A Microsoft testou uma semana de quatro dias de trabalho nos seus escritórios no Japão. Resultado: a felicidade dos trabalhadores aumentou, mas também a sua produtividade.
O programa envolveu 2.300 trabalhadores que tiveram as sextas-feiras de folga. O Work-Life Challenge Summer 2019 decorreu durante o mês de agosto, avança o The Guardian.
As semanas de quatro dias levaram a reuniões mais eficientes, trabalhadores mais felizes, com a produtividade a disparar 40%, concluiu a empresa.
Os trabalhadores não têm dúvidas: 92% disseram gostar da semana mais curta. Durante o programa, o salário dos trabalhadores não sofreu qualquer redução. (...)
Não sei se o facto de ser pré-histórica me dá direito a opinar mas, mesmo que não dê, opino a mesma pois, tendo já atravessado tantas modas na gestão e tendo assistido a uma longa série de anos no mundo do trabalho seria preciso não ter dois dedos de testa para não ter formado opinião.
E a minha opinião é a que os homens (e aqui homens em lato sensu) são estúpidos de dar nervos. Animais burros, mas mais burros que os burros. Todos uma cambada que, com a mania que são racionais, não passam de umas bestas quadradas. Quase tudo o que fazem é contrário aos seus interesses. Destroem o habitat, destroem-se uns aos outros, destroem-se a si próprios.
Há mil anos li um livro que me entusiasmou pois demonstrava-se ali que, por esta altura, a maioria das pessoas, dado que as horas de trabalho necessárias teriam sido reduzidas substancialmente, teriam tempo para a cultura e para o lazer (pelo que tudo o que fosse inerente a estas actividades continuaria a crescer). Identicamente se preconizava que as actividades associadas à qualidade de vida dos idosos cresceriam também consideravelmente (cuidados de saúde, alimentos e medicamentos, adaptação de instalações, turismo e ocupação para a terceira idade, etc).
Não falhou muito excepto no que se refere às horas de trabalho necessárias que, por qualquer misteriosa razão, teimam em não reduzir e às mentalidades que, em vez de evoluirem, involuem.
Ao fim de muitos anos e com tudo mais do que automatizado, trabalho que nem uma mula de carga. Saio cedo e chego tarde a casa como se não se tivessem inventado tecnologias e métodos de trabalho que teoricamente facilitariam a vida a toda a gente.
E, no entanto, fosse eu a mandar, e aqui quero dizer 'mandar a sério', e a ver se não reduzia a ocupação de toda a gente, não direi a metade mas quase.
Falo por mim: o tempo que perco a aturar gente que fala pelos cotovelos em reuniões que, muitas vezes, não interessam nem ao menino jesus. Reuniões que consomem tempo em si mas também a fazer power points para lá apresentar. Mais a quantidade de gente que se ocupa de tarefas que não lembram ao diabo e que não servem para nada excepto para dar trabalho aos outros. Mais o tempo em que a malta está a ver o Facebook dos amigos, o Instagram de tudo o que é estrela e primo ou vizinho mas o twitter para ver as bocas do Daniel Oliveira a responder à Joacine. E etc. Tempo inútil em cima de tempo inútil.
Menos um dia de trabalho por semana seria canja de galinha. Nos quatro dias de trabalho a malta absorveria o que há a fazer. Sem espinhas.
Claro que isto obrigaria a uma reformulação geral. Em tempos, a semana de trabalho tinha seis dias, depois cinco e meio. Depois passou para cinco e não morreu ninguém. Há países em que já não se trabalha à sexta-feira à tarde e tudo tranquilo, são sociedades tão ou mais prósperas do que as dos burrinhos de carga,
Há casos e casos, bem entendido: as micro empresas, o pequeno comércio, etc, poderiam não poder reflectir isso nos horários dos trabalhadores sendo que muitas vezes os patrões são, muitas vezes, os empregados. Mas já hoje as regras dos outros muitas vezes não se aplicam a eles. Mas, no conjunto, deveria ser tema a repensar.
Repensar tudo.
Repensar o que se faz numa organização. Aproveitar as tecnologias para melhorar o funcionamento das organizações e a qualidade de vida de quem lá trabalha. Assimilar que é de burro querer que as pessoas cumpram horários rígidos mesmo quando há pouco que fazer, assimilar que é de burro cultivar o espírito workaholic. Perceber que o inteligente é eliminar trabalho inútil, trabalho desorganizado, descoordenado. Perceber que o inteligente é permitir que todas as pessoas tenham tempo para si próprias e se sintam úteis, motivadas e felizes.
E quero com isto dizer que o que estou a dizer ou é uma onda de fundo, uma coisa levada a sério, uma motivação profunda de toda a sociedade ou não vai lá. Se não for assim (uma mudança geral de mentalidades), quem queira aplicar a si próprio este conceito vai sair penalizado, vai ser visto como um baldas, alguém pouco 'ambicioso', alguém com quem não se pode contar. Ou seja, nunca isto pode ser coisas individual.
Portanto, para ser efectivo, tem que ser uma coisa articulada, coerente em toda a linha, uma coisa a ser conduzida em sede de concertação social, pensada quer para a administração pública quer para empresas e outras organizações, quer para indústria, quer para serviços. Toda a sociedade tem que se tornar mais inteligente. Todos temos que aprender a preservarmo-nos. A preservarmo-nos enquanto espécie.
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Fotografias de afecto entre animais da autoria de Goran Anastasovski
A música é Birdsong in hollow valley e quem a interpreta, se bem entendo, é Zi De Guqin Studio
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Não advogo como solução para os males do mundo que se abandone a vida moderna para ingressar num estilo de vida que esteja nos antípodas. Mas advogo que haja tempo para desfrutar a natureza, o tempo, a vida enquanto dura.
Depois de mais um dia repleto de contrariedades e crises e faltas de tempo e mais as omnipresentes deadlines, nada me sabe melhor do que ver os vídeos da Li Ziqi. Descansa-me o espírito e ajuda-me a aguentar esta vida de trabalho de cinco dias por semana, muitas horas por dia (e, por vezes, de noite).
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E, enquanto escrevo, vejo Sophia na RTP 1. Eterno bálsamo.























