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sexta-feira, agosto 07, 2026

As gueixas

 

Não vou explicar em pormenor, repito apenas que me faltam os meios para que os meus dedos consigam pronunciar-me capazmente sobre a embaraçosa situação do Luís Neves, que se vai enterrando mais a cada dia que passa, da insustentável situação do incompetente e irresponsável Fanã-Alex, da vergonhosa e preocupante incompetência da Ana Paula Martins, do absoluto zero que é o Lentão Amaro e de todos quantos, feitos zombies, se arrastam no governo do Montenegro, o tal que anunciou que não ia de férias e que agora foi fotografado a banhos no Algarve, como sempre, cosido com o trauliteiro-mor Hugo Soares.

Tivesse eu um computador e o tanto que teria para dizer. Até invocaria o caso de um tal director que, tendo tido problemas e remodelações por fazer em sua casa, 'contratou' a empresa que tinha contratado para fazer uns trabalhos numas certas instalações, trabalhos esses que, sem o saberem (cala-te boca) pagaram todo o gasto na casa do dito director. E isto foi-me contado por quem tinha todas as provas. Isto numa outra vida, outros personagens. Há histórias que parece que teimam em repetir-se, mudando apenas os personagens. Um tédio.

Mas não tenho computador. Parece que encomendaram uma peça. Ando mentalmente coxa, parece que me falta a mobilidade. A ver se para a semana, a coisa se resolve.

Entretanto, fui a uma clínica veterinária comprar um shampoo para peles sensíveis para o cão e fiquei com vontade de o experimentar, deve ser bom pois custa dez vezes mais do que o que uso para mim. E quando estava a ser atendida, saiu uma vet toda chiquérrima do consultório e dirigiu-se à funcionária que me estava a atender, a perguntar-lhe por umas fichas não sei de quê. Mas, de repente, levantou o olhar para me pedir desculpa por ter interrompido e, ao dar de caras comigo, soltou uma exclamação e, sem parar de me olhar, repetiu o que tinha dito e disse que eu lhe fazia lembrar uma certa baronesa quando era mais nova. O meu marido depois disse-me: 'Ora aí está uma coisa boa para contares no blog'. Respondi-lhe que é o que dá ele não ler o que eu escrevo. Se lesse, saberia que jamais contaria isso. Gozou comigo 'Aposto que vais escrever'. Portanto, aqui fica a prova provada: perdeu a aposta.

E pronto, como sem computador e com um corrector automático que só à bofetada, fico como se estivesse lobotomizada, totalmente improdutiva, sem saber de que falar, fico-me por aqui

Vou antes ver este vídeo que nada tem a ver com algumas personagens da nossa praça, umas infelizes mancas em classe, savoir faire e requinte, pimbas e intelectualmente balofas -- nada, nada, a ver com as icónicas personagens do vídeo abaixo.

As Gueixas de Tóquio: Por dentro do mundo fechado dos enigmáticos ícones do Japão | Foreign Correspondent

No Japão, a comunidade das gueixas é um mundo fechado. O modo de vida por detrás daquelas mulheres icónicas — com a sua maquilhagem marcante, as imponentes perucas negras e os requintados quimonos de seda — é em grande parte desconhecido, até mesmo para muitos japoneses. Então, como é que as gueixas atuam na era moderna? Como é, de facto, a vida de uma gueixa em 2026?

No programa *Foreign Correspondent*, a repórter Natalie Whiting leva-nos para o interior da vida privada das gueixas. Com um acesso privilegiado, conhecemos uma das gueixas mais famosas do Japão e as jovens que abdicaram das liberdades usufruídas pelas suas amigas para dedicarem a sua vida a uma das antigas formas de arte japonesas. Antigamente, mais de 13.000 gueixas viviam e trabalhavam em Tóquio; hoje, restam apenas cerca de 200. Estão numa missão para se abrirem ao mundo, numa tentativa de salvar esta antiga tradição das artes performativas.

O *Foreign Correspondent* é o programa de atualidade internacional exibido no horário nobre da estação pública australiana, a ABC-TV. Produzimos reportagens aprofundadas de meia hora de duração para exibição nos canais de televisão e plataformas digitais da ABC. Desde 1992, as nossas equipas viajaram para mais de 170 países para cobrir conflitos, catástrofes naturais e agitações sociais e políticas — sempre na perspetiva das pessoas que vivem estes acontecimentos de perto.


Uma happy sexta_feira

domingo, julho 05, 2026

Nomeio-te, logo existes

 

Com a família cá, ditosos são sempre esses dias. Mesmo com o calor tropical, a leveza envolve-nos. Houve quem viesse para o almoço, houve quem viesse para o lanche e houve quem ficasse para o jantar e houve até um que veio depois de jantar.

E agora, depois de se ver o futebol, três deles já dormem. Desta vez não houve disputa sobre quem ficava na cama grande: aceitaram pacificamente que a mana, grande como já está, é justa dignatária do privilégio. 

E eu já estou cheia de sono. E já sei que acordarei cedo, chilreiam que é um gosto, e talvez com uma visita ao quarto. Por isso, vou ser breve.

Antes do jantar, enquanto os meninos estavam nos banhos, sentei-me um pouco e reparei que a grinalda de bolas coloridas, que se acendem a partir da luz solar, finalmente se acenderam. Era um botãozinho que tinha que ser mudado. Ficou tão bonito. Gosto imenso de luzinhas, acho que dão um ambiente muito feliz. Só não encho tudo de luzinhas porque sou impedida.

E ainda fiz uma ou outra fotografia. Gosto imenso de fotografar. Mas, antes de fotografar, gosto de ver. Gosto de estar entre o verde, entre as sombras que mudam, junto à luz que vagueia embelezando tudo, trazendo o requinte do dourado aos espaços, gosto de sentir que sou parte integrante do lugar e do tempo, estou ali como uma árvore ou uma flor está, como um bicho, sou o pó das estrelas que um dia voltará às estrelas.

Já várias vezes aqui trouxe os hábitos japoneses com que tanto me identifico. Volto ao assunto. Sigo esses hábitos sem saber que podem não ser apenas excentricidades minhas, que há palavras para nomear esses momentos de pura felicidade. Partilho-os.

6 palavras japonesas que vão mudar a sua visão da natureza

Há momentos na natureza que muitas vezes ignoramos.

A forma como a luz solar se filtra pelas folhas. A beleza silenciosa da chuva. A mudança das estações. 

Em japonês, muitos destes momentos têm palavras próprias. Algumas descrevem o que vemos, enquanto outras oferecem uma forma diferente de ver.

Neste vídeo, exploramos seis conceitos japoneses:

• Shinrin-yoku (Banho de Floresta)

• Komorebi (Luz do Sol Através das Folhas)

• Suiu (Chuva Verde)

• Fukinsei (A Beleza da Irregularidade)

• Kachō Fūgetsu (Aprender Através da Natureza)

• Mono no Aware (A Beleza da Impermanência)

Espero que estas ideias o incentivem a abrandar, a observar mais e a apreciar a beleza silenciosa que sempre esteve à nossa volta. 


Desejo-vos um feliz dia de domingo

terça-feira, maio 26, 2026

Ichi-go ichi-e
一期一会

 

Tive vários assuntos para tratar. E só o facto de o referir já me dá vontade de rir, gozar comigo própria. Até há cerca de três anos, fazia tudo e mais alguma coisa com uma perna às costas e, entre mil coisas, encaixava outras mil. Agora a gestão do meu tempo é tão extraordinária que meia dúzia de coisas para tratar parece que se transformam numa grande coisa. 

No outro dia, ao queixar-me da quantidade de coisas que compramos no supermercado e do dinheirão que gastamos, o meu marido recordou o óbvio: Quando trabalhávamos, durante a semana almoçávamos no restaurante e, sendo os jantares refeições mais ligeiras, as compras eram naturalmente muito menos.

Mas isso traduz-se também no tempo que agora gasto na cozinha a preparar refeições. 

Depois há o tempo das caminhadas mais o tempo do ginásio. E o tempo dispendido a apanhar banhos de sol. E o tempo a olhar para as coisas, a apreciar a sua beleza, a fotografá-las. E o tempo a ouvir os passarinhos. E o tempo usado a regar. E tudo isso consome tempo e corta o dia. Tudo coisas que antes não faziam parte da rotina diária (só a caminhada pós-laboral, nos últimos anos). Por isso, havendo tarefas que não são diárias, já parecem dignas de realce. Mas sei que não são, estou aposentada mas (ainda) não estou senil.

Ah, e esqueci-me de referir outra tarefa, não menos importante: também ando atrás das formigas. Têm aparecido resíduos em alguns parapeitos. Dá ideia que se alojam na caixa dos estores. Até aqui tenho estado a tentar resolver a bem, com água. Mas amanhã vou enveredar por medidas mais assertivas, vou aplicar um gel que espero que as afugente -- não precisa de ser letal, não sou de violências.

Mas isto para dizer que me encanto com as flores do meu jardim. Olho-as de todos os ângulos, maravilham-me. Tenho sempre a sensação que cada momento é único, no dia seguinte podem ter murchado, secado. E a sua beleza varia segundo as horas do dia, conforme a luz está de frente ou de lado ou a pôr-se, ou eu lhes proporcione grandes planos ou as apanhe quase à espreita. Ando nisto -- e, acreditem ou não, a verdade é que não me canso. 

Não sei se mudei muito ou se sempre fui assim e sempre consegui coexistir com as outras que não eram bem eu. Não sei. 

Mas também me parece que não vale a pena tentar saber. Ao contrário de muito boa gente que acha que tem que se dissecar até à medula, conhecer-se até ao mais não poder, e interpretar tudo o que faz ou deixa de fazer ou encontrar justificações ou desculpas para cada comportamento, eu estou-me bem a marimbar para tudo isso. Quero é viver bem o momento em que estou e o que se segue.

Nunca, n-u-n-c-a, me ocorreu puxar pela cabeça a lembrar-me se os meus pais se zangavam assim ou assado comigo, se alguma vez foram injustos, se alguma vez algum colega da escola me gozou ou deixou de gozar, se, de alguma forma, alguma coisa do passado me traumatizou ou moldou a minha personalidade. Sempre me estive completamente nas tintas para tudo isso. Se me chateava, era momentaneamente. Estrebuchava, mandava vir e, agora que falo nisto, lembro-me que uma vez uma miúda me chateou até à medula e tive um ataque de fúria, tendo-lhe dado um valente par de estalos. E tendo exteriorizado a minha zanga, logo me passava (para todo o sempre). Sempre, desde sempre, me considerei totalmente responsável pelos meus actos e pela minha personalidade. Havia de ter graça agora justificar alguma coisa no meu comportamento porque, no passado, a minha mãe me disse isto ou aquilo ou o meu pai me proibiu daquilo ou daqueloutro ou alguma professora se zangou com ou sem motivo. Quero lá eu saber disso para alguma coisa. Se na altura, logo que aconteceu ficou morto e enterrado era o que faltava que agora fosse consumir o meu precioso tempo a exumar comportamentos que passaram a cadáveres no instante seguinte a terem acontecido. Por exemplo, lembro-me dos ataques de fúria que a minha mãe tinha comigo: travava o punho cerrado no alto da minha cabeça, com vontade de me afincar com toda a força, cerrava a boca com toda a força, quase incapaz de pronunciar palavra. Ficava varada comigo, já nem sei porquê. Mas, ao lembrar-me disso, sempre me deu vontade de rir. Uma vez, contei ao meu marido e ele também achou um piadão e, então, às vezes, se eu o contrariava quando estava ao pé da minha mãe, ele dizia: 'vê lá se queres que eu faça como a tua mãe, e ameace dar-te murros na cabeça'. E ela ria e dizia: 'Sabe lá, levava-me ao desespero, nem imagina...'. Dar nunca me deu, mas eu sentia a pressão do punho fechado na minha cabeça. No entanto, em vez de pensar que ela era demasiado impaciente ou que demonstrava instintos agressivos ou que isso, de alguma forma condicionou o meu desenvolvimento, só me dá é vontade de rir e faz ter vontade de me lembrar o que é que eu faria para a deixar em tal ponto de rebuçado. E tenho a certeza que nada disso influenciou a minha maneira de ser nem me deixou com vontade de a culpar por alguma coisa. Zero. Desde que me conheço que a minha filosofia de vida é uma: bola para a frente. Ou: para a frente é que é caminho. Não é uma filosofia muito profunda, bem sei, mas é o que temos. 

E vem isto a propósito de quê?

Ah, já sei. Estava a questionar-me se sempre fui zen e disfarcei bem, ou se era speedada e agora é que mudei. Mas era uma questão retórica. Quero lá saber.

O que vale a pena ver é o vídeo lá mais abaixo, muito compatível com o meu mood actual. Mas antes, o meu amigo Gemini explica-nos em que consiste o 一期一会

Ichi-go ichi-e (一期一会) é um conceito cultural japonês lindíssimo que pode ser traduzido literalmente como "uma vez, um encontro" ou "neste momento, uma oportunidade".

A essência dessa filosofia é a impermanência e a singularidade de cada momento. Lembra-nos que cada encontro, conversa ou experiência que vivemos é absolutamente único e nunca se repetirá da mesma forma.

A Origem do Termo

O conceito está profundamente ligado ao Zen Budismo e à tradicional Cerimônia do Chá Japonesa (Chado), popularizado pelo mestre de chá Sen no Rikyu no século XVI.

Mesmo que o anfitrião e os convidados se reúnam frequentemente para o chá, o encontro de hoje nunca poderá ser replicado exatamente. A temperatura da água, o arranjo de flores, o humor das pessoas, o clima lá fora... tudo muda. Portanto, o encontro deve ser tratado com a máxima sinceridade e devoção.

Os Três Pilares do Ichi-go Ichi-e

Presença Absoluta: Estar 100% focado no aqui e agora. Se você está a jantar com um amigo, o mundo exterior e o celular deixam de importar; o foco é aquela pessoa e aquele instante.

Consciência da Impermanência: Aceitar que tudo passa. As coisas boas passam (o que nos faz valorizá-las mais), e as más também passam (o que nos traz conforto).

Apreciação e Gratidão: Tratar cada interação — seja com um estranho no metro ou com seu parceiro de vida — como algo precioso, pois aquela exata configuração de tempo e espaço jamais existirá novamente.

Como Praticar no Dia a Dia?

Não é preciso participar de uma cerimônia do chá para aplicar o ichi-go ichi-e. Você pode trazê-lo para a sua rotina de formas simples:

Evite o piloto automático: Preste atenção aos detalhes do seu caminho diário, ao sabor do café pela manhã ou ao tom de voz de quem fala com você.

Pratique a escuta ativa: Quando estiver a conversar com alguém, ouça para compreender, e não apenas para responder.

Não adie a gentileza: Se você teve um momento agradável com alguém, demonstre. Não assuma que haverá uma "próxima vez" para dizer algo importante.

Em resumo, o ichi-go ichi-e é um convite para desacelerar e viver a vida não como uma sequência de tarefas, mas como uma coleção de momentos irrepetíveis.

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Na volta já estão pelos cabelos com tanta sabedoria oriental e tanto slow living mas, como agora está na moda dizer-se, 'eu sou esta pessoa' (expressãozinha mais besta, não é?)

Portanto, cá vai mais uma dose, desta vez em forma de vídeo, o vídeo de que falei lá em cima. É que, como verão no vídeo, são tudo hábitos com que todos ganharíamos.

9 filosofias japonesas para uma vida mais tranquila

Alguma vez se perguntou por que razão o Japão parece tão organizado, calmo e profundamente respeitoso?

A ordem encontrada na sociedade japonesa não é uma coincidência. É o resultado de um código de conduta específico transmitido através das gerações. Do silêncio no metro de Tóquio à forma como as crianças limpam as suas próprias salas de aula, a cultura japonesa prioriza a responsabilidade partilhada e a elevada confiança social.

Organize os seus hábitos e limpe a sua mente. 


Desejo-vos um dia feliz

quarta-feira, março 25, 2026

Hábitos simples, vida melhor
[Inclui uma receita de galinha com massa e não só]

 

Durante quase toda a minha vida tive a sensação de que andava sempre de um lado para o outro. Enquanto estudava na universidade, quando, chegado o fim de semana, tantas vezes tinha vontade de ficar na grande cidade, sem nada que fazer, só passear e ir ao cinema, mal chegava a tarde de sexta-feira aí estava eu a ir para casa. E só vinha na segunda de manhã. Levava e trazia roupas, livros. Sempre carregada. Depois comecei a trabalhar e ia para a escola onde dava aulas, ia para a faculdade, ia para a casa onde morava, ia para casa dos meus pais. Depois casei e praticamente mantive a mesma rotina pois, sendo tão novinha, receava que os meus pais sentissem a minha falta e ia lá todos os fins de semana. E depois mudei de emprego e tinha que apanhar vários meios de transporte para lá, para cá. Saía muito cedo, regressava muito tarde. Vieram os filhos e tinha que os levar ou a casa da avó ou à creche e ir trabalhar e o recíproco à tarde, e, ao fim de semana, ir visitar os meus pais. Depois comprámos a casa no campo e, mal chegava a sexta à noite ou o sábado de manhã, lá íamos carregados para lá, regressando no domingo à noite. Pelo meio, durante muitos anos, com frequência passávamos o sábado ou o domingo com amigos e, também durante algum tempo, íamos para a noite, os miúdos ficavam com os meus pais, e só regressávamos de madrugada. E passava o fim de semana e sentia que mal tinha descansado.

Depois, com as doenças de sogros e, depois, dos pais, todos os fins de semana tinham que esticar para haver tempo para lá ir, muitas vezes com compras que tinham que ser feitas previamente. 

E sempre foi isto, de um lado para o outro, sacos e mais sacos, o tempo escasso, mil coisas para fazer.

Pelo meio havia as deslocações em serviço, as saídas e, quando os miúdos cresceram, passámos a ir umas cinco ou seis vezes por ano para fora, muito recorrentemente a Madrid, cidade de que gostamos muito.

Mas, quando vinham as férias 'grandes', tudo o que me apetecia era ficar quieta, em casa. Mas íamos para o Algarve ou sul de Espanha, também, embora menos, para sul de França, e íamos para o campo, íamos todos os dias para a praia, e, sempre, a apetecer-me estar sossegada, a desfrutar a casa. Os caranguejos são bichos caseiros.

Estou agora a desfrutar. Mas sei que tenho que ter cuidado para não ficar eremita militante. Contudo, como várias vezes aqui o confesso, tenho finalmente a vida tranquila que, ao longo dos anos, tanto desejei. 

Acordar e abrir as janelas, ir para o terraço, olhar o céu, fazer festas ao cão, cozinhar*, jardinar, arrumar, caminhar, praticar actividade física, ler, escrever, fotografar, observar a natureza, ouvir os pássaros, respirar ao sol, conversar, saber que os meus estão bem, que têm os seus planos, que fazem o que gostam, que têm a sua vida realizada e motivação para ir atrás das suas vontades - tudo isso me acalma, me faz feliz. Foi por isto que tanto esperei.

Agora à noite, ao ver o youtube, um dos meus prazeres, apareceu-me, mais uma vez, um daqueles vídeos sobre os hábitos japoneses com que tanto me identifico. O vagar, o prazer das coisas simples, os hábitos tranquilos, a compreensão de que apenas o que é natural -- natural no sentido do contacto e respeito pela natureza -- me deixa verdadeiramente feliz.

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 * 

Gosto de cozinhar, em especial quando tenho a casa cheia. Mas, quando isso acontece, a verdade é que lamento sempre não ter um fogão e um forno maiores, pois cozinhar para muita gente é muito condicionador. Se a tachada é grande demais, por vezes não é fácil apurar, ou, se é no forno, não cabe tudo ao mesmo tempo, tem que ser por etapas, e isso complica a fluência, a sequência, que se quer ágil e ininterrupta.

Cozinhar só para nós dois permite-me fazer cozinhados feitos à nossa medida. Não tenho que pensar em pratos de que todos gostem, incluindo a malta miúda, e isso nem sempre é fácil pois uns não apreciam isto, outros não acham muita graça àquilo. Só para nós dois é simples.

Por exemplo, hoje fiz galinha com massa. E foi assim:

Num tacho, coloquei azeite, duas cebolas grandes. Dourei. Juntei uns quantos dentes de alho, duas folhas de louro fresco. Juntei, então, bocados de galinha. A galinha do campo, que tem carne mais rija, é bem mais saborosa que o frango. Envolvi e selei durante um bocado. Juntei uma cerveja mini e um pouco de sal. Ficou ali a cozinhar um bocado. Depois juntei um alho francês e salsa. Envolvi e deixei cozinhar em lume brando. 

Quando a carne já estava quase macia, juntei três cenouras aos bocadinhos, uma punhado de feijões verdes aos bocados e 2 beringelas (com casca, bem entendido) também aos bocados. Juntei mais um copo de água a ferver. Ficou a cozinhar. Quando a beringela já mal se via, juntei penne integral. Quando estava já cozinhado, juntei um pouco de vinagre de maçã e envolvi. 

Ficou a modos que caldoso, mas um caldo espesso, muito saboroso. Os legumes estavam desfeitos, a carne super macia e tudo envolvido em creme saboroso, quase como se tivesse levado natas. Mas, claro, nada de natas. A textura das beringelas desfeitas agrada-nos muito. O caldo, no fundo, é só legumes e tudo sempre cozinhado em lume branco, slow cooking.

E, ao passo que, quando trabalhávamos, jantávamos sempre às nove e tal quando não às dez, agora jantamos às oito ou mesmo um pouco antes. E é bom. Daqui a nada os dias estarão maiores e jantaremos de dia, e isso é muito agradável.

Mas adiante. Que venham os hábitos japoneses que são simples e, segundo consta, também saudáveis.

10 hábitos japoneses gratuitos para se manter jovem e energético

"Envelhecer é inevitável, mas a ferrugem não." No Japão, a longevidade é tratada como uma arte refinada — um efeito colateral natural do equilíbrio, e não uma batalha contra o tempo. Descubra 10 rituais atemporais, desde o movimento matinal do "Asa Taiso" até o propósito profundo do "Ikigai", que podem adicionar não apenas anos à sua vida, mas vida aos seus anos.

Neste vídeo, exploramos como alinhar seus ritmos diários com a natureza para alcançar clareza, mobilidade e paz. É hora de parar com a correria e começar a cultivar um estilo de vida onde a vitalidade surge da simplicidade.


Desejo-vos um dia feliz

terça-feira, março 03, 2026

Shibui

 

Há muitos anos comprei um blusão de pele. É forrado a cetim e tem um feitio intemporal. Sempre gostei imenso de o vestir, sinto-me bem, não é quente nem frio, não é justo nem é largo. Nem é desportivo nem clássico. Portanto, sempre o vesti em qualquer situação.

No entanto, não sei se foi o maluco do cão que, quando era mais pequeno, num daqueles saltos festivos, ferrou o dentinho ou se foi qualquer outro acidente: rasgou-se atrás, um pouco acima do cós. Fiquei passada. Não passada no sentido de zangada, já que acidentes acontecem, mas triste. Pus cola, tentando disfarçar, colando a pele ao forro. Não ficou grande coisa. E acabou por se deslocar e rasgar um bocado mais. Quando o visto, o meu marido diz que já não está capaz. É que, para além do rasgão, o cabedal também já está, em várias zonas, um pouco coçado. Tenho ideia que já a minha mãe também me dizia que o blusão já tinha visto melhores dias e que, se calhar, estava na altura de me desfazer dele.

Contudo, parece que gosto ainda mais dele. Parece que está cada vez mais afeiçoado a mim e eu a ele. E vejo beleza no passar do tempo sobre aquela pele.

Ocorre-me ainda uma outra coisa: há um lugar, in heaven, em que o terreno desce e se encosta à propriedade vizinha, vendo-se para lá e de lá para o nosso lado. Há uns anos imaginei um grande muro que estabelecesse uma barreira visual. Alto e comprido, com várias faces, quase como um grande livro aberto, com folhas desdobradas. A minha ideia era fazer pinturas em cada folha do muro. Poderia ser uma história que se desenrolasse ao longo da superfície ou poderia ser um deslizar de cores em movimento, formas abstractas, subtis. Sonhei com o que lá iria desenhar e pintar. Antecipei o prazer que era, para mim, pintar à mão livre em grandes superfícies. 

Para começar, houve que aplicar primário e, a seguir, umas camadas de tinta branca para que, com a superfície devidamente selada, pudesse, então, partir para as minhas rêveries.

E o que aconteceu é que me apaixonei pelo muro branco. As sombras que lá se desenhavam, as árvores ao lado, os arbustos por detrás, tudo aquilo, na singeleza de um grande muro branco, me parecia muito belo. 

Andei naquela dúvida durante algum tempo: persistir na ideia que me tinha levado a construi-lo ou abdicar dela e aceitar a surpresa da inesperada beleza de uma superfície branca. Ficou assim. Agora a perder cor, com alguns musgos, com aquela patine que acrescenta beleza ao tempo.

E depois há aquelas outras imperfeições que me parecem embelezar e enriquecer os objectos. Vou dar um exemplo do qual já aqui falei algumas vezes. Uma vez fui sozinha, para poder andar com tempo e à vontade, à FIL Artesanato. Já foi na FIL no Parque das Nações mas deve ter sido pouco depois da Expo 98. Saí do trabalho e fui para lá. Tínhamos mudado de casa pouco antes, havia muito por decorar. A feira enorme, cores, criatividade, tudo muito apelativo. Vi coisas giríssimas e fui comprando. Claro que não trouxe tudo aquilo de que gostava mas, ainda assim, muita coisa. Pior: coisas muito pesadas. As coisas mais pesadas, eu pedia para ficarem no stand enquanto ia passarinhar por outros stands. Antes de me vir embora, fui fazer a recolha. Tenho ideia que já eram umas dez da noite, senão mais. Quando me vi com aquilo tudo, percebi o disparate. Pensei que não ia conseguir. Quilos e quilos e quilos. Muitas peças em terracota, espessa, pesada. E peças muito grandes. Não podia deixar cair, senão partiam-se. E quase não conseguia dar passo. Aliás, dava dois passos e parava e pousava tudo. Depois mal conseguia retomar. O carro tinha ficado numa rua perto mas, com uma carga daquelas, era como se estivesse a milhas. Só me ocorria ligar ao meu marido e pedir que me fosse buscar. Mas já era tarde e não ia ficar no meio da rua, rodeada de tralha, assim de noite, para além de que não ia dar-lhe essa colherzinha de chá... 

Mas, não sei como, lá consegui. Cheguei a casa esbaforida, derreada, arrasada, apesar de ter deixado grande parte das compras no carro, para o meu marido lá ir buscar. Escusado será dizer que ficou até assustado com o despropósito de tamanho carregamento. Aliás, já tinha apanhado um susto pois eu nunca mais aparecia e não atendia o telefone. Lá dentro, com o barulho, não ouvia tocar. E, na rua, ajoujada como ia, não tinha mãos para pegar no telemóvel e depois, não sei como, deixei-o cair para dentro de um saco que ficou no porta-bagagem e nessa altura ainda não havia bluetooth. Aquela noite foi um stress do qual jamais me esquecerei

Uma das peças que trouxe é uma senhora a fazer tricot. Andando eu, naquela altura, sempre a fazer tapetes de arraiolos, isto depois do período do crochet e do tricot, achei que aquela mulher era uma bela piada para mim própria. E nessa mesma noite coloquei-a na sala do piso superior. 

Na altura, a nossa cãzinha, a doce boxer cor de mel, estava na flor da sua idade. Dormia na sua caminha, na copa. Geralmente, quando acordava, subia a escada e vinha para o nosso quarto. Mas, na manhã seguinte, acordámos com ela a ladrar furiosamente, como quando alguém tocava à porta. Contudo, o ladrar vinha da sala. Não fazíamos ideia do que se passava, alguma coisa era. Fomos ver, intrigados. 

Estava, então, a ladrar, possuída, aos saltos, junto à senhora que, tranquilamente, fazia tricot. Fartámo-nos de rir. 

Por segurança, tivemos que pôr a nova habitante quase entalada entre um sofá e o móvel-estante, para a proteger, pois a raiva contra o abuso de invasão do seu espaço poderia levar a ex-pacífica cãzinha a atacar a pacífica senhora.

Sempre tive mil cuidados para que não se partisse. Quando mudámos de casa, quase a trouxe ao colo, entre espuma, com receio de algum acidente.

Pois bem... há algum tempo, ao passar por ela, o casaco de malha solto que trazia prendeu-se numa das agulhas de tricot e, pimbas, lá caiu a senhora. Desastre, desastre. Quebrou-se toda. Fiquei cilindrada. Mas por pouco tempo. Resolvi que ainda não tinha chegado a hora dela. Fui buscar cola e tentei recompô-la. Depois, ainda pensei tentar disfarçar as cicatrizes. Mas ficou assim. Acho-a ainda mais bonita, imperfeita, não escondendo as vicissitudes pelas quais passou. 

(ampliem a saia e os joelhos e verão as cicatrizes...)

Quem a veja, pensará que termos, num lugar de tanto destaque, uma peça que se vê que já se escaqueirou toda não tem grande jeito. Mas eu acho que tem.

E, com todas estas minhas particularidades, já concluí muitas vezes que, afinal, se calhar o que há em mim não será tanto uma valente pancada mas uma veia oriental. 

A minha casa não é nada como as casas que no vídeo abaixo se veem, pois resulta de uma vida inteira vivida segundo hábitos ocidentais. Não é uma casa minimalista nem monocromática. Mas, apesar de tudo, é uma casa que privilegia o espaço livre e a entrada da luz. Circula-se abertamente pela casa toda, sem obstáculos. 

E passo a vida a fotografar reflexos, projecções, sombras e luzes vogando sobre os objectos.

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Shibui é a estética japonesa que encontra beleza na simplicidade, na imperfeição e na passagem do tempo. Ao contrário do minimalismo extremo que se concentra no vazio, o Shibui cria riqueza através de materiais naturais, artesanato e uma elegância discreta que se torna ainda mais bela com o passar dos anos.

Principais Características do Shibui

  • Beleza Sutil e Natural: Valoriza materiais naturais (madeira, pedra, algodão) e formas imperfeitas, muitas vezes associado ao conceito de wabi-sabi.
  • Contenção e Moderação: O design é simples, funcional e sem adornos desnecessários.
  • Profundidade: A beleza não é óbvia; é algo que cresce com o tempo e o uso.
  • Cores Neutras: Preferência por tons suaves, apagados ou monocromáticos, como cinza, castanho e branco suave.
  • Elegância Discreta: É o oposto de chamativo; uma sofisticação tranquila. 

O Shibui aplica-se a artes, design de interiores, arquitetura e à vida quotidiana, focando-se no que permanece bonito ao longo do tempo.

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3 regras japonesas para um lar pacífico

Desejo-vos um dia feliz

terça-feira, janeiro 27, 2026

Coisas simples que melhoram a nossa vida

 

Quem por aqui me acompanha saberá que fujo a sete pés de livros ou vídeos ou influencers que vêm com conselhos da treta relativos a lifestyle, a coaching, mindfulness ou a cenas dessas que a mim me parecem tresandar a vacuidade. Não me levem a mal mas tudo isso me parece coisa de gente tonta que aconselha gente ainda mais tonta. Pode não ser mas, confesso, é o que me parece.

Tenho a minha própria sapiência. Já vivi o suficiente para formar algumas opiniões e para perceber o que me faz sentir bem e para saber dar valor aos bons momentos. Também já conheço o suficiente da vida para saber que se é importante termos conhecimentos e vivências não é menos relevante conseguirmos o distanciamento suficiente para deixarmos de lado o que nos incomoda, a espuma dos dias que consome o nosso tempo sem que nada fique em nós.

Vivi uma vida inteira ultra activa, ultra solicitada, em que fui levada a ser responsável por muita coisa quase vinte e quatro horas por dia, com poucas férias, ano após ano. Muita gente me dizia que eu não conseguiria ficar sem trabalhar depois de me reformar e eu sempre disse que estavam enganados, tudo o que eu desejava era interromper essa espiral que me envolvia permanentemente em reuniões, avaliações, definições de objectivos, planos, resolução de problemas de toda a espécie, trânsito e mais trânsito, stress e maçadas para dar e vender. Decidi que sairia antes de atingir a idade oficial da reforma. Ainda assim, por razões de amizade e de responsabilidade, acabei por aceder aos pedidos para ficar até que uma operação se concluísse, acabando por ficar por mais cerca de meio ano para além do que tinha resolvido mas, ainda assim, antes da idade oficial. Na altura diziam-me que, não ia conseguir largar a habituação de décadas e que não tardaria a procurar nova ocupação.

Calhou acontecer que isso coincidiu com o ano horribilis em que a minha mãe iniciou a sua trajectória para a noite escura sem que eu compreendesse o que estava a acontecer pois ela conseguiu baralhar médicos e enfermeiros e ocultar completamente o mal que rapidamente progredia, e que progredia ainda mais rapidamente porque não se tratou, e, sem o confessar mas certamente cheia de medo e dividida entre a fobia que tinha a medicamentos e o medo pelo efeito de não se tratar, não tomou os medicamentos que lhe eram indispensáveis. Portanto, o meu primeiro ano de 'desocupação' foram absorvidos pela ansiedade que o estado da minha mãe me causava, pelas idas ao hospital (pois, nesse período, e antes do prolongado internamento final, esteve duas vezes internada, tendo conseguir desviar a atenção dos médicos do pior dos males), pelas idas ao médico, pelos telefonemas, pelas visitas que eram sistematicamente ocupadas por queixas de saúde de toda a espécie, erráticas, descontextualizadas, mas sempre revestidas de drama, de choro, e sempre concluindo e tentando convencer-me que a causa do seu mal estar eram os medicamentos que tomava (quando eu sabia que tomava muito menos que devia). Foi um ano terrível para a minha mãe, angustiante, direi mesmo apavorante, nem quero pensar, e, para mim, que desconhecia a realidade, desgastante até ao limite. Portanto, nesse ano, não me sobrou tempo nem disposição para pensar em qualquer outra actividade.

Fez a semana passada já dois anos. O tempo passa mesmo a correr, é muito estranho. Tudo ainda tão recente, as imagens e a voz ainda tão presentes.

A seguir foi preciso resolver a questão das coisas lá de casa, coisas infinitas, infinitas, não acabavam. Foram meses, esgotantes meses. Os meus filhos poucas coisas quiseram. Eu já não tinha onde pôr tudo aquilo de que não queria desfazer-me. Período tão difícil também. Não tinha ânimo nem energia nem nada para mais nada. Só para escrever. Para tentar reequilibrar-me, escrevia compulsivamente.

Na verdade, apenas o ano passado aprendi a não fazer nada, a usar o meu tempo. 

E tem sido um tempo bom. Geralmente não tenho horários, não tenho compromissos. Posso fazer aquilo que quero. Posso ler salteado, pular de livro em livro, sentar-me a olhar as árvores, a ouvir os pássaros, posso andar a fotografar flores e frutos, posso andar a perseguir sombras, a encantar-me com o bailado das silhuetas nos muros. 

Coisas simples. 

Como o algoritmo do youtube conhece as minhas entranhas e sabe que ando zen, mostra-me que aquilo que eu procuro e em que me detenho são práticas que os japoneses seguem.

O vídeo de hoje (que pode ser legendado, com legendagem automática) repesca 8 hábitos que fazem melhorar a vida e nos quais me revejo, ou porque os pratico ou porque gostaria de praticar. Sobre alguns deles já aqui falei algumas vezes. Um prazer. Coisas simples, coisas de nada. O primeiro deles era prática muito comum na empresa: uma pequena melhoria de cada vez, uma após outra. Aconselho vivamente.

8 Tiny Japanese Habits That Will Transform Your Life

Se alguma vez se perguntou porque é que o Japão tem uma das maiores expectativas de vida, cidades mais limpas e algumas das pessoas mais calmas e focadas do planeta… não é genética nem sorte.

São pequenos hábitos diários — ações simples que parecem insignificantes, mas que se vão acumulando ao longo dos anos, gerando uma enorme transformação.

Neste vídeo, analisamos os 8 hábitos japoneses cientificamente ligados à longevidade, clareza mental, disciplina, produtividade, resiliência emocional e satisfação com a vida.

Você aprenderá:

🧠 Kaizen — o método de melhoria contínua de 1% utilizado pela Toyota para dominar o mundo

🎯 Ikigai — como encontrar o seu propósito e acordar motivado

🥗 Hara Hachi Bu — a prática alimentar de Okinawa que aumenta a longevidade

🌲 Shinrin-Yoku — banho de floresta e porque é que os médicos o recomendam

🌿 Wabi-Sabi — liberdade do perfeccionismo

💪 Gaman — resiliência mental sem queixas

🤝 Omiyari — disciplina empática que fortalece as comunidades

✨ Kintsugi — transformar a dor e o fracasso em força

Estes hábitos não são atalhos. São princípios para construir uma vida plena, uma pequena ação de cada vez. 


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Dias felizes

domingo, janeiro 25, 2026

Dá-lhe um nome. E isso viverá para sempre

 

Começo a perceber que se calhar a matriz da minha natureza se ajusta bem à cultura japonesa. 

O meu avô paterno tinha ares orientais e, à medida que foi envelhecendo, mais oriental foi parecendo. E era uma pessoa admiravelmente serena. Nunca o vi alterado. A minha avó era o oposto dele, uma pessoa geralmente ansiosa, preocupava-se com tudo, aborrecia-se facilmente, implicava com alguma frequência com ele. Ele encarava a maneira de ser dela com uma absoluta tranquilidade. 

Embora trabalhasse numa empresa, os seus momentos livres eram passados ou na sua horta ou à pesca. A minha avó aborrecia-se com ele porque trazia terra nos sapatos ou porque trazia muito peixe para ela amanhar. Ele não se importava. Acho que até sorria. Se estava em casa, sentava-se a ler. Sempre calmo. Eu adorava-o. Quando estava em casa desses meus avós, era atrás dele que eu gostava de andar. E ele gostava da minha curiosidade, das minhas perguntas. Chamava-me a atenção para as florezinhas dos morangueiros, depois para o olhinho vermelho que despontava, depois o frutinho já formado. E, quando estava madurinho, apanhava-os, passava-os por água e dava-mo. Ao longo de dias eu observava o devir da natureza.

O meu tio, irmão do meu pai, herdou esses traços orientais. O meu pai sempre foi mais parecido com a mãe. E eu, segundo dizem, fisicamente, tenho muito do meu pai. Portanto, enquanto a minha prima também tem alguns traços orientais, eu nada. Mas, se calhar, na minha apetência para a contemplação das nuances da beleza que se podem encontrar na natureza haja um pouco dessa veia.

Ainda ontem, a meio da tarde, parecia que havia uma aberta, fomos caminhar para uma zona de arvoredo que há não muito longe daqui. O meu marido foi contrariado, olhava o céu carregado e sentia o vento a acelerar e dizia que não estava tempo para nos metermos no meio do arvoredo. Mas eu queria ver as poças de água, gosto de ver as árvores reflectidas na água, e gosto de ver a água tingida pelas cores ocre da terra. Lá fomos. Afinal havia mais que poças, havia quase um lago. Lindo. Umas cores transcendentalmente lindas, variadas, uns reflexos maravilhosos. Tentei fotografar, filmar. Só que desatou a chover com uma força enorme e o vento e a chuva faziam um rugido um bocado assustador. Claro que nos viemos logo embora, até porque havia muitos bocados de árvores caídas e porque o nosso cão estava um pinto, assustado com o trovejar. 

Mas vim maravilhada, uma daquelas sensações em que nos sentimos transportados para espaços de beleza, em que nos sentimos imersos num mundo limpo, despoluído, absolutamente natural, benéfico, puro, imaculado.

Se digo estas coisas, o meu marido diz: 'És maluca. Debaixo de um temporal e, em vez de te despachares, ainda queres parar para tirar fotografias.'. Reconheço o ponto de vista dele mas não consigo de deixar de pensar que todos os dias as coisas são diferentes, os verdes nunca são os mesmos, os reflexos nunca são iguais, e que quero testemunhar isso, quero captar isso.

Mais de 16 milhões de cores, aprendi hoje. Imagine-se. Na prática, uma infinidade. 

O vídeo que aqui partilho (legendado) é mais um daqueles que me encantam do princípio ao fim. O nome dos momentos, o nome das cores, a forma como mudam de umas para outras, o efeito que tem um tecido transparente arejando sobre outra superfície. Tudo isso me parece transcendente de tão simples e perfeito e efémero que é.

Mesmo que pensem que 'não são destas coisas' -- e que o vosso pensamento esteja mais virado para as preocupações da actualidade, como as fantochadas do Ventura ou como a situação cada vez mais complexa nos Estados Unidos, a violência a alastrar nas ruas, a revolta e o desespero de muitos que os leva a enfrentar as perigosas milícias do ICE, ou com os receios de que comece a desenhar-se uma nova crise financeira com a retaliação de alguns países face à estupidez e à prepotência desbragada de Trump que está a traduzir-se na venda de títulos de dívida americana ou de fundos ou, até, a quererem a devolução do ouro --, mesmo assim sugiro que tentem ver o vídeo. Acho-o não apenas muito belo como nos mostra como o mundo pode ser tão mais rico se estivermos despertos e disponíveis para aprofundar e diversificar a visão das coisas. 

A filosofia japonesa da cor e da imperfeição

Em português, o céu ao amanhecer pode ser simplesmente chamado de "azul" que se transforma em "laranja". No Japão, esta transição fugaz tem inúmeros nomes.

Porque é que o Japão deu mais de mil nomes às cores do silêncio? Neste vídeo, exploramos a profunda filosofia por detrás das cores tradicionais japonesas. Da estética proibida do período Edo ao antigo "algoritmo" de sobreposição de seda, descubra como o Japão não criou apenas cores — captou momentos antes de desaparecerem.

Aprofundamos em:

As Coordenadas da Memória: Porque é que nomes como "Moegi" (Amarelo Broto) funcionam como cápsulas do tempo.

48 Sombras de Castanho e 100 Sombras de Grey: A história da rebelião contra as proibições de luxo no século XVII.

Kasane (Sobreposição): O sistema ótico de mistura de luz, muito antes do design digital.

A Beleza do Desbotamento: Porque é que o Índigo (Azul Japão) se torna mais valioso com o tempo.

"Dá-lhe um nome. E ele viverá para sempre."


Desejo-vos um belo dia de domingo

domingo, janeiro 18, 2026

Komorebi

 

Acabei de ter uma grande alegria. Aprendi uma coisa e percebi que, na volta, não sou maluca de todo.

Vou contar-vos. 

Tenho um hábito, coisa muito minha, que me leva a ficar a olhar para os muros, para as paredes, para o chão, e que me deixa encantada. É como se o mundo dito real, palpável, se desdobrasse em vários outros, ao mesmo tempo efémeros e imarcescíveis. 

Se tenho comigo o telemóvel, fotografo. Senão, muitas vezes vou a correr buscá-lo. Dantes usava a máquina fotográfica, mas tantas se estragaram que desisti. O telemóvel serve bem. Então fotografo o que me encanta. 

Mesmo à noite, quando vamos passear com o cão, deixo-me ficar para trás para fotografar. Fotografo a sombra que a luz dos candeeiros projecta nos muros, fotografo as árvores contra o céu escuro, quase a sombra que as árvores nocturnas espelham no céu. 

Esta fotografei há pouco, achei-a linda

O meu marido apressa-me, não lhe parece bem que, à noite, as ruas vazias, e isto já para não falar no frio ou na chuva, eu atrase a marcha, me demore, me deixe ficar sozinha. Dantes perguntava o que é que eu estava a fotografar. Agora já se deixou disso. Quando perguntava, muitas vezes eu respondia: 'Nada'. E não era para ser antipática, era mesmo porque achava que ele não ia achar muito lógico se eu dissesse  que estava a fotografar sombras. 

Tenho incontáveis fotografias disso: a sombra que as coisas fazem. A sombra fugaz. Daí a instantes, a posição relativa das coisas face ao sol (ou ao foco de luz) estará diferente, as sombras estarão diferentes ou inexistentes. Ou se o vento agitar as coisas, a sombra perderá a sua nitidez. Adquirirá então movimento, tornar-se-á fluida, ainda mais lábil.

Não comentava com ninguém, ou até escondia, este meu encantamento. Achava que, se falasse nisso, as pessoas achariam que eu não era boa da cabeça e eu teria dificuldade em rebater, se calhar é mesmo pancada. Se me dissessem que eu estava a enaltecer uma coisa banal, uma coisa a que qualquer pessoa normal não atribuiria qualquer relevância, iria pôr-me a falar da beleza poética do que é imaterial, do que não deixa rasto? Estaria a enterrar-me ainda mais, não é?

Mas eis que agora me aparece um vídeo em que se dá um nome a isto. Komorebi. A luz do sol filtrando-se através das árvores. Ou seja, não apenas não é maluquice minha como até tem um nome. Adorei o vídeo: fala-se sobre o assunto, fala-se da beleza das sombras etéreas, intangíveis, móveis, belas, fala-se do que se pode contemplar em silêncio, do que se pode sentir dentro de nós. 

A beleza do Komorebi: como os japoneses veem a luz filtrada

Komorebi é uma palavra japonesa que descreve a luz solar a filtrar-se pelas árvores.

Neste vídeo, exploramos a beleza do komorebi e como os japoneses veem a luz filtrada não apenas como algo que vemos, mas como uma experiência serena de tempo, natureza e presença.

Das florestas e ruas da cidade à arquitetura, jardins de chá e vida quotidiana, o komorebi revela uma forma delicada de perceção do mundo. Ele lembra-nos que a beleza não exige atenção. Ela espera por ela.

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E bora lá votar.

E um belo dia de domingo

sexta-feira, maio 16, 2025

Sobre os chiliques do Ventura, sobre uma conhecida que me apareceu uns anos mais nova e sobre uma japonesa que tem saudades de algumas coisas de Portugal

 

Presumo que, nesta sexta-feira, o meu grupo de amigos apareça com piadas diversas sobre mais um chilique do Ventura. Pode até acontecer que os que são médicos lancem suposições, umas mais benévolas, outras nem tanto. O Ricardo Araújo Pereira já deu o mote, gozando à cara podre e, no Eixo do Mal, o Pedro Marques Lopes falava em gases e a Clara Ferreira Alves falava em histeria ou em paroxismo.

Entretanto, já me chegou o que um médico meu conhecido (super experiente e sempre certeiro nos seus diagnósticos) pensa ser a causa mais provável da maleita do Ventura. Mas ele acha isso com base no que viu e ouviu na Comunicação Social e em explicações que alguns colegas foram avançando. Ou seja, não conhece os resultados dos exames para além do que é público (isto é, que não há nada de cardíaco e que não teve que ficar em observação). Por isso, seria imprudente da minha parte partilhar essa opinião até porque poderia ser lesiva da imagem do Ventura e não que me importe com a imagem do Ventura mas porque gosto de ser justa e objectiva. 

Contudo, seja isso que o meu conhecido acha, sejam ataques de pânico, crises agudas de ansiedade, refluxo, gases ou o que for, talvez não seja mau que se retire (da política, de preferência) e faça uma cura. Descanse, pense na vida, se calhar ingresse, de novo, num seminário. O País só terá a ganhar com isso. Como se viu, na ausência de Ventura, o Chega mostra o que é: um saco cheio de coisa nenhuma.

Tirando o acontecimento do duplo chilique do Ventura, posso dizer que nos encontrámos com um casal que não víamos há três anos. Eu quase não a reconhecia: mais nova, mais bonita. Fiquei tão admirada que me saiu: 'Está tão diferente... Fez alguma coisa?'. Ela parece ter ficado admirada e disse que não. Mas alguma coisa foi. Ou está um pouco mais gordinha e o rosto ficou mais 'preenchido' ou estava maquilhada segundo todas aquelas boas práticas em que se escondem as rugas, se disfarçam as rugas e a flacidez ou usou botox. Mas fiquei francamente admirada. Estava a conversar com ela e a tentar perceber o que se passava ali. Até a forma como estava vestida me surpreendeu: arrojada, moderna, impactante. Ele estava normal, praticamente igual. Às vezes, quando menos esperamos, somos surpreendidos.

Mas, enfim, nada de mais.

Importante é que estamos mais perto das eleições e continuo desconfortavelmente hesitante. Esta gente não me inspira. Não vejo rasgo, não vejo visão estratégica e determinação. 

Em contrapartida, ao ver o gasolineiro de Braga e as respostas que deu à CNN, fiquei francamente incomodada: é, então, aquele o principal cliente do Montenegro...? Senhores... E fiquei sem dúvidas: se Montenegro continuar a pairar pela nossa vida política, é mesmo relevante que haja uma CPI. 

Mas, ainda assim, o nosso País, para além de lindo, é um lugar muito bom para se viver. Que o diga Mako, a jovem japonesa que, depois de ter estado a viver em Portugal, regressou ao país natal e sentiu falta de algumas coisas a que se tinha habituado por cá.

Things I MISS the most about Portugal when I'm back in Japan.

Uma boa sexta-feira

Be happy

domingo, agosto 20, 2023

A beleza do impermanente, do imperfeito, do rústico, do melancólico

 

Às vezes penso que, se um dia destes der de caras com um daqueles meus antigos colegas de trabalho que eram cheios de prosa, todos certezas e teorias, cheios de objectivos e medidas para aferir a sua prossecução, não sei se vou conseguir manter um daqueles diálogos que antes conseguia (embora com um certo esforço) sustentar.

Não é que eu, nessa altura, não incentivasse a ambição, o foco, a assertividade, o ímpeto em conseguir chegar à frente antes dos outros. Incentivava. O mundo das empresas em contexto de concorrência feroz assim o exige. Sobrevivem as empresas que se aguentam na luta da selva, feita para a sobrevivência dos mais ágeis, dos mais fortes, dos mais hábeis.

Mas nunca fui de colocar isso acima de tudo e, muito menos, de ter uma conversa quase exclusivamente moldada por isso. Pelo contrário, sempre tentei deixar espaço à alegria, ao improviso, ao diferente, ao erro e ao desafio.

Mas agora que estou fora desse mundo, estou em pleno processo de descompressão. Sempre me senti muito próxima da simplicidade, da natureza, sempre estive muito consciente da minha efemeridade, sempre me senti agradecida. Mas agora isso acentua-se de dia para dia. E toda eu me inclino para a aceitação da diferença, da beleza espontânea -- mesmo que pouco convencional --, da generosidade dos gestos de compreensão.

O algoritmo do Youtube, fino que nem um alho, esperto que só ele, adivinha-me o estado de espírito e alimenta-me as entranhas espirituais com vídeos que me agradam, inspiram, ensinam.

O meu dia foi um dia feliz, tal como o de ontem. Ter a casa cheia de risos, cantares, alegrias, poder estar na conversa com aqueles de que gosto, tudo isso me enche de felicidade.

No outro dia, alguém escreveu aqui um comentário (que não publiquei pois quem o escreveu esticou-se para além do razoável) em que, entre outras coisas, me criticava por eu ser como sou. Dizia que eu cultivo este estado de espírito 'feliz' e ignoro o que é mau e desagradável. Não é verdade pois frequentemente aqui falo do que me desagrada. Mas é verdade que a minha natureza é esta: valorizo as coisas boas, agradeço-as, cultivo-as com carinho. E tento não me deixar afogar na depressão das más notícias e das desgraças. Quem quiser viver delas, cultivá-las à exaustão, deve procurar o Correio da Manhã e não o Um Jeito Manso

Ao contrário das pessoas que passam a vida a dizer mal de colegas, chefes, vizinhos, familiares, etc, eu não tenho paciência para isso. E nem é uma questão de paciência, é mesmo que as ignoro. E ignoro-as até involuntariamente. Não quer dizer que seja completamente insensível à maldade. Não sou. Se alguém me faz alguma que é mesmo má, deliberadamente má, repetidamente má, aí eu afasto-me, viro costas, apago da minha existência. Não quer dizer que o assunto fique completamente morto e enterrado pois, se me fizerem reviver o assunto, lembrá-lo-ei com a mesma agastura e a mesma certeza de que não tem volta. Mas, mal a conversa acabe, ponho nova pedra sobre o assunto. E bola para a frente.

Quero é ter espaço na minha mente e na minha vida para descobrir coisas e pessoas boas, inesperadas, pacíficas, felizes.

Hoje apareceu-me isto. 

What is Wabi Sabi?

Gosto disto

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Desejo-vos um bom dia de domingo

Saúde. Bom coração. Simplicidade. Paz.

sexta-feira, agosto 11, 2023

A excepcionalidade dos Chibi Unity

 

Se há coisa que deteste é gastar um dia, à espera.

No outro dia pedimos que viessem cá arranjar uma coisinha de nada.

Veio no outro dia. Tínhamos combinado que vinha cedo pois às onze, no máximo, teríamos que sair. Apareceu perto das onze, não fez nada e deixou uma coisa estragada. Combinou que vinha hoje acabar e que estaria cá entre as dez e as onze.

Eram onze e não tinha aparecido. Nem atendia o telefone. Toda a manhã à espera.

Só atendeu perto da uma. Disse que vinha às duas.

Veio e trouxe um ajudante. O que havia para fazer era mínimo. Não sei o que fez mas só saiu depois das seis e disse que não tinha acabado, que teria que vir amanhã.

Toda a tarde nisto, o cão preso, a ladrar, nós em stand by. Não podíamos sair porque andava fora e dentro e, sem o conhecermos de lado nenhum, não íamos deixá-lo sozinho.

Não consigo perceber. Dá ideia que é daqueles atrapalhados que cria problemas a ele próprio. E não consegue descrever o que se passa. 

Fico entediada, furiosa, arreliada com coisas destas. Só me apetece mandá-lo bugiar mas não faço ideia da trapalhada que ele arranjou e temo estar pior do que quando pedimos para cá vir. Aliás, não lhe pedimos a ele pois não o conhecíamos. Falámos com outro que ia de férias e disse que mandava cá este.

Quem vive na santa terrinha (e digo santa terrinha sem qualquer condescendência pois há terras que são mesmo santas e é um privilégio lá viver) e conhece mil jeitosos e faz-tudos nem sabe a sorte que tem. Uma pessoa viver num lugar em que não há ninguém para fazer o que quer que seja e termos que nos sujeitar a coisas destas é do pior que há.

Não faço ideia do que me espera esta sexta-feira mas até tremo.

Há pouco adormeci profundamente. Custou-me a acordar. Como habitualmente, fui ver as novidades. Vi uma casa em Bali que me deixou perplexa. Nem sabia que podia haver casas tão incríveis. Tinha pensado partilhá-la convosco. É de uma simplicidade fantástica mas de um tal bom gosto, de um tamanho fascínio pela natureza que fiquei rendida.

Contudo, agora vi este vídeo do America's Got Talent e também fiquei sem palavras. Que coisa, que intensidade, que extraordinária interpretação do que são os tempos correntes. Achei uma verdadeira maravilha. E se estou a exprimi-lo em palavras quando tinha dito que tinha ficado sem elas é apenas porque é por escrito pois, se lá estivesse, estaria sem saber o que dizer.

Golden Buzzer: Chibi Unity delivers "the PERFECT AGT audition" 

| Auditions | AGT 2023

Desejo-vos uma bela sexta-feira

Saúde. Paciência e boa disposição. Paz.

sexta-feira, abril 21, 2023

Será que o que os faz a eles viverem melhor também se nos aplica?

 


Lidei profissionalmente com japoneses e confesso que não adorei. 

Claro que não se podem fazer generalizações. Não posso pensar que são todos como aqueles com quem me relacionei. Mas como são os que conheço, vou falar deles.

Para já eram ultra picuinhas. Tudo era analisado ao milímetro, tudo era esmiuçado até ao limite da nossa paciência, pelo menos da minha. Frequentemente tinha vontade de dar um basta pois nem percebia para que era aquela necessidade deles de perceberem cada ínfimo pormenor.

Eram muito simpáticos mas, para o meu gosto, um pouco demais. Começavam a dar apertos de mão e ficavam naquilo durante não sei quanto tempo, as mãos para cima e para baixo, a cabeça baixa, a sorrir. Não sou disso, tinha que fazer um esforço para me manter também sorridente, com a minha mão não sei quanto tempo no meio de uma mão alheia.

E já contei: a meio da negociação punham-se a falar japonês entre eles e eu e os outros portugueses que esperássemos. Ficava incomodada e mal disposta e mostrava a minha impaciência, mas eles nem aí.

E uma das piores, creio que também já aqui falada: imaginem uma reunião determinante e uma mesa cheia de gente. Tudo previamente acordado. Eles próprios, nos preparativos prévios, diziam quem queriam conhecer. Uma mesa cheia. E, para início de conversa, no início da reunião, tudo cheio de etiquetas, oferecem-me um presente, por sinal um lenço de seda pura, lindíssimo. Ainda o tenho, é uma maravilha. Mas imagine-se. Vamos começar a reunião e eles, com pompa e circunstância, aprontam uma destas. 

Tenho ideia que também tínhamos qualquer coisa para lhes oferecer mas não ali, à frente de toda a gente, em plena reunião e, sobretudo, nunca um presente apenas para um, deixando os outros a olhar. 

Porque o pior ainda foi isso: um presente para mim e nada para quem me acompanhava. Ainda por cima não era coisa que eu pudesse dividir com os outros. Ou seja, para mim, aquilo foi um gesto indelicado pois penso que ou se oferece a todos ou não se oferece a ninguém. Portanto, senti-me mesmo mal. Mas pior ainda que isso: com eles a sorrirem para mim, a escrutinarem a minha reacção, tive que agradecer e sorrir e sorrir e sorrir.

Depois queriam visitar tudo (tudo previamente combinado ao detalhe, claro) e lá andámos com eles. E faziam questão de ficar em fotografias comigo, todos sorridentes. 

Havia depois o jantar mas eu não apenas detestava jantares de serviço como já não aguentava tanta simpatia e tanto sorriso. Foi a que era o meu braço direito mais um de um outro departamento. Contou ela que veio de lá estafada. Imagino.

E a simpatia chegou ao ponto de quererem dar o meu nome a um produto que iam lançar, coisa que, na altura, me pareceu até quase infantil. Claro que achei uma certa graça mas já na altura pensei que era o tipo de coisas que só ocorriam a japoneses. Lidei com tanta gente de tantos países e simpatias deste tipo só mesmo com eles.

Note-se que, no que digo, não há crítica negativa mas apenas o reconhecimento de que a questão cultural é relevante quando se avaliam hábitos ou ideias de gentes de outras geografias, sobretudo de culturas milenares. Pode não nos fazer sentido mas não devemos rejeitar liminarmente pois o que acontece é que vivemos em comprimentos de onda diferentes.

Por circunstâncias diversas, algumas já aqui referidas, os meus dias agora têm ainda menos tempos livres do que antes. Por isso, durante o dia não vejo televisão nem sei de notícias, muito menos intrigas ou fofocas. Mas gosto de espreitar os vídeos que o YouTube tem para me mostrar. 

Hoje apareceu-me o vídeo abaixo. Fui ver com alguma curiosidade. Logo o primeiro hábito me pareceu uma certa bizarria. Nem sei qual a credibilidade do autor do vídeo. Mas, seja como for, vi até ao fim e fiquei a pensar que, se calhar, alguns até fazem algum sentido. Aqui fica, à vossa consideração.

8 hábitos simples que vão tornar a sua vida muito melhor

E bora lá limpar bem as casas de banho!

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Desejo-vos um dia bom

Saúde. Harmonia. Paz.

quinta-feira, agosto 11, 2022

Ser pago para não fazer nada
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Claro que preferia estar de férias. Claro que tenho saudades dos abençoados tempos em que havia férias grandes que davam para tudo. De manhã ia à praia com os amigos, de tarde ia passear com eles pela baixa, pela beira-mar. Outras vezes ia passar o dia com os eles para a casa que uns tinham no campo. Na altura era campo mas, de carro, devia ser a cinco ou dez minutos da casa deles na cidade. Hoje é uma zona de moradias da cidade. Depois, quando o meu pai estava de férias, fazia férias com ele e com a minha mãe: íamos para Porto Covo ou para a Curia. Vários amigos meus faziam o Luso mas os meus pais preferiam a Curia. Isso causava-me algum enervamento pois o meu namorado da altura estava no Luso e eu na Curia e, ainda por cima, sempre desfasados. Mas também passava num instante. Estava lá e só pensava que não via a hora de voltar vê-lo. Havia também alguns dias de pura indolência. Lia muito. O tempo esticava de uma forma mágica. 

Com o outro namorado era diferente. Passávamos a maior parte do tempo juntos. Mas não era particularmente estimulante pois ele gostava muito mais de mim do que eu dele e, por isso, desse tempo o que recordo é a minha vontade de fazer coisas diferentes das que fazia. 

Com o terceiro, aí a música passou a ser outra: estávamos juntos de manhã à noite. No único verão em que namorámos, ele instalou-se numa pousada de juventude perto de mim e, portanto, era praticamente non stop. E era uma coisa equilibrada: estávamos os dois loucos um pelo outro, uma chama que ardia bem à vista de toda a gente.

Quando comecei a dar aulas acabou-se a bela vida. Estudava e dava aulas com horário completo. Tinha reuniões de avaliações, exames a vigiar, provas a corrigir, e isto em paralelo com trabalhos e exames meu na faculdade. E estava casada. Portanto, a coisa começou a apertar. Pior ainda quando fui trabalhar em empresas. Aí o tempo de descanso encurtou-se dramaticamente. Poucos dias e aí já com crianças pequenas. Não eram bem férias, era mais uma interrupção na rotina. 

Agora, que tenho tão poucos dias, gostaria de poder ter uma semana sem nada que fazer, nada de nada, não ter compromissos, não ter que ir a lado nenhum nem nada. O meu marido está como eu: diz que gostava de poder ficar deitado no sofá a descansar, diz que gostaria de poder dormir até mais tarde. Claro que estou em crer que, ao fim de uma semana sem fazer nada, já não me aguentaria, já estaria doida para sair, para fazer qualquer coisa. 

Quando no verão ficamos no campo, se estamos os dois sozinhos, no primeiro dia arrasto-me. Durmo, estou numa indolência que me deixa inerte. Ao segundo já ando de vassoura na mão, de balde e esfregona de um lado para o outro, limpezas a preceito. Depois já é podão e serrote e já ando de roda das árvores. E a partir daí já estamos os dois desertos para ir até à cidade mais próxima e tudo serve de desculpa: ou ir ao supermercado ou ir ver de alguma ferramenta. Qualquer coisa para nos sentirmos mais perto do mundo.

Enfim. 

Ontem, se estão recordados, contei que, ao fim do dia, quando aqui chego ao sofá, percorro as notícias e os sites que costumo frequentar para ver se descubro coisas nunca vistas, inesperadas, melhor ainda se transportarem qualquer coisa de inusitado, de meio amalucado.

Ora, como é sabido, o algoritmo do Youtube lê-me os pensamentos, pressente o meu estado de espírito, faz de tudo para me agradar e surpreender. Não tive até hoje ser vivo que assim me interpretasse e assim desse a volta ao mundo para descobrir o que me agradar. Isto da inteligência artificial tem que se lhe diga (e não digam que não avisei -- e, podem crer, sei um pouco do que falo)

Pois hoje o meu bff tinha para me mostrar uma situação extraordinária: um homem que vende o seu tempo para não fazer nada, apenas estar. No vídeo ele explica: resolveu ocupar o seu tempo, um tempo em que nada faz, de forma produtiva. Parece um paradoxo mas não é. Ou, se calhar, é. Tanto faz. 

E, curiosamente, está a ter saída. Pessoas que não querem almoçar sozinhas, pessoas que não querem ir a um sítio sozinhas, alguém que quer ter a experiência de um efusivo cumprimento numa estação de comboios, alguém que quer conversar sobre um tema sensível e não quer perturbar a família e amigos. De facto, um mar de possibilidades.

Diz ele que antes julgava que as pessoas muito ocupadas eram todas bem sucedidas e felizes. Constatou, entretanto, que não é bem assim. Diz que há muita solidão. 

Impressionou-me este vídeo. Há qualquer coisa de feridas expostas nisto. Mas, se calhar, estou a dramatizar. Se calhar é apenas uma forma prática de ultrapassar situações que, para algumas pessoas, são constrangedoras. Se calhar não tem nada de mais. 

Não sei. Às tantas não sei mesmo é mais nada.

É certo que isto se passa no Japão e no Japão passam-se muitas coisas estranhas. Contudo, creio que, neste caso, poderia acontecer aqui ou em qualquer outra cidade.


O japonês que é pago para não fazer nada

Shoji Morimoto provides a very unusual rental service to his clients in Tokyo, hiring himself out in order to, quite literally, do nothing.

He has fashioned a career out of renting himself out to clients who simply don't want to be alone. Shoji doesn't engage in conversation or do anything other than just be there at whatever event or activity he has been hired to attend, and yet he is in high demand, scheduling one to three sessions a day. 

PS: Ou seja, se alguém veio ao engano, a esta altura já deu para perceber: ao falar em 'ser pago para não fazer nada, obviamente não estava a referir-me ao Sérgio Figueiredo.

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As fotografias mostram um graffiti especial, em forma de renda. A rimeira foi feita em Póvoa de Atalaia, a segunda em Vila do Conde e a terceira no Bombarral. A autora é NeS NeSpoon

Yiruma interpreta Maybe

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Desejo-vos um dia bom

Saúde. Bom descanso. Paz

domingo, julho 18, 2021

Quem vê casas...

 



Se me saísse o euromilhões, naquelas vezes em que saem muitos milhões, há uma coisa que eu gostava muito de fazer: encontrava um terreno grande e, lá, fazia uma casa para cada um dos meus filhos e, se os meus netos ainda fossem pequenos, fazia só o projecto mas, se já fossem grandinhos, fazia também uma casa para cada um. Gostava que morassem perto uns dos outros. Mas haveria de ser uma espécie de condomínio para que cada um tivesse a sua independência e privacidade. E gostava de tratar do projecto em conjunto com cada um deles.

A arquitectura é das formas de arte mais completas e mais humanas. Gosto muito de (bons) projectos de arquitectura e tenho admiração por alguns (bons) arquitectos.

Vejo, sempre que posso, vídeos de projectos de arquitectura. As soluções encontrtadas são, muitas vezes engenhosas, inteligentes. Hoje vi o que aqui abaixo partilho e pensei logo no meu neto mais velho, menino muito querido (mas muito terrível, verdadeiro pimentinha-pestinha encartado), que vibra com arquitectura moderna. Onde os outros vêem cubos sem graça, linhas excessivamente direitas e algum exagero de volume, ele diz com entusiasmo que gosta e que era assim que gostava de ter uma casa. E eu percebo-o. Imagino-o, adulto, a viver num ambiente assim.

Eu, para mim, não consigo escolher um género. Gosto de casas amplas, luminosas, em que não se tenha a ideia de se estar confinado. Tirando isso, interesssa-me a funcionalidade, a beleza e, de preferência, que tenha alguns recantos.

Nenhuma das casas em que já vivi era nova quando para lá fomos. Prefiro encontrar uma casa que sinta como minha e onde sinta que há margem para o meu cunho, a nível de decoração, do que estar a construir de raiz. Parece um contrassenso, bem sei.

Se calhar tem a ver com um dos meus sonhos recorrentes. Chego e encontro uma casa. É uma casa grande e passa-se de umas divisões para outras e é uma surpresa pois a evolução é coerente e, ao mesmo tempo, inesperada. E eu estou ali e a pensar que aquela é a minha casa, como se estivesse à minha espera. E, na volta, na vida real sempre foi isso que procurei.

Quer esta casa onde agora estou quer a casa no campo, in heaven, têm uma característica comum: há um espaço grande em que se passa de umas zonas para outras num movimento contínuo, sem portas. E, as que há, estão sempre tão abertas que nos esquecemos delas. 

Quando para aqui viemos nunca sabia onde tinha deixado a chave ou o telemóvel e a sensação que tinha é que havia um núcleo central com um corredor em volta de onde nasciam outras divisões. Quando andava à procura das coisas, tinha a impressão de que andava às voltas num espaço circular. Afinal, na verdade, não tem nenhuma área circular. Às vezes, à noite, ia ver a planta da casa para tentar perceber a razão da impressão que eu tinha. E, ao fim de um ano, de cabeça, parece que ainda não percebo bem. 

Na primeira fase da pandemia estivemos no campo. Estava eu e o meu marido, ambos em teletrabalho. Algum tempo depois, juntou-se-nos a minha filha e os miúdos, ela também em teletrabalho, os miúdos em escola remota. Noutras vezes em que ela não estava, foi o meu filho. Estava ele e a minha nora em teletrabalho e os miúdos na escola.

Era sempre uma dificuldade pois, sem portas, não se conseguia ter o isolamento e privacidade que, por exemplo, ter reuniões pede, em especial para não haver movimento ou barulho por perto. O que valia era que uns iam para os estúdio e outros, como estava bom tempo, ficavam na rua.

Nesta casa também acontece isto. O piso de cima é todo aberto. Aliás, a escada nasce na sala, sem portas e vai até lá acima. Ter uma reunião lá é sinónimo de tudo se ouvir. Entre a cozinha, a salinha de refeições, a sala da lareira e a sala de jantar (e a dita escada para o primeiro andar) não há portas. 

O meu marido usa o topo da mesa da sala de jantar pois está rodeado de janelas, tem imensa luz. Mas, se ele está a ter reuniões, não posso lavar louça à mão ou moer a base da sopa pois tudo se ouve. 

Esse é o lado chato -- mas é pormenor pois, de resto, é uma sensação de fluidez e largueza que compensa o resto.

Mas há uma coisa que, para mim, ainda é essencial. E digo 'ainda' pois sei que a minha opinião evolui e que o meu gosto se adapta. Mas, por enquanto, é essencial que tenha paredes normais. Uma casa com mais vidro que parede cria dificuldades: é chato encostar móveis e não há onde pendurar quadros. Quando vim para aqui, como por uma milagrosa coincidência, todas as minhas coisas encontraram o seu recanto perfeito ficando melhor aqui do que no seu local original. Ao fim de poucos dias, sentia-me em casa. A casa tem janelas e portas-janelas mas tem as paredes necessárias e suficientes.

Em contrapartida, a anterior proprietária, que se mudou para uma casa maior, de linhas muito direitas e com muito vidro, diz que ainda anda às voltas com as coisas sem saber como dispô-las. Diz que não tem onde pendurar quadros, espelhos, onde colocar alguns dos móveis de que não quer separar-se. E diz que ainda não se sente em casa. Nós, antes de termos sido descobertos por esta casa, andávamos a ver uma outra: ultra-moderna, imensas superfícies de vidro. Uma casa que era um objecto de arte. Mas, quando esta nos encontrou, fiquei contente por o negócio da outra não se ter concretizado: teria tido a maior dificuldade em encaixar lá as minhas coisas.

Alguns arquitectos têm pouco trabalho. Se forem arquitectos incultos, básicos, pouco inteligentes ou pouco criativos, nada tenho a dizer. Mas tenho a dizer da falta de atenção que os poderes públicos geralmente dedicam às enormes mais valias da boa arquitectura na vida das pessoas, seja a nível dos espaços públicos, seja da vida privada. A (boa) arquitectura pode humanizar as cidades, pode introduzir novas zonas de convívio, pode deixar entrar a luz onde tal parece impossível, pode criar zonas de paz onde a confusão parece estar instalada.

Seria, para mim, um enorme prazer acompanhar o projecto da casa de cada um dos meus, cada um com sua visão e maneira de ser. Imagino bem como seria a casa de cada um, até a do mais novo. Não o espelho da sua personalidade, que a casa não deve ser isso, mas o cenário (ou o habitat) onde a sua personalidade floresceria.

E, como se fosse uma nota de rodapé -- mas longe de sê-lo --, acrescento que fico muito contente por saber que a Inês Lobo faz parte da lista do PS para Lisboa. 

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A Modern Brutalist House In Japan With Exquisite Details

Architects: Apollo - https://apollo-aa.jp/

According to the architects:

This ranch-style home is located in a quiet suburban neighborhood in the Kanto region. The clients purchased the tiered, irregularly shaped lot as a place to spend meaningful time as a family. They wanted courtyards to play a big part in their home life, and to fulfill that request, the design makes use of the distinctive property shape and topography. 


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As esculturas feitas com livros são da autoria de Stephen Doyle e estão aqui na companhia de Ajeet Kaur que interpreta Light of My Soul

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E, antes de me ir -- e se estou cansada, cansada -- vou descansar a alma

After the Rain 

(extract)

(coreografia de Christopher Wheeldon na interpretação de  Beatriz Stix-Brunell, Reece Clark -- The Royal Ballet)



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Desejo-vos um belo dia de domingo