Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quarta-feira, abril 10, 2019

Não sei que nome dar a este post




Na televisão, o filósofo de outra nacionalidade dizia que de Portugal só chegam notícias felizes. Dizia que Portugal é um exemplo feliz. E eu também acho. Somos um país feliz, luminoso, diverso. 

Claro que se fizermos zoom começam a aparecer as pequenas histórias. 
A jovem que se enclausurou num compartimento da casa com medo do agressor. A mulher que chora por ter sido agredida e agora a filha, que testemunhou as agressões, está a ser ser obrigada pela Justiça a estar com o pai de quem tanto medo. A mulher que vai fazer um exame médico difícil, que lhe pode trazer más notícias. O homem que vê ser nomeado para seu

chefe o seu colega de quem tem secreta inveja e por quem alimentou durante anos uma imensa raiva. A jovem que sente ter tanto para dar e a quem, no trabalho, tão pouco pedem apesar de haver tanto para fazer. A mulher a quem morreu o marido e que quer reaprender a viver. O homem talentoso que trabalhou numa empresa que era de sucesso e que um dia faliu e que agora se vê atirado para um trabalho que abomina. 
Mas isso são as pequenas histórias, coisas das paredes para dentro, coisas da pele para dentro. Ninguém vê.

O mundo muda, sempre mudou. Chegou a máquina a vapor e tudo mudou. E o facto de já ninguém saber o que é uma máquina a vapor também já não interessa para nada. E um dia, tinha eu uma máquina de calcular que fazia cálculo científico e que tinha funções trigonométricas e de todo o tipo e fui dar com dois senhores, numa sala sombria ao fundo de um corredor ao cimo de uma escadaria que partia de um pátio interior, a fazerem registos numa máquina muito grande, parecia um tear, e davam à manivela para a frente para contas de somar e para trás para contas de subtrair. E pareciam que tinham saído de um filme pré-histórico e pareciam realizados e felizes com o que faziam. E eu achei que alguém se tinha esquecido deles ali. E apesar de o sítio onde isso se passou ser agora um edifício abandonado acho que é possível que eles ainda lá estejam a dar à manivela. 

E eu vejo à minha volta muita gente nova com conversa nova e hábitos diferentes mas inserida num meio velho, de uma outra era, com métodos e procedimentos calcificados, esclerosados. O mundo muda muito rapidamente. E os jovens vivem num país maravilhoso, luminoso, capaz de mudanças corajosas mas que, vendo em zoom, parece querer manter-se imóvel.


E os programas de televisão e os jornais e os livros e as montras das lojas e a gente na rua -- tudo parece não ser capaz de ir buscar o talento novo, a coragem de irromper, o olhar novo, as palavras que transportam a semente da mudança.

Parece haver um casco que protege o mundo velho e uma película que envolve o mundo novo. E não é quem está dentro do casco que tem que ir revolucionar o mundo. Quem está dentro da película é que tem que irromper e fazer-se ao mundo, soltar as asas, voar.






Isamaya Ffrench é a maquilhadora que fascina os millennials

Nick Knight é um fotógrafo muito à frente

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sábado, dezembro 29, 2018

As principais questões de beleza colocadas ao Google em 2018:
espelho meu, espelho meu...




O que tenho a declarar em minha defesa é que quase tudo o que é preocupação de beleza me passa ao lado. E digo 'defesa' só para disfarçar porque, a bem dizer, nem sei que diga. É que fico até apreensiva. Um destes dias dou por mim a parecer saída de uma qualquer gruta perdida no tempo, com uma aparência idêntica à da nossa Irmã Lucy -- a famosa australopiteca -- completamente deslocada face à beleza sofisticada das minhas contemporâneas. 

Até tive que fazer pesquisas para perceber de que se trata pois não apenas não consumo como não sei do que se trata (obviamente também não inalo). 

Como o texto original está em francês e é longo e como estive a trabalhar até a esta hora -- e estou que nem posso, capaz de ceder à tentação de me enroscar numa mantinha, me chegar para trás e me pôr a ver televisão durante meio minuto e, a partir daí, dormir uma boa soneca antes de me põr a caminho da minha deliciosa caminha -- vou atalhar. Vou ao tradutor do google e ele que faça das suas.

Vou apenas mudar uma ou outra palavra porque o tradutor parece que só conhece o português abrasileirado. Por exemplo, vou pôr pestanas em vez de cílios. Mas sei que o que a seguir vos apresento não é obra asseada, até quase parece português digno de um jovem licenciado 
(que ainda hoje recebi um mail de um que é considerado pelos RH como um jovem talento com elevado potencial uma frase que rezava assim: "enviee lhe uma sugestão para fazer-mos uma circular")

E, já agora, vocês, minha gente, sabiam que pestanas é o que está a dar...? Eu não, não sabia de nada.  Há todo um mundo paralelo que desconheço. Vivia na ignorância que o meu olhar pode ser recauchutado, aprofundado: pestana extensa como penacho, alçada, sobrancelha bem desenhada e penteada.


Mas então lá vai disto: o artigo todo traduzido a la minute. As imagens não constam do texto original, estão aqui por iniciativa minha, para o caso de também precisarem de ajuda para perceberem qual a cena. E vou inserir os links que constam do artigo caso queiram adquirir cultura avançada.

Google just shared the top 10 beauty questions of 2018 — so we did you the favor of answering them


Les dix questions beauté les plus posées sur Google en 2018


O mecanismo de busca listou os problemas de beleza que foram mais apresentados em 2018. A lista, que surpreenderá mais de um, é indicativa das preocupações estéticas de nossa sociedade, onde a beleza primeiro passa pela visão.


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1. Como aplicar pestanas postiças magnéticas?
[What?!?!?!?!

Em 2018, as pestanas experimentaram um pico de popularidade, tornando-se aliados para estender o visual com uma pose cada vez mais simples e intuitiva. Nossas melhores dicas em colocar pestanas postiças em minutos.

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2. O que é um elevador de pestanas?
[What?!?!?!?!

Sempre na era do tempo, o conselho em torno dos olhos desperta um grande interesse. Como aplicar o seu rímel? Aqui estão os passos para um resultado perfeito.

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3. Como remover as pestanas postiças?
Para não danificar as pestanas, é importante usar uma boa técnica. Três ingredientes são essenciais: o solvente para cola de pestanas falsas, removedor de maquilhagem ou óleo de coco, amêndoa mineral ou doce também permite remover a cola e a maquilhagem. Você apenas tem que escolher um produto adequado para evitar atacar a área dos olhos.

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4. Que cor de cabelo é a melhor para mim?
Antes de adotar uma coloração rosa como algumas estrelas este ano, é melhor aprender sobre as contraindicações, incluindo aquelas reveladas por 60 milhões de consumidores que alertam sobre a toxicidade dos corantes capilares.

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5. Como fazer olhos de corça?
Estamos acompanhando o caso há muito tempo e o controle do delineador não terá segredo para você, graças ao conselho de Miky.

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6. Como remover a maquilhagem, a não ser com lenços de limpeza?
Há muitas maneiras de fazer isso com água micelar, óleos ou cremes. O importante é escolher o seu removedor de acordo com o seu tipo de pele.

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7. Como aplicar aloe vera?
Suas virtudes de hidratação e regeneração de células são comprovadas. E há as perguntar sobre receitas caseiras, cremes, cuidados com os cabelos ... E outros métodos diferentes de usar esta planta suculenta.

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8. Como colar as sobrancelhas?

Este método do Japão gerou grande interesse no Instagram com o lançamento de um gel preenchido com fibras sintéticas. Nós nos perguntamos se essas extensões realmente funcionam.

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9. Como organizar um gesso com efeito de maquilhagem? 
[NB: Estou em crer que esta foi mais uma das fails do tradutor do google. Cá para mim a pergunta não é nada deste disparate mas, sim, como evitar que a cara parece coberta de gesso] 
Esta é uma das questões existenciais em beleza. Um ingrediente para remediar isso: escolha sua base e evite erros ao aplicar.

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10. Que corretivo usar?
Ele se tornou uma necessidade em nossa vaidade. Para um contorno de olhos perfeito, a nossa receita de corretivo caseiro.


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E hoje, meus queridos Leitores e Leitoras, não levem a mal mas passa bem da uma e meia da manhã e hoje trabalhei tanto, tanto, comecei aqui no blog tardíssimo e estou mesmo perdida de sono. Mais: uma vez não consigo responder aos comentários. Aceitem as minhas desculpas.
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Um belo sábado

sexta-feira, janeiro 26, 2018

Batom a condizer com o vestuário...?
Parece-me bem.
[A não ser que a blusa seja amarela-pintainho ou azul-cuequinha]


Ora muito bem. Abaixo já falei das tatuagens poéticas ou aforísticas lançadas pela Dior. Vamos então, agora, passar para a boca. 

Sobre a minha própria boca o que tenho a dizer é que nem sempre passo uma corzinha ou um brilhozinho nos lábios. Se o faço opto por pouco espalhafato. Não gosto de me ver com cores gritantes. Tenho lábios de bom tamanho pelo que, se os pintar de vermelhusco ou rosa pintarolas, fico a atirar para o vulgar. Pelo menos, parece-me. No entanto, mudo a cor consoante a roupa que visto. Se predomina o encarnado, claro que não vou usar batom cor-de-rosa. E vice-versa.

Também da Fashion Week haute couture Primavera-Verão 2018, aprendi que podemos ser ainda mais open minded:
En parfaite harmonie avec son total look pink, Kaia Gerber portait un rouge à lèvres fuchsia sur le défilé Valentino haute couture. Et si la nouvelle règle pour porter son rouge, était la coordination avec ses vêtements flashy ?

A Red Red Rose de Robert Burns (lido por Tom O'Bedlam)


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Por exemplo, também não sou fã do azul, cueca ou não cueca. Até porque seria estranho dizer que ia passar um rouge azul. Claro que à Rihanna tudo fica bem mas quantas de nós, mulheres, nos podemos dar ao luxo de ser Rihannas?




Ou um lipstick em amarelo descarado...? À Jennifer Lopez claro que fica bem e nem precisa de vestir um trapinho a condizer. Mas vá que amanhã apareço no trabalho armada em J. Lo. Seria a gargahada geral no mundo do trabalho. Ná. Não me presto a isso. Sou muito conservadora. É como com unhas: incapaz de as pôr verdes, azul submarino ou escama de sereia. 


Daffodils de William Wordsworth lido por Jeremy Irons.



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sexta-feira, março 24, 2017

De olhos completamente fechados





Terei, então, que fechar os olhos? Terei? 

Terei, então, que deixar que o azul e o verde e os pássaros venham pousar nas pálpebras que deixo correr sobre os meus olhos cansados para que o dia não venha mostrar-me a realidade cinzenta e triste?

Peço segredos e cânticos e nada recebo, peço um pássaro amarelo e macio cantando na janela ou um bicho arrogante exibinto os seus aparatos sobre o meu corpo, e nada recebo. Nada.

Peço silêncios e palavras leves como sonhos -- e nada.

Continuo rodeada por ruído e penares.

Mas não faz mal. Fecho os olhos. Sacrifico-me. 

Fecho os olhos e vejo lagos, sombras floridas, borboletas, pássaros, nenúfares. Verdes, azuis, encantos.

(Mas vem na mesma.) 

Traz-me poemas, céus estrelados, campos de trigo, aldeias maravilhando ao sol, bichos dourados, ciprestes eternos, sempervirens, céus ondulando, nuvens azuis como marés, ventos quentes, doces memórias.


Vem.

Traz nas mãos as tuas palavras mais puras, vem dizendo coisas como jardins de jasmins, rochas cobertas de limos e conchas, conta-me de abismos e paraísos.
Esconde lamentos e saudades, não me fales de lágrimas nem de mãos vazias, nunca me digas palavras duras nem da dureza que, por vezes, habita o teu coração. Não me digas porque não posso acreditar. Nem quero.
Por isso, fala-me apenas de videiras, de roseiras luzindo à luz do sul, fala-me de muros de alvenaria, de bichos dormindo ao sol, fala-me de anémonas, de mares sem fim, fala-me de pombas desenhadas em quadros que cantam a paz, fala-me de gatos e de deuses. Conta-me de ti. Conta-me mentiras.


Ou não digas nada. Deixa apenas que ouça a tua respiração.

Fecho os olhos. Fecho os olhos em silêncio, penso em poemas longínquos, palavras brancas, alvores, rios que me enleiam. Vejo montes, vulcões, ondas e nevões, planícies e pássaros, lonjuras e flores de gelo, azuis, muitos azuis, e o branco de onde tudo nasce. Ouço a tua voz que nunca ouvi, vejo o teu olhar cego que me olha sem me ver, sinto o teu corpo que me cheira como um animal vadio.

Não quero saber de nada. Quero imaginar brincadeiras, risos, patos no lago e crianças a atirarem pão, quero imaginar flores no meu cabelo, palavras brandas como carícias incertas, quero jogar às escondidas, quero ser aquela que não existe, invisível, sem nome.

Quero ser aquela que, de eyes wide shut, inventa um  olhar sonhador, um olhar louco e que, de tanto querer o silêncio, escreve palavras sem dono e logo as solta na noite.

Agarra-as, são tuas.

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Maquilhagem inspirada respectivamente em Claude Monet, Van Gogh e Katsushika Hokusai.

A música é The Sacrifice, do filme, 'O piano', da autoria de Michael Nyman

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E queiram, por favor, descer caso queiram ver o que se esconde num silêncio limpo, sem palavras

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sexta-feira, setembro 23, 2016

Pode estar na moda mas, sei lá, parece que não fazem o meu género.
(Mas, atenção, do vídeo e dos manos gosto)
E uns pequenos apontamentos diarísticos.




Ora sim senhor. Aqui um pequeno desabafo, se me permitem.

Tenho já nem sei quantos mails dirigidos à ujm para ler e responder, tenho artigos que me têm enviado e que gostava de conseguir ler, nestes últimos minutos tenho estado a ouvir o telemóvel a dar sinal, estou a receber mails de trabalho como se não houvesse amanhã (e isto quando já é amanhã) e estou cheia de sono e a pensar que devia ir pregar para outra freguesia porque daqui a nada tenho que estar a postos.

E acabo de ler no meu horóscopo para este mês que as grandes alterações que venho defendendo há que tempos quer a nível quer a nível profissional vão acontecer simultaneamente, ultrapassando as minhas mais loucas perspectivas. E que eu mantenha a cabeça no lugar para poder aceitar propostas tão inesperadas quanto emocionantes.

E eu que estou a meio de um mês que se está a revelar louco, tão irreais são as situações que atravesso -- que nunca esperaria viver nem nos meus mais loucos sonhos -- penso que isto dos horóscopos tem graça.

A última vez que ali o li, para aí em Junho ou Julho, nem sei bem, dizia que me iam surgir situações inesperadas e que eu me preparasse para me ver perante desafios novos ou convites ou lá o que era. E, caraças, aconteceram mesmo e eu enfiei-me de cabeça, atirei-me para a piscina, e agora aqui estou, sem ter para onde me virar porque tudo me cai em cima ao mesmo tempo e me vejo em situações em que há uns dois ou três meses nem ousaria supor que pudessem acontecer.

É bom mas, caraças, é de loucos, inimaginável, tudo em excesso e tudo ao mesmo tempo.

Portanto, onde o tempo ou a cabeça para responder a mails com a atenção que merecem ou ler artigos grandes ou que, pela sua natureza, requereriam disponbilidade? 

Por exemplo. Pelo natal recebi um mail de um ex-colega, dirijindo-se-me como sempre se me dirige, Minha muito Estimada Amiga, desejando-me o que se deseja nessas ocasiões e aproveitando para me contar as ideias que tinha em mente. E eu respondi com agrado por sabê-lo sempre tão criativo e motivado. Pois bem, recebi há dias um mail dele contando-me que o seu projecto estava a andar, uma coisa extraordinária e que tem o suporte da universidade e investidores e etc. e envia-me o documento do projecto pois, diz ele, sabe que vou gostar de conhecer. E tem razão -- mas eu nesta vida... Quero conhecer, claro que sim, já espreitei e é uma coisa do além, quero ler com cuidado para lhe responder também com cuidado -- e, à noite, aqui chegada, penso que devia deixar o blog e ir ler o documento. Mas porque escrever me descansa e, a esta hora, preciso de descansar, opto pelo blog. Mas fica a pesar-me a consciência.

Ontem recebi outro mail de um que em tempos foi meu chefe, uma pessoa adorável, e envia-me um filme dizendo que espera que eu goste. Mas o filme é tão grande... O mesmo problema.

Sobrancelhas descoloridas
Em vez de me pôr aqui diligentemente a ler tudo isto que me enviam, ponho-me a circular pela bela vida, a preguiçar lendo horóscopos e outras frioleiras.

Espreito os outros blogues, gosto sempre de ver em que pensam ou a que dão atenção as pessoas que gosto de seguir. Tão coerentes. Tirando um ou outro que são capazes de me surpreender, há, na maioria, uma coerência sustentada que os leva a serem capazes de, dia após dia, se manterem no mesmo registo. Tão diferentes de mim.

Quando vejo que a maioria dos blogues se encaixa em categorias penso que deveria ser impossível encaixar o Um Jeito Manso onde quer que fosse. Mesmo se escrevo sobre impostos, apetece-me desalinhar aquilo tudo metendo-lhe fotografias a despropósito pelo meio.

O que pensarão desta bagunça os meus leitores? Em média recebo mais de mil visitas por dia e, portanto, devo ter leitores de toda a espécie e feitio. Alguns devem achar que isto não tem ponta por onde se lhe pegue. E o mais certo é que tenham razão.

Mas pronto, não era em nada disto que eu ia falar.

by Gucci
Ia falar do que tinha visto na Vogue Paris sobre as últimas apresentações, as novas tendências, o que estava a fazer furor.

E eu... old fashioned, eu que gosto de ser tratada com beija-mão, 'Minha muito Estimada Amiga' e outras delicodoces gentilezas, olho para aquelas sapatolas lá em cima, todas esporeadas, homens tatuados na cara, cheios de anéis e adereços dourados, mulheres com lábios decorados com cristais de rocha, rostos que parecem desenterrados e vestimentas e penteados que parece que saíram de uma revista de moda das que a minha avó trazia de casa de uma amiga que papava toda a espécie de revistas... e fico a pensar que ainda bem que isto da moda é doença passageira.



Bolas. Não é que não seja bonito... mas consegue-se comer alguma coisa com uma boca destas?
E haverá algum homem que se arrisque a beijar uns lábios destes?

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E, por hoje, é isto. A quem queira ver uma deliciosa entrevista (vão ver... para verem o entrevistador a perguntar à Hillary como será se, por acaso, ela ficar grávida...) e uns pequenos apontamentos meus, sugiro que faça o favor de descer até ao post seguinte.

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quarta-feira, novembro 04, 2015

O rouge que me veste


Estou com uma soneira hoje que só visto, nem sei bem porquê. 

Se calhar é porque, gostando de fazer reset de vez em quando, ao longo do dia, enquanto trabalho, mal o tenho conseguido. Gosto de ter uns momentos meus para ir à copa fazer chá, dar dois ou três dedos de conversa com algum/a colega, espreitar o céu através daquela imensa parede de vidro (onde não há janelas que abram), enfim, descontrair. Pode ser uma coisa de breves instantes mas, para mim, isso é necessário. Agora quando entro numa de sessões contínuas - saindo de umas para outras, stresses numas reuniões ou telefonemas e, sem poder mudar a pilha, entrar logo noutras - chego ao fim do dia de tal maneira que, mal me sento, fico à beira de adormecer. E tenho chegado a casa tarde. Hoje já era 20:30 quando cheguei. Ainda fui dar um passeio (que não posso chamar caminhada a isto de andar pouco mais de meia hora). Com isto tudo, só consigo chegar ao pé do computador tarde e más horas e já pedradésima de sono.

Por isso, já não consigo encontrar temas relevantes, não tenho pedalada, só mesmo frioleirazinhas. No post abaixo falei de um vídeo que mostra uma sessão fotográfica engraçada e agora continuo numa de fotografias à superfície, nada de profundidades.

O tema é o baton e eu, como gosto de usar baton e, todos os dias, antes de sair de casa, consoante a roupa que visto, assim escolho a cor da sombra dos olhos e a do baton - tudo leve e discreto mas, ainda assim, fundamental - gostei do vídeo que aqui vos mostro.

Verão que é coisa também discreta e que reproduz o que eu também faço.
Se uso um rouge bem sanguíneo, bem carnudo, então, para que o conjunto não fique excessivo, vejo-me forçada a tirar a roupa. 
Quanto muito fico com o blaser. Os sapatos altos, claro está, esses nunca tiro. Sem saltos altos sinto-me nua. 
Só espero é que ninguém me filme, senão ainda me põem no Face e, num instante, a coisa vira viral.

Rouge pur couture com Cara Delevingne - The rouge that dresses me 

Yves Saint Laurent



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E, numa de aceleração do tempo, sigam, por favor, para o post abaixo, para uma bem humorada avant première relativamente à Vanity Fair de Dezembro.

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quarta-feira, setembro 02, 2015

'Apanha-me, se puderes', diz Emilie Fouilloux, a mulher de vermelho. Nem pó, responde Johnny Depp, o 'Sauvage'. Que nunca foi tímida, confessa a Dior Addicted Jennifer Lawrence.


Pode ser uma mulher a correr em Paris, pode ser a sedução em vermelho, pode ser o anúncio da marca Tara Jarmon ou ser a moda outono/inverno 2015, pode ser o que quiserem. Eu gosto. Tivesse eu a idade, a altura e corpinho da Emilie e a ver se não me haviam de ver por aí a correr como ela pelas ruas de Paris ou de Lisboa.




E ele é aquele bad guy por quem as mulheres não conseguem deixar de ter um fraquinho. E o perfume é bem bom. Pelo menos o Eau Sauvage que eu conheço é-o. Aposto que qualquer homem perfumado com Sauvage fica tão sedutor como o Johnny Depp.

(Contudo, o perfume de homem que eu considero mesmo, mesmo, irresistível é o que o meu marido usa desde há anos, o Acqua di Giò; mas tenho ideia que já usou o Eau Sauvage. Ele diz que não se lembra mas eu acho que sim)




Contudo, para que os sedutores não tenham a vida muito facilitada, nada como uma mulher se apresentar devidamente armada. Por exemplo, um baton parece-me uma boa opção: é sabido que o ataque é a melhor defesa.

Jennifer Lawrence explica como é. 



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Disclaimer: Infelizmente não tenho participação em nenhuma das empresas referidas neste post.

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sexta-feira, julho 10, 2015

O que é o charme? O que é a beleza? .... [Elisa por Peter. Gandy por Castro. Em por Pete]


Estou a norte, na bela cidade do Porto. Como sempre nestas situações, não consigo passaer pelas suas belas ruas, o tempo disponível não o permite. Não faz mal. O hotel é bom.

Como estou distante de notícias, não posso falar da actualidade. Vou, por isso, falar de beleza, perfeição e ilusões, de sex-appeal, de atitude, de sedução.
Falar não, que não tenho concentração para tal. Umas lérias mal aviadas e umas imagens, essas sim, bem jeitosas....

Não penso que os homens ou as mulheres tenham que ter uma beleza perfeita para terem aquele je ne sais quoi que os faz atraentes.

Penso, aliás, que a inteligência é dos factores que mais decidem a atracção, pelo menos de forma sustentada. Mas o lado físico é importante, claro que é. Mas ao falar do aspecto físico, não é do desenho das linhas do rosto ou do corpo, sequer da perfeição na pele que estou a falar -- penso que o segredo esterá, sobretudo, na atitude.

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O charme no feminino - um exemplo prático



Embora saiba que parte dos meus leitores não se entende bem com o francês, desta vez coloco mesmo em francês porque acho que há ocasiões em que o francês ajuda à graça que vem com o charme (ou com o encanto, vá).

Rendez-vous est donné à l'ombre du Dôme de Milan pour suspendre le temps autour d'un café avec Elisa Sednaoui. Une élégance tout en simplicité, avec l'éclat tout or des bijoux de la Opera Collection éclairant simplement les noirs et blancs léchés du photographe Peter Lindbergh. La vidéo est à découvrir en intégralité sur ww.buccellati.com dès le 6 juillet prochain.




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E agora: 


O charme no masculino  - outro exemplo


David Gandy é muito cá de casa. É um giraço, tem aquele ar masculino que me agrada, um certo ar de bad boy que não dispenso, tem aqui e ali uma cicatriz, uma ou outra ruga. Nada que estrague o conjunto mas que introduz o indispensável toque de imperfeição. Mas tem, sobretudo, aquela atitude que faz a diferença.



El Palacio de Hierro 'Fortuna'  com David Gandy (Oh my Gandy!)



Director: Oliver Castro
Canción: Cha Cha Cha Du Palacio (Christian Cortés para El Palacio de Hierro)

Locación: París, França
"Fortuna": La Fidelite Restaurant; Plaza Vendome; Apartamentos em Champs-Èlysées; Arco do Triunfo na Rue de Tilsitt; Edificio Lelong; Buttes Chaumont Park.


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Dito isto, e até como forma de corroborar que a beleza perfeita não é factor decisivo para coisa alguma, quero agora trazer aqui uma coisa que li no Público

Há três meses, Em começou a colocar imagens suas sem maquilhagem nas redes sociais. O acne da ex-modelo incomodou cem mil pessoas que fizeram questão de comentar negativamente as imagens. "Nem consigo olhar para ela", "o que raio se passa com a cara dela?", "nojenta", "horrível", "feia", "será que algum dia lavou a cara?" foram alguns dos comentários que recebeu. No texto que acompanha o vídeo, Em Ford escreveu que nos últimos meses recebeu milhares de mensagens de pessoas de todo o mundo que sofrem ou sofreram de acne e de consequentes problemas de auto-confiança. "Queria criar um filme que mostrasse o quão irrealistas são as expectativas criadas pelos 'social media', no que toca a imagem de homens e mulheres." Acrescenta estarmos habituados a ver falsas imagens de perfeição. No seu blog "My Pale Skin", a londrina descreve-se como uma rapariga normal: desistiu de uma carreira de modelo por não gostar da 'indústria' da moda e dedica-se actualmente à realização de vídeo. O vídeo foi publicado há poucos dias e tem já mais de 1.5 milhões de visualizações.

You Look Disgusting



Directed by - Em Ford
Director Of Photography - Pete Wallington

(O resto da ficha técnica e a lista de todos os produtos de maquilhagem podem ser vistos aqui)

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma sexta-feira muito feliz.

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sexta-feira, julho 03, 2015

"PORTUGAL É UMA BOMBA-RELÓGIO “À ESPERA DE REBENTAR”", diz Matthew Lynn no WSJ Market Watch. O José Manuel Fernandes é bem capaz de achar que esse fulano é um pessimista. [E, ainda: Quem somos? - pergunta Viriato Soromenho Marques, a propósito de uma Europa que se destrói a si própria]



BITCH BETTER HAVE MY MONEY



Lisbon’s debts are high, and foreigners own most of it

Portugal has a high debt-to-GDP ratio, and it owes most of its government debt to foreigners.


Soube desse artigo ao ouvir Marisa Matias num debate sobre a Grécia na RTP 1 com Braga de Macedo, Paulo Trigo de Morais e José Manuel de Fernandes num debate na RTP sobre a Grécia.
(Só vi um bocado mas fiquei a tentar adivinhar o critério para escolher as pessoas que levam à televisão. Será que querem respeitar umas quotas? Por exemplo: uma mulher de esquerda tida por conhecer o Syriza, um tido por muito inteligente e próximo do PSD, um tido por moderado, justo e próximo do PS e, por fim, um tido por muito limitado? Talvez seja. Uma coisa equilibrada, portanto).

O que os ouvi dizer estava em linha com eles próprios. Braga de Macedo disse que a saída precipitada da Grécia da zona euro seria uma bagunça, o Paulo Trigo de Morais disse coisas acertadas, que a crise da Grécia afecta a todos, etc e tal,  Marisa Matias no fim, para rematar, referiu o que mais abaixo transcrevo, e o outro não disse uma que merecesse registo. Nunca diz. Mas convidam-no para todo o lado. Deve ser por aquilo do equilíbrio, só pode.

Bem.

Para aligeirar o texto que se segue, que entre o momento musical. E este é dos bons.
Leitor a quem agradeço enviou-me um vídeo já com uns meses e que acho que até já aqui divulguei mas, porque tem piada e continua actual, aqui o coloco de novo. 

V for Varoufakis


NEO MAGAZIN ROYALE mit Jan Böhmermann 




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Ora bem. Que entre, então, o artigo que é um baldinho de água fria na cabeça do láparo.


ESQUEÇAM A GRÉCIA. PORTUGAL É UMA BOMBA-RELÓGIO “À ESPERA DE REBENTAR”



Entre avanços e recuos, a crise na Grécia poderá estar em vias de se resolver – pelo menos por mais uns meses. Mas um conceituado analista financeiro acredita que a verdadeira crise na Europa poderá estar muito longe da Grécia, mais concretamente num país que é uma bomba-relógio à espera de explodir: Portugal.

O analista britânico Matthew Lynn afirma esta quarta-feira na sua coluna de opinião no WSJ Market Watch que o nível de dívida pública portuguesa, acima dos 130%, poderá ser já “insustentável”.

No artigo em causa, “Forget Greece, Portugal is the eurozone’s next crisis“, Lynn salienta que Portugal tem o maior índice de dívida publica em percentagem de PIB na zona Euro, e que a maior parte da dívida é detida por estrangeiros.


Segundo o financeiro, a economia portuguesa não se encontra no estado de permanente crise da economia grega, que “está nos cuidados intensivos”, mas não parece capaz de conseguir uma recuperação sustentada.

Portugal, diz Lynn, “ainda está em sarilhos“, e poderá ter que enfrentar uma situação de incumprimento. Lynn antecipa mesmo que as eleições legislativas de Outubro poderão despoletar uma segunda crise em Portugal.

“À superfície, Portugal parece estar muito melhor do que há três anos, depois de ter saído com êxito do programa de assistência da troika“, continua o analista, “e a economia parece estar a crescer”.

Se, depois da Irlanda, também Portugal conseguir efectivamente recuperar da crise, “será uma vitória estrondosa para a União Europeia e para o FMI”, cuja receita baseada em austeridade se revelou “uma catástrofe” na Grécia.

O problema, diz Lynn, é que Portugal poderá afinal não estar salvo.


Segundo o analista, a evolução positiva de alguns dos principais indicadores económicos – consumo, desemprego, exportações, investimento – parecem não ser sustentadas.

Mas o verdadeiro problema, defende o cronista, é mesmo a dívida.

Portugal tem uma dívida pública de 130% do PIB, e 70% dela é detida por estrangeiros.


Até há países, como a Finlândia ou a Letónia, com maior percentagem de dívida detida por estrangeiros. Mas têm muito pouco endividamento. Itália, por outro lado, tem uma enorme dívida pública – mas quase toda contraída internamente.


[Texto obtido aqui]

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Belo trabalhinho que o Láparo e Companhia têm andado a fazer, belo trabalhinho, sim senhor.

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A fotografia lá em cima mostra Rihanna no seu novo vídeo mas é tão tétrico e nonsense que não o mostro. Só a ela, de pistola em punho ao pé de outra amordaçada, junto à desgraça da dívida portuguesa. Afinal isto anda tudo ligado.

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Mudando de assunto: está na hora de reflectir -- mas vamos com boa música.

A lua sobre o rio, aqui na minha janela


Dustin O'Halloran com We Move Lightly



Deixem, então, que partilhe convosco mais uma grande crónica de um dos homens inteligentes deste País

Quem somos?


por VIRIATO SOROMENHO-MARQUES (no DN)


Muitas vezes, quando se compara a tendência crónica para a Europa entrar em convulsão política, com a capacidade dos EUA para navegarem as borrascas da história, sem perderem o rumo da lei e da ordem garantido pelo seu federalismo constitucional (como se viu agora com o histórico acórdão do Supremo Tribunal que fez recuar a homofobia em toda a União), ouve-se dizer: "para chegar ao federalismo os EUA tiveram de passar por uma guerra civil". Trata-se de uma afirmação vazia de sentido. Ortega y Gasset deu talvez a melhor explicação. Para ele, há muitos séculos que a Europa constitui uma "sociedade", alimentada pelos laços históricos e materiais tecidos pelos seus povos. Contudo, é uma sociedade sem um sistema de governação funcional. Para Ortega, as guerras europeias (incluindo as duas mundiais) são formas brutais de "governo europeu". O holocausto de pessoas e de bens faz parte da crónica incapacidade de os europeus construírem um regime comum baseado na lei e na liberdade. O grande sonho da União Europeia residiu na esperança de que, depois de tantas guerras civis, também nós europeus percebêssemos que só é possível vivermos em conjunto respeitando a dignidade dos cidadãos e a igualdade dos Estados. Em 2010, a grandeza deu lugar à cruel realidade de uma zona euro, que em vez de defender os povos contra os riscos da globalização os imolava numa folha de Excel destinada a saldar os danos da ganância de um sistema financeiro, que a venalidade política deixou sem regulação nem limites. Veremos se a Grécia regressa, depois de jugulada a rebeldia, ao redil hegemónico de Berlim-Frankfurt-Bruxelas. À rédea curta de uma Europa, sem alma nem rumo, que confunde cansaço com anuência e medo com lealdade. Contudo, uma Europa assim nem precisa de inimigos. Derrota-se a si própria.

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E, assim sendo e nada mais tendo a acrescentar, despeço-me porque tenho que ir ver que roupa hei-de vestir e que maquilhagem hei-de pôr para fazer pendant com a toilette -- coisas interessantes que me desviam o pensamento das maçadas que acima divulguei.


Mais do que a maquilhagem ou a roupa, é tudo uma questão de atitude


Yves Saint Laurent - rímel Babydoll com Cara Delevingne



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Tenham, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira. Gozem-na bem, está bem?

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sexta-feira, março 13, 2015

Maquilhagem primaveril - a rêverie Chanel





Não sou de me pintalgar, muito menos perder séculos a maquilhar-me. Não uso base, não disfarço imperfeições, não tapo rugas. Só uma vez pus base e fiquei com a pele lisinha, perfeitinha. Fui trabalhar a sentir-me mal por ir com a pele assim, coberta demais; prefiro sentir a pele nua. Lembro-me que nesse dia o presidente da empresa olhou para mim, como que intrigado, e perguntou para um colega meu 'mas o que é que ela tem que até parece que está mais bonita?'. Eu, que já ia incomodada, ainda mais incomodada fiquei, como se me estivesse a prestar a um embuste. Nunca mais.

Mas uso um creme hidratante, por vezes ponho um blush ligeiro nas maçãs de rosto, geralmente num tom pêssego claro, e ponho uma sombra na pálpebra superior, coisa leve, agora em tom lilás, e, junto à base das pestanas superiores, aplico um traço esbatido em tom cinzento esverdeado claro. Depois ponho um pouco de rimmel ligeiro nas pestanas superiores.

Por vezes, nos lábios ponho um gloss em tom framboesa ou pêssego ou rosa (consoante o tom da roupa), tom ligeiro e natural também.

No fim de semana nada, quanto muito um risquinho leve na pálpebra superior, coisa só para dar algum arzinho da minha graça. Nas férias a mesma coisa, nada.

Mas isso não quer dizer que não aprecie ver uma maquilhagem equilibrada, elegante, das que valorizam o rosto das mulheres. Aliás, não me importava de um dia me pôr nas mãos de alguém que me ponha a parecer uma diva, só para me ver assim. Se calhar não saía depois à rua mas não faria mal, era só para experimentar.

De manhã, lá na empresa, na casa de banho, grande parte das mulheres pousa a bolsa de maquilhagem na bancada e desata a transformar-se. Por vezes, especialmente as mais novas, pintam-se umas às outras, experimentam, e sabem de novas tendências e assim. E eu acho graça mas nunca me deu para me pôr em números desses, muito menos em público, colectivamente. 

No outro dia li que há um livro que tem vendido como pãezinhos quentes, escrito por uma maquilhadora, em que ela ensina, com fotografias, alguns truques de maquilhagem. As mulheres, de uma forma ou de outra, gostam de pensar que, se quiseram, podem ficar lindas, podem ficar parecidas com outras.

Eu já uma vez o contei. Quando fiz quarenta anos, cortei o cabelo quase rapado, a la Jean Seberg, pintei-o de louro claríssimo e pus umas lentes de contacto em azul muito azul, da cor dos olhos das bonecas. Ainda me lembro de me ver ao espelho e de ficar admirada. Era e não era eu. Nunca mais. Não me interessa ser quem não sou.

Mas, dito isto, é um vídeo de maquilhagem que vou mostrar. Há graça na forma como as mulheres se embelezam e as maquilhagens Chanel têm sempre aquele toque de discreto requinte que me encanta (pena serem caras).


Spring 2015 CHANEL Makeup: COLLECTION RÊVERIE PARISIENNE



COLLECTION RÊVERIE PARISIENNE

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sábado, janeiro 03, 2015

Mulher não gasta... investe!


Uma  mulher passeava de carro quando, ao parar no semáforo foi abordada por uma mendiga, muito suja, de péssima aparência, que lhe pediu dinheiro para comida.

Ela  pegou em 50€ e perguntou:

- Se lhe der este dinheiro, você vai sair com as amigas e gastar tudo?
- Que é isso, minha senhora, não tenho amigas, moro na rua...
- Não vai andar pelas lojas e gastar tudo?
- Não entro nas lojas, porque não me deixam. Gasto só com a comida!
- Não vai ao salão fazer cabelo e arranjar as unhas?

- A senhora 'tá maluca?!?!... Nem sei o que é um salão...

- Bom, não te vou dar dinheiro, mas entre no carro que vai jantar comigo e com o meu marido.

A mendiga pasma:

- Mas o seu marido vai ficar furioso! Não tomo banho há que tempos, estou imunda e fedorenta...

- Não faz mal, quero que ele veja como fica uma mulher quando não sai com amigas, não faz compras, nem vai ao salão tratar do cabelo e unhas...


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A mulher das duas imagens é Sienna Miller, respectivamente com e sem maquilhagem. Sienna Millher é um nome a seguir pois tem uma forte palavra a dizer quer no cinema quer na moda.

[Agradeço ao Leitor que me enviou a piada]


quarta-feira, setembro 10, 2014

O que é a beleza? O que é uma mulher bonita? E se a beleza for fruto da maquilhagem ou de plásticas? E é isso relevante para o amor? Ou para alguma coisa?


No post a seguir falo do primeiro debate televisivo antes das primárias entre os dois candidatos à liderança do PS. Judite Sousa, essa mulher que está a revelar ter rara fibra, moderou as contendas. Debates como estes não esclarecem nada em termos programáticos, dois minutos para cada resposta não dão para aprofundar coisa alguma, mas, em contrapartida, desvendam de forma algo brutal o que é a personalidade e o carácter dos candidatos. António Costa e António José Seguro, de certa forma, desnudaram-se perante nós.


Mas isso é a seguir.

Aqui, agora, retomo o texto que há uns dois dias já tinha começado. Já está um pouco fora de tempo. Vim do Algarve no sábado à tarde mas parece que já foi noutra era. O tempo na cidade corre muito depressa. Por isso, é hoje ou nunca que o completo.

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Um hotel grande e cheio é uma espécie de micro cosmos. Gosto de observar tudo e, muito em especial, as pessoas. Tivesse eu mais descaramento, pedia autorização para fotografar algumas pessoas e fazia-lhes perguntas, tentava perceber a sua história. 









No outro dia, na piscina interior que é a que prefiro quando o tempo cá fora está fresco, estava um casal que podia ser árabe ou talvez indiano, não consegui perceber bem nem pelo tom de pele ou feições nem pela língua que falavam. Mas deveriam ser muçulmanos: ambos vestidos de preto, sentados na escada da piscina, dentro de água. Ele tinha calções justos pelo joelho e blusa de mangas compridas, ela calças justas até aos tornozelos, blusa de gola quase alta e mangas compridas, tudo justo, de lycra, e uma criança de uns cinco ou seis anos também vestida de alto abaixo mas de azul. A criança tinha medo da água, estava com um colete insuflado e não largava os pais. Os pais sorriam. Quando passei por eles, e passei várias vezes, eles sorriam-me e eu sorria para eles. Depois eu fui pôr-me debaixo de uma das cascatas e ela sorria e falavam ambos a sorrir, enquanto olhavam para mim. Quando saí, ela foi a andar pela piscina e foi lá pôr-se, sorrindo imenso, sorrindo para mim como que contente por estar a fazer o mesmo que me tinha visto fazer e o marido sorrindo para ela. A criança chorava desalmadamente ao ver a mãe debaixo daquele cacho de água mas eles sorriam. Depois o marido tentou nadar mas não sabia, dava umas braçadas com grande falta de jeito mas sorria e a mulher sorria para ele. Não estava mais ninguém na piscina, eles estavam à vontade e eu também lhes sorria quando eles sorriam. Poderiam parecer ridículos assim naqueles propósitos mas, a meus olhos, não achei nem um pouco. Fiquei a simpatizar com eles. Quanta diferença para eles a nossa cultura e, no entanto, ali estavam numa situação de compromisso, todos vestidos dentro de água mas tão enternecidos um com o outro.


Passado um bocado chegou um homem enorme, andar confiante, um bocado gordo, seria talvez um alemão. Mas tão alto era que quase não parecia gordo. Nessa altura o casal com a criança saíu da água e foram-se embora, embrulhados em toalhas.

Meio mundo anda agora com tatuagens, nuns casos só se vê quando estão despidos mas há casos de pernas e braços que desfeiam completamente quem os tem. Flores, pássaros, tartarugas, símbolos orientais, frases, desenhos que não entendo. Mulheres com aspecto normal e com as pernas e braços tatuados de alto a baixo. Fica estranho, não vejo beleza naquilo. E, no entanto, lá andam com manifesta auto-confiança, achando belo aquilo que eu acho feio.

Mas o dito grandalhão tinha uma tatuagem horrenda. Uma cara de bebé em tamanho natural e com as cores de uma cara de bebé, cara cor de rosa, cabelo louro, olhos azuis. Mas feio de dar dó. Ora o estúpido é que a criança poderia até não ser feia mas, com a barriga do pai dilatada como estava, a criança parecia deformada, estranha, desumana. Que ideia mais estúpida a daquele homem. Devia ser a cada do filho ou filha em bebé mas deve ter-se esquecido que, para a criança se conservar linda como devia ser, ele teria que se manter esbelto como era quando se fez tatuar. Imagino a cara daquele bebé quando o pai tiver refegos ou peles no lugar da barriga. No entanto, ele, se calhar, ainda gosta de se ver com aquele rosto com aspecto aterrador gravado no seu corpo. Imagine-se, se um dia se separa e volta a arranjar namorada, o susto de horror que ela soltará quando o homem se despir. Credo. E, no entanto, ele parecia ostentar aquela obra de arte com orgulho, como se achasse bonito, como se se achasse bonito com aquilo.


Mas aquilo de que eu me estava a lembrar quando comecei a escrever isto era de um casal de idade indefinida. Não eram já novos, eu diria que uns quarenta e muitos, ele talvez já passasse dos cinquenta e ela, se os não tinha, andaria perto. Ambos pouco dotados em termos de beleza. Num homem disfarça mais - este era mal jeitoso, mal acabado, mas a coisa não era dramática - mas nas mulheres a coisa fica mais exposta. Coitada, mesmo feiinha, cabelo muito fraco e baço, boca com um riso feio, as gengivas de fora quando se ria, pele com problemas, toda ela feiinha mesmo. Tinham um filho, um menino de uns sete ou oito anos, também não muito bonito mas muito simpático, que ambos tratavam com desvelo de avós. Ao princípio, pensei que eram os avós do menino mas logo ouvi a criança a tratá-los por pais. Mas o que me enterneceu mesmo foi o amor entre eles, sorriam-se, trocavam olhares cúmplices, volta e meia as mãos tocavam-se, um afecto indisfarçável. Quando ela se levantava para ir buscar alguma coisa, ele ficava a segui-la, nitidamente achando-a linda. A beleza deles passou para plano muito secundário depois de assistir à ternura entre aquelas três pessoas. De cada vez que o miúdo dizia alguma coisa, eles sorriam embevecidos e olhavam na minha direcção como que para ver se eu tinha ouvido aquilo que eles achavam uma prova da inteligência ou graça do filho. E eu sorria também, para que soubessem que tinha testemunhado o momento e que compreendia a razão de tanto embevecimento.


Sempre trabalhei em empresas com muitas mulheres (não em funções de gestão mas noutras). Havendo muitas, há de todos os tipos. Tenho constatado que é normal que as mulheres feias e mal jeitosas, tenham vidas conjugais mais estáveis e, aparentemente, mais felizes do que as que são espampanantes.

Sempre houve mulheres que se destacaram. Lembro-me, em particular, de uma que era (e ainda deve ser) o chamado avião, aquilo a que dantes se chamava uma brasa. Toda ela, da cabeça aos pés. Ela sabia disso e usava e abusava da sua beleza e do seu corpo escultural. Toda ela era um convite explícito. Eram-lhe atribuídos inúmeros romances e sei, de fonte certa, porque era notório que sim e porque ela o confessou a outros que não fizeram disso segredo, que teve vários casos com vários homens casados, geralmente colegas com posições de relevo na empresa. E, no entanto, com aquele corpo e aquela cara de pecado, devia ser das poucas que não tinha marido, namorado ou relacionamento de que falasse (talvez porque eram sempre clandestinos). Talvez seja a síndrome das mulheres belas demais: são tão desejadas que às tantas querem tudo o que se lhes oferece de bandeja, ou esperam sempre que algum deles largue a respectiva mulher para ficar com ela e geralmente não largam. Era tão bela e, no entanto, aparentemente, tinha uma vida afectiva menos realizada do que as amigas feias com quem trocava truques de maquilhagem. Volta e meia ia para o corredor perto da casa de banho telefonar e por várias vezes a ouvia a discutir, que tu não tens razão, que porque é que dizes isso, que diz lá o que é que eu disse para tu dizeres isso. Mudavam os affaires mas os dramas eram sempre do mesmo tipo.


Vi e fotografei vários casais passeando na praia, especialmente casais de alguma idade. Noto que se tornam quase parecidos tal a afinidade entre eles. Enternecem-me os casais que, apesar da idade avançada, caminham de mãos dadas ou que vão andando e conversando, as palavras como elos de afecto que se vão desdobrando e abraçando aqueles corpos moldados pelo tempo. Interrogo-me sempre: porque é que se desprezam os velhos apenas porque são velhos? Porque se pretende que, por serem velhos, não devem expressar opiniões públicas? Porque se acha que ficam ridículos os velhos se manifestarem jovialidade? Porque é que as mulheres escondem ou disfarçam a idade? Uma mulher ou um homem podem ser tão belos, sendo velhos, enrugados. E a opinião de um velho é preciosa: ela contém uma vida inteira de vivência, contém despojamento, verdade, compaixão.


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Não sei bem qual a moral da história. Nem sei se há grande ligação entre tudo isto que fui escrevendo sem grandes preocupações de coerência. Não sou boa com coisas do foro da moral. O que sei é que a beleza não é livre trânsito para coisa nenhuma e que ninguém deve sentir-se infeliz por não seguir os cânones de beleza, tal como ninguém se deve tornar vítima da procura de um ideal de beleza que, muitas vezes, é artificial. E sei também que a beleza - em abstracto - é indefinível. Quem o feio ama, bonito lhe parece.

Nesta era de revistas de moda e beleza para todos os gostos, de blogues que têm milhares de visitas diárias por divulgarem dietas, truques de maquilhagem ou sítios onde se vende roupa da moda, há uma campanha que despertou a minha atenção. Chama-se Stop The Beauty Madness e anuncia-se dizendo:


There Comes A Time When You Have Simply Had Enough
Enough of the impossible standards. Enough of the "ideal" image. Most of all, enough of the feeling of NOT ENOUGH when it comes to your own beauty. There also comes a time when an entire culture of women have had it. When blogs and ad campaigns and AS-IS selfie pictures start to change the rules of the game.


Algumas mulheres já aceitaram divulgar as suas fotografias sem maquilhagem e a surpresa é grande. Afinal a beleza que desperta inveja é muitas vezes construída. De facto, quando se levantam, têm as mesmas imperfeição que qualquer mulher normal tem. Algumas já se expuseram: Jennifer Lopes, Kate Perry, Gwyneth Paltrow. Susana Vieira. E muitas mais.







Depois desta conversa e destas imagens todas, e para rematar, escrevi uma frase que tinha a ver com felicidade, beleza, genuinidade, afecto. Mas depois apaguei, soava-me a lugar comum. Não é que as principais linhas mestras da vida sejam incomuns ou apenas possam ser expressas através da grande literatura ou de pensamentos profundos mas, enfim, para dizer o óbvio mais vale ficar calada.


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A canção lá em cima é interpretada por Marta Dias com António Chainho e chama-se Fadinho Simples.

O último vídeo mostra um excerto do filme 'Cet amour-là' com Jeanne Moreau e Aymeric Demarigny fazendo, respectivamente, de Marguerite Duras, então uma mulher velha, e Yann Andréa, um homem jovem, seu amor e companheiro de fim de vida, aqui ao som de Capri, c'est fini. O filme baseia-se no livro homónimo de Yann de quem já em tempos aqui falei.

As primeiras imagens pertencem à campanha Stop the Beauty Madness e as últimas mostram actrizes conhecidas pela sua beleza e sensualidade fotografadas sem e com maquilhagem.


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Relembro: sobre as minhas impressões a propósito do debate entre António Costa e António José Seguro na TVI com moderação de Judite Sousa, é favor descerem até ao post seguinte.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira!


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