Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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domingo, julho 07, 2019

Do Ginjal pela manhã à praia à noite, passando por mais um encontro familiar e a terminar no Panorâmico de Monsanto com a Madame M



Depois de eu ter estado constipada, foi o meu marido que a apanhou. De manhã ainda foi comigo para matarmos saudades da beira do rio, nesse lugar mágico que é o Ginjal, eu a fotografrar as mil coisas diferentes desde a última vez, a parar, encantada, a cada passo.  Mostro algumas das muitas com que tentei matar saudades. Lugar de mil fascínios, este. E, logo ali, Lisboa a bela, a magnífica.


Mas, a seguir ao almoço, o meu marido, mais 'atacado', decidiu ficar em casa. Está com tosse, sente-se bastante apanhado, sente-se cansado. Por isso, fui só e o resto do pessoal para casa dos meus pais.

Festejámos, os meninos brincaram, riram, pregaram partidas e foi aquele chinfrim do costume. Quando dei por mim, tinha as calças todas salpicadas de tinta azul. A menininha também mas, como a tshirt tem florzinhas e pintinhas, disfarça. As minhas calças é que estão uma desgraça. Tenho que ver se há maneira de salvá-las. Ela diz que o irmão é que estava com uma caneta azul. Não sei como foi que aconteceu. Mas, isso é peanuts face à alegria incomparável de estarmos juntos, felizes. O bebé perguntou pelo avô, foi à procura dele. Está habituado a ver-nos sempre juntos.


De lá, uma parte foi para um jantar de amigos e outra parte veio comigo cá para casa e, de cá, resolvemos ir jantar à praia. E, no fim, fomos passear à beira mar e os meninos quiseram ir brincar para a areia, junto ao mar banhado pelo luar. Estavam felizes, aquilo para eles eram uma aventura. Ver os barquinhos dos pescadores no areal solitário, correrem ali numa longa extensão deserta, a luz da noite e a tranquilidade do mar envolto em negrime -- tudo novidade para eles. O meu marido lamuriou-se em voz baixa, só para mim: 'Como estou constipado desta maneira, não arranjaram melhor programa do que quererem vir para a praia às tantas da noite'. Disse-lhe para puxar a gola do blusão mais para cima.

Chegámos a casa lá para as onze e meia. Agora é quase uma. E, claro, estou com sono. É o qe dá ter os dias como tenho e só pegar no computador a estas horas.


A minha mãe também deve ter ficado ko. Os meninos estão cada vez maiores, mais barulhentos, brincam muito. Fizeram concurso de salto em comprimento no quintal, apanharam limões e depois guerra de limões, treparam muros e foram para o telhado da casinha das ferramentas. O bebé imita os outros e por lá anda a fazer das dele. Mas quando lhe dizem que não pode subir as escadas sozinho e que tem que esperar que os outros venham, ele percebe, senta-se no degrau de baixo e fica pacientemente à espera. E ela, a mais linda, faz a roda na relva, faz esquemas em folhas para distribuir por todos com o jogo das letras, pede que eu lhe faça trancinhas e até tenta ensinar o pai a fazer ballet. E lancham, e cantam, e bate palmas. E a minha mãe ri, contente por ver aquela família tão bem disposta. O menino que mais se preocupa com a finitude da vida pensa e, dirigindo-se à bisavó, começa a formular a pergunta: 'Então... e quando o avô...' e hesita, não sabe como dizer. Mas depois continua, arranjando maneira de tornear a ideia que lhe ocupa o pensamento 'quando o avô estiver a dormir... com quem é que tu conversas?' E a minha mãe percebe mas desdramatiza: 'Então, eu tenho sempre coisas para fazer, estou sempre entretida' E ele, 'Então, se calhar tens que falar mais ao telefone, não é?' E a minha mãe diz que não é preciso estar sempre a conversar, que vê televisão, que vai às compras. Ele escuta, apreensivo. 

Mas logo alguém fala de outra coisa, logo a brincadeira o puxa noutro sentido.


No fim, a minha mãe, toda chateada, diz que tinha uma quiche e que se esqueceu de o dizer. O meu filho diz que não faz mal, que leva metade, que até lhe dá jeito. E a minha filha diz o mesmo. E cada uma embrulha a sua metade em papel de alumínio. E a minha mãe fica logo toda contente. E bolo também. Cada um leva seu pedaçp. E levantámos a mesa mas é escusado pensar que fica pouco por fazer, por onde aqueles cinco passam é como se um pequeno vendaval por ali tivesse passado.

E isto tudo para dizer que não vi televisão, não sei de notícias, nada. No outro dia li um texto do Nabokov sobre o Tolstoi e gostei muito, até assinalei as páginas para aqui transcrever algumas passagens. A inteligência é fundamental num escritor. A escrita, para me prender, não tem que ter apenas elegância e fluência, tem também que revelar inteligência. De preferência tem que surpreender-me pelo seu fulgor. Lampejos de inteligência. Gostava de ser capaz de ir ali buscar o livro para vos mostrar mas é-me impossível. 


Um dia ainda hei-de habituar-me a arranjar maneira de escrever menos para poder vir até ao blog a horas mais decentes. Se eu fosse capaz de não me deter aqui por mais de cinco ou dez minutos, pequenos haikus, aforismos, uma música, uma frase, coisa simples assim, talvez a coisa fosse mais racional e os meus horários mais decentes. Por exemplo hoje, entre as três e as três e um quarto tive quinze minutos livres. Mas nem me ocorreu aqui vir pois já sei que desato a escrever e escrever, uma coisa torrencial, e levo quase uma hora senão mesmo mais. Ainda não aprendi a ser concisa. E devo dar com cada seca a quem aqui vem na esperança de descobrir coisa que se aproveite...


E, portanto, nada tendo eu a reportar, deixo-me ficar pelo documentário da Madonna sobre o seu último trabalho. Não alinho nessa de dizer mal dela, de achar que ela se sente superior a nós ou de desdenhar de tudo o que ela diz. Acho sinal de inferioridade essa coisa de embirrar com tudo o que seja novo, estrangeiro, endinheirado. Pelo contrário, gosto de quem gosta da minha terra. E ao ver o Panorâmico de Monsanto, lugar tão extraordinário, não poderia ficar indiferente. Fico até a achar que deveríamos ficar-lhe reconhecidos por Madonna reconhecer a beleza daquele lugar decadente e tão estranhamente abandonado.

The world of Madame X


Madonna em Lisboa



E a todos desejo um belo dia de domingo

sexta-feira, junho 14, 2019

Madame X é a camaleónica agente secreta de quem se fala.
E Madonna fala, nervosamente, sobre ela.


E, por falar em mulheres cuja vida quase parece despertar tanto ou mais interesse do que a obra, depois de Frida, Madonna. A Madonna Louise também se conhece tudo: o que faz, por onde anda, com quem namora ou desnamora, os filhos, os passos, as provocações, as rebeldias, os descaramentos.


E se Frida, a ser dela aquela voz, apesar das dores do corpo e, tantas vezes, da alma, aparenta falar com segurança, já Madonna, a segura e confiante Madonna, que arrisca, que beija na boca bailarinos e amigas, que desafia as regras por onde passa, ao falar do seu próximo trabalha, aparece com uma voz que denuncia alguma ansiedade, uma certa ulnerabilidade.


Não sou grande fã de Madonna, não me dá para procurar as suas canções. Mas gosto de ver os seus espectáculos preparados ao milímetro, de um profissionalismo irrepreensível, com um sentido de palco ímpar. E era a última coisa que esperaria, a esta altura do seu campeonato, que aparecesse assim, quase ofegante, demonstrando um surpreendente nervosismo.


Claro que daqui não concluo nada. Por isso, fico-me por aqui e passo ao vídeo.



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E queiram fazer o favor de descer caso queiram ouvir o que pode ser a única gravação com a voz de Frida Kahlo.

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terça-feira, abril 02, 2019

A Vogue francesa recomenda Lisboa para visitar em Maio --
e isto apesar do Tio Basílio não ter deixado o cavalo da Madonna pastar na sua Horta*


No fim de semana passado, pela primeira vez desde há várias semanas, não fomos podar árvores. Os carneiros atacaram e de gosto fomos rodeá-los e fazer a festa.

Mas se, por um lado, sinto sempre saudade de me misturar com a natureza e gozar a quietude que se vive in heaven por outro tenho uma grande vontade de ir passear. E se as circunstâncias da minha vida familiar me inibem de me afastar a verdade é que, contentando-me com pouco, visitar esta Lisboa amada me basta e enche de alegrias. 




Aliás, falar de Lisboa e dizer que é pouco é a primeira heresia. Lisboa é muito. E tanto que, se me puser a descobri-la, me surpreendo com as suas infinitas novidades. 

Há tantas cidades tantas vezes superiores, tantas tão mais majestosas, tantas tão mais boémias. Tantas. Mas esta tem tudo isso na dose certa e tem mil apontamentos diversos, novos, luminosos.

Estava a ver a Vogue francesa e logo a abrir a sugestão de cinco cidades a (re)descobrir em Maio. Intuí que Lisboa tinha que ser uma delas. E é. A seguir a Roma e entre Amesterdão, Madrid e Copenhaga lá está a mais bela de todas, Lisboa a magnífica.

Vai em francês que soa melhora:
Une vie nocturne qui fait penser à la Havane, des tramways et des ponts comme à San Francisco, des docks réhabilités rappelant Londres, un quartier d'Alfama pareil aux médinas du Maghreb, Lisbonne est un voyage à elle seule. A deux heures en avion de Paris, c'est surtout la destination idéale pour profiter des premiers rayons de soleil du printemps le temps d'un week-end en mai.

E recomenda o hotel Verride Palácio de Santa Catarina que não conheço mas cuja fotografia me deixa com vontade de ir lá dormir. Melhor nem ver o preço não vá mudar de ideias.

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O bailado não tem nada a ver, acho eu. Mas é muito bonito e tudo o que é bonito condiz com Lisboa. Transcrevo:
The Royal Opera House presents this short film by Andy Margetson featuring dancer Marianela Nunez who graces the pages of this month's Bazaar UK
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* O trocadilho lá em cima, no título, é fajuta, trocadinho mesmo -- bem sei. Começou por me apetecer chamar Primo ao Tio e, como resisti, acabei com a parvoíce da Horta quando queria era dizer Palácio. Mas um palácio para a Madonna pôr o ginete a pastar é capaz de ser o mesmo que uma horta com estilo.


E se esse episódio é ridículo, mais ainda é a birra dela e mais ridículo é se tudo for verdade. Gosto que as pessoas gostem do meu País, que falem bem dele -- mas gosto mais ainda que o respeitem. No entanto, devo confessar: não é para mim líquido que ter um cavalo dentro de um palácio seja desrespeito e que o cavalo, ao ver-se aburguesado, fosse fazer estragos. Ou seja, não é para mim completamente claro que o birrento aqui não seja o Primo Basílico.


E, nada me sendo líquido, fico-me por aqui que estou mais do que sólida de sono, quase a passar ao estado de 'pedra', 'pedregulho' mesmo. Salve.

quinta-feira, outubro 26, 2017

Peregrina paloma imaginaria





Peregrina paloma imaginária
Que enalteces os últimos amores
Alma de luz, de música e de flores
Peregrina pomba imaginária


[Excerto de poema de Ricardo Jaimes Freyre
Madonna fotografada por David Lachapelle]

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quinta-feira, dezembro 15, 2016

The devil wears orange
- que é como quem diz:
Passos Coelho tinha razão, o Diabo veio mesmo;
instalou-se no PSD e não vai descansar enquanto não lhe fizer a vida completamente negra

+++ Post imbuído de espírito natalício ao som do Jingle Bells em versão 'amor radical' +++

[Em actualização]




Não sou dada a divinações que metam o capeta. Mas o Láparo é: ia o verão quente quando a excelência antecipou que em setembro o mafarrico daria as caras. Rimo-nos todos. Víamos as coisas bem encaminhadas, era mais uma patacoada do mal-encarado-mor, o rei dos ressabiados.

Veio setembro e a economia a melhorar, o desemprego a descer. O diabo afinal não tinha vindo. Gozámos.

Engano.

Estávamos a procurar no sítio errado.

Começámos, então, a ver que ao Láparo tudo lhe corria mal. Tudo. Tudo. Tudo o que fez de mal -- e foi tanta coisa -- começou a dar à costa. Que vendeu as melhores empresas a quem as quis levar, isso é um dado adquirido; que deixou o sistema financeiro numa desgraça já todos sabíamos, que implodiu parte dele era nódoa que se lhe tinha já colado à gravata, era um pin de que a sua lapela jamais se veria livre.

Mas agora sabemos da lástima que se passou na CGD: créditos sem critério, imparidades de criar bicho -- e tudo empurrado (com a barriga) para debaixo do tapete. Mais uma vergonha a somar a tantas que se plasmaram indelevelmente no seu triste CV.

Mas não só isso. Tudo o que antevê lhe sai ao lado. E é ele e a sua mestre-escola, a pinóquia do regime passista, a miss swap, a tal biscateira que agora é funcionária da Arrows e deputada nas horas livres. Ele diz uma palermice e logo aparece ela, despudorada, a esfolar o que ele matou. Uma dupla que seria de gargalhada se não fedesse.

Mas a verdade é que os indicadores não enganam e a geringonça afinal sabe o que faz, havia e há alternativa à austeridade cega, havia e há alternativa à sabujice e à cobardia perante Bruxelas e perante o FMI, havia e há um futuro digno para o país.

E eis que agora até vem o Banco de Portugal rever em alta as previsões e a dar boa nota da progressiva recuperação da economia, com a alavancagem favorável das exportações, com o retorno dos bons níveis de confiança, com o desemprego a descer e com perspectivas de, finalmente, a dívida começar, também ela, a descer.


E, como se não bastasse, Marcelo, aquele que qualquer ser inteligente não quereria ter como inimigo, não descansa. Numa óptica de patriotismo e de solidariedade institucional, Marcelo dá a mão ao Governo e, a dois, lutam pelo bom futuro do País. A cada palavra que diz, mais o tapete de debaixo dos pés do Láparo escorrega. Não se pode dizer que o Presidente lhe ponha todos os dias um par de patins porque isso se encarrega o ex-afilhado de Ângelo Correia de fazer. Ele próprio. Todos os dias. Fá-lo a torto e a direito. É isso e cuspir para o ar e depois ficar por baixo a apanhar com a cuspidela. Um ponto, este Pedrinho Abre-Portas, um case study ilustrativo de como um láparo pode apresentar caracerísticas asininas.

Mas atalhando.

Passos Coelho está sem escapatória. Sem estratégia e sem cabeça para delinear sequer uma táctica credível, Passos é, desde há muito e cada vez mais,  um peso porto dentro do PSD.

E, por todo o lado, como uma sombra, o belzebu.

Vestido de laranja, o dianho rebola-se a rir. Já se percebeu: veio para ficar enquanto Passos Coelho não bater em retirada.


Chega a dar dó. Coitado do Láparo. Alguém o ajude a ter uma saída minimamente digna porque, se não sai, o mafarrico não vai descansar enquanto não puser a nu o ridículo que é a sua liderança do partido. E, por tabela, danado que é este safado do berzabau vestido de laranja, não descansará enquanto não reduzir a pó o PSD, esse cada vez mais esfrangalhado partido que a Madame Cristas quer comer como se fosse um insignificante grão de milho.



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Entretanto, consta que não só Rio mas também Rangel, essa grande figura da política laranja conhecida pelo seu assisado controlo emocional e vocal e pelos seus inquestionáveis hábitos de higiene, como quem não quer a coisa, já começa a perfilar-se para apanhar os cacos do aparelho e para aparecer perante o eleitorado pafiano como o último Homo Sapiens que conseguiu conservar o báculo, capaz de, sem levantar um dedo, f... tudo o que lhe apareça à frente desde que lhe cheire a geringonça.



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Anexo 

Pro Memoria pela mão do grande cronista e historiador avant la lettre Luís Vargas







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Conselho final da Sta UJM ao Láparo-do-Pin-endiabrado-na-Lapela


Continua, Passos Coelho, continua a dar trela ao diabo para ver se é desta que toda a gente, mesmo os teus devotos, constatam o desastre que foste para este País. Continua que estás no bom caminho.

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Tirando isso, por ora nada mais que eu hoje estou boazinha, boazinha. Santinha, mesmo. O espírito natalício desceu em mim e eu, como se vê, estou numa de peace and love, não há quem me arranque uma maldade, por inofensiva que seja. Toda eu cadeaux fofinhos e bons conselhos. 

E a ver se esta quinta à noite consigo fazer algum post já que devo chegar bem tarde pois terá início a saison dos jantares de natal.

E já estou a ensaiar o Jingle Bells à moda da Coligação PSD+CDS às autárquicas. Diz que os do PSD se põem de rabo para o ar e que a Cristas, o puto João Almeida e o afamado benemérito Jacinto Leite Capelo Rego fazem a festa.

Jingle Bells
(na versão Cristas, isto é, repleta de radicalismo do amor).



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E tenham, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira.  

Ho ho ho.

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quinta-feira, outubro 20, 2016

A voz (debochada) da sabedoria


Eu conto. 
Mas, antes, vou pôr aqui uma musiquinha boa e umas fotografias maneiras.



Vamos lá, então.

Podia falar do sexo oral que Madonna promete a quem votar em Hillary Clinton. Mas, como acho que é capaz de ser uma falsa promessa e não quero denunciar publicidades enganosas por parte de opositores a Trump, não falo.


Também podia falar da descarada da Maria Luís, ex-Miss Swaps, actual Miss Arrows, que é do mais desavergonhado que há. Mas, como não quero gastar o meu requintado latim com tão desqualificada criatura, não falo.

Claro que podia falar do Secretário de Estado Rocha Andrade que tem uma atracção fatal para armar fuzué e, no meio da confusão, dar tiros nos pés. Mas não falo pois até me dizem que é um bom fiscalista e gente séria -- e que uma pessoa possa ter algumas incompatibilidades declaradas não me choca nada. Agora uma coisa é certa: se ele é bom e o quer manter, António Costa devia mantê-lo na casota. Já se viu que, quando sai e abre a boca, arranja sarilho.


Há ainda também o assunto do ordenado do presidente da CGD que é um valor que, muito sinceramente, me parece um bocado estúpido num banco público e, sobretudo, me parece um bocado deslocado face à média de ordenados de quadros qualificados do País. Mas não sei se não arranjaram quem aceitasse ir para lá por menos e, por isso, para não alimentar populismos, não falo.

Podia falar do Pedro João Dias, a quem tratam por 'Piloto', esse desconhecido que anda perdido pelos montes, talvez ferido, talvez esfaimado, talvez acossado pelos lobos selváticos que o habitam. Mas não falo. Nada sei da vida dos lobos.


Enfim. Podia falar de muitas coisas. Mas hoje estou cansada. O dia não foi pêra doce e todos os dias desta semana começaram cedo demais. Já aqui estive a dormir. Há ali em baixo uns comentários de primeiríssima água e eu queria mesmo falar sobre eles. Mas acreditem. Isto hoje não está fácil. Talvez amanhã o faça. Hoje é impossível.

Por isso, se me permitem, vou pela via mais fácil.



Vou ouvir gente sábia. Isso descansa-me o espírito. Transcrevo excertos e de forma não sequencial:


Aos 66 anos de idade, morando em um apartamento em Copacabana, de frente à avenida Atlântica, o velho Nelson [Rodrigues] apresenta-se com o mesmo tom debochado e exagerado de sempre. Impondo a sua presença e aquele seu jeito peculiar e característico de se expressar e de se fazer entender: olhar insondável e apático; voz grossa e embolada; gestos vagarosos e ornamentais como os de um peixe colorido num aquário. Sem deixar, portanto, de esboçar certo entusiasmo e de exibir uma imagem de opulência física de causar inveja a qualquer um. Apesar de estar com a saúde um tanto quanto abalada, uma vez que ainda se recupera de uma colite ulcerática, doença essa que por pouco não o matou. As palavras tiradas da boca do entrevistado são as mesmas utilizadas em suas crônicas, contos, romances, peças teatrais, e difundidas por outros meios de comunicação (televisão, rádio e periódicos).


J. J. R. — Na sua opinião, o que é a beleza?
Nelson Rodrigues — “A beleza interessa nos primeiros quinze dias; e morre, em seguida, num insuportável tédio visual”.
J. J. R. — E o que dizer acerca das mulheres?
Nelson Rodrigues — “Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível”.
J. J. R. — Sobre a adúltera?
Nelson Rodrigues — “Não existe família sem adúltera” — responde com ironia. E continua com as suas divagações: — “Nenhuma mulher trai por amor ou desamor. O que há é o apelo milenar, a nostalgia da prostituta que existe na mais pura”. — Olhando atentamente para o repórter: — “A prostituta só enlouquece excepcionalmente. A mulher honesta, sim, é que, devorada pelos próprios escrúpulos, está sempre no limite, na implacável fronteira”. — E mostrando o dedo indicador: — “Tudo passa, menos a adúltera. Nos botecos e nos velórios, na esquina e nas farmácias, há sempre alguém falando nas senhoras que traem. O amor bem-sucedido não interessa a ninguém”.
J. J. R. — Algum recado para as mulheres?
Nelson Rodrigues — “Era preciso que alguém fosse de mulher em mulher anunciando: ser bonita não interessa, seja interessante”.
J. J. R. — E para os homens?
Nelson Rodrigues — “Se um dia a vida lhe der as costas, passe a mão na bunda dela”.
J. J. R. — E para os casais, alguma dica?
Nelson Rodrigues — “A maioria das pessoas imagina que o importante, no diálogo, é a palavra. Engano, e repito: — o importante é a pausa. É na pausa que duas pessoas se entendem e entram em comunhão”.
J. J. R. — E no que diz respeito à sexualidade humana?
Nelson Rodrigues — “Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém”.


J. J. R. — Falemos agora da virtude e daqueles que o praticam?
Nelson Rodrigues — “Perfeição é coisa de menininha tocadora de piano” — expondo-se, exultante. — “O puro é capaz das abjeções inesperadas e totais e o obsceno, de incoerências deslumbrantes”. — Reflete por alguns segundos e despeja: — “Não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera”. — Toma fôlego e dá prosseguimento ao raciocínio: — “O ‘homem de bem’ é um cadáver mal informado. Não sabe que morreu”. — E numa alegação afirmativa: — “Falta ao virtuoso a feérica, a irisada, a multicolorida variedade do vigarista”.
J. J. R. — E a Europa? E o europeu?
Nelson Rodrigues — “O europeu ou é um Paul Valéry ou uma besta!”. — Continuando a frase após breve distração, com coisas e objetos do seu entorno: — “… a Europa é uma burrice aparelhada de museus. (…) Ao passo que o Brasil é o analfabetismo genial!”.
J. J. R. — E com relação às feministas?
Nelson Rodrigues — “As feministas querem reduzir a mulher a um macho mal-acabado”.
J. J. R. — Qual foi, no seu entendimento, o grande acontecimento do século 20?
Nelson Rodrigues — “O grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota”. — Silêncio profundo e grandiloquente. — “Em nosso século, o ‘grande homem’ pode ser, ao mesmo tempo, uma boa besta”. — Outro intervalo, para mais um gole d’água e acender o quarto e, talvez, o último cigarro a ser desbragadamente consumido nesta entrevista. — “Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: — ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina”.


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Nelson Rodrigues



Dá gosto ver gente inteligente, com sabedoria e graça.

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Portanto, perceberão que mil vezes ler as palavras e ver imagens de Nelson Rodrigues do que perder tempo com a mediocridade (ou, vá, mediania) de tanta gente que por aí anda.

É que, enfim, vocês sabem, eu também poderia agora aqui falar do 3º debate entre os dois candidatos finalistas nas eleições americanas. Mas é tão estranho que um palhaço ordinário seja um deles que também não vou por aí. Não diz se aceita o resultado das eleições se Hillary ganhar...? Pois, nem espanta que seja parvo a esse ponto. É mau demais.


Por vezes -- ou visto de alguns ângulos -- o mundo civilizado parece ter entrado num processo autofágico. Coisa feia de se ver, portanto. Portanto, com vossa licença, mas ficamos assim.

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As fotografias são da autoria do ucraniano Vadim Stein.

Se todos fossem iguais a você é interpretado por Tom Jobim

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira.

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domingo, janeiro 31, 2016

Uma mulher que ama mulheres, uma faiseuse d’images


No post abaixo falei de uma rapariga diferente. Claro que, quando se diz que alguém é diferente, se deve dizer em relação a que é que ela é diferente. Pois bem, direi que a sua vida é diferente da da maioria das raparigas que conhecemos, que o seu mundo é diferente do mundo que conhecemos. E, no entanto, tão intrinsecamente igual a todos nós, ela. E o mundo em que vive tão perto de nós. 
Que me tenham ocorrido as palavras de um físico que fala como um poeta talvez não seja mera coincidência.
Há coisas que me comovem mesmo. Mais do que um murro no estômago é como se uma mão puxasse por mim. Mas isso é a seguir. 

Aqui, agora, vou falar da fotógrafa de que ontem queria falar. Já outras vezes aqui a tive, de visita a Um Jeito Manso mas é sempre muito bem vinda. Bettina Caroline Germaine Rheims é francesa, nascida de uma família ligada à arte, é casada e fez há cerca de um mês 63 anos.

A sua vida tem sido dedicada à fotografia mas, maioritariamente, à fotografia de mulheres. E, quando não fotografa mulheres, fotografa a ambição de o ser ou o paradoxo dos géneros que se confundem.

Charlotte Rampling, por Bettina Rheims

Mas, para nos acompanhar vamos ao som de uma inesperada aventura: 
a fusão entre a Lacrimosa de Mozart e o Hello de Adele. 


Há gostos que são paixões e paixões que se tornam vícios. A escrita é um deles. A fotografia é outro. Não sendo eu senão uma amadora acidental de qualquer destas artes, não poderei sequer trazer-me para dentro de um texto em que se fala de uma mulher que vive de e para a fotografia, que conhece os meandros do mundo da fotografia, que reinventa a condição feminina a cada fotografia que faz. Mas não estou a trazer-me para me comparar: apenas quero dizer que reconheço nas suas obras o prazer enorme de fotografar. Mais: o prazer da procura do momento perfeito em que tudo parece convergir.

Kristin Scott Thomas playing with a blond wig,
Bettina Rheims

Fotografar alguém não é fácil. O resultado é da responsabilidade de quem fotografa e de quem se deixa fotografar. 

Eu que faço fotografias em quantidades escandalosas e que me deixo encantar por tudo e por nada e que adoro fotografar pessoas, apenas me sinto motivada a fotografá-las quando não sabem que as estou a fotografar ou, então, em ambiente normal, sem poses, sem preparação. Não me dá para pedir às pessoas para rirem, para dizerem cheeeeese, para se virarem para aqui ou para ali. Se alguém está com sol na cara e eu gosto, então é assim mesmo, com o rosto banhado pela luz, que farei a fotografia. Se alguém está com sombras no corpo e eu penso que a sombra parece tatuar-se na sua pele, então é isso que eu a quero captar pelo que jamais me ocorreria dizer, saia daí porque está com sombras. 

É a naturalidade que me atrai nos objectos fotografáveis. Por isso, anulo-me, coso-me contra as paredes, espio de longe -- de modo a que a minha presença em nada perturbe a espontaneidade do que fotografo, sejam pessoas, gatos ou paisagens.

Breakfast with Monica Bellucci, Bettina Rheims

Por isso, admiro as pessoas que conseguem fazer fotografias encenadas e em que a fotografia capta a beleza do momento sem que se sinta que há algo forçado ou artificial. Mais: admiro quem consiga imaginar uma pose ou uma situação em que o que resulta é uma história ou a imagem de uma persona que representa uma cena.

Monica Bellucci, uma mulher sensual, cujo rosto e corpo remetem para o prazer dos sentidos aparece, na fotografia de Bettina, como a pecadora apanhada em falta, toda ela gula, sensorialidade, vontade de mais. 

Kristin Scott Thomas, a versátil artista, que tanto nos aparece frágil ou corajosa, santa ou pecadora, aparece, sob a lente de Bettina, desfazendo-se de uma cabeleira loura, mostrando que, de disfarces, se faz a sua carreira e a sua imagem.

Madonna por Bettina Rheims

Madonna, a provocadora, a que não teme rótulos, anátemas, censuras, aparece na fotografia de Bettina como a irreverente, a pronta a tudo, aquela para quem não há limites nem no vestuário, nem nos comportamentos, nem em nada. Cansada depois de uma noite de excessos, descansando depois de um concerto, não o sabemos, mas até da incompreensão das suas quase excessivas encenações se tem feito a vida de Madonna.

Charlotte Rampling, quando era mais nova, era bem a imagem da sedução sofisticada, do convite à partilha de momentos vividos numa intimidade cheia de mistérios, com algum toque de rebeldia, de elegante desafio. Assim a soube captar Bettina Rheims. 

Catherine Deneuve por Bettina Rheims
Catherine Deneuve, bela, discreta, dela se dizia que era fria, apática. Ou que facilmente se poderia tornar uma mulher submissa. E, no entanto, como Belle de Jour apareceu-nos como uma mulher capaz de procurar os prazeres proibidos durante as tardes de tédio. Bettina trouxe-a misteriosa, bela, sofisticada -- mas sobre uma cama, seios acessíveis.

Todas elas sabiam que Bettina as olhava através da câmara e, apesar disso, não se inibiram. Mostraram-se tal como ela as imaginou e, no entanto, aparecem inteiras, entregando o seu rosto ou o seu corpo à imaginação da fotógrafa e de quem viesse a contemplar a fotografia. Há coragem em quem se deixa assim fotografar tal como há em quem pede a alguém que se vista de uma determinada maneira, que se coloque numa determinada posição ou que olhe para a câmara de uma determinada maneira. Os retratos de Bettina têm isso: a cumplicidade entre a fotógrafa e quem se deixa fotografar é evidente.

Mas Bettina Rheims não fotografa apenas mulheres célebres nem faz apenas fotografias para grandes marcas como a Chanel ou a Lancôme. 



Não. Ela tem feito outras séries. Começou por fotografar mulheres que faziam striptease. ou acrobacia. 


Noutra altura fotografou mulheres que, de alguma forma, aludiam a motivos religiosos, I.N.R.I. e, como seria de esperar, a polémica foi grande.


Outra série dedicou-se à androginia ou à transsexualidade, Modern Lovers e Gender Studies


Em Heroínes, quis trazer a escultura para o terreno feminino. Mas quis vestir as mulheres com modelos originais. usou modelos famosos. E o resultado foi surpreendente.


Noutra, Chambre Close, um livro feito em parceria com um novelista, Bettina dedicou-se a mulheres que se aborrecem em casa e, que, sem saber o que fazer com o tempo vazio, se entretêm com o seu próprio corpo. Pretendia parodiar a pornografia mas o resultado foi uma interessante mostra do erotismo a solo.



E outras. Ou mulheres anónimas. Muitas. Em qualquer das séries, o interesse que o género feminino é evidente: Bettina Rheims não se cansa de olhar as mulheres e de mostrar a sua diversidade, de mostrar as muitas naturezas que podem encarnar ou encenar, de espreitar os mecanismos da sedução ou da solidão. E as mulheres que ela fotografa deixam-se mostrar, deixam que ela as tente desvendar. Bettina é uma mulher que gosta de mulheres - e é uma excelente retratista, uma talentosa fazedora de imagens.

Maison Européenne de la Photographie, um local de culto da fotografia, em Paris, tem desde dia 28 de Janeiro e até 27 de Março uma exposição de Bettina Rheims.

É do texto do site que o anuncia que retiro estas belas e justas palavras

L’œil de Bettina Rheims embrasse les transgressions et abolit les conventions pour révéler l’intimité la plus profonde et la plus universelle. Dès lors, c’est un jeu de miroirs qui s’enclenche…
Bettina Rheims s’est approprié les codes de la photographie de nu pour les détourner et placer la question de la féminité au cœur de sa pratique. Elle met en danger autant qu’elle sublime la beauté de ces modèles. Mises à nu, vacillantes ou triomphantes, elles bousculent et intimident le spectateur.
Portraitiste brillante, Bettina Rheims a su imposer dans l’imaginaire collectif les visages qui peuplent son monde. Bettina Rheims est avant tout une faiseuse d’images, qui défend dans sa pratique une tradition picturale séculaire. La plupart des photographies de Bettina Rheims témoignent de cet héritage, par un travail sur la composition et la narration notamment.
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Por falar em mulheres, permitam que relembre que, já a seguir, tenho uma outra mulher, uma mulher muito jovem, que também gosta de ver o mundo através da lente mas, por todos os motivos,  rapariga diferente. Não deixem de a ver, por favor.

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segunda-feira, novembro 02, 2015

Madonna e Sean: um amor inevitável?


Madonna Louise Ciccone tem 57 anos, 4 filhos e uma lista considerável de amores. Dessa longa lista de amores, dois foram seus maridos, o primeiro dos quais Sean Penn. O casamento entre ambos durou apenas 4 anos, entre 1985 e 1989, e foi daqueles em que, tantas as faíscas que se soltavam, as explosões eram permanentes. Entre picos de paixão e de fúria muito foi o reboliço naquelas vidas. Chegou a falar-se em episódios de violência mas tenho ideia que nunca se percebeu quem agredia quem ou se, de facto, tinha havido agressões.

O rompimento era inevitável pois a lava que jorrava do vulcão que era aquele amor queimava demais.

Contudo, tempos depois, quando a tumultuoso relacionamento já tinha chegado ao fim e outros braços já tinham abraçado o seu corpo, ao perguntaram a Madonna quem era o amor da vida dela, quase num murmúrio, ela confessou: 'Sean'.

Sean Justin Penn, que é 2 anos mais novo, quase não se ficou atrás de Madonna: a lista de amores é também considerável embora ligeiramente inferior à da ex.

Mulheres belíssimas têm visto nele o que talvez não seja totalmente visível a olho nu já que não é especialmente bonito nem particularmente bem comportado.

Sean, um democrata engagé, cultiva o estilo bad boy e deve ser muito isso que explica que mulheres como Charlize Theron ou Robin Wright, só para referir duas que são bem conhecidas, se tenham entregado a ele de corpo e alma (apesar do sempre presente tumulto).


Mas eis que agora, insistentes rumores dão como certa a reaproximação entre o Poison Penn e a fogosa Madonna.

Um dos irmãos de Madonna não se mostra admirado: diz também que a irmã nunca deixou de amar aquele seu ex-marido, que ele e só ele, foi o grande amor da sua vida.

Sean tem sido visto em espectáculos dela, têm estado juntos no mesmo hotel e as revistas e televisões de todo o mundo esfregam as mãos: Sean e Madonna de novo juntos...? 

Ainda há amores assim? Impossíveis mas inevitáveis? Incontornáveis? Inegáveis? Ainda há verdadeiros amor de perdição? É possível errar, errar uma vez mais, errar cada vez melhor? Podem duas vidas correr na direcção uma da outra de forma inelutável, inegociável?

Eu acho que sim. Tomara que Sean e Madonna também o comprovem. Não é por nada mas, cá para mim, acho que foram feitos um para o outro. E, assim como assim, ver uma história de amor a acabar bem é sempre um consolo para a alma.

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A propósito da bomba Madonna que tem posto muitas cabeças à volta e muitos corações em chamas mas que, ao que parece, é por Sean que o seu coração bate de verdade, lembrei-me de Serge Reggiani na canção Maumariée.




Ne pouvais-tu
Ne pouvais-tu m'attendre
Ne pouvais-tu
A cet instant comprendre
Que je courais vers toi
Que je courais
Comme vers une source
Ignorant que ma course
Me conduisait là-bas
Au bord de l'eau
Au bord de l'eau


Et je suis là, moi
Je suis là
Avec mes deux mains
Qui ne tiennent rien
Ton image en moi
Qui ne s'en va pas
Avec tout mon corps
Qui regrette encore
Maumariée
Jamais je n'oublierai
Moi, maumariée
Que j'aurais pu t'aimer


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.

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sexta-feira, dezembro 05, 2014

Há um limite de idade para uma mulher ter orgulho nos seus seios? Madonna acha que não: é dona e senhora do seu corpo aos 56 anos, tal como o era quando, jovem, irrompeu em força quebrando diversos tabus. E prova de como a sua força é apreciada é também o facto de a Versace a ter contratado para ser a imagem da campanha Primavera/Verão 2015.


No post abaixo falei das tuas novas Bond Girls, duas fogosas mulheres que devem ir fazer a cabeça do 007 num 8, correndo-se seriamente o risco de Daniel Craig ser relegado rapidamente para secundaríssimo plano. Estou curiosa. Que aquelas duas são moças para aprontar, disso não haja dúvidas.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.

Outra? Enfim... mais ou menos.




Madonna Louise continua a ser, aos 56 anos, dona da sua vontade, do seu corpo, e, assim sendo, continua a fazer o que lhe dá na real gana sem querer saber das polémicas que incendeia à sua volta.

Recentemente protagonizou, para a revista Interview de Dezembro, uma ousada sessão fotográfica em que a dupla Marcus Piggott e Mert Alas a mostram ousada, descarada, confortável com o seu corpo, uma mulher na plenitude dos seus 56 anos. O seu topless tem agitado as opiniões e os seus mamilos, aos poucos, vão aparecendo cobertos, esfumados, escondidos como se fossem símbolos de pecado.



 


Ora bem, ainda mal as pias almas se estavam a refazer do choque e as opiniões se dividiam entre aplaudir ou rejeitar - que isto de mostrar o corpo em ousadas sessões é para jovens esbeltas e daquelas que não têm muita vergonha na cara e não para madonas com idade para seres avós - quando os ventos nos trazem já outra.




Para suceder a Lady Gaga, eis que Donatella a escolhe a ela, mulher madura de 56 anos, para ser a imagem de marca da Versace na próxima campanha de publicidade Primavera/Verão 2015.


As imagens mostram-na agora mais bonita, as raízes já não são pretas, todo o cabelo é agora claro bem como mais claras são as sobrancelhas. Desapareceu aquele aspecto vagamente descuidado em que parecia não cuidar do cabelo, em que gostava de acentuar o ar irreverente, street, bad girl

Agora não, agora Madonna é uma mulher cuidada, sedutora, sofisticada - e tentadora, como sempre fez questão de ser.



E a roupa que enverga é Versace e, portanto, é uma roupa requintada, estruturada, feminina. As imagens que já se conhecem da campanha mostram Madonna elegante, bela, impudica, com uma sugestão de ousadia como só ela o sabe, e intemporal como as mulheres seguras de si o são.




Os fotógrafos são os mesmos, a dupla Mert & Marcuse que, nitidamente, tem a chamada 'química' em relação a Madonna.




Há uma certa aura de Marilyn nestas fotografias, a luz parece reflectir-se nela como se reflectia no corpo luminoso de Marilyn. Mas Madonna não tem 36 anos nem se sente propriedade da imaginação dos outros, Madonna já tem 56 gloriosos anos e continua a ser dona e senhora do seu corpo, um corpo sempre reinventado e soberano.
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E, porque Madonna é música e, sobretudo, performance, eis Madonna, a mulher-múltipla, The beast within



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Relembro: a loura e a morena que certamente tudo farão para dar cabo do Bond - James Bond - no novo 007 estão já a seguir.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa sexta-feira.

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sexta-feira, janeiro 31, 2014

O que deu na Madonna? Alguém me explica? Desistiu de ser uma MILF? Uma cougar? Virou o quê? Nem percebo. Compareceu nos Grammy's de uma forma que me deixa transida. Nem dá para perceber o que aconteceu. Mas dizem que salvou o espectáculo ao apadrinhar um curioso casamento colectivo.


Bem. Abaixo já falei de coisas desagradáveis. Num dos posts falo da miserável actuação da Justiça neste triste caso do Meco e, no post mais abaixo, falo da manipulação através da infantilização que está em curso para que, aos poucos, (quase) toda a população se habitue a deixar de pensar.

A seguir. 

Agora aqui a conversa é outra. Nada a ver com a anterior, nada, nada, nada.

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Madonna Louise Ciccone nasceu em Bay City em 16 de Agosto de 1958, ou seja, fará 56 anos no Verão. 

É certo que já não é uma menina. Uma mulher desta idade pode ter atractivos, pode despertar interesse, claro que sim, pode ainda fazer virar a cabeça dos outros na rua, pode tudo, mas, enfim, sejamos honestos, já não parece que tem 20. Por muito jovem que seja o seu espírito, por muito musculada, exercitada, plastificada, produzida, que seja, não vai parecer uma adolescente para o resto da vida.

E é assim que Madonna, a mulher dos mil visuais, 

loura, morena, ruiva, punk, Marie Antoinette, Evita, virgem, provocante, sedutora, provocante, hetero, bi, whatever

apareceu desta vez na cerimónia dos Grammy Awards 2014 acompanhada pelo filho de oito anos, vestida como ele, 

um modelo Ralph Lauren, fato de corte masculino, gravata, luva e bengala e... um adereço pavoroso, os dentes cobertos de ouro e diamantes, uma tendência da moda conhecida como Grilzz. 
“Todos ficam irritados quando uso o meu grillz, por isso é que estou a usá-lo”, acrescentando que só o usa quando não tem de comer e “quando combina com a roupa” (texto da Caras). 

Mas o pior nem é o horrível pormenor dos dentes: o pior é que tem o rosto quase deformado, dá ideia que encheu as bochechas com silicone, sei lá. Está velha, acho-a feia. Ou simplesmente estranha, nem sei. É que a questão nem está em estar velha ou feia que cada um é o que é, a questão é que parece que tanto mexem na cara que acabam por alterar as feições.

E o cabelo sem brilho, muito amarelo, parece que sem corte definido, mal arranjado. E os lábios muito pintados, parece que fica com ar vulgar, não sei - enfim, tudo neste seu visual me choca.


Olho o seu rosto e fico pasmada: tanto que ela preza o visual, tanto que ela vive em função da imagem e agora aparece assim...? Gostará de se ver? Se calhar gosta.

Tirando isso, dizem que com o seu carisma (não com a voz que essa está fraquinha, fraquinha....), ajudou a salvar uma cerimónia baça, sem sal.

Transcrevo (agora da Lux):

Madonna, Queen Latifah e a dupla revelação do rap Macklemore & Ryan Lewis celebraram a união coletiva de 34 casais durante a festa dos Grammy, no Nokia Theater, em Los Angeles. 


O casamento de 34 casais, incluindo homossexuais, foi um grande acontecimento no palco dos Grammy.

«Estamos aqui para celebrar o amor e a harmonia», pediu a artista Queen Latifah durante a canção «Same Love», que já se tornou hino da queda do Doma (Defense of Marriage Act), lei que negava direitos constitucionais a casais do mesmo sexo nos Estados Unidos.



Seja. Tudo bem, não digo mais nada. E se ela se sente bem, é o que importa. E continua a abraçar causas e a ser inconformista e isso é o que importa. E a idade passa por toda a gente, porque não haveria de passar por ela, não é?


(Passa por ela e, na volta, também passa por mim, sei lá :-)


Não, ainda não é o meu auto-retrato.
Fotografia obtida na net sem se perceber qual o site de origem.
Aliás tal como as outras deste post.


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Relembro: para coisas sérias é, por favor, descer um pouco mais.

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Hoje no meu Ginjal e Lisboa tenho Marília Pêra a dizer Carlos Drummond de Andrade, numa grande interpretação de Amar. Para enfeitar tenho uma fotografia minha feita por lá com um estranho rosto estampado numa rocha a ver o Tejo. Gostavam que me visitassem ali.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta feira. 
Thanks God it's Friday!!!!!!