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quarta-feira, dezembro 11, 2019

Um Merry Christmas by Banksy


Há quem tenha um grande coração e, não obstante, prefira o anonimato. 

Há quem siga com preocupação e tristeza o devir deste nosso descomandado mundo e consiga transmitir esses simples sentimentos em desenhos que aparecem numa parede.

Há quem lute, à sua maneira, por causas que são murros no estômago e, ainda assim, fuja dos holofotes.
Não se deixa fotografar ao pé das suas obras (excepto se disfarçado), não tira selfies, não se desloca com os jornalistas atrás, não se deixa filmar a entrevistar sem-abrigos ou a distribuir comida em cantinas. Não se deixa ver, não se deixa conhecer, não quer ser vedeta. Quer apenas chamar a atenção para temas que o entristecem.
Banksy. 
Quando ele esteve por cá, se é que ele é quem se pensa que é, tive esperança que aparecesse uma obra sua por aí. Mas, até ver, não se soube de tal. Tenho pena. 

A sua mais recente obra revela a sua inteligência, o seu sentido de oportunidade, o seu humanismo.

Gosto tanto dele.

Transcrevo do artigo Have a Banksy Christmas: his Birmingham reindeer are an artistic miracle no The Guardian:
(...) Banksy’s team of reindeer painted on a wall in Birmingham’s Jewellery Quarter, pulling a bench that homeless people use as a bed, is rightly popular. In a video that underlines his message, Banksy shows a man called Ryan having a drink before positioning a bag as a pillow and lying on the bench – to be, in dreams, lifted in the air by those magic reindeer while the soundtrack plays I’ll Be Home for Christmas. It has so far had nearly three million views on Instagram.
Once again Banksy reaches the parts other artists miss. This is a good painting – the reindeer are nicely three-dimensional and solid enough to make the trompe l’oeil segue from street bench to wonderland work. But the cleverest thing about this bighearted artwork is that it does not depict “the homeless”. By attaching his reindeer to an empty bench, it lets homeless people represent themselves. (...)
E este foi o vídeo que Banksy publicou:


Something special.

terça-feira, agosto 05, 2014

"agradecimento pelo carinho recebido"







Estou a começar hoje aqui mais tarde do que o costume. Ainda estou em período de trabalho e cheia dele, as férias ainda distam, e depois, quando cheguei a casa, ainda houve a caminhada diária, e depois jantar e arrumar a cozinha e, ainda, roupa a lavar e a estender, e arrumar roupas e demais afazeres domésticos.

Para além disto, tenho recebido um número de mails que me deixa admirada e aos quais vou tentando responder o mais brevemente possível para que não me tomem por mal educada ou mal agradecida mas que, apesar de não conseguir pôr as respostas em dia, me ocupam um tempo que me escasseia.

Tinha vontade de vos mostrar o bolo dos bombeiros do bebé que, imagine-se, já fez 2 anos mas não sei se tenho tempo de lá chegar. Aliás, de há um mês e picos a esta parte, já lá vão 6 aniversários no núcleo mais chegado da família e mais 3 estão na calha para os próximos dias. Entre compra de presentes, festas de anos e tudo o resto, incluindo este turno da noite que também me ocupa bastante, é toda uma azáfama que me ocupa e que, tenho que confessar, me deixa um bocado cansada. Felizmente tenho a sorte de, mal me deito, adormecer e ter um sono repousante; mas, não obstante, estou mesmo a precisar de férias. O que me vale é que agora até não está muito calor, senão andaria mais morta que viva.

Hoje ainda quero ver se consigo deixar mais uns apontamentos a propósito do BES e de toda a nebulosa que cerca o assunto (cada vez mais nebuloso à medida que mais pormenores vão chegando ao nosso conhecimento - PT, Goldman Sachs, etc) mas, ao entrar aqui no blogue, fui ver as estatísticas na parte das palavras de entrada pois, a partir das palavras que as pessoas escrevem nos motores de busca e as trazem até aqui, parece que me sinto mais próxima de quem me lê - e essa proximidade é-me muito necessária.
Um texto que escrevi (sobre o Expresso e o BES) teve já mais de 21.000 visitas e, a propósito do que tenho escrito sobre o banco, tenho recebido inúmeros mails, inúmeros, pedindo conselhos, dando opiniões, carreando informações. Uma coisa surpreendente, isto.

Contudo, não são esses mails que mais me impressionam apesar do número. O que mais me comove é quando abro o correio e tenho um mail de alguém que nunca comentou no blogue e que me conta a sua vida e me diz que me acompanha há muito e que tenho sido uma companhia preciosa, que tenho sido uma ajuda em momentos de solidão ou de angústia e que, ao ler o que aqui escrevo, é quase como se estivesse a receber uma visita amiga com quem pode conversar. Nessas alturas penso que quem espera ler umas palavras de conforto ou as palavras de alguém que fala do seu dia a dia ou de assuntos correntes, deve ficar desiludido quando me ponho a falar de política ou de assuntos económicos. Muitas vezes, até a pensar nisso, tento equilibrar os assuntos, tentando compensar a aridez da escrita sobre assuntos mais maçadores com alguns apontamentos diversos sobre quaisquer outros temas.

Também já aqui o referi: os motores de busca - e o google que é o que uso mais - têm batalhões de cientistas, muitos deles especializados em neurociências, filosofia, psicologia, física, (para além das informáticas, claro) para aperfeiçoarem o algoritmo que, a partir do que as pessoas procuram, coloca por ordem aquilo que teoricamente melhor responde ao que é procurado, dispondo os muitos locais onde a resposta pode estar contida.
A ordenação do que aparece não é aleatória, obedece a critérios de que nem fazemos ideia. Por isso, por vezes admiro-me como é que, tendo alguém escrito o que escreveu, veio parar ao 'Um Jeito Manso'. Mas depois penso que o algoritmo, que segue a lógica da inteligência artificial, lá deve saber e foco-me noutro aspecto: tendo a pessoa chegado até aqui, interrogo-me sobre se o que encontrou terá correspondido às suas expectativas.

Vem isto a propósito de uma expressão que hoje aqui me aparece nas estatísticas: "agradecimento pelo carinho recebido".

Alguém escreveu isto e veio ter até mim e isso deixou-me um bocado impressionada. Provavelmente essa pessoa não encontrou o que procurava e foi-se embora. Mas eu gostava que voltasse para que soubesse que fui sensível a essas palavras e que gostava de saber escrever palavras de conforto.

Pergunto-me: quem escreve aquilo, espera encontrar o quê? Palavras de carinho? Palavras de compreensão? Palavras para si próprio ou para usar junto de outras pessoas?

Lembrei-me de uma revista que folheei enquanto estava na caixa do supermercado: Judite de Sousa vendeu a casa, Judite de Sousa luta para reagir à morte do filho, Judite de Sousa passa muito tempo no computador


Penso muitas vezes nela. Penso muitas vezes no vazio que deve existir agora na vida daquela mulher. Numa outra revista, Pedro Bessa, o pai do André, diz que sente, sobretudo, muitas saudades do filho. As revistas vão tentando encher as capas com o sorriso sereno do pai ou com o rosto devastado de Judite de Sousa ou com notícias que não são notícias (porque a dor de uma mãe que perde um filho não é notícia para os outros, deve ser uma dor demasiado íntima para poder ser partilhada). Mas que sabemos nós do que se passa no coração daquela mulher que nos entrava em casa quase todos os dias, e que sorria e que estava confiante no seu futuro e, sobretudo, no futuro do seu filho?


Que sentido encontrará ela no que se passou? Não pode encontrar sentido porque não há. Que sentido pode haver no desaparecimento de um filho? Nenhum. Por muitas razões que se procurem para o justificar, nunca passarão de uma ténue atenuante.

Mas o tempo trará a doçura das recordações, e nascerão outros interesses, e, aos poucos, o corpo habituar-se-á à dor da amputação. Estou em crer que nunca desaparecerá o vazio nem a saudade nem a dor pela injustiça. Mas o coração e a cabeça saberão viver com isso e a vida continuará.

Porque a vida continua, saberá Judite de Sousa que os seus espectadores sentem a sua falta e que a acompanham no luto que ela está  a fazer? Acho que sabe. 


Eu, que tantas vezes aqui me diverti com as suas botas ou com a sua pintura exuberante ou com as interjeições no trato com o Dr. Medina, penso tanto nela. Nenhuma mãe merece tamanha dor. E ela, que tantas vezes aparecia em público amparada no seu filho, a quem tanto queria e de quem tanto precisava, ainda deve sentir mais a sua ausência. Tem uma vida exposta aos olhos alheios e isso deve torná-la ainda mais vulnerável. Em que braço se apoiará ela quando tiver que aparecer em público? As fotografias mostram o seu ar ausente, o seu rosto sem maquilhagem, e é uma mulher nua, emoções e tristeza à flor da pele. Como poderemos nós, a quem ela tanto deu ao longo de tantos anos, ajudá-la a superar a sua dor? E como poderemos agradecer-lhe o carinho que dela recebemos? E como poderemos fazer que sinta o carinho que sentimos por ela?

Escrevo a pensar nela mas há outras mães que perderam também os filhos. E há mulheres que perderam os companheiros ou os irmãos, ou os que perderam um pai ou uma mãe.

Pouco tempo depois de eu começar a trabalhar, tinha uns vinte e poucos anos, o meu chefe da altura perdeu a mãe. Muitos colegas foram ao enterro mas eu não fui. Ainda mal o conhecia e não tenho à vontade nestas situações. Dois ou três dias depois, sem que nada o fizesse esperar, morreu-lhe o pai. Toda a gente ficou muito impressionada. Eu também fiquei mas, uma vez mais, não fui capaz de lá ir.

Quando ele regressou ao trabalho, fiquei numa aflição. Deveria lá ir dizer qualquer coisa mas não sabia o quê. Diziam-me: 'Dizes: os meus sentimentos'. Mas eu achava que dizer tamanha banalidade poderia parecer um insulto perante a dor de perder, de seguida, mãe e pai. Agora...? Que insulto...?, sossegavam-me os colegas, É o que toda a gente diz.

Fiquei uma manhã inteira a evitá-lo, num nervosismo. Depois enchi-me de coragem. Fui, corredor fora, sem saber o que iria dizer; talvez fosse a pensar que acabaria mesmo por dizer 'os meus sentimentos'. Mas, quando entrei no gabinete dele, para minha minha surpresa, o que me saíu foi: Os seus pais deviam ter muito orgulho em si, porque já é director. Ele, homem de quarenta e tal anos, ficou admirado, não estava nada à espera duma coisa daquelas, ficou calado a olhar para mim, depois vi que ficou comovido e eu, comovida, em frente dele. Depois ele disse, Acho que sim, e sorriu ao de leve, talvez um bocado espantado ou talvez a perceber a minha atrapalhação. E eu vim-me embora. Durante todos estes anos  tenho pensado que foi uma coisa ridícula de dizer. Mas agora já acho que não há palavras certas, que aquelas não foram mais desadequadas do que quaisquer outras. Todas as palavras são inúteis, acho que o melhor é nem dizer nada. Mas não sei.

Uma pessoa que escreve 'agradecimento pelo carinho recebido' espera encontrar que palavras? Tão difícil adivinhar.

Claro que também pode ser o contrário: alguém que esteja feliz, que tenha estado bem e que tenha recebido cumprimentos, felicitações, e que queira agradecer, não sabendo como.

Se for isso, então é uma pessoa feliz, duplamente feliz, alguém que se vê rodeado de carinho e que quer descobrir palavras apropriadas.

Nesse caso, bastará apenas um sorriso, um obrigada.

A vida é um dom incerto, breve, pode ser traiçoeira.

Por isso, enquanto dura, que seja vivida com alegria e em plenitude.

E, quando a vida dos que amamos se esgota, que saibamos nós honrar a sua memória. Talvez isso baste, viver como aquele que se foi gostaria de nos ver.

Da minha parte, meus Caros Leitores, resta-me apenas esperar que, quem aqui chegue buscando palavras de carinho ou de agradecimento pelo carinho recebido, encontre sempre palavras com que, de alguma forma, se sinta confortado. Não sei dizer abraço de forma a que, quem lê, se sinta abraçado mas vou continuar a tentar. Prometo.





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As imagens, deliberadamente envolvendo crianças porque a recordação de crianças é algo que vive sempre feliz em nós (mesmo quando, depois, um pano de tristeza apaga a alegria de viver), são fotografias de Elena Shumilova, uma jovem mulher russa que fotografa os filhos de uma forma quase mágica.


A música é 'Moonlight' Sonata: I. Adagio sostenuto' de Beethoven numa interpretação de HJ Lim.

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Acho que não vou ser capaz de escrever mais. Mas ainda vou tentar.

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Tentei. Não dá.
Não consigo agora por-me a falar nesse ninho de vespas que é a realidade que envolve o BES.

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Desejo-vos, meus Queridos Leitores, uma boa terça-feira.


segunda-feira, novembro 07, 2011

Que solução para a União Europeia e para o Euro? Economistas, jornalistas, bloguistas e outros artistas - com tanta sapiente análise, não sai daí uma solução para este belo caldinho que está aqui armado? Aqui a bordadeira de Arraiolos avança com uma sugestão.


O que era uma questão local de uma pequena economia periférica, acabou por funcionar como a abertura da Caixa de Pandora de onde têm saído todos os monstros. Como castelos de cartas, as economias mais frágeis começam a cair. E já não são apenas as economias mais frágeis, pois a gangrena já está a comer as carnes de Itália, já começa a manifestar-se em Espanha, em França e, até, na Alemanha em que o crescimento está a decrescer (pois a Alemanha cresce quando exporta e, com as economias a irem-se abaixo, a Alemanha começa, naturalmente, a perder clientes).



A União Europeia, enleada em tratados, em regulamentos, de facto sem poderes, prisioneira da autonomia dos países, representada por figuras cinzentas, políticos de baixo carisma, não conseguiu resolver o problema quando era um problema pequeno e, portanto, muito menos o consegue resolver agora que ele galgou fronteiras, agora que a Europa mostrou a sua fragilidade aos abutres.



Quais necrófagos, os 'mercados' atacam ávidos, a agiotagem mais primária faz subir os juros para níveis insuportáveis, a banca (que durante tanto tempo viveu de engodos fúteis, pouco sérios) encontra-se agora atolada em dívidas incobráveis, esmagada por toda o género de imparidades, sem capacidade para acorrer às empresas.

Os países deixam de ter capacidade para se financiar, deixam de ter capacidade para se manterem a funcionar. As suas dívidas, as dívidas soberanas, são agora vistas como lixo tóxico, queimam, ninguém as quer. E a soberania vai sendo um conceito cada vez mais intangível, mais distante.

E, desta forma, por manifesta incapacidade da União Europeia em conseguir lidar com a situação, verificamos agora, impotentes, e o que já estava frágil, mais frágil vai ficando, as dívidas em crescimento exponencial, os países desavindos, crises todas as semanas. Não há G20, não há FMI, não há BRICs, não há quem se sinta na obrigação de nos ajudar, quando a UE não se consegue organizar.


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Nas minhas horas livres faço tapetes de Arraiolos (ou melhor, fazia, porque, com isto dos blogues, mal tenho tempo - e, claro que também me incluo do grupinho de sábios referido em epígrafe. Mas agora vou falar na qualidade de bordadeira).

Os tapetes fazem-se com lãs de várias cores, com uma base, com um desenho, com uma agulha (e uma tesoura também dá jeito). Nada de mais.

Mas é preciso que se tenham alguns cuidados. Qualquer um que não faça ideia de como se transforma um saco cheio de lã e um rectângulo de serapilheira num tapete, bem pode estar de agulha na mão que não fará mais do que olhar para aquilo como boi para palácio.

Pode haver aqueles que tenham espírito de aventureiros e que deitem mãos à obra, sem saber como. Pode sair uma salsada - dificilmente um tapete de Arraiolos.

Pode haver também os que tenham alma de burocratas, certinhos e sem imaginação, nem sentido crítico. Sentar-se-ão com um livro de instruções, um ponto de cada vez sem noção de conjunto - ao primeiro erro (e erros acontecem, mesmo aos mais certinhos e cumpridores) estarão em sérias dificuldades. Tentarão ler o livro de fio a pavio a ver se descobrem uma solução que possa ser aplicada by the book e, como muitas vezes isso é coisa que não existe, entrarão em parafuso, tentarão corrigir, provavelmente cometendo mais erros, o tempo irá passando - e tapete viste-lo.

A mim aconteceu-me também, ao princípio, estar cheia de voluntarismo, ter uma pressa enorme de chegar ao fim e não acautelar algumas regras elementares.

Por exemplo: há cuidados que devem ser escrupulosamente seguidos. São cuidados simples, mas que não devem ser atropelados. Eu ia juntando as lãs numa mesma cesta sem cuidar de as manter organizadas, devidamente separadas. E isso veio a revelar-se um erro tremendo.




Ao fim de algum tempo, o que aconteceu foi isto que podem ver na fotografia acima. As lãs estavam lá... mas que trabalho que eu tinha de cada vez que precisava de lã de uma certa cor, que nervos, que perda de tempo. Depois, quando ia começar um tapete novo, que sarilho avaliar as lãs que tinha, as de que necessitava.

Claro que durante algum tempo ainda tentei, pacientemente, mas o desespero de conseguir desembaraçar as lãs fazia-me perder tempo e abafava o prazer de fazer o tapete. Claro, também, que eu poderia persistir, pacientemente persistir, talvez conseguisse desembaraçar todo este enleio - mas que trabalheira, que perda de tempo.

Então tomei uma decisão. Aquela cesta cheia de lãs ensarilhadas era para esquecer. Ficava ali para uma falta, quando precisasse de uma ponta.

De resto, considerei que aquilo era o que chamamos 'sunk costs' (custos afundados, isso mesmo), dinheiro que é para esquecer ou, então, 'write off' (limpar da escrita, digamos assim).

E vida nova, que para a frente é que é caminho.

Comprei lãs novas, passei a ter tudo bem organizado, sacos com cores afins para ser mais simples localizar a cor pretendida, cada novelo bem enroladinho para não contagiar, digo, para não se misturar com as outras.



Comparem a facilidade de trabalho que tenho com as lãs todas bem arranjadas com a que teria se estivesse ainda a tentar utilizar o impossível enredo que aqui podem ver abaixo.



Que tempo que eu perderia, não é? Que inútil desgaste, não concordam?


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Moral da história? Simples, meus Caros: esquecer a UE, aprendendo com os erros passados, e começar rapidamente a desenhar outra coisa.



Gizar uma qualquer coisa que tenha um modelo de governação eficiente, qualquer coisa que respeite as nacionalidades e as soberanias mas que invente uma forma nova de efectivamente gerir e potenciar o que deve ser gerido em comum. Mas um modelo que reconheça as diferenças, especialmente um modelo adaptativo que integre um país consoante uma avaliação ao seu estadio de partida.

O modelo actual em que todos os países que adiram ao euro se alinham apesar de terem economias e finanças absolutamente díspares, não funciona e contém todas as sementes de desequilíbrios e desavenças. Aliando a isso, o facto de a condução quer da Comissão quer do Conselho serem titubeantes, passivas, reactivas, leva a que não apenas nada se faça, nada se decida, nada se resolva, como que, perante o pântano que se instalou, qualquer um se sinta no direito de se arrogar chefe dos outros - como vem acontecendo com o ridículo par de jarras franco-germânico que se auto-arroga o direito de falar em nome de todos, mas que, obviamente, não resolve coisa nenhuma, desperta ódios e empata o desenrolar dos acontecimentos.

Gostei de ler o texto Piris e a Europa. É isso que se precisa, neste momento: de ideias para se sair disto. Pode ou não aderir-se à ideia para a qual o texto do Embaixador Seixas da Costa aponta. Mas é um caminho, ou melhor, é um início de conversa.

Que os mais conhecedores e os melhores (não os mais 'espertos', não os mais burocratas, não os mais incultos, não os mais ignorantes e estúpidos) se cheguem à frente e desenhem rapidamente uma coisa nova para que possamos fazer write off deste período negro e possamos partir para outra, com criatividade, com empenho, com democracia, com desenvolvimento, com humanismo, com paz, é o que se pede agora.

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NB: Duas imagens são excertos da pintura de Jeroen van Aeken, mais conhecido por Hieronymus Bosch (1450 -1516). As três fotografias relativas aos tapetes de arraiolos são minhas e em duas delas pode ver-se uma carpete que fiz segundo o rigoroso preceito do ponto de arraiolos, mas feita em desenho livre (prova de que o conhecimento apurado permite recriações criativas - passe a redundância e, sobretudo, a imodéstia). A imagem dos círculos concêntricos para ilustrar um possível modelo de integração europeia que atenda e respeite as diferenças dos países foi obtida na net, bem como a horrível fotografia dos mercados a comerem os países aflitos, digo, a fotografia dos abutres a debicarem uma carcaça.


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PS: Já agora, se aqui chegaram (e, portanto, são uns valentes), para repousarem o espírito, convido-vos a deslocarem-se até ao meu Ginjal e Lisboa onde esta semana dou início ao ciclo das Cordas na 'Música no Ginjal'. A seguir ao um textozito meu e a uma fotografia também minha, poderão ler um poema de Manuel António Pina, o nosso actual Prémio Camões, e, a seguir, encontrarão Chamber Orchestra 'Orpheus'. Ouçam que vão gostar.

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E tenham, meus Caros, uma boa semana. Sejam criativos, críticos, e, acima de tudo, sejam felizes.

   

sexta-feira, novembro 04, 2011

MÚSICA NO GINJAL - Tomaz Alcaide


Completa-se hoje o último dia de Árias e Duetos no meu Ginjal e Lisboa e completa-se em beleza. O nosso Tomaz Alcaide interpreta Bizet e há uma conjugação perfeita de harmonias.


Então, saudosa já, convido-vos a virem comigo até ali à minha outra casa. Vamos ouvi-lo em I pescatori di perle porque é um momento de grande beleza. Venha.

 

quarta-feira, novembro 02, 2011

MÚSICA NO GINJAL: Renée Fleming e Dimitri Hvorostovsky


Continuam no meu Ginjal e Lisboa as Árias e Duetos e hoje temos Renée Fleming e Dmitri Hvorostovsky interpretando um trecho de Eugene Onegin de Tchaikovsky - dois nomes grandes, duas vozes grandes.


Depois do poema de José Tolentino de Mendonça, poderá encontrá-los, magníficos. Venha, Onegin e Tatiana esperam por nós

terça-feira, novembro 01, 2011

MÚSICA NO GINJAL - Roberto Alagna e Kate Aldrich


Continuam as Árias e Duetos no meu Ginjal & Lisboa. Hoje temos um dueto com as grandes vozes de Kate Aldrich e Roberto Alagna, interpretando  Fia vero? Lasciarti! de La Favorita de Donizetti.




Venha ler Alice Vieira que fala de uma triste separação (... e haverá separações que não sejam tristes?) e, logo a seguir Leonora e Ferdinando, duas grandes vozes em dueto, elevam-se para nos tocar o coração. Venha ouvir, venha.
  

MÚSICA NO GINJAL: Waltraud Meier


A força de Richard Wagner em Tristan und Isolde, hoje no meu Ginjal, num trecho sublime a cargo de Waltraud Meier - Isolde Liebestod.



É com particular gosto que hoje gostaria que viesse comigo. Há qualquer coisa de muito elevado, de quase etéreo, de sublime (e perdoem-me o que poderão parecer lugares comuns) na voz desta bela mulher, numa extraordinária interpretação. Venha.

domingo, outubro 30, 2011

MÚSICA NO GINJAL - Maria Callas

 
Inicia-se hoje no 'Música no Ginjal' a semana 5 Árias e Duetos. A grande música e as grandes vozes.  D. Carlo a abrir o ciclo.


A abrir este ciclo só poderíamos ter Verdi e Maria Callas. Venha, pois. A seguir à Maria Teresa Horta, que canta o amor e o corpo, ouviremos um pungente lamento. Tu che le vanità conoscesti del mondo, vem comigo.
  

quinta-feira, outubro 27, 2011

MÚSICA NO GINJAL- Canto Sefardita


Belos cantares, mulheres sábias, recatos e segredos, conselhos e divertimentos - assim encerra hoje o ciclo de música medieval no meu Ginjal, com canto sefardita.


António Botto fala-nos da sua decisão e, a seguir, os Gaïmalis interpretam Hija mia. Venha comigo, vale bem a pena.

 

MÚSICA NO GINJAL - Martin Codax


Continua hoje, no meu Ginjal, a música medieval, hoje com o agrupamento Martin Codax e uma cantiga d'amigo.


Convido-o a vir comigo até ali ao meu outro blogue, que temos música apropriada a estes tempos de espuma. Esta que agora ali temos é mais do que espuma, é intemporal. Venha, sim?

  

terça-feira, outubro 25, 2011

MÚSICAS NO GINJAL - Cantigas de Sta. Maria

Música medieval, músical que nos deixa em harmonia connosco, com a história, com a memória. Hoje temos as Cantigas de Sta. Maria.


No Meu blogue Ginjal e Lisboa, a love affair, a seguir a um belo e triste Exercício de Maria Teresa Horta, podemos repousar o espírito com uma das belas trovas que nos chegam da I Dinastia. Venha comigo ouvir uma Cantiga de Sta. Maria.

 

segunda-feira, outubro 24, 2011

MÚSICA NO GINJAL - Hildegard von Bingen


Semana de música que vem do fundo da memória, música medieval, música que nos traz uma tranquilidade antiga, intemporal, do limite dos tempos.



Venha comigo até ao meu blogue do Ginjal. Imagine que vem sossegar-se com a luz coada de uma igreja, ouvindo cântigos impregnados de religiosidade. A seguir ao poema do José Luís Peixoto estará dentro dos claustros. Venha comigo, está bem?

 

domingo, outubro 23, 2011

MÚSICA NO GINJAL - Canto Gregoriano (Victime Paschali Laudes)


Começa esta semana novo ciclo da minha Música no Ginjal, desta vez dedicada à música medieval. Abrimos com Canto Gregoriano que eu adoro. Tranquiliza-me, envolve-me, eleva-me.


Venha comigo até ali aos claustros do meu blogue Ginjal e Lisboa, a love affair, vamos sentar-nos num recanto, vamos olhar para dentro de nós, vamos deixar que a nossa alma se tranquilize e purifique. Venha.

quinta-feira, outubro 20, 2011

MÚSICA NO GINJAL - Maria Ana Bobone no Fado da Sina

 
Há vozes límpidas, almas lusitanas, seres com emoção e atitude que transportam dentro de si o espírito do fado.

É o caso desta jovem do seu tempo, bonita, com uma bela presença, Maria Ana Bobone.


Hoje David Mourão-Ferreira traz um poema inscrito sobre o rio e, logo a seguir, Maria Ana Bobone chama por nós. Venha.

terça-feira, outubro 18, 2011

MÚSICA NO GINJAL - Ana Sofia Varela interpreta Cinta Vermelha


Não é tango, mas é fado de fazer ciúmes, fado de orgulho no seu homem, fado castiço na voz trinada de Ana Sofia Varela.


Depois da Mãe Índia de Luís Filipe de Castro Mendes, vamos à tourada pela mão da Ana Sofia que ofereceu uma cinta vermelha ao seu homem. Ela diz que leva travessas vermelhas, argolas nas orelhas, que quer estar provocante. Vamos lá ver isso.

  

MÚSICA NO GINJAL: Teresa Tarouca em Cai chuva do céu cinzento


Já vos contei que que esta semana o meu Ginjal está transformado numa castiça Casa de Fados?

Não, acho que não. Então informo agora. Ontem tivémos Vicente da Câmara e hoje, meus amigos, a bela Teresa Tarouca com a sua voz de límpida saudade.



É já ali, na beira do rio, entre aquele belo casario - temos Eugénio de Andrade num belíssimo nocturno a duas vozes e, logo depois, noblesse oblige, far-se-á silêncio. Será hora de cerimonial, irá cantar-se o fado.

 

quinta-feira, outubro 13, 2011

MÚSICA NO GINJAL: Benny Goodman Orchestra em One o'Clock Jump

Oh meus amigos, que maus tempos se avizinham, parece que cada vez piores, sem vermos fim ao vista. Quero animar-se mas agora estou um bocado abalada, talvez daqui a pouco me anime. Valha-nos a alegria bem disposta, a coreografia da orquestra de Benny Goodman, vala-nos o jazz.


Vamos espairecer ali para a beira do rio, venha até ao meu 'clube' onde a música é sempre boa.

Começamos com Ruy Belo e, logo a seguir, sente-se - mas prepare-se para se ir levantando conforme o maestro vá apontando. Eles já lá estão à nossa espera e hoje é especial, hoje despedimo-nos do jazz. Vamos?

MÚSICA NO GINJAL: Manhattan Jazz Quintet em Moanin'


Um grupo de cinco bacanos junta-se e diverte-se e diverte-nos, a música nasce, a música flui. Estamos na semana do Jazz, das Jazz Bands e hoje temos mais uma fantástica noite.


Vamos até ali ao outro lado? Está uma fantástica noite de lua cheia, sopra uma aragem suave. Vamos até ali ouvir o Manuel António Pina e depois, de sapatos na mão que é bom andar na relva ou na areia molhada, vamos ouvir os cinco simpáticos do Manhattan Jazz Quintet, está bem? Vamos lá?


terça-feira, outubro 11, 2011

MÚSICA NO GINJAL: Dave Brubeck Quartet in Take Five


Continuam as fantásticas noites de Jazz ali para as bandas do meu Ginjal. Bandas, eu falei em bandas...? Sim, são as noites das Jazz Bands! Come along!



Não lhe sabia bem ir até ali ao Ginjal, pela fresquinha, ouvir uma música que nos leve rente ao rio, voando devagarinho ou deslizando num suave veleiro? Venha, então. A seguir ao Eugénio de Andrade Take five!


MÚSICA NO GINJAL: The Bill Evans Trio em Summertime

Estamos na Semana do Jazz - cinco Jazz Bands, cinco! Está tempo de verão, não é? Ok. Então vamos lá.


Então vamos refrescar-nos, vamos para a beira do rio. It´s Summertime com The Bill Evans Trio. Venha comigo. A seguir à Ana Luísa Amaral, actuam eles. Vamos.