No post abaixo falo da minha estranheza, das suspeitas que começam a formar-se na minha cabeça: falo da ministra Maria Luís Albuquerque, a Miss Swaps, e das contradições e factos esquisitos que começam a saber-se acerca dela. E apelo a que alguém vá atrás do seu passado próximo (por exemplo de 2000 e tal para cá) para ver se ficamos a perceber melhor que gente é esta que nos anda a sugar o sangue e o tutano, a arrancar o couro e o cabelo, a destruir o país.
Mas isso é lá em baixo. Aqui a conversa é outra, é da boa.
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Música, por favor, há temas que pedem música.
Natalie Merchant interpreta The letter
Música, por favor, há temas que pedem música.
Natalie Merchant interpreta The letter
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Vocês nem imaginam as vezes que eu já tinha ido à procura da Ler de Setembro. Costuma sair tão cedo e este mês, já íamos a meio do mês e nada.
Pois bem, hoje já tinha finalmente chegado e já cá canta. O amigo de estimação da Ana Cristina Leonardo já tinha dito: Mantendo o formato habitual, a revista sofreu uma profunda remodelação gráfica: mais imagem, crónicas ligeiramente mais curtas, janelas de poesia aqui e ali. Tudo muito cool.
Ou seja, a Ler tinha sofrido um revamping mas, pela descrição, fiquei com os dois pés atrás. Céptica, devo dizer. E mais curiosa fiquei. Cool? O que seria isso de cool aplicado a uma revista destas?
Pois bem. Só posso dizer-vos que a primeira impressão é óptima. Ainda tem o cheiro da tinta e está uma maravilha. A abrir logo uma poesia de João Vário, daquela colecção de poesia dirigida por Pedro Mexia para a Tinta da China da qual faz parte o livro da Rosa Oliveira, o Cinza, que é também muito bom. Como amuse bouche não poderia ser melhor. Uma página inteira, uma letra grande que impressiona. Fiquei logo agarrada.
Aliás, toda a paginação, todo o grafismo, a poesia aqui e ali, as cores, a dimensão das fotografias, a leitura mais fácil - tudo muito bom. Se me permitem continuar na onda do Eduardo Pitta e usar uma palavra muito usada pela gente da imagem e da comunicação, diria que está clean.
Como sabem eu sou toda dos sentidos (ou seja, em primeiro lugar, um animal - e dos primitivos - e, só depois, entra em cena o meu lado racional). A minha primeira impressão começa logo no toque, na imagem, no cheiro. E só não incluo aqui a audição e o sabor porque, enfim, não sou tão maluca que me ponha a lamber os livros e as revistas ou a ouvir vozes. Adiante.
Apeteceu-me fazer acompanhar o José Pinho por algumas das minhas pulseiras (tenho destas coisas incompreensíveis) |
Digo isto e fico a pensar: ao dizer uma coisa destas estou a demonstrar o quê? Auto-estima ou presunção? Pois não sei (nem isso me importa). Sei é que ele não tira os olhos de mim. Essa é que é essa.
Mas tem ar de ser malandreco, é bem capaz de fazer isto com qualquer uma. E qualquer um.
Vocês experimentem pousar a revista na mesa ao lado do computador e vejam se não ficam com a mesma sensação.
Vocês experimentem pousar a revista na mesa ao lado do computador e vejam se não ficam com a mesma sensação.
Seja como for, ainda apenas li a entrevista que a Ana Sousa Dias lhe fez em diagonal, enquanto estava na fila ao regressar ao fim do dia. Felizmente estava uma bicha do catano, demorei séculos a chegar a casa, a luz cada vez mais frouxa, e deu para me deliciar a folhear a revista, a ler algumas coisas. Por exemplo, estou cheia de vontade de ir a Óbidos ver as livrarias dele, do dito José Pinho.
Que vida tão boa deve ser a dele. Que feliz que ele deve ser. Ralações, maçadas, limpar o pó dos livros, arrumar as prateleiras, tentar descobrir livros tresmalhados, e despesas e tudo isso mas, Deus meu, quem já esteve na Ler Devagar sabe como aquilo é outro mundo, um mundo absolutamente maravilhoso. Uma coisa que parece um sonho.
Adiante.
Li também a crónica do Pedro Mexia sobre o seu encontro com um homem invisível, o Herberto Helder - a sua antítese em termos de exposição mediática (enquanto o primeiro aparece em todo o lado, apresentação de livros, debates, moderações, Governo Sombra, escrita na Ler e no Expresso e o escambau, o segundo é bicho raro, pouco sai da toca ou, se sai, não anda por onde possa ser objecto de atenção jornalística).
Pessoalmente, no que aos escritores diz respeito, prefiro o seu anonimato mediático (digamos assim), o serem incógnitos perante os seus leitores. Os escritores deveriam ser invisíveis, transparentes, andar no meio de nós e a gente não os ver, ou viverem escondidos no fim do mundo e a gente ter uma curiosidade danada, sem saber se é homem, mulher, novo, velho, feio, bonito. É que não interessa nada disso, interessa é que os seus sentimentos e pensamentos saiam destilados em belas palavras.
Um destes dias vi o Gonçalo M. Tavares. Nunca consegui ler um livro dele, coisa insólita demais para o meu estado de evolução na espécie. No meio das coisas estranhas que escreve, aparecem frases com uma certa piada mas, no conjunto, tenho mais que fazer que tentar perceber o sentido daquilo, já que beleza não é por aí além. A escrita dele não me transporta e eu não tenho energia anímica para ter que ser eu a andar a arrastá-la de página em página. Mas, então, lá estava ele, um sujeito quase normal mas com algumas diferenças. Vi-o e achei que o que ele escrevia estava bem para ele. Não é boa coisa a gente poder tirar a prova dos noves. Mais vale permanecer na ignorância.
Adiante.
Amanhã vou levar a Ler e esperar que, no regresso, esteja outra vez um trânsito infernal, mas daqueles mesmo parado para eu poder ler devagar. Não há nada melhor que a gente ler devagar (grande nome para uma livraria.
... E cá continua ele com os seus belos olhos verdes a ver se me impressiona. Ora esta.
Vou-me mas é deitar.
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Se não se importarem de deixar o mundo dos livros para entrarem no perigoso mundo dos embustes, é descerem até ao post seguinte. Mas, se forem, talvez depois seja melhor lavarem as mãos e os olhos que eu não sei se aquilo não faz mal à pele e à mente e não atenta contra a nossa higiene (mental, claro).
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Resta-me desejar-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta feira.
PS: Não deixem de ver os comentários dos meus posts pois acontece ter por lá links fabulosos que Leitores, a quem muito agradeço, generosamente oferecem.