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sexta-feira, abril 16, 2021

Dia após dia.
Nem parece que estou dentro de Abril

 


Tive uma reunião cedo, à primeiríssima da manhã. Além disso, hoje era dia de lavar o cabelo o que me faria levantar ainda mais cedo. Como se não bastasse, uma hora e tal antes ouvi batucar como se alguém estivesse a bater com um martelo no jardim. Estando com os vidros abertos, ainda mais ouvia. O meu marido estava a pé, na realidade preparando-se para a sua caminhada pré-matinal. Disse-me depois que era alguém arranjando qualquer coisa já não me lembro se era no passeio se no jardim da vizinha. Resultado: não dormi mais. Estou, pois, aqui perdida de sono. 

E tinha a reunião ao dealbar da manhã mas depois, até à seguinte, tinha meia hora de intervalo. Estando com o cabelo molhado, tinha pensado: ajeito o cabelo, passo um brilhozinho nos lábios. 

Essa primeira foi do mais maçador: tudo noutra língua, eu estava por favor, nada ali me interessava, gente que não se calava nem por mais uma. Estava na reunião, um telefonema urgente. Mal acabou a reunião, já com um quarto de hora de atraso, respondi ao telefonema e entrei na seguinte já com dois minutos de atraso. Sem tempo de ajeitar o cabelo ou passar um brilhozinho de framboesa nos lábios.

E estava na reunião e uma pessoa só a ligar. Eu desligava e mandava mensagem a dizer que ligava de volta e, logo a seguir, nova insistência. Por isso, mal acabou a reunião, liguei. Telefonema longo. Mal tivemos tempo para a breve caminhada da hora de almoço. Almoçámos a correr. Ele saiu para ir para junto da equipa e eu entrei noutra reunião.

E não continuo pois foi neste registo até às sete. Contudo, uma das reuniões não correu bem. Um dos intervenientes é má pessoa, é provocador, é descarado e, ainda por cima, pouco elegante. O alvo dele não fui eu. A outra pessoa enervou-se, levantou a voz, mostrou forte desagrado. Depois da reunião, telefonámo-nos: eu comentei a rudeza e a estupidez do outro. Ele disse que não tinha paciência nem vontade de aturar aquilo. Creio que, mais dia, menos dia, a coisa vai acabar mal. Há pessoas tóxicas, que minam qualquer ambiente à sua volta. Ainda debaixo daquela má onda, fui finalmente para a rua, para respirar.

Liguei, então, à minha filha -- cinquenta e cinco minutos --, depois à minha mãe -- onze minutos. Só depois fiz o jantar. Tarde, tarde. Hora imprópria para começar a cozinhar. Arroz de frango com bocadinhos de bacon e alguns legumes de permeio. Enquanto o frango cozinhava, ligou o meu filho. Mais rápido: quatro minutos e quarenta segundos. Quando acabou o telefonema, pus a máquina da roupa a trabalhar. Jantámos às dez e tal. Depois arrumei a cozinha. Vim para aqui e respondi a mails. Depois adormeci. Entretanto acordei e vi o House, desta vez com ele a acabar em lágrimas, coisa mais fofa. Um homem apaixonado e a disfarçar as emoções é do mais touching que existe. E agora, quase às duas da manhã, ainda estou nisto. Não tive tempo para ver flores, para olhar pela janela, para espreitar as gordinhas. Ou para ver as notícias. Estou aqui em total estado de inocência.

Assim passa o tempo: sem que se dê por ele. Estamos já na segunda metade de Abril, um mês misericordioso. Casei-me em Abril, mês de todas as primaveras, de todos os ensejos, de todas as madrugadas.

Sempre gostei de passear nas ruas de Lisboa e ainda mais em Abril. Um dia destes vou passear para o Chiado. Mas não poderá ser para já. Temos mato para cortar, imagino como estará toda aquela natureza à solta lá in heaven. O Chiado vai ter que esperar. 

Ah, é verdade: ontem verifiquei uma coisa do além. As duas rosas amarelas, lindas e luminosas, que no outro dia fotografei tinham ficado cor de salmão. Vim a casa a correr buscar a máquina para registar. Se não fosse tão tarde agora ia buscar essas fotografias. A ver se amanhã me lembro. Uma coisa de loucos. A minha mãe, no domingo, esteve a averiguar se era o mesmo pé de roseira. Pensou que poderia haver dois pés. Mas não: um único pé. Rosas múltiplas e mutantes. Um milagre.

E, perante a evidência de tais milagres, como poderia eu não ser crente e devota? Como...? 

Creio e venero a infinita superioridade e o infinito mistério da natureza. Ámen.


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Eu sei que pode parecer que, encaixar aqui o vídeo seguinte, é de loucos. Talvez. Mas não é apenas o jovem que é belo, andrógino, elegante, fascinante. É a casa. Que casa... deus meu, que casa... que casa habitada por um tão belo exemplar. Céus, que casa... céus, que rapaz... 

[Não vem aqui a propósito...? Ai não que não... Há coisas que vêm sempre a propósito. Vão por mim].

Inside Troye Sivan's Victorian-Era Melbourne Home 

| Open Door | Architectural Digest



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Kate Moss é fotografada por © Nigel Shafran enquanto Marlene Dietrich interpreta Falling In Love Again

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Desejo-vos uma sexta-feira completamente sexta-feira: boa demais

sexta-feira, março 01, 2019

A beleza efémera das borboletas




A beleza efémera é qualquer coisa que me emociona. Por exemplo, se vejo a transparência e intangibilidade de todo o espectro cromático a atravessar um céu pesado e cinzento, penso que isso vai durar apenas uns breves instantes, um arco-íris perfeito a nascer para logo desaparecer como se fosse um golpe de magia,  uma aparição inesperada, fatal. 

Ou uma flor que nasce, perfeita, e que, passados uns dias, já não existe. Um espanto. Talvez por isso, quando me oferecem flores e começam a secar, deixo que sequem, deixo que fiquem assim, acho-as bonitas na mesma, tenho pena que acabem, custa-me deitá-las fora. A minha prima, há algum tempo, ofereceu-me um ramo de flores lindas. Ainda as conservo. Estão na jarra em que as coloquei na altura, continuam lindas.

E aquela borboleta tão bonita que tenho lá in heaven. Tão linda. Foi ficando lá, eternamente bela. E, no entanto, que vida curta teve.


Tenho, desde sempre, o prazer -- e a necessidade -- de fazer fotografia. Captar o instante. O instante breve, efémero, para sempre fixado. 

Quem escreve um livro, quem pinta um quadro, quem compõe uma música tenta conquistar a eternidade, deixar a sua marca para todo o sempre. Há quase um egoísmo, um lutar contra a efemeridade. Sabe-se que alguns autores ou pintores ou músicos editam e editam e editam a sua obra em busca da perfeição. Não querem correr o risco de deixar marcas da sua imperfeita humanidade.

Mas há algumas pessoas para quem não é bem assim. Há pessoas que fazem belas esculturas de areia sabendo que virá uma onda ou a chuva ou o vento e que toda a obra se esvairá, o trabalho tido em vão. Surpreende-me que, apesar disso, os autores se dediquem com um afinco total como se estivessem a produzir uma obra eterna. Acho que há nisso uma certa bravura e uma espécie de generosidade absoluta. São a excepção. São quem está mais perto do mundo da beleza natural, perecível, desinteressado. 


Volto às borboletas. In heaven há borboletas amarelas ou brancas ou castanhas e amarelas. Lindas. Parece mentira que existam. Parece mentira que apareçam, quase do nada, de onde menos se espera, uns seres alados, coloridos, perfeitíssimos, quase etéreos. Seres de uma coragem abnegada. Nascem para embelezar o espaço por onde andam e para dar a vida por outros seres. Um milagre quase incompreensível. Uma ficção em que ninguém acredita.

E, no entanto, quase não as vemos, como se fossem banais. Não são. São magia em estado puro.

As imagens que aqui partilho convosco são verdadeiras obras de arte, fotografias muito ampliadas de borboletas ou traças que integram a série Metamorphosis. O autor é Jake Mosher. Parecem pinturas, tapeçarias, obra laboriosa, inventada, infinitamente editada. 


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Que a beleza, em qualquer das suas múltiplas formas, vos acompanhe. 

sexta-feira, outubro 19, 2018

Aquela que não existe e por quem alguns esperam ao fim da noite


Mal acabo de escrever um post, logo começam as suas visualizações. Admiro-me sempre com isso.  De certa forma, emociono-me. Lembro-me de quando, no início, escrevia um post e no dia seguinte tinha três visitas, o meu marido e os meus filhos. Quando apareceram quatro, ficámos todos admirados. Quem seria? Agora, enquanto escrevo, vejo pelas estatísticas que estão a ver o blog mais de cem pessoas de Portugal, doze do Brasil e mais umas quantas de outros países. Não são números, são pessoas que estão aí desse lado. 

Em dias como hoje, já tarde, eu bastante cansada, sabendo que amanhã tenho que madrugar e viajar, que um dia longo me espera, penso que não precisaria de escrever. Porque estou aqui a escrever? Podia deitar-me mais cedo, ler, dormir mais. Podia. Nada me obriga a aqui estar.

Mas não apenas tenho esta necessidade de me pôr aqui a deixar as palavras -- para que elas ganhem o seu rumo, para que voem para bem longe, onde eu não alcanço --, como penso que talvez algumas das pessoas estejam à espera que as minhas palavras lhes cheguem. E não quero decepcioná-las. Pode ser disparate meu, isto. Mas é a verdade. Sinto que têm asas as minhas palavras, sabem procurar o coração de quem gosta delas. 

E penso também, com total autenticidade: não estarei a enganar os meus Leitores? É que, na verdade, eu não existo. Sou uma realidade virtual, o fruto da vossa imaginação, uma intangível mutante. E, no entanto, vocês acreditam que existo e, de tal forma acreditam e de tal forma falam comigo como se eu existisse e, tão convincentes são, que eu, pobre de mim, quase acredito que existo mesmo. Mas não existo. Sou uma abstração. Sou a autora imaterial destas palavras e é nelas, nas minhas palavras, que bate o coração que escutam, são elas, e não eu, que respiram, são elas que vos segredam palavras que parecem ditas por alguém de verdade.

Talvez por isso Lili Marleen seja uma das minhas canções preferidas, senão mesmo de todas a preferida. Lili Marleen nunca existiu. Existiu, sim, um poema de amor. Depois, do poema, nasceu uma canção. E, no entanto, durante a guerra, à noite, de ambos os lados da guerra todos paravam para ouvir Lili Marleen. Sentiam ternura, amor, queriam que a guerra acabasse para a irem procurar, durante o dia esperavam pelo momento em que iriam ouvir a sua voz. Durante a noite sonhavam com ela. Não tenho pretensões a ser tão querida como Lili Marleen. Tenho noção absoluta da minha irrelevância. Mas a história da mulher que não existiu e que todos desejavam habita o meu imaginário. Gostava de ser quase como ela. Quase apenas um poema.

June Tabor explica bem a história antes de interpretar maravilhosamente a canção. A seguida partilho também versões bem antigas, a de Very Linn e a de Marlene Dietrich. E, no fim, a fantástica Hanna Schygulla no filme de Fassbinder que, a quem não viu, me permito recomendar.









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quinta-feira, agosto 25, 2016

Vem aí a guerra e só os alemães é que sabem?
Para que é que vão armazenar água e alimentos?
Não sei.
Mas, do que conheço dos alemães, avanço com uma explicação.
[E, atenção, o que digo não é para causar alarme, é apenas para alertar para o que estamos fartos de saber]





Depois de ter louvado a iniciativa de Renzi atribuindo 500 euros a cada adolescente para consumir em cultura, volto-me agora para a notícia que está a causar estranheza e a lançar alguma suspeição nos europeus:

O plano de defesa civil, que inclui o conselho para os alemães armazenarem comida e bebida para dez dias, foi hoje aprovado pelo Governo.


O governo alemão aprovou hoje um plano de defesa civil, que pede aos cidadãos para fazerem aprovisionamentos de água e alimentos, permitindo uma resposta em caso de atentados ou catástrofes naturais. (...)
Entre as recomendações feitas à população, contam-se a necessidade de reservas de água, de "dois litros por pessoa e por dia, por um período de cinco dias". Os cidadãos devem abastecer-se de alimentos suficientes para dez dias.
Prevê também planos de emergência em caso de interrupção do fornecimento de água ou eletricidade, uma série de medidas de segurança em caso de crise de natureza química, atómica ou biológica, ou ainda em caso de ataques cibernéticos.


Soube disto e desde então já ouvi interpretações diversas e comentadores para todos os gostos a especular a razão de ser de tão inusitada medida: que tem a ver com a Ucrânia, ou com a Turquia, ou com o Daesh, ou com severas ameaças às centrais nucleares ou com indícios de terramotos bárbaros, ataques cibernéticos ou, acrescento eu, invasão por marcianos.

Pode ser. Mas, como não tenho espiões debaixo das saias da Merkel, de facto não faço ideia.

Contudo, já trabalhei diversas vezes com alemães, uma das quais recentemente. E já trabalhei em diversos contextos e circunstâncias, algumas vezes durante períodos bem longos.

Já aqui o disse algumas vezes: gosto de trabalhar com alemães embora venha achando que, enquanto organização (isto é, a nível não pessoal), se vêm tornando mais quadrados, tudo muito by the book. A nível pessoal continuo a achá-los descontraídos, simpáticos, até folgazões. Mas, a nível profissional, não brincam em serviço nem sabem desviar-se um milímetro do que antes planearam.

Contudo, se reconhecerem e lhes provarem, mas provarem bem, que uma solução menos ortodoxa parece valer a pena, então equacionam-na, enfiam-na no plano e deixa de ser heterodoxa e, portanto, passa a estar regulamentada, tornando-se admissível. E, uma vez estabelecido um plano, seguem-no ferreamente. Podem levar um ano ou mais a fazer um plano ao pormenor, quando, em iguais circunstâncias, os portugueses o fazem numa manhã, de forma não detalhada para deixar margem para os imprevistos que sempre acontecem. Os alemães não: os alemães elencam previamente todos os passos e todos os possíveis imprevistos e, neste caso, para cada um, estudam qual o antídoto. Só depois se abalançam à acção.

Para além do mais têm a paranóia da segurança e da propriedade das suas coisas. Podem optar por soluções pouco operacionais e pouco económicas mas priveligiam (ou melhor, exigem) a segurnça e o controlo absoluto das situações (a propriedade inquestionável e regulamentada da informação gerada nas suas organizações, a segurança à prova de bala das suas redes de dados, dos seus ficheiros, etc).

Ou seja, do que lhes tenho observado -- e, como disse, do que tenho constatado desde há alguns anos para cá, esta atitude vem-se tornando generalizada e inquestionável -- só se sentem bem se tiverem planos para tudo e, sobretudo, planos que garantam que, haja o que houver, eles estão sempre salvaguardados pois preveniram-se em terra antes de se fazerem ao mar.

Por isso, do que lhes conheço, não precisam de saber de alguma ameaça concreta para desencadearem estas medidas que agora aprovaram. Leio e acredito que isto faz parte de um plano global que vem sendo estudado desde de 2012 (ou seja, há 4 anos) e que visa substituir um outro que estava em vigor desde 1995.

Agir como eles, tem prós e contras. Eu acho que, com alguma frequência, tendem a levar a coisa ao limite do absurdo; acho que perdem a noção de que tamanha pre-ocupação é um excesso de zelo que pode não se justificar. No entanto, acho que entre a despreocupação portuguesa, de deixar tudo muito ao improviso, de não divulgar riscos para não lançar alarme, de se fiarem na virgem e não correrem e a confiança cega dos alemães em que tudo poderão prevenir haverá um meio termo virtuoso.

Por exemplo (e sem, de modo algum, querer cavalgar a onda da tragédia do sismo italiano), refiro um tema do qual já aqui, de resto, falei algumas vezes: algumas zonas do país e, em particular o Algarve, a Costa Alentejana e Lisboa e Vale do Tejo. são de alto rismo sísmico e o não ter voltado a haver um abalo violento como o de 1755 já é uma improbabilidade. Ou melhor, é uma grande sorte que devemos agradecer a todos os santinhos mas é, também, uma improbabilidade. 


Dito de outra forma: pode ser que ainda falte muito tempo e espero bem que sim mas o mais provável é que volte a acontecer e que, acontecendo, possa vir a ter efeitos devastadores.


Por isso, teríamos já mais do que tido tempo não apenas para reforçar as estruturas dos edifícios que não aguentarão um desses tremores de terra valentes como para traçar um plano de contingência e de recuperação (a todos os níveis) em caso de desastre. Mas qual o quê...

Este plano pressuporia ampla divulgação, realização de simulacros e intervenções de toda a ordem. Contudo, portuguesmente assobia-se para o lado e espera-se que, na nossa vida, tal não venha a acontecer.

Não sou eu que o digo, que eu não percebo nada do assunto. Mas ouça-se um dos maiores especialistas nacionais na matéria, o Engenheiro João Appleton:


Tivemos um bom exemplo com a Parque Escolar, em que os edifícios foram, de uma forma sistemática, analisados e reforçados do ponto de vista sísmico, mas esse programa foi interrompido. Foram feitas obras em 200 e tal escolas, mas as outras centenas de escolas estão esquecidas e abandonadas. E o que é que acontece aos hospitais, aos edifícios de bombeiros ou governamentais, onde trabalham diariamente aqueles que tomam as decisões? 
Estou plenamente convicto de que, se sofrêssemos um sismo de grande intensidade agora, colidiriam vários hospitais, vários quartéis de bombeiros, vários edifícios públicos de ministérios, porque não estão preparados para suportar um terramoto semelhante ao de 1755.
Quando acontece um sismo de elevada magnitude num qualquer lugar do planeta, especialmente quando é mais perto, as televisões salivam e a toda a hora são mostrados escombros e pessoas a chorarem. Depois aparecem os comentadores, os senhores da protecção civil, os do INEM, não sei se também o Nuno Rogeiro -- e, passados dois dias, já ninguém se lembra de nada. Ora isto com os alemães seria o oposto e, de certeza, já se iria na 50ª versão de um plano exaustivo, sempre melhorada, divulgada e ensaiada.

Portanto, mais do que enveredarmos por teorias da conspiração e desatarmos a especular sobre o que é que os alemães sabem e nós não, acho que deveríamos reflectir um pouco e talvez seguir-lhes o exemplo pois, em caso de atentados, desastre grave, acts of God ou seja o que for, os planos e as cautelas podem salvar muitas vidas ou, pelo menos, minorar o desconforto de algumas situações.

E tenho dito.

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Lá em cima Marlene Dietrich interpreta uma das minhas canções preferidas de ever and forever: Lili Marlene

As imagens que escolhi para adornarem o texto mostram obras de pintores alemães, desta vez dos modernos. A saber, pela ordem em que aparecem: Franz Marc, Max Ernst, Paul Klee, Hans Hofmann, Tomma Abts e Gerhard Richter.

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E queiram, agora, ir de visita aos antigos. 
No post abaixo falo a propósito de uma extraordinára medida de Renzi e peço ao nosso Ministro da Cultura que se inspire. 

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sexta-feira, abril 11, 2014

Prince George de visita à Nova Zelândia: um Príncipe rechonchudo, brincalhão e fofo, simpático como os pais - talvez seja um dia Sua Majestade o Rei Inglês mas agora é apenas o menino lindo de William e de Kate (que teve o seu momento Marilyn Monroe ao descer do avião). E, já agora, recordo William, há 31 anos, entre Diana e Charles, então um casal aparentemente apaixonado


Abaixo deste poderão ver como pode ser pequenino, imaturo e grotescamente primário um governante em Portugal nestes tempos - tempos a que Pacheco Pereira chama tempos de lixo . A seguir tenho o relato de uma conversa minha sobre pénis e, como não podia deixar de ser, se a conversa é sobre pénis, vêm à baila os tamanhos e, finalmente, mais abaixo, falo de uma experiência levada a cabo para demonstrar como é difícil a uma pessoa manter-se diferente de uma maioria mesmo que essa maioria só faça asneiras.

Bom, mas tudo isto é a seguir a este. Aqui, agora, a conversa é completamente diferente. Poderia dizer que está na altura da fazermos uma vénia mas não digo. Ainda não é o caso e, além do mais, não sou moça de fazer vénias.


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Hush Little Baby 



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O bebé real a dar um xi-coração à mãe Kate
que mostra o sorriso confiante de quem tem o bem amado maridão por perto,
o belo Prince William


As revistas e os jornais de todo o mundo estão cheios das imagens radiantes de uma Kate Middleton alegre, bonita, longa cabeleira, corpo elegante, toilettes simples e perfeitamente ajustados à sua silhueta, de um William gentil, low profile, simpático, e, sobretudo, de um baby George que dá gosto ver. Estão em visita oficial a New Zeland e Australia.


Por enquanto ninguém faz cerimónia com o pequeno Prince nem ele percebe aquilo para que está guardado. Por enquanto é feliz e tem a felicidade de nem saber que o é.



E já gatinha e é todo desinibido, o Príncipe George


Depois de ter sido criado a bom recato, longe dos holofotes, eis que agora aparece ao mundo, bem nutrido, risonho, todo ágil, todo bem disposto.

Não teria nada por aí além: bebés há muitos. Mas este, queiramos ou não, é um bebé especial. Se o regime britânico se mantiver e não se vê jeitos de não se manter, daqui por uns anos George será rei.

Ao vê-lo sinto uma certa pena por Diana, que tanto gostava de crianças, não poder andar com o neto ao colo. Parvoíce minha, eu sei.

Lembro-me de uma vez ter tido um almoço de negócios pouco depois da morte de Diana. Para aí uns dez ou doze, eu a única mulher. O almoço perdurou, por fim já éramos só nós no restaurante e já não era de negócios que se falava. Conhecíamo-nos todos muito bem e a conversa foi fluindo, boa. Eu estava entre o presidente e um colega, meu grande amigo. Nessa altura, já o meu amigo estava um bocado bebido e então, como de costume, deu-lhe para o sentimento. Começou a contar-nos que, aquando do funeral da Princesa, tinha passado o dia em frente da televisão e que a morte de Diana lhe tinha custado como se fosse da família. O presidente, pessoa usualmente seca, perguntou-lhe, irónico: 'Mas quê, meu Caro? Chegou mesmo a chorar?' e ele, já comovido, 'Sim, sim, não ria. Quase'. Passado um bocado confidenciou-me, 'Chiça que a casa de banho é longe. Tenho que ir mas não sei se sou capaz de ir a direito'. 

Há tantos anos que isto foi. Agora já William tem pouco cabelo e o seu filho faz lembrar quando ele próprio foi de visita a Austrália, bebé sorridente, Charles ainda a parecer apaixonado por Diana.

O tempo passa. Parece que foi há pouco tempo que numa noite de verão, um calorão, eu com a casa cheia de gente, tínhamos tido festa, e o jantar já estava convertido em ceia, as janelas da sala abertas, tudo na maior descontração.

E então, não faço ideia porquê, alguém ligou a televisão e de repente fez-se silêncio naquela sala onde graúdos e miúdos falavam na maior animação, o chinfrim do costume: um acidente em Paris, o namorado árabe da Princesa morto, ela muito mal, levada para o hospital. Depois, talvez já de madrugada, a notícia: Diana tinha morrido. E nós, depois de uma noitada de festa, todos comovidos.

Mas, enfim, agora os actores da história da monarquia britânica já são outros e Diana é uma estrela (pop) que passou em tempos pelos soturnos corredores da monarquia britânica. E são bem simpáticos, os actuais protagonistas, e sabem preservar-se, coisa que Diana não soube.


Kate, uma mãe entre outras mães: crianças e sorrisos




Catherine (Duchess of Cambridge's)  - no seu momento Marilyn Monroe


"William, Kate and baby George begin tour of New Zealand, Australia"





Diana & Charles com o  Prince William, chegam a Alice Springs em 20.3.83


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A música lá em cima é uma maravilha, Hush Little Baby interpretado por Marlene Dietrich, a versão de que mais gosto. A outra de que também gosto é a de Joan Baez e seria mais apropriada por ser cantada em língua inglesa. Mas aquela voz grossa da Marlene levou a melhor. 

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Relembro: vão descendo que vale bem a pena. Este é o 4º post da noite e, embora já nem me lembre bem, acho que os outros são diversificados  e para todos os gostos.

Não vou conseguir rever o que já escrevi hoje já que, pedradíssima pelo efeito do comprimido de ontem, tenho que me ir já deitar antes que caia da cadeira e nem dê por isso.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma belíssima 6ª feira.


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quarta-feira, agosto 17, 2011

Where have all the flowers gone?

Depois de ter escrito o post abaixo sobre um assunto que me preocupa, só poderia rematar com esta canção, triste e belíssima que é acompanhada por uma sucessão de imagens muito bem cerzidas da sua fantástica intérprete,  Marlene Dietrich.

Por baixo do filme poderão ler a letra da canção.

E agora vou ver se escolho uma fotografia bem disposta para colocar no Street Photo & Co. para não acabar o dia nesta angústia toda. Ainda por cima, handicapée. Odeio tristezas.



Where have all the flowers gone?
Long time passing
Where have all the flowers gone?
Long time ago
Where have all the flowers gone?
Girls have picked them every one
When will they ever learn?
When will they ever learn?

Where have all the young girls gone?
Long time passing
Where have all the young girls gone?
Long time ago
Where have all the young girls gone?
Taken husbands every one
When will they ever learn?
When will they ever learn?

Where have all the young men gone?
Long time passing
Where have all the young men gone?
Long time ago
Where have all the young men gone?
Gone for soldiers every one
When will they ever learn?
When will they ever learn?

Where have all the soldiers gone?
Long time passing
Where have all the soldiers gone?
Long time ago
Where have all the soldiers gone?
Gone to graveyards every one
When will they ever learn?
When will they ever learn?

Where have all the graveyards gone?
Long time passing
Where have all the graveyards gone?
Long time ago
Where have all the graveyards gone?
Covered with flowers every one
When will we ever learn?
When will we ever learn?


(Letra de 'Where have all the flowers gone', composição de Pete Seeger)