Escolho uma música que, com uma certa pena, penso que pode parecer até banal. Faz parte daquilo a que se chama, também com banalidade, o imaginário de muita gente. Uns acordes que rasgam a alma de quem um dia se sentiu perdido, de quem, para sempre, se desencontrou do seu destino. E quem ouve, mesmo que não tenha vivido histórias de perdição, sente a dor e a solidão de quem se detém tentando encontrar o caminho de volta a uma casa onde um dia sonhou ser feliz.
Esta terça-feira, na Avenida de Paris, passou à frente do carro, na passadeira, uma mulher alta, magra, com um vestido preto, até aos pés, sem mangas, e o vestido ficava-lhe solto apesar de estreito, e ela parecia vinda de um outro tempo. Tinha o cabelo ruivo apanhado mas de forma solta e uns brincos muito grandes, em vermelho. E caminhava como se não tivesse pressa, como se não tivesse para onde ir. Todos os outros andavam rapidamente, excepto aquela esfíngica mulher. Fiquei a vê-la. Não sei se parecia perdida ou se ia apenas a pensar ou a sentir o prazer de existir. Pela forma leve como andava, poderia pensar-se que seria bailarina. Ou alguém com asas na alma. Ou alguém que caminhasse nua.
No espaço em que consegui vê-la, parecia ausente.
Depois segui e certamente não mais a verei. Assim é a nossa vida. Cruzamo-nos com pessoas que não nos vêem ou que nós não vimos, seguimos por outros caminhos, perdemo-nos sem nunca nos termos encontrado. Estranhos, invisíveis, para sempre desconhecidos. Insignificantes pontos de luz que se cruzam por acaso e que seguem o seu caminho como se nunca tivessem coincidido no mesmo espaço, no mesmo tempo.
Durante toda a santa semana, em vários locais de Lisboa, deparei-me com grupos de estudantes. Uns importantes, certamente sentindo-se superiores na sua capa e batina, alguns de kilt, conduzindo bandos de caloiros. Estes, uns de tshirt com números, outros todos sujos evidenciando que andaram a rebolar-se na terra, outros de penico na cabeça a fazerem exercícios ridículos.
Quando andei na faculdade não havia praxes. Mesmo que as houvesse, eu não me sujeitaria a elas. Quer como veterana, quer como caloira, números destes incomodam-me. Nem gosto de me armar em superior, ordenando sevícias ou bacoquices -- nem me sujeito a ser mandada como se fosse membro de um rebanho ou envergonhada por quem se inicia no gozo do exercício do poder.
A coisa mais parecida com isso a que me sujeitei, e foi porque achei graça, foi a um julgamento. Quando morei numa residência universitária, havia esta coisa. Numa noite, juntavam-se as veteranas, a direcção da residência e alguns convidados e, uma a uma, cada nova habitante era sujeita a um interrogatório, tendo que responder ou, em alternativa, recebia a pena e tinha que a cumprir, mas a pena era uma coisa divertida. Quando calhou a minha vez, todas em volta e o júri na mesa, o que me calhou foi explicar como se arranja um namorado em menos de 24 horas. Na altura eu tinha um namorado que agradava muito às minhas colegas de residência e a quem eu tratava com algum desprendimento e, ao mesmo tempo, tinha uns quantos pretendentes que, just for the fun of it, eu não me importava que gravitassem à minha volta. E, quando elas me chamavam açambarcadora, eu dizia que não, que eles é que não me largavam mas que, se assim não fosse, eu também não teria dificuldade em arranjar alguém que quisesse namorar comigo. Ora uma coisa é uma pessoa brincar entre amigas e outra é ver-se rodeada por dezena de pessoas, num ambiente de julgamento, e pôr-se a dar uma aula de sedução. Mas dei. No fim aplaudiram. E espero que tenham aprendido alguma coisa.
Foi engraçado. Não foi humilhante.
Agora ver adolescentes de bacio na cabeça, a fazerem palermices, a serem conduzidos pela rua como carneiros... é coisa que me incomoda. Fico a pensar nos adultos que serão.
Ou isto das praxes não quer dizer nada? Vale tudo porque, de facto, não vale nada? Ou já nada quer dizer alguma coisa? Nada vale alguma coisa?
A fotografia lá em cima, da autoria de Matthias Schrader e que vi no The Guardian, mostra pastores da Baviera conduzindo os seus rebanhos.
A música é de Ry Cooder, banda sonora de Paris, Texas, filme que vi long ago e que estou, neste momento, a rever, imitando um Leitor a quem agradeço a dica.
Não gosto de me vitimizar. Muito sinceramente penso que isto é coisa da minha natureza: acho que a pele de vítima não me assenta bem.
Contudo, a verdade é que, em geral, sempre achei que nem teria razões para isso; e, nas poucas vezes em que achei que seria razoável que me fosse abaixo, pareceu-me que seria absurdo puxar a mim o mau da situação ou os males do mundo e, por isso, segui em frente, se calhar, como se não fosse nada comigo. Aliás, arreliam-me imenso as pessoas que perante uma desgraça, desvalorizam o acontecimento, emoldurando antes a sua própria experiência pessoal. Por exemplo, se há uma trovoada desgraçada, queda de raios, árvores esfaceladas, casas inundadas, que sentido tem uma pessoa reduzir isso ao que se passou consigo própria: 'eu estava em casa e, quando ouvi aquele trovão maior, até dei um grito e encolhi-me e fiquei a tremer'? Todos nós as conhecemos (na família, na vizinhança, no trabalho ou, mesmo na blogosfera), as pessoas que querem sempre ser as mais infelizes, as mais desgraçadas, as maiores vítimas.
Fatigam-me um bocado, pessoas assim. Acho-as um bocado egocêntricas.
Eu sou o oposto. Não o digo com vaidade porque não apenas não é coisa voluntária, como nem sei se isso é grande coisa. Mas é o que é. Geralmente, em alturas em que seria normal eu mostrar medo ou preocupação, mostro-me surpreendentemente neutra -- quando não calma, imune aos riscos ou superior às emoções.
Posso ver à minha volta pessoas a chorarem, desoladas, a gritarem umas com as outras, num stress, ou numa aflição, a acharem que vai acontecer uma qualquer desgraça, e eu vejo-me como se fosse desumanamente fria ou -- como a minha mãe às vezes diz -- excessivamente racional.
Por vezes é quando tudo passou que, por um qualquer insignificante motivo -- e em privado -- me vou abaixo. Então, posso chorar como se fosse o fim do mundo. Mas, uma vez o choro acabado (e isto pode durar uns cinco minutos), fico fresca como se nada se tivesse passado e, geralmente, já nem me consigo lembrar do que provocou aquela breve fractura emocional.
No trabalho, tenho uma característica que, se eu conseguisse ver-me de fora, me faria assustar. Abomino aquele tipo de cautelas que levam a que, para não assumirem responsabilidades, por tudo e por nada, os gestores recorram a consultores externos. Cautelas ou cobardias. Os consultores começam por fazer levantamentos, depois fazem muitos power-points, produzem muitos entregáveis, falam em quick wins e tretazecas -- e recebem muito dinheiro. Tudo espremido geralmente não vale um caracol e qualquer gestor com um mínimo de testículos (metafóricos) teria feito dez vezes aquilo, em dez vezes menos tempo e a custo marginal nulo.
Portanto, quando tenho carta branca, faço o oposto. Mas completamente o oposto: é com a prata da casa e é para a frente, à bruta e sem medo. Acontece, no entanto, uma coisa: quando estou no rebentar da onda, naquele momento em que não há volta atrás, em que já envolvi todo o mundo de uma forma irreversível, dou por mim a pensar: 'caraças, outra vez; que risco estúpido; e se isto não corre bem?' e aí, sem que ninguém o suspeite, sinto um medozinho agudo no estômago. Mas bola para a frente porque para a frente é que é caminho. E, se correr mal, remedeia-se.
Isto a nível profissional ou social.
Mas já senti medos agudos, daqueles que nos apertam o peito, o pescoço, o estômago e, em boa verdade, todo o corpo por razões um bocado à toa.
Quando os meus filhos eram adolescentes, era uma luta interna que eu travava. Iam sair à noite, cada um com os seus amigos ou amores. Normal. E eu pensava que era bom que saíssem e crescessem. E tudo bem. O pior era resto. Se se atrasavam, eu ficava num pânico crescente. Ao meu lado, na cama, o meu marido dormia a sono solto. E eu ficava a ver as horas a passarem, acordadíssima, incapaz de dormir, a ouvir o elevador, a tentar perceber se ia parar aqui à porta, se eram eles, e via e revia as horas... e esperava até achar que não aguentava mais e que tinha que acordar o meu marido. Por vezes virava-se para o outro lado e continuava a dormir, outras vezes também se assustava.
A minha filha padeceu mais do que o irmão com estes meus medos. Tinha medo que ela andasse na rua, tinha medo que algum meliante estivesse na escada, tinha medo que alguma coisa lhe acontecesse. Medo, medo. Quando ela chegava mais tarde, dava-me umas fúrias pelos riscos que eu achava que ela tinha corrido e pelo que ela me tinha feito sofrer; e, não raras vezes, a coisa dava para o torto, mal a ouvia a abrir a porta. Sublimava o medo em fúria, porque ela não percebia os riscos que corria, porque ela não queria saber dos meus conselhos para nada.
Quando chegou a vez do meu filho, quase três anos mais novo, já eu tinha aprendido a controlar-me um bocado melhor. Além disso, sendo muito alto e tendo aprendido artes marciais, achava que ele tinha mais possibilidades de se defender. Tinha medos, só que eram outros: que bebesse, que fizesse disparates, que houvesse algum acidente. Ao fim de semana chegava, por vezes, madrugada alta ou de manhã. As minhas noites eram passadas em branco, numa inquietação.
Pior ainda foi quando deixaram de ir connosco para o campo e ficavam de me ligar mal entrassem em casa. E ele, volta e meia, esquecia-se ou ficava sem bateria ou qualquer coisa e não ouvia nem atendia o telemóvel. Chegou uma altura em que a minha filha já não morava connosco e, portanto, nestas aflições eu não tinha a quem ligar para ir ao quarto dele ver se já tinha chegado. Muitas vezes, cheia, cheia de medo, depois de já lhe ter ligado umas 20 vezes para o telemóvel, já queria que nos metessemos no carro para vir à procura dele. Até me custava a respirar, tanto o medo que sentia. Por acaso, felizmente nunca tal foi necessário porque aconteceu sempre que, por fim, lá atendia, todo aborrecido por ver mil chamadas minhas no telemóvel.
E medos também senti quando os meus pais estiveram doentes e tocava o telefone fora de horas: ficava gelada, transida, à espera que fosse alguma notícia terrível.
Tirando isso, não me lembro de muito mais medos. Não me lembro de ter medos quando era miúda.
Por vezes, quando o meu pai ia à pesca de noite, ficava preocupada porque ele nunca mais chegava. A minha mãe era para o lado em que dormia melhor. Eu não, ficava a vigiar os sons de carros na estrada. Mas não sei se isso era medo. Acho que era preocupação.
Quando tinha para aí uns doze ou treze anos, tinha aulas de manhã e a minha mãe dava aulas de tarde; nessa altura, ainda não saía para ir ter com o meu boyfriend, passava as tardes em casa, sozinha, a ler. Lembro-me de ter lido o Allan Poe e de ter ficado com um bocado de medo de sair da sala ou do quarto para ir lá dentro, tendo que atravessar o que, na altura, me parecia um longo e perigoso corredor. Imaginava que saíssem braços da parede, que ouvisse gemidos, que visse sangue a sair de debaixo de algum móvel.
Tirando isso, medos de jeito, acho que não tive. E sinto-me afortunada e agradecida.
Uma vez uma Leitora contou-me que andava sempre com medo, que sentia uma angústia um pouco inexplicável, como se qualquer perigo estivesse sempre iminente, que mal acordava já se sentia cheia de medo. Li também, uma vez, uma entrevista com Manuela de Freitas na qual ela dizia que tinha vivido parte da sua vida com essa insidiosa sensação de medo dentro de si. Deve ser uma coisa horrível. Imagino que uma pessoa nem consiga ver o lado bom da vida, nem estar descontraída a sentir a simples felicidade de viver. Na ausência de motivos concretos, não sei se isso é sintoma de depressão ou se é coisa que se cure mas imagino que, quando doentio, o medo possa ser tratado.
E a ausência de medo festejada.
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Vem isto a propósito de um vídeo que vi. Depois de uma mal sucedida aventura doméstica -- que pôs o meu marido fora dele e a mim a rir -- vim aqui para a sala.
Mas, antes do vídeo, conto a aventura.
Ontem, quando depois de jantar lavei a louça, ele foi buscar a esfregona e disse, com ar censório, que eu, a lavar a louça, tinha sido uma festa. Não percebi. Disse-me, então, que o chão ao pé do lava-louça estava molhado. Não tinha dado por nada. Nem liguei. Aliás, acho que lhe perguntei se achava que, por causa de uma mísera gota de água, valia a pena pôr a nossa relação em risco. E saí da cozinha. Quando chegou à sala, ironizou: afinal, a tal simples gota de água que quase fizera perigar o nosso casamento, era um cano roto debaixo do lava-louça.
Hoje apareceu com um tubo (uma bicha?) e resolveu provar que é sempre bom a gente ter um homem em casa. Enfiou-se lá por baixo, praguejou, pediu-me ajuda e... no fim, em vez de gotejar, aquilo começou a escorrer água franca. O alguidar que se pôs por baixo, rapidamente ficou a transbordar. Passado um bocado, fui ao lava-louça e a torneira também já estava meia desmanchada. Perguntei se teria também que tirar a pedra da bancada. Não achou graça.
Agora não se pode, pura e simplesmente, usar o lava-louça. Mas não faz mal, amanhã lavo a fruta do pequeno almoço no lavatório da casa de banho. A louça posso lavar no bidé. Claro que, chegado a esta fase, já não aceita que eu goze com ele, está furioso. Diz que se calhar o problema está na bicha, que tem que trazer outra. Colecção de bichas cá em casa, portanto. E mais não digo porque ele lê isto e vai ficar fulo por eu estar a desvalorizar os seus fantásticos dotes de canalizador. Não estou nada. Acho até que fez um lindo trabalhinho. 😂
Mas, dizia eu, cheguei aqui e pus-me a ver vídeos e dei com este aqui abaixo, no qual Paula Rego fala do medo que sente.
(E, então, deu-me para escrever o que acabaram de ler.)
Paula Rego on Fear
Pintar para dar um rosto ao medo
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As pinturas que mostram o rosto do medo são de Graça Morais - mas o Corvo é de Karen Margulis e o Grito que é de Edvard Munch.
A música lá em cima é de Ry Cooder e faz parte da banda sonora de Paris, Texas.
O programa era bom, um intervalo num dia sem história apesar de complicado: primeiro um pequeno passeio, depois almoço num lugar agradável. Mas os imprevistos acontecem. O almoço teria que acabar mais cedo porque uma súbita reunião tinha aparecido ao outro conviva e, ainda por cima, com tanta chuva, eu cheguei atrasada. Por isso, à última hora, ajustámos a combinação: suprimiu-se o passeio e o almoço foi num restaurante mais perto e mais rápido.
Contudo, no fim, já eu sozinha, apeteceu-me não abdicar do passeio, não o original mas qualquer outro. Então fui andando devagar, vendo os prédios da rua, as árvores, as montras. De repente, uma livraria despertou o meu interesse. Tantas vezes já ali tinha passado, mas sempre de carro, nunca tinha reparado. Estava fechada, segui. Mas depois fiquei a pensar: que livraria era aquela? Aliás, fiquei na dúvida se seria mesmo uma livraria. Voltei atrás. Sim, livraria mas talvez alfarrabista. A montra escassa. Escuro lá dentro, não percebi bem. Espreitei. Fui até à porta para ver se via a hora de abertura. Espanto. Uma pequena tabuleta dizia 'aberto'. Empurrei ao de leve.
Uns degraus. Pouca luz. Livros por todo o lado, em estantes, em mesas, pequenos montes, livros muito antigos, alguns pareciam ter pó impregnado, as folhas já secas. Capas de pele em que apetece passar a mão, mas não, algum receio de estragar. Cores quase douradas, o papel tingido pelo tempo, a pele tisnada do sol.
Ao ir para o outro lado da loja, reparo, então, num grande cavalo. Fico espantada: um cavalo no meio de um alfarrabista? Enorme, em tamanho natural, negro. Não sei de que material, talvez resina sintética, não sei. Como não reparei eu, logo, num cavalo daqueles ali no meio dos livros? E o que está aquele cavalo ali a fazer? Decoração? Objecto para venda? Que estranho.
Então, estando eu ainda perplexa, reparando no cavalo, eis que, lá ao fundo, um vulto se levanta. Cumprimenta, pergunta se pode ser útil. Vejo, então, que, ao fundo, numa secretária cheia de livros, iluminada por um pequeno candeeiro, estava o livreiro.
Digo que não, que estou apenas a ver, que não conhecia. O senhor que 'esteja à vontade', volta a sentar-se. E eu, ali ando, de estante em estante. Livros variados, antigos, muito antigos, outros nem tanto, colecções, séries, livros avulso, naqueles em que vejo o preço vejo que são bons preços, noutros tenho medo de mexer. Depois passo junto ao livreiro, está entretido lá na sua vida. Sinto-me quase uma intrusa, como se estivesse ali em turismo num tal lugar que parece ser de culto. Tenho vontade de lhe perguntar sobre a sua actividade mas não gosto de ser indiscreta nem quero perturbar o sossego bom de quem ali parece viver entre preciosidades.
Depois, agradeço, despeço-me, subo os degraus, saio para a rua. Chove, está frio.
Ao lado, um antiquário, um espaço amplo, peças de qualidade, vejo que também leiloeiro. Também nunca tinha visto. Passa-se à pressa, de carro, se se estaciona é para ir à pressa para algum lugar. A vida nisto. Nunca se pára, tudo nos é estranho. Entro. Uma senhora numa secretária da entrada ao telefone, conversa de negócios. Lá dentro um casal, homem e mulher com um catálogo na mão, atentamente inspeccionando cada peça, daquelas pessoas de quem se diz terem ar de ser 'de posses'. Bons móveis, belos quadros, bibelots com muito bom ar. Há sempre silêncio nestes lugares. O casal opinava em surdina sobre o que via, consultava o catálogo. E eu via as peças, via-os a eles. Desceram ao piso de baixo. Tive vontade de ir mas não quis perturbá-los.
Saí.
Depois apeteceu-me ir para um jardim. Fui passear. O tempo já era escasso mas, ainda assim, o cheiro da terra molhada, as árvores, a chuva, os pássaros eram apelo grande. Por ali andava, já a ver as horas, tinha que ir, quando, de entre as árvores, surgiu um vulto. Tinha chapéu e protegia-se da chuva. Pareceu-me o livreiro.
Depois esqueci-me, Até que, há pouco, ao ler o belo texto Oslo Nye Antikvariat, principescamente ilustrado com as fotografias do lugar de que ali se fala, me deu vontade de falar nisto. Mas não é nada de especial, isto de aqui falo. É sobretudo a graça de haver um grande cavalo preto no meio de livros belos como jóias, num lugar silencioso e bom. E de, ao lado daquela gruta maravilhosa, haver um antiquário com peças tão valiosas. E de, ao pé, haver um jardim tão bonito.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.