Caquistocracia (ou kakistocracia): significa o «governo dos piores», ou seja, um sistema político liderado pelas pessoas menos qualificadas, mais incompetentes ou mais inescrupulosas.
Etimologia: A palavra vem do grego kakistos (o pior, superlativo de mau) combinado com kratos (poder ou governo).
História: O termo foi criado no século XVII para descrever governos entregues a cidadãos sem capacidade ou mérito para exercer a função pública.
Principal característica: Incompetência como critério - o governo escolhe ou tolera membros com base na falta de preparação, afastando e hostilizando quem demonstra verdadeira competência.
Um Governo em que o primeiro-ministro está contaminado por uma infecta Spinumviva que para sempre lhe ficará colada como uma carraça, que começou a governar sobre uma mentira que soou aos portugueses como uma fraude (falando numa descida espectacular do IRS quando era afinal algo que já estava reduzido (pelo governo PS)), que tem balizado a sua actuação por meias verdades, por chutar para canto, por incumprir tudo o que tinha prometido, que se fez rodear de uma equipa de ministros fraquíssimos, que estragam tudo em que tocam (o caso da Saúde, da Educação, então, são paradigmáticos do que é a incompetência elevada a expoentes impensáveis), em que um ministro da Administração Interna (o 3º erro de casting, depois de duas senhorinhas que não atinaram) se apresenta como um polícia de tipo self-made man -- quero, posso e mando e que venha o primeiro que me impeça de fazer o que quero -- não é um exemplo de que, também em Portugal, se tem vindo a decair no sentido de uma caquistocracia?
Os que estão no Governo não deveriam ser os melhores dos melhores? Como é possível que as coisas estejam num declínio tal?
Mesmo na Assembleia da República, como é possível ver nas bancadas um tal rebotalho?
A bancada do Chega seria de anedota se não fosse uma tragédia. O mal que este partido tem feito à democracia é palpável, é como uma gangrena que vai alastrando.
Mesmo na bancada do PSD, que líder parlamentar é aquele? Um trauliteiro, um fala barato. Qual o critério: ser unha com carne do Montenegro? Outro vírus para a democracia.
E que porta-voz do PSD é aquele? Que credenciais tem o Bugalho? Ser outro fala-barato? Abre a boca e sai um bafo que incomoda.
Ainda assim, há que reconhecer que nada que se pareça com a palhaçada a que se assiste nos Estados Unidos. Aí, sim, é um filme de terror, a coisa vai para além do imaginável. Não se consegue perceber como o país mais poderoso do mundo (será que o é, de facto?) está nas mãos de um narcisista maligno, demente, ignorante, estúpido até à quinta casa. Nem se percebe como admitem os americanos que a equipa executiva seja constituída por gente tão totalmente desqualificada. Ou como admitem que todas as instituições basilares da democracia estejam permanenetemente sob ataque por parte de Trump, que só descansa quando corre com os competentes e os subsitui por gente desqualificada e servil. É de fugir.
Gostei de ouvir George Clooney descrever esta situação como uma caquistocracia. No vídeo fala de várias coisas, incluindo disso. Vale a pena ouvir.
George Clooney critica a América da era Donald Trump: "Estamos a viver uma caquistocracia neste momento"
A estrela de Hollywood George Clooney fez uma série de declarações contundentes no Festival de Veneza, onde recebeu o Leão de Ouro pelo conjunto da sua obra. Clooney abordou temas como a política norte-americana, o jornalismo, a inteligência artificial, Hollywood, as alterações climáticas e a propriedade dos meios de comunicação.
Clooney descreveu a situação atual nos Estados Unidos como uma "caquistocracia", termo que se refere a um governo exercido pelas pessoas menos qualificadas. Alertou ainda para o conteúdo gerado pela inteligência artificial e para os deepfakes, afirmando que podem tornar cada vez mais difícil distinguir a verdade da ficção.
O ator manifestou ainda preocupação com a concentração dos media e a proposta de fusão entre a Paramount e a Warner Bros., além de discutir as alterações climáticas e os incêndios florestais que afetaram a casa da sua família em França.
A deriva populista do PSD e do CDS, a reboque do Chega ou por vontade própria dos seus líderes cuja a forma de estar na política não é muito diferente da do líder do Chega, origina situações ultrajantes para o parlamento português e para os portugueses. Numa carta enviada ao presidente da AR, o responsável pelos diretos humanos da ONU pede ao PSD, ao CDS e ao Chega para retirarem a lei, em discussão na especialidade, sobre identidade de género. Refere que a proposta de lei impacta negativamente na identidade de género, não respeita os direitos humanos e contraria muitos dos acordos ratificados por Portugal. É uma vergonha para os proponentes este puxão de orelhas, mas, sobretudo é desprestigiante para os portugueses. Os verdadeiros sociais democratas e centristas devem estar a esgotar o stock de pastilhas para a azia. Será que ouviremos o presidente da AR ou o PR pronunciarem-se sobre este assunto? E o arruaceiro-mor Hugo Soares não vociferara como é costume? E o Rangel, que fica histriónico quando está no meio da rapaziada do PSD, não gesticulará enquanto berra sobre este caso? Os tipos que hoje mandam nos partidos de direita têm demonstrado uma grande dificuldade em enquadrarem-se na ética republicana e em respeitarem os direitos dos outros e o direito à diferença. Esta proposta de lei comprova-o.
Voltando ao Neves. Desvalorizar e minorar os procedimentos do Neves porque, aparentemente, não se enquadram em gritantes esquemas de corrupção são um enorme erro que é cometido voluntária ou involuntariamente por muitos comentadores. Na democracia as regras são para cumprir e as leis têm que ser respeitadas. Não há lugar para chicos espertos que, em posições relevantes, estabelecem regras próprias e utilizam subterfúgios para ultrapassar o legislado e contornar o estabelecido. O exemplo da Spinumviva é paradigmático e o que se sabe da atuação do Luís Neves é do mesmo calibre. E como já aqui escrevi quem desvaloria estes casos, porque parece que o Luís Neves é um democrata, quiçá, de esquerda (quando muito da esquerda baixa, digo eu) está a fazer um grande favor ao populismo e à extrema direita. Pensem nisso. Criticar e exigir que estas situações não aconteçam é fortalecer a democracia. O contrário é contribuir para que Trumps e quejandos sejam eleitos.
Vi vários vídeos com corridas de humanóides. Correm que se fartam. Parecem meio descojuntados, quase não têm cabeça, nem precisam dela, e, no fim, atiram-se conta uma parede, escaqueiram-se todos, alguns até deitam fumo de tão queimados estão. Nas bancadas, outros descerebrados aplaudem.
Quando foi à veterinária, devido à piodermite no rabo (do cão, não no meu), ela rapou todo o pelo dessa zona do animal pois só assim conseguia ver e tratar a desgraceira de feridas que para ali estavam. Mas, por consideração, deixou um grande tufo na ponta. Parecendo que não, sempre compunha. Acontece que, pelos vistos, tinha feridas também na extremidade. Como eu não conseguia tirar as pequenas crostas que estavam emaranhadas nesse tufo, resolvi que para grandes males, grandes remédios: cortei o tufo. Agora o pobre coitado parece um alien com um funil na cabeça e uma salsicha espetada e depenada em vez de cauda. Está muito surreal, distorci-lhe a aparência. Só espero que não lhe afecte a personalidade.
À noite, quando fomos caminhar, vimos, no outro lado da rua e indo em sentido contrário ao nosso, um grande grupo de pessoas, talvez perto de vinte. Percebemos que eram de várias idades e que iam conversando. Não sei se seriam todas da mesma família ou do mesmo grupo de amigos, ou se algumas pessoas avulsas e desconhecidas se lhes juntaram. Pensei que era uma ideia com piada, as pessoas juntarem-se a quem passa e irem conversando, fosse do que fosse. Mas não dá para me juntar sem saber se faz sentido, não é? Imagina que vai uma família, na boa, e lhes apareço eu feita penetra, armada em espírito livre, estou aqui para partilhar ideias e sentimentos. Quem me garante que não se calam todos, acagaçados, temendo estarem a correr sérios riscos de eu ser uma doida varrida ou uma bandida à caça de rolexes?
Também à noite ouvimos pássaros que nunca antes tínhamos ouvido. Escandalosos, barulhentos. Não eram corujas, que essas são discretas, podem falar alto, mas é uma fala monocórdica, piuuuuuu, piuuuuu. Estes não, uma conversa variada, colorida, coisa de pássaros garridos ou bem bebidos em festas populares. Não faço ideia de qual a sua aparência mas, com aquela cantoria à desgarrada, devem ser passarões de olho encarnado e de garrafa de vodka na asa.
Agora, quando posso, faço uma coisa: depois de almoço, deito-me em cima da minha cama. Estores para cima, vidros basculantes. O quarto cheio de luz, a aragem a fazer ondular os cortinados. Ao fim de poucos instantes estou a dormir. E, ao fim de poucos minutos, chegam mensagens ou telefonemas e interrompem-me a sesta. Uma malapata. Mas, apesar de curta, a sestinha é sempre boa enquanto dura. Quando andava na escola infantil, e andei a partir dos quatro anos, todas as tardes as cortinas da grande sala eram fechadas, uns colchões eram estendidos no chão, no inverno junto com o colchão estava um cobertor, e tínhamos que dormir a sesta. Imposição sem margem para protesto. Nunca consegui. Nunca. Ficava cerca de uma hora a olhar para os outros, a tentar descobrir formigas, a pensar no que iria fazer no recreio, a imaginar quanto tempo faltava para acabar aquela estopada. Agora, nada me sabe tão bem quanto deitar-me à fresca e em plena luz, a dormir a sesta.
Não vou explicar em pormenor, repito apenas que me faltam os meios para que os meus dedos consigam pronunciar-me capazmente sobre a embaraçosa situação do Luís Neves, que se vai enterrando mais a cada dia que passa, da insustentável situação do incompetente e irresponsável Fanã-Alex, da vergonhosa e preocupante incompetência da Ana Paula Martins, do absoluto zero que é o Lentão Amaro e de todos quantos, feitos zombies, se arrastam no governo do Montenegro, o tal que anunciou que não ia de férias e que agora foi fotografado a banhos no Algarve, como sempre, cosido com o trauliteiro-mor Hugo Soares.
Tivesse eu um computador e o tanto que teria para dizer. Até invocaria o caso de um tal director que, tendo tido problemas e remodelações por fazer em sua casa, 'contratou' a empresa que tinha contratado para fazer uns trabalhos numas certas instalações, trabalhos esses que, sem o saberem (cala-te boca) pagaram todo o gasto na casa do dito director. E isto foi-me contado por quem tinha todas as provas. Isto numa outra vida, outros personagens. Há histórias que parece que teimam em repetir-se, mudando apenas os personagens. Um tédio.
Mas não tenho computador. Parece que encomendaram uma peça. Ando mentalmente coxa, parece que me falta a mobilidade. A ver se para a semana, a coisa se resolve.
Entretanto, fui a uma clínica veterinária comprar um shampoo para peles sensíveis para o cão e fiquei com vontade de o experimentar, deve ser bom pois custa dez vezes mais do que o que uso para mim. E quando estava a ser atendida, saiu uma vet toda chiquérrima do consultório e dirigiu-se à funcionária que me estava a atender, a perguntar-lhe por umas fichas não sei de quê. Mas, de repente, levantou o olhar para me pedir desculpa por ter interrompido e, ao dar de caras comigo, soltou uma exclamação e, sem parar de me olhar, repetiu o que tinha dito e disse que eu lhe fazia lembrar uma certa baronesa quando era mais nova. O meu marido depois disse-me: 'Ora aí está uma coisa boa para contares no blog'. Respondi-lhe que é o que dá ele não ler o que eu escrevo. Se lesse, saberia que jamais contaria isso. Gozou comigo 'Aposto que vais escrever'. Portanto, aqui fica a prova provada: perdeu a aposta.
E pronto, como sem computador e com um corrector automático que só à bofetada, fico como se estivesse lobotomizada, totalmente improdutiva, sem saber de que falar, fico-me por aqui
Vou antes ver este vídeo que nada tem a ver com algumas personagens da nossa praça, umas infelizes mancas em classe, savoir faire e requinte, pimbas e intelectualmente balofas -- nada, nada, a ver com as icónicas personagens do vídeo abaixo.
As Gueixas de Tóquio: Por dentro do mundo fechado dos enigmáticos ícones do Japão | Foreign Correspondent
No Japão, a comunidade das gueixas é um mundo fechado. O modo de vida por detrás daquelas mulheres icónicas — com a sua maquilhagem marcante, as imponentes perucas negras e os requintados quimonos de seda — é em grande parte desconhecido, até mesmo para muitos japoneses. Então, como é que as gueixas atuam na era moderna? Como é, de facto, a vida de uma gueixa em 2026?
No programa *Foreign Correspondent*, a repórter Natalie Whiting leva-nos para o interior da vida privada das gueixas. Com um acesso privilegiado, conhecemos uma das gueixas mais famosas do Japão e as jovens que abdicaram das liberdades usufruídas pelas suas amigas para dedicarem a sua vida a uma das antigas formas de arte japonesas. Antigamente, mais de 13.000 gueixas viviam e trabalhavam em Tóquio; hoje, restam apenas cerca de 200. Estão numa missão para se abrirem ao mundo, numa tentativa de salvar esta antiga tradição das artes performativas.
O *Foreign Correspondent* é o programa de atualidade internacional exibido no horário nobre da estação pública australiana, a ABC-TV. Produzimos reportagens aprofundadas de meia hora de duração para exibição nos canais de televisão e plataformas digitais da ABC. Desde 1992, as nossas equipas viajaram para mais de 170 países para cobrir conflitos, catástrofes naturais e agitações sociais e políticas — sempre na perspetiva das pessoas que vivem estes acontecimentos de perto.
Nunca devo ter sido muito normal. Por exemplo, lembro-me de ser ainda pequena quando vi pela primeira vez a imagem de uma pintura de Paul Klee. Nunca tinha visto nada assim. As pinturas que conhecia eram figurativas, quando muito impressionistas. Por cima do sofá da nossa sala havia uma pintura de razoáveis dimensões com uns barcos. As cores, os traços, a mancha, tudo puxava mais para o impressionista, e eu gostava muito mais do que das pinturas de flores ou afins que havia noutras paredes. Havia também umas gravuras antigas, bonitas, tenho ideia que de casas antigas, bairros, não sei, desfoca-se-me a memória, mas sei que eram absolutamente fiéis aos objectos retratados.
Imagem gerada pelo ChatGPT para responder ao meu pedido: uma pintura que evoque o Senecio de Paul Klee
Por isso, quando vi Senecio, a tal pintura de Paul Klee, fiquei fascinada. E não larguei a minha mãe, queria ter uma reprodução, poderia ser um poster, poderia ser um cartão, qualquer coisa. Não sei o que é que os meus pais acharam dessa minha pancada. Provavelmente pensaram que não faziam a mínima ideia onde arranjar tal coisa* e que eu acabaria por me esquecer. Mas não me esqueci. Parecia-me que não conseguiria viver longe daquela imagem. E, não sei como, mas a verdade é que alguém arranjou a imagem. E a meu pedido a minha mãe emoldurou-a. Existiu lá em casa quase desde que tenho memória.
Não sei se alguma vez alguém me perguntou o que é que eu via ali. O que sei é que, se o tivessem feito, não saberia explicar. Sei hoje que é a cabeça de um homem senil. Mas o nome da pintura não muda nada. Poderia chamar-se Retrato de um Jovem Perplexo. Tanto faria. O que sei é que me identifico com aquela imagem, com aquele olhar, com aquelas cores, com a inexplicação daquele rosto.
Muitos anos depois, mantendo-me fiel a esse amor, não descansei enquanto não encomendei numa cerâmica um pequeno painel de azulejos com a reprodução daquela pintura para a ter in heaven.
Como sempre na arte, posso olhar para uma coisa muito bonita, muito perfeita, e seguir adiante. Nada me diz. E posso ver uns 'rabiscos', uma sobreposição de cores, e ficar fascinada, agarrada. Para mim a arte não é, não pode ser, a reprodução da realidade. Tem que ser a invenção da realidade ou uma outra visão da realidade. E tem que me emocionar, tenho que querer ficar a olhar, de preferência sem ser capaz de dizer o que estou a ver.
No entanto, apesar de nada do que eu saiba da vida de Paul Klee ou das suas obras me fará gostar mais ou menos da sua pintura, a verdade é que fiquei curiosa quando vi o vídeo que abaixo partilho.
A Vida e a Arte de Paul Klee: História da Arte Explicada
Paul Klee passou os primeiros trinta anos da sua vida convencido de que não tinha aptidão para as cores, ou mesmo para a vida de artista.
Nascido perto de Berna, numa família de músicos, estudou em Munique, no seio do modernismo alemão, e encontrou o seu caminho no círculo de Wassily Kandinsky, Franz Marc e Der Blaue Reiter — um dos movimentos artísticos mais influentes da sua época. No entanto, apesar de toda esta companhia estimulante, mantinha-se inseguro quanto à sua própria voz. Depois, em 1914, uma viagem ao Norte de África mudou tudo.
Foram precisas décadas, mas a partir desse momento a visão singular de Klee floresceu com uma intensidade notável. Violinista talentoso, para além de pintor, trouxe a sensibilidade de um músico para o ritmo e a composição para a sua arte, produzindo obras que resistem à categorização fácil, inspirando-se em elementos do Expressionismo, Surrealismo, Cubismo e abstração, mas permanecendo inteiramente originais.
* Ao escrever aquilo lá em cima, de que imagino que os meus pais tenham ficado sem saber onde arranjar uma reprodução daquela pintura, em específico, do Paul Klee, penso que isto deve ser difícil de entender por quem é de uma outra geração. Agora arranja-se tudo. Ainda no outro dia andávamos a pensar onde arranjar um candeeiro que nos agradasse, vi na Amazon e havia vários, encomendei, perfeito. E o meu marido queria uma máquina para o jardim -- mais uma! --, procurámos na Worten, encomendámos ao fim do dia e, na manhã seguinte, estavam a entregar. Sabe-se tudo, descobre-se tudo, arranja-se tudo nem que seja do outro lado do mundo. Agora... há mil anos... sem marketplaces, sem internetes, está bem, está. Havia livrarias, isso sim. Que me lembro eram as únicas janelas abertas para o mundo. Isso e, de certa forma, também as lojas que vendiam discos. Por isso, na volta, a minha mãe comprou algum livro de arte e arrancou a página que continha a imagem do Senecio. Mas agora que falo nisto, tenho ideia que na livraria onde mais íamos, também vendiam algumas reproduções, gravuras, coisas assim. Mas posso estar enganada. Sei é que arranjaram. E foi bom pois, desde cedo, tive a companhia de imagens que ajudaram a desconstruir o que a sociedade tentava construir dentro da minha cabeça.
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Nota: Ando mais para este género de temas do que para sujar as mãos a escrever sobre os deslaçamentos verbais do Láparo. Bem pode ele chamar prostituto ao Montenegro, ainda por cima, prostituto sem carácter, que isso, a mim, não me inspira. Bem podem todas as comentadeiras do burgo saltar, assanhadas, para os balcões em que se serve comentário a copo, que eu me mantenho na minha. Estão os três bem uns para os outros. Melhor, os quatro. Portanto, se a conversa desceu ao nível do bordel, pois que lhes faça muito bom proveito. (Ah... não sabeis quem é o quarto? E refiro-me não ao quarto de dormir mas ao quarto personagem... Ora pensai. Láparo, Ventura, Mentenegro e... Hugo Soares. Uma quadrilha do caneco. Quadrilha no sentido de serem quatro, claro. Se calhar, mais vale dizer quarteto. É isso, um quarteto do caraças, benza-os o belzebu).
Agora veio a saber-se que há uma investigação do MP (curiosamente, provavelmente, a única investigação que até agora se manteve em segredo de justiça) sobre as atividades da sociedade de advogados do Montenegro, incluindo um parecer assinado pelo Luís sobre a maior obra pública da CM de Espinho quando presidida pelo um militante do PSD agora a ser julgado por várias acusações. O Montenegro terá assinado pelo menos um parecer que contraria a opinião dos técnicos da Câmara e favorece a empresa que fez a obra para a Câmara de Espinho e que, por sinal, forneceu o betão para a sua luxuosa casa de 6 andares em Espinho. Há coincidências do caraças.
Pelo que a Comunicação Social tem vindo a desvendar, no percurso do Montenegro existem demasiadas "coincidências do caraças". Aparentemente, são tantas que ele não consegue explicá-las. Não consegue ou não pode...
Os que ainda não perceberam como atua o Montenegro e ainda o apoiam deveriam reflectir nisso..
Entretanto, soube-se ontem que o Hugo Soares, que é um verdadeiro grunho que chama nomes a tudo e a todos na AR revelando uma enorme falta de educação, também tem uma empresa imobiliária e de consultoria na qual é o único empregado, que faz negócios assaz interessantes/proveitosos com a venda de imóveis, um deles curiosamente envolvendo a família do gasolineiro que faz adjudicações "curiosas" ao Montenegro e cuja nora trabalha para a Spinunviva. Também aqui seria relevante que fosse feita uma auditoria à contabilidade desta 'empresa' para verificar se não será mais uma empresa que serve para pagar muito menos impostos e onde estão contabilizados despesas pessoais do Hugo e família.
Soube-se também que o homem recebe uma avença mensal de 14.000 Euros (o Montenegro parece que no total recebia 15.000). Como é possível? Das duas uma: ou não faz nada como líder parlamentar do PSD e só trabalha "por fora" para conseguir ganhar os 14.000 ou não faz nada na "empresa pessoal" e recebe este dinheiro vá lá imaginar-se porquê e para quê.
Não esqueçamos que o Hugo Soares teve a lata de se dirigir aos deputados do Chega exortando-os, com uma veemência bastante vocal, a dizerem quantos detinham empresas imobiliárias.
Montenegro e Hugo, a hipocrisia e a mentira têm limites. Não vale tudo e ser político implica um comportamento que não têm. São trumpistas em toda a linha: negam verdades evidentes, acham que a melhor defesa é o ataque e marimbam-se para os outros.
Evidentemente, devem ser corridos. Espero que os eleitores tenham a perspicácia necessária para não se deixarem levar e verem como é de facto a conduta destes tipos.
Como é possível que alguém consiga confiar na dupla Montenegro & Hugo Soares? Fico chocada com o que parecem esquemas, com os números, com as relações. Isto é o PSD no seu pior. Uma coisa que fede.
É bom que se investigue mais a fundo pois isto é o que corrói a democracia e a confiança dos cidadãos nos políticos.
Continuem nesta senda e vão ver o que os 'Portugueses' -- com que tanto enchem a boca -- pensam. Já que não têm cabeça para perceber por vocês, esperem pelas eleições.
Tive cá pessoal, dia bom, bom. Clima ameno, o silêncio muito apreciado, peace and love. Estou é cada vez mais pequenina. Não que isso me incomode, é mera constatação. Já brincam, chamam-me mini-avozinha. Para falar com dois deles já tenho que olhar para cima. Brincam, agacham-se para eu não me sentir diminuída. E, pela idade que têm, ainda com muito para crescer, qualquer dia pegam em mim e põem-me às cavalitas.
Tirando isso, posso acrescentar que fiz entrecosto no forno. É sempre uma aposta segura.
Não tem muito que se lhe diga mas calha bem para um post de silly season. Fiz assim:
Forno a bombar ao máximo, duzentos e tais graus, uns minutos antes.
Enquanto isso, num tabuleiro de ir ao forno, o maior possível, coloco: azeite, bué alhos, uma cebolona gigante aos bocados, orégãos, alecrim, pedras de sal. Por cima, os pedações de entrecosto (não piano, mesmo entrecosto), mais umas pedritas de sal. Polvilhei com pimentão doce em pó. E mais: um big molho de salsa aos bocados, louro, mais azeite, meia cerveja. Depois de estar assim um pouco, rodei os pedaços para ficassem irmãmente besuntados.
Levei, então, ao forno e, nessa altura baixei para os 170º. E assim ficou.
De vez em quando, rodei os pedaços de entrecosto.
No entretanto, mais perto da carne estar macia por dentro e tostadinha por fora, cozi batata doce da variedade cor de laranja e batata normal, tudo aos pedaços. Naturalmente, com um pouco de sal.
Quando estavam cozidas, desliguei. Escorri. Quando vi que a carninha já estava a ficar boa mas era para ser comidinha, afastei os bocados de carne para abrir alas para las potatoes.
Meanwhile, tinha feito arroz basmati. Antes que estivesse seco, tirei do lume. Pus um fio de azeite e misturei. Coloquei num tabuleiro de ir ao forno, tirei umas colheradas de molho do tabuleiro da carne e espalhei por cima do arroz.
Tirei o tabuleiro da carne, com las patatas, para ficar cá fora a descansar. E coloquei no forno o tabuleiro do arroz a secar e doirar ligeiramente.
Antes de tirar o tabuleiro do arroz, o meu marido colocou por cima fatias de pão de Rio Maior, lo mejor. Ficaram quentinhas e com as côdeas crocantes.
Servi com salada completa: alface, cenoura e beterraba raladas, acelgas e mais outra coisa qualquer.
E só não digo que o pessoal gostou (e eu também gostei) para a invejosa e o comichoso do costume não virem para aqui largar as bocas foleiras do costume.
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Quanto ao Sarrafeiro Soares e ao Fofo Raimundo não há nada a fazer. O que têm na cabeça não lhes dá para mais mas a gente não deve gozar com pessoas assim, coitadas, se calhar não têm culpa.
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E agora, para algo um pouco diferente, que entrem os meninos que gostam de dar um pezinho de dança para ver se trazem algum movimento:
Play | Alexander Ekman & Ballet de l'Opéra de Paris
Tenho sido um bocado selectiva. Vou ao Guardian, vou ao NYT, vou ao Madame.
Aos nossos jornais online quase não tenho paciência pois obrigam-me a jogar àqueles vídeojogos em que temos que apanhar glutões antes que nos devorem ou em que temos que eliminar inimigos que aparecem de onde menos se esperam: abrem pop-ups por tudo o que é canto e esquina, são anúncios a abrirem por cima, por baixo, pelos lados.
Mal aparecem, vou, a correr, ver onde está a cruz para os fechar. Nem vejo de que falam. A gaita é quando nos toureiam e a cruz significa 'fechar depois de ver'. A gente clica na maior inocência e abre-se o anúncio. E quando penso que já eliminei tudo o que havia para eliminar, mal clico para abrir um artigo, volta tudo ao princípio.
Não tenho pachorra.
Sei que os jornais têm que ser financiados mas esta forma descabelada em que vale tudo, em que já nem querem saber se a gente tem pachorra para andar a fechar janelas atrás de janelas, não deve ser minimamente eficaz para os investidores em publicidade.
Portanto, para além dos acima referidos, vou bebendo alguma informação através dos blogs da minha lista de ilustres Frescos e Bons (barra vertical à direita). Fico a saber, por exemplo, que o inteligente Hugo Soares, o sarrafeiro de serviço do PSD, entre Trump e Kamala não saberia escolher. Boa Mike. A mim não me espanta porque sempre o tive por aquilo que ele é: um bocas, uma tretas, um tangas. Quase que um dilema semelhante se me poria se tivesse que escolher entre um Venturas e um Hugo Soares. Não saberia o que fazer.
Também sei, mas isso foi porque ouvi agora, que o Marcelo desta vez não se vai meter no meio dos bombeiros no fogo da Madeira. Não deve ser para não atrapalhar, como da outra vez, mas porque o seu correligionário Albuquerque parece ter andado a meter água do princípio até agora (a meter água e não é para apagar o fogo...). Aliás, há um dois dias, de raspão, ouvi o pimpão a dizer que 'o combate ao incêndio tem estado a ser um sucesso'. Grande artista.
Mas, enfim, é o que é. A malta pimba, carregada de tiques tuga, parece que sai à cena em grande força na silly season.
Portanto, para não ser contagiada, passo adiante.
Fico com um momento que me agradou: Pink e a filha.
P!NK and her daughter perform 'What about Us' at 2024 Democratic National Convention
P!NK, along with her daughter Willow, performed a stripped-down version of her hit single "What About Us?" on Thursday on the final night of the Democratic National Convention in Chicago.
E, volto a dizer, como eu, o meu marido e os meus filhos temos mais do que 35 anos, seremos nós a financiar a borla fiscal em IRS, IMT e Imposto de Selo (e sabe-se lá o que por aí virá mais...) que este desGoverno destrambelhado quer dar a quem tem menos de 35 anos.
É que podia ser anedota mas já se percebeu que o Joaquim, o Luís, o Hugo e outros ADs que por aí andam não devem muito à inteligência. Por isso, são bem capazes de estar a pensar fazer a gracinha de que um jogador que ganhe uns 100.000€/mês só vá pagar 15% de IRS enquanto uma qualquer outra pessoa que ganhe 5.800€ mas tenha 36 anos vá pagar 48%...
Ou um treinador a ganhar 200.000€/mês, mas que tenha até 35 anos, não apenas só vai pagar 15% de IRS como só pagará IMT sobre o valor de uma casita de 2 milhões, subtraída de 650.000€...
-> há muita gente que não paga impostos e devia pagar, e há muita gente que paga apenas sobre uma parte e escamoteia a outra parte e, logicamente, devia pagar sobre a totalidade
-> ou seja, se todos pagassem o que deviam, quem os paga pagaria muito menos
Por exemplo:
Vou a muitas lojas, nomeadamente restaurantes, que só passam factura se lhes pedirmos.
Há várias actividades (liberais, por exemplo) em que os profissionais só passam recibo se lhes for pedido
Há vários profissionais que, para fugirem aos impostos, criam empresas onde caem todos os custos (combustível da viatura, portagens, estacionamentos, restaurantes, estadias em hotéis, o custo de aquisição da própria viatura, electricidade, telemóvel, etc) e que lhes suportam ordenados baixos sobre os quais quase não pagam impostos
Por exemplo, que eu saiba há muitos, muitos mesmo, professores que dão explicações. Quantos pagam impostos sobre essa actividade? Talvez seja melhor refrasear: há alguns explicadores que paguem impostos sobre a verba que levam nas explicações?
Há trabalhadores que querem receber dinheiro por fora para não pagarem impostos sobre ele, recebendo-o como subsídio de deslocação, kms em viatura própria, etc. Ou seja, pagam impostos apenas sobre uma parte do seu rendimento
Ou seja, há mil subterfúgios que permitem a meio mundo fugir ao fisco. A Autoridade Tributária não sabe disto? O Governo não sabe disto?
Segundo a AT, há uma percentagem mínima de pessoas que tem um valor anual de rendimentos superior a 80.000€. São os tansos. Os totós. Os que pagam impostos sobre tudo o que recebem.
Contudo há milhares de casas que custam para cima de várias centenas de milhares de euros, já para não dizer mesmo 1 milhão de euros ou mais, há milhares de pessoas que têm brutos carrões. A Autoridade Tributária não estranha isso? De onde vem todo esse dinheiro?
Portanto, o que é que eu acho?
1 - A Autoridade Tributária deve montar processos de pesquisa eficazes para detectar fuga ao fisco e montar mecanismos para a impedir
2 - Simultaneamente deve baixar o IRS a toda a gente, em todos os escalões *
3 - o Governo não deve dar borlas fiscais em função da idade. Este 1 milhão que este governo de totós diz que tem para dar a quem tem menos de 35 anos deve ser 'dado' a toda a gente e não apenas a quem tem menos que 35 anos
* Quando acho que se tem que baixar os impostos a toda a gente, incluindo a quem hoje paga 48%, é porque impostos desta ordem são esbulho, roubo, e, claro, incentivam a fuga ao fisco.
E volto a dar um exemplo de um outro efeito de impostos abusivamente altos: tenho vários amigos médicos que poderiam continuar a trabalhar (e gostariam de fazê-lo) mas ou deixaram completamente de fazê-lo ou trabalham apenas uns 2 dias por semana pois dizem que os impostos levam-lhes o dinheiro todo e não lhes compensa o esforço. Ora com a falta de médicos, isto não é um absurdo? E quem diz os médicos diz outras profissões em que poderiam continuar a descontar para a Segurança Social mas, logicamente, não estão para isso.
Portanto:
não à fuga ao fisco,
não às borlas fiscais,
não aos descontos para meninos ou para classes profissionais específicas...
... e não ao esbulho fiscal.
Só espero é que haja quem consiga travar a estupidez, a iniquidade, a aberração que é esta ideia da borla fiscal para quem tem menos de 35 anos.
Já agora, alguém me sabe dizer: esta área das Finanças da AD é um coito de gente sem noção ou quê...?
O Governo atual revela uma falta de competência e de ética assustadoras.
Quando comparamos com o Governo anterior, de que tantos diziam mal, este fica a muitas milhas de distância. Em todos os capítulos: da competência, da ética, do "savoir -faire" e da natureza dos objetivos e, sobretudo, da capacidade de os atingir.
O António Costa e a maioria dos ministros do anterior governo dão, no mínimo, dez a zero ao Luís e aos atuais ministros. O PM não fala porque não sabe o que dizer, a única ideia que deve ter é "vamos a eles" -- ou seja, na sua óptica, é preciso é ser belicoso porque "a malta vai gostar".
Cumprir as promessas eleitorais não deve ser coisa que passe pela cabeça do Luís. Antes pelo contrário, tenta é encontrar subterfúgios para não fazer o que prometeu. No caso das pessoas, mentiu descaradamente no caso do IRS. Conseguir diminuir o IRC para aumentar os lucros das grandes empresas parece ser a única promessa eleitoral da qual ainda não desistiu.
O Ministro da Defesa, acompanhado pela MAI, pretende fazer das Forças Armadas um estabelecimento correcional para onde vão os jovens delinquentes. E, no intervalo, fala do Tratado do "Atlético" Norte. Como dizia ontem Pedro Vieira no final de 'O último apaga a luz', é surpreendente como um pequeno clube da zona de Alcântara é responsável por defender a Europa.
A Ministra da Justiça, quando lhe perguntam sobre o documento para a Reforma da Justiça subscrito por 50 personalidades, responde com "a chuva que entra nos tribunais" e outras costumeiras trivialidades completamente irrelevantes para o caso. No entretanto, a primeira reunião que fez foi sobre a corrupção, para fazer a vontade ao Chega e como se esse fosse este o principal problema da Justiça em Portugal.
A Ministra do Trabalho exonera de de forma absolutamente inqualificável -- mas que revela bem o carácter de quem praticou este saneamento -- a Provedora da Santa Casa e esqueceu-se que deveria ter alguém para a substituir. Agora vem com ameaças de processos se Ana Jorge não continuar a gerir a Santa Casa. Seria cómico senão fosse absolutamente trágico.
A Ministra da Saúde, antecipando os procedimentos da Ministra do Trabalho, fez os possíveis para que o diretor executivo do SNS se fosse embora e quando ele se demitiu ficou surpreendia por ele não continuar a trabalhar. Afinal, depois de todo o estardalhaço que fez, parece que a responsabilidade pelo plano é da DGS e, por acaso, até já estava feito e publicado. É de gargalhada!
A cereja no topo do bolo é o Sarmento. Veio, com aquele ar de menino bem comportado apanhado em falta, dizer um conjunto de mentiras sobre o estado do orçamento português baralhando tesouraria com orçamento. Não pode ser apenas desconhecimento técnico, enquadra-se no padrão do governo. Para o governo vale tudo para tentarem atingir os fins em cada momento. Neste caso o Fernando Medina deu-lhe cinquenta a zero. Quando se compara o Sarmento com o Medina, qualquer pessoa sensata -- como deve ser um bom pai de família --, deve arrancar os cabelos e pensar que pior é impossível.
Não admira que os tradicionais apoiantes da AD, nomeadamente os comentadores que andaram os últimos anos a denegrir o trabalho do Governo Socialista, a empolar cada pequeno problema, a fazer crer que o país estava no caos, e, ao mesmo tempo, a preparar o caminho ao PSD, agora não consigam esconder a desilusão e a estupefacção perante a incompetência do Governo AD.
Quanto ao Hugo Soares, talvez até pudesse ser um bom chefe de claque de uma equipa de futebol. Líder parlamentar é que não. Mais que isso, não estou a ver. Qualquer dia, ainda o veremos a atirar tochas na AR.
O descaramento do PSD alastra a todas as áreas. Até o Moedas perdeu a vergonha e vem agora acusar o PS dos maus resultados da Câmara de Lisboa, a Câmara da qual é presidente. Como é isto possível? O despudor é total.
No meio disto, navega o Marcelo da forma mais irrefletida e desajustada de que há memória. O José Miguel Júdice afirmou, e bem, que o Marcelo é o pior Presidente da história da Democracia mas uma coisa é certa: este Governo não lhe fica atrás.
Confundem tesouraria com contabilidade. Confundem o andamento mensal da caixa com a execução contabilística orçamental. Se falarmos em distinguirmos geral de analítica, disso, então, nem nunca devem ter ouvido falar.
Que o líder parlamentar não faça ideia do que diz não me admira: sempre foi mais trauliteiro do que inteligente. É que não é por ser de Direito pois há-os que percebem alguma coisa, ou até muito, de números e de contas. Mas este não. Ou é isso, isto é, não faz ideia do que diz, ou é um arruaceiro e atira para o ar tudo o que lhe parece que lança confusão.
Mas já me admira que o próprio ministro da área se troque todo, misture alhos com bugalhos, revele uma ignorância que até dói. Há quem diga que, se ele não sabe, peça ajuda à equipa. Ora a julgar por um ou outro que lá estão e que sabem menos do assunto que o meu neto com sete anos feitos há pouco, também não seria por aí que lá ia.
Uma cambada de anhucas. Não sabem nada de nada. É que nem sequer sabem disfarçar que não sabem, nem sequer são capazes de ser ou de parecer responsáveis, não sabem minimamente portar-se à altura dos cargos que ocupam.
Lançam confusão, dão cabo da imagem do País nas mais diversas instâncias nacionais e internacionais. Não são fiáveis, não são confiáveis, não são críveis. Não é gente capaz.
Provavelmente a única coisa de que são capazes é de fazerem baderna, dizerem disparates, vitimizarem-se e fazerem figuras tristes.
O que pode esperar-se disto?
Dramático, no entanto, é os jornalistas, igualmente ignorantes e, pelo que se vê, também sem vontade ou capacidade para aprender, apresentarem as asneiras do ministro e a explicação técnica do anterior como se fosse uma guerra de palavras. Santa paciência. Um diz asneiras como se não houvesse amanhã, outro tenta explicar as coisas como se estivesse a explicar a uma criança de 4 anos. E os jornalistas põem tudo em pé de igualdade. E chamam toda a espécie de gente abstrusa para se pronunciar como se houvesse o que comentar.
Imagine-se que um dos muitos broncos do governo aparecia, todo espavorido, a dizer que o resultado de sete vezes nove era trinta e cinco. E aparecia alguém, idóneo, com muita paciência, a dizer que não, não senhor, o valor correcto era sessenta e três. E, a seguir, jornalistas e comentadores, cheirando-lhes a divergência, desatavam a especular sobre quem é que tinha razão, incapazes de perceberem que o primeiro era um cábula ignorante e o outro era uma pessoa conhecedora e competente.
Manifestamente os tipos que estão a governar-nos não sabem o que é ser ministros. Comecemos pelo Luís. Para além de desdizer o que afirmou e reafirmou sobre os impostos na campanha eleitoral ouvi-o dizer, com a maior ruralidade, na sessão de apresentação do júnior Bugalho “que está mesmo a gostar de governar” como se governar fosse uma espécie de play station que se joga quando dá gozo e se põe para o lado quando já não temos paciência. E quando o Luís deixar de gostar de governar, pira-se? Se assim for, espero que se farte depressa. Mas, entretanto, vai fazendo umas diabruras e contradizendo-se em cada frase. Então não é que para justificar o saneamento da Provedora da Santa Casa, após dizer que não estávamos perante um caso de saneamento, referiu. para justificar a exoneração, “que é normal que quem não está politicamente alinhado com a política do governo seja exonerado”...? Não restarão dúvidas que as palavras ditas pelo Luís são a definição de saneamento. E nem falo na deselegância da forma. É até quase inédita a forma abrutalhada e pouco civilizada como estão a agir.
E já vão dois: primeiro, o diretor executivo do SNS, que não foi corrido directamente mas, inequivocamente, levado a isso, e, agora a Provedora da Santa Casa.
O Nuno Melo, apoiado pela MAI, veio dizer que o castigo a aplicar aos jovens delinquentes era “metê-los” na tropa. Esta “tirada” é uma falta de respeito e um desprestigio para a instituição militar e nem consigo entender como pode ser dita pelo Ministro da Defesa. Espero que os militares mostrem o seu desagrado como, aliás, já começaram a fazer.
Mas existem outras duas dimensões que vale a pena relevar:
Primeiro, esta ideia, completamente reprovável, é estupidamente próxima do que aconteceu na Rússia para recrutarem soldados para a guerra da Ucrânia, o que naturalmente nenhum País civilizado gostaria de copiar.
Em segundo lugar, é bafienta e recorda o que acontecia no Estado Novo. Muitos jovens estudantes portugueses que andavam nas faculdades antes do 25 de Abril, porque protestavam contra o regime. eram incorporados compulsivamente e mandados combater nas colónias e, assim, eram castigados. E estes Ministros conseguiram ter esta ideia na semana em que se comemorou o 25 de Abril e centenas e centenas de milhares de pessoas vieram para a rua festejar a Liberdade, a Democracia e gritar “fascismo nunca mais”. Lastimável!
Finalmente, vamos ao inqualificável Hugo Soares que, apesar de não ser ministro, merece, pelos piores motivos, uma referência. Não sei se o PR pensa que ele também é rural mas eu penso é que ele mal educado e arruaceiro. Tem sentido e é razoável um líder parlamentar que, “para inglês ver”, de vez em quando fala em diálogo, chamar “histéricos” aos deputados do PS? É este o clima que o PSD quer criar ou estão a “trabalhar” para serem corridos porque pensam que em novas eleições conquistam mais votos? Não sei, mas acho que acima de tudo esta direita não é educada, na verdadeira acepção do termo, não sabe estar, é arrogante e arruaceira.
Não quero ser pessimista. Por natureza não o sou. Mas estou a encontrar alguma dificuldade em ser optimista.
Um país funciona bem quando as suas principais instituições funcionam bem, de forma articulada, sensata, inteligente.
Agora quando temos um Presidente que parece estar descompensado, desbocado, desprovido de bom senso, um Governo que parece funcionar na base do improviso (e não é só Marcelo a queixar-se), sem se articularem com os outros partidos (veja-se a barracada da eleição para presidente da AR ou agora, mais recentemente, do diploma do IRS), sem pensarem (vide a descabelada questão de mandarem os meliantes para as forças armadas, pelos vistos seguindo a prática de Prigozhin que ia à cadeia buscar os bandidos para o grupo Wagner) e sem se coordenarem entre eles, e com um Parlamento todo salteado, sem equilíbrios virtuosos, o que se pode esperar?
Um disparate constante.
Salva-se deste panorama -- até ver -- José Pedro Aguiar-Branco a quem tenho visto tomar atitudes assertivamente civilizadas. Mas que pode ele fazer perante o pot pourri em que a AR está transformada sem que do lado do Governo minoritário pareça haver habilidade e inteligência para negociar e sem que o líder da bancada da AD pareça ter cabeça, elegância e savoir fair para estabelecer pontes...?
Quando vejo Montenegro, com comportamentos trauliteiros, a ver se provoca arruaça, em vez de se portar condignamente tentando estabelecer uma linha de entendimento com as outras forças do Parlamento, fico sem perceber qual é a dele. É a atitude de um frangote com a mania que é um galo capão? É a atitude de um rural-lento (Marcelo dixit) que, não conhecendo mundo, se acha mais capaz do que todos os outros com quem tem que lidar? Ou nunca pensou ganhar as eleições e, não se achando capaz, está a ver se se põe a andar?
E outra coisa, agora ao nível das Europeias: ao ver o Bugalho, de peito feito, impante, desafiador, provocador, já a saltar a pés juntos em cima do Marcelo, a sua arrogância e ambição já a saltar-lhe do corpo para fora, pensei que não tarda está a disputar a liderança ao 'lento' e 'rural' Montenegro e a disputar o lugar do mais populista ao Ventura. Não se me afigura nada de bom, devo dizer. Vejo o Bugalho a espalhar confiança e um hiper-convencido donaire neste seu novo papel e, confesso, sinto um bad feeling.
Poderia sentir-me confiante com a liderança do Pedro Nuno Santos. Mas não sinto. Também o acho lento, palavroso, cauteloso, agarrado a uma ideia demasiado colada à esquerda-esquerda de uma sociedade que já se moveu daí. Falta-lhe ímpeto, visão a longo prazo, calo, mudo. Falta-lhe golpe de asa. Pode ser que ainda a ganhe. Mas não sei.
Portanto, a ver vamos.
Intuo que as eleições europeias vão trazer inputs que vão revirar as expectativas e baralhar as contas. Os desaires e os embustes da AD e a forma canhestra como conduzem os assuntos têm causado péssima imagem. Por isso, a ver se não vem de lá um cartão amarelo.
Enfim...
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Para pro memoria aqui fica o link para o vídeo que, como muito bem diz o João Lisboa, vai ficar para a história por revelar o real dimensão da demência:
A Governo da AD confirmou ao que vinha. O objetivo fundamental parece ser sobretudo dar mais lucros às grandes empresas, às que não precisariam de mais 'atenções' e diminuir poucochinho, muito poucochinho, os impostos sobre os rendimentos de quem trabalha e de quem já trabalhou.
Nos intervalos, tenta iludir as classes profissionais e as corporações que se têm mostrado mais reivindicativas com reuniões, aparentemente simpáticas, nas quais, de forma redonda, promete analisar os cadernos reivindicativos. Se bem me recordo da campanha eleitoral, as promessas eram que iam resolver, de súbito, todos os problemas que eram conhecidos. Mais um embuste. A tendência que o PM e o seu séquito têm para deturpar a verdade continua.
Depois de desdizerem tudo o que disseram na campanha eleitoral sobre o IRS, eis senão quando, o Montenegro na conferência de empresa da passada sexta-feira sobre o IRS consegue dizer que a maior diminuição da taxa do IRS é feita nos rendimentos das pessoas cujos escalões não são abrangidos pela taxa de IRS. Para além de mais uma falácia, revela, de novo, a falta de rigor e de ética das pessoas ligadas à atual AD e o hábito que têm de iludir as pessoas.
Os jornalistas, revelando uma preocupante acefalia, não dão ou não querem dar pelos embustes. Que eu tenha visto, apenas o Ricardo Araújo Pereira ontem falou em mais esta mentira. Não deveriam os jornalistas exigir rigor e verdade nas intervenções do PM e dos seus apaniguados? Deviam!
A falta de rigor e de ética dos ADs e seus "proxies" (expressão que parece que, neste contexto, agora caiu no goto da malta) é uma constante. São as intervenções do Paulo Portas na TVI, é o Nuno Melo a anunciar comemorações do 25 de Novembro dias antes dos 50 anos do 25 de Abril numa convenção do CDS, são os comentadores de vários programas televisivos a opinarem sem rigor e a reescreverem, sem pudor, a história recente. É um vale tudo vergonhoso.
Outro que merece reparo é o Leitão Amaro (Lentão Amaro, segundo o mesmo Ricardo Araújo Pereira). Também padece da mesma falha ética: depois de o PSD ter atacado fortemente o caso da Alexandra Reis, agora vem defender a Secretária de Estado da Mobilidade quando o caso é análogo. A verba pode ser menos sexy mas os fundamentos são os mesmos. Uma pessoa que recebe indemnização ao sair de uma empresa, a seguir não pode ir trabalhar para outra empresa da mesma entidade empregadora. Neste caso, por maioria de razão, já que os empregadores são empresas da esfera pública. Ora, ao escamotear este facto e ao usar argumentos falaciosos, alinhou pela bitola desta AD.
O Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, afirmou que o programa eleitoral do PS não contemplava nenhum alívio fiscal. Ora basta ler o programa do PS para constatar que o Hugo Soares também mentiu.
E, a propósito de vergonhoso, quando é que a PGR se demite?
O Prof. Marcelo, depois de ter andado estes anos a ser um dos fatores de maior instabilidade do País, podia fazer alguma coisa de útil e, pelo menos, já que diz que não tem poder para tal, pelo menos podia aconselhar a PGR a demitir-se. Já não seria mau. O ideal era que ele próprio também se demitisse. Depois de mais uma intervenção muito infeliz sobre o desenrolar da atuação do MP que fez cair o Governo e das respetivas justificações, mais uma vez ficou claro que já ultrapassou o prazo de validade.
Quem terá sido o chico-esperto que se lembrou de lançar o boato de que as golas pegavam fogo?
Quantos doutos papagaios vieram, a seguir, dizer que as golas pegavam fogo?
Quantos doutos comentadores enxamearam os balcões onde se servem opiniões a copo, prontos a fazer justiça com as suas próprias mãos?
Quantos jornalistas na reserva saltaram avidamente para a ribalta para sujar o bom nome do jornalismo, falando do que não sabiam?
Não sei quantos. Só sei que muitos.
Já Patrícia Gaspar tinha explicado: não se quer que as pessoas vão para o pé do fogo, que vão apagar fogos; pelo contrário, o que se quer é que fujam dele e as golas são apenas para evitar a inalação de fumo.
Mas qual quê: alguém inventou que as golas pegavam fogo e, incapazes de pegarem em assuntos inteligentes, logo todos os canais, como gato a bofe, inflamadamente se atiraram às golas e desataram a clamar contra o Governo.
E eu gostava de ver se a mesma maralha, nos mesmos canais, vai enxamear outra vez os media para fazer o mea culpa junto da opinião pública. É o vês. Caladinhos que nem ratos.
E eu gostava de ver outra coisa: será que a malta que de repente virou especialista em materiais inflamáveis faz ideia se as calças, as blusas, os casacos ou os ténis que usa ou o das pessoas que se virem em situação de fugir ao fogo são ignífugos...? Cá para mim nem lhes ocorreu tal dúvida metódica. Como burros encartados, pensar não é com eles. Põem-lhes um coisa à frente e logo eles, sem pensar, a enfiam na cabeça todos gabarolas. Se depois lhes disserem que aquilo não era um chapéu, eram umas orelhas de burro só para gozar, tiram-nas logo, fazem de conta que não é nada com eles, assobiam para o lado e dão meia volta de fininho. Não desfazendo: na verdade são uns caguinchas, uns putativos maraus de meia tigela.
E a única coisa que se pode dizer de tudo isso é: santa ignorância, santa estupidez.
Agora dito isto, digo outra coisa: se os objectos que compunham o kit não obedeceram a uma decisão informada ou se a escolha da empresa que os forneceu obedeceu a critérios que não os normais (ie, melhor preço para qualidade e prazos de entrega equivalentes) então que se apure isso. Com rigor e sem dramas. Escrutinar os actos da administração pública é um dever e é normal nos regimes democráticos. Mas não faço ideia de se houve algum favorecimento. Se há dúvidas apure-se e apure-se sem condescendências. Não vou atrás de qualquer osso que um qualquer manhoso atire para a rua. Preciso de demonstração, de factos confirmados.
Hoje, ao ouvir as notícias, já aparecia outra: a empresa da qual o filho do Secretário de Estado tem uma quota de 20 ou 30% fez três negócios com autarquias ou lá o que foi. Posso não estar a ver bem mas, só por isto, não vejo mal nenhum. Se fizesse negócio na Secretaria de Estado à frente da qual está o pai, aí já me pareceria eticamente reprovável. Agora em organismos onde o pai não risca peva, não estou a ver qual o problema. Há que evitar fundamentalismos senão perde-se toda a racionalidade.
E digo isto com a consciência tranquila: não exerço nem nunca exerci cargos públicos nem estou ou alguma vez estive filiada em qualquer partido política. Sou absolutamente contra qualquer forma de corrupção, compadrios ou beliscaduras na ética. Mas sou também absolutamente impermeável a fundamentalismos ou juízos precipitados ou levianos.
Portugal é um país de justiceiros, de gente que se acha moralmente superior aos outros, gente que cultiva a maledicência, a intriga, a inveja, a cobardia. Mas atacar ou difamar gente que é inocente é cobardia, é também maledicência, é maldade e, frequentemente, demonstra aquela inveja surda dos que olham alguns dos que exercem cargos políticos como desprezíveis 'poderosos' esquecendo-se que, na maioria dos casos, são pessoas normais, com família, com sentimentos, com valores.
Já o referi algumas vezes: tenho, muito próximas, algumas pessoas que exercem relevantes cargos públicos. Curiosamente, nenhum deles é filiado ou simpatizante do PS, partido com que mais me identifico. E uma coisa posso eu dizer: são pessoas íntegras. E nenhum deles enriqueceu ou está a enriquecer com essa sua ocupação. Pelo contrário. Ganham menos do que ganhavam nas suas actividades anteriores e o que, de facto, ganham é cabelos brancos, dores de cabeça, estafas sobre estafas, noites mal dormidas e grandes sacrifícios das famílias.
De novo, dito isto, acrescento que acredito que haverá ainda muito por aí alguns pequenos amiguismos, combinações de correlegionários de partido que tentam influenciar pequenos negócios. Gente de Juntas de Freguesias, gentinha que ainda anda por dentro dos aparelhos de algumas Direcções Gerais. Acredito. E, havendo, acho que é gentinha que não interessa, cujos hábitos devem ser banidos, cujos crimes devem ser punidos. A transparência é fundamental.
Mas chega-se lá com maturidade, com ponderação, com inteligência -- não com juízos precipitados e goelas inflamadas. Sou a primeira a condenar oportunismos, interesseirismos, gatunagem. Mas não acuso só porque sim ou porque algum palerma que ninguém sabe quem é diz que sim. Acuso quando estou certa de que estou a ser justa. acusar. Acusar um inocente não tem perdão.
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Tirando isto: estou curiosa de saber se, por estes dias, o PSD se vai auto-destruir, comendo-se todos uns aos outros. Literalmente. Quiçá, até, biblicamente. No final, apenas um monte de ossinhos debaixo dos lençóis.
Por exemplo, o Hugo Soares, que andava por aí todo fera, comerá alguém? O Rio? Ou o Rio virará o jogo e, qual tarzan, a cavalo numa liana, conseguirá comer alguém? Quiçá o José Eduardo Martins? Ou a pombinha da paz descerá sobre eles e sairão todos de lá aos beijos na boca? E a Maria Luís Albuquerque entrará em que cena? Beijos de língua? Ou não porque toda a gente tem medo porque sabe que aquilo lá é língua venenosa? Eo marido dela pairará por lá armado em body guard? E o Miguel Pinto Luz? In love com a Manuela Ferreira Leite? E o Professor Marcelo telefonará em directo para desejar muitas audiências?
Também estou curiosa de saber se, nas próximas eleições, o CDS vai conseguir eleger alguém. Se calhar não. Se calhar, o CDS já era. O pernão não funcionou, o vestido dos kiwis também não, a peixeirada também não, o mostrar folhas com desenhinhos na Assembleia também não, a votação no penteado também não, o falar pianinho também não, o ter diarreia de ideias também não. Bolas. Ou melhor: bola. Zero.
Entretenho-me com qualquer parvoíce. Mas tem que ser parvoíce a sério. Coisa de gente que se acha e que escreve convencida que está a escrever coisa importante não me interessa. Tem que ser mesmo parvoíce despretensiosa, tontice desempoeirada. De preferência, deve ser coisa que não lembre ao diabo.
Hoje, por exemplo.
Não sabendo de nada do que se passou durante o dia senão aquilo do financiamento partidário, tema que, já de si, me dá um bocado de brotoeja, e tentando saber a quantas andou o mundo, logo me desinteressei das coisas importantes, nomeadamente das reacções da Madame da Coxa Grossa e Alma de Santinha ou a reacção dos dois marretas Rio & Flopes.
Pelo contrário, deixei que a minha atenção se prendesse com mais um daqueles testes que amo de coração. Pode ser a maior maluqueira que, mal a vejo, já eu estou aí. Hoje o teste era para descobrir qual a cor de cabelo indicada para o meu tom de pele e maneira de ser. Achei o máximo. Pertinente. Indispensável.
Sempre vivi bem com a minha cor de cabelo. Até já inspirou alguns poemas, coisa que, parecendo que não, acrescenta uns pontos ao cv.
Mas quem sabe se a minha cor certa não seria antes uma coisa outra, quiçá na base da asa de corvo? Nunca se sabe. E eu, que sou open minded, se soubesse de uma tal coisa, logo me dirigiria a um cabeleireiro para me pôr mais parecida com a verdadeira eu. É que, pensando bem, o cabelo deve espelhar a nossa alma.
Portanto, obedientemente, fui respondendo a todas as perguntas. E se as perguntas eram curiosas... Íntimas, até. Por exemplo:
como gosto de me vestir para sair à noite,
qual a minha preocupação quando tenho amigos cá em casa para jantar,
como é que sou no trabalho,
qual o tipo de roupa que atrai o meu olhar quando entro uma loja,
como reajo quando sei que uma amiga se divorciou,
etc, etc,e tc.
E eu, respondendo sinceramente e a pensar: deixa lá ver o que sai daqui. Querem ver que vou ter uma surpresa...? Olha se isto me diz que bem, bem, ficava era de cabelinho branco, toda avózinha. O tanas é que ia levar o teste a sério...
Pois bem. Eis o resultado de forma resumida:
Sonhadora, criativa e enigmática você tem, secretamente, um temperamento fogoso. O ruivo claro ou o louro veneziano, essa cor hipnótica, é a cor feita para si.
A despropósito, permitam que acrescente que, no que respeita a cabelos, o do Rui Rio está bem em cinzento mas o que já não está com nada é aquele corte. Careca que é careca e que tem pinta, rapa o cabelo. Pode ficar com um milímetro e não mais que isso. Assim, com aquele cabelão nas laterais, Rui Rio parece que saíu do século XIX -- e, para o cenário de contabilista d'antanho ficar ainda mais a preceito, só lhe faltam mesmo as mangas de alpaca. Ó homenzinho mais maçador e poeirento... Eu, se fosse a ele, para ver se conseguia produzir algum impacto visual junto dos potenciais eleitores, rapava completamente era a cabeça e deixava crescer a barba. Não há que ter medo, não vai parecer um terrorista, não parecerá terrorista nem que apareça de cinto de explosivos à cintura e granada na mão. Com aquele ar de guarda-livros, por mais que faça, por mais que tente radicalizar-se ou, vá, modernizar-se, o mais que vai parecer é que talvez já viva no século XX.
Já o outro artista, o galã Santana Lopes, deve manter a trunfa que tão bem o caracteriza: melena nem curta nem comprida, nem cizenta nem amarela, nem bem lavada nem bem ungida, nem moderna nem antiga, nem feia nem bonita, nem útil nem inútil -- apenas adequada para inspirar bocas. Um dia que a corte, a pinte ou a deixe sem brilhantina perderá toda a graça. A ele apenas recomendaria que diversifique: uns dias com um rabinho de cavalo, outros com bandolete, outros com um puxinho em cima. E sempre acompanhado daquela boca em biquinho e a pose de candidato a senador para a gente não estranhar. Um Marcelo em ponto piqueno e blasé, com a grande diferença de precisar de muitas horas de sono.
[Que duo mais marreta, senhores, este do Flopes & Rio. Previsíveis, mais do mesmo, comida mastigada. O PPD/PSD (é que nem conseguem optar por um nome para o pobre partido) está a caminhar a passos largos para a irrelevância e não é nenhum destes dois que vai conseguir travar a trajectória descendente].
Será que o nosso fofo Hugalex não quererá dar o salto e aparecer à última hora a ver se abocanha o lugar até agora ocupado pelo seu dono e guru, o já quase saudoso Láparo dos Passos ? Eu a ele tinha umas recomendações capilares (e não só) completamente ganhadoras, coisa mesmo na base do win-win: cortes de cabelo à Cristiano Ronaldo -- rapado dos lados, com o risco aos zigue-zagues, cristinha arrebitada ao centro -- treino musculatório para reforçar os peitorais, uma namorada talentosa como a Merche, a Irina ou a Georgina, filhos feitos alhures -- coisas nessa base que dão popularidade e geram bué de likes no Face ou no Insta. A falta de inteligência até passava despercebida. Aposto que deixava os outros dois xé-xés a um canto. Força, Hugalex, a malta está contigo!
Sou suspeita, sim. Assertivamente afirmo a minha opinião e sabido é que, nas legislativas, regra geral, voto PS. Mesmo se não me apetece, voto PS. E faço-o não por masoquismo mas porque, na altura de votar, olhando à volta, não vejo melhor opção. Portanto, sou suspeita, sim.
Mas não é apenas uma questão de afinidade ideológica: é também racionalidade. É o resultado da avaliação do carácter dos personagens, das suas ideas e dos seus actos face ao que observo.
Portanto, ao pronunciar-me sobre esta crise, sobre a demissão da Ministra Constança e sobre o que se passou esta terça-feira na Assembleia, não pretendo fazer passar-me por distante e insuspeita. Sou suspeita, sim. E não sou humildezinha. Não. E é, pois, com consciência do que sou que também afirmo que não sou burra.
E é sendo como sou, falando de frente, que defendo que não se deve transformar o desempenho governativo num guião de telenovela, a puxar ao sentimento, a cavalgar a onda da emoção colectiva para agradar à audiência. E é sem rodriguinhos que afirmo que, não sendo praticante de likes e dessas tretas a la facebook, espero que o governo não governe a contar likes, a distribuir abraços e beijinhos para a selfie. Portanto, sou suspeita, sim. Mais. Afirmo peremptoriamente que a mim o que me enojava era ver Passos Coelho a fazer porcaria todos os dias e, com aquela sua insuportável cara de pau, insultar a inteligência das pessoas, querendo convencer as pessoas que o mal que fazia era para o seu bem.
Portanto, sou suspeita, sim. Suspeita de sentir intolerância para com os papagaios e abutres a quem as televisões pagam para andarem a debicar na dignidade de quem se esforça por fazer o melhor, intolerância para com os avençados pagos para saltarem a pés juntos sobre quem está na mó de baixo. Tolerância zero para com essa gentalha que inunda as televisões. Tolerância zero para actuações de verme como a que acabei de ver a Vítor Gonçalves explorando a dor de Nádia, a senhora de Pedrógão que perdeu o filho, querendo que ela diga como soube que o menino estava morto, querendo que ela diga como foi que o menino morreu. Uma vergonha. Intolerância para com a fulana da SIC que anda a abrir o frigorífico das pessoas que, nas aldeias, estão sem electricidade, exclamando que já se sente o cheiro. Intolerância. Não suporto tanta estupidez.
E sobre a actuação de Assunção Cristas face aos incêndios, ela que foi ministra da Agricultura e nada fez, sobre o aproveitamento mediático que tem feito dos desastres e a guerra quase cruel que moveu à Ministra Constança Urbano de Sousa, a palavra que me ocorre é asco.
E sobre o seu apelo insistente, a quase exigência, de um pedido de desculpas por parte de António Costa, no que foi secundada por esse bronco feito deputado e chefe da bancada laranja que dá pelo nome de Hugo Alexandre, a palavra que me ocorre é a mesma: asco.
Democracia, humildade, sentido de dever, honestidade intelectual -- tudo isso é outra coisa, coisa que talvez apenas pessoas com alguma maturidade democrática e sentido de decoro consigam saber o que é. Assunção Cristas, Hugo Soares e seus comparsas não o sabem.
Quando vejo, no Parlamento, o friso do Governo a ser enxovalhado por badamecos desqualificados como o Hugo Soares ou a Assunção Cristas sinto pena. Pena. Pena por eles, rostos cansados e tristes, a serem insultados por gente que não tem categoria nem para varrer o chão da assembleia -- e pena pela democracia. A democracia carcomida por dentro por esta gente.
Não desvalorizo a dimensão da tragédia. Sinto uma dor de alma, que é muito minha, pela morte das pessoas, pela devastação da floresta, pelo fim de tantos animais. Mas porque assim sinto, mostro respeito pelo que se passou.
E naqueles dois pafiosos e nos seus correlegionários o que vejo é um indecente desrespeito. Sobre a complexidade dos problemas e sobre a dor dos que perderam familiares, casas, animais, árvores, aqueles dois o que fazem? Exibem impudor, alarvidade.
Eu, porque tenho perfeita noção da dimensão e diversidade das razões que levaram a que os incêndios fossem tão devastadores, não os desvalorizo nem sou estúpida a ponto de pensar que o que se passou foi culpa da Ministra.
Portanto, se querem que vos diga, hoje voltei a pensar que é uma pena que, para se entrar para deputado, não haja provas de aferição e testes psicotécnicos, entrevistas, avaliação da personalidade. Se tudo isso é necessário para desempenhar funções banais, como é que qualquer desqualificado pode ser deputado e decidir sobre a vida da população?
Gentinha com um baixo coeficiente de inteligência, sem moral, sem vergonha na cara e sem competência não devia poder ser admitida para exercer a função de deputado. Gente destas não representa o povo: pelo contrário, envergonha o povo.
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Pinturas do período escuro de Mark Rothko. De Profundis de Arvo Pärt.