Já adormeci duas vezes. Numa delas, o computador caiu ao chão com algum estrondo. De noite dormi pouco e não deu para descansar durante o dia.
Dia bom, a família junta. Dois dos meninos não estiveram pois estiveram numa festa. Os demais e respectivos pais estiveram. E estive também com a minha mãe. Aliás, entre o meio dia e a uma e meia fui às compras com ela. Andava a dizer-lhe que deveria sair da sua zona de conforto a nível de toilettes: devia ter túnicas coloridas, leves, vestidos frescos de verão. Como dizia que sozinha não se habilitava a uma tirada desse género receando que o tiro saísse ao lado, combinei ir com ela. Detestou ver-se com túnicas ou vestidos largos e não lhe neguei a razão. Está uns centímetros mais baixa do que antes e levemente encurvada e, por isso, algumas coisas não a favorecem especialmente. Trouxe umas calças fininhas, em branco com florzinhas verde claro, uma blusa de manga curta, linhas direitas, em alinhado cru, e uma túnica muito bonita, solta, com um colorido muito bonito. Claro que a túnica não é para usar com as calças às florzinhas. Usá-la-á com calças brancas ou jeans. Veio contente.
Também queria um saco em ráfia para levar para a praia mas não encontrou nada que lhe agradasse. Mas vimos alguns em lojas na baixa que estavam fechadas. Penso que irá visitá-las esta segunda-feira. Gosta agora de se vestir com vestuário actual, coisa que antes não privilegiava. Antes lembro-me de a ouvir sempre dizer querer coisas boas, de boa qualidade, bom corte, boas marcas. Vestia-se de forma clássica. Queria roupa que se mantivesse com bom ar, roupa intemporal e duradoura e, sobretudo, que não desse minimamente nas vistas. Temia que pudessem achá-la 'gaiteira'. Por isso, agora que está quase com noventa anos e começou a aceitar sair das suas zonas de conforto, é mais jovem do que quando tinha metade da idade.
A mim até já os meninos me perguntam quando deixo de trabalhar. No outro dia, um dos meninos tentava convencer-me: 'Mas já trabalhaste muito, agora tens direito a não trabalhar'. Penso nisso, sim. Preciso de tempo para fazer o que me apetece e para coisas que não são críticas nem urgentes mas que deveriam ser feitas. Por exemplo, ainda há uns quatro ou cinco sacos por arrumar e já nos mudámos daqui a nada fará dois anos. Não tenho tempo. Parece impossível mas é verdade. São coisas que não fazem muita falta e que tenho que pensar onde vou arrumar. Mas a questão é que durante a semana nunca tenho tempo e os fins de semana passam a correr, sem um mínimo de tempo para tarefas desse género.
Há pouco, enquanto lutava para não adormecer, ouvi falar do que me parece ser uma certa barracada com a visita do Marcelo ao Brasil. Não poderei pronunciar-me pois desconheço o objectivo da viagem presidencial, não sei se foi com o objectivo de ir à Bienal de São Paulo, se foi com o objectivo de ir lançar a campanha do Valtinho para ver se é desta que arranja uma mulher que queira ser a mãe do filho que ainda está por conceber ou se o objectivo era mesmo visitar o Bolsonaro e o Lula e demais ex. Como não sei, não consigo ajuizar se a parvoíce está na agenda da visita ou na descortesia do bronco do Bolsonaro. Mas, para dizer a verdade, tanto se me dá. São temas que, como dizia o outro, não me assistem. A única coisa que me chamou a atenção foi ver o Pedro Adão e Silva metido naqueles achados. Antes comentava na televisão, na rádio e no jornal. Agora tem que assistir a tudo de bico calado. E isso, para mim, tem graça.
Como estou mais a dormir que acordada, acho que, de cada vez que desperto, começo a falar de uma coisa que não tem nada a ver com as anteriores.
Só tenho mais a dizer que, há pouco, antes de ter adormecido e ter deixado cair o computador, estava a ver vídeos de culinária, receitas simples. Já marquei o respectivo canal para ver com mais atenção quando tiver tempo e a cabeça fresca. Parece-me isto tema importante: cozinhar bem, diversificada e rapidamente. São vídeos silenciosos e fáceis de perceber. Hei-de experimentar uma receita a ver se é boa. Se gostar, logo digo qual é. É o tipo de informação útil que penso que toda a gente aprecia.
Também uma observação. No outro dia, creio que ontem ou antes de ontem (os dias foram tão cheio que parece que isto foi há mais tempo mas, tentando reconstruir, concluo que foi há muito pouco tempo), ao caminharmos por aqui ao fim do dia, numa casa longe da nossa, no jardim estavam dois homens que me pareceram bonitos e jeitosos, em frente um do outro: estavam a fazer o que me pareceu ser Tai Chi. Pareciam o espelho um do outro. Em silêncio moviam-se de forma lenta e elegante. Pensei que se calhar eram um casal pois estavam tão sincronizados e cúmplices que parece que se moviam em uníssono. Disse ao meu marido que um dia poderíamos tentar fazer uma coisa assim. Ele disse que sim. Mas eu, ao dizê-lo, pensei que ele, se quiser, faz sem hesitação ou falha. E eu não farei ou desatarei a rir ou não terei paciência. Não sei como poderei aprender a ser disciplinada mas acredito que isso seria bom para mim. No entanto, duvido que alguma vez na vida, mesmo com disciplina aos potes, consiga estar frente a frente ao meu marido a fazermos gestos vagarosos e sincronizados, eu sem me rir, ao longo de uma hora. Parece-me completamente impossível.
E, pronto, tenho que ir dormir. Já não atino, adormeço de minuto a minuto. Sorry.
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Pinturas de António Carneiro na companhia de Four Women: Lisa Simone, Dianne Reeves, Lizz Wright, Angélique Kidjo
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Desejo-vos uma boa semana a começar já nesta segunda-feira
No post abaixo já vos falei da moralidade da desonestidade e do risco de se meter muito dinheiro na mão de algumas pessoas, especialmente das que não têm a mesma ideia do que é a moral e a honestidade que o comum dos mortais.
Mais abaixo ainda, falei do Totó-Zero, essa criação da democracia infantilizada que parece ter ganho terreno entre nós.
Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.
Petite fleur
Tal como Pedro Mexia no Expresso deste sábado, escrevo-vos do paraíso. Mas, enquanto ele, quando escreveu, estava numa varanda de frente para um desmedido mar, eu estou agora numa casa perdida no meio de pedras e mato, de frente para uma serra azul. Tenho vontade de ir espreitar a noite e a lua mas passa das 3 da manhã e não quero ir sozinha lá para fora.
Há paraísos e paraísos. Uns melancólicos, literários, talvez intangíveis. Outros mais terrestres, talvez mais simples e, logo, mais felizes. Não sei. No fundo, paraísos são paraísos.
Cheguei de tarde e fui direita ao sofá, para ler o jornal. Adormeci, claro. Depois, quando acordei, fui dar uma volta. O tempo incerto, nuvens, um certo ar de regresso às aulas. Mas ainda estamos no início de Agosto e o Outono está longe. Gosto do tempo assim. Fico com vontade que caiam umas pingas de chuva para que o perfume da terra suba no ar. Mas não choveu.
Há tempos pensei que uma jarra de ferro que tinha na bancada debaixo do telheiro podia cair e magoar alguma das crianças e, então, coloquei-a sobre um pequeno muro. Foi perdendo a cor, foi-se oxidando. Hoje achei-a mais bonita do que nunca. Os muros também há muito que perderam o branco original, acolheram líquenes, a flor do tempo que passa. E as folhas nas árvores vão e vêm e eu gosto de ir vendo o tempo que passa. Sei que eu também passo com o tempo. Estou de passagem. Estes muros que imaginei e fiz construir ou as rochas que pedi para aqui serem postas viverão muito para além de mim. Talvez conservem o meu olhar sobre eles.
Quando chove, a jarra enche-se de água e ainda mais gosto dela. Penso que, às escondidas, os pássaros lá irão beber, gulosos, achando que água servida em jarra com patine é melhor que a dos pequenos charcos que se formam quando chove.
Mas, mesmo sem água dentro, acho-a elegante. Fotografei-a para vos mostrar.
Os marmelos estão pesados e eu encanto-me com a força daqueles ramos finos em que eles se equilibram. Achamos que somos fortes, que somos os donos do mundo, mas somos frágeis quando comparados com a natureza, com uma pequena haste que suporta o peso de vários frutos, com um pássaro que se eleva de uma árvore e que atravessa frios, sóis ardentes, ventos inclementes.
Ainda estão cobertos de penugem os marmelos, ainda não estão bons. Mas ficam bonitos, reflectindo a luz da tarde.
Têm um cheiro bom, estes marmelos dourados. Gosto de ver e sentir estes frutos e gosto de os fotografar como se fossem objectos especiais. E são.
Os frutos nascem aqui livremente, não sei como tudo parece desenvolver-se tão bem. Lembro-me sempre de uma tia - que agora já tem mais de noventa anos e que por vezes já confunde filhos com netos - que um dia me disse que as árvores aqui crescem e dão frutos desta maneira porque se sabem muito estimadas. As árvores percebem, disse-me ela. Gosto de acreditar que sim.
Mas a minha grande surpresa de hoje foram os figos.
Meu Deus. Que alegria tive. Amadureceram.
E o que eu adoro figos. Engordam que só visto mas, para me confortar, penso que são muito saudáveis.
Aliás, aqui nada é tratado, é tudo puro. Não há químicos, nada. Nem regadas as árvores são. Sê-lo-ão dentro em pouco quando os meninos cá estiverem e brincarem às regas.
As figueiras estão carregadas, os figos estalam e deitam pingos de mel. Parece que têm uma boca húmida e o açúcar escorre, dourado, perfumado.
Juntam-se figos grandes e maduros com cachos de outros mais pequenos e ainda verdes.
Peguei neles, abri-os, gosto de ver a carnação molhada e doce, há qualquer coisa de sensual num fruto maduro, macio, doce.
Claro que me saciei. Comi vários e, de doces e macios que são, comi a casca e tudo. Tenho este lado levemente selvagem.
Amanhã vou apanhar mais para levar aos meus pais e para levar para casa.
Gosto de os incluir também nos cozinhados. Este domingo vou fazer bacalhau no forno, com alecrim, azeite e alho. Se calhar vou juntar uns figos, ficam bons no forno. E batatinhas aos cubos, temperadas com orégãos, louro, um fio de azeite.
A vida aqui parece-me tão possível.
A repugnância que sinto pela corrupção, pela ignorância, pela mediocridade, pela ganância aqui quase me parece filtrada, como se se referisse a uma realidade medonha mas distante.
Daqui por uns anos talvez tenha tempo para poder estar aqui mais tempo, entre as pedras e os pássaros, alimentando-me dos frutos que colherei das árvores, à sombra das quais me deitarei a ler, tendo mais tempo para escrever, ou para pintar ou fotografar, longe do ar infecto que a política e a economia actual exalam.
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A música é Angelique Kidjo interpretando Petite Fleur
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Relembro: a propósito do mundo real, por aí abaixo há mais dois posts.
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Desejo-vos, meus Caros leitores, um belo domingo.
Nota: haverá maneira de eu vos enviar uma cestinha de figos pela internet?
Ainda ninguém inventou uma maneira de tele-transportar figos?
No post abaixo já falei da saia justa em que estavam os jornalistas e comentadores numa altura em que Ricardo Salgado era o dono disto tudo, mas como alguns, apesar disso, puseram a sua consciência e competência profissional acima dos receios e entraves e cumpriram com o seu dever de informar na altura certa - correndo todos os riscos e abdicando de todas as prebendas. E, a propósito, falei dos homens do Expresso. E falei, ainda, de algumas relações pessoais entre comentadores e Ricardo Salgado. E falei de partidos. E de férias de luxo pagas como forma de manter os opinion makers ou os decision makers à mão de semear.
Só espero é que, em breve, o BES esteja de novo sólido, com uma gestão profissional e que inspire confiança, e que a economia em geral e as economias em particular não saiam muito penalizadas. Quanto à família, lamento.
Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.
Aqui, agora, vou até a alguns textos que, nos últimos dias, despertaram a minha atenção de forma mais marcante. Vou ilustrá-los com fotografias que fiz este domingo in heaven na tentativa de que a beleza da natureza possa atenuar a aspereza dos tempos que atravessamos e que, de alguma forma, se reflectem nos textos que percorrem a blogosfera.
Redemption Song
Desde já agradeço a quem tão generosamente partilhou com os seus Leitores os textos que vou transcrever e perante quem me penitencio pelo abuso de para aqui os trazer na íntegra. Mas a verdade é que tive vontade de juntar os textos. São palavras oportunas, que de certa forma se tocam, e que convidam à reflexão. Muito obrigada.
João Paulo Baltazar foi um dos muitos jornalistas atingidos pelos despedimentos da Controlinveste. Ontem foi o último dia em que esteve na rádio que ajudou a criar. Deixou no Facebook um texto que abaixo transcrevo, precedido por um comentário de Carlos Vaz Marques.
Carlos Vaz Marques:
Hoje é o último dia de trabalho do João Paulo Baltazar na TSF, de que ele foi um dos fundadores. O melhor entre os melhores foi despedido. É o fim de qualquer coisa, com certeza. Ainda não sei exactamente de quê, mas seguramente depois disto nada será como dantes. Quero que saibam que amanhã, sábado, quando me ouvirem a editar os noticiários da manhã, não hei-de estar só triste, estarei envergonhado.
João Paulo Baltazar:
Para acabar de vez com a nostalgia
O matraquear das máquinas escrevinhava o som de oficina – as nossas mãos nas palavras que, cinzeladas, soltavam faíscas. Tac, tac, tac, plim, zzzzzt ... com a cabeça e o coração em cada frase. O magnético cruzamento dos sons, desenrolados das fitas, era parte de uma coreografia que só os melhores dançavam com uma leveza certeira. A rádio era muito física nesses oitenta, derramados nos noventa. Saíamos a correr para a rua, voltávamos com a urgência da notícia (era preciso contá-la melhor, depois do directo), com o desejo de modelar e polir uma história. Tac, tac, tac, plim... zzzt, zzzt, mais um bailado de sons e palavras, com a cabeça e o coração. Gritávamos em uníssono: abaixo o Portugal sentado!!
Antes e depois de cada turno, discutia-se tudo. Era importante criticar, aperfeiçoar, ir um pouco mais longe, vigiar o rigor, desafiar os golpes de asa – amanhã sai melhor! Dávamos os corpos às balas, sim. Por vezes, queimava; depois, sarava. Tudo era muito físico, vibrante, à flor da pele da rádio. Tantos erros, quanta paixão!
Depois (muito depois), o mundo inteiro na ponta dos dedos (ou uma ilusão desse espanto sem fim). Das cassetes e da fita ao quotidiano património imaterial mas sempre com o mesmo apetite de sons, fome de verdade impossível: há que tirar as medidas ao mundo em cada esquina desta aldeia. “Continuamos a discutir isto?” Sim. Vai e volta. Na rede, sem rede. Ligados, sem fios. Tantas voltas. Analógico, digital, cabeça, coração.
Mas, incerto dia, dás-te conta: um pouco mais de silêncio na oficina – tic, tic, tic... Um pouco menos de calor. Gestos um pouco mais em câmara lenta. Até que um dia, perante uma crítica, atiras: “É a tua opinião... cada um por si, topas?”. A economia (a nossa, mais íntima, nos bastidores das notícias) sempre em plano inclinado. Até que um dia te pedem para seres "brand journalist" ou uma merda do género, “ganhas uns trocos extra, não é bom?” E seres... pouco mais, afinal. Até que um dia te dizem que não há outra saída: é preciso organizar mais um "evento" e outro ainda, “fazes nas folgas, ok?”. Até que um dia, o estatuto editorial acorda encolhido numa quase-palavra: EBITDA. Até que um dia nada te dizem, durante semanas, meses, anos a fio. Até que um dia te dizem (ou tu percebes): acabou.
Esta sexta-feira, cumpro o meu último turno na TSF, depois de 26 anos, quatro meses e 25 dias de trabalho nesta rádio.
No Tempo Contado, J. Rentes de Carvalho escreveu "The human touch":
De uma entrevista com o sociólogo Carl Rhode (1953), publicada no semanário neerlandês Elsevier no passado dia 12, traduzo o final:
"Num mundo em que se torna vaga a fronteira entre o verdadeiro e o falso, o real e o virtual, sentimos cada vez mais a precisão de 'a little bit of human touch'.
Mais do que nunca iremos ansiar por um muito pessoal e sincero apreço, reconhecimento, atenções, serviço, tudo, enfim, o que reconhece e acentua o nosso valor como indivíduo e como ser humano.
Essa necessidade é intensificada pelo facto de que, neste momento, vivemos numa cultura mundial de desconfiança e desespero, causada pela profunda crise económica.
Não acreditamos na integridade nem nas boas intenções dos políticos, dos banqueiros, dos administradores, dos empresários. Temos nojo de toda essa gente que, sem escrúpulos, destrói a nossa prosperidade e o nosso bem estar. Sentimo-nos inseguros, remetidos a nós próprios.
O que nos leva a ansiar por atenções e sinais que, sinceramente genuínos, nos falem à alma e ao coração.
- É isso válido para todos?
– É um sentimento generalizado. Nas longas pesquisas que temos feito sobre o ADN social das diversas gerações, constatamos que essa necessidade de 'human touch' se repete com notável frequência, revelando um importante 'soft spot'. Esse anseio de um trato humano que se constata em todos as camadas da sociedade, é algo que seriamente deve ser levado em conta."
No The Cat Scats, Carlos Azevedo escreveu An empire of ugliness:
Num dos ensaios que integram The Hall of Uselessness: Collected Essays (New York
Review Books, New York, 2013, p. 42), Simon Leys conta um episódio que presenciou há uns anos. Leys encontrava-se num bar onde um aparelho de rádio tocava música banal que não merecia a atenção de ninguém. A dada altura, começou a passar o Concerto para Clarinete de Mozart e todos os clientes ficaram em silêncio. Subitamente, um deles levantou-se e sintonizou noutra estação de rádio. De seguida, começaram todos a falar novamente, sem prestar atenção à música. A palavra ao escritor:
"At that moment the realization hit me – and as never left me since: true Philistines are not people who are incapable of recognizing beauty; they recognize it to well; they detect its presence anywhere, immediately, and with a flair as infallible as that of the most sensitive aesthete – but for them it is in order to be able better to pounce upon it at once and to destroy it before it can gain a foothold in their universal empire of ugliness. Ignorance is not simply the absence of knowledge, obscurantism does not result from a dearth of light, bad taste is not merely a lack of good taste, stupidity is not a simple want of intelligence: all the are fiercely active forces, that angrily assert themselves on every occasion; they tolerate no challenge to their omnipresent rule. In every department of human endeavour, inspired talent is an intolerable insult to mediocrity. If this is true in the realm of aesthetics, it is even more true in the world of ethics. More than artistic beauty, moral beauty seems to exasperate our sorry species. The need to bring down to our own wretched level, to deface, to deride and debunk any splendour that is towering above us, is probably the saddest urge of human nature."
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E a poesia. No Tim Tim no Tibete, Luís Filipe Castro Mendes - desculpe, Alcipe - escreveu Insónia de um velho:
Tinha acabado de ler um mau romance. Francamente mau.
A difusa irritação que me impedia de dormir
levou-me a sair da cama e a ir reler velhos papéis,
memórias de alegria, passados textos,
fotografias de pompa e circunstância
e algumas recensões antigas, em fotocópias baças.
Nenhuma vida é feita só de passado:
vejamos, eu estou ainda aqui!
O novo mundo desperta-me tanto nojo quanto perplexidade,
mas os meus filhos espalhados por dois continentes e quatro países
e a minha persistente curiosidade
pelo acontecimento que forçosamente há-de vir,
do meio de todo este horror e de toda esta mesquinhez
(que não são, oh não, de modo algum, um exclusivo deste tempo..)
levaram-me enfim a fechar a luz sobre tantos papéis velhos
e a vir dirigir-me aqui aos meus quinze leitores, meus irmãos,
meus hipócritas como eu.
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E, para ver se trago para aqui um pouco mais de luz, termino com dança, com Petite Mort (que não deve ter tradução literal) numa coreografia Jiří Kylián, pelo Nederlands Dans Theater.
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A música lá em cima, no início, era Angélique Kidjo interpretando o clássico Redemption Song de Bob Marley com o Kuumba Choir Singers.
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Relembro: sobre os Homens do Expresso a propósito de Ricardo Salgado, sobre os presentes e deferências com que este tratava jornalistas, empresários (e partidos?), e sobre mais umas quantas coisas, desçam, por favor, até ao post já a seguir.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela semana a começar já por esta segunda feira.