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quinta-feira, janeiro 29, 2026

Temos é que nos ir aguentando até que todas as muitas inovações médicas estejam disponíveis para todos

 

Num ano e numa altura em que as estatísticas em Portugal nos trazem números nada tranquilizadores quanto ao aumento da mortalidade, talvez seja difícil antever quando é que os benefícios das fantásticas inovações técnicas se traduzem em melhores tratamentos.

De facto, se o governo da Saúde continuar enredado em partidarites dificilmente o que investigadores e técnicos desenvolvem chegarão até ao grande público. E faço notar que, em medicina, o que acaba em 'ite' remete para inflamação e, como se sabe, as inflamações estão na base de grande parte das doenças, incluindo as fatais. Nomeadamente, se os hospitais públicos continuarem a ser geridos por agentes partidários e não por gestores competentes, tudo continuará ensarilhado, tudo continuará a ser um sorvedouro de dinheiro, dinheiro mal gasto -- e a disponibilidade para o estudo, para a aplicação de inovações continuará relegado para segundo plano.

Há, claro, as instituições privadas. Mas essas apenas estão ao alcance de quem tem bons seguros de saúde. Ora, sabendo-se que é na terceira idade que as células começam a dar de si e que as doenças começam a aparecer, as Seguradoras ou não fazem seguros de saúde para quem tem mais de 65 anos ou tornam-nos proibitivos. Os funcionários públicos terão a ADSE, mesmo após a reforma. Mas quem não estava abrangido pela ADSE ou paga e paga bem ou batatas. 

Seja como for, há que reconhecer que a medicina tem avançado incrivelmente. Muitas doenças que há uns anos eram sentença de morte ou de declínio inexorável agora são tratáveis ou curáveis, havendo hoje incontáveis sobreviventes. Há uns anos seriam memórias. Hoje estão para as curvas.

Lembro-me de quando a minha mãe, há uns anos, teve cancro no cólon. Fizeram-lhe três insignificantes buraquinhos na barriga e salvo erro ao segundo dia saiu do hospital pelo seu próprio pé, bem disposta, a andar normalmente, sem qualquer desconforto, como se nada se tivesse passado. E, no entanto, um bom pedaço de intestino e tecidos adjacentes tinha-lhe sido retirado. E ficou boa. É certo que isto se passou num hospital privado mas se calhar o mesmo se teria passado num hospital público.

São os equipamentos de diagnóstico que são mais avançados, são os equipamentos de intervenção, tratamento e os medicamentos que são mais eficazes.

Mas a inteligência artificial está a dar um empurrão fantástico e isso é um lado bom que deve ser bem aproveitado. E há cada vez mais investigação cruzada, juntando médicos, biólogos, físicos, engenheiros. E tudo isto é muito promissor.

O que agora é preciso é transformar isso em soluções adoptadas pelos serviços públicos e levadas à prática o mais rapidamente possível. 

O vídeo abaixo da BBC é muito interessante, e está legendado. Fala quem sabe.

As novas inovações médicas que podem mudar tudo

 - The Engineers, BBC World Service

Três engenheiros de renome discutem os mais recentes avanços na engenharia do corpo humano.

A engenharia inovou como nunca, chegando ao interior do corpo. Em neurociência, os implantes cerebrais podem proporcionar uma comunicação "psíquica" a pessoas com síndrome de encarceramento. Na área médica, uma nova tecnologia visa administrar quimioterapia e outros medicamentos diretamente às partes do corpo que deles necessitam, através de bolhas na corrente sanguínea. E estão a ser desenvolvidos dispositivos eletrónicos ingeríveis para combater doenças, enviando mensagens que direcionam os anticorpos diretamente do intestino para o cérebro.

A BBC e a Comissão Real para a Exposição de 1851 uniram-se para apresentar um evento especial: Os Engenheiros: Explorando o Humano.

Três engenheiros biomédicos, na vanguarda das suas profissões em todo o mundo, juntam-se à apresentadora Caroline Steel para discutir os seus trabalhos pioneiros e responder a perguntas do público na Royal Geographical Society, em Londres.

Convidados:

Tom Oxley (Austrália) – Neurologista e inovador em implantes cerebrais. Professor Associado da Faculdade de Medicina de Melbourne. CEO da Synchron.

Eleanor Stride, OBE (Grã-Bretanha) – Engenheira Biomédica e inovadora em tecnologia de bolhas. Professor de Biomateriais na Universidade de Oxford

Khalil Ramadi (Emirados Árabes Unidos) – Nanorrobótico, inovador em eletroceuticos ingeríveis, Diretor do Laboratório Ramadi de Neuroengenharia Avançada e Medicina Translacional em Abu Dhabi. Professor Assistente de Bioengenharia na Universidade de Nova Iorque.

Para quem não queira ver tudo mas queira ter conhecimento de algum tópico, aqui fica o horário das intervenções

00:00 Introdução

02:20 Primeira experiência de um doente com síndrome de encarceramento

03:53 Utilização de bolhas para administrar medicamentos dentro do corpo

05:21 Eletrónicos ingeríveis

06:13 Implantação de um "stentrode" no cérebro

07:54 Influenciar o cérebro através do sistema digestivo

09:27 Introduzir oxigénio nas bolhas na corrente sanguínea

11:21 Testes em humanos para uma interface de computador implantada no cérebro

12:19 Direcionando as bolhas para diferentes partes do corpo

13:13 O que acontece aos dispositivos eletrónicos ingeríveis no organismo

14:15 Testes em humanos com a tecnologia de bolhas

15:09 Diferentes condições que estas tecnologias poderiam tratar

18:06 Questões éticas

21:44 As três tecnologias poderiam funcionar em conjunto?

23:32 Poderiam ser utilizados implantes neurais para jogos de realidade virtual?

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Desejo-vos dias felizes

sexta-feira, setembro 06, 2024

Quando a ciência pula e avança:
ou é o medicamento para o peso em excesso que afinal retarda o envelhecimento e reduz a mortalidade ou é o simples corante alimentar que torna a pele transparente permitindo ver o que se passa dentro dos corpos...
(Quem sabe se não estamos à beira de um salto quântico no prolongamento da vida (saudável)...?

 

Tratamentos assim e assado, testes, experimentações, cenas promissoras que afinal se revelam limitadas no âmbito ou na implementação mas que, de uma forma ou de outra, contribuem para os avanços que têm permitido que a esperança de vida se vá prolongando e que, quando é chegada a hora, muitas vezes a 'passagem' se faça com menos sofrimento. Dito assim, pode parecer pouco. Parecem pequenos passos, um pouco mais do mesmo. 

Engano: isso não é pouco, a vida é assim mesmo. Na maior parte das vezes, um dia pouco difere da véspera. Há recuos, há compassos de espera e há baby steps. 

Estamos onde estamos porque, apesar de tudo, muito de relevante tem acontecido.

Mas. depois, há coisas inesperadas que fazem com que, de onde menos se espera, surja a esperança de descontinuidades virtuosas. Ao longo da história da medicina, há momentos fulcrais que fazem toda a diferença. Aí os avanços não são simples incrementos, são verdadeiros achados que mudam o rumo da história, ou pelo menos, abrem brechas através das quais os cientistas conseguem abrir espaço a uma esperança cheia de luz.

Dois exemplos.

No outro dia era a notícia de que:

"Medicamentos para emagrecer ‘retardam o processo de envelhecimento’, sugerem cientistas. 

A semaglutida – contida no Ozempic e no Wegovy – tem “benefícios de longo alcance”, com taxas de mortalidade mais baixas por todas as causas.

Os medicamentos para a perda de peso estão prestes a revolucionar os cuidados de saúde, ao abrandar o processo de envelhecimento e ao permitir que as pessoas vivam mais tempo e com melhor saúde. Esta é a mensagem dramática dos principais cientistas após a apresentação de estudos na semana passada na Conferência da Sociedade Europeia de Cardiologia, em Londres.

(...)

[Ler artigo completo no Guardian]

Imagino que várias novas frentes de investigação se abram a partir daqui. E fico esperançosa nos seus bons resultados.

Hoje uma outra notícia me parece empolgante. Neste caso ainda não foi testada nos humanos mas forçosamente se avançará por aí e, creio, muito rapidamente.

Corante alimentar comum torna a pele e os músculos temporariamente transparentes

Investigadores dizem que procedimento ainda não testado em pessoas pode eventualmente ser usado para ajudar a localizar lesões ou tumores.

Os investigadores examinaram os cérebros e os corpos de animais vivos depois de descobrirem que um corante alimentar comum pode tornar a pele, os músculos e os tecidos conjuntivos temporariamente transparentes.

A aplicação do corante na barriga de um rato tornou o fígado, os intestinos e a bexiga claramente visíveis através da pele abdominal, enquanto a aplicação no couro cabeludo do roedor permitiu aos cientistas ver os vasos sanguíneos no cérebro do animal.

A pele tratada recuperou a sua cor normal quando o corante foi removido, de acordo com investigadores da Universidade de Stanford, que acreditam que o procedimento abre uma série de aplicações em humanos, desde a localização de lesões e veias para tirar sangue até à monitorização de distúrbios digestivos e à detecção de tumores.

(...)

[Também aqui, artigo completo no Guardian] 

 Groundbreaking Process Makes Skin Invisible

Researchers at Stanford University have developed a way to make skin and other tissues transparent using a simple food dye, a reversible technique with potential for revolutionizing internal medicine. In this clip, thin slices of chicken breast become transparent on exposure to the dye yellow #5.

Using a common food dye, researchers made mouse skin transparent

What if you could apply a substance on the skin, much like a moisturizing cream, and make it transparent, without harming the tissue? In a study published in Science, Stanford Engineering researchers were able to see, with the naked eye, organs within an animal’s body, by simply applying a common food dye. The process is completely reversible and appears to leave no lasting effects on animal subjects. 

The researchers believe this novel technique is the first harmless, non-invasive approach to achieving visibility of an animal’s living internal organs. Looking forward, this technology could make veins more visible, easing the process of venipuncture. Moreover, this innovation could potentially replace some X-rays and CT scans, assist in the early detection of skin cancer, and make laser-based tattoo removal more straightforward.
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Dias felizes

sexta-feira, novembro 23, 2018

Um lago dos cisnes à maneira


Há uns tempos, o P., um Leitor que muito prezo e admiro, deu-me a conhecer este bailado fantástico. Não acho graça à desconstrução pela desconstrução. Quando isso acontece, tudo muito básico, quase infantil, não tem graça. Agora, quando a desconstrução é feita com criatividade, com humor, com entusiasmo e superação, o que acontece é uma surpresa que marca quem a ela assiste.

Este Lago dos Cisnes é extraordinário. Claro que apenas conheço excertos mas, do que vejo, encanto-me. Aliás, acho que todos os bailados de Alexander Ekman parecem ser surpreendentes.


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quinta-feira, novembro 22, 2018

Inovação. Burocracia. O mundo de todos os dias.




Há uma forma burocrática de se ser. E que não se pense que, com isto, me preparo para dizer que ser-se burocrata é mau. Nada disso até porque piamente acredito que, quem o é, gosta muito de o ser. Conheço vários. São organizados, organizam-se e reorganizam-se, têm agendas com tudo incluindo os aniversários de toda a gente, fazem anotações de tudo, documentam tudo, arrumam tudo em pastas, sub-pastas e sub-sub-pastas, agendam e pré-agendam, tentam ensinar os outros a organizar-se, mostram as virtudes de serem tão metódicos e disciplinados, têm truques, sabem habilidades.

Eu olho-os disfarçando a compaixão que sinto porque vivo bem no meu mundo caótico que dispensa planificações, actas, memos, controlos e controlos dos controlos. Penso que desperdiçam a vida afogados no que me parece ser a sua própria ineficiência. Mas se calhar estou errada. Sei lá. 

Agora uma coisa eu sei: não vou mudar.  Não perco tempo a tentar ser o que não sou.


Ainda agora. Relativamente às minhas áreas, pedem-me a lista das actividades ligadas a inovação. Tenho vontade de dizer: zero. Para mim, inovação precisa de criatividade e criatividade  é outra coisa. Criatividade é onda alta e insubmissa, é chama livre e fogosa, é acorde solto no vento, é abraço apertado de onde se soltam doces faíscas, é bailado no céu ou no fundo do mar, são estrelas brotando do chão. É isso. Não é coisa de nada repescada apenas para incrementar os rankings, não é coisa de nada envolta em bagaço burocrata e disfarçada de coisa boa. 

Uma vez, um dia dedicado à inovação. Convidados. Apresentações. Dissertações. Muita gente, muitas palmas. Muitos métodos para medir a inovação, para acelerar a inovação, para registar a inovação. E eu, cabeça noutro lado, deslizando no lago sereno das minhas memórias, dos meus sonhos. 

No intervalo, o organizador veio perguntar a minha opinião e, antes que eu dissesse alguma coisa, já foi avançando: 'Está a correr muito bem, não está? Toda a gente já me deu os parabéns. Uma adesão enorme, já a pedirem para organizar outro evento para o ano que vem' e seguiu, contente consigo próprio.


Muitas vezes penso: se calhar sou demasiado feroz, se calhar as coisas são melhores do que as vejo. Por exemplo. Recebi ontem um mail em que, às tantas, um jovem licenciado dizia 'obti os valores'. Olhei e nem acreditava. Há que tempo sem h, é mato. Quere-mos ou fazê-mos, mato é. Nas reuniões, sêjamos ou outras pérolas é coisa que meio mundo atira aos outros como se de porcos se tratassem. E eu fico doente com isto. Mas, ao mesmo tempo, interrogo-me: porque deixo que isto me perturbe quando olho à volta e vejo toda a gente tão confortável?

Portanto, o mal é meu. Mas que seja.

Agora voltando ao ponto em que estava. Criatividade e inovação a sério (e uma coisa não é sinónima da outra) não podem nascer de metodologias e burocracias. E quando acontecem é outra coisa, é uma explosão, é uma graça. É uma novidade.

Por exemplo, Alexander Ekman. É inovador, é criativo, é talentoso, é marcante. Tem apenas 34 anos mas, senhores, é brilhante. Veja-se este Play. Não dá para acreditar:  tantas e tão graciosas imagens. KPI's? Está bem, está.

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E agora aceite a minha sugestão: desça um pouco mais e faça o teste. Conheça-se.

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sábado, julho 14, 2018

Santana Lopes again? Please.... Poupem-me.
Mas não é só ele que estava bem era no museu. São também quase todos os outros.
Contra isso: inovar, inovar, inovar.





As empresas e demais organizações gastam rios de dinheiro com formações e consultores, já para não falar em horas de trabalho consumidas em sessões disto e daquilo, tudo a bem da inovação. E vem um e explica a diferença entre criatividade e inovação e vem outro e fala de exemplos conhecidos de empresas que se reinventaram e de outras que pereceram por não terem sabido fazê-lo e vêm outros e falam de casos inspiradores e vêm mais alguns que são figuras conhecidas -- uns historadores, outros treinadores, outros maestros, outros alpinistas -- e contam as suas experiências e toda a gente bate muitas palmas. Tudo e mais um par de botas para que a malta desate a ter ideias que façam a diferença, que criem novos negócios, novas maneiras de ver a vida.




E toda a gente se esquece de tudo mal vira as costas. E, assim que chegam aos seus locais de trabalho, todos continuam a fazer igual ao que sempre antes fizeram.

E eu, que ando há anos a ouvir a mesma conversa dita de muitas maneiras diferentes, penso que se fosse eu a organizar estas coisas, estes eventos em que se tenta estimular uma nova atitude que leve à inovação, não fazia nada disto. Colocava era vídeos como estes, que mostram como é possível que do clássico se crie o inesperado ou como do nada se pode fazer o que antes nunca se tinha visto e que pelos tempos afora para sempre ficará como inexplicável e belo.

Mas, quando proponho isto, dizem-me que não, que ideia, que não tem nada a ver, que ninguém ia perceber. É verdade. Quando alguém aponta as estrelas, os idiotas ficam sempre a olhar para a ponta do dedo, incapazes de ver para além dele. Por isso, não insisto. Nem estou certa de que a razão esteja comigo. Cada vez sei menos. Vejo que a qualidade vai rareando e que o mundo parece estar em trajectória descendente -- mas, se me reportar a dados conhecidos da história, talvez tenha que concluir que desde sempre se está a andar a caminho do nada. E, se calhar, é mesmo assim e nada a fazer.

Seja como for, talvez ingenuamente, penso que, enquanto não se perceber que é mesmo do incompreensível que nasce o que é novo, não se conseguirá ver para além do óbvio -- e que só o que está para além do esperado e do óbvio é que rasga caminhos. E novos caminhos são precisos antes que se chegue ao fim deste que estamos a percorrer e que, do que se vê, parece ser um beco sem saída.




Leio percentagens a propósito de crentes em Santana Lopes e pasmo por, nestes tempos incréus, haver ainda quem seja tão crente. Mas é verdade. No outro dia, numa outra cidade, vi um amontoado de gente, os passeios a deitar por fora. Não percebi. Depois olhei com atenção e vi que estavam junto a uma moradia onde vi uma cruz e o nome de uma qualquer igreja. Isso ou as dietas milagrosas que proliferam. Eu própria também, volta e meia, jogo no euromilhões acreditando que um dia pode acontecer comigo. Portanto, está certo. Toda a gente precisa de acreditar em qualquer coisa, mesmo no jogo branco ou nas cartas furadas. Haja lugar para todos, até para os malucos que ainda acreditam que alguma solução governativa de jeito pode sair do maluco do Santana Lopes. 

A seguir, olho para a televisão e vejo a cinzenta bancada do PSD. O líder da bancada descolorida laranja dá-me pena.  A sério. Pena. A criatura está notoriamente infeliz naquele seu triste papel. Um tremendo erro de casting. E está rodeado de outros que tais. Olha-se e vê-se ali, ao vivo e a cores, o reino da estupidez. Não atinam. Mas não admira. O PSD não é nada. A cola que os une é o oportunismo. Talvez tenha começado com gente bem intencionada mas logo esses barões se foram perdendo e o que ficou foram uns quantos nostálgicos que não riscam nada (nem o Marcelo, enquanto líder partidário, alguma vez riscou) e uma malta que anda à babugem do poder. Quando longe disso, ficam como as galinhas sem cabeça.




Mesmo as outras bancadas. Falta ali rasgo e inteligência, falta golpe de asa. 

O PS é António Costa e mais uns quantos capazes e depois um bando de líricos, mais uns quantos saudosistas e uns outros que tentam perceber qual o caminho que estão a pisar e mais uma mão cheia de oportunistas.

O PC já era. Gente que tenta agarrar-se a cordas presas ao passado, um passado idealizado. Gente bem intencionada mas geneticamente traumatizada. Podem ser sérios mas a seriedade deles é cinzenta, baça, longe do futuro. A primeira e a segunda derivada da tendência que percorrem traçam-lhe o caminho: o lento mas inexorável fim.

O BE. Gente que quer ser moderna e ousada mas sem capacidade para sê-lo. Zangam-se, fazem cara de maus, acham-se os donos da verdade. Mas são uns maçadores de primeira. E gente maçadora não vai a lado nenhum.

Resta quem? O CDS? Nem falo desses. Não existem. 

O País precisa de outra gente na política. Mas como irá gente capaz para a política sabendo que, por coisas de nada, podem ser perseguidos pelo Correio da Manhã, pela tropa fandanga da SIC ou do Expresso, pelas tias e pelas beatas do Facebook?

Uma coisa triste, isto.




Solução? 

Inovar de verdade. Ousar. Arriscar.
Procurar a beleza e a simplicidade.
Olhar o futuro e, mesmo sem perceber o que se vê, caminhar nessa direcção.