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domingo, abril 26, 2026

Estará a ameaçar o marido? Ou apenas a monetizar o cargo de 'mulher de'?

 

Num certo sentido, talvez um sentido até prevalecente, estou-me bem nas tintas para isto. Tudo personagens que, na minha óptica, são de opereta, bufões, gente desclassificada, ignorantes até à medula, gente estúpida que vinga à conta de outros ainda mais estúpidos que eles. Por isso, para falar a verdade, o que sinto por esta gente é desprezo. O mais profundo desprezo.

Contudo, não posso ignorar que esta gente que, de certa forma, protagoniza o que de mais horrível tem o capitalismo sem ética, o liberalismo de braço dado com populismo, conseguiram chegar a uma posição em que têm uma influência no mundo inteiro.

E se o narcisista maligno, um estupor que já foi condenado não sei quantas vezes, um burlão, um burro que já levou várias vezes as empresas à falência, conseguiu convencer milhões de americanos a votar nele depois de já ter demonstrado à saciedade o que é, como é e o que iria ainda fazer, já da mulher não se sabe bem o que dizer. As notícias têm traçado o seu roteiro desde que chegou aos Estados Unidos, como modelo pouco conhecida, passando pelos meios em que estas elites do dinheiro fácil assente em ética nula se divertiam uns com os outros e com jovens de tenra idade à mistura, até que começou a acompanhar Trump e até que, finalmente, acabou casada com ele. Isto quando, quem os conhece, jura que vivem separados e que ela o odeia. Aliás, dizem que, desde há algum tempo, ele já está na fase pós-sexo, já só vai para a cama com hamburgueres.

Acontece que a insólita conferência de imprensa de Melania, que apanhou todos de surpresa, incluindo a Casa Branca em peso, Trump incluído (passe a redundância), negando evidências e apelando a algo que o marido tem feito tudo para impedir, veio colocar ainda mais os holofotes sobre a bizarra relação entre ambos. E, ao tentarem decifrar o que é que ela tencionou fazer com aquilo, há uma teoria que parece ganhar pontos: a de que ela foi ali ameaçar o marido.

Há quem diga que ela o tem na mão, que ela sabe demais e que pode, se achar necessário, tirar-lhe o tapete a qualquer momento. Um mina que pode rebentar quando menos se esperar. Ou seja, uma ameaça, e, dadas as funções dele, uma ameaça não apenas para ele, como, até, uma ameaça para a segurança nacional. Ou seja, há quem alegue, que, se calhar, a ideia da inesperada e incompreensível conferência de imprensa, foi um aviso que não deve ser menosprezado.

Mas há também quem diga que, para além disso, supostamente estará agora a querer preparar o seu futuro para o day after, para quando ele se for, ou desta para melhor ou, simplesmente, quando for corrido. Ou seja, não apenas não quererá ver-se metida em sarilhos por causa dele, os problemas de eventuais maus comportamentos são dele e não meus, como quer ganhar dinheiro à custa de ser quem é, uma mulher bonita, elegante, famosa.

Acontece que ela própria está a ser apertada não apenas por Michael Wolff que talvez consiga sentá-la no tribunal, levando-a a testemunhar sob juramento e a ter que revelar muito do que nem ela nem o marido querem que se saiba, como pela ex-amiga Amanda Ungaro, que tem estado a colocar a boca no trombone e ameaça divulgar muitos esqueletos que Melania quer fechados a sete chaves. Ora uma mulher contrariada, agastada, agoniada e a sentir-se acossada pode tornar-se deveras perigosa.

Mas vá lá saber-se. 

Agora uma coisa é certa: estando o palhaço cor-de-laranja debaixo de fogo internacional por causa da estúpida guerra que está a lançar o caos nos mercados, nomeadamente, no mercado dos combustíveis, derivados e consequentes, encurralado pelos iranianos de um lado e pelos israelitas de outro, sem saber como sair da armadilha em que caiu, e debaixo de fogo interno pela situação da saúde, dos imigrantes, da não criação de emprego, da inflação, da perda de apoio de parte da sua base de apoio, apertado pelos testículos se calhar por muita gente (pelos israelitas? pelos russos? por ela, Melania?), alguma coisa me diz que, um dia destes, algum contratempo, algum estoiro, o retirará do poder antes do fim do seu mandato.

Não tardará o tempo em que começarão a aparecer, como cogumelos, documentários e filmes de todos os géneros sobre este período sinistro (e que, apesar de trágico, tem um lado muito cómico): os personagens, aos olhos de quem não tenha assistido, ao vivo, a este período, parecerão improváveis, implausíveis, demasiado caricaturais: Trump, ordinário, desbocado, boçal, ignorante, cruel, mais a sua galeria de filhos esquisitos, mais as suas mulheres (uma das quais enterrada num dos seus campos de golf para ele pagar menos impostos), a sua guia espiritual, uma farsante que é de gargalhada, os seus médicos que parecem ter saídos de um manicómio, os seus 'amigos' - tudo gente do mais freak que há.

Mas ninguém melhor que Joanna Coles e Michael Wolff para discutirem sobre o assunto. Convido-vos a assistirem a mais uma gostosa cavaqueira.

Eu sei como Melania ameaça Trump: Wolff | Por dentro da mente de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles revelam os bastidores do relacionamento mais enigmático da política americana, dissecando o estranho e transacional casamento entre Donald e Melania Trump e o que isso pode significar para a sua presidência à medida que a pressão aumenta de todos os lados.

Desde a sua ausência física da Casa Branca e a sua suposta vida separada em Nova Iorque até ao esforço calculado para construir a sua própria marca multimilionária, os autores traçam como Melania poderá estar a redefinir silenciosamente o papel de Primeira-Dama, ao mesmo tempo que se distancia dos escândalos do marido — incluindo a sombra persistente de Jeffrey Epstein.

À medida que Wolff revela detalhes do seu processo explosivo e a possibilidade de forçar um depoimento sob juramento, surge uma questão mais volátil: se a própria Melania se tornou um passivo político, ou até mesmo uma ameaça potencial, detendo uma influência que poderia abalar os alicerces da imagem cuidadosamente construída de Trump e expor verdades que os seus aliados prefeririam manter enterradas. 


Desejo-vos um feliz dia de domingo

segunda-feira, abril 13, 2026

Um domingo com árvores abatidas, com a feliz vitória da democracia e da liberdade europeia na Hungria, com o impasse na estúpida guerra que Trump desencadeou contra o Irão e com Israel a continuar a mostrar que é quem manda nos Estados Unidos

 


O domingo amanheceu muito cedo, cedo demais, e logo depois já se ouvia o barulho em contínuo da serra elétrica. Começaram a ser cortadas as árvores que tombaram ou que estão em vias disso na sequência da tumultuosa Kristin. Aliás, hoje ventava de tal forma que, sempre que passava sob as agitadas copas, me interrogava sobre a minha segurança e a de quem por ali andava a serrar os tão amados troncos. Mesmo os cedros e pinheiros que secaram, provavelmente por terem estado tanto tempo com as raízes encharcadas, também já começaram a ser abatidos. Onde havia árvores grandes e frondosas há agora espaço vazio e, ao olhar para esse espaço sem nada, sinto tristeza..

E ainda faltam as árvores maiores, os cedros gigantes, os que estavam dispostos em lugares estratégicos e que maiores dificuldades vão colocar ao seu abate e remoção. Temos mais uns fins de semana destes pela frente.

Tento colocar o coração ao alto. Os paisagistas que cá estiveram foram consensuais: nesta terra pedregosa mais vale contentar-nos com árvores autóctones do que alimentar o sonho de ter belas árvores que, aqui, serão sempre vulneráveis. Os cedros gigantes enraízam superficialmente, sobretudo em terrenos pedregosos. Por isso, quando estão muito grandes, se o vendo os faz flectir, por pouco que seja, o seu centro de gravidade não é sustentado por um enraizamento profundo. E tombam, levantando por completo as raízes. Com os pinheiros não é a mesma coisa, creio que, por um lado, é o mal que lhes dá. Ou a vulnerabilidade face ao excesso de água. Não sei. Não caíram, simplesmente secaram. Mas isso aconteceu sobretudo com os bravos. Os pinheiros mansos estão bem e os outros, de que não consigo lembrar-me do nome, também.

E as azinheiras e as aroeiras e as figueiras bem estão. Portanto, festejo o que está bem e tento aceitar com naturalidade que o ciclo de vida das outras chegou ao fim.

E, como esteve muito frio, estive mais tempo dentro de casa. E até fiz um chá e tudo. Só não acendemos a lareira porque, afinal, psicologicamente já nos estávamos a sintonizar com uma primavera quente. Este retrocesso climático não deverá levar-nos ao saudosismo da lareira.

Além disso, a madeira dos cedros e dos pinheiros não é boa para as lareiras, tem resina de mais.

Enfim, adiante.

Sobre o que por aí se vai passando um ou dois apontamentos:

Hungria

A derrota de Orbán é uma boa notícia para a União Europeia, para a Ucrânia, para a democracia. Ouvir uma multidão, em festa, a aplaudir Péter Magyar e a gritar a uma só voz Europa, Europa, é qualquer coisa de emocionante. A Europa é o berço, o refúgio, o chão e o tecto de quem, por estas nossas bandas, defende a democracia, o humanismo, o desenvolvimento, a liberdade, o Estado de Direito, a paz, a ética, a verdade. Que a Europa, livre e democrática, nos acolha, nos abrace, nos defenda, nos ampare.

Ao mesmo tempo, a derrota de Orbán é uma derrota para Putin, para Trump e para o oportunista e vira-casacos J. D. Vance, é uma derrota para Ventura e para todos os populistas de extrema direita que têm vindo a pulular na Europa à garupa do que julgavam ser a tendência vencedora Trump/Órban.

A caguada quase galáctica armada pelo idiota do Trump

 (nb: caguada com u para não ser um nome feio)

Ele não quer que se lhe chame guerra pois, para ser guerra, tinha que ter sido aprovada pelo Congresso. Como vai muito para além de uma operação especial ou de uma pequena excursão, como ele se lhe refere, prefiro chamar o que é, uma caguada em três actos.

O burro meteu-se nesta alhada, a reboque do outro que o tem na mão, e agora não tem como sair. Ele bem quer pirar-se de qualquer maneira, deixar tudo ensarilhado, e, como se fossemos todos tão burros e malucos como ele, dizer que ganhou. Só que o outro, o que o tem na mão, diz que espera lá aí: não sais, não senhor. E, para provar que não sai, não senhor, continua a bombardear tudo e mais alguma coisa, sobretudo o sacrificado Líbano, mesmo enquanto duram umas pretensas negociações com o Irão.

Para essas negociações, enquanto para representar o Irão, foi um grupo de homens feitos, com formação e experiência, para representar os Estados Unidos foi a tropinha fandanga do costume, a saber: o sinistro genro, o tipo de imobiliário e o totó do J.D. Vance. Enquanto para negociações similares em circunstâncias muito menos limites, outros levam meses ou anos, mas, vá lá, dada a urgência, no mínimo semanas, aqui julgavam que iam conseguir chegar a acordo em 21 horas. Como não conseguiram, vieram-se embora. E o paspalhão-mor, o doente Trump, ameaçou bloquear o bloqueado Estreito de Ormuz que, antes da monumental caguada, estava aberto. Uma tragicomédia que vai paa lá de ópera-bufa, mais parece um teatreco desconchavado engendrado por malucos internados num hospício para dementes encartados.

Qualquer dia nem é uma questão de ninguém conseguir pagar o combustível, é mesmo que não há. Escassez pura e dura.

Não se sabe qual a saída para isto. Airosa não há, mas mesmo que pouco airosa, não se vislumbra.

No meio disto, a esfíngica Melania veio fazer aquela conferência solene que, até hoje, ninguém conseguiu descodificar. Dizem que  uma ex-amiga dela, dos tempos de Epstein, ex-mulher de um grande amigo e apoiante de Trump, ameaçou pôr a boca no trombone e fazer revelações que vão mostrar o que é a verdadeira escumalha, e que, para se antecipar e mostrar que a escumalha não é ela mas, sim, o pato cor de laranja, Melania se antecipou. Mas há também quem diga que foi a Melania que já não pode com o marido e resolveu apertá-lo onde a ele lhe dói mais. Mas também há quem diga que foi Israel, que tem o casal na mão, que a obrigou a ela a ir pregar um susto ao marido para ele perceber que Israel é que manda e que, se ele quiser agora mijar fora do penico, ai ai, que eles pegam no material incriminatório que têm e o põem na prisão em três tempos. Who hnows...?

Um dia, presumo que não longínquo, teremos documentários, dramas e comédias sobre este período rocambolesco da história do mundo. E, muito provavelmente, em todos teremos o venal e idiota Trump retratado como estando simultaneamente nas mãos da Rússia, da China, de Israel e de Melania. Todos com material mais que suficiente para o chantagearem e o levarem a fazer todas as borradas a que vamos assistindo. Claro que tudo devidamente condimentado com o seu narcisismo e a sua demência. Ou seja, um filme.

Seja como for, por crime grosso de envolvimento com menores ou por desencadear uma guerra não autorizada, ou por estar a dar cabo da vida dos americanos ou por muitos outros motivos, parece que reina a agitação entre os republicanos. Preveem que não tarda se vão ver livres dele e já anda cada um para seu lado a ver se se organiza face ao tão esperado day after. Uns andam a arranjar maneira de o tirar rapidamente da Casa Branca, outros aguardam que a solução chegue por outra via: como vaticina um médico americano, esperam que um dia destes ele se engasgue de vez com um hamburguer ou, então, cometa um erro tão grave, tão grave, que tenham que interná-lo à força.

Eu, por mim, só mais modesta, gostava mesmo é que o mundo voltasse a ser como o era nos tempos em que a Rússia ainda não tinha invadido a Ucrânia, que Israel ainda não tinha destruído Gaza e agora o Líbano, em que Trump não tinha tido a sua 2ª e inexplicável vitória. Será que é pedir muito?

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Amanda Ungaro ameaça expor as ligações ocultas de Melania Trump nos arquivos de Epstein

A modelo brasileira Amanda Ungaro ganhou destaque nos media internacionais depois de alegadamente ter ameaçado "expor" informações relacionadas com Melania Trump, na sequência da negação pública da modelo de qualquer ligação a Jeffrey Epstein.

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Desejo-vos uma boa semana

sexta-feira, abril 10, 2026

Se Trump foi dar cabo do Irão, atrás de Netanyahu, para ver se a malta se esquecia dos ficheiros Epstein, será que, agora que a guerra deu para o torto e já não sabe onde se meter, arranjou maneira de sacar dos ficheiros Epstein para a malta se esquecer da guerra do Irão... e cravou a Melania para lhe fazer esse frete?
ou
A Melania, percebendo que o marido está nas últimas, antes que perca a imunidade de ser Primeira-Dama, resolveu já demarcar-se dele e de toda a porcaria que o envolve?
ou
Isto é mesmo um ninho de cucos e estão todos a ver se dão com todos em malucos?

 

No meio do salsifré do so called cessar-fogo que nasceu do nada sem acordo sobre coisíssima alguma, em que ninguém sabe quais os pontos sobre os quais era suposto estarem de acordo, no meio dos violentos bombardeamentos ao Líbano e enquanto parece que veio a Netanyahu uma suposta vontadezinha de abrandar de escaqueirar tudo, até que não reste pedra sobre pedra, e negociar um mini-mini cessar fogo com Beirute, e em que Trump continua com as suas estafadas e tresloucadas investidas e em que vai intercalando ameaças letais ao Irão com remoques e chantagens sobre a NATO e com parvoíces e insultos aos seus antes amigos MAGA influencers e ex-Fox (Tucker Carlson, Megyn Kelly, Alex Jones ou Candace Owens), eis que, do nada, sem que na Casa Branca aparentemente ninguém soubesse de nada, aparentemente sem que o próprio Trump soubesse de nada, do alto do púlpito onde o marido costuma dirigir-se às massas, sozinha, a esfíngica Primeira Dama (também descrita como assalariada de Trump, paga para ser sua mulher), que nunca antes tal coisa fez, apareceu a dizer que nunca foi vítima ou íntima de Epstein, que não foi ele que a apresentou a Trump, que apenas esteve ao mesmo tempo que ele e que o marido em algumas festas e rebéubéu pardais ao ninho, que o que as fotografias e os mails mostram não é nada, que o que não falta por aí são cenas fake para todos os gostos, e que, pasme-se, deve ser dada voz às vítimas para que esclareçam o que há para esclarecer.

Isto mesmo.

Não dá para acreditar, pois não?

Não mesmo. Mas aconteceu. 

Mais uma vez, uma improbabilidade materializou-se. Do nada. 

Quando os republicanos têm feito de tudo para abafar o caso, quando é nomeado Todd Blanche, ex advogado pessoal de Trump, para Procurador Geral, que diz que não há mais nada para dizer sobre o caso, aparece esta a falar no assunto e a dizer que se ouçam as vítimas no Congresso...?

Estranho...

Claro que no meio da confusão reinante, 

  • depois de nas vésperas se ter estado à beira do fim da civilização persa, quiçá do fim do mundo, 
  • quando se discute se: 
    • os mercados vão arrefecer ou esquentar-se ainda mais, 
    • se o preço do petróleo vai disparar para níveis nunca vistos ou se o dito não vai mesmo escassear com as consequências daí advenientes, 
    • se as taxas de juro vão disparar e, consequentemente, enforcar parte dos devedores aos bancos, 
  • ou quando é denunciado o que andavam os submarinos russos a fazer ao largo do Reino Unido e que motivaram que a Marinha britânica mais a norueguesa e não sei quem mais tivessem que sair à cena e dizer a Putin que o vemos e sabemos o que anda a tramar, escoltando-os de volta,
  • ou quando sabemos que os terroristas da Casa Branca ameaçaram o Papa (o Papa!),
  • ou, ainda, quando observamoso oportunista J.D. Vance, esse vira-casacas alimentado à colher pelo perigoso Peter Thiel, por aí andar feito palhaço ambulante, ora a imiscuir-se nas eleições húngaras em defesa desse Órban que mais parece um ogre fedorento, ora agora a caminho do Paquistão para fazer o seu habitual papel de urso, 

aparecer a Melania, num aparente total despropósito, a falar de um tema que estava meio esquecido face às tormentas bélicas em que o marido se lançou, tema esse que o mesmo marido anda permanentemente a querer que seja posto para trás das costas, é daquelas coisas que deixa toda a gente de queixo caído e olhos arregalados. 

What the fuck...? 

Provavelmente ao longo desta sexta-feira saber-se-á alguma coisa mais desta desconcertante aparição: 
  • ou está para sair alguma novidade que a envolve e ela pensa que, com isto, neutraliza a questão, 
  • ou já percebeu que o marido -- na espiral de loucura desorbitada em que anda, ou por alguma notícia que vai sair que o vai incriminar de vez, e, por uma coisa ou por outra, ou pelas duas -- não vai aguentar-se por muito mais tempo e já está a querer demarcar-se dele, 
  • ou sabe, que mais dia menos dia, as vítimas de Epstein vão ser ouvidas no Congresso e, pelo sim, pelo não, está já a dizer que não é vítima pelo que nem passe a ninguém pela cabeça chamá-la a depor,
  • ou, então, em conluio com o desconchavado marido (embora digam que ele não sabia e que está desnorteado com isto), para ver se a malta se distrai do caldinho da guerra e da insubordinação que parece ameaçar as hierarquias militares, resolve desenterrar um assunto que sabe que inflama as redes sociais e distrai de tudo o resto, 
  • ou, então, é tão maluca como ele,
  • ou, na volta, está pelos cabelos com o estafermo do marido e resolveu, de propósito, enfernizada de todo, marafada até à raiz dos bem tratados cabelos, fazer uma coisa que o vai deixar em polvorosa,
  • ou, então, tudo ali está a descarrilar a grande velocidade e não há quem não se atraiçoe às claras e às escuras e quem não desembainhe espadas e facalhões contra uns e outros e contra quem calhar, e ela está já a dar o exemplo espetando uma naifada na aspirinada pança do maridinho,
  • ou, então, a malta alucinou toda de vez e já não há uma coisa, uma única, que faça sentido.
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'PORQUÊ é que ela disse estas coisas?': Nicolle reage ao discurso CHOCANTE de Melania Trump sobre Epstein

Depois de ter convocado a imprensa da Casa Branca esta tarde, Melania Trump fez um discurso inesperado negando qualquer relação com Jeffrey Epstein e apelando a uma audiência pública para as vítimas do financeiro desonrado. Para a análise, juntaram-se a Nicolle Wallace: Jackie Alemany, que acabou de falar com Trump, Luke Broadwater e o deputado Robert Garcia.


Nicolle sobre o discurso surpreendente de Melania: "Não acredito nisso... ela não se pronuncia sobre nada."

Nicolle Wallace comenta o discurso surpresa de Melania Trump sobre Jeffrey Epstein na Casa Branca, hoje de manhã. Charlie Sykes e Angelo Carusone participam na análise do Deadline White House.

Tenham uma boa sexta-feira, ok? 
E não fiquem também malucos com esta maluqueira toda que nos rodeia, está bem?

domingo, março 15, 2026

Dias de chumbo

 


Só espero que França, Inglaterra, a Bélgica ou qualquer outro país europeu não caiam na esparrela de enviar navios de guerra para o Estreito de Ormuz sob a chantagem de Trump. A situação é crítica e podemos estar em vias de enfrentar graves disrupções de abastecimento, mas, ainda assim, não faz sentido enviar carne para canhão para alimentar o desvario de Trump e dos outros palhaços que o rodeiam, mormente o bronquésimo Pete Hegseth. É deixá-lo provar o veneno que ele próprio se gaba de espalhar. Não é ele que diz que vai continuar a atirar, nem que seja pela piada de o fazer? Trump says US may strike Iran’s Kharg Island oil export hub ‘just for fun’. Sem ajuda talvez o demente narcisista perceba que tem que recuar. Embora, mesmo que um dia capitule, nada apagará o estrago, o irreparável estrago, a todos os títulos irreparável, que já causou. Criminoso.

Igualmente só espero que os cobardolas europeus, incluindo Montenegro (não esquecendo o Rangel, verdadeira chicken), que não souberam demarcar-se do demente presidente dos Estados Unidos -- que, pela mão do assassino Netanyahu --, lançou esta guerra estúpida, desnecessária e de gravíssimas consequências, sigam o exemplo de Giorgia Meloni. Se todos os europeus, a uma só voz, se demarcassem, alto e bom som, de Trump, tal como se demarcaram de Putin (e não falo de Órban pois há mais marés que marinheiros e tenho esperança que a Hungria um destes dias se veja livre dele), talvez Trump pensasse duas vezes antes de se meter em alhadas. Mas, mesmo que não pensasse (porque já se viu que é cavalgadura pouco dada a pensamentos), talvez os congressistas tomassem mais alento para avançar para o que deve ser feito. Avançar ASAP -- antes que seja tarde demais (se é que já não o é). 

Só espero também que a União Europeia, atordoada com a irrelevância com que é olhada pelos facínoras que parecem estar na crista da onda, não ceda à tentação de se juntar aos piores com receio de ser ainda mais irrelevante. É que, volto a dizer, há mais marés que marinheiros e, um dia, talvez não muito distante, pelo menos assim o espero, os que agora parecem estar na crista da onda estarão sob ela, a estrebuchar para sobreviver. Tenho para mim que, uma vez que não há mal que sempre dure, não tarda muito o dia em que toda esta horrenda corja estará na prisão, enfrentando, no mínimo, prisão perpétua.

Penso muitas vezes, naqueles momentos em que a minha veia de optimista e de sonhadora tentam levar a melhor, que talvez, das brumas, venham a surgir aqueles que, em conjunto, vão saber travar esta deriva bélica e suicidária e restaurar os maravilhosos tempos de paz de que nunca mais deveríamos abdicar. Mas onde um Churchill, um de Gaulle, um Roosevelt? Onde os estadistas que sabem subir um degrau e pensar no mundo, pensar no futuro, pensar no bem da humanidade?

Quando vejo que Melania (que, com um desplante inaudito se gaba do que não é, descrevendo-se a ela própria como 'uma visionária'), que, ao fim de não sei quanto tempo a viver nos Estados Unidos ainda não sabe falar um inglês escorreito e que não tem quaisquer credenciais ou competências, presidiu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e que os representantes dos outros países aceitaram fazer parte daquele circo, ou que Trump envia como seus representantes para negociar a paz noutros países, mormente naqueles em que se coloca ao lado do agressor, (ou, melhor, para negociar de reconstrução pós guerra) o genro e um outro pato bravo e ninguém se recusa a reunir com aqueles dois descredenciados, fico desconsolada de todo. Não há quem se erga, saia da sala e diga que já chega de palhaçada?

Sempre fui furiosamente contra tudo o que vagamente se assemelhasse a teorias da conspiração. Se há uns tempos me viessem dizer que, na volta, Trump anda a toque de caixa do Netanyahu ou do Putin porque estes o têm agarrado pelas goelas, quiçá pelos testículos (pois, segundo dizem, basta um apertãozinho menos cuidadoso para já doer), porventura porque têm provas irrefutáveis que o conduziriam de imediato à prisão, eu diria que não me viessem com cantigas. Agora, depois de tudo o que se tem vindo a saber na sequência da libertação dos ficheiros Epstein e na sequência do que muitos ex-apoiantes de Trump, nomeadamente de congressistas e ex-congressistas e alguns dos mais sonantes vultos do podcast político americano, têm vindo a divulgar sobre o poder de Israel sobre o Congresso, já não digo a mesma coisa.

Também não me tinha apercebido da influência brutal, do verdadeiro poder manipulador e mesmo estrangulador, que os grandes bilionários deste mundo, talvez em especial os das tecnológicas que dominam as redes sociais, a inteligência artificial e os grandes conglomerados da informação têm sobre a condução dos destinos do mundo.

A minha visão do que se passa é hoje menos inocente e, logo, mais preocupada. Aquela imagem de que somos meros peões num jogo de que mal conhecemos as regras está hoje muito marcada em mim. Hoje sei que estamos indefesos. E, pior, sei que mais depressa se atacam e deixam morrer os indefesos do que alguém mexe uma palha para impedir os agressores de continuarem a espalhar o mal. E sei que esse mal existe tantas vezes por nada, a troco de nada, a troco de parvoíces, de desvarios, de imaturidades. 

Salva-me deste estado de espírito (talvez um realismo que chegou tardiamente à minha vida) a capacidade de me alhear, de me encantar com os musgos, com os líquenes, com as flores, com o canto dos pássaros, com as folhinhas que nascem pela primavera. Ia acrescentar: e com os meus meninos. Mas não é verdade. Preocupo-me com eles, preocupo-me cada vez mais. Em que raio de mundo estão a entrar agora que são adolescentes ou a caminho disso? Tanto que eu desejava para eles um mundo de paz, de fraternidade, de prosperidade. E, afinal, o mundo está cada vez mais perigoso, mais pejado de falsidades, de manipulações, de inimizades, menos inclusivo, mais egoísta, mais enraivecido, mais brutal. Preocupo-me, pois, sempre que penso neles, e penso tanto.

Mas, enfim, coração ao alto. É madrugada, a casa está silenciosa. Pelo menos, por aqui os mísseis não rasgam os céus e, por isso, devo dar-me por contente. E amanhã voltarei a andar pelos campos à procura de flores, de rebentos, de bagas para olhar por dentro, para fotografar. E isso é bom.

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Desejo-vos um feliz dia de domingo

terça-feira, março 10, 2026

Embora hoje já não seja Dia da Mulher, aqui fica uma análise muito inteligente feito por uma mulher inteligente a propósito de duas mulheres, uma inteligente e outra que talvez também seja

 

Não dou uma casca de caracol furada pelo chamado Dia da Mulher. Não faz sentido haver um dia da mulher. Dizer vacuidades ou verdades requentadas ou repisar no que já toda a gente sabe não acrescenta um pelinho ao assunto. E em vez de pelinho ficava bem era outra palavra menos mimosa mas, como este é um lugar que se quer bem frequentado, vou manter o vocabulário devidamente decantado.

Por exemplo, ao ver como Teresa Morais tentou pôr os arruaceiros do Chega na ordem, pensei que fez mais sobre os direitos e a força das mulheres do que muitos discursos ou manifestações apregoando palavras regurgitadas e mil vezes remastigadas. Mostrou, na prática, quão mais destemidas e frontais e capazes são muitas mulheres do que muitos cacafónicos homens. 

Tinha pensado o mesmo quando, o ano passado ouvi o discurso do 10 de junho da Lídia Jorge. 

Uma mulher de fibra é sempre um monumento. Há vários exemplos disso. Por exemplo, nos Estados Unidos várias mulheres se têm levantado, corajosamente, para defender as suas ideias, a sua interpretação do que é a democracia e a lei e a ordem contra a ignorância e a malvadez dos esbirros de Trump. Liz Oyer é uma delas. 

Mas hoje trago aqui um vídeo em que Joanna Coles, a cujas conversas gosto sempre de assistir, fala de duas mulheres: Melania Trump e Hillary Clinton. Uma análise interessante, um vocabulário inteligente, sobre duas mulheres muito diferentes mas que, na realidade, partilham qualquer coisa de desconfortável. 

A coisa devastadora que Hillary Clinton e Melania Trump têm em comum | Vídeo de Opinião

Numa semana surreal de teatro político, Melania Trump subiu ao palco das Nações Unidas para proferir um discurso sobre paz, crianças e a promessa da inteligência artificial, apenas alguns dias depois de Donald Trump ter ordenado um ataque contra o Irão. Entretanto, Hillary Clinton compareceu perante a Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, negando com firmeza qualquer ligação a Jeffrey Epstein, mesmo enquanto a longa sombra das ligações de Bill Clinton a Epstein continua a pairar. O resultado pareceu um erro de guião: Clinton, defensora ao longo da vida dos direitos das mulheres, a responder a perguntas sobre Epstein, enquanto Melania, que circulava no mesmo mundo social de elite que Epstein cultivava, dava lições de paz a líderes mundiais. Por baixo do espetáculo encontra-se uma verdade familiar da vida política: ambas as mulheres, de formas muito diferentes, continuam a encontrar-se em palco a encobrir os seus maridos


quinta-feira, novembro 13, 2025

Trump está nos ficheiros, Trump está nos ficheiros...!

 

Aos poucos vão saindo mais e mais provas de que Trump obviamente não apenas sabia de tudo o que se passava na vida de Epstein, o misterioso pedófilo (e chantagista? e agente da Mossad?) como partilhava parte dessa vivência. 

Diz Michael Wolff, que é interveniente na conversa com Epstein em dois dos três mails agora divulgados, que  durante mais de 10 anos Trump e Epstein foram os melhores amigos, partilharam mulheres, segredos, negócios. 

Tendo recolhido, ao longo de anos, inúmeros testemunhos de amigos e inimigos, conhecidos e colaboradores de Trump, Michael Wolff, jornalista e biógrafo de Trump, é, sem dúvida, das pessoas que melhor conhece o presidente dos Estados Unidos. 

Tem documentos de toda a espécie, entrevistas gravadas, tem tudo o que se possa imaginar sobre a sua relação com Epstein. E mantém contacto com actuais colaboradores de Trump na Casa Branca e com antigos e actuais "conselheiros". E coloco a palavra entre aspas pois é conhecido que Trump não se aconselha com ninguém. Pelo contrário alimenta-se do que vê na televisão, do que vê nas redes sociais ou do que ouve, salteadamente, aqui ou ali. O caos que se vive na Casa Branca é pois acompanhado de perto por Michael Wolff. E não faz questão de manter a reserva. Muito pelo contrário. Dá entrevistas, participa em podcasts e tem as suas redes sociais permanentemente actualizadas. Arrisca-se. Provavelmente pensa que sabendo tanto e expondo-se tanto, ninguém ousará 'caçá-lo'.

Contudo foi ameaçado. Melania Trump, para o calar, ameaçou-o com um pedido de indemnização de mil milhões de dólares com acusação de difamação. Numa reviravolta audaciosa, Michael Wolff avançou ele com um processo contra Melania Trump por tentativa de cerceamento da sua liberdade de expressão. Para conseguir financiar essa odisseia judicial pediu ajuda. E, para sua grande surpresa, em poucos dias já conseguiu reunir USD $732 586, verificando-se uma mobilização significativa. E ele vai fazendo saber que vai exibir todos os documentos que possui e vai fazer com que sejam chamados a depor, sob juramento, Melania e Donald Trump. Entre muitos outros.

Portanto, por muito que Trump lance poeira para os olhos de toda a gente, manipule, minta, distorça, invente, arranje milhares de motivos de diversão, ameace meio mundo... talvez a verdade não tarde muito a chegar. 

Por isso, está na hora de voltar a chamar as avozinhas safadas.

Piedmont Raging Grannies  --  Trump is in the Files

Está a tentar de tudo para desviar a atenção do facto de ter quebrado a sua promessa de divulgar os ficheiros de #Epstein. Então, aqui fica um lembrete!


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Dias felizes

domingo, outubro 26, 2025

A arte de que se tem dúvidas.
A natureza de que não se pode ter dúvidas: é arte em estado puro.
E a história do bravo quase-lobo que vai avançar sobre a enigmática e poderosa FLOTUS, obrigando-a a falar sob juramento

 

Dia de visita às artes, no Drawing Room na SNBA, sempre com aquele misto de perplexidade e interesse. Por um lado, face a muitas obras expostas, aquela eterna dúvida: é isto arte? não é isto uma preguiçosa maneira de tentar ganhar a vida? É isto, ao menos, bonito? ou interessante? Por outro, face a outras peças, a curiosidade, o gosto de olhar, a vontade de perceber como foi feito, por vezes até uma certa vontade de possuir.

É certo que não haverá áreas em que a subjectividade mais impere do que na arte. Por isso, é território arriscado, este. Do que eu gosto há quem se ria. No que eu não gosto há quem invista muitos milhares. Por isso, a mim própria me obrigo a bater a bola bem baixinho.

E, além disso, em lugares assim não é apenas a arte que se pode olhar, é também a graça de observar a fauna que se move em torno das galerias, dos artistas, incluindo os próprios galeristas e pintores. Há qualquer coisa que os distingue, que os aproxima entre si. Eu não me aproximo. Não gosto de conversar sobre arte. Para mim, não há conversa possível. Gosto de ver, gosto de me chegar perto ou de ver de longe, mas pouco mais do que isso. De quem eu gostava de ouvir falar era a Paula Rêgo. Falava displicentemente do acaso subjacente, de como apareciam aqueles personagens ou adereços, quase por acaso. Uns tomates pintados ao pé da cama só porque sim, só porque aquele espaço estava vazio e uns tomates ali ficariam bem. Não tinha paciência para alimentar dissertações.

E se isso era assim quando os quadros dela tinham personagens, tinham acção ou intensidade, imagine-se qual o sentido de dissertar sobre pinturas em que aparecem três manchas e dois riscos. Ou na tela grande, cinco pequenos salpicos. Não estou a exagerar. Que se pode dizer sobre obras de 'arte' desse calibre? Falar sobre isso é da ordem da fantasia, mas uma fantasia que só pode fazer sentido na cabeça de uma mente sub-ocupada. Só me apetece dizer para irem dar banho ao cão.

Enfim. 

Tenho ainda a registar o facto já aqui trazido algumas vezes. Não sei qual a explicação mas sei que é um facto: todas as pessoas que conheço de as ver na televisão, quando as vejo ao vivo verifico que são minúsculas. Hoje mais um. Imaginava-o grande. Talvez por ser desenvolto e por na televisão se mostrar uma figura com uma certa presença, imaginava-o grande. Não senhor, pequenino. Nada contra, nada mesmo. Só o refiro porque não percebo o fenómeno: parece que a televisão faz as pessoas parecerem maiores.

Tirando isso, a natureza. A bela natureza. As cores que se mesclam, a luz que as folhas guardam dentro de si, os tons que evocam o pôr do sol, agora que os dias estão tristemente pequenos. 

Debaixo desta chuvinha mansa, os líquenes saem à cena, os musgos aparecem, a caruma, ensopada, fica macia. Os passarinhos cantam, cantam. Uma paz acolhedora.

Caminho enlevada, fotografo e faço vídeos com tudo, tudo me encanta. As cores exuberantes que agora despontam fazem esquecer a secura dos dias em que os grandes calores ressequiram a terra. Os verdes estão de volta.


Ando debruçada à procura dos primeiros cogumelos, mas ainda não apareceram. Anseio por eles. É sempre um deslumbramento, um espanto perante o milagre que é ver aquelas criaturas silenciosas a levantarem-se da terra.

Agora, enquanto escrevo, uma coruja pia na noite escura. Gosto do seu canto.  É solitária. E noctívaga como eu.
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Entretanto, estive a ouvir o Michael Wolff. Autor de vários livros sobre Trump para os quais recolheu testemunhos de meio mundo e se tornou confidente de muita gente, Michael Wolff gravou muitas horas de conversa com Epstein, durante as quais o tema era Trump, Melania Trump e etc. Sem receios, tem divulgado muitos dos segredos que Epstein lhe contou, revelou as fotografias que viu com Trump com miúdas pequenas em topless ao colo, etc.

Pois bem. Nas costumeiras manobras de silenciamento de quem diz coisas desconfortáveis de qualquer dos membros do casal Trump, desta vez foi Melania que processou Michael Wolff por difamação, avançando com um pedido de indemnização de um bilião de dólares. Fazem isso embora saibam que não ganham, fazem isso apenas para intimidar os processados, para os calar, e para que, numa de acabarem com a perseguição, os processados aceitem fazer um acordo no decurso do qual os Trumps sempre ganham qualquer coisa. E com isso vão ganhando, no total, mais uns milhões. A ganância e a falta de escrúpulos daquela gente não têm limites.

Só que, desta vez, o tiro lhes saiu pela culatra. Michael Wolff virou a mesa e avançou ele com um processo contra Melania, por tentativa de lhe restringirem a liberdade de expressão. Desta forma, em tribunal, os factos vão vir para a barra dos tribunais e se verá se há difamação, ou se apenas relato de ocorrências. Melania Trump irá depor sob juramento. Espera Michael Wolff que seja também uma oportunidade dos famosos ficheiros Epstein virem para a luz do dia. Tenciona chamar como testemunhas Donald Trump, a sinistra e pérfida Ghislaine Maxwell e Steve Bannon que também sabe mais do que Trump gostaria que ele soubesse. E tenciona fazer ouvir as gravações em que Epstein fala de Trump. Ou seja, tenciona trazer Epstein do mundo dos mortos para depor contra Donald e Melania Trump.

Vai ser bonito de se ver e muita tinta vai ainda correr, muita, muita. 

Ao que consta, Trump foi apanhado de surpresa com esta reviravolta e está possuído. E, quando está assim, mais peripécias e tentativas de distração vão acontecendo, sucedendo-se as ameaças, as vinganças, os disparates, os desmandos.

Partilho um vídeo em que o corajoso Michael Wolff conversa com a simpática Joanna Coles. Vale muito a pena ver. É certo que se passa lá longe. Mas, não nos esqueçamos: nesta nossa aldeia global, o 'lá longe' é à porta da nossa casa.

Wolff: What I’m Going to Ask Melania Under Oath | Inside Trump's Head

Michael Wolff junta-se a Joanna Coles para abordar o seu novo e surpreendente anúncio: um processo de mil milhões de dólares contra Melania Trump. Os dois dissecam a amizade bem documentada de Jeffrey Epstein com Donald Trump e ligam os pontos à demolição da Ala Leste de Trump, expondo a estratégia de destruição do presidente. Wolff e Coles desvendam também as cruzadas linha-dura de Stephen Miller, expondo a estranha psicologia que move um dos membros mais maníacos do círculo íntimo de Trump. À medida que as barreiras legais se fecham, persiste uma questão: quanto do caos de Trump é cálculo e quanto é pura compulsão?


00:00 - Introduction
01:55 - Why Wolff Announced Melania Countersuit Beside The American Flag
04:21 - Wolff's Legal Action Against Melania Is An Anti-Slapp Suit
07:25 - First Time In History First Lady Has Sued A Member Of The Press
10:20 - Trump White House Demolition An Unscrupulous NYC Real Estate Strategy
16:43 - What Wolff Will Seek From Melania And Donald During Legal Discovery
19:23 - How Will Melania And Donald Perform During Depositions?
20:21 - Ghislaine Maxwell's Deposition Will Be Crucial In Melania Trial
21:04 - Wolff To Share Jeffrey Epstein's Comments About Trump During Melania Trial
24:30 - Inside Trump's Head Live Event Nov. 5, Buy Tickets At MCNY.org
25:30 - Why Trump Calls Stephen Miller "Weird Stephen"
28:48 - Stephen Miller Driven My Maniacal Anti-Immigrant Ideology
30:57 - Trump Has Used Stephen Miller As Cudgel
32:35 - Stephen Miller Gets Pleasure From Violent ICE Raids
34:40 - Trump Attempting To Undo Large Progressive Cultural Movements
35:54 - Stephen Miller's Lack Of Opportunities After Jan. 6th
39:08 - Trump Is Confused By Stephen Miller
41:10 - Viewer Questions Asked And Answered

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Desejo-vos um feliz dia de domingo

quarta-feira, agosto 06, 2025

Papa João Paulo II, Fidel Castro, Woody Allen, Mick Jagger, etc., etc. -- todos em fotografias com Epstein na sua galeria de conhecidos e amigos

 

Ver mais imagens da casa de Epstein em NY aqui ou aqui

Se há personagens misteriosos e fascinantes, sem dúvida que Epstein é um deles. Já vi uma série na Netflix sobre ele, já li muitos artigos, já ouvi entrevistas com quem o conheceu bem, e, no ponto em que estou, o meu desconhecimento sobre a sua vida e sobre a sua motivação permanecem totais.

Vejo que ninguém conseguiu descortinar a proveniência da sua extraordinária fortuna. Identificam-se algumas parcelas, mas nada que atinja a totalidade, identificam-se algumas alavancas (pessoas a quem ele pode ter burlado ou manipulado) mas, identicamente, nada que justifique o brutal amontoado de bens. Em tudo o que vejo e leio a conclusão é a mesma: não se compreende de onde veio toda a sua extraordinária fortuna.

Há muita gente que pensa que parte da sua fortuna proveio de chantagem. Havia câmaras por todo o lado. Milhares de horas de gravações. Muitas fotografias, algumas guardadas no seu cofre. Para alguma coisa seriam. Mas pode a chantagem atingir valores desta natureza? E, de resto, nas fotografias, se algumas daquelas pessoas estavam a ser chantageadas, pareciam felizes por sê-lo.

Já ouvi diversas referências a ele ter sido apontado como um activo da Mossad e/ou da CIA, que interviria em situações de chantagem, e isso justificaria parte do secretismo de que as denúncias e os processos judiciais sempre parecem ter estado revestidos. Mas, sendo tudo secreto, como saber se isso é verdade ou se é mais uma das muitas teorias da conspiração em que a cultura americana é fértil?

E é tudo muito estranho. Vindo de uma família 'normal', sem riqueza, não acabou nenhuma licenciatura mas, não se percebe como, conseguiu enganar um prestigiado colégio onde deu aulas de matemática. Por ser lá professor, foi contratado como analista financeiro para uma empresa. Depois, por lá trabalhar e por desviado dinheiro, foi contratado por quem queria uma pessoa com o perfil dele, ambicioso, inteligente, fura-vidas, sem escrúpulos. Aí geria um esquema fraudulento em pirâmide e, claro, pessoa de 'confiança, cativante, insinuante, tornou-se próximo do big boss, a que se aliou e com quem burlou meio mundo. Quando a fraude foi descoberta, o big boss foi preso, mas ele, milagre, safou-se. E assim foi andando e, em pouco tempo, já tinha conseguido comprar casarões, mansões, um big rancho, uma ilha privada, um avião, um helicóptero, arte a gosto e a eito, pagar a não sei quantos funcionários, pagar 200 dólares a cada miúda que ia fazer um serviço e 200 a cada miúda que arranjava outra, e era normal haver desses serviços três vezes por dia, pois, segundo diziam, sexualmente, era insaciável -- e, sempre, em tudo, à grande e à francesa. 

Pelo meio, tudo o que era CEO das grandes empresas americanas, políticos e académicos e gente do cinema, cientistas, prémios Nobel, realeza, tudo estava caído nos encontros que ele organizava, uns meramente de tertúlia (embora sempre houvesse meninas a circularem pelas casas), outros de pedofilia pura e dura. Toda a gente lhe conhecia a fama. E mesmo depois de ter sido condenado e cumprido uma pena (ridiculamente baixa), ou seja, mesmo depois de ser público que era comprovadamente um pedófilo compulsivo, continuou a reunir em volta de si a habitual corte de amigos e admiradores. Como se ser pedófilo fosse coisa de somenos. Foram identificadas centenas de vítimas mas admite-se que possam ultrapassar as mil. Não só abusava delas como as traficava. Ele e o seu alter ego feminino, a sinistra Ghislaine Maxwell, presença constante na sua vida. 

Era também um conhecido filantropo. Oferecia dinheiro a rodos para partidos, para associações de beneficência, para pagar estudos e investigações, para bolsas. Dizem que parecia sempre bem informado e toda a gente gostava de falar com ele. Prestava atenção, parecia ter estudado os assuntos. Diziam-no uma pessoa interessante, interessada, afável, cativante. 

Apesar da sua reputação e do seu cadastro, parecia que as pessoas gostavam de ser vistas com ele. Ou, então, era ele que gostava de ser visto com elas. Nesta história não consigo perceber os contornos de nada.

Nas revelações que hoje vieram a público no The New York Times e já com reflexo noutros media, nas molduras de uma das suas incríveis casas, em Nova Iorque, há fotografias dele a visitar o Papa, dele com Fidel Castro, dele com Musk, dele com Mick Jagger, dele com Woody Allen. Muitas fotografias. Não se vê ninguém com ar de ter sido torturado para ali estar a sorrir. Todos parecem felizes, aparentemente descontraídos e orgulhosos por estarem em tão importante companhia. 

Leio que era visita do Palácio Real britânico e que, aparentemente, emprestou dinheiro a Sarah Ferguson, a ex do Príncipe Andrew. A teia de amizades vai sendo revelada, parece infinita. E inexplicável. Como chegou ele a tanta gente? E para quê?

E depois há o seu grande amigo, Best Friend Forever, Trump. Li que se zangaram não por Epstein ter 'roubado' uma menina de 16 anos que trabalhava em Mar-a-Lago mas porque Trump deu cabo de um negócio imobiliário milionário que Epstein queria fechar. Dizem que Trump seria testa de ferro de oligarcas russos. E aqui entram os russos, de mão dada com Trump? Outra teoria da conspiração? Ou outra vertente do mistério?

Questiona-se também qual o papel de Melania no meio deste filme. E as hipóteses que tenho ouvido são todas igualmente bizarras. E, também aqui, o mistério tem contornos imprecisos.

Os grandes jornais americanos não estão a largar o que a Justiça americana, pela mão de Trump, anda a querer esconder.

Não sei se alguma vez vamos perceber os contornos desta história mirabolante mas, pelo que se vê, entretanto vamos continuar a ser brindados com novos episódios que, em vez de revelarem, ainda adensam mais o mistério sobre esta estranha nebulosa.

Para quem não consegue ver o artigo que hoje está a bombar no NY Times, aqui fica um vídeo onde se fala disso.

A Disturbing New Look at Jeffrey Epstein's NYC Mansion

New photos reveal strange statues, cryptic and disturbing letters, and the presence of long-rumored hidden cameras inside the townhouse on Manhattan's Upper East Side. 


Desejo-vos dias felizes

quarta-feira, janeiro 29, 2025

É suposto termos medo?

 

Dá vontade de classificar como palhaçada, como se estivessem armados em bons. Ou melhor: em maus. Como se quisessem que a malta se acagace com eles. 

Ele é o que se sabe, tem a mania que é o maior, o melhor, o único. E ela, pelos vistos, não lhe quer ficar atrás. 

Parece que querem que a malta pense que, lá porque eles querem parecer sinistros, o melhor é fazer-se tudo o que querem sem que ninguém solte um pio.



Tenho lido ou ouvido que a Melania está elegante e que quer mostrar-se empoderada. Sobre a elegância não me pronuncio mas sobre o empoderamento o que tenho a dizer é que detesto a palavra, detesto quem a usa, detesto tudo o que a rodeia. E seja isto a propósito de mulheres ou de homens.

O que vejo nas fotografias é gente fechada sobre si própria, fechada aos outros. Melhor dizendo: cagando-se para os outros.

Mesmo que, na realidade, nem um nem outro façam pessoalmente mal a uma mosca -- por exemplo, não deem murros na cabeça de crianças, não estrangulem velhinhos, não torçam o pescoço a pássaros, não andem ao pontapé a cães velhos que já não consigam morder de volta -- a verdade é que fazem muito mal ao mundo. Poluem o mundo, poluem o planeta, agridem o género humano, atentam contra a dignidade e a inteligência do ser humano, desprezam os mais frágeis.

De gente assim, devemos guardar distância. 

Mas quando acontece o impensável e milhões de pessoas votam neles e que, quando o veem a dar ordens estúpidas ou maldosas, ainda os aplaudem, então fica a dúvida: o que podem os outros fazer? Os que não se reveem em nada disto, os que não gostam disto, os que acham que ter gente assim na Casa Branca é um assustador retrocesso civilizacional -- o que podem fazer?

Creio que uma única coisa: não ter medo, não vergar, não ceder. 

A história avança aos soluços, umas para cima, outras para baixo, um passo para a frente, dois para trás, um para o lado, outro para a frente. Analisando a coisa, vê-se que a longo, longo prazo, não se avança muito. Se calhar... até se recua. Mas como se vai para o lado, se calhar, sendo a rota outra, talvez não seja tão dramático assim. Não sei (ou melhor, esforço-me para não ser pessimista)

Sei é que se agora estamos num torvelinho, o mundo aos coices e às patadas, um dia destes a malta vai perceber a asneira que é votar nos porcos que, lá por andarem em duas patas e se vestirem de fato e gravata se acham tão bons ou melhores que os homens, é um barrete dos valentes.

Por isso, há que suster um bocado a respiração porque este mau bocado há-de passar.

terça-feira, janeiro 21, 2025

Na tomada de posse de Trump quem esteve melhor foi Michelle Obama

 

Sobre Trump digo aquilo que agora é moda dizer dos malucos: foi Trump a ser Trump. Fez e disse de tudo. Mostrou que não sabe o que são conceitos, certamente para ele abstractos, como decência, respeito, decoro, bom senso, normalidade, noção. Mas não me apetece aprofundar. Os comentadores que escavem no que aí vem. Drill, baby, drill

Sobre Melania Trump digo a mesma coisa: foi Melania a ser Melania. Para não andarem a ver se o sorriso era forçado ou se mal conseguia o ar de vómito, desta vez resolveu quebrar o protocolo e mandar às malvas as etiquetas e, num espaço fechado, apresentou-se de chapéu, ainda por cima um que lhe tapava a cara. E, quando o marido quis beijá-la, fez o número do costume e não apenas fugiu com a cara como lhe colocou a aba do chapéu na rota da aproximação dele.

Sobre a corte high tech, com os verdadeiros donos do mundo a mostrarem-se como uma corte unida, um anel de segurança em torno de Trump, custa-me a falar. Assusta-me demais.

Sobre o novo penteado de Zuckerberg tenho alguma dificuldade em encontrar-lhe o racional

Sobre Sundar Pichai, o CEO da Google, ocorreu-me a questão de sempre: não põe aparelho nos dentes porque não está para gastar dinheiro ou porque gosta de se ver assim?

Sobre Lauren Sanchez, a companheira de Bezos: não falo da boca. devidamente uniformizada, mas da toilette. 

Refiro apenas que optou por vestir o casaco directamente sobre o soutien. E não digo que sim nem que não, apenas que vale tudo. Até as patilhas do Milei, completamente descabidas, ali tiveram cabimento.

Sobre as rezas durante a cerimónia não digo que é de loucos, não digo nada: esteve ao nível de toda a pirosice daquilo tudo, uma coisa mais de igreja evangélica do que cerimónia pública do mundo desenvolvido. E, se não de igreja evangélica, então filme cómico, paródia de quinta categoria.

Sobre as filhas e as noras de Trump e outras senhoras da mesma idade: estão todas a trabalhar para ficarem iguais umas às outras com maçãs de rosto redondas e elevadas, bocas enxertadas, pele esticada. para além disso, a Ivanka foi mascarada de dama de início do século passado com uma boina lateral.

De resto, muito haveria a dizer como, por exemplo, sobre aquela senhora bem fornecida de carnes que se apresentou de fato justo e saia repuxada pelo meio da coxa ou sobre várias outras desconformidades, de todo o género, e que rezaram, aplaudiram, fizeram ar embevecido ou riram como tontas -- e que pareciam estar ali apenas para fazer ver ao mundo como é que Trump foi eleito. Mas não me apetece.

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As fotografias provêm do Madame le Figaro

quinta-feira, abril 01, 2021

Suzana Garcia, a putativa candidata laranja with the big boobies, Melania e Donald Trump disponíveis para animar aniversários e casamentos e, para acabar em beleza, rotinas diárias de tratamento da pele e maquilhagem.
E, em PS, o tiro no pé com que Marcelo se auto-infligiu

 



Já passa e bem da uma da manhã e não tenho assunto que se veja. Assim de repente, só se for isto de que vos vou falar, e é mesmo por desfastio, se é que me entendem.

O tema é que, vá lá saber porquê, o youtube agora deu em propor-me vídeos sobre a rotina diária de maquilhagem de algumas pessoas. Como fico curiosa, vou ver. Na verdade tenho esperança que apareça alguém com um truque mágico. 

Eu, de manhã, depois de me lavar, ponho um hidratante anti-rugas próprio para o contorno dos olhos e outro que tal, mas sem essa especificidade ocular, no resto da cara. Produtos do supermercado, coisa para cinco euros cada embalagem. Se não tenho reunião, fico-me por aí. Se tenho, faço por caprichar no visual: faço um risco com eyeliner macio em tom de cinzento esverdeado na pálpebra superior e esbato. Ponho também um baton macio em tom framboesa soft e se, ao ver-me no ecrã do computador, me acho branca demais, levanto-me e ponho um bocado de baton sob as maçãs do rosto. Depois esbato com convicção e algum arrependimento não vá, do lado de lá, aparecer ridícula, com umas rosetas infantis. Portanto, verdade seja dita, capricho mas não muito...

Ou seja, fico sempre a pensar que deveria esmerar-me mais. Então, para ver se aprendo, vou ver os vídeos que o algoritmo me sugere. Começam sempre por dizer que têm uma rotina muito simples. Mas depois são dez ou mais minutos de vídeo em que começam com sérum, depois com outro sérum, depois uma base, depois um protector solar, depois um pó iluminador, depois um pó colorante, depois um creme nos olhos, depois mais outro, depois uma sombra, depois mais outra, depois um iluminador, depois um risco, depois uma sombra, depois um rímel, depois um hidratante nos lábios, depois uma base labial, depois um baton, depois um contornador, depois outra cor, depois um brilho. E eu chego ao fim e penso que tanto trabalho não é para mim. Mas gostava. Sobretudo gostava de me sentar numa cadeira, de preferência daquelas que dão massagens, e que me maquilhassem. Isso, sim, é que era.

Também há a rotina de desmaquilhar. Mas aí já não tenho sequer paciência para ver os vídeos. Eu o que faço é lavar a cara com água fria. Às vezes prendo o cabelo com uma mola e passo um creme de noite. Mas nem sempre. Se me lembrasse a tempo e horas, fazia isso bem antes de ir para a cama para dar tempo a absorver bem. Como geralmente não me lembro, não estou para ir para a cama com creme fresco, não vá sujar a almofada. 

Por vezes, quando faço anos ou no natal, oferecem-me produtos bons. Acho que lhes faz impressão isto de eu usar cremes baratos, do supermercado. Fico contente, claro. Gosto de receber presentes, em especial se são coisas úteis e boas. Mas, para dizer a verdade, acho que os efeitos práticos são os mesmos. Penso que, essencialmente, o aspecto que a nossa pele tem resulta dos nossos genes e da vida que levamos. Acredito que quem bebe muito ou fuma muito tem isso reflectido na pele do rosto. Ou quem passa a vida ao sol ou em solários, parece que fica com a pele curtida. Mas quem tem uma vida relativamente saudável e tem genes normais terá, naturalmente, uma pele razoável. Nem boa nem má: normal. E, nesse capítulo, a normalidade não é necessariamente uma coisa má.

Conheço pessoas de cinquenta e poucos anos a quem não falta dinheiro para porem cremes de centenas de euros e que têm daquelas peles engelhadinhas que mais parecem uma renda. E conheço uma que, com cinquenta e tal anos e também dinheiro para se revestir a ouro todos os dias, o usa para se esticar para além do inimaginável. Penso que já o contei. Um amigo, algum tempo antes da pandemia, mostrava-me fotografias de um evento a que tinha ido. 'Olhe a mulher deste', 'Olhe bem como este está', 'Olhe como é simpática a mulher daquele'. Gostava deste género de fofoca, ele, e eu gosto de me rir. E, então, estando nisto, surpreende-me: 'Olhe a sua amiga...'. E eu, a olhar para a fotografia, sem reconhecer. 'Quem é?', eu, intrigada. E ele, a rir, 'Não me diga que não sabe quem é? Olhe bem... Não está a reconhecer...?'. Não, não estava. Então, com ar de gozo, disse-me quem era. Olhei e reolhei, aproximei-me da fotografia. Não reconhecia. Esticada, esticada, quase sem feições. Não sei quantas vezes já se esticou. Se não tivesse tanto dinheiro não estava sempre a caminho do Brasil para fazer aquele lindo serviço à cara. E fará os cremes e as bases e os betumes que ainda põe... Nem se percebe onde acabam os olhos e começa o nariz. 

Bem. Sobre o tema das rotinas diárias e etc., é o que tenho a dizer.

Tenho ainda a dizer que também fiquei de boca aberta quando vi que Suzana Garcia, a comentadora  with the big boobies, é a provável candidata do PSD à Câmara da Amadora. Não sei que competências a dita senhora tem para a função a não ser ser comentadeira televisiva, usar cabelos compridos pintados de louro e ter uns seios que farão qualquer interlocutor ter que fazer um grande esforço para não se pôr a olhar fixamente para aquele pornográfico exagero. Se se candidatar é capaz de ganhar porque o povão gosta mesmo é de votar em pessoas conhecidas da televisão; e, ademais, aquelas mamas prometem. Eu, se aqui me aparecesse o Fagundão a candidatar-se ao município onde voto, a ver se também não votava nele, ai não que não. Até ia distribuir canetas e sacos de plástico na caravana pedestre só para o ver mais de perto. Mas, claro, o Fagundão é brasileiro e vive no Brasil, não há como votar nele. Dos que aparecem agora por cá, não estou a ver nenhum que me levasse a fazer uma loucura. Só se fosse o Pedro Simas... Ah, sim, é ele candidatar-se por estas bandas a ver se não tem o meu voto garantido, ai não que não. Com sorte ainda me aplica uma vacina das boas, coisa state-of-the-art. Aplica-me a mim na qualidade de munícipe, claro; a mim e a todas as mulheres de bom gosto que se mudem para cá.

E é isto. Sobre o tema das municipais, a ver que mais mamalhudas o mangas-de-alpaca tem para tirar da cartola. 

E, para terminar, a notícia mais estapafúrdia de todos os tempos. Lê-se e não se acredita. O mundo está a ficar quadrado? Em vez dos movimentos de rotação e translação, o planeta deu em andar aos saltos e às arrecuas? Só pode. 

Há pessoas que, mais burras e estúpidas que os calhaus mais acéfalos, fazem coisas que nem no mais burlesco e satírico dos guiões. Melania e Donald Trump estão a oferecer os seus serviços para fazerem presenças em eventos de qualquer espécie. Chegam ao absurdo de também se oferecerem para enviarem cartões. 

Donald Trump unveils new website that lets you book him or Melania to speak at events

The former President of the United States, Donald Trump is now listed on 45office.com for people to book him or his wife, Melania Trump for personal appearances and greetings (...)

É a degradação da espécie levada ao limite do absurdo. Só falta mesmo o Cavaco e a sua Maria Cavaca passarem a oferecer os seus serviços para encomendarem as almas dos mortos (não sei se é assim que se diz) ou o Passos Coelho oferecer-se para montar cataventos ou exorcizar o diabo dos corpos dos possuídos. 

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Quanto ao Marcelo e ao seu tiro no pé (ou melhor, na Constituição) nada quero dizer. No melhor pano cai a nódoa. Toda a gente erra. Portanto, não vou chover no molhado. Mais do que arrependido já ele deve estar, certamente a ver como há-de sair desta argolada com um mínimo de dignidade. Portanto, nada mais vou acrescentar. 

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As pinturas de Kristian Zahrtmann estão aqui apenas porque sim, ao som de Eat Pierogi por  Mee And The Band que também não tem explicações a dar

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Uma boa quinta-feira

sábado, junho 06, 2020

Pôr Trump a ridículo dizendo nada, apenas mexendo os lábios.
[Post com outras coisas dentro como, por exemplo, duas selfies, algumas flores e outras imagens colhidas in heaven]







Não tenho andado a dormir muito bem. Acordo muito cedo e não volto a adormecer. Como me deito tarde, isso traduz-se em poucas horas de sono. Hoje pensei que, a seguir ao almoço, durante uns minutos, poderia descansar, quiçá, até, passar pelas brasas. Reclinei-me mas não adormeci. De resto, logo tocou o telefone. Pensei que, a seguir ao jantar, talvez adormecesse. Mas não adormeci. Tenho a sensação que a minha cabeça trabalha de mais e descansa de menos.

Ligo a televisão na esperança de ouvir música de qualidade, ver documentários de arte, entrevistas a arquitectos ou pintores. Ou bailados. Sinto que o mundo precisa de algum silêncio. Precisa de uma pausa. Isolamento no meio da floresta. Contemplação silenciosa do mar ou do voo de um pássaro. Gostava de ver documentários sobre jardins. Gostava de ouvir dizer poemas. Gostava de ouvir falar pessoas que falem uma língua nova, que falem de filmes, de músicas, de compositores, de escritores. Podia ser um filme sobre Virginia Woolf. Ou sobre José Rodrigues Miguéis. Gente que lesse trechos seus, que falasse sobre ele, passagens da sua vida e dos seus gostos, a música de que gostava, os cozinhados que mais apreciava. Coisas assim. Ou sobre Menez. E quem diz esses, diz outros.


Também podia ser outra coisa: pessoas normais conversando sobre assuntos banais, conversando entre si. Só isso. De vez em quando algum silêncio, de vez em quando alguma música.

Se eu tivesse um programa de televisão, convidava algumas pessoas que eu cá sei. Sentava-me com elas num terraço com flores, pedia a essas pessoas que escolhessem umas músicas, e deixava-me ficar a conversar com elas. Gosto de fazer perguntas que deixam as pessoas caladas, apanhadas desprevenidas, sem saberem como responder. Depois, ao fim de um bocado, porque não querem deixar de corresponder, começam a falar e começam a ficar surpeendidas e entusiasmadas com o que as suas palavras dizem. Depois fico calada, apenas a ouvir. As pessoas conversam muito facilmente comigo, fazem-me as mais inesperadas confissões. Depois, daria o braço ao convidado e iria passear com ele pelo jardim. A música continuaria a tocar até ao entardecer. Ao cair da noite subiríamos para o terraço e continuaríamos a conversar. Sobre livros, sobre músicas, sobre músicos.


Também poderia ver uma história de amor se passasse alguma na televisão. Uma insólita e bela história de amor. O amor vivido através de memórias. O amor vivido através de cartas. O amor através de ausências, silêncios, demi mots. 

Um dia vou escrever guiões para filmes. Uns vão ser eróticos, quase escandalosos. Outros românticos, deliciosamente românticos. Outros de morrer a rir. Só de pensar já fico numa impaciência para me dedicar a isso. O pior é que só consigo escrever de noite. De dia tenho que viver como se não houvesse a noite. E à noite vivo como se não houvesse o dia.

Enfim.


Mas não há disso na nossa televisão. Ligo e vejo as coisas do costume, ouço falar de crimes, de mortos, vejo os mesmos comentadores de sempre a falarem dos mesmos assuntos de sempre. Geralmente falam da actualidade. E a actualidade é, por definição, perecível, coisa permanentemente condenada a ser passado. Salvo raras excepções, é coisa que começa a desinteressar-me. Quero coisa nova, rasgo, perfume bom, gesto de amor, rasto de raposa, pegada de leopardo, caligrafia desenhada a tinta permanente, compreensão, carícia ao de leve, música irreal, mistura de cores, vontade de uma janela aberta para o desconhecido, gato atravessando a noite, uma música vinda de longe. Não é pedir muito, acho eu.


Então, como não encontro isso na televisão, nos meus tempos livres sento-me no sofá, abro a janela, ouço o canto oculto dos pássaros, vejo o seu saltitar colorido aqui mesmo à frente, ou saio para andar pelo campo, fotografo a luz e as sombras -- tantas fotografias, sempre os mesmos motivos -- ausento-me da actualidade que as televisões me mostram, ausento-me de mim, tento que esta suavidade descanse a minha cabeça.

Depois, quando a noite se adentra pela madrugada, ponho-me a ver os vídeos que o meu amigo algoritmo me mostra, divirto-me, irrito-me, agonio-me, desculpo o mundo, desconforto-me, sorrio, penso, preparo-me para a noite breve e para um novo dia.


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E os vídeos que o algoritmo hoje achou que eu ia apreciar são estes

Sarah Cooper, a Grande -- Trump e a Bíblia





O palhaço-mor e a bela e estranha múmia paralítica


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Um bom sábado!