Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quinta-feira, novembro 14, 2019

Fazer aquilo de que se gosta é liberdade. Gostar daquilo que se faz é felicidade.
Assim fala Michael Aboya, 24 anos, fotógrafo amador, vencedor do Prémio Agora 2019.

E algumas agruras e dificuldades de última hora, coisas cá muito minhas.
E John Legend que há quem diga que é o homem mais sexy do mundo mas eu não estou bem a ver porquê.
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Pelas bandas para onde vou vai estar frio, parece que muito frio, e isso fez-me ter que mudar de planos. Já tinha pensado numas certas e determinadas toilettes que agora, face à meteorologia, tiverem que ser repensadas. Um transtorno. 

Ora isto, quando uma pessoa não tem tempo nem para se coçar, é um stress quase tão grave quanto o provocado pelo facto de as duas meias ontem desaparecidas continuarem sem aparecer.
Calcei outras e o meu marido disse: 'Mais umas para desaparecerem?' E eu disse: 'Não me fales nisso'. Ao que ele disse: 'Sim? Já viste nos bolsos? Podem muito bem estar num bolso'. Respondi como se não tivesse percebido a provocação: 'Não tenho bolsos' e apontei para mim, para que constatasse. Insistiu, no mesmo registo: 'Ou, então, dentro do soutien'. Aí tive que lhe dizer que se deixasse de ser parvo. Mas ele fez um ar inocente: 'Queres ver que não costumas guardar as meias dentro do soutien.'. Não resisti e desatei a rir pois, justamente, ao preparar a valise, tinha estado a guardar as meias e as cuecas dentro do soutien. Mas ressalvei: 'Limpas. Atenção.'
Explico: se tenho que guardar roupa, no que se refere à roupa interior, ponho uma copa do soutien dentro da outra e, na concavidade, costumo colocar a restante roupa interior devidamente arrumadinha. Tudo lavadinho, repito. Ele acha isso um disparate mas eu acho que optimizo o espaço na mala.
Mas, voltando à cold cow: da meia cor-de-rosa e branca e da preta com pintinhas brancas nem pó. Evaporaram-se. Voltei a averiguar. Até de gatas andei. Zero. Como se nunca tivessem existido.

Mas, pronto, adiante -- um dia destes hão-de aparecer onde menos se espera.


Bem. Como disse, tive que reformular completamente o que ia vestir. Operação complicada, assim à última hora. Gosto de validar as opções. Visto uma toilette e vou submeter-me à aprovação. Ele deita um olhar apressado e diz, com ar falsamente interessado e apreciador: 'Ah, muito bem... muito bem...' Digo que olhe para mim e se concentre. E ele diz: 'Não sei para quê, não preciso de me concentrar para ver'. Voltei ao quarto e mudei de roupa. Quando me ouviu a aproximar, mas ainda sem me ver, disse: 'Ah agora sim, agora estás muito melhor...' Não me deixo abater: 'Não sejas parvo. Olha para mim. Diz lá'. E ele: 'Digo que tens roupa a mais. Se deitasses metade fora já não tinhas tanta dificuldade a escolher'. Não me importo. Não percebe o âmago da questão, problema dele. Tento de novo: 'Vá, o que achas? Fica bem?' e ele, já a querer dar mostras de impaciência: 'Fica bem, pá. Mas achas que alguém vai reparar no que tu levas vestido?'. Não liguei. Ofensas passam-me ao lado. Fui experimentar outra farpela. 'Vá, e esta?' e ele: 'Mas então não é a mesma?'. Tenho que me esforçar: 'Estás a gozar? Esta é o oposto da outra'. E ele: 'O que é isso de uma roupa ser o oposto da outra?'. E é sempre esta falta e colaboração. E, portanto, por causa da falta de foco e objectividade dele, ainda demorei mais. E a seguir ainda tive que equacionar os brincos, os anéis, as pulseiras e os colares adequados a cada toilette. E que não se pense que ando feita árvore de natal. Nem pensar. Justamente, a coisa tem que ser bem pensada para ficar tudo bem conjugado e discreto. Uma equação das complexas, como podem perceber. 

Ou seja, só coisas que me ralem. 

E quanto às outras nem falo. Porque as há e, por sinal, até bem peregrinas e cabeludas. Mas prefiro falar de frioleiras, não tenho pachorra para me pôr para aqui a desfiar epitáfios às minhas dificuldades diárias.


Mas tenho ainda mais um desagrado a manifestar. Melhor: incompreensão. De manhã, enquanto estava em casa o tomar o pequeno almoço, ouvi na televisão: 'Saiba quem é o homem mais sexy do planeta'. Arrebitei logo a orelha. Mas a revelação não se deu logo e as obrigações impuseram-se. No carro, em vão esperei que se desvendasse o mistério. Nada. Pensei: Mal entre no gabinete, antes que alguma coisa me impeça, vou logo googlar. E fui a conjecturar: eu dava outra vez o prémio ao Brad Pitt. Pensei: Na volta ainda aparece um qualquer que me vai deixar sem perceber. E não é que assim foi...? Mal me sentei, foi a primeira tarefa do dia. John Legend. What?!?!? Espanto... Googlei melhor, agora em imagens. Continuei sem perceber. É fofo, tem um corpinho bem feito, tem alguma pinta. Mas daí a ser o mais sexy do mundo...


Faltam-lhe algumas coisas essenciais (e nem me vou alongar porque ele é casado e eu também e, ainda por cima, não é um com o outro). Portanto, vou manter-me discreta. Mas, pronto, para o ano há mais e pode ser que acertem.

Tirando estes tiros ao lado, um tiro houve que foi na mouche. Ao fim de um dia assim, uma boa notícia. Michael Aboya, Uma notícia das que gosto de saber e partilhar. Talento, sorte, sonho, vontade de o alcançar. Um sorriso cheio de inocência e esperança. Uma história tão boa. Comovi-me. Vi o filme duas vezes e depois de escrever isto vou ver outra vez.


The Agora Awards 2019 competition was hosted by free-to-use photography app Agora on November 6th and received over 130,000 submissions from 193 countries.
More than 500,000 votes have been counted: the photo ‘Songs of Freedom’ by Ghanaian photographer Michael Aboya was voted Best Photo of the Year and wins Agora Awards 2019 competition, awarding the self-taught photographer the grand prize of $25,000 (22,445€).
With photos portraying a cheerful and optimistic representation of the life around him, Michael Aboya aims to inspire a change in the way people perceive Ghana and the African continent in general (...)

A vida pode ser uma coisa cheia de beleza


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As fotografias são, como se percebe através do vídeo, do jovem Michael Aboya e, lá em cima, é John Legend que mostra os seus vários dotes.

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Não sei se esta quinta-feira consigo escrever alguma coisa. Só devo chegar ao quarto a lindas horas e o dia seguinte é quase pegado à noitada. Portanto, se não aparecer por aqui saibam que estou noutra.


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E um dia feliz para si.

quinta-feira, outubro 10, 2019

MENstruação - coisa também de homens...?
[E, de passagem, um breve lamiré sobre o Montenegro a querer restaurar o cavaquismo e o passismo como forma de curar as laranjas do bicho-rio]





Já aqui falei de menstruação: de como me chegou tarde o que muito me inquietou quando era menina moça, de como uma vez fiquei com a saia branca toda manchada de sangue tendo sido um colega que, completamente encabulado, me avisou, de como ao fim de nove meses de gravidez mais uma data deles sem ela (talvez por estar a amamentar) quando apareceu me ter pregado um susto, julgando eu estar com perigosa hemorragia, tendo sido o meu marido a sossegar-me ('Não será a menstruação?').

Também já falei de quando se foi sem deixar saudades e sem que a sua ausência me tenha causado agasturas, calores, securas ou outros transtornos.


Por isso, não é disso que vou falar. Vou falar é do que se passou ao longo dos férteis anos em que sangrei.

E o que é importante é que os homens saibam que as mulheres são seres fortes e milagrosos. Quando se pensa nisso tem que se reconhecer que o que se passa no corpo das mulheres é coisa mágica.

A mim sempre me doeu muito. No dia antes de aparecer sentia um incómodo surdo e profundo no baixo frente. Depois doía mesmo. E sangrava. Sempre fui de abundâncias. Tinha que ter pensos dos muito absorventes e tinha que levar sempre uns quantos de reserva para ir mudando. Depois, como tinha pavor que passasse para a roupa, passei a usar tampão e andava sempre a mudá-los. E muitas vezes, nos primeiros dias, usava tampão e um penso fininho para o caso de o tampão não absorver tudo ou de estar nalguma reunião e não poder trocar. Aliás, agora que falo nisso, lembro-me que odiava ter reuniões prolongadas quando estava com o período pois, se estava com o tampão, sentia que estava ensopado até à quinta casa e, se estava com penso, temia que voltasse a passar para a saia.


Mas o tampão tinha outra. Quando ia para a praia ou para a piscina obviamente que tinha que ser tampão. E não tem conta as vezes que o meu marido me avisava que estava a aparecer uma ponta do fio. Um horror. Ainda agora, por vezes, quando estou deitada na praia me ocorre espreitar não vá ter uma ponta de fio a espreitar na virilha.

Não sei se isto acontece com todas as mulheres. Comigo aconteceu. E acontece. Parece que, por vezes, me lembro ainda daquela dor cava, rasgão dolente no interior do baixo frente.

E havia um outro aspecto negativo. Aquela coisa de que tanto se fala, o TPM ou SPM, síndrome ou transtorno pré-menstrual, comigo não era mito urbano, era realidade e da pesada. Para aí dois dias antes e, em especial na véspera, eu ficava prestes a explodir. Uma impaciência inexplicável tomava conta de mim. Tinha que me conter, mas conter muito, para não mostrar que uma raiva descontrolada crescia dentro de mim, muitas vezes por coisas de nada. Outras vezes, a explosão acontecia e era de uma tal violência, uma tal fúria que se auto-alimentava que, volta e meia, a coisa acabava comigo lavada em lágrimas porque a guerra tinha ido num tal crescendo que só podia acabar num esvaziamento total, incluindo o dos sacos lacrimais. Claro que no trabalho eu continha-me mas isso implicava que a coisa ia acumulando. Naqueles dias a irritação que eu sentia era uma coisa diabólica que eu tinha que tentar refrear. Mas, chegada a casa, era só aparecer o primeiro pretexto. Podia ser a porcaria mais insignificante que era como se se abrisse uma válvula. Depois, assim como vinha, assim ia. E daquela erupção, daquela lava torrencial e em brasa, nada restava. Até ao mês seguinte. Nunca me deu para tentar saber a explicação para isto pois saber ou não saber ia dar no mesmo mas deve ter a ver com um fervilhão hormonal em que diabo nenhum conseguia ter mão.

Isto vinha frequentemente a par de uma dor de cabeça do caneco. Era normal ter que tomar um ben.u.ron pois a par da raiva mal contida vinha uma tensão danada na cabeça que parecia querer explodir.


E vem isto ao caso porque li de uma campanha publicitária que brinca com a hipótese de não serem só as mulheres a passar por isto. Haveria de ter graça. Os homens terem uma parte do corpo que todos os meses se atapetava, se cobria de uma manta macia e fofa para poder acolher uma vida nova e, quando isso não acontecesse, ir tudo fora para que a caminha esteja feita de novo e limpa todos os meses. Sangue fresco, espesso, escorrendo do corpo. Dores nas entranhas. A alma em revolução. Melhor ainda se a vida pudesse mesmo ser gerada no interior do seu corpo, a barriga a crescer, um serzinho a dar cambalhotas e pontapés dentro deles. E os seios a incharem, os mamilos a repuxarem. Havia de ser giro: um drama pegado. Maricas como são, haveria de ser um fartote, sempre feitos vítimas.


Mas vejam, tem graça.

É a campanha da Thinx, uma linha de lingerie adequada àquela altura do mês.


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Não consegui identificar os autores das pinturas que escorrem sangue mas sei que é Anna Caterina Antonacci que aqui vem de novo mostrar o que é uma mulher em brasa

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E não venham dizer-me que estavam era à espera que eu comentasse aquilo do Montenegro. Nem pó. Com o sono com que estou, ia mesmo falar dele, ia, ia. Só se fosse para dizer que ou o tecido das gravatas que usa não é bom ou é ele que não sabe fazer o nó. Ou as duas coisas. Ou então não tem pinta para usar gravata. O nó das gravatas às vezes está razoável mas é só às vezes pois, em geral, aquele nó parece um matacão mal parido, torto, um calhau mal jeitoso. Ou então é ele que é assim. Portugal estava um miminho, os portugueses é que não, dizia o puxa-saco do Láparo. Portanto, depois da múmia sair da marquise para vir louvar a Marilú eis que agora é o joker de trazer por casa, o caralinda do passismo, a aparecer a querer ressuscitar o cavaquismo e o laparismo. Boa malha. Portanto, depois do dia de ontem e da noite quase não dormida, ia mesmo gastar a minha beleza a falar disso. Era o ias. Falo da menstruação para homens e é um pau por um olho.

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E agora só vos digo que relevante é o que os 20 filhos da mãe do post abaixo andam a fazer ao ar que respiramos.

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quarta-feira, setembro 18, 2019

E Deus criou o Brad Pitt




Não tenho culpa. Gosto de homens bonitos. Conheço quem goste de homens feios. Aliás, ainda bem que é assim pois de outra forma ou havia carradas de homens bonitos pendurados ou a mesma coisa mas em feio. Assim há procura para tudo, e assim é que está certo.

Mas eu, santa paciência, sempre gostei deles não apenas bem apessoados (como diz a minha amiga bicha) mas, mesmo, giraços. Dantes dizia-se 'borrachos' ou, antes disso, 'pães'. Também se diz 'gatos'. Por mim, qualquer epíteto lhes assenta bem.

Depois de ter gostado de vários meninos quando era pequenina, sobretudo de um -- embora fizesse de tudo para lhe fazer ciúmes -- o primeiro de quem gostei a sério, na minha condição de pré-mulher , era o oposto do que viria a ser o meu 'género'. Esse era louro e tinha qualquer coisa de Brad Pitt. Tinha aquele tipo de nariz, aquele tipo de irreverência, aquele tipo de charme. Era um bad boy que, enquanto dançávamos, me abraçava de uma forma que fazia despertar em mim o efeito, até então desconhecido, das hormonas em erupção. E a forma como me afastava devagar o cabelo para um dos lados para me beijar o pescoço com aqueles lábios que ferviam incendiava todos as terminações nervosas do meu corpo. 

Numa fase indefinida entre o primeiro e o segundo, houve uma breve história com o que devia ser o mais bonito do liceu. Lindo, cabelo castanho escuro, olhos muito verdes, um corpo de modelo. A menina Dina, a contínua daquele corredor, dizia-me: 'Sabes escolhê-los' e, quando me via a balançar para o primeiro, meu primeiro grande, grande amor, censurava-me: 'Mas há lá comparação...? Podendo tu ficar com aquela brasa, que é que tu vês neste ali?'. Mas via. Era não apenas um bad boy mas também um sexy boy mas isso, se calhar, só eu é que sabia. E sendo um bom jogador de futebol e um aventureiro, um desafiador, um maluco que se metia em todo o tipo de sarilhos, surpreendia a turma inteira quando revelava ser um exímio diseur, em especial de poesia. Eu ficava arrepiada e, pelo silêncio durante e no fim, presumo que toda a gente também o ficava. 

O segundo, o artista, era muito talentoso e era bonito, diziam-no até muito bonito, e tinha pele clara e olhos cor de violeta mas cabelos pretos. Já aqui falei muitas vezes dele, não vou repetir.

Do terceiro, o moreno, mais moreno que sei lá o quê -- em especial quando está bronzeado como agora está -- é fisicamente o oposto do primeiro.

E o que se conclui daqui é que isto de géneros, cor de pele, cor de cabelo ou de olhos é bem capaz de ser pormenor. Ou melhor, para ser franca, pormenor não é. O primeiro, apesar de louro, como andava sempre na rua e fazia imenso desporto e deslocava-se de bicicleta e mota (sem capacete), andava sempre bronzeado e o cabelo com madeixas arruçadas, coisa que eu achava o máximo. Homens de pele muito branca não fazem o meu género. Mas isto é porque, na volta, não calhou conhecer um especial de corrida e copinho de leite.

Quando vi a primeira vez o Brad Pitt, no 'Thelma e Louise', fiquei rendida. Coisa mais linda. E em 'Lendas de Paixão'? 

Por duas vezes foi eleito pela People o homem mais sexy do mundo, em 1995 e em 2000.

E tinha graça quando andava com a Gwyneth Paltrow e, depois, com Jennifer Anniston. Fazia casais bonitos. Estavam bem para ele e ele para elas. Quando foi o romance com a Angelina Jolie não gostei. Não sei. Muito stress em cima dele. Tinha que ser muito bem comportado, muito politicamente correcto, muito marido ideal a acompanhar a sua muito politicamente correcta Angelina. 

Depois foi o que foi. E o álcool e os Alcoólicos Anónimos e a magreza.

E agora eis que, de novo, é o Brad Pitt que aparece.


O mesmo Brad. Lindo, sexy, aquele sorriso que arrasa corações, aquela vontade de olhar (e não falo em mexer por mero realismo).

Onde aparece causa furor. Ele sorri, aquele sorriso irónico, lindo de morrer. Já tem 55 anos e a beleza e o charme só fizeram foi crescer.


O The New York Times escreveu um artigo a que deu o título: 'Os planetas, as estrelas e Brad Pitt'. 


E o Madame le Figaro escreve: Et Dieu recréa Brad Pitt (sur les cendres encore chaudes de Brangelina) de onde aproveitei a ideia para o título deste post.

As nove cenas mais sexy de Pitt, Brad Pitt



E até já

quinta-feira, junho 13, 2019

Vicente ou António?
E macacos e crianças discutem a questão dos direitos, da justiça e da igualdade de géneros.
Ao som da Francisca, junto ao rio.





Passei de carro numa rua perto da Baixa e, para meu espanto, vi duas mulheres estranhamente vestidas, penteadas, pintadas, calçadas. Vestidas exactamente de igual. Apressadas como se nem se dessem conta que estavam completamente descontextualizadas, no meio de gente que saía dos trabalhos e de turistas em veraneio. Assim de repente, pareceram-me duas gémeas bizarras. Aperaltadas que só visto. Cabelo apanhado, com o que me pareceu ser uma flor no puxo, saia com um farto rodado em godé, num tecido estampado, espampantemente florido, pareceu-me que de tamancas altas. Pensei: Mas onde é que aquelas duas vão naqueles preparo, ó senhores?

Só depois de ter passado por elas me ocorreu: Ehh...! Vão para as marchas, só pode... vão representar algum bairro. 

E tive pena de já terem ficado para trás, de não poder observá-las com o devido cuidado e admiração.


E, naquela de ir distraída no meio do trânsito e de ter sido surpreendida por aquele curioso par de gotas de água colorida, pensei: que estupidez, amanhã é feriado e nem me ocorria que é feriado não por um qualquer motivo abstracto ou facto histórico mas por ser dia do santo da cidade. Estamos nos Santos, caraças. E, por uma breve fracção de segundo, vacilei: Qual é mesmo o santo? O santo de Lisboa...? Vicente? Vicente e os corvos? Mas os santos são João, Pedro e... António. António e não Vicente. E senti como que um buraco negro na cabeça onde as ideias se baralharam, uma espécie de vertigem. Como é possível ter tido uma espécie de branca sobre o santo de Lisboa...? Mas logo recuperei o tino e, convictamente, acertei o passo comigo mesmo: É dia de Sto António e não se fala mais nisto. Mas, logo que pude, no primeiro semáforo encarnado que apanhei, tentei perceber qual a raiz da dúvida: Sto António é o Santo Padroeiro de Lisboa? E percebi a razão da minha perplexidade. Ser o Vicente até é, embora quase ninguém se lembre de tal coisa, mas o carequinha casamenteiro destronou-o no coração dos alfacinhas que são mais dados a casórios do que a corvos esvoaçantes.

E adiante.

Hoje não é véspera de fim de semana mas é como se fosse e, por isso, fomos passear à beira do rio e ver a noite a tombar sobre os veleiros, ver a escuridão a misturar-se com tudo, as luzinhas cintilando. Não fomos dançar, comer sardinhas sobre o pão ou festejar os santos: pelo contrário, andámos ao vento, sentindo o ar frio, conversando.


E se durante o dia algumas arrelias vieram ter comigo e se a impaciência por vezes parece querer toldar a minha consciência, a verdade é que basta um cheirinho de maresia, o olhar deslizando sobre as águas, para logo os incómodos voarem para longe e a serenidade vir pousar docemente sobre a minha pele. Isto de uma pessoa ser completamente primária não é mau de todo.

Enquanto aqui escrevo preguiçosamente vou espreitando a televisão, vou espreitando os livros que, aqui ao meu lado, preguiçam também e hesito em mostrar um vídeo fantástico que me deram a conhecer ou deixá-lo para mais tarde. Se calhar fica para depois, que eu gosto de guardar distâncias e também não quero explicar porquê. Sou de alguns mistérios e tenho as minhas razões para isso.


Mas se o vídeo que gostaria de aqui partilhar a mim me diz muito -- para além de que tem a ver com um tema muito actual, e ponham actual nisso -- para não defraudar a minha vontade de vos mostrar um vídeo com uma mensagem (e agora apetece-me encafuar a mensagem também entre aspas porque acho que isto de as coisas terem mensagem é daquelas coisas cafonas para as quais não tenho o mínimo de pachorra), deixem que partilhe outros dois vídeos, um que mostra como até os animais não aguentam a injustiça de retribuições díspares para trabalhos iguais e outro que mostra o mesmo mas entre sexos.

As escolas deveriam passar a ter aulas de cidadania, ensinando as crianças a lutarem pela justiça a todos os níveis. Isso é que deveria mesmo ser.









E, a todos, um bom Dia de Santo António!

[E um bom Dia Feriado aos sortudos que, tal como eu, têm uma semana santa]

sábado, março 09, 2019

A Inteligência Artificial será a pior coisa que alguma vez terá acontecido às mulheres?





Não gosto de me considerar feminista porque tenho a sensação de igualdade entre homens e mulheres de tal forma interiorizada em mim que quase me parece aberrante tomar partido numa disputa sexista. No entanto, já me explicaram mil vezes que ser feminista não é essa guerra fundamentalista entre sexos que os mais tacanhos apregoam mas é, sim, lutar pela justa igualdade de oportunidades, de direitos e de deveres entre homens e mulheres. 

Seja.

A verdade é que prefiro pôr-me ao lado dos homens -- dos civilizados, bem entendido -- e, com eles, lutar pelo progresso de todos. E quem diz dos homens civilizados digo também das mulheres. Das civilizadas. 

Vinha no carro, ao início da noite, quando ouvi uma mulher que estava na manifestação, a ser entrevistada. À pergunta de se havia discriminação no seu trabalho disse que sim, embora uma discriminação subtil. E exemplificou: quando está com outras colegas e chega um colega homem, ele faz piadas sexualizantes e que isso a incomoda. E eu é que fiquei incomodada com um tal argumento porque piadas 'sexualizantes' é coisa que pode até ter graça, que pode ser inócua, é coisa que não define uma discriminação sexual no trabalho. Se ela dissesse que, no seu local de trabalho, quando abre uma vaga para uma chefia, escolhem sempre um homem, mesmo havendo mulheres mais qualificadas aí, sim, ela teria mais do que razão para ficar chateada. Agora pretender que os homens fiquem indiferentes às mulheres e não possam galanteá-las, cortejá-las, tentar fazer uma graça ou um agrado, já me parece mais um comportamento assexuado do que feminista -- e amesquinham as verdadeiras razões de queixa das mulheres.

[Não me refiro, obviamente, a homens ordinários que se comprazem a dizer badalhoquices a mulheres. Aliás, penso que já nem os haverá a agir assim em terreno aberto, muito menos estando em minoria no meio de um grupo de mulheres. Homens assim, machistas, parvalhões, são, regra geral, uns cobardolas.]
Mas isto para dizer que, do que frequentemente se vê, grande parte das mulheres que gostam de se armar em super feministas usam uma argumentação tão rasteirinha que acabam por se menorizar. Não gosto.

Gosto é de ver mulheres a lutarem de igual para igual, a mostrarem a sua força, a sua indómita vontade, a não vergarem, a manterem-se inteiras 'mesmo quando os outros se dividem'.


E é verdade: longo tem sido o caminho das mulheres para aqui chegarem. E, em muitos lugares, longo ainda é o caminho a percorrer. 

O vídeo abaixo é muito interessante e mostra os riscos que podem ainda estar por vir, em tempos que se antevêem pejados de inteligência artificial. Sendo que a grande maioria dos profissionais das áreas das tecnologias da informação é composta por homens, será de temer que construam um mundo misógino, que não incorpore a visão e os interesses femininos?
On International Women's Day, the author Jeanette Winterson reads an extract from her book, 'Courage Calls to Courage Everywhere', in which she describes the threat to women posed by the future dominance of AI, warning society cannot allow it to become a new exclusion zone

Is AI the 'worst thing to ever happen to women?




Um bom sábado a todos.

segunda-feira, janeiro 14, 2019

Lisboa tem homens muito fashion.
Lisboa, minha linda.
[Postal nº 7 de 8]




Já vos contei muitas vezes: gostava muito de andar na rua a fotografar pessoas. De tudo -- flores, árvores, paisagens naturais, a arquitectura das cidades, tudo -- aquilo que mais gosto de fotografar são as pessoas. Mas gosto de as fotografar à traição. Não gosto de avisar ou pedir que olhem para mim, que riam, que façam macacadas. Aquela coisa do cheeeeeeese ou da ba-ta-ta comigo não dá. Mas depois, ao fotografar as pessoas sem as avisar, não obtenho o seu consentimento e, portanto, se as publico aqui, fico sempre com algum receio de que não gostem de aqui se ver e me peçam para eu me deixar de ser abusadora e as retirar.


Mas, pronto, de vez em quando arrisco. Aqui foi o caso. Vi muita gente muito interessante porque Lisboa é caleidoscópica e há pessoas para todos os gostos. Mas optei por me focar em três homens com indumentárias muito díspares mas qualquer deles com muita pinta. A elegância tem várias formas e fica bem em qualquer idade.

Seja o dandy da beira rio, seja o camuflado do Chiado ou o blasé da Brasileira à conversa com Fernando Pessoa, qualquer deles é bom de ver. Mas, claro, se algum deles aqui se descobrir e não quiser cá estar, bastará que mo diga quer através de comentário, quer de mail. Lamentarei porque gosto de estar rodeada de homens interessantes mas obedecerei sem pestanejar.


E queiram descer para verem os pontos cardeais de Lisboa.


sexta-feira, janeiro 11, 2019

Ele não consegue amar uma mulher com mais de 50 anos.
E eu, olhando para ele e ouvindo o que ele diz, só me ocorre dizer que eu também não seria capaz de amá-lo.
Nem sequer de apenas ir para a cama com ele.


Aliás, tenho a dizer que li a notícia há uns dois ou três dias e nem tugi nem mugi. Para começar nunca tinha ouvido falar de tal pessoa. Quero lá saber do que qualquer um diz. Mas depois fui lendo notícias, o escarcéu que se foi levantando, meio mundo indignado com uma afirmação que a mim me pareceria tão inócua. 

E hoje resolvi ir perceber melhor quem é Yann Moix

Trata-se de escritor, realizador e apresentador de televisão. Parecem-me skills a mais num único corpo mas, pensando bem, o Cláudio Ramos também é escritor e apresentador e ninguém me garante que também não faça vídeos. E se puxar mais pela cabeça sou capaz de encontrar uma palete deles também por cá. Gente polifacetada, quero eu dizer.
O facto de também não o conhecer como escritor não desabona a favor dele mas, provavelmente, de mim. Na volta, salvo um ou outro maluco destrambelhado que ainda vou conhecendo, de resto sou ignorante da nova literatura francesa.

Mas não deixa de me espantar que um sujeito qualquer, seja ou não escritor decente, caia nas bocas do mundo só por dizer que as mulheres com mais de cinquenta não lhe dão pica. E que ele tenha 50 parece-e mero pormenor. Se não dão, não dão. Só gosta de jovens. Está no direito dele. Porquê tanto falatório?

Claro que os jornais e revistas logo se encheram de fotografias mostrando toda a espécie de apetecíveis idosas, com mais de cinquenta. Há montes delas, claro. 


Não desfazendo, eu própria me insiro aí (presunção e água benta, ora pois). Mas, claro, gostos não se discutem e o facto de eu me ver dentro do prazo de validade não quer dizer que um Yann qualquer desta vida não me veja senão como uma avozinha daquelas em quem nem o lobo mau pega. 

Agora duma coisa eu sei: vendo as fotografias dele ou vídeos em que o vejo a falar, não tenho dúvidas que ele a mim também não me inspira nada, nem sentimentos nem apetites. Não é por ter cinquenta anos porque eu, nisso, sou agnóstica: é porque aquela cara parece que indicia um candidato a tarado ou, se olhar melhor, um tipo com ar de campónio metido a besta. Ná. Nem tem um ar sereno nem civilizado nem parece ter sentido de humor. Pior: tem ar de quem não tem uma 'boa pegada'. 

Pode acontecer que uma teenager -- linda, fresca, inexperiente e com pouco mundo -- se deixe deslumbrar por uma vedeta televisiva e vá na conversa de um mal encarado destes. Agora uma mulher feita, que saiba que há mais marés que marinheiros e que são as mulheres que escolhem e não o contrário, olha para uma fraca figura daquelas, disfarça o desinteresse (não vá a florzinha amachucar-se) e segue em frente.

Tirando isso, nada.

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Para quem queira conferir: Yann Moix, o chopinha de macha por ele mesmo


sexta-feira, dezembro 14, 2018

A origem do mundo e a origem da guerra
[Post com bolinha encarnada para pessoas muito pudicas]


Não sendo eu dada a metafísicas nem a parábolas do género quem é que apareceu primeiro, o ovo ou a galinha, devo dizer que, apesar disso, gosto da origem do mundo. Não acho que contenha pêlo púbico de escândalo. E acho graça que tenha sido um homem, Jean Désiré Gustave Courbet de seu nome, a olhar para o ventre e o sexo de uma mulher e a lembrar-se de dizer que é ali que o mundo tem origem. Qual big bang, qual obra de um deus hiperactivo: não senhor, é da boca do corpo da mulher que nasce o mundo. 

Quem daqui me conhece, sabe que, do meio de todas as minhas contradições, resulta que não sou daquelas feministas que endeusam as mulheres e demonizam os homens. Valorizar as mulheres à custa da desvalorização dos homens não é a minha praia. Muito menos suporto o machismo. Acho que o machismo puro é prova de insegurança masculina, é coisa de homem a caricaturar-se para disfarçar inseguranças ocultas. Gozar com um machista é a melhor forma de o desarmar. Experimente uma mulher virar-se para um homem que promete muito e, olhando-o de alto a baixo, dizer com ar duvidoso: 'Jura...?'. Baqueia no acto.

Gosto de igualdade. Sei que em relações de domínio, pode acontecer que uma mulher não consiga afirmar-se como igual do homem. Mas o mesmo acontece com uma mulher debaixo de outra mulher ou de um homem debaixo de uma mulher. Quem está por baixo, só às vezes é que pode tanto como quem está por cima. Claro que aqui poderia abrir um parêntesis para dissertar. Mas é daquelas coisas: filosofia numa hora destas...? Ná. Filosofia só quando contemplo o sunset, não quando as estrelas tombam do céu. 

E gosto do corpo das mulheres que é coisa feita para ser amada com sabedoria e arte tal como gosto do corpo dos homens que é coisa feita para ser devidamente apreciada, quando não degustada.


Por isso, comecei por achar que a doida da Mireille Suzanne Francette Porte, aka Orlan, estava a ser um bocadinho tendenciosa ao achar que a guerra tem origem no sexo masculino. Mas depois, pensando um pouco melhor, ocorreu-me que os senhores da guerra são homens (La Palice não diria melhor), que as guerras têm geralmente origem em burrices, coisa de testosterona a embebedar os neurónios. Pensei em várias guerras e percebi que é coisa de pirraças, de basófias, macacadas de gente metida a besta, ou seja, coisa tipicamente masculina. E os homens que me perdoem pois tenho até carinho pela raça. Mas é um facto: é raça dada a burrices inenarráveis. 
Ocorreu-me agora que o PAN ou a PETA não querem que a gente metaforize com animais. Burrice é coisa que, a partir de agora ofende os burros. Portanto, deleto as burrices e, não podendo substituir por cavalices ou macacadas, direi que a raça masculina é dada a palhaçadas. Também sem ofensa para os palhaços.
Mas, pronto, aqui fica a obra: 'A origem da guerra'. Não sei se foi ela que fotografou o guerreiro ou se apenas o pôs entre lençóis para fazer pendant com a senhora lá mais acima. Não interessa, teve a ideia.


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Para quem perceba a língua, aqui fica a explicação da autora.

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E é isto. Queiram agora seguir o conselho contido no post abaixo. 
Não se aplica a carecas --- embora, pensando bem, porque não...?

quinta-feira, novembro 29, 2018

Desta fotografia eu podia dizer muitas coisas mas só tenho olhos para uma pessoa (mentir para quê?):
o George Clooney do Vaticano.
É que até nem sei se, por ele, eu não me convertia.


Eu nem devia fazer confissões destas em público. Nem a estas horas. A noite vai alta, é tempo de reflexão, de introversão, de rezas a pedir perdão. Não  horas para ter vir para aqui, sem qualquer contrição, desfiar pecados, confessar maus pensamentos.

Ademais, vendo-se bem, tudo na imagem apela ao decoro, ao recolhimento, à beatitute.

Mas, oh senhores, se eu me portei bem ao longo de todo o santo dia, como pretender que me mantenha reprimida e decente até ao último sopro do dia...? Não dá. Há um momento em que a gente tem que revelar o nosso verdadeiro eu, deixar sair os maus ímpetos, deixar que a alma peque à vontade, que os olhos se banhem em pecado, que os dedos desenhem as palavras mais secretas. 

É que uma pessoa, parecendo que não, é humana.

Incapaz de comentar a master class do Marcelo sobre como cortar um jornalista às postas, incapaz de me pronunciar em poucas palavras sobre a ajuda à comunicação social -- até porque não sei se há ajuda que salve a SIC ou o Expresso ou o Correio da Manhã (etc, etc) --, incapaz de comentar se o IVA das touradas está bem a 6, a 26 ou a 106% e se o senhor do PAN está bem assim ou deveria andar com um par de bandarilhas espetadas em veltro colado às costas, incapaz de me insurgir contra a cagança besuntada a azeitice do Lobo Antunes, incapaz de me pasmar com a troca de munições que grassa em tudo o que é sítio onde andam forças militares ou militarizadas (Tancos, navios, prisões), incapaz de dizer qualquer coisa que se aproveite sobre a saída do Vitório do Benfica e se a possível ressurreição de Jesus na Luz é coisa que faça ou não sentido, entrego-me a mim própria e deixo que o meu mau comportamento inato se manifeste. Que me perdoem os meus Leitores mais santos. 

Portanto. Vi a fotografia que aqui partilho e li a legenda e pensei que podia escrever uma composição com vinte linhas sobre ela e depois mostrá-la à minha meninininha linda para lhe mostrar como é. Mas a visão do belo Georg Gaenswein toldou-me o pensamento. Fiquei a olhar para ele. A imaginar como será uma pessoa confessar-se a um padre destes. A imaginar que conselhos derá um homem destes a uma mulher que vá confessar-lhe os seus mais inconfessáveis pecados. A imaginar como será ele quando toma duche. A imaginar se um padre destes será capaz de converter alguma pecadora à santidade.

Imaginações inocentes, pensamentos beatos é o que não me falta. Mas a visão deste Clooney do Vaticano leva-me por maus caminhos. Um problema, isto.


Ó pr'a ele, aqui em baixo, quando anda à civil, o manganão. Se isto não é o mais completo pedaço de mau caminho de que há memória nos caminhos da santa madre igreja...


E pronto, é isto. Vou ver se acordo para tentar ir para a cama, senão daqui a nada canta o galo e eu aqui a dormir no meio do computador e do tapete. Mas antes, esperem lá aí, vou acender uma velinha para não ter sonhos pecaminosos com o padre Georg.

Mas, antes disso, primeiro deixa cá ouvir o que ele diz a ver se ele me convence a voltar à catequese.


Amén

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E queiram continuar a descer até Marte para verem as primeiras imagens enviadas pela InSight. Muito bom.

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Notem bem: se amanhã este post tiver desaparecido saibam que se deu um milagre: o tino terá voltado a mim

terça-feira, outubro 23, 2018

Quando a roupa espelha a atitude e a atitude espelha o orgulho de ser


Mulata escura, talvez uns trinta e tal anos, reboluda, de grande e arrebitado rabo, anca generosa, perna substantiva, amplos seios verdadeiramente laudatórios. Toda ela ostentava o orgulhoso corpo que tinha conseguido enfiar dentro de um fato de lycra em amarelo quase dourado, apertado a meio com um cinto cor de cobre. O salto era alto, a malinha de mão tinha bonecos estampados sobre uma pequena superfície reluzente e falava ao telefone num brasileiro gostoso, perguntando à amiga se ainda tinha aquele esmalte azul. A amiga não deve ter percebido logo porque ela foi mais precisa: aquele piquinininho azul que estava lá na mesinha piquinina da televisão. Penso que disse: aquele vidrinho piquinininho azul. Aí a outra deve ter dito que sim pois a ampla mulata rejubilou enquanto explicava que tinha encontrado esmaltes de todas as cores mas nenhum naquele azul que fica bem com a roupa que ia levar para ir na casa da doutora. Falava muito alto, ria, jorrava exuberância. Pela conversa pareceu-me perceber que ia conhecer a dona da casa onde precisariam de uma empregada. 

Eu ia atrás dela no corredor do centro comercial a caminho da escada rolante e assim continuei na escada, uns dois degraus acima dela. Não podia deixar de ouvir. De resto, estava fascinada com aquela mulher tão orgulhosa da sua aparência, tão alegre, tão confiante. À luz dos meus formatados conceitos estéticos diria que ela tinha o dobro do peso, usava roupa demasiado garrida, justa demais, os saltos eram altos de mais, a carteira garrida demais, as unhas gaiteiras demais, aquele cabelo liso demais, comprido demais e arruivado demais.

Se o que percebi estava bem percebido, iria apresentar-se à possível patroa. Não sei se a roupa azul que pedia um esmaltinho a condizer seria mais discreta, não sei se viraria outra, uma mulher normalizada, e ou se iria assim, gloriosa, provocante, espaventosa.

Pensei: fosse eu jornalista e meteria conversa, pediria sessão fotográfica, pose indecente ou, para contraste, pose sonhadora, pediria que me levasse a sua casa, que me mostrasse a decoração do seu quarto, o armário da roupa. E quereria saber da família, de amores -- ávida das histórias suculentas que dali certamente sairiam. E, se ela costumasse sair para dançar à noite, eu quereria conhecer os passos e os reboleios, quereria vê-la reluzente e ainda mais liberta, quereria vê-la de volta a casa, transpirada, saciada, pronta para se atirar na cama.

Mas não sou jornalista. Por isso, saí dali para o parque de estacionamento enquanto ela foi para a porta da rua, talvez para a paragem de autocarro. Deve ter ido a casa da amiga para poder pintar as unhas de azul e eu, insignificante, praticamente invisível, fui enfiar-me numa torre de vidro junto de homens cujo dress code não deixa espaço para a ousadia, para a cor.

Quando a vi no centro comercial e agora, a pensar nela, lembrei-me dos sapeurs congolenses que conheci através do E. que tantas coisas me tem dado a conhecer. E agora, ao procurar um vídeo com os sapeurs, apareceram-me também outras figuras típicas, os pachucos. Que graça.

José de la Rosa, aka Pachuco Nereidas


Jocelyn Armel Le Bachelor



E viva la vida!

quarta-feira, outubro 17, 2018

Me too...?
[Sedução, assédio e outras cenas]




Quando se trabalha uma vida inteira em empresas grandes, vê-se de tudo. De tudo. Mas agora menos. Agora o pessoal está todo muito comportado, muito normalizado, não há gente a dizer inconveniências, quase não se vê pulada de cerca, tropelia de bradar aos céus, desafio real. Mas épocas houve em que sim e eu vivi-as. Directores e secretárias, doutores e engenheiros e jovens estagiárias. Tantos, tantos casos. Vi de perto. Acompanhei, aconselhei, partilhei confidências. Anos e anos de vida entre homens e mulheres, chefes e chefiados. 

E nunca, nunca, nunca soube de qualquer caso de assédio de chefe sobre chefiada, de homem sobre mulher. Sedução, sim, muitas vezes. Flirts, sim, muitas vezes. Casos, sim, muitos.

Não juro que não tenha havido: digo apenas a verdade, que nunca deles soube.

Nem sempre a sedução era recíproca e aí a coisa morria ali. Nem sempre a sedução escondia amor e, aí, os casos não duravam muito. Por vezes, a sedução transportava a semente do amor e, aí, depois de dúvidas e sofrimento, o casinho transformava-se em caso sério.

O meu melhor amigo teve um caso com a minha secretária e agora vive com ela. Não se divorciou da mulher e agora passam as festas em alegre comunhão pois nunca deixou de gostar dela e apenas se separou porque a mulher pôs os pés à parede: escolhe com quem queres viver, cm as duas ao mesmo tempo é que não.

Outro colega, teve um caso e depois casou-se com a secretária, uns trinta anos mais nova, uma vampe de voz grossa que morria de ciúmes dele. Depois morreu ele ela transformou-se numa improvável e aparatosa viúva.

Mil casos. Outro foi visto a sair do gabinete, atrás da secretária e ainda a fechar o fecho das calças. 


Outra, uma elegância de fazer parar o trânsito, que entrou para estagiar comigo e depois entrou para o quadro, teve casos com vários, levando-os para a casa onde já vivia com o namorado e, quando se casou, convidou-os a todos, a eles e às respectivas mulheres.

Elas derretiam-se. Ter um caso com um director era uma emoção. Atiravam-se a eles à descarada. Eu pasmava com o descaramento. E eles gostavam, claro. 

Havia um, uma força da natureza, teve casos com não se sabe quantas. Diziam: 'até com a timorense'. Era uma mulher muito baixa, muito gorda, muito feia. Afiançavam que sim, que até com ela. Quando morreu, prematuramente, a igreja estava repleta. Todas elas lá estavam. Junto à urna a mulher chorava inconsolavelmente. 

Ainda recentemente, uma jovem, muito bonita e muito casada, quando tinha reuniões com o chefe, um homem pouco mais velho e igualmente muito casado,  aparecia vestida de forma acentuadamente provocante. As colegas faziam reparo ao que ela descontraidamente dizia: 'Então, tenho que fazer pela vida'. 

Outra, vistosa a ponto de ser tratada por 'avião', quando tem reuniões com alguém que ela acha influente, aparece vestida como se fosse uma Bond Girl. Presumo que os homens nem saibam como desviar os olhos. Até eu, se a tenho por perto nesses dias, sem querer, dou por mim a reparar naquele avultado despropósito. 

Que há homens sabujos que tentam aproveitar-se de mulheres indefesas não duvido. Mas há mulheres que igualmente tentam aproveitar-se. Há homens que se insinuam tal com há mulheres que se insinuam. 

Lembro-me de uma colega que tive no início da minha vida profissional. Não era nem muito bonita nem especialmente simpática. Mas era desbragada, desinibida e divertida, por vezes até em excesso. Atirava-se de forma ostensiva ao chefe, um totó, tímido, menino da mamã apesar de ter quarentas e tais. Quanto mais o via atrapalhado mas ela se atirava. Uma vez, de manhã, apareceu com ar apreensivo, que não sabia como devia agir porque, agora que o tinha conseguido levar para a cama, achava que ficava esquisito ele ser chefe dela. E, de facto, a partir daí, discutia com ele, embirrava com o desgraçado. Ao fim de algum tempo, depois de muito atentar o juízo ao pobre coitado, foi-se embora, resolveu ir viajar.

E comigo?

Tenho trabalhado, ao longo de anos, no meio de homens. E posso aqui jurar a pés juntos que nunca nenhum tentou assediar-me. Zero. É que nem consigo imaginar que algum tentasse pisar o risco. Há linhas encarnadas que não podem ser pisadas -- e há que deixar bem claro onde é que elas estão. Piadas, brejeirices, graças, isso sim. Coisas para rir. Inocentes, bem humoradas. Nada mais que isso.

Sempre tive grandes amigos, homens, sempre os ouvi conversar com grande à vontade. Nunca lhes vi tiques de assediadores. Nem comigo nem com outras pessoas. E não tenho vivido em ghetos nem as empresas onde trabalhei eram melhores que outras.

Por isso, se me reportar à minha experiência pessoal e ao que testemunhei, o que posso dizer é que nem todos os homens são demónios nem todas as mulheres santas. Nem há ninguém completamente demónio ou completamente santo. Há de tudo, penso que em iguais proporções. 

O movimento #MeToo a mim pouco me diz. Tenho para mim que por cada influente-assediador há também alguém que tentou aproveitar-se da situação, muitas vezes tentando obter vantagem, outras vezes apenas porque o poder é afrodisíaco e dá vontade de provar.

Mas, a haver mesmo assédio -- algum tarado ou tarada, algum doente, insistente, incomodativo/a, mal educado/a, badalhoco/a, alguém que não perceba que não vai ser retribuído e insista nas investidas -- então, sim, há que denunciar. Sem medo. Ou dar um par de estalos.


PS: Não estou a falar de violadores. Violação é violação e, a ser mesmo violação (ie, relação sexual não consentida), é crime e, aí, o caso é sério, não sujeito a funfuns ou gaitinhas.

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E, aos que chegaram agora: aceitem o convite e desçam até ao post seguinte caso queiram espreitar a minha casa.

sábado, outubro 13, 2018

Fogo! Fogo! O ministro demitiu-se!
Chamem os binómios cinotécnicos! Rápido!!!!




Há uns dois anos fui tomar conta de umas áreas de uma empresa. Herdei colaboradores, processos e uma cultura enraizada que vinha de há séculos. Um castigo. Ninguém merece. Mas devo ter passado parte da vida a pecar, e a pecar à grande e à francesa, porque acharam que eu merecia.

E estava a empresa bem governada se, de cada vez que alguns daqueles artistas faziam asneiras, eu me demitisse. Pelo contrário. Se gastavam dinheiro à tripa forra, se se baldavam airosamente, se se estavam a marimbar para o trabalho em equipa, se faziam disparates sem o assumirem, o que os accionistas e os outros elementos da equipa de gestão pediam a todos os santinhos é que eu não desse de frosques. E não sei quantas vezes a vontade de me pirar foi mesmo mais do que muita. Mas o sentido de responsabilidade levou-me a ficar e a tentar resolver os problemas. Hoje as coisas estão mil vezes melhor, mais controladas. Mas há práticas que quase fazem parte da genética das pessoas e, portanto, por muito que a gente as contrarie e tente que as coisas entrem nos eixos, mal uma pessoa se distrai já a bagunça está à espreita. Quando, em petit comité, digo: 'Eh pá, não há pachorra, aquela malta não atina, estou pelos cabelos, não há pachorra', logo me pedem mais algum tempo, que me mantenha firme e hirta naquela missão. 


Mas em Portugal, na política partidária, há uma cultura diferente. À mínima barracada, em vez de se exigir que o responsável máximo se mantenha em funções e resolva os pepinos que lhe aparecem pela frente, não senhor: querem é que os responsáveis sejam os primeiros a saltar fora, virem as costas e digam adeusinho por aqui me desbaldo, quem vier a seguir que feche a porta. Cá para mim quem assim pensa é malta que pratica o culto da irresponsabilidade. Houve aquela suprema barracada do roubo de armas de Tancos, uma coisa de bradar aos céus, uma escandaleira. E em vez de se proibir o Chefe das Forças Armadas e o Ministro que as tutela de saírem de funções até estar tudo explicadinho, em pratos limpos -- não senhor, exige-se é que saiam e vão para casa, descansados da vida.


Mas já não fico perplexa. Cada vez encontro mais gente que, perante uma simples operação aritmética de dois mais dois, conclui categoricamente que o resultado é cinco. E fazem um banzé desgraçado, vão para o Facebook e o escambau a apupar os pobres coitados, uma minoria cada vez mais isolada, que continua a defender que dois mais dois são quatro.

Portanto, já não fico estupefacta ou indignada perante o que me parece pura estupidez. Fico apenas com vontade de seguir em frente, de me abstrair. 


É o que faço agora. Enquanto as televisões estão ao rubro, com comentadores e mais comentadores a comentarem a demissão de Azeredo Lopes, eu vou mas é chamar os bombeiros. Mas desta vez não quero cá bombeiros dengosinhos, todos derretidinhos com gatinhos miau miau. Não. Agora quero bombeiros valentes, com cães feras, cães de meter medo.


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Bem. Não encontrei cães ferozes nenhum bombeiro com ar de mau. 
São todos lindos, fofinhos e depiladinhos. 
Paciência. É o que há.

[E, claro, esta rapaziada faz parte do corpo de bombeiros australianos que deu o corpinho ao manifesto por boas causas, nomeadamente para angariar fundos através de um calendário]

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PS: No meio da cegada de Tancos, já ouço que há para ali um mariola Frazão que armou encrenca para entalar o ministro. E o ministro, coitado, sem ter uma Georgina de rabo alçado a dar-lhe apoio nem uma rede de advogados e gestores de imagem a lançarem notícias nos trombones, não teve outro remédio senão meter a viola no saco. Só espero é que este sábado, agora que o ministro saíu, já se tenham apanhado todos os ladrões das armas. Eferre-á,eferre-á, alecuí, alecuá, á.

sexta-feira, outubro 12, 2018

Bombeiros so hot que quase pegam fogo.
De tal ordem que a gente nem se importa que o ano tenha muito mais do que os habituais doze meses.
Aqui, os que são afeiçoados a gatinhos.
E feliz ano de 2019!




Gosto de homens bonitos e com corpinho bem feito. Parafraseando o grande Vinicius, os feios que me desculpem mas beleza é fundamental. Não vou agora falar com pormenor dos que namorei e que depois deixei mas falo daquele com quem me casei. E, com vossa licença, vou repetir-me. Quando vejo homens bonitos, gosto de me lembrar. 

Num pavilhão cheio de gente, vi entrar aquele por quem, de imediato, me apaixonei. Tudo nele me agradou. Os olhos deles vaguearam pelo vasto pavilhão e foram pousar na que, sentada no parapeito de uma janela, o fitava com encantamento. Barba cerrada, cabelos quase pelos ombros, moreno, olhos cor de mel, era um autêntico cristo mas em bom. Um físico invejável, uma forma elegante e desportista de andar. Quando a seguir estive com o meu namorado, com franqueza, confessei: 'Vi aquele que acho que é o homem da minha vida'. Escusado será dizer que o pobre coitado ficou pregado: 'O homem da tua vida não sou eu?'. Já não me lembro como me saí. Se calhar disse aquilo que era verdade: não sabia quem era, nunca tinha visto e, se calhar, não ia voltar a ver.

E, de facto, passaram meses sem que o voltasse a ver. Até que um dia, estando numa sala perto da escadaria, vejo uma colega entrar em estado de apalermada estupefacção: 'Não vão acreditar. Vi o fulano mais giro da faculdade. Não imaginam. Lindo.' Pensei que só podia ele. Saí a correr mas já não o vi. Ela disse: 'Tinha o braço partido'. Tempos depois, entrei na cantina e vi um ajuntamento ao fundo. Muitas raparigas, muito sorrisinho. Pensei: 'Querem lá ver...' Espreitei. Era ele. Rodeado de mulheres por todos os lados. Estavam a escrever dedicatórias e parvoíces no gesso. Pensei cá para mim: 'Deixa-as. Guardado está o bocado para quem o há-de comer'. Afinal eu continuava a namorar, por sinal um namoro muito a preceito. Por essa altura, já ele tinha ganho o cognome de 'o borracho'.


Meses depois, encontrei uma amiga minha dos tempos de liceu que estava noutro curso. Vinha com um saco com mantimentos. Vinha nas nuvens. Contou que andava com o gajo mais giro da faculdade, que ia fazer o jantar porque ele ia a casa dela, um andar um vivia sozinha. Contou que não era apenas lindo: era culto, era meiguinho. Tudo do melhor. Pensei: 'Querem lá ver...'. Certa de que com tanto elogio só podia ser 'o borracho', perguntei-lhe o nome dele. Disse-me. E foi assim que fiquei a saber o nome daquele que, não muito tempo depois, viria a ser meu.

E isto para dizer que me apaixonei só pelo físico, pelo olhar, pelo andar. Nada sabia dele, nunca lhe tinha ouvido uma palavra. Mas nada disso me fazia falta para ter a certeza de que não descansaria enquanto não o tivesse para mim.

Continuava a namorar outro e, no entanto, dentro de mim eu sabia que aquele lá, o outro, 'o borracho', é que era o tal. Mas ainda não se tinha proporcionado.


Andávamos em cursos diferentes, tínhamos horários distintos, apenas nos cruzávamos (e era de raspão) a espaços de meses. Mas, de cada vez que isso acontecia, ele ficava com os olhos presos aos meus e eu presa aos dele. Aos olhos... e ao corpo -- e ele ao meu. Era inevitável que aquilo tivesse um desenlace.

Teve. Não propriamente um desenlace mas, sim, um enlace. Dura até hoje.

Nessa altura, as minhas amigas diziam que eu era açambarcadora. O meu namorado era bem bonito, tinha (e tem) uns olhos num azul quase violeta, umas pestanas compridas. E um enorme talento. Elas queixavam-se: 'Com o que já tens, para que queres mais outro?'. Mas era mais forte do que eu.

E o anterior ao dos olhos azuis. Irreverente, uns olhos muito bonitos, um ar sensual e todo ele provocação. Um grande amor, esse. O primeiro.

Ou seja: toda a vida fui sensível a homens bonitos. É genético.


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E isto para dizer que. Aproxima-se o fim do ano e, com ele, começam a chegar os calendários. Este de que aqui vos dou conta chega da Austrália e traz um belo naipe de bombeiral. Cada um mais jeitoso do que o outro. Corpinhos bem feitos, carinhas larocas. As australianas, volta e meia, devem pegar fogo aos rissóis na frigideira só para os chamar lá a casa. 

A graça é que vejo um montão de fotografias, bem mais que os habituais doze meses. Mas não me espanta. Perante coisa assim, a gente até lhes perde a conta, que venham mais. Vinte, trinta meses... quem é que se prende a minudências dessas perante tão belos exemplares do género humano?

Claro que, ao vê-los só fico a lamentar que se tenham rapado. Não gosto. Salvo uma honrosa excepção, não se vêem ali pêlos no peito, no baixe ventre. Espero que não tenham depilado mais do que isso mas, ainda assim, faz falta algum pelinho para a gente sentir uma coceguinha boa quando se lhes encosta. Só perdoo a estes meninos porque, estando tão longe, lá na Austrália, não vou conseguir pôr-lhe a mãozinha em cima. 

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Se conseguir manter-me acordada, ainda aqui volto para mostrar bombeiros que gostam de piu-pus, outros de cãezinhos, outros de cavalinhos upa-la-lá.