Cá estou. Durante a tarde, a coisa ia brava porque demasiada estupidez, para mim, é coisa violenta. Então, por um instante, desviei a minha mente para um recanto e pensei: calma, já falta pouco, daqui a nada é fim de semana e a única coisa a pensar é onde é que apetece ir jantar para descansar e espairecer. Mas, acto contínuo, lembrei-me: qual quê, saindo daqui ainda tenho que dar com a quinta nos arredores dos arredores. E assim foi. Mais um jantar de natal. Já foi. Alegre, bom, ruidoso, bem animado. No fim, em conversa off the record, confessei a uma antiga conhecida que não via a hora de descer dos saltos altos, de me despir, tirar o soutien, o colar, os brincos, apanhar o cabelo. Ela disse-me: não sei como aguenta essa vida. E eu disse: nem eu.
E depois foi o inverso: descobrir como sair de lá porque, mesmo com gps, andar em lugares desconhecidos, de noite, muita rua mal sinalizada, muita indefinição, é coisa chata e eu não gosto. Mas logo encarreirei e já estou vestida confortavelmente, já tenho o cabelo apanhado, já estou no meu sofazinho. O que eu gosto de estar sossegadinha aqui na minha casinha.
Se há coisa em que penso muitas vezes é na vida que têm os políticos, sempre de um lado para o outro, sem descansarem, sem poderem estar desatentos, descalços, sem poderem ir à casa de banho em paz, sem poderem dormir o tempo que quiserem, na sua caminha, agarradinhos aos seus amores. Juro que não percebo como se aguentam. Eu acho que caía para o lado. Ou isso ou ficava mal disposta, impaciente, impertinente, a mandar meio mundo à fava. Por isso e também por não me apetecer frequentar gente que, em parte, é mal afamada é que não apareço a bater à porta de nenhum partido. Veja-se aquela trupe da bancada do PSD: uma rebaldaria que não tem explicação. Como é que gente séria consegue conviver com aquela indecência é coisa que não se percebe.
Mas, enfim, é isto: cada um é para o que nasce. Uns nascem para brilhar, outros para sofrer, outros nem para isso nem para o contrário e outros, ainda, para outra coisa qualquer.
E agora vou descansar, vou para a minha cama quentinha, vou ver se durmo até vir a mulher da fava rica.
Mas antes ainda tenho que pensar no título que vou dar este post sem eira nem beira. Ora deixa cá ver... É que nem sei por que ponta lhe hei-de pegar.
Olha, já sei. À falta de melhor pode ter a ver com o que se passou há bocadinho e que passo a relatar.
Com tanto festejo, no fim do segundo jantar de natal, ao despedir-me de uma pessoa, desejei-lhe: 'Então, boas entradas'. Ele deu um passo atrás e olhou espantado: 'Boas entradas?! Já?!? Vai de férias?!'. Só então me lembrei que estamos no início do mês de Dezembro. Mas, pensando bem, com esta aceleração do tempo, sorte foi não ter desejado boa páscoa.
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As pinturas são de Trevor Bell porque são boa onda e nada melhor do que uma boa onda e Loreena McKennitt interpreta Snow que se calhar não encaixa aqui como uma luva mas que pode ser que tenha a ver com o fresquinho jeitoso que estava quando saí lá do jantar na bela quinta e tive que atravessar a noite escura e húmida até chegar à voiture que estava molhada e gelada.
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E, para vocemecês, um bom carnaval.
Alegria e saúde.
















