Mostrar mensagens com a etiqueta Papa Francisco I. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Papa Francisco I. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, abril 22, 2025

Jorge Bergoglio aka Francisco

 

Se nunca estive ligada à Igreja a verdade é que, cada vez mais -- à medida que vou assistindo a histórias continuadas de abusos, encobrimentos e meias palavras --, me incomodam demais todos os luxos, rituais, ortodoxias, hipocrisias, manipulações a partir da psicologia de massas, alienação de consciências que todos os agentes da igreja perpetuam.

Não obstante, e apesar de também tenha achado que Francisco, o Papa, vacilou quando deveria ter sido firme ou compactuou quando nada tinha a perder e podia ter cortado a direito ou usou palavras elíticas quando se exigiam palavras inequívocas, a verdade é que simpatizava com Jorge Bergoglio e reconheço que foi melhor que os antecessores.

Mas, neste momento de comoção quase colectiva -- em que parece que não se fala de outra coisa senão nas memórias pessoais que cada um tem com ele ou das suas virtudes ou do que ele disse ou fez --, o que penso é no homem idoso, doente, de saúde débil, certamente muito limitado na sua autonomia, tendo que ser lavado, com fraldas, medicado até mais não poder, com dificuldades respiratórias, que, apesar de tudo, conseguiu arranjar forças para ir desejar boa Páscoa à multidão.

Quando o vi, ainda antes de ser internado com a pneumonia bilaterial, pensei: está tão inchado, provavelmente já a fazer retenção de líquidos, se calhar os rins já a começarem a falhar. Depois achei que não devia ser tão pessimista e pensei que talvez fosse apenas cortisona para tratar a bronquite. Pode parecer parvoíce mas depois de ter acompanhado a situação do meu pai e, mais recentemente, a da minha mãe, eu ainda não consegui desligar-me deste hábito de vigiar sintomas, de intuir (ou temer?) o significado do que vejo.

Quando o meu pai morreu, já está quase a fazer 5 anos, estávamos confinados, impossibilitados de circular, eu no campo, a trabalhar de manhã à noite em teletrabalho e sem poder meter-me à autoestrada para ir lá a casa (e, com receio de que, se fosse, pudesse contagiá-los, pois, aparentemente, isso tinha acontecido com o pai de uma pessoa que me era próxima). E, em simultâneo, eu inquietava-me diariamente, e não era pouco, com a situação do meu pai. Primeiro foi a minha mãe que, em pleno pico de covid, para não ferir a susceptibilidade de fisioterapeuta, continuou a recebê-la apesar de ser totalmente desaconselhado. Depois, tendo mesmo que receber a senhora que ia fazer a higiene ao meu pai e dar-lhe a comida através da sonda nasogástrica, não lhe pedia que se descalçasse e, até muito tarde, tinha vergonha de lhe pedir que usasse máscara. Eu passava-me com a minha mãe por continuar a achar que só acontecia aos outros e parecia preferir correr riscos para não melindrar as duas, não fossem elas levar a mal se ela e suspendesse os serviços de uma e pedisse à outra para andar de máscara e calçasse outra coisa quando entrasse lá em casa. Isto, no início, quando não se sabia como é que o vírus se propagava e as notícias nos traziam diariamente um número crescente de mortos e de ventilados.

Mas o pior foi quando começou a achar que o meu pai estava inchado. Nessa altura, já tinha passado para o polo oposto, já tinha terror de tudo. Telefona-me cheia de medos de tudo, chorava. Muito a medo ligou para o INEM, pois recava que eles próprios fossem fonte de contágio. Mas lá o fez e eles lá foram a casa. Disseram que o meu pai estava a fazer retenção de líquidos e teria que ir para o hospital. Mas como estava a oxigénio, teria que ir para a ala covid. E aí a minha mãe não quis. E então ligou-me outra vez, a chorar, aflita, a dizer que não queria, senão ele apanhava covid. Depois pôs-me a falar com os do INEM. Coitados, que poderiam dizer? Não poderiam isolá-lo pois o hospital, na ala covid, estava cheio. Faltavam os meios. E não poderiam levá-lo para o hospital contra a vontade da família. E a minha mãe chorava, não queria que ele fosse. Recomendaram, então, que se chamasse médico a casa pois certamente receitaria Lasix. Assim se fez. E o médico, mostrando que a situação o preocupava, foi o que receitou. E o meu pai melhorou.

Mas, ao fim de algum tempo, a minha mãe voltou a dizer que ia voltar a chamar o INEM pois o meu pai estava outra vez inchado. Chorava, chorava. Insisti para que confiasse que ele não ia apanhar covid e o deixasse ir para o hospital pois a situação poderia ser grave. Tive um mau pressentimento. Morreu poucas horas depois.

Com a minha mãe, que foi aquela situação de que aqui falei, uma situação rápida, complicada, em que tudo se agravou abuptamente, senti um aperto no peito quando vi como tinha um braço todo inchado, a mão toda inchada. A médica e as enfermeiras diziam que era do cateter, do soro, da mão imobilizada, sei lá. Mas aquele inchaço assustou-me como se fosse mais uma confirmação da sentença de morte. 

Até ao fim, a minha mãe parecia preocupar-se com pequenas coisas, como se quisesse ignorar o que era verdadeiramente preocupante. Por exemplo, queixava-se que tinha as unhas daquela mão grandes. Dizia-me que, antes de ter sido internada, tinha conseguido cortar as da outra mão mas não tinha conseguido cortar as da mão direita. Como aquilo parecesse afligi-la sobremaneira, pedi à enfermeira se poderiam fazer isso, mas disseram-me que não tinham serviço de manicura. No dia seguinte, levei corta-unhas. E foi para mim um momento muito angustiante. Por um lado, era a situação de diminuição da minha mãe, até tão pouco tempo antes tão autónoma e, naquele momento, a já não ser capaz de cortar as próprias unhas e a querer que eu lhas cortasse. Por outro, a situação anacrónica de estar em situação terminal e, no entanto, tão preocupada com as unhas. Mas, o pior de tudo foi que mal se conseguiam cortar pois a mão quase parecia um balão e não havia espaço entre a unha e a pele do dedo para eu poder encaixar o corta-unhas. Tentei que ela não percebesse a minha angústia. Fingi que estava a cortar sem dificuldade, disse-lhe que já estavam bem. Mas o meu coração estava apertado, apertado.

E depois já não era só aquele braço inchado. Era apenas o mais inchado. Eu vigiava, tentando fazer de conta que não via, mas o ânimo fugia. Um dia, estava ela no cadeirão, com as pernas sobre o sofá. Vi que as pernas também estavam inchadas. Senti um tremendo pavor. O coração dela quase não funcionava, a taxa de ejecção estava reduzida a quase nada, os rins também já não conseguiam funcionar bem. Isto já para não falar que, no peito, o tumor lhe crescia todos os dias. A morte a avançar diariamente, a invadir o seu corpo.

Jorge Bergoglio felizmente não tinha nenhum tumor a devorá-lo mas tinha também insuficiência cardíaca e respiratória. Chega a uma altura em que o corpo atinge o seu limite. Por mais que se tente, que se trate, por mais que se faça de tudo, o corpo já não consegue assegurar o seu cabal funcionamento. Nessas alturas, o sacrifício que o corpo faz para se manter vivo é inglório, já é apenas sofrimento.

Jorge Bergoglio morreu. O seu corpo humano não conseguiu mais mantê-lo vivo. 

Apesar de tudo, recordá-lo-ei com simpatia.

E só espero que o próximo Papa seja bondoso, corajoso, simpático, humanista, inclusivo, justo, aberto, valente. 

domingo, fevereiro 23, 2025

As pneumonias nas pessoas de idade e com saúde débil

 

O meu pai viveu cerca de doze anos depois de ter tido o grande AVC que não o levou mas que o deixou muito incapacitado. Já aqui falei disso: foi um processo lento e doloroso, em especial para ele. Antes era um homem em excelente forma física, que se sentia orgulhoso pelo seu bom estado de saúde, pela sua resistência física e, creio, pelo seu bom aspecto. Quase não tinha cabelos brancos. Sempre teve o cabelo preto e muito liso. Tinha praticado desporto até tarde, até ter partido uma perna a jogar futebol e ter feito uma cirurgia onde lhe puseram uma placa metálica e um parafuso. Mas continuou a fazer caminhadas e a manter-se em forma. Nunca fumou, não tinha hipertensão nem colesterol alto. 

Ver-se sem se poder mexer, sem orientação geográfica de proximidade e sem metade do campo visual foi, para ele, um rude, rude golpe.

Mas, com a fisioterapia persistente, voltou a andar. Mas a andar com muitas limitações, sempre apoiado.

E não percebíamos se as flutuações de humor ou a agressividade ou as fixações em temas inexistentes se deviam à medicação ou ao próprio estado. Foram anos complexos.

A fase final foi pior: depois de, em casa, ter caído e ter partido o colo do fémur, tendo sido operado, não voltou a andar. Todos os dias era levantado, cada vez com maior esforço. Mas não queria estar sentado. Implorava que o deixassem ficar na cama.

Creio que foi por essa altura, quando começou a estar permanentemente acamado, que teve a primeira pneumonia. Não sei quantas teve. Talvez três ou quatro. A última foi uma pneumonia por aspiração. Foi a partir daí que passou a ser alimentado através de sonda naso-gástrica.

De cada vez que teve pneumonias preparavam-nos para a gravidade do seu estado, em especial dada a debilidade do estado geral. Numa dessas vezes chamaram-me para me ir despedir dele pois dificilmente estaria vivo à hora da visita. Nesses internamentos também 'apanhou' bactérias multi-resistentes, uma das vezes no coração. Tínhamos que nos cobrir de alto a baixo para chegar perto dele, que, nessas alturas, estava completamente isolado.

Houve uma tarde em que nem sei como não tive eu um colapso nervoso. O monitor cardíaco apitava quase em contínuo: os batimentos ora iam abaixo das 30, ora iam acima do patamar crítico (já não me lembro bem mas creio que 150). Quando começavam a descer, a descer, e o apito era contínuo, a enfermeira dizia para eu chamar por ele e apertar-lhe os pés. Passei a tarde numa aflição, 'Pai! Pai!', e a abaná-lo, a apertar-lhe os pés, as mãos. Estava medicado mas, às tantas, suspenderam parte da medicação pois o cardiologista entendeu que alguma dela estava a conflituar com outra. Os médicos diziam-nos que poderia morrer de um momento para o outro, que já não havia muito que se pudesse fazer.

Contudo, sempre sobreviveu às pneumonias, às bactérias multirresistentes, às instabilidades gerais, ao quadro de falência geral que parecia irreversível.

Para o fim, já tinha que estar permanentemente com oxigénio, mas não foi de problemas respiratórios que morreu.

Recentemente, há menos de um mês, morreu um outro familiar meu: também infecção respiratória, também sobre um quadro clínico de debilidade. Neste caso, infelizmente, não se conseguiu reverter o quadro.

Mas cada caso é um caso.

Vejo que as televisões já começam a apresentar retrospectivas sobre a vida do Papa Francisco. Ultimamente já estava muito inchado. Provavelmente já estava a tratar-se com cortisona. É natural que o seu estado seja crítico pois com oitenta e muitos anos, uma saúde que já andava débil e uma pneumonia bilateral em cima, e a ter necessidade de levar transfusões, se calhar com o coração e os rins já não muito funcionais, as perspectivas não podem ser animadoras. É, pois, natural que o seu estado geral seja reservado.

Mas vejo os jornalistas, quais abutres, já a rondarem, já por lá, vejo os programas de televisão que já parecem louvores póstumos, obituários, e penso que pode acontecer que o Papa Francisco lhes troque as voltas. Quantas vezes estive eu numa aflição, com receio que o telefone tocasse de noite ou ao início da manhã... e, depois, como se por obra e graça, tudo parecia recompor-se...

No entanto, seja como for, a verdade é que somos perecíveis. Todos. Ninguém cá fica.

Quando o quadro clínico é complexo e as hipóteses de sobrevivência (em bom estado, em estado de independência e de lucidez) são diminutas, quando se sabe que, se a pessoa sobreviver, é apenas para sofrer ainda mais, nunca sei bem o que se deve desejar.

Sinceramente, o que desejo é que, se Jorge Bergoglio sobreviver, fique bem. Mais do que isto não sei o que dizer.

domingo, agosto 06, 2023

A (des)propósito de quem andou metido em apertos e calores e vai dormir ao relento... um massagista com umas santas mãozinhas

 

Sou absolutamente avessa a ajuntamentos. Ver muitos milhares de pessoas em cima umas das outras é algo que me perturba. Se calhar sou bicho do mato. Não digo que não. 

À hora de almoço vi milhares de pessoas a passo de caracol, ao sol, ao monte, numa estrada a caminho do local junto ao Tejo. A impressão que aquilo me faz. Parece-me um rebanho insano. Qual o sentido, a utilidade, o propósito daquilo? Juro que não percebo. 

Que, numa de fazer bem aos mais desfavorecidos, se tivesse arranjado maneira de aproveitar toda a boa vontade dos jovens e os pusessem a construir parques, casas, a plantar árvores, a fazer qualquer coisa de útil para os pobres ou para o país ou para o planeta, eu ainda percebia. Agora desaproveitar tanta energia para andarem apenas de um lugar para o outro, com cantiguinhas infantilizadas, com conversinhas pueris... acho uma oportunidade perdida. E todos os voluntários a mesma coisa. Acham-se úteis a fazer coisas e mais coisas em volta de uma grande inutilidade. Não sei como dizer isto sem parecer uma desmancha-prazeres perante pessoas que andam cansadas e felizes por fazerem o bem mas, na verdade, tudo me parece uma coisa frustantemente absurda.

Agora, à noite, quando ligámos a televisão, vimos uma multidão de jovens preparados para dormir ao relento. Felizes da vida, claro. O Sudoeste ou o Meco (mas em versão pia pois provavelmente não há charros nem sexo; e, pelo menos por esse lado, os pais podem estar descansados). Woodstock new age. Peace and love.

Que não se pense que acho mal os jovens estarem em acampamentos. Não acho. Acho piada a ver jovens juntos, a curtirem o convívio e a night, é bom. Mas a verdade é que para eles é capaz de ser uma experiência fantástica, muito convívio, muita hormona junta, noitadas ao relento sob as estrelas é do mais romântico e fixe que há. Mas, muito racionalmente falando, tirando isso, é conversa fiada. Milhõe$ gastos (em vez de serem gastos em obra social ou em acções a bem da natureza), horas de televisão à desgarrada (só aflorei, não vi). quando, na verdade, nada de concreto e útil se fez nem nada de especial  há a dizer.

Claro que o Papa diz muita coisa acertada e apela à inclusão e ao amor e, é certo, ainda bem que não é um fanático, radical, fundamentalista. Mas, em concreto, tudo espremido, o que é que aqueles milhares de jovens vão fazer com o que ouviram? Bola. Sorriem com ar beatificado, é certo. Mas, de concreto, isso vale bola.

E que não se pense que quem participa nisto ou quem vai à missa é melhor que os outros. Melhor que eu, por exemplo, Dos maiores sacanas que conheço -- gente sectária, cínica, indiferente perante as dificuldades -- são católicos praticantes, beatos, todos de missas, retiros, peregrinações. Se calhar é coincidência mas é verdade.

Não quero dizer que são todos assim. Conheço outros que não são assim, que são simplesmente alienados, entretêm-se com cursos para casais e coisas do género, coisas completamente fúteis, banalidades ditas como se fossem grandes ensinamentos.

Portanto, tomara que os jovens, os portugueses e os de todo o mundo, se dediquem à aprendizagem, que gostem de ciência e de arte, que sejam humanistas, que sejam bondosos, que sejam inclusivos, que tenham a mente aberta, que lutem que nem doidos pela liberdade e pela democracia e pela defesa do planeta e que não se dispersem com coisas que servem apenas para fazer de conta.

______________________________________

Charlie Chaplin vai levar uma massagem...?


Desejo-vos um bom dia de domingo

Saúde. Boas aragens. Paz.

sábado, agosto 05, 2023

Um futuro Senhor Dom Marcelo...?

[A palavra ao meu marido]

 

O Presidente Marcelo consegue sempre surpreender-me e sempre pela negativa, o que voltou a acontecer nas JMJ. 

A forma com o Presidente tem acompanhado a visita do Papa -- desde a tentativa que fez para "desconjuntar" Sua Santidade quando o cumprimentou pela primeira vez, passando pela presença contínua, com ar  enlevado, nas diversas cerimónias e culminando hoje (veremos o que mais fará o Sr. Presidente até ao fim da visita Papal) com  a subida a pé o Parque, dando autógrafos e tirando selfies -- revela um provincianismo e uma constante ânsia de protagonismo que ultrapassam o razoável. 

Sendo Portugal um estado laico, parece-me impossível que estas manifestações de conluio com  a Igreja Católica sejam feitas como Presidente da República; e, se são feitas a nível individual, como cidadão com opções religiosas legítimas, isso deve ser devidamente esclarecido e publicitado. 

Não podemos nem devemos esquecer as mais do que infelizes declarações do Sr. Presidente sobre os abusos sexuais na Igreja numa tentativa, felizmente, frustrada, de tentar minimizar as responsabilidades da Igreja.

Se é verdade que o Papa tem algumas posições interessantes sobre vários temas e parece tentar combater o que de mais errado acontece no seio da Igreja, não é menos verdade que o Papa é o atual chefe da Igreja Católica, a qual cometeu inúmeros e gravíssimos erros que ocorreram continuamente ao longo de séculos, pelos quais é naturalmente corresponsável.

Ouvindo algumas frases dos discursos do Papa e verificando a presença constante do Sr. Presidente junto de Sua Santidade, resta a esperança de que o Sr. Presidente enverede por um caminho diferente, praticando o bem de forma virtuosa, respeitando  a verdade e os outros, não se deixando cair na tentação da constante notoriedade, enfim, exercendo a Presidência de outra uma forma mais próxima dos ensinamentos de Cristo. Também é possível que Sr. Presidente, após a visita Papal, sinta um chamamento, o qual deverá seguir, escolhendo uma Ordem Religiosa que imponha o silêncio e o retiro espiritual.

Já agora a afirmação do Sr. Presidente de que as JMJ são o acontecimento mais importante do Portugal democrático é de gargalhada ou resulta de insolação. Basta, por exemplo, recordar a importância das primeiras eleições livres e comparar com o que representa  a JMJ para o Povo Português.

...   ...   ...

PS: Na contabilidade feita pelo Presidente Marcelo enquanto subia o Parque e fazia selfies, referiu ele para a televisão que tinha encontrado gente de muitos países embora tivesse encontrado poucos italianos que, segundo ele, estavam em Portugal.

Posso sugerir uma ida à Costa Caparica onde encontrará certamente muitos peregrinos, quiçá alguns dos italianos em falta.


sexta-feira, agosto 04, 2023

Benfiquistas e sportinguistas. Casamentos. Paris Hilton e Marcelo. E etc.

 

Um dos meninos fez anos. Entre caranguejos e leões há sempre festejo pois são de seguida. Corrijo: entre lampiões e leões. Uma alegria. Hoje foram todos visitar os interiores do Estádio da Luz. Os benfiquistas convidaram os sportinguistas. Adoraram, quer uns, quer outros.

Depois, lá entre eles, foi bowling, jogos virtuais, almoço, etc. Um programão que os deixou felizes. 

Só depois vieram para cá, todos na maior animação. 

O bolo de anos foi uma saborosa camisola de benfiquista que cá vieram entregar, encomendada pelos pais. Uma surpresa e uma alegria para o jovem aniversariante.

Pouco fiz pois a comida veio toda cá parar. Por isso, se calhar não deveria sentir-me cansada. Mas sinto-me. Continuo a achar que, depois da covid, me canso mais do que o normal. Fico sem energia, com sono. A continuar assim, haveremos de ter que investigar esta coisa. Sou eu e o meu marido. Iguais. Sempre mais cansados e com mais sono do que seria natural.

Estive aqui no sofá e não consegui sequer ver notícias. Não faço ideia do que disse o Papa nem se já apareceu o milhão e tal de peregrinos que ia encher a cidade. Já não sei se foi ontem ou hoje à hora de almoço que vi de raspão um ajuntamento mas que, vendo de perto, era na maioria formado por padres e, pareceu-me, voluntários. No conjunto, creio que os peregrinos deveriam estar em minoria. Do pouco que vi parece-me tudo uma coisa deslocada no tempo, no espaço, desfasada do mundo real. 

É bom haver muita juventude junta mas melhor seria se tivessem objectivos concretos e não apenas uma conversa fiada, peace and love em versão pia. Acaba isto da JMJ e não fica nada. Nem eles terão feito nada pelo país ou pelo mundo em geral nem sequer por eles próprios. Divertiram-se, foram para os copos, conheceram-se uns aos outros. Uma experiência de tipo inter-rail e, na realidade, nada mais. Uma experiência divertida.

Provavelmente, o Marcelo continua eléctrico, atrás das saias de Francisco. Não faço ideia do que vai na cabeça dele mas também começo a crer que está em parafuso, que já não se passa grande coisa dentro daquela cabeça.

Mas, dizia eu, não tive paciência para notícias ou para comentadores a mastigarem as ditas. Fiz zapping e parei não sei onde. E pus-me aqui na conversa com pessoal amigo. 

Quando dei por mim estava a Paris Hilton na televisão, nervosa com a mãe e a tratar do casamento com um fulano estranhíssimo. 

Ela toda enervada, meio esvaziada, super ocupada, sem ser capaz de tratar daquelas coisas todas que hoje envolvem a indústria dos casamentos. E a mãe a querer meter-se em tudo. E o namorado do mais fútil e palerma que existe. Ao mesmo tempo, tudo cheio de glamour. Há mundos e mundos e mundos a coexistirem. Uma pessoa nem imagina que haja tanta artificialidade, tanta futilidade. E que exista uma indústria de entretenimento que viva disso. O casamento é agora um programa de entretenimento. Acho isto é uma chachada.

Quando me casei, fomos os dois ao registo, sem ter dito a ninguém, e marcámos para o primeiro dia disponível. Num dia, isto é, num único dia, devemos ter feito a lista de convidados. Quanto ao convite, não me lembro. Se calhar fomos a uma tipografia. Não faço ideia mas não foi nada de complicado, isso é certo. Para o copo de água, fomos ver uns quantos lugares e, provavelmente, em dois ou três dias estava escolhido. Para a roupa, andei a experimentar vestidos de noiva e, olhando-me ao espelho, achei que parecia mascarada de noiva. Desisti. Por isso, fui uma vez com a minha mãe e a minha tia (que iria ser minha madrinha) à boutique do Augustus. Num instante ficou escolhida a toilette: uma túnica branca, quase transparente, bordada a branco, umas calças brancas, justinhas. 

E acho que não houve mais nada. Em vez de bouquet, resolvemos que seria uma única rosa que o meu marido traria (oferecia-me uma, todos os meses, no dia do mês em que tínhamos começado a namorar e pensámos que teria graça que encerrássemos o namoro, levando-me ele a rosa que eu teria na mão, ao casar-me). 

Como fotógrafo, foi um colega da faculdade que gostava de fotografar.

O casamento foi apenas 'pelo registo', em casa dos meus pais. Depois fomos para um local bonito para as fotografias, depois foi o copo de água e dali partimos para lua de mel, isto é, férias. Tudo simples, sem stress.

Vendo os preparativos, os nervos, a produção de tudo em todas as vertentes, por que uma Paris Hilton e muitas outras mulheres passam, imagino que o casamento comece logo desgastado. Um mau começo.

É como os pedidos de casamento. 

Quando vejo o que fazem, fico doida. Para quê tudo aquilo? Querem ser criativos. Mas a mim parecem-me pirosos, fúteis, despropositados. Parece-me sempre um mau prenúncio. Quando uma relação começa a sedimentar-se em cima de um disparate parece-me que terá grandes probabilidades de que venha a dar para o torto.

Nem me lembro de como foi comigo, nem do dia nem onde estávamos. Provavelmente, em conversa, veio à baila um 'e se nos casássemos...?'. Não sei qual de nós o disse primeiro nem vejo que isso tenha relevância. 

Enfim.

Vou ver se durmo pois sinto que precisaria de passar um dia inteiro a dormir. Sorry se não consigo dizer mais que isto.

__________________________

Uma boa sexta-feira

Saúde. Boas ondas. Paz.

sexta-feira, julho 28, 2023

Habemus pasta -- The walk of shame
Grande Bordalo II

 




Devo dizer que me incomodam grandemente as grandes concentrações por motivos religiosos. Ainda mais quando os participantes são jovens. Aceitarei razoavelmente se andarem nisto das Jornadas para aquilo que o Cardeal Américo das Multas Aguiar diz: para a borga e para farras. Mas custar-me-á a perceber se alguns vierem numa de beatice, todos muito pios, todos muito formatados, todos numa de virem contactar de perto com o espírito do Senhor, todos disponíveis para participar em sessões que, a mim, me parecem sinistras, coisa quase de seita espírita como uma que vi ontem na televisão em que um padre, creio que americano, dizia que estavam ali em penitência.

A juventude quer-se irreverente, polémica, questionadora, alegre. Haver jovens que acreditam que nasceram pecadores, que a vida é um calvário e que têm que sofrer penitências, parece-me preocupante, doentio.

Em vez da crendice em milagres, fenómenos paranormais ou a irracionalidade de se acharem melhores que os outros, os jovens devem, antes, ser estimulados a estudar, a investigar, a adquirir mais e melhor conhecimento científico, devem ser incentivados a duvidar, a pôr em causa, a ir mais longe.

E já nem falo na hipocrisia dos canalhas que, a coberto do manto da santidade, abusam de seres indefesos ou vivem à larga à custa de nada, ou seja, à custa do dinheiro ou dos bens que os devotos lhes dão.

Gastar 1 milhão de euros como a Câmara de Cascais vai gastar nos trapinhos que a padralhada vai vestir parece-me ofensivo, vergonhoso, inaceitável.

Gastar os milhões de que se ouve falar em palcos, em tretas de toda a espécie e feitio, para que um montão de gente ande na maior ociosidade, a cantar, a sorrir e a achar-se mais santos que os outros , parece-me absurdo, ridículo e contrário ao que supostamente apregoam.

Por isso, gostei de ver a passadeira da vergonha feita de 'notas' no palco principal da JMJ.

Sei que a fé é uma coisa pessoal e, como tal, não questionável. E eu nada tenho contra os crentes. Mas a fé verdadeira é uma coisa íntima. Não é coisa que se ostente ou transaccione. E a forma como a Igreja Católica promove a 'fé' é deformada, negacionista, irracional, doentia. 

segunda-feira, junho 05, 2023

Upsssss.....
"Nem todas as aparições da Virgem Maria são reais", diz o Papa Francisco

 

Claro que não especificou pelo que há quem pense que ele se referia, em concreto, a uma que chora lágrimas de sangue. 

Mas o Papa não especificou. E, de resto, como é sabido, há Virgens para todos os gostos e a fazerem habilidades de toda a espécie e feitio.

Agora uma coisa é certa: a sermos honestos e realistas, a bem da verdade, Francisco -- que parece ser uma pessoa de bem (tanto quanto possível naquela casa complicada) --, a vontade que deve ter é de dizer, alto e bom som, "Nenhuma aparição da Virgem Maria é real".

Mas isto já se sabe, parece que há muitos crentes que têm um grande olho para o negócio e, quando a coisa pega, é difícil desmantelar uma máquina que se transformou no ganha pão de muita gente e numa fonte de receitas para a Santa Madre Igreja que põe a caixa das esmolas na cova de um dente.

_____________________

Eu sei que a fé é uma coisa para a qual não há grandes explicações do domínio do racional. Ou se tem fé ou não se tem. E nada a dizer. 

Mas, há coisas que eu, com as minhas características e limitações, não atinjo. É que se ainda posso conceber que algumas pessoas acreditem que há uma ordem superior, sobrenatural, intangível e inexplicável, que paira acima de tudo, já tenho grandes dificuldades em que acreditem que a mãe de Jesus Cristo, senhora falecida há milénios, apareça em cima de azinheiras ou noutros locais bizarros ou que encarne em estátuas ou estatuetas para se pôr a chorar lágrimas de sangue. 

E o que me ocorre pensar é que quando essas pessoas acreditam em fantasias desse calibre em que mais coisas inenarráveis são capazes de acreditar...?

E uma dúvida muito grande que também tenho é a seguinte: o que leva pessoas que têm a obrigação de ser objectivas, racionais e pragmáticas (porque exercem funções que a tal obrigam) a andarem por aí em peregrinações para irem visitar locais desses onde, a pretexto dessas fantasiosas aparições, se mercadeja tudo e mais alguma coisa?

____________________________________________________

Desejo-vos uma boa semana a começar já nesta segunda-feira

Saúde. Esperança. Paz.

terça-feira, março 28, 2023

Isto que estão a ver não existe

 

Claro que vai chegar a um ponto em que não saberemos o que pensar pois as fronteiras entre o verdadeiro e o falso, entre o correcto e o incorrecto, entre o bom e o mau se esbatem. Perante o que julgamos ser evidências seremos confrontados com o facto de que o que estamos a ver é uma ilusão.

Por exemplo, reparem no que abaixo mostro. As fotografias mostram o Papa Francisco todo fashion, em branco imaculado, com uma parka digna de capa da Vogue.

Segundo leio, as redes sociais estão ao rubro. O Papa, sempre tão apologista do despojamento, cedeu aos caprichos da moda?









E, no entanto,, nada disto alguma vez aconteceu. Foi um programa que usa inteligência artificial e que responde a comandos em que lhe pedem para criar imagens que reflictam situações que gerou estas imagens. [Ver: Cette photo du pape François stylé en doudoune blanche XXL... n'existe pas]

Trata-se do software Midjourney

E imagine-se o que isto significa a todos os níveis. Imagine-se o valor das fotografias como valor de prova a partir de agora. Imagine-se o que isto significa para os fotógrafos que hoje se esmifram para conseguirem fotografias em situações difíceis... (um urso pardo numa montanha ao pôr do sol sentado com a olhar o horizonte, o Cristiano a beijar uma modelo russa num hotel em Las Vegas... o que for) -- basta ir ao programa e escrever isto que acabei de escrever que as imagens aparecerão, perfeitas, realistas)

E, note-se, tudo isto ao alcance de todos. Software livre. À vontade de quem o queira usar. À vontade, não. À vontadinha. Sem regras, sem restrições.

Por todo o mundo proliferam poderosas (e extraordinárias!) ferramentas que usam a inteligência artificial. Note-se que considero um passo de gigante para a humanidade haver ferramentas tão imensamente poderosas ao dispor de todo o mundo. Mas, mil vezes aqui o tenho referido, acho terrivelmente preocupante que tudo isto aconteça sem qualquer regulação ou controlo.

Claro que perante a ubiquidade dos recursos ao dispor, será tarefa hercúlea tentar controlar alguma coisa. Mas mais difícil será quanto mais tarde se tentar fazê-lo. Tenho para mim que, se isso não for feito, não tarda habitaremos a distopia mais completa e a vida, tal como a conhecemos, poderá tornar-se algo de muito difícil.

sexta-feira, fevereiro 03, 2023

Um amendoim verde entalado no cu do padre

 

Remeto-me à dimensão caseira: greve de professores, tamanho dos palcos e da pacóvia mania das grandezas -- tudo na mesma. O tempo passa, o ano lectivo avança e os alunos vão tendo aulas quando têm porque, no resto do tempo, voltam para casa ou andam aos caídos ou no forró durante os furos; e, não tarda, está a chegar o Papa e mais a multidão de pecadores que aí vem danada para se confessar e curtir e a malta ainda por aí anda a cacarejar acerca dos projectos, dos orçamentos, sobre quem é o  coordenador e sobre toda a barafunda que se armou. Até a múmia parece que continua na mesma, a aparecer quando a gente já nem se lembra dela. Deve vir dar mais uma lição daquelas dela, daquelas com que ninguém aprende o que quer que seja e em que toda a gente fica indisposta. Toda a gente menos a sua senhora, dona pespenica excelentíssima, que essa, habituada ao fel que escorre da boca do amado esposo, acha sempre tudo o máximo e, na volta, até parirá inspirado poema. Ámen.

Portanto, não havendo novidades a festejar, depois de atirar papelinhos dourados para cima do fantástico Tom Ball, agora dou a palavra a quem quase morreu duas vezes sem que alguém tivesse dado por isso. Se fosse essa a hora, teria ido mesmo, uma afogado à beira de água entalado entre um caiaque e uma lata de cerveja e outra asfixiado com um amendoim verde entalado no cu do padre*. Entalanços como sina. O tema, tendo o seu quê de religioso, aconselharia a alguma fé mas, ainda assim, acho que é mais de ver e ouvir para crer.

Augusto Madeira quase morreu duas vezes e ninguém viu! 

| Que Historia É Essa, Porchat?

* Melhor escrevendo:  'Cu do Padre' -- e agora não sei se o cu do padre fica melhor com ou sem aspas...

-----...........................-----

E queiram, por favor, descer mais um pouco, ok?

sábado, janeiro 28, 2023

Uma inesperada capa em rosa chique, uns saudosos pastéis de massa tenra, palcos para todos os gostos e, para se ver o que é bom, a casa de um mafioso viciado em sexo (salvo seja, claro)

 


O dia não foi fácil, cheio de imprevistos e stresses. Mas, a bem da verdade, o que tenho a dizer é que se lixem as dificuldades quando o desfecho é feliz. 

A saber: apesar de já noitar, andando ali para as bandas da Avenida da Igreja da boa memória, ei-la feliz da vida a flausinar pelas montras, a velha graça de espreitar as oportunidades e os bons preços e, esquecida do seu firme propósito de que mais roupa jamais (leia-se: jamé), a entrar numa loja, a adrenalina já a embalar-lhe as intenções, e, depois, toda cheia de boas emoções... a ir provar uma bela capa em rosa glamour...  Ao ver-se ao espelho, a pecadora, nem quis cá saber de misérias: gostou de se ver e isso bastou. Pecou que deu gosto.

Ah, que ninguém duvide: mulher que tem um gostinho por coquetterie jamais (jamé) se recupera. 

Depois, não lhe bastando ser vaidosa, recaiu numa outra perdição: pastéis de massa tenra, eterna saudade, eterna rendição. E se bem o pensou melhor o decidiu. E aí vai ela, pernas para que te quero, a caminho da Frutalmeidas. 

Ali chegada, ah cheirinho bom, aguinha na boca mais promissora, jantarinho mais belo em perspectiva.

[Reparem: dissociei-me de mim e estou a falar na terceira pessoa. E isto porque amanhã, quando me passar a alegria do retrocesso, voltarei a mim e baterei no peito a jurar que vaidosices e gulodices jamé.]

Chegada a casa, já nada cedo, resolvi que bom bom era um arrozinho de legumes (coisa simples: cebola, feijão verde, talo de brócolos, cenoura, tomate e salsa). Foi servido, fumegante, com os gostosinhos pastéis de massa tenra aquecidos e salada de alface. Ah, souberam-me pela vida. 

E, se querem que vos diga, tudo o que me maçou durante o dia já se evaporou porque já estamos no fim de semana e porque para a semana logo se pensa em coisas maçadoras.

No meio disto só tenho pena de estar tanto frio. Senão, amanhã vestiria calças brancas, blusinha de malha rosa com a capa nova por cima. Nem sei é se não terei mesmo que cortar um bocado o cabelo e pô-lo, à frente, com uma madeixa cor de rosa para toda eu ficar pink fashion. Assim, com tanto frio, tenho que pôr o glamour em stand buy.

Sobre o tema dos malfadados palcos papais que tilintam moedas (pun intended) e demais desvarios o que tenho a dizer é que se é para estar a funcionar no início de Agosto e requer construção de espaços e envolventes, nomeadamente acessibilidades e demais infraestruturas de apoio, diria eu que já devia estar a caminho de estar tudo pronto para passar à fase da instalação de equipamentos, testes de bom funcionamento, inspecções técnicas, procedimentos de segurança e etc. 

Portanto, tal como ontem referi, não consigo perceber nada do que se está a passar. Não apenas não percebo quem é o dono da obra, figura crucial neste tipo de projectos, como também não consigo perceber como é que nesta fase ainda se estão a discutir conceitos, projectos, orçamentos, etc. Claro que, na brincadeira, dá vontade de dizer que, com tanta omni-intervenção e tanta omni-boca, o dono da obra, a partir daqui, só pode ser o omni-Marcelo. Mas, num projecto globalmente orçado em 80 milhões e com a repercussão internacional e a responsabilidade que representa, não se deveria brincar com coisas sérias.

Para não ser uma monumental barracada e não se transformar na gargalhada geral, é bom que atinem e se organizem. Senão, daqui por um bocado está aí o Papa e mais os magotes e magotes de devotos e ainda o Moedas por aí anda feito betinho sonso apanhado em falso e a fingir que é valentão, o Marcelo a atirar tiros à esquerda e à direita, o Auxiliar Américo a fazer de conta que a bem dizer não é nada muito com ele e os comentadores já sem saberem o que mais dizer. E ainda o Papa tem que ficar em cima de um atrelado e a malta estendida pelo chão, numa de Zambujeira peace ando love. Ámen.

Tirando isso, não tenho mais a dizer a não ser que amanhã tenho que me levantar cedo e, para encarar isso na desportiva, tenho que ter uma certa dose de optimismo. 

E, para não sair daqui directinha para a cama (que o sono já está a fazer-me trocar os dedos) sem dar um arzinho da minha graça, partilho um vídeo com uma casa extraordinária. Não é coisa que eu esperasse dele, não. Visualizo-o nos Sopranos e agora no White Lotus, todo ele quase low profile mas com muito carisma e sensualidade mal contida. E agora uma casa assim... incrível, fantástica, coisa do além.

Na casa cheia de história de Michael Imperioli em New York 
| Open Door | Architectural Digest

____________________________

'Olhai o mundo' é da autoria de Alfredo Luz. Vanessa Wagner interpreta Before 6 de Ezio Bosso

________________________________

Um bom sábado

Saúde. Gostinhos bons. Paz.

sexta-feira, janeiro 27, 2023

Dois palcos marcelistas, um patriarcado à beira de um ataque de nervos, um atrevido Moedas a nadar em cifrões e vestidos de pernas para o ar

 



Um asteroide vai passar mais perto que nunca antes da Terra. Não se pode dizer que seja uma rasante tout court mas, à escala a que estas coisas se passam, é bem perto, mais perto do que alguns satélites. Chama-se 2023 BU (que também poderia ser o nome de um dos filhos do Elon Musk) e, segundo a Nasa, no big deal. Não vai ser por aí. Não só não consta que venha cair-nos em cima da cabeça como o provável é que se desfaça em fanicos na atmosfera e que uns calhauzecos se despenquem por aí. Sorte.

Não ligamos a isto e talvez seja a atitude mais inteligente. Estarmos a ralar-nos para quê? Se um dia um deles, um asteroide em versão gigante, qualquer coisa como um Big BU (quiçá com bacon, pickles e cheddar derretido), resolver vir embirrar connosco, o mais certo é que, sem darmos por isso, nos tornemos os novos dinossauros do futuro, uma espécie meio burra que antes habitava o planeta e da qual pouco ficará. E, se assim for, azarinho.

Também com a cena de a Terra ter o seu íntimo a girar em sentido contrário, a malta está manifestamente a caguar-se (de novo: caguar, com u, que eu, se não sou beta, sou, na mesma, menina fina).

Tem razão, Ccastanho, o que interessa à malta é se o Cravinho não teria feito melhor em caguar de alto para os doentes Covid em vez de deixar que arranjassem o hospital. Inteligentes. 

E agora é o altar. Claro que me estou também a caguar para o altar em si pois, como é óbvio, é tema que não me aquece nem arrefece. Que o Papa Francisco (que me desiludiu com aquela de  homossexualidade ser pecado) venha a Portugal e que, em torno disso, se junte um milhão de pessoas, é coisa que nada me diz. Não sou fã. Nem de igrejices nem de ajuntamentos em geral.

E que arranjem aquela zona da cidade, se for coisa bem pensada e inteligente como foi o caso de toda a zona da Expo, parece-me até bem.

Mas já não me parece nada bem que num altar se gastem cinco milhões. Dizem que vai ficar forever, que vão rentabilizá-lo. Mas como? Vão usá-lo para quê? Para a IURD? Para comícios do Chega? Ou para festivais de rap? Para gravarem o Domingão? Não sei. Nem imagino. 

E parece que no Parque Eduardo VII vai também haver um palco, que se desmontará depois dos festejos, e que vai também para milhão e meio de aereos. Não percebo. A cidade nada em dinheiro? A avioneta não apenas despejou haxixe em cima do Alentejo mas também notas sobre Lisboa? 

E é que, se os milhões viessem dos cofres da Santa Madre, eu não tugia nem mugia. Mas, por espantoso que possa parecer, não é a Igreja que entra com o carcanhol mas sim, uma vez mais, o zé pagode, quer através das autarquias quer do Governo. Pode uma coisa destas? Eu acho que não.

E agora ouvi que o sistema de som e de vídeo vai também para uma mão cheia de milhões. Tudo à grande.

Não sei se foram os requisitos que foram estratosféricos (pode ser, a malta mais pequena, perante a perspectiva de deixar obra, às vezes perde a cabeça, fica desvairada), se são os fornecedores que viram que o Moedas & Companhia (o Moedas era o dono da obra? Pergunto) estão numa lógica de sempre a abrir e, sem rebuços, puseram a pata no acelerador e lá vai disto, ou se há meninos lá pela Câmara, daqueles chico-espertos que mal ouvem as moedas a tilintar começam logo a mostrar os bolsos a ver se lhes toca algum. Adjudicações directas e o escambau. Podia ser pior, diz o fofo do Moedas. Então não. Pode sempre ser pior, pode-se até cair e partir uma perna. 

Não sei. O que sei é que receber o Papa Francisco no meio desta gastação destemperada parece coisa de gente perturbada.

Claro que o imparável Presidente Marcelo não podia perder a oportunidade de cavalgar a onda. Onda que é onda tem o Prof Marcelo a surfá-la. Imagine-se se é uma onda benta, como é o caso desta que, não apenas é benta, como, cereja em cima do bolo, é papal. Marcel Surfistinho upa lá-lá na onda papal. Tá certo, não tem como enganar.

Neste momento, se o Moedas era o dono da obra já não o é. Num salto cataventista Marcelo tornou-se ele mesmo o dono e gestor da obra (até quer estar ao corrente das reuniões de obra, quiçá até conferir os autos de medição), mas mais que isso: tornou-se o negociador com os fornecedores, quer descontos, o urbanista, o arquitecto de obra, o engenheiro civil, o decorador, creio que, até, o promotor turístico. É obra. 

Neste ínterim, arranjou uma bronca com o Patriarcado que o desmentiu, dizendo que ele não se fizesse de anjinho porque já sabia muito bem que se ia gastar os olhos da cara. Ele ofendido. Que é lá isso? Não sabia nada. A gente a rir com a revista à portuguesa. Mas eis que, logo a seguir, veio um Bispo, creio que auxiliar e américo, armado em santinho magoado, a branquear a baderna que estava ali a armar-se e limpar a barra do Marcelo, que, aos microfones (sempre na ribalta, o bom do Marcelo), não escondeu o alívio. É muito jogo.

Os asteroides a rasar os ares e a malta entretida a brincar aos organizadores de arraiais e cavalhadas com preces, orações e muitos milhões à mistura. Só falta mesmo um traveca musculado, mascarado de padre com cueca de fio dental, saltar para o estúdio, invadir as televisões, pegar no microfone e expulsar os apresentadores dizendo que só ele tem competência para falar de tão sagrado tema. Ámen.

Portanto, não sabendo eu já onde está o alfa e o ómega disto tudo, muito menos sabendo traçar a bissectriz entre vectores tão sagrados e tão profanos, todos divergentes entre si, alieno-me e deslizo até outras paragens. Bora comigo?

E é assim que, com vossa licença, vou mas é partilhar uma passagem de modelos que se situa num outro patamar. Os vestidos estão ao lado ou à frente ou, até, de pernas para o ar. De vez em quando, oh surpresa, vão no sítio. E eu, olhando-os e achando-os lindos, fico até a pensar se não estará na hora de me casar vestida de noiva, quiçá até aproveitando o cenário das Jornadas do Marcelo. 

Casada e com a bênção do Papa...? -- perguntarão vocês, disfarçando a ironiazinha. 

Qual Papa? - perguntar-vos-ei eu.

Mas, antes que me esclareçam, logo vos responderei: Ná. Pelo próprio Santo. Pelo São Marcelo.

Viktor & Rolf turn Paris Fashion Week upside-down

Um dia bom

Saúde. Cabeça no lugar. Paz.

quinta-feira, março 17, 2022

Alô, alô, Papa Francisco!
Não seria uma boa ideia que, durante uns dias, V. circulasse entre Mariupol, Odessa, Kyiv e todos os outros locais que estão a ser martirizados às mãos de Putin?

Здравствуй, здравствуй, Папа Франциск!
Не было бы хорошей идеей для вас поездить на несколько дней между Мариуполем, Одессой, Киевом и всеми другими местами, которые терпят мученическую смерть от рук Путина?

 



A Nato não pode entrar em território não-Nato para o defender. Percebo. Com um maluco do outro lado, é melhor não correr o risco desta chacina se estender a todo o mundo.

Os capacetes azuis existem para defender a paz, não para entrarem em palcos de guerra -- bem mo recordam aqui em casa quando me insurjo por não avançarem tropas independentes para tentar salvar aquele país.

Além do mais, há decisões internacionais que, por meritórias que sejam, basta um membro integrante procrastiná-la ou vetá-la para a coisa não ir adiante. Parece-me, pois, ajuizado expulsar agora a Rússia de todos os Conselhos em que possa exercer direito de veto (apesar de todos os danos colaterais que isso tenha). Sabe-se que isso é provisório, durará apenas até que o criminoso seja apeado e que a Rússia volte a ser governada por gente de bem mas nada disto é imediato e, enquanto produz e não produz efeito, o cão raivoso vai continuando a destruir hospitais, escolas, igrejas, teatros, vai continuando a dizimar a população e o património ucranianos.

Por isso, até que o bandido seja neutralizado, há que tentar, por todos os meios, evitar a devastação e o extermínio.

Da mesma forma que os corajosos primeiros-ministro da República Checa, da Polónia e da Eslovénia foram até Kyiv (certamente fazendo o criminoso em série parar os bombardeamentos nos locais por onde passaram), penso que seria relevante e certamente ainda mais impactante que Francisco circulasse entre os locais mais afectados e mais sacrificados.

A minha voz, bem o sei, é débil, não chega onde eu gostava que chegasse. Mas não me interessa. Faço o que posso: é como se gritasse a plenos pulmões a ver se alguém me ouve. Nos últimos 7 dias, aqui no Um Jeito Manso, houve centenas de visualizações a partir da Rússia. E vários milhares dos Estados Unidos e de França. E centenas da Alemanha, do Canadá. 

Por isso, na esperança de que alguns dos meus Leitores consigam passar a palavra para que ela chegue ao Papa Francisco, aqui fica o meu apelo: 

Para que, pelo menos durante uns dias, com a sua presença, 

  • parem os ataques e se consiga alimentar, abastecer, tratar e/ou retirar as populações em risco bem como enterrar os seus mortos, 
  • para que se desgaste a moral e desmobilize ainda mais a força de guerra russa 
  • e, não menos importante, para ver se a população russa acorda para os hediondos crimes de guerra que Putin, o cobarde e mitómano ditador que os governa, está a levar a cabo, 

apelo a que Francisco vá à Ucrânia, ande pelos locais mais críticos, tente salvar este sacrificado País, tente salvar os que ainda tentam resistir, honre todos os que deram a sua vida pelo direito a serem um País livre.


 ____________________________________________


-- Lá em cima, a fotografia  mostra "A firefighter works at a site of a fire in Kharkiv, as Russia's invasion of Ukraine continues -- Photograph: Reuters e provém do Guardian

--  O vídeo lá em cima mostra: Iryna Manyukina, an Ukrainian Pianist Plays A Final Rendition Of Chopin In The Ruins Of Her House

A Ukrainian pianist has been filmed playing a final rendition of Chopin in the ruins of her house after it was badly damaged by Russian shelling. In a video recorded by her daughter, Iryna Manyukina is seen playing the piano in their home in Bila Tserkva, some 80 kilometers from Kyiv.

______________________________

E também para memória futura:

Dancers Fled Russia - March 2022 - Olga Smirnova, Xander Parish, Tissi, Soares, Caixeta, etc.

Many famous ballet dancers left Russia in March 2022, including Olga Smirnova, Xander Parish, Jacopo Tissi, David Motta Soares, Victor Caixeta & Bruna Gaglianone

Andrew Forest on Investing in Russia: "Get Out Now. It is Blood Money." | Amanpour and Company

Putin’s war has already produced multiple unintended consequences. It has reframed the conversation on climate change, showing it to be a matter of equal urgency for global security as for the health of the environment. Australian mining titan Andrew Forrest says the time to stop buying Russian oil and gas is now. He’s also pulled back from his renewable energy interests in the country, saying any profits to be made there would be blood money. 


__________________________________

Paz

terça-feira, agosto 28, 2018

O Papa, a homossexualidade e a psiquiatria


Estou eu aqui sossegada, a banhos, e a ser maçada com um surururu que atravessa dunas e marés para chegar até mim. Desde jornalistas a bloggers meio mundo desatinou com um desabafo do ex-Jorge Bergoglio: disse ele que, quando um filho manifesta inclinações homossexuais, os pais deveriam tentar fazer qualquer coisa por ele, nomeadamente levá-lo ao psiquiatra.

E tão politicamente incorrecta a coisa soou que logo a Santa Cúria limpou a palavra psiquiatria do conselho, reescrevendo a história da frase. Mas nem mesmo assim os incomodados se aquietaram, continuando a blasfemar. Ora, em meu entender, deveriam  antes atentar no sentido profundo da recomendação.

É que eu, que não me tenho por beata ou conservadora, não consigo divisar o mal da ideia de Francisco, o Papa. 
[Até porque quando a malta pensa em psiquiatria já vai com o pensamento enviesado, logo pensando em médico para malucos, tarados, gente depressiva ou esquizo. Mas, calma, há psis para a juventude.]
Eu leio assim a ideia do Papa Francisco: 
  • A julgar pelo que se sabe, alguns jovens que sentem inclinações homossexuais acham que a única maneira de consumarem os actos que têm em mente é irem para padres.
  • Portanto, parece-me bem que o Papa sugira que se explique aos jovens que podem ser homossexuais à vontade sem terem que ir para padres. 
Mais:
  • Claro que, para os que gostam de usar saia não querendo assumir o fetiche, a batina pode parecer um bom sucedâneo. 
  • Mas ainda assim, se é só por isso, o psiquiatra pode falar de outras opções. 
Mais ainda:
  • Alguns deles, com gostos mais perversos, sabendo que, em certas situações, a perversidade dá prisa, acham que onde podem usar e abusar da impunidade é nos seminários e noutros meandros paroquiais. 
  • Mas também aqui me parece que há espaço para a psiquiatria, nomeadamente para lhes explicar que ir para padre para abusar de crianças não é a melhor ideia. Claro que podem passar impunes durante anos ou mesmo para sempre mas ainda assim pode haver tratamento, seja na base da persuasão seja na base do tratamento químico ou mesmo físico (embora não se recomende que um psiquiatra dê um par de estalos num putativo pedófilo).
Acho que já é tempo dos homossexuais que gostam de fazê-la pela caladinha e os pedófilos que gostam do cheirinho a batina e a incenso deixarem de se acobertar na igreja. E se a solução é mandá-los ainda jovens para o psiquiatra pois muito bem. Estou com Bergoglio.

quinta-feira, julho 06, 2017

Coccopalmerio e Capozzi, o Cardeal e o Monsenhor, já não podem ser danadinhos para a brincadeira à vontade: coitados deles que viram a festa estragada pela polícia do Vaticano.
Estavam tão entretidos numa orgia gay atiçada com drogas e foram interrompidos... Não está bem.





Não tenho nada contra a orientação. Seja que tipo de orientação for. Geográfica, sexual ou nem por isso, mais na base da desorientação. Nem contra nem a favor. Já disse isso mil vezes e, no entanto, ainda recebo, de quando em vez, comentários (que não publico) a insultarem-me, dizendo que sou estúpida e preconceituosa. Se calhar devia ser contra a heterossexualidade. Ou contra a homossexualidade. Não percebo que leitura das minhas palavras fazem os revoltados da vida que assim tentam agredir-me. Mas, sabido é, coisas assim passam-me ao lado. Portanto, dizia eu, nada a dizer sobre a orientação sexual.

Mas já me incomoda que, na agremiação a que um bando de gays pertence, todos batam no peito e, alto e bom som, com a boca a transbordar de moralismos, proclamem contra a homossexualidade. E refiro-me agora, em concreto, à Igreja Católica. Todos muito ortodoxos, todos muito straight.  Contra o casamento, contra o pecado da carne. Abstinência e castidade é que é bom, dizem que assim é que ficam mais juntinhos a Deus. E é o que se vê: enquanto expulsam os que, a medo, se assumem, no escurinho dos apartamentos pagos pela mesma Igreja, anda meio mundo a dar o corpinho ao manifesto, em orgias gays, em cenas alavancadas a toque de drogas. Isto já para não falar em pedofilias e cenas ainda mais maradas.

Desta vez, a polícia do Vaticano chegou perto do inner circle do pobre Jorge Bergoglio, nomeadamente ao Cardeal Coccopalmerio, um dos principais conselheiros do Papa -- Papa este que, para onde se vire, parece que só dá com isto.


Parece que a coisa aconteceu o mês passado no apartamento do Monsenhor Luigi Capozzi onde, ao que consta, costuma ser um entra e sai e que, segundo dizem, costumava servir-se do seu papel de Secretário para transportar droga no seu carro. Dizem.


Eu que de igreja não percebo nada, de orgias e drogas e cenas dessas ainda menos, uma dúvida tenho: como é que é possível haver tanto padre gay? São gays e vão para padres para ver se se curam? Ou vão porque já sabem que por ali o forrobodó está garantido? Ou vão assexuados e, lá chegados, quando dão por eles, a coisa pegou-se?

E há uma outra dúvida que assola ao meu débil espírito: eu que não percebo nada de muita coisa e ainda menos disto, interrogo-me também quanto a outro aspecto. Eu olho e vejo logo do que é que a casa gasta. E se a voz é do tipo da vozinha do Cocco, então é trigo limpo farinha amparo. Todo ele boquinhas e com os erres todos perfumados, uma coisa mesmo abichanada. E ninguém deu por nada...? Foi preciso apanhá-lo em plena suruba com mais um bando de rapaziada, tudo high e bem disposto, dançando um sambinha? (Quiçá um tango caliente entre o Cocco e o Capozzi...?) Não precisavam. Falavam comigo que eu lhes diria logo que aquilo é do género faz o que eu digo, não faças o que eu faço.



Entrevista com o Cardeal Francesco Coccopalmerio para o ouvirmos na 1ª pessoa


 

_______________

Bem. Este post está a ir muito bem comportado, muito temente aos preceitos da Sta Madre. Se me permitem, deixem que tente mas é animar aqui este meu  bisonho pedaço. 

Se nada têm a opôr, tomarei, então, a liberdade de ir chamar uma rapaziada que certamente também deve ser dada a cardeais e monsenhores. Vou dizer para virem aqui festejar connosco. Não sei bem o que devamos festejar mas isso não interessa para nada. Festa é festa, tenham os cavalheiros batina, aventalinho, parrinha ou nothing at all

Boylesque Festival de Nova Iorque


O célebre comboiozinho - e não só


_______________

Um dia muito bom a todos quantos por aqui passam:
saúde, sorte, dinheiro, amor e alegria
(pela ordem que quiserem)

______________

quinta-feira, maio 25, 2017

As viúvas beatas foram ao beija-mão mas, cá para mim, o Papa só não lhes deu um chega-para-lá porque é bem educado.
[O Pato Donald Trump, a desinfeliz Melania armada em jararaca, a menina Ivanka feita Neuzinha piedosa e mais uns quantos saídos de um filme cómico iam tirando o Papa Francisco do sério]



O semblante de Jorge Bergoglio ao receber aquela tropa fandanga não engana. Homem-humano como é, deveria era estar com vontade de dar uma valente rabecada naquele que é uma das grandes ameaças para os Estados Unidos (e para o mundo), o estupor que brinca às guerras, que despede a eito quem não lhe faz todas as vontades, o atrasado mental que teme refugiados e tem raiva a imigrantes em geral, que troça de quem se preocupa com o ambiente, que quer lá ele saber dos mais pobres que não conseguem pagar os cuidados de saúde, que vai ao Museu do Holocausto em Israel e escreve que é amazing estar lá com os amigos.


A inconcebível mensagem de Trump no Museu do Holocausto.

'So amazing' - imagine-se o despropósito


(A letra e a assinatura dizem bem o que Donald Trump é)


Na fotografia lá de cima e nesta aqui abaixo (esta já com um dos muitos comentários jocosos que já percorrem a net), Trump faz aquele sorriso próprio dos narcisistas que não percebem o contexto e apenas se preocupam em ficar bem na fotografia. A Melania e a Ivanka parecem fantasiadas de viúvas beatas e todo o quadro é hilariante. No meio deles, Francisco, aparece trombudo, notoriamente enfadado com tamanha cara-de-pauzice por parte de gente tão estúpida e frívola.


Não podendo dar-lhe um sopapo a sério, Francisco usou luva branca para uma bofetada psicológica: ofereceu a Trump uma medalha com a forma de oliveira como o símbolo da Paz (e o Pato Donald respondeu 'We can use peace') e ofereceu-lhe a sua encíclica alertando para a poluição, a favor do ambiente e da ciência (e a loura-burra, de seu nome Trump, respondeu: 'Well, I’ll be reading them').



Uma palhaçada. Ao que o mundo chegou para um animal daqueles ainda ser presidente dos Estados Unidos. Custa a acreditar. Mas, caraças, é mesmo verdade.


E claro está a paródia a tão desconcertante quadro não se tem feito esperar.


____________

Vontade de se disfarçar de Padre Mariano e desatar a chispar com a Perpétua e com as outras falsas beatas não deve ter faltado a Jorge Bergoglio.

______

Um dia feliz a todos.

___

sábado, maio 13, 2017

As palavras e o silêncio de Jorge Bergoglio.
A mensagem do Papa Francisco





Ontem à noite, enquanto escrevia, via na televisão a missa nocturna em Fátima. Não prestei atenção à coreografia litúrgica nem ao que os diferentes intervenientes foram dizendo. Mas acho impressionante como tantas pessoas se juntam em vigília, silenciosas ou entoando cânticos, como se estivessem em adoração. Independentemente da interpretação racional que façamos do que ali se passa, tal convergência e partilha simultânea do mesmo espaço, em paz e felicidade, merece respeito e aceitação.

De manhã, tinha ouvido na rádio alguém que, em peregrinação, dizia que estava dorido dos pés mas que ia ali para mostrar à senhora que ele, com aquele sacrifício, já estava a fazer a parte dele, e que faltava agora a Nossa Senhora fazer a parte dela. Uma traficância de favores confessada com ingenuidade, como se ser crente fosse essencialmente isso. Não é que eu, quando quero, no meu íntimo, que alguma situação se resolva por bem, não me dirija a não sei quem pedindo a graça de uma cura, um nascimento feliz -- qualquer coisa. Mas peço sem traficar sacrifícios, bolhas nos pés, rezas de cinquenta avé-marias, trinta velas -- até porque tudo isso me parece insignificante e absurda paga. Peço porque é a forma que tenho de formular uma coisa que muito quero. E, se acontecer, fico muito agradecida. E agradeço sem saber a quem estou a agradecer, admitindo que possa ser ao supremo acaso que parece gerir, em silêncio, o suave equilíbrio de todas as existências.


E, ontem na rádio, vários outros peregrinos foram referindo o gáudio com que iam em sofrimento, uns para agradecer que a Senhora tivesse atendido um pedido, outros para apresentarem à Senhora uma qualquer súplica . Uma dizia que a Senhora pedia o sacrifício e que era o que ela estava a fazer, para obedecer à Senhora. E todos parecem ter interiorizado que a Senhora quer que as pessoas macerem o corpo para que Ela lhes conceda a graça de uma recompensa.

E eu não consigo criticar quem assim pensa porque esta distorção que, para mim, é desprovida de sentido tem sido a mensagem da Igreja.

Quando cheguei a casa, liguei a televisão e uma senhora que irradiava felicidade e com ar beatificado -- creio que foi a que tratou do processo da canonização dos dois pastorinhos -- dizia com segurança que a Senhora queria isto e aquilo e que as pessoas estavam ali a dizer à Senhora que aquilo e aqueloutro. Sem vacilar, ela era porta-voz da Senhora e dos interlocutores da Senhora. E eu, quando ouço alguém falar assim, sinto-me logo um bocado desconfortável.

A convicção com que os muitos crentes se sentem ungidos e aptos a divulgar a palavra do Senhor e da Senhora, modelando-as consoante lhes parece melhor e como se isso fosse a Verdade. Ao longo de anos, tenho ouvido e visto em católicos praticantes palavras e actos que me parecem barbaridades, estupidez em estado puro. Mas eu era a ímpia e eles os abençoados pela graça da fé. Alguns tentaram converter-me e, até, já dei por mim, sem o saber, a viver numa casa da Opus Dei. De lá saí, ao fim de alguns meses, em confronto com as práticas da responsável pela casa que, a meu ver, desconhecia a compaixão e a tolerância. E saí sem saber de onde estava a sair, saí porque aquele ambiente era atrofiante, intolerante, pouco saudável.


Em contrapartida, ontem, na televisão, assisti a um momento impressionante: Jorge Bergoglio, durante longos minutos, em silêncio. Um homem recolhido, entregue à serenidade do pensamento. E toda a multidão em silêncio. E eu que tanto prezo e tanto preciso de silêncio deixei-me ficar ali, presa àquela inesperada e longa imagem do silêncio, um silêncio vivido em comunhão.

E agora, ao dar uma volta pelos jornais, leio que o Papa terá dito que "Maria não é a 'Santinha' a quem se recorre para obter favores" e que recusa uma fé justiceira. Terá dito: "Grande injustiça fazemos a Deus e à Sua graça, quando se afirma em primeiro lugar que os pecados são punidos pelo Seu julgamento, sem antepor - como mostra o Evangelho - que são perdoados pela Sua misericórdia. Devemos antepor a misericórdia ao julgamento (...)"

Leio e fico feliz. É exactamente isso em que acredito. Tanto que eu abomino a noção de pecado que enforma a cultura cristã tal como nos foi transmitida. Sempre achei que, em vez disso, se deveria era cultivar o perdão, a compreensão. Toda uma matriz cultural assente no julgamento moral, no castigo, na penitência, no sacrifício não pelo bem dos outros mas para agradar ao Senhor ou à Senhora ou aos Santos. Tudo aquilo de que me afastei. E chega Francisco a Fátima e traz essa mensagem. Fico mesmo contente. Tomara que aquele meio milhão de pessoas perceba bem o alcance das palavras de Francisco. 

Para mim, o que verdadeiramente importa não tem a ver com 'Deus' ou com 'Maria' mas com uma forma de ser e de estar, pelo bem dos outros, pela inclusão, pela paz.


"Percorreremos, assim, todas as rotas, seremos peregrinos de todos os caminhos, derrubaremos todos os muros e venceremos todas as fronteiras, saindo em direção a todas as periferias, aí revelando a justiça e a paz de Deus", afirmou.

E eu sinto que a minha alma sorri. Finalmente um Papa que diz coisas com as quais me identifico.

Até posso aceitar esse tal Deus. Não a divindade que faz milagres e justiceiramente olha para tudo, sempre pronto a enviar punição, o Deus das barbas que habita(va) nas mentes dos católicos e que tem servido para moralismos e ajustes de contas mas, em vez disso, como um conceito abstracto que englobe uma harmonia suprema, um silêncio maravilhoso e pacífico, a esperança numa convergência absoluta de boas vontades, o respeito pela natureza, pelos seres que a habitam, pelos elementos da vida, o amor tolerante e abnegado pelos outros em especial pelos mais frágeis e carentes, pelos perseguidos, pelos injustiçados. Nisto eu acredito. E talvez a isto também se possa chamar Deus.


_______________________

Tal como post abaixo sobre A incompreensível e efémera beleza das borboletas, também aqui as imagens são fotografias da natureza vista de muito perto pelas lentes de Magda Wasiczek (a primeira, a terceira e a última) e de Miki Asai (as restantes).

A música é de Arvo Pärt: Summa (Vasari Singers, conduzido por Jeremy Backhouse)

_________________

Um dia feliz a todos quantos por aqui passam.

______________________