

10 horas de um homem mascarado de Paulo Portas a passear no Porto

10 horas de um homem mascarado de Cavaco Silva a passear pela Marinha Grande

e por aí fora.

Aposto que, aqui sim, teríamos piropos de se lhes tirar o chapéu.

.....


E, por agora, fico-me por aqui. Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo domingo.

...

quarta-feira, outubro 22, 2014

Para mulheres de bom gosto e para bichas igualmente exigentes, eis que chegam «Les Dieux du Stade». Belos, robustos e, ainda por cima, cheios de boas intenções. O calendário de 2015 já vem a caminho e as receitas revertem em parte para a luta contra o Cancro da Mama. Lindos meninos.


Depois de no post abaixo ter mostrado a pancada da Renée Zellweger que parece que tanto se retocou que virou outra (e só vendo para crer!), aqui, agora, parto para outra.


Durante anos, os camionistas e os frequentadores de oficinas de automóvel babaram-se perante calendários exibindo mulheres de curvas generosas e corpos bondosamente postos ao léu enquanto os intelectuais discretamente se alambazaram com os sofisticados Pirelli de colecção. As mulheres eram objectos copiosos feitos a partir de uma costela de um homem e, portanto, para sua livre fruição.

Mas eis que as mulheres começaram a perguntar aos homens se sabiam assobiar, a tomar as rédeas do jogo sem papas na língua, a dizer piropos a preceito, e a mostrar que também apreciavam um belo corpo de homem.

E a rapaziada não se fez rogada, claro está. Parecendo que não, os homens gostam de fazer um agradinho, gostam de se sentir lindinhos, fofos, apetitosos.

E, portanto, o striptease passou a ser também masculino, os calendários passaram a exibir músculos, abdominais esforçados, poses exóticas, sugestões eróticas, homens como objecto de desejo. O ano passado, cá pelo burgo, deu que falar a rapaziada dos Bombeiros de Setúbal. Fizeram bem. A causa social deve ter sido justa e a mulherada apreciou.


Pois bem. Vejam agora vocês isto aqui abaixo.





Li há pouco que em França uns tais do Stade Français, jogadores de râguebi, já fazem o seu calendariozito há uns 15 anos. Nunca eu tinha ouvido falar em tal coisa mas não faz mal, vou ainda muito a tempo.





Transcrevo:

A edição de 2015 desse ex-libris da escultura anatómica volta a reunir fotografias de Fred Goudon. A objetiva do fotógrafo desnuda não apenas atletas do clube parisiense como Jules Plisson, Hugo Bonneval e Pascal Pape, mas também Morgan Parra, colega de equipa de Julien Bardy no Clermont, e outros convidados do Olimpo desportivo francês, como o futebolista Djibril Cissé, o judoca Loïc Piétri e os andebolistas William Accambray, Nikola e Luka Karabatic. 


Claro que não conheço ninguém desta gente mas só posso ter andado distraída. É com cada ursinho felpudo, com cada rapagão mais desenvolvido, bem alimentados, benza-os Deus (e que Deus me perdoe por o trazer para uma conversa destas mas é que uma pessoa até fica sem tento nos dedos).

E lavadinhos. Olha para eles aqui no banhinho.






Ora, façam-me o favor de ver o vídeo e depois digam-me lá se esta rapaziada não tem um ar tão saudável?

Tenho eu andado para aqui a perder tempo e a gastar o meu escasso latim com láparos, irrevogáveis, pinókias, c-ratos, cruzes e canhotas, criaturas que para aí andam a cavar buracos atrás de buracos, sabendo eu que estou a chover no molhado, quando afinal estão aqui estes jovens tão generosos, tão bonzinhos, a chamar por mim...?


Os Deuses do Estádio e o calendário de 2015






O calendário «Les Dieux du Stade» já está à venda e são 29 euros de sensualidade, virilidade, malandrice, saúde, nudez, músculos, carinhas larocas. E, atendendo a que parte da receita reverte para uma causa mais do que meritória, parece-me dinheiro bem gasto.



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Relembro: para verem o surpreendente antes e o depois da Renée Zellweger desçam, por favor, até ao post seguinte.

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segunda-feira, outubro 13, 2014

E afinal como é que ficou isso aí dos piropos...? Quem disser um piropo corre o risco de ir de cana ou não...? Na volta, o piropo ainda passa à história e fica coisa própria só de trolha, não? [Será que para ouvir um piropo, temos que nos esgueirar pela PORTA DOS FUNDOS?]


Abaixo já falei num filme que não vi mas que, do que soube dele, me despertou interesse dado o tema polémico e dadas as polémicas com a pessoa real que é interpretada no filme. Amanhã vou ver se o descubro  (sobretudo para ver o Benedict Cumberbatch e isto apesar de, para se parecer na fala com o Assange, tenha abdicado do seu delicioso sotaque britânico).


Mas isso é a seguir. 

Aqui agora vou falar de piropos, esse hábito tão mal compreendido e, tantas vezes, tão desajeitadamente posto em prática.


O filme que abaixo vou mostrar apresenta-se da seguinte forma:

Era uma vez uma jovem muito bonita que passava pela rua quando um homem rústico e grosseiro cuspiu no chão e disse: "Porra... te comia esse rabo todo, sua gostosa!". A bela mulher, imediatamente seduzida pelas palavras, respondeu: "Claro! Só se for agora!". Então, apaixonados, os dois tiveram uma linda noite de amor num quarto romântico, se casaram, passaram a lua de mel em Aruba e viveram felizes para sempre.


A coisa, como verão, não será exactamente como é apresentada mas nisso reside a graça do piropo: fazia-te e acontecia-te e, de facto, felizmente é só garganta. 

Uma coisa sabem as mulheres: malandro que é malandro não apregoa, espera na esquina.





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sexta-feira, setembro 26, 2014

António Fagundes e Bruno Fagundes: o charmoso e o refresco. [E olha que este é um post cheio de piropos mesmo. Não vem que não tem: não tenho medo, não. E podem xingar à vontade: gosto de homem bonito mesmo. Confesso.]


Depois de, no post a seguir a este, ter deixado um desinteressado conselho ao Primeiro-Ministro (que vai à Assembleia da República e, durante o debate mensal, vai ver se descasca o pepino da exclusividade e do trabalhinho comercial para a Tecnoforma, ao que consta trabalhinho pago em géneros, isto é, dinheirinhos supostamente recebidos por fora, como eu no outro dia já aqui referi, fringe benefits, limpinhos de impostos, despesas de representação, almocinhos e jantarinhos, comprinhas de toda a espécie pagas com cartão de crédito e assim), e aos dois senhores da Tecnoforma (que vão dar uma conferência de imprensa a ver se safam o Pedro-Abre-Portas do ensarilhanço em que está metido), agora aqui venho só lançar uns piropos a uns cavalheiros.


Nada de assédio, nada de coisa repetida ou continuada (embora não seja a primeira vez), nada de coisa que moleste, apenas um piropinho inofensivo. Piropinho é que nem chopinho, é coisa gostosa, não tem mal, não.

Vou falar de um homem muito gostosão, peito largo, sorriso bom, voz de abraço quente, de pegada forte: António Fagundes. O Fagundão. Um homem que, à medida que o tempo passa, vai ganhando mais charme. Aquele cabelo, aquele rosto vivido, aquela forma como ri, como olha, estão cada vez platinados, uma patine que é muito sedutora.

Quando lhe perguntam sobre ele ter esta fama de gato gostoso (palavras minhas, claro) ele diz que disso não sabe, que ele não é seu tipo de homem. Pergunta a jornalista: então qual é seu tipo de homem? Diz ele, Alain Delon, Brad Pitt. Por isso, diz ele, olha-se no espelho e não vê aquele homem charmoso de que falam. Mas a forma como fala, aquele grão de voz e aquele riso que enleia e adoça as sílabas já chega para a gente ver que ele é um homão, daqueles a que nenhuma mulher de bom gosto ousa resistir.

E, repare-se, a entrevista decorria na rádio, na TSF, eu não o via enquanto ele falava, seduzindo feio. Mas a química e a física atravessam o espaço, coisa por demais sabida.




Mas a coisa já se propagou, já há outro.

E, assim sendo, depois do pai, vou falar também do filho, Bruno Fagundes. Nunca tinha ouvido falar. Ouvi agora que estão cá, representando uma peça de teatro, Vermelho. E ouvi a jornalista dizer que chamam Refresco ao Bruninho. O pai não percebeu o sentido. Refresco? Ela explicou: coisa nova, ainda está fresquinho, mata a sede. O pai atalhou: percebi. Mas ela queria festa, percebo-a, e perguntou ao rapaz se se acha o herdeiro da fama de charmoso do pai. Saíu-se bem o menino, que não, que quer ser conhecido por ser bom profissional, que está trabalhando para isso, para ser um profissional tão bom, tão respeitado e amado quanto seu pai. Simpático, humilde. E divertido, contou história, riu. Por exemplo contou que encontrou uma brasileira em Óbidos, onde foram passear, e que ela ficou olhando para ele, Estou conhecendo você... E olhava. Depois questionou, Você é guia? E riram pai e filho, divertidos. Ora o menino é recente mas já estreou numa novela da Globo.

Depois de ter acabado o post abaixo, aquele com o guarda criativo e o ministro dos passos malucos que bem poderiam inspirar Passos Coelho, vim logo procurar uma fotografia do Fagundinho, estava curiosa. A jornalista perguntou se era o mais novo de quatro filhos e ele confirmou. Perguntou a jornalista pela genética de Bruno mas ambos saltaram, que não, que é coisa de educação, de vivência conjunta. Gostei. Não iam diminuir os outros irmãos, meninos todos amados.

E agora já vi a fotografia. Sim senhor. É mesmo um belo filho de seu pai, menino lindo, um charminho, um refresquinho, sim senhor. 




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Fagundes, pai e filho em Vermelho. Uma relação tensa em palco, uma doçura na vida real.






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Já agora, em complemento, para os agnósticos, aqui deixo a prova de que o Fagundão é digno mesmo de muita devoção.


António Fagundes, o galã - um beijo é um beijo é um beijo





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Descobri agora a gravação da entrevista de António Fagundes com o Daniel Oliveira no Alta-Definição, há poucos dias. Como não vi (raramente consigo ver), estive agora a ver e aqui a deixo para quem o queira conhecer melhor.








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Recordo: não deixem, por favor, de descer até ao post já a seguir. Fartei-me de rir e tem de brinde um conselho muito sincero para o láparo e seus amigos tecnofórmicos - para ver se esta sexta feira nos reserva momentos memoráveis.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira. 
E desejo-vos muitas felicidades.

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quinta-feira, setembro 25, 2014

John Malkovich, my man, my crazy, crazy man [Malkovich, Malkovich, Malkovich: Homage to photographic masters, por Sandro Miller - ao som de 'I'm your man' de Leonard Cohen]


No post abaixo fiz o contraponto entre o Passos Coelho de agora (moralista, justiceiro, castigador) e o Passos Coelho (que me abstenho de classificar para não poluir o ambiente deste post aqui) do tempo da ONG criada para arranjar negócio para a Tecnoforma. O tema das histórias é o mesmo, agora e nessa altura: aproveitar fundos europeus. 

Quando se tem uma cara de pau e a sorte de ter uma voz bem colocada e convincente, pode num dia dizer-se uma coisa e noutro fazer o contrário - e a coisa vai passando sem grande estrilho. 

Mas, quando se pára para pensar, não dá como não constatar que, com tantas as piruetas éticas, é caso para dizermos: bem prega frei Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz. Muita lábia, muito descaramento. Uma coisa que se torna insuportável, especialmente quando se colocam histórias de antes ao pé de histórias de agora. Ou quando se vêem vídeos antológicos.


Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra. Completamente outra.


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Cante, Mr. Cohen, cante, por favor e diga-me: I'm your man

(... enquanto eu penso em John Malkovich)






Sandro Miller, Diane Arbus / Identical Twins, Roselle, New Jersey (1967), 2014



Se quiseres um par de gémeas,
eu farei tudo o que me pedires
E se tu quiseres outro tipo de amor,
usarei uma máscara ou uma boina para ti


Sandro Miller, Alberto Korda / Che Guevara (1960), 2014



Se quiseres um camarada, toma a minha mão
Ou, se me quiseres agredir com fúria,
aqui me tens.
Eu sou o teu homem


Sandro Miller, Yousuf Karsh / Ernest Hemingway (1957), 2014



Se quiseres um boxer
eu irei para o ringue para te fazer a vontade
E, se quiseres um médico,
eu examinarei cada bocadinho teu


Sandro Miller, Annie Leibovitz / John Lennon and Yoko Ono (1980), 2014



Se quiseres um chauffeur, entra
Ou, se quiseres levar-me a passear,
sabes que podes.
Eu sou o teu homem


Sandro Miller, Gordon Parks / American Gothic, Washington, D.C. (1942), 2014



Ah, a lua está tão brilhante
e o chão tão sujo
e tem que ser varrido e esfregado
e eu tenho feito tantas promessas
tantas, tantas e que nunca consegui cumprir
Mas um homem nunca teve a sua mulher de volta
se não implorasse de joelhos


Sandro Miller, Arthur Sasse / Albert Einstein Sticking Out His Tongue (1951), 2014



Se for preciso vou a nado,
cansado e de língua de fora
como um cão encalorado
e vou ganir perante a tua beleza


Sandro Miller, Bert Stern / Marilyn in Pink Roses (from The Last Session, 1962), 2014



E vou arrebatar o teu coração
e vou encher os teus lençóis de lágrimas
e pedir-te-ei por favor, por favor.
Eu sou o teu homem


Sandro Miller, Albert Watson / Alfred Hitchcock with Goose (1973), 2014



E, se te apetecer um pato*,
espera que eu vou à procura
e  hei-de aparecer com um.
Mas, se te fizer impressão o pato,
eu escondo-o de ti


Sandro Miller, Edward Sheriff Curtis / Three Horses (1905), 2014



Se quiseres um pai para o teu filho
ou apenas quiseres brincar aos índios comigo
ao longo da pradaria
Eu sou o teu homem

Eu sou o teu homem.




* Sei que é um ganso mas um ganso depenado parece-me ainda mais despoético do que um pato. Assim como assim, com um pato ainda se poderia pensar que a ideia era fazer arroz. 



_________   (sorry pela subversão Mr. Cohen)   ________

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O conceituado fotógrafo Sandro Miller já trabalhou inúmeras vezes com John Malkovich mas quando quis homenagear os grandes fotógrafos que o influenciaram pensou numa coisa em grande. Com o seu modelo de tantas vezes, resolveu recriar retratos famosos desses fotógrafos. A essa série deu-lhe o nome “Malkovich, Malkovich, Malkovich: Homage to photographic masters.” Uma coisa do outro mundo, como puderam ver uma amostra.


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Não sei se o título deste post e até o seu teor podem ser considerados assédio ao Malkovich, essa criatura pérfida, esse perigoso e irresistível Valmont que, certamente, me conseguiria tirar do sério se passasse por mim na rua (... espero bem que nunca passe, senão ainda me vejo metida em trabalhos). 




Em minha defesa, digo que, no máximo, será um piropo (e a graça que eu acho aos piropos requintados - e os piropos requintadíssimos, podres de góticos, que eu atiraria ao Malkovich). Mas vá lá, parece que as bloquistas acabaram por deixar passar os piropos. É que, se o BE fizesse mesmo questão de criminalizar os piropos, de uma coisa poderiam estar certos: eu faria um cartaz e iria protestar para a porta do partido ou para as bancadas da AR: Abaixo o Bloco! Queremos os piropos! Abaixo o Bloco! Queremos os piropos!



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Acho que não vai saber bem mas, a quem seja de boa boca, permito-me sugerir a visita ao post já aqui abaixo. Continuamos com retratos: o retrato possível de Passos Coelho, com a ajuda de alguns jornalistas. Não é coisa bonita de se ver, aviso desde já. 

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Hoje estou cheia, cheia de sono. Reuniões e mais reuniões, planeamentos e orçamentos e sei lá que mais e chego aqui e, em vez de poder descansar a minha fraca cabecinha, sou assediada pelas trapalhadas do Láparo... Por isso, chego a esta hora e tenho a cabeça feita em água, já só me apetece é ir dormir.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira.


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domingo, maio 25, 2014

Aquilo a que se arrisca um simpático que atira beijinhos a uma mulher que passa na rua


Já estava com saudades da minha assistente Martina Hill que dá aulas práticas sobre várias matérias. Ei-la aqui em acção. 

Piropos simpáticos não fazem mal, um ou outro beijinho atirado ao vento também não. A mim isso parece-me uma coisa relativamente normal. Claro que os homens com quem me relaciono não fazem isto (acho eu) mas, enfim, não fico chocada com essa prática. Contudo, a coisa agrava-se quando se exagera. Aí, a simpatia do gesto pode ser tomada como uma falta de educação ou respeito. Há que saber dosear - nos piropos, nos beijinhos como em tudo na vida. Para cada coisa há a conta certa. Não é por ser bom que deve ser muito. 
Quando lhe perguntavam se ainda dava conta do recado, defendia-se um sábio galã que namorava uma mulher com metade da sua idade: O que é bom, pouco basta. 
Isso dizia ele, eu não digo o mesmo. Não digo que deva ser pouco: deve, sim, ser na conta certa.

Quanto à reacção a um piropo ou a um beijinho atirado na rua, a reacção também deve ser a ajustada. A minha assistente Martina talvez tenha exagerado. Afinal, o rapaz não insistiu por aí além. Mas, enfim, ela é assim.



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domingo, setembro 01, 2013

Proibir os piropos? Legislar sobre os piropos...?! E só sobre os piropos de homens a mulheres ou também há que definir quais os piropos que uma mulher pode dizer e que não ofendem a sensibilidade masculina? ---- Ou seja, mais uma brilhante iniciativa do Bloco de Esquerda (que depois de se ter unido ao PSD, ao CDS e ao PCP para derrubar Sócrates, sabendo que a seguir viria o nefasto Passos Coelho, de vez em quando volta a sair-se com parvoíces destas que até parecem de propósito para distrair a atenção do pagode das sacanices que o dito Passos Coelho não pára de aprontar). Pois eu, pela parte que me toca, antes que sejam proibidos, distribuo munições. Podem encontrar aqui vários, desde os piropos tradicionais, aos imaginativos, até a alguns da minha colecção pessoal. //// ----> Texto acrescentado com ALGUNS PIROPOS DIRIGIDOS À MINHA MÃE E À MINHA FILHA


Caso sejam como eu e gostem de ver fotografias de casamentos, então aconselho-vos a não deixarem de deslizar até mais abaixo, até ao meu post seguinte, onde vos mostro as primeiras fotografias disponíveis do casamento do filho de Carolina de Mónaco, o belo Andrea Casiraghi, com a sua namorada de longa data e mãe do seu filho Sacha, Tatiana Santo Domingo.

*

Entrámos em Setembro, um mês suave, que abre caminho para as subtilezas do Outono, em que o tempo já não é de calores tórridos mas ainda não é de frios atrofiantes. Conservo-me, pois, ainda despida mas saio da água e recolho-me à penumbra, lá onde a sombra e a luz traçam caminhos na minha pele. As cores prenunciam os encarnados da vinha virgem quando as folhas se começam a incendiar porque é no fogo do carmim que eu me movo melhor. A fotografia é de um dos fotógrafos de eleição do Um Jeito Manso, o norueguês Solve Sundsbo.

*

Introdução feita, passo, então, ao tema deste post. 

Quero dizer-vos o que acho da inusitada iniciativa do Bloco de Esquerda que resolveu embirrar com os piropos e que, ao que parece, quer até abrir um debate parlamentar. 






Vi há bocado na televisão uma daquelas mulheres com aspecto intelecto-alternativo, vestido preto escorrido, cabelo igualmente escorrido até à altura do queixo e franja pelo meio da testa, a dizer que não são admissíveis observações sobre o aspecto físico das pessoas. Não admite, por exemplo, que alguém, por um qualquer acaso, lhe diga que é bonita pois não pediu opinião sobre isso. Claro está que eu, se fosse homem e me cruzasse com ela na rua, depois de a ouvir dizer isto com aquela cara de caso, talvez não me conseguisse conter (não sei é se lhe dizia que ela é bonita).

Pois eu, sobre isso, só tenho a dizer que os bloquistas ou são doidos ou estão a alucinar ou não estão no seu estado normal ou qualquer coisa nessa base. E isto porque:

  • Numa altura destas, em que há tantas coisas graves a ocorrer ou em vias disso (desemprego, supressão de direitos e garantias, etc, e tudo condimentado através de uma manipulação descarada da opinião pública - perante a passividade absoluta dos jornalistas que papagueiam acefalamente tudo o que os spin doctors do governo vão debitando para as redacções), parece-me que só gente que ande a planar numa outra dimensão ou que esteja conluiado com o (des) governo de Passos Coelho é que pode vir lançar tamanho disparate para a discussão pública.

  • E também acho que só por mentes a tender para o totalitário é que pode passar a ideia de censurar a expressão de reacções espontâneas (geralmente até de agrado).


Felizmente não tenho a experiência de ouvir bocas desagradáveis, depreciativas ou excessivamente ordinárias. Mas tenho, sim, a experiência de ouvir observações engraçadas, algumas mais brejeiras, outras mais sofisticadas.




Penso que os homens têm cada vez menos o hábito de dizer piropos a quem passa na rua mas considero normal que olhem, que se virem, e que, quando estão em grupo, mais protegidos e mais desinibidos, deixem sair um ou outro piropo. Acho identicamente normal que as mulheres façam o mesmo (embora não tenham muito esse hábito - e estou a referir-me a 'mandarem umas bocas', não a olharem ou virarem-se que isso é uma coisa que pode acontecer quase involuntariamente quando passa alguém que tenha um toque de je ne sais quoi).

Mas se isso é na rua, já em pequeno grupo, em roda de amigos, tanto homens como mulheres podem e devem ser simpáticos. Chama-se a isso confraternizar. Claro que é difícil traçar a fronteira entre uma observação simpática e um piropo mas também não vejo necessidade de traçar essa fronteira.

Vou repetir-me, creio, mas conto-vos na mesma. Tenho um grande amigo, um brincalhão, que se eu lhe disser, quando o encontro: 'estás óptimo', ele, quase invariavelmente, me responderá: 'dizes isso porque não te tens deitado comigo'. E eu farto-me sempre de rir. E ele também se ri por me ver rir.

E a coisa é ainda mais divertida quando a coisa se passa com um amigo (homem, portanto) que lhe faça o mesmo cumprimento pois leva, quase se certeza, com a mesma resposta.

E tem algum mal isto? Qual de nós disse um piropo? E algum de nós disse o que não devia?

Ora...

Poderia pôr-me a puxar pela cabeça para exemplificar piropos ou 'bocas' que ouvi ao longo da minha vida mas não tenho grande paciência para elaborar pensamentos ou repescar coisas da memória. Mas, assim de repente, lembro-me, por exemplo, de uma vez, grávida até mais não poder, passar ali na Castilho e estar um grupo de homens perto do Castil a olharam para mim, sorridentes, e um deles me dizer 'puseste-te a brincar com o zezinho... olha no que deu'. Achei piada. Segui como se não tivesse ouvido mas certamente a esforçar-me para não me rir.




E lembro-me também de uma vez (talvez também já o tenha contado e, se assim for, as minhas desculpas pela repetição) eu estar adoentada e, ao assomar ao gabinete de um colega, lá estar também o presidente da empresa. Quando me viu, este perguntou-me como é que eu estava. Respondi: 'Engripada'. Ele virou-se, com ar surpreendido para o meu colega: 'O que é que ela disse? Engraçada...?!'. Corrigi-o: 'Engripada'. Ele então desatou-se a rir: 'Ah... Percebi que você tinha dito engraçada. Estranhei. Não é que não esteja, ou que não seja, mas não costuma dizê-lo'.

Uns dias depois, estava já eu completamente recuperada, entrei na sala de reuniões ligeiramente atrasada, já estavam todos sentados à volta da enorme mesa ovalada, o presidente na cabeceira. Sentei-me. E então o presidente, sorridente, ar malicioso, olhou para mim e depois virou-se para o tal meu colega em cujo gabinete tinha decorrido o equívoca acima relatado, e disse-lhe: 'Ela hoje está mais do que engripada. Diria mesmo que está com uma grande pneumonia. Que é que você acha...?'. O meu colega desatou-se a rir e eu também. Claro que os restantes ficaram a olhar uns para os outros sem perceber nada. 

Foi um piropo? Ah pois foi. So what? Deveria eu ter ficado arreliada? Ora...

¨¨

[Volto a este texto para acrescentar mais alguns piropos, alguns envolvendo a minha mãe.



  • Conta ela que uma vez ia a passar, louríssima, um cabelo naturalmente louro, quase platinado, quando ouviu uma voz apreciadora: 'Está ruça mas ainda está boa...'. Quando conta isso, ela ainda se ri.


  • Recebeu também uma vez um piropo em forma de poema da parte do Sebastião da Gama, professor numa altura em que ela era aluna, que lhe entregou um papelinho que dizia:

O cabelo é de ouro
para que vejam bem
que o coração
é de ouro também

  • E lembro-de uma vez, estando eu a entrar na adolescência e ainda não acostumada a estas coisas, e indo eu e a minha mãe a passear na Baixa, uns sujeitos passarem por nós e olharem com ar interessado, e um deles dizer: 'Abençoada mãe que tal filha deitou a o mundo'. Lembro-me da minha surpresa e do ar de certa forma orgulhoso da minha mãe, e de como nós duas nos rimos.


  • Voltei a ouvir esse piropo várias outras vezes, nas suas diversas variantes mas, voltei, sobretudo a sentir o agrado inicial quando, indo eu com a minha filha, ouvi o piropo mas agora dirigido a ela.]


¨¨¨¨

Que mal fazem os piropos? Nenhum. Quando são simpáticos até fazem bem ao ego. 

Mas se, em vez de serem assim, forem ordinarices, que também já as ouvi (fazia-te, acontecia-te e sei lá que mais)? Pois, aí pode ser desconfortável, reconheço. 




Mas, se houvesse uma lei que proibisse as bocas foleiras, o que se deveria fazer? Desatar a correr até encontrar um polícia e convencê-lo a ir prender o infractor? Que parvoíce, senhores.

Eu o que recomendo é o seguinte e parece-me suficiente:
  • ou se faz o mais comum: ignorar, seguir como se não se tivesse ouvido,
  • ou, avaliando-se que não há riscos -, nomeadamente se se for acompanhada e se se perceber que do outro lado está um gargantas e pouco mais - também se pode parar, olhar o valentão de frente e dizer-lhe: 'Tem a certeza? Duvido. Ora veja-se ao espelho'. E depois seguir em frente. Garanto que o valentão vai ter vontade de se enfiar pelo chão abaixo.


Por estas e por outras é que o Passos Coelho, por mais porcaria que faça, ainda lá está - e ainda há quem não tenha percebido a criatura funesta que ele é. Com uma esquerda onde há partidos destes, que em vez de se concentrarem no que interessa, se entretêm a inventar baboseiras e manobras de distracção, de que é que se está à espera?

Não digo que o BE seja sempre o partido dos disparates pois o Miguel Portas era um humanista, aberto, culto, civilizado, sensato, e Francisco Louça era um brilhante parlamentar que fez grandes intervenções, Ana Drago também progrediu a olhos vistos (e agora que estava madura, sai - o que é uma pena), João Semedo é um homem sensato que se ouve com interesse. Mas, de uma forma geral, ainda andam a patinar sem perceberem qual o seu espaço de actuação e quais os objectivos da sua intervenção e, talvez por via dessa indefinição, há espaço para o surgimento de aberrações como esta de aqui falo. 

Embirrar com os piropos? ... A que propósito isto agora? Ora esta.




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Permitam que vos relembre: se são cuscos como eu e gostam de ver fotografias de casamentos, no post abaixo podem ver as primeiras do casamento do filho mais velho de Carolina de Mónaco, Andrea. Mostro também uma fotografia da despedida de solteira da mulher dele, Tatiana Santo Domingo.

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E nada mais por hoje. 

Resta-me desejar-vos que entrem em Setembro com o pé direito, que este domingo seja muito bom.

E espero que se virem alguém giro não deixem de demonstrar o que acham. 
Um piropo à maneira, uma flor, um sorriso, um poema cantado ou decantado, um piscar de olho, um assobio (you know how to whistle, don't you?, volto a perguntar): tudo coisas que se recomendam.