No post abaixo falo da entrevista de Passos Coelho à TVI/TSF sobre a qual pouco ou nada há a dizer tal a vacuidade. Mas, enfim lá digo qualquer coisa e, de caminho, falo do Passos Coelho do jornalismo televisivo, o Abreu Amorim do comentário económico. E falo de outros que não têm nada a ver com os anteriores.
Mas aqui, agora, a conversa é outra.
Aqui vou contar-vos sobre o primeiro presente que recebi nesta época natalícia. Mas, primeiro, como música de fundo, que deslize Ariane.
Não vou contar-vos pormenores. Talvez os conte um outro dia. Hoje dir-vos-ei que, por mail, recebi indicações de como chegar ao esconderijo onde tinha sido deixado.
Gostava de saber dizer-vos da emoção, da surpresa. Enquanto lia o mail ia ficando mais admirada e encantada. Estava ao telefone com a minha filha e contei-lhe logo. Depois, quando falei com o meu filho, também lhe contei. Ficaram os dois enternecidos com a ideia.
Fiquei ansiosa por ir buscá-lo. Apenas contava ir para aqueles lados no fim de semana mas pensei logo que não ia descansar enquanto não fosse lá, tinha medo que alguém o descobrisse, ou que chovesse e se estragasse. Mas durante a semana só de noite e chegar lá, ao esconderijo, de noite, não se recomenda.
Mas tinha que ser. Lá fomos, pois, os dois, eu e o meu marido, um destes dias.
Era de noite, estava frio, as ondas batiam na amurada, chovia ao de leve. E eu fui resgatar o meu presente.
E às escuras, com a luz do telemóvel a tentar ajudar e sem se conseguir ver nada e depois com a mão a tentar tactear o volume que tinha sido descrito, lá o senti. Intacto. Quietinho à minha espera.
Não sei se conseguem perceber a alegria de receber um presente assim. E o que isso significa, a generosidade de quem ali se deslocou propositadamente para me deixar um presente.
Já o tenho aqui comigo. Um objecto precioso. Um livro de poemas, edição de autor.
| O primeiro presente que recebi nesta época natalícia e o primeiro presente alguma vez dirigido à UJM, essa outra que sou eu O DECANTAR DAS SOMBRAS |
Rumores de vento
trazidos
nas palavras
que pousas
lentamente
no papel em branco
Versos
feitos de sombras
que colhes ao entardecer
Rasto de um rosto
quando
de ti mesma
te escondes
Estender o braço
por cima do espaço aberto
na minha frente
e tocar
em tudo o que imagino
para além de todos os horizontes
Inclinar o dia
e decantar as sombras
para que o dia me fique azul
e do vento norte
nada mais me reste.
Sem sombras
o riso poderá abrir-se
*
Muito obrigada Joaquim. Gostei... e muito!
*
O poema lá em cima é Ariane de Miguel Torga dito por Inês Veiga Macedo.
A música é Spiegel im Spiegel de Arvo Pärt interpretada por Filipe Melo e Ana Cláudia.
*
Há poesia dita também no Ginjal. Hoje é Jorge de Sena e Catarina Guerreiro e une toute petite lumière, just a little light, una piccola...
*
Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta feira.