A chuva ondula-me o cabelo, transtorna-o, parece que lhe duplica o volume. O vento, então, tira-o do sério, revolteia-o, desestabiliza-o. Já aqui o confessei: atravessar a rua em dias assim e entrar directamente para uma reunião sem poder ir antes compor-me fragiliza-me. Se alguém quiser abusar de mim -- salvo seja, claro -- é apanhar-se insegura assim, sem saber se tenho o cabelo virado do avesso, se estou com ar de maluca, despenteada mental.
Quando era adolescente olhava com pena (de mim) para o cabelo liso e escorrido de algumas amigas. Achava isso o máximo. Uma delas tinha um cabelo fininho como fios de seda. Era assim que, na altura, eu gostava que fosse o meu. Tinha o cabelo muito louro e os pais passavam a vida a viajar. Ela ficava em casa com o irmão e com as empregadas. Quando regressavam traziam-lhe coisas que não existiam cá: travessões lindíssimos para o cabelo, blusas incríveis, bolsas para os lápis, mochilas com cores felizes. Nós com os livros em malas de pele, estojos também de pele, coisas escuras e sem graça e ela com coisas em turquesa, verde alface luminoso, pink reluzente. E o cabelo lisinho, enfeitado com coisas de todas as cores. A minha mãe dizia dela: cabelinho de rato. Mas eu não ligava, achava que ela dizia aquilo só para me consolar.
Já adulta, houve uma altura em que, se calhava ir à cabeleireira, esticava o cabelo. Quando chegava ao trabalho, toda a gente estacava a certificar-se que era eu, ultra penteada. O que eu gostava de sentir o cabelo elegantemente descendo, esvoaçando e aterrando sempre em grande estilo...
Já me deixei disso. Cada um é como é.
Quanto aos homens. Não convivo de perto com homens com cabelos que fiquem despenteados com o vento.
Em tempos tive um colaborador muito estranho, muito grande, muito mastronço, muito caladão, uma espécie de mula no masculino, ronceiro, inexpressivo. No entanto, ninguém é exactamente o que parece. Casado e pai de filhos, demos por ele apaixonado por uma colega, igualmente casada mas dada a folguedos de toda a espécie e feitio. Deu-lhe bola. Penso que ter um devoto assim dava-lhe jeito. Na prática, fez dele um motorista particular. Um dia, os colegas de sala, divertidíssimos, vieram contar-me: todos os dias a meio da manhã, a meio da tarde e antes de sair, o tipo sai com um envelope de serviço na mão e regressa, depois vai encontrar-se com ela. Andávamos intrigados e ontem foi bisbilhotar. Imagine: É uma escova de cabelo. Desatou-se a rir a contar e eu fiz o mesmo. Daqueles fulanos com um cabelo ralo, fino, liso, escasso, mas que, por ser grande, disfarçava a escassez. Ia então, escovar os três cabelos antes de ir ter com a namorada.
Mas, enfim, esta converseta vem a despropósito do vídeo seguinte. Um homem pediu a James Fridman, um retocador de fotografias que lhe compusesse o cabelo na fotografia em que aparece a ser beijado pela namorada. E James assim fez: arranjou maneira de ele o pôr com um cabelinho à maneira. Ora confiram lá, se fazem favor. E todos quando padecemos de despenteamento crónico ou esporádico podemos seguir a boa ideia.
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As outras fotografias que aqui aparecem foram também photoshopadas pelo patusco do James.
Se quiserem podem mandar-lhe que ele se encarregará de vos tratar da saúde.
Eita, cena mais benta. Vozes ao alto. Logo agora que o altar estava em risco de ficar sem santas, com a Mana Joana a deixar o casal Mariani e o seu pet, o Láparo, sem terem a quem acender velinhas, vem o canal do Tio Balsas e, de uma vezada, resolve saciar a fé deles e demais povão. Vozes ao alto.
Começou com a Santa Cristina, AKA Sta Caga-Milhões, a new Princesa do Coração dos Anunciantes e do Povo, a prometer animar a malta com muitos desmanchamentos de sisudos e outras surpresas e continua com a Bocas Moura Guedes, comentadeira de notícias e alimentadeira de polémicas de faca e alguidar. Temos santinhas no altar, o povão já pode rezar, fazer votos, pagar promessas, confessar-se, aprender o caminho para o céu. As audiências vão começar a subir, ah isso vão.
Não tardará muito até termos a Boca Guedes a dar entrevistas à Caras, depois os intelectuais da Passadeira Vermelha a comentar as entrevistas da Bocas, depois o ilustre académico Casanova, essa misteriosa e pessoana criatura, a comentar o carnaval televisivo que há-de galopar a passos largos (pardon my french, que é como quem diz, relevem o equídeo pleonasmo) a caminho do refugo total. Um circo. Com sorte também vão repescar o Marinho Pinto, o Zezé Camarinha, a Maria Leal, o Paulo Futre (esse conceituado andrologista) e outras grandes figuras do mediatismo tuga para terem o seu próprio programa.
E porque a Senhora Directora Cristina gosta de desconstruir e surpreender, não me admiraria nada que ainda fosse desestabilizar as Manas Carmelitas que estão em silêncio há anos e as pusesse a desfilar em biquini ou a cantarem rap ou que a próxima contratação fosse essa sumidade da intelectualidade religiosa, esse artista que assentou arraiais no coito dos Cavaquistas & Laparistas Encostados, AKA Observador, o Pdre Portocarrero de Almada e lhe dessem canal, pondo-o a comentar as toilettes e penteados das deputadas do Bloco de Esquerda, do PCP e demais esquerdas reunidas (obviamente pouparia a Madame Cristas, essa devota da Nossa Senhora dos Manda-Chuvas e outras individualidades que publicamente já tivessem dado mostras de grande devoção)
Também penso que estamos a caminho de ter telejornais da noite ditos por stripteasers (machos e fêmeas, quiçá até por híbridos como o famoso Carlos Costa (não o do Banco de Portugal porque esse não dá canal)), por ter a Quadratura do Círculo animada por back dancers e sorteios de dinheiro entre quem telefonar e acertar em perguntas simples formuladas pelo Pacheco Pereira ou o Eixo do Mal, não com aqueles paineleiros vintage que já são muito déjà-vu, mas por malta com sangue novo como, por exemplo, e é mesmo só por exemplo, a Carolina Patrocínio, o Cláudio Ramos, a a Georgina Rodriguez, o saudoso Bruno Maçães e, para dar conteúdo intelectual à coisa, o não menos saudoso Lombinha dos Briefings. Tudo devidamente moderado e apimentado pela Madame Bocas Guedes. Claro está.
Boa. Ainda há uma fatia de pizza!
Efe-Erre-Á! Á!
(Imagens photoshopadas por Hayati)
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Só boas notícias. Por isso, aleluia, irmãos, aleluia! Vozes ao alto. Cantemos.
(Eu, se fosse a Princesa Cri, contratava já este jovem altamente promissor para ir abrilhantar o noticiário da noite. Qual Rodrigo? Qual Clara? Pelo amor da Santa... esses já eram)
Isto para dizer que, agora que já tentei não dormir a sesta e que não consigo discernimento para acabar a noite com o Miguel Carapau, a comer cebola crua com sal em cima de broa, pus-me a fazer zapping mas nada do que para aqui passa me assiste.
O meu marido, depois de, em vão, ter desesperado a ver se conseguia ser canalizador, acabou por desistir e agora adormeceu mas não sem antes me pedir que telefone a ver se alguém sabe de um a sério que venha compor o que ele descompôs debaixo do lava-louça. Amanhã de manhã vou ter que lavar a fruta e a louça do pequeno-almoço no lavatório da casa de banho.
Adiante que, se ele ler isto, ainda fica com o ego ferido por eu estar aqui a pôr em causa os seus extraordinários dotes de bom bricoleur.
O dia, na parte da manhã, foi dose de cavalo e, na parte de tarde, foi passado a aturar os ditos mas do tipo 'mulas', éguas' e 'burras' de ambos os sexos. O calor e o apetite pelo verão não me fazem lá muito bem à cabeça. Ainda se pudesse ter aqui um jardim a precisar de rega para despejar água em cima de mim, ainda ia que não ia. Agora assim...
Estava aqui a ouvir um barulho muito suspeito e pensei que a televisão estivesse a preparar-se para levantar voo. Intrigada, desliguei-a e o barulho continuou. Olhei. Na SIC, um homem acaba de dar uma valente bofetada a uma mulher. Assim vamos: a violência é banalizada de todas as maneiras possíveis e imaginárias nas telenovelas portuguesas. Agridem-se, roubam-se, matam-se. Não consigo ver, é canalhagem a mais para o meu gosto de brandos costumes feito.
Fui à janela ver o que se passa. Como estou cheia de calor fui como a mademoiselle abaixo mas dispensei o lençol pelas costas. A casa dela deve ser mais fresca que a minha. Olha, afinal é um carro do lixo que estranhamente veio hoje a horas pouco madrugadoras mas faz tal barulho que não me admira que daqui a nada levante voo e me apareça aqui à janela.
Pronto foi-se embora e a sala voltou a ficar silenciosa. Isto é o que dá estar de janelas abertas. Tenho aqui ao meu lado uma ventoinha que faz um ventinho bom mas também é um bocado barulhenta. Vou ligar e fechar a janela porque não percebo o que é isto. Dá ideia que chegou outro camião. Na volta estão a sugar o prédio pelas bases. Que coisa estranha, esta. Um chinfrim de garrafas, agora. Se calhar isto acontece frequentemente mas, estando habitualmente com os vidros das janelas fechadas à noite, não se ouve.
Pronto. Adiante que este tema não é lá muito histórico-filosófico e eu acho que os meus Leitores são mais dados a isso do que a divagações vadias. Ou a isso ou a metafísica arraçada de semântica ou de pornografia travestida de poesia ou a geografia urbanística ou a farmacologia pré quelque chose ou a engenharia financeira ou jornalística ou a advocacia diversa ou a turismo ou a antiguidades ou a whatever. Coisas sérias, portanto, não a maluqueiras encartadas como as que ultimamente por aqui estou numa de plantar sem parar.
A propósito: dantes, há mil anos, eu achava o Carlos Queirós giro e o meu marido achava-o parvo. Eu pensava que ele dizia isso por ter ciúmes. Ele dizia que ciúmes o tanas, que o outro é que era mesmo parvo. Com os anos, fui achando que o Queirós foi ficando com os olhos encovados e o que perdia em graça ganhava em estupidez. Hoje, finalmente, dei o braço a torcer: estúpido todos os dias. O meu marido disse: há muitos anos que digo isso.
Não sei se é do calor ou se é que estou a ficar velha do Restelo mas a verdade é que cada vez mais constato que há malucos, parvos, estúpidos e atrasados mentais a pulular por aí em cargos em que apenas devia estar gente boa da cabeça. Mas é que é por todo o lado. Parece que dantes não era tanto. Eu eu não dava tanto por eles. Não sei. Parece que se multiplicam.
Aquela conversa do Carlos Queirós, no fim do jogo, é coisa de gente boa da cabeça? Fiquei incomodada. Há gente simplesmente parva mas há outra que abusa.
Mas é que não é só no futebol: é na política, é nas empresas, é all over. Uma cambadilha sinistra alapada a lugares onde pode exercer o seu pequeno e nauseabundo poder. Não há pachorra.
Desisto. Hoje não consigo falar de nada. Tretas e mais tretas. Ou então é do sono. Ou do calor.
Olho à minha volta e vejo livros por todo o lado. Devia pôr o móvel pequeno que está na zona larga do corredor que dá acesso a esta sala no hall que dá acesso aos quartos para, no lugar dele, pôr uma estante um pouco mais larga e alta. Mas o meu marido não quer, recusa-se a ir ao IKEA e nem quer pensar em chegar a casa com caixas e pôr-se com montagens. Também não quer pôr o móvel no hall dos quartos, diz que quer movimentar-se sem ter que se desviar de nada. Portanto, temos aqui um círculo que precisa de se transformar num quadrado. Coisa bicuda, esta. Qualquer dia os livros tomam conta desta casa. Se ao menos os personagens saíssem das páginas e viessem fazer uma farrinha aqui ao pé de mim, andar às cavalitas uns dos outros, apanhar gatinhos a fingir em cima dos móveis, brincadeirinhas gozudas e cabeludas assim.
E lá em baixo continua o camião, o mesmo ou outro -- já nem sei, o que sei é que rugem como um aeroplano. Na volta estão a testar se a minha rua serve para o famigerado novo aeroporto: qual Ota, qual Montijo. Aqui mesmo, debaixo da minha janela. Pois que seja. Há tantos anos que, a propósito de fazerem um novo aeroporto, por aí andam nessa coisa de mastigar sem engolir que acho que é de se topar qualquer parada. Antes isso que andar o pessoal já todo ao estalo no saturado e a rebentar pelas costuras aeroporto da Portela.
Bem.
Esta minha conversa é silly talk. Silly talk na silly season. Os meus Leitores não merecem isto. Mas fazer o quê? Deitar-me em pelota à sombra da bananeira a ver se algum marmanjão aparece para me fazer companhia?
Ah, só mais uma coisa. Ainda não comentei. Sabem?
Os insectos estão a desaparecer do Reino Unido e de muitos outros lugares e isso pode causar uma catástrofe de dimensões incalculáveis.
E outra: o Facebook está a vender espaço político e, com isso, caminha(mos) a passos largos para a total subversão da democracia.
E uma ou outra coiseca. Tudo minudências sem importância.
E nem falo dos barcos cheios de imigrantes que ninguém quer ou das crianças, aos montes, lá na fronteira da propriedade gerida pelo Trump, enjauladas num calvário burocrático para voltarem aos pais.
Ou de outras frioleiras que tais.
A questão é que o calor derrete-me os miolos e o que fica a funcionar não dá para tanto. Que se ocupem disso as mulas, as éguas, as burras -- de todos os sexos -- que tomam conta deste mundo.
Eu, pelo lado qu eme toca, vou continuar aqui, nesta minha vidinha toda recheada de ilusões. Por exemplo, para ver se durmo mais fresca, vou sonhar que vou para a beira de um lago, que vou toda nuazinha, que vou olhar para vocês com uma carinha laroca a fazer de conta que qual é o mal? Nunca viram uma barriguinha branca e umas maminhas mais branquinhas ainda?
E, quando sair do banho, para não arrefecer, vou vestir um impermeável a dizer I really don't care. Do u?
As imagens, com excepção da fotografia da Melania Trump feita quando foi visitar os miúdos retidos na fronteira (obra do maridinho), mostram o trabalho do brasileiro Gabriel Nardelli Araújo para o Canvas Project, no qual ele mistura personagens de pinturas clássicas com fotografias do ambiente actual, retocando-as com photoshop.
Um verdadeiro bissexual ou seja com dois sexos e que, ainda por cima, dá para os dois lados
(As perninhas é que não ficaram lá muito bem cerzidas mas, enfim, face ao valor acrescentado aqui apresentado, quem é que vai prender-se a minudências dessas...?)
Não sou de me exibir, nem aqui nem em qualquer outro lugar. Não me acho interessante enquanto objecto. Por exemplo, não sou como este aqui acima que tem uma mais valia relevante. Eu não. Sou banal. Por exemplo, não tenho maminhas à frente e maminhas nas costas. Gosto de fotografar, não de ser fotografada.
Apenas uma vez aqui me mostrei. Quando o Um Jeito Manso se aproximava perigosamente dos dois milhões de visitas, o meu marido, ao perguntar-lhe eu como me sugeria que assinalasse o momento, voltou a dizer-me que me desse a conhecer melhor. Depois de começar por rejeitar a ideia, fiquei a pensar e ocorreu-me que, então, me fotografasse ele. Assim o fez. E foi assim que, nesse post, não apenas se ouve a nossa conversa como se pode ver a misteriosa autora deste blog.
Quando no outro dia cheguei às 2.500.000 visitas pensei voltar a pedir-lhe que me fotografasse e, em cima da imagem, photoshopá-la de forma a ocultar a minha identidade mas inserindo-lhe algum humor. Mas nem tenho sapiência para fazer isso de forma ágil ou artística nem me sobra disponibilidade para aprendizagens nestes domínios. Portanto, não fiz nada e, de resto, esqueci-me da ideia e, quando dei por ela, e foi a partir de um mail de um Leitor, já ia avançada nos dois milhões e quinhentas e muitas mil.
Um casal de outro mundo flutuando sobre o varandim da escadaria
Um dia em que me sobre tempo ainda me hei-de aventurar a ver se consigo pôr umas asas a sair-me das costas, umas mãos compridas das quais jorrem palavras, uns olhos dos quais jorrem cores, uma boca da qual jorrem sorrisos, umas pernas das quais jorrem mares, uns cabelos dos quais nasçam árvores e, por cima, mil luas, mil sóis. Coisa assim. E, no fundo, poemas, músicas, flores, montes, pássaros, veleiros, frutos doces e maduros. Coisa simples, portanto.
E, se ficar imperfeito, paciência. Não sou perfeccionista. Até porque se há coisa a que acho graça é a manipulações fotográficas desajeitadas. Há-as deliberadamente amalucadas e há aquelas em que, simplesmente, a coisa não correu lá muito bem.
Estas que aqui tenho são acidentes que terão resultado de distração, pressas ou ajuste de contas com os visados.
Se eu fosse jeitosa na arte de manobrar o photoshop também podia tentar fazer graças 'acidentais' como estas. Ainda há um ou dois dias, vi o ex-irrevogável aí num debate qualquer, todo ele prosa e pose, e fiquei danadinha para o fotografar para logo o desconstruir e voltar a construir com ainda mais garbo, feito empresário vintage e com um láparo no bolso. Ou, agora que estou a ver na televisão a notícia sobre aquilo de que falo no post abaixo -- a incontinente bizarria de Dom Clemas --, era bom que conseguisse pô-lo, qual Diácono Remédios, a enfiar-se na cama de desnudos casais pecadores para os impedir de chegarem a vias de facto, 'oh meus amigos, não havia nechechidade'. Mas, para a coisa ter graça, pô-lo-ia a ele próprio castamente nu (para lhes provar que se pode conversar em regime de tête-a-tête, nu em pêlo, como os casados o fazem e, ainda assim, não se pecar). Bem, todo nu se calhar não que, provavelmente, as pessoas de bem não se põem nuas. Talvez com uma púdica e discreta cuequinha em lycra nude e com uma cruz na mão para afugentar o capeta, mas tendo o cuidado de o pôr a segurar a cruz de forma benevolente, jamais sado-inquisitorial.
Mas, claro está, tudo acidente meu de photoshop - 'Uuupsss, a cara não era para ser a dele. Queria a cara de uma santa figura do Tiepolo e, sem querer, saíu-me a de Senhor Dom. Não sei como. Totalmente involuntário, Inabilidade minha. Sorry. Passa a vida a acontecer-me. Caraças. Tenho que me deixar disto, troco sempre as mãos e, vai daí, sem saber como, aparecem-me as caras trocadas.'
Upsss... Estava a retocar a rainha... Upsss... que nabice a minha... nem sei como... troquei as caras.... Sorry.
Adiante.
Por aqui me fico. Era para falar de um tema já aqui antes abordado, o das bonecas sexuais com inteligência artificial, mas o tema pede recato e eu, com o sono com que estou, já não consigo articular três palavras de seguida quanto mais debruçar-me sobre um assunto tão dado a profundidades, declinações e cálculos diferenciais. Não. Para pegar nelas, não apenas tenho que estar de luvas como tenho que ter pelo menos três neurórios a funcionar. Não hoje, portanto.
Uma nadadora a quem o exercício fez crescer o braço
(para além de lhe dar uma boa elasticidade)
A ver se na fisioterapia, quando lá conseguir ir, me conseguem ginasticar desta boa maneira
Neste mundo há de tudo e quem pensar que já viu tudo não viu é nada. E quem achar que por saber conjugar o verbo mais difícil no tempo e modo mais gramaticado ou quem se achar top of the world por saber de cor três citações do autor mais obscuro ou a equação mais trelelé do feixe de luz mais azougado do universo, não sabe é nada de nadica.
A toda a hora em todo o lugar estão a acontecer coisas endoidadas ou divertidas e quem passar ao lado delas por não ter senão tempo para viver com o bico enfiado em prosas vintage, tentando descortinar o sentido de filosofias matútis ou a composição secreta das cores mais lazúlis, não vai saber o que é viver ou como vivem os que da vida não conhecem senão o lado soft e sorridente (que é o lado bom).
E vem este prosoleio a propósito de ter constatado que há quem ande ao despique fazendo montagens ou transformações e que é tudo bem engraçado e tudo deve dar muito gozo a fazer.
Não discuto quem tem mais mérito neste desfiar de contas, se o photoshoper, se o tradutor, se o condutor de kart, se o jogador de futebol, se o cantor, se a bailarina do corpo de baile, se a cozinheira da cantina, se a empregada do lar -- a escala de valores é pessoal e intransmissível.
Mas que estas imagens quitadas que aqui vos mostro têm alguma graça, lá isso têm. E o panda entediado tem mais.
Agora em casa. Na televisão, o futebol. Desde ontem que eu estava a ser avisada que, desse por onde desse, a esta hora teríamos que estar em casa, que dava o sporting. Cá estamos.
Estou de costas para a televisão. Trouxe o cadeirão baixinho para junto da janela que está aberta, trazendo do rio a aragem fresca.
Entardece devagar e a luz dourada vai pousando sobre a cidade. No outro dia, saindo pela Vasco da Gama, reparámos como estava branca a magnífica cidade. A luz branca, as casas brancas. Uma nesga branca ao longo do rio. Uma beleza flutuante de tão requintada e etérea.
Da família chegam-me notícias de férias. Está toda a gente de férias menos nós. Todos os que podem, claro, que a alguns a idade e a condição física já não dá para deslocações nem o conceito de férias se aplica na sua dimensão quotidiana.
Ontem ao fim do dia encontrámo-nos, nós e a ruidosa descendência, vinham eles da praia e nós do trabalho. Estivemos numa esplanada. Quatro meses juntas. Só se faz silêncio enquanto devoram caracóis, caracoletas, choco frito, pregos, bitoques. Logo que saciados, a tropa miúda levanta-se e correm e brincam e enchem de alegria todo aquele espaço que, felizmente, é amplo. E vá lá que estávamos numa ponta. Lembro-me, por vezes, que pode haver quem ali esteja querendo curtir a frescura do anoitecer em sossego. Mas é impossível mantê-los calados. So o bebé ainda se porta bem-comportadamene. Ali mesmo comeu uma tigelona de papa, que lhe dei, consolada. De penalti despachou tudo. Sempre a rir. Já no fim, já todos de pé e os pimentinhas a brincarem, estavam uns quantos em cima de um banco de jardim. O meu marido agarrou num e ia dar-lhe um calduço, na brincadeira. Susteve-se à última hora, no justo momento em que, quem observava, o avisasse: 'esse não é nosso'. Era um outro miúdo que se tinha juntado à brincadeira.
Hoje fomos os dois caminhar na praia. Enquanto estava na água, reparei numa gaivora muito branca que dançava perto de mim. Depois veio à água e voltou a subir. A luz fazia-a recortar-se sobre o azul, ressaltando o branco reluzente. Tive pena de não poder fotografar. Também tive pena de não me pôr a fotografar os corpos transformados com que me ia cruzando. Espanto-me com a crescente invasão de tatuagens. Desfeiam os corpos. Uma rapariga com o corpo coberto com um pintura em negro, como uma renda. Podia ser bonito mas é tão estranho. Outros quase têm uma banda desenhada, tanta a bonecada. Um homem de aspecto normal, meia idade, com riscas às cores nas costas. Quase sinistro de tão louco. Não percebo esta moda.
Almoçámos por lá e, a seguir, já com máquina fotográfica, fomos fazer uma nova, embora curta, caminhada. As fotografias engraçadas que se conseguem fazer. Mas as mais engraçadas não as quero mostrar para que não pareça que estou a parodiar (quando, afinal, me limito a fixar o que vejo). Hoje vi uma rapariga gordinha, baixinha, com calções despropositadamente curtos e justos, com o cabelo pintado de fúcsia, com uns óculos escuros redondinhos. Parecia uma fantasia animada. Ao lado, um casal, também baixinhos e gordinhos, ar muito convencional e diria, vagamente provinciano e, no entanto, armados em góticos, todos de negro, quase siameses, de mão dada. Uma perfeita contradição dos termos. Se vestidos com trajes folclóricos haveria coerência mas, assim, qualquer coisa parecia não bater certo. E um homem de uns sessentas, muito pintas, todo muito arranjado, armado em atleta, com uma calmeirona, metade da idade dele, escultural, espampanante, muito morena, lábios inflados, completamente descapotável, cabelos pretos escorridos até à pela cintura que ela, ar pretensamente sexy, tombando a cabeça de lado, puxava para que se alojassem sobre um dos ombros. Não a ouvi falar mas juraria que era daquelas brasileiras que conseguem embeiçar portugueses babacas. E tantas mais figuras curiosas.
Começa a escurecer. Ainda não acendi a luz mas já não se vê lá muito bem. Tenho que parar de escrever.
Vou ler. Estou a gostar do livro que agora tenho em mãos. Leitura prazerosa, suculenta de boa. Gosto destes dias tranquilos, gosto de escrever e de ler enquanto sinto o frescor delicado que vem lá de fora. É época estival e eu já devia estar de férias. Mas, enfim, não tenho de que me queixar. Está-se bem.
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Lá em cima é Tell Me All About It interpretado por Laura Fygi & Michael Franks sobre fotografias de Michael David Adams.
Sobre os bacanos de pedra que aqui partilho convosco, transcrevo o que leio no Bored Panda:
In 2012 French photographer Leo Caillard partnered with the Louvre Museum for a project in which he makes classic statues "wear" modern-day clothing.
For the creation of "The Hipsters in Stone" art series, Caillard first photographed the statues, and then asked his friends to pose in the same position but with clothes like jeans, flannel shirts and even Ray Ban sunglasses. Then he finished his project with Photoshop.
Estava agora aqui a ler a opinião da Agustina sobre os críticos literários e preparava-me já para a transcrever. Mas depois pensei que, às tantas, isto da Agustina é mesmo coisa para clubes do bolinha onde só entram meninos com... (e até ia versejar mas, bem vistas as coisas, arrepio já caminho não porque um verso aqui destoe mas porque o que ia dizer seria redundante) ou, então, para meninas intelectuais de tipo desasado, de saia pendona, sandalonas e franja pelo meio da testa e achei por bem não abusar na dose, não vá os meus leitores acharem que, com tanta Agustina, teriam mesmo que me filiar e não saberem bem para que lado me haveriam de empurrar.
Portanto, fica para outro dia. Críticos e tradutores. Interessante o que ela diz deles.
E, uma vez que hoje me cruzei com mais um sex symbol da televisão portuguesa, capa de vinte mil revistas e tomba corações de trezentas vedetas, e que, de novo, fiquei a olhar de alto, perplexa, com vontade de o medir a palmo para ver se é ilusão de óptica ou quê, pensei que hoje é que ia aqui desabafar.
É que não há um, senhores, que seja como parece. A gente vê-os, hercúleos, altos, tudo coisa para cima, no mínimo, de um metro e setenta e muitos e, depois, passa por eles e parecem saídos do conto da Branca de Neve. E nada contra quem não se pareça com o Tarzan ou com a Jane, juro que não, é mesmo apenas espanto. Ao vivo parecem metade do que parecem na televisão.
Já no outro dia, uma super conhecida que eu antevia que fosse mesmo mini-mini. Pois não vos digo nem vos conto. Ponham mini-mini nisso. Sem pinturas, sem saltos, sem aquelas altas produções, era capaz de passar por catraia do 4º ano, ex-4ª classe. Sendo pessoa tão conhecida, ao vivo mal se reparava nela. E gira. Uma miúda gira.
E, ao lado de uma beldade, do mais escultural e carismático que pela televisão tem passado, eu a julgar que era moça para fazer duas de mim em altura e qual quê, mais uma mão travessa se tanto.
E um jornalista mauzão, que sabe tudo, um importantão que por aí anda sempre a opinar? Quase tudo cabeça. O corpo mal se vê e, na televisão, quem o veja, parece um matulão.
Se eu tivesse tempo falava com pormenor e vocês até percebiam de quem é que eu estava a falar. Assim, fica para a próxima. Mas fiquem a saber: se se apanharem na televisão, já sabem: vão passar por uns calmeirões, que aquilo lá deve ter lentes de esticar em altura.
E, assim sendo, vou indo mas não sem antes -- e porque isto não é post que se apresente, para ver se evito a pateada geral e a devolução do bilhete -- vos deixar com estas imagens retocadas. Explico. As pessoas pedem a James Fridman que dê uma demão de photoshop para retocar um ou outro aspecto. E ele dá. O pior é que o bom do James faz uma leitura literal do que lhe pedem e o que sai nem sempre é o que se espera.
E isto para vos alertar: caso vos convidem para aparecer na televisão, cuidado com a forma como formulam o pedido de melhoria não vá haver por lá algum malandreco como o James e as pernas grandes ainda saírem parecidas com esguias patas de girafa. Isto na melhor das hipóteses.
Mais ninguém na família e arredores tira fotografias. Eu tiro. Se não for eu a registar os momentos, o mais que fazem é pegar no telemóvel e disparar. Portanto, há fotografias de toda a gente e poucas minhas.
Volta e meia o meu marido fotografa-me.
Mas há uma coisa. Desde há algum tempo vê mal ao perto. No entanto, só leva os óculos quando vai trabalhar. Caso contrário tem-nos na mesa de cabeceira para ler. Ou seja, quando me fotografa, geralmente não tem os óculos por perto ou, se os tem, não está para se dar ao trabalho de ir buscá-los.
Resumindo. Grande parte das fotografias fica desfocada.
Quando um dos netos foi baptizado, como eu estava ocupada, foi ele que fotografou parte da 'cena'. Resultado: grande parte das fotografias desfocada. A minha filha goza que se farta e imita o pai a afastar a máquina, a franzir os olhos e, trás, a fazer fotografias desfocadas.
Claro que ele desvaloriza e diz que até os grandes fotógrafos desperdiçam montes de fotografias -- para se aproveitar uma, tiram mil. Pronto, ficamos assim, não vale a pena.
Mas isto para dizer que, se nem em ver bem ele se preocupa, muito menos se preocupa em apanhar os melhores ângulos ou dar atenção a aspectos relacionados com a roupa e com o cabelo.
Quando vejo as fotografias que me tirou, frequentemente fico passada: 'então não viste que a blusa estava completamente mal arranjada?' ou 'bolas, não podias ter dito para eu ajeitar o cabelo?'. Diz que não reparou e que está bem assim.
Não vale a pena. É escusado.
Como tenho poucas fotografias minhas e parte delas não me favorece já pensei em recorrer a photoshop.
Já pensei até em enviar ao James Fridman, que é mestre nessa arte -- mas tendo muito cuidado com o pedido pois ele é especialista em levar à letra o que lhe pedem. As suas obras são de antologia. E nem quero pensar o que ele me poderia fazer. Portanto, assim como assim, fico com as obras não retocadas.
Tão bom como o que ele faz é o que ele escreve, ao dar por concluído o seu trabalho.
____
Bem.
Para que os meus Leitores mais compenetrados não fiquem a achar que gastaram o dinheiro no bilhete e que, afinal, não houve espectáculo, aqui está, para vos compensar, uma música muito assisada, um hit, um futuro clássico, algo que deveis cantar e dançar quando na presença do director de RH da vossa empresa.
A canção do DRH (ie, Director de Recursos Humanos)
Extracto de "Frère animal", um romance musical por Arnaud Cathrine e Florent Marchet
Ok. Depois de ter estado repimpada numa bela chaise longue que, enfim, não é feita de pauzinhos como o belo objecto de design do post abaixo mas de vulgares fofuras macias, volto aqui para mostrar alguns efeitos perversos do photoshop.
A cena explica-se em meia dúzia de palavras. James Fridman é mestre na arte do photoshop, tanto que as pessoas lhe enviam fotografias pedindo que ele as transforme de certa maneira -- e explicam exactamente o que querem.
O engraçado é que o bom do James gosta de se divertir e, volta e meia, leva o pedido à letra. Faz o que lhe pedem e junta um comentário (como já puderam ver na fotografia acima).
É o tipo de ironia que me tira do sério.
Se é que me entendem.
Bora lá ver mais. Mas vamos com música. Ok Go?
Mas, às vezes, em vez de photoshop levam é uma chazada.
Depois de no post abaixo ter falado das chamadas de valor acrescentado para 'cenas' eróticas feitas na minha empresa durante um certo período a partir de um telefone muito suspeito, aqui, agora, falo de pornografia a sério, hardcore mesmo, obscenidades puras e duras.
Sei que o assunto já não é novo mas esta semana as notícias passaram-me um bocado ao lado - e este tema é tão cabeludo que me custa seguir em frente sem a ele aqui me referir.
Vou agora falar dos embustes sobre os quais nasceu o governo de Passos Coelho: mentiras, falsidades, falácias. Hoje a verdade começa a vir acima e começa a ser claro qual o carácter das criaturas que enganaram os eleitores para se alaparem no Governo, aparentemente para fazerem o jeito ao sector financeiro e sei lá a quem mais.
Vou mostrar como a turma do Passos e do Relvas arquitectou toda uma manipulação massiva, sem ética, sem vergonha na cara. Toda a gente deve estar ainda lembrada de como uma matilha assanhada espalhou boatos, aldrabices, acusações, injúrias no tempo em que Sócrates era Primeiro-Ministro. Esta matilha arquitectou e conjurou, manipulando a opinião pública, levando-a a desenvolver um ódio irracional e acéfalo a José Sócrates. Muito desse ódio ainda subsiste em algumas pessoas, tão fundo a bactéria foi inoculada.
Um dos envolvidos, Fernando Moreira de Sá, resolveu agora fazer uma tese de mestrado sobre o que se passou. É sobre isso e sobre a entrevista que deu à Visão, e de que muito se falou ao longo da semana, que eu quero que fiquem gravadas na pedra de Um Jeito Manso algumas referências.
Transcrevo uma parte da entrevista que obtive num outro blogue:
- Como faziam a campanha suja (designadamente do caso Freeport) contra Sócrates?
A contra-informação era a praia do grupo [de Passos Coelho] à volta de Sócrates. Tínhamos nick names para as redes sociais, perfis falsos no Facebook e por aí adiante, mas éramos uns meninos do coro comparados com os tipos dele. Não há virgens nisto: em qualquer campanha eleitoral, existem centenas de perfis falsos, mas perfis com «vida», que incluem fotografias de «família», «clube de futebol», «gostos», etc. O segredo é ir pedindo «amizade» a pessoas da política e alargar os círculos de «amigos». Se deixarmos uma informação sobre o caso Freeport num perfil falso e ele for sendo partilhado, daqui a pouco já estão pessoas reais a fazer daquilo uma coisa do outro mundo.
- A central de contra-informação passou-se para o Governo após Passos se ter alçado a São Bento?
Álvaro Santos Pereira, do Desmitos, foi para ministro da Economia;
Carlos Sá Carneiro entrou para adjunto do primeiro-ministro;
Carlos Abreu Amorim para deputado e vice-presidente do grupo parlamentar;
António Figueira, do Cinco Dias, e de esquerda, foi trabalhar com o Relvas;
Francisco Almeida Leite para o Instituto Camões;
Vasco Campilho foi para algo ligado aos Negócios Estrangeiros;
José Aguiar para o AICEP;
Pedro Froufe para a comissão de extinção das freguesias;
o CDS também recrutou no 31 da Armada.
Houve outros. Só em ministros, secretários de Estado e assessores foi uma razia em blogues como o Albergue Espanhol, o 31 da Armada, Delito de Opinião, O Insurgente, o Blasfémias, etc.
[Acrescento um dos outros: António Nogueira Leite que foi para a CGD.]
- Como funcionava a central de contra-informação?
Por exemplo: existia um mail acessível a um grupo fechado, através do qual recebíamos informações, linhas gerais, provenientes de quem estava a preparar o programa do Passos. No início, nem sabíamos quantos éramos. Cada um desenvolvia aquilo, nas redes sociais e na blogosfera, à sua maneira. Utilizávamos isso no Fórum da TSF, no Parlamento Global, da SIC, no Twitter, etc. No último confronto televisivo entre os três candidatos à liderança [Passos, Aguiar Branco e Rangel], condicionámos o debate. Só eu tinha três computadores à minha frente, em casa, além do telemóvel. Antes do debate, já tínhamos tweets preparados para complicar a vida ao Rangel. Nos primeiros minutos, começámos a «tuitar» como se não houvesse amanhã, dizendo que o Rangel estava nervoso e mais fraco do que o esperado. Criou-se um ambiente negativo que se propagou rapidamente. Ao fim de cinco minutos, ríamos até às lágrimas! Até opinion makers repetiam o que dizíamos! E o debate tinha apenas começado...”
Em que consistia a contra-informação?
“(…) Havia voluntários a defender as posições do Passos, mas sobretudo a atacar o Governo PS, no Fórum da TSF, na Antena Aberta, da RDP, e nos debates dos canais por cabo. Alargou-se a influência mediática. (…)”
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Não transcrevo mais pois acho que o que se lê acima é mais que suficiente para se perceber a imundície que esta gente lançou sobre um homem, Sócrates, e como, desta forma, conseguiram forjar uma alternativa que, como se tem visto, não passa de uma construção barata, uma contrafacção, uma nulidade. Passos Coelho e um grupo de gente sem princípios, sem competência, sem conhecimentos, sem ética não têm feito outra coisa senão destruir o País.
Pode dizer-se que quem votou em Passos Coelho foram dois milhões de pessoas e não este bando de artistas, estes farsantes encartados. Certo. Mas a verdade é que foi, em parte, este bando que minou, a partir das redes sociais, toda a comunicação social. Uns como comentadores, outros como jornalistas, outros simulando serem cidadãos anónimos foram propagando mentiras que se espalharam viralmente pela sociedade. Toda a gente repetia as suas aldrabices como se fossem verdades inquestionáveis. Em contrapartida, Passos Coelho aparecia como uma alternativa credível.
Quando a estratégia resultou e Passos Coelho e Miguel Relvas foram para o poder, esta matilha foi recompensada, passando a pisar os corredores do Poder.
Mas fraca recompensa. Ter participado nisto e pertencer à entourage do Governo ou dos governantes de Passos Coelho vai ser, no futuro, uma nódoa que não saberão como limpar.
O País, como se vê, não tem feito outra coisa senão retroceder financeira, política e socialmente - todos os dias assistimos a como está a desfazer-se às mãos desta gente sem escrúpulos e sem um mínimo de competência. Difícil será perdoarmos-lhes o que nos estão a fazer.
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João Garcia, no Expresso deste sábado, conta como o Secretário de Estado da Cultura acaba de contratar para seu adjunto um rapaz do PSD com 24 anos que a única coisa que fez na vida até hoje foi ser estagiário numa rádio e ter lá trabalhado durante meia dúzia de meses até ser contratado como funcionário do PSD - e que, pasme-se, vai agora ganhar o mesmo que um coronel, mais do que um juiz, o dobro do que um professor efectivo em início de carreira. Um Governo de gente inapta, descarada, sôfrega pelo Poder.
O País a arrastar-se penosamente enquanto na sua cúpula temos a gente mais ignorante, mais impreparada, mais amoral, mais sem vergonha de que há memória. Isto dá-me náuseas. Mas uma coisa é certa: na fraca medida das minhas possibilidades tudo farei para lutar contra o fim deste pesadelo. Portugal e os Portugueses merecem mais do que esta peste que nos caíu em cima.
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Para quem esteja interessado na leitura da Tese na íntegra, pode ser lida aqui pois foi colocada pelo próprio Fernando Moreira de Sá (uma espécie de Garganta Funda) no blogue Aventar.
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As imagens escolhidas, obra de artista, são bonitas demais para estarem aqui, no meio desta lama. Contudo, quis, meus Caros Leitores, tornar-vos menos penosa a leitura de assuntos tão pouco limpos. Por outro lado, não são imagens verdadeiras embora o pareçam: não direi que sejam um embuste mas a verdade é que resultam de photoshop e são da autoria do romeno Caras Ionut.
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Relembro que para chamadas eróticas de valor acrescentado é descer até ao post seguinte.
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E, por hoje, é isto. Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo domingo.