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quinta-feira, julho 24, 2014

Ana Drago, Daniel Oliveira e pareceu-me que também Ricardo Paes Mamede chegam-se à frente e dizem que é preciso unir a esquerda e que, por isso, bora lá formar mais um Partido...? É isso? Percebi bem? E, se bem percebi, vão formar este Fórum, ou Manifesto ou Partido ou lá o que é e depois juntam-se ao Livre e, de braço dado, vão bater à porta do PS? Ou percebi mal? É que, se é isso, não seria mais fácil irem inscrever-se no PS? Ó esquerdinha mais destrambelhada sem qualquer tino na cabeça...


No post abaixo já falei das notícias da imprensa de mão, que dão conta de que o Coelho não se importa de deixar ir a Albuquerque para a Comissão Europeia. E não disse mas dei a entender: cantam bem mas não me embalam.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.



O barco vai de saída



(Fausto, no seu melhor)

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A direita é mais bronca, inculta, gentinha incompetente, pequenos conservadores ultramontanos, pacóvios e provincianos, tementes em relação à cultura e ao conhecimento. Dói só de a gente saber as burrices que dizem e fazem. 

Quando tomam conta da quinta, fazem leis que não lembram ao diabo, destratam quem podem, avacalham o que os rodeia, destroem tudo à sua passagem. Sem pruridos ou remorsos.

Ana Drago é inteligente, tem o verbo fácil, é fotogénica.

Mas... so what...? De concreto, o quê?

Os inteligentes de esquerda vêem isso e sentem genuína repulsa. Têm angústias literárias, exaltações quase místicas, epifanias criativas e, de todas as formas possíveis e imaginárias, parodiam, insultam, desprezam os mentecaptos dos direitolas.

Depois, cada um de per se quer parir a tirada mais iluminada, quer citar o intelectual mais cosmopolita, quer obter o reconhecimento deslumbrado dos seus pares, de facto, quer ser primus inter pares.

E, nessa ânsia narcísica, em que os princípios se querem os mais puros, as intenções as mais nobres, o despojamento o mais onírico, começam as divisões.

Enquanto a direita se une, a esquerda divide-se.

Portugal pode estar a ruir, as contas desequilibradas, a dívida a subir para níveis estratosféricos, os juros da dívida a sugarem toda a magra seiva que a frágil economia consegue produzir, podem os desempregados estar a deixar de receber subsídio e os excluídos a deixar de receber o subsídio de inserção, pode o país estar a tornar-se um país onde as desigualdades mais se cavam, e podem os professores ser humilhados e tratados como cães sem dono, e os cientistas ser desprezados como parasitas, podem os jovens sair em debandada, reproduzindo-se longe deste país pobre e envelhecido... que a esquerda continua a agir autisticamente, numa lógica que é essencialmente de estética política. 

Um por aí anda a tocar ferrinhos e a apelar à desunião dentro do próprio partido, outros a repetirem, no mesmo tom de voz, os mesmos slogans de há dezenas de anos que já ninguém escuta, e os da esquerda que se quereria arejada e moderna a brincarem aos partidinhos, juntando-se e desajuntando-se. Um filme que seria de risota se não tivesse a consequência de deixar o caminho livre à destruição que vem sendo levada a cabo - sem oposição.

Acho Ana Drago, Daniel Oliveira, Ricardo Paes Mamede ou Rui Tavares gente inteligente. E João Semedo ou Catarina Martins também. Ou Francisco Louçã, também. Inteligentes e boa gente.


Quantas vezes já vimos estas pessoas a formarem manifestos, partidos, tendências?

Falam, falam, falam... e não fazem nada...


Mas, lá está, falta-lhes qualquer coisa. Falta-lhes um suplemento de quelque chose. Falta-lhes uma cola agregadora. Falta-lhes alegria e força intrínsecas. Miguel Portas tinha tudo isso e tinha, ainda por cima, carradas de charme. Ora nenhum destes tem isso porque isso não se herda, isso ou está nos genes ou, azarinho, não está.

Se ainda não perceberam que, para além de tudo o que é genético e de todos os puros ideais, têm que ter os pés assentes na terra, têm que ter um mínimo de pragmatismo e que, se querem chegar-se ao poder e aliar-se ao PS, então devem ter sentido prático e, de facto, juntarem-se ao PS - ou, então, vão andar o resto a vida a fragmentar os partidos por onde passam, depois a formar outros, depois a provocar cisões, depois a voltarem a juntar-se noutros, uma brincadeira inconsequente e ridícula. 

Fazem-me lembrar as bolinhas de mercúrio quando se partia um termómetro do antigamente. Têm muita pressa de fazer qualquer coisa, juntam-se a outras bolinhas, depois as bolinhas dividem-se em duas e depois voltam a juntar-se a outras bolinhas; mas tanta dança de bolinhas não passa disso mesmo: de uma dança de bolinhas.


Pressa. Muita pressa. Foi neste ritmo que Daniel Oliveira abriu esta quarta-feira ao final da tarde a sessão organizada pela Fórum Manifesto para “Uma governação decente”. Do lado oposto da mesa, mas em sintonia perfeita, na pertença à associação política, mas também na escolha dos verbos e adjectivos, estava Ana Drago, igualmente ex-dirigente do BE.

(...)

Duas certezas para já: vai nascer uma plataforma política e eleitoral que se baterá por ir a votos já nas legislativas de 2015. E que entende que é “suicidário” excluir o PS. Um partido? Aderem ao Livre? “Vamos ver como é possível organizar esse esforço. É muito cedo para ver a forma institucional”, disse Ana Drago.


Por um lado dizem que têm pressa mas, ao mesmo tempo, que ainda é cedo. Em que ficamos? Em lado nenhum, claro.

Há pouco ouvi o Rui Tavares na televisão. A mesma lenga-lenga intelectualizada, bem articulada. Mas, senhores, falta-lhes garra, sentido prático, experiência de vida, capacidade para deitarem mãos ao trabalho.

Se nem conseguem unir-se entre eles, meia dúzia de gatos pingados, como pensam conseguir algum dia mobilizar um país? 

Sabem o que me ocorre perante tudo isto? Que, por este caminho, e se, ainda por cima, os amigos do Seguro o conseguirem aguentar lá, o Passos Coelho e o vice-irrevogável Portas nem precisam de se ralar com as próximas eleições. Têm, de facto, muita sorte: governam um país manso e ainda por cima têm passarinhos destes na oposição... 

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E, a propósito do Passos, queiram, por favor, descer até ao post seguinte.

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segunda-feira, dezembro 30, 2013

Balanço de 2013 à moda de Um Jeito Manso (coisa muito limitada, claro: Tozé, o Inseguro; Passos, o Pérfido; Portas, o do Destino Trocado; Cavaco, o Inútil; Costa, o Desencontrado; Jonet, a Naftalina ao serviço dos pobrezinhos; e mais uns quantos]


Não é altura de balanços? Fecha-se o exercício, fecham-se as contas, faz-se a demonstração de resultados, acerta-se o balanço, percebe-se qual o resultado bruto, qual o resultado líquido. Coisas assim.

Mas era o que mais me faltava pôr-me aqui a perder tempo com uma análise exaustiva ao que passou. Passou, passou, está passado.

Quanto muito, passo por cima de balanços e foco-me num ou noutro balancete.

Ora, então, vamos lá. Coisa simples com base no que se viu em 2013 neste luso rectângulo que, se isto não muda, ainda se torna pindérico. Ou de plástico, que é mais barato (O'Neill dixit).



António José Seguro - Um chato, sem alma, sem garra, sem charme. 


Li algures que se fez filmar armado em estadista a desejar um bom Natal às famílias. Típico. 

Este é daquele que antes de o ser já o era. Um velho. Um ex. 

Um chega para lá. Um pequeno Hollande. Tomara que nunca tenha a oportunidade de desiludir os eleitores como Hollande o faz todos os dias.



Pedro Passos Coelho - Uma criatura sinistra. 


Nunca me enganou: as palavras que proferia antes de ganhar as eleições revelavam demagogia, populismo, ignorância, leviandade, pouco respeito pela inteligência dos outros. É o joguete útil que qualquer poderosos deseja encontrar em lugar de importância num país. O facto de não distinguir a mentira da verdade torna-o ainda mais perigoso. O facto de ser frio e vingativo é a pitada que faltava para o tornar ainda mais temível. Os portugueses deveriam fazer tudo para o afastar de qualquer função pública. Não tem feito outra coisa senão destruir o País e dar cabo da vida dos Portugueses. Os danos far-se-ão sentir por muitos anos.


Paulo Portas - Uma pessoa cuja inteligência e fulgor se desperdiçaram estupidamente ao escolher o percurso político que tem vindo a singrar. 


Poderia ser um professor brilhante, um grande jornalista, até um grande actor de teatro. Qualquer coisa. Seria sempre muito bom. Mas optou por se enfiar numa carreira que é sempre pequena demais para a sua ambição e para as suas capacidades intelectuais. Por isso transborda, é arrastado por correntes que não controla, tenta manter-se no palco, encena, efabula, é histriónico para além do razoável no que faz e diz, perde-se nos seus labirintos, perde a noção de tudo (até do ridículo). Ganharia muito se se afastasse, se conseguisse manter o recolhimento durante uns tempos, se encontrasse um outro rumo para a sua vida, se serenasse, se fizesse um uso útil e inteligente das suas capacidades. Ganharia ele, ganharia o CDS, ganharia o País.


Jerónimo de Sousa, João Semedo, Catarina Martins - Gente bem intencionada, gente generosa, gente com ideais. 


Contudo, uns por estarem presos a conservadorismos desajustados aos tempos que correm, outros por ainda não terem sabido traçar caminhos que se compreendam bem, serão sempre refúgios para grupos fechados de sonhadores, saudosistas, idealistas. 

São os guardiões de castelos nos quais haverá sempre parte da população que gostará de se acolher. Mas dificilmente atrairão novos adeptos, ou gente com real capacidade para fazer frente aos desmandos ultra-liberais.


António Costa - Um homem com um discurso tão claro como bem articuladas são as suas ideias. 


Vigoroso, lutador, um democrata, um humanista. Mas parece não chegar a tempo ao sítio onde o comboio da história passa. Tomara que um dia o seu tempo coincida com o tempo comum. 

O País tinha muito a ganhar se a sua clarividência e frontalidade pudessem traduzir-se em acções.


José Sócrates - Um homem corajoso, um lutador, um homem a quem os ventos contrários não vergam. 


A imagem perfeita do resistente e do resiliente. Um combatente.

O País ainda irá contar ele. 

Muitas pessoas como ele em posições cimeiras na UE tornariam o nosso espaço comum um lugar menos perigoso.

Contra ventos e marés, contra ameaças ou traições, contra incompreensões ou abandonos, os seus ideais não sofrem abalos.


Rui Tavares, Daniel Oliveira, Carvalho da Silva e outros - Gente bem intencionada, com visões correctas da realidade e um discurso limpo e honesto.


Mas não será através de novos partidos, movimentos, pólos ou plataformas que a direita retrógrada, revanchista, apátrida e amoral será derrotada. 

Numa altura como a que vivemos, toda a gente de bem se deve unir. Qualquer divisão de votos favorecerá a pandilha que tem vindo a arruinar o futuro deste pobre País.


Cavaco Silva - Quando foi Primeiro-Ministro comprometeu o futuro do Pais, trocando o tecido económico nacional por meia dúzia de patacas. 


Como Presidente da República faz questão em ser inútil.

Este espaço vai ficar quase vazio de propósito pois vazio é o que parece rodeá-lo.


Mário Soares - Um homem inteiro. Um leão.


E não escrevo mais pois todas as palavras seriam fracas quando comparadas com a força que tem sabido demonstrar ao longo de toda a sua vida. 

Mesmo agora, aos 89 anos, é das vozes que mais vigorosamente clama contra a devastação em curso.

De cada vez que ruge, o seu rugido abala as estruturas apodrecidas.


Isabel Jonet - Canaliza a sua capacidade empreendedora para actividades assistencialistas que são úteis mas mais úteis seriam iniciativas que evitassem a necessidade da caridade.












...

E por aqui me fico para isto não ficar chato para além da conta.

Algumas imagens, como está à vista, provêm do blogue We Have kaos in the Garden. Das restantes desconheço a proveniência original.

...

Até já.

segunda-feira, setembro 30, 2013

Balanço dos resultados das eleições autárquicas 2013. O avanço da CDU, o esvaimento do BE, o deslumbramento do CDS, o vexame do PSD e a vitória do PS. Os porquês e os 'e agora' de cada um destes partidos. [Eu armada em comentadora política, ora bem]


No post abaixo fiz a minha análise a quente dos resultados dos 5 municípios mais dramáticos para o PSD, Lisboa, Porto, Gaia, Sintra, Oeiras. 

Mas, agora, aqui, vamos lá a fazer um balanço geral deste dia de eleições. Não sou pessoa especialmente atenta nem disciplinada e, além do mais, aqui em casa o zapping é coisa que se pratica com muita insistência pelo que dificilmente se consegue ver alguma coisa de seguida.

Portanto, não garanto que o que vou dizer seja uma análise muito rigorosa. Mas acho que isso não deve ser grave já que quem quiser ler análises rigorosas e isentas poderá ler as que são feitas por gente instruída e isenta como o esperto Henrique Raposo, o estratega Henrique Monteiro e outros da mesma envergadura intelectual.

Ora bem, vou tentar guiar-me pelos discursos dos líderes partidários para ver se me mantenho fiel às palavras deles.


CDU



Jerónimo, o velho lobo, e Bernardino, o  novo presidente da Câmara de Loures
- a fabilidade e a honestidade na política 

Jerónimo de Sousa foi o mesmo de sempre: um homem honesto que aponta erros da governação, que defende a consistência da posição comunista, que promete acção na luta (ou luta na acção - não sei se a ordem dos factores aqui é relevante). 


Nas palavras dos comunistas jamais se vê uma palavra nova, um rasgão na realidade que abra caminhos diferentes. São o que são, conservadores e consistentes. Na gestão autárquica são geralmente honestos e a população retribui essa correcção.

Fico contente com os resultados francamente bons da CDU. É gente que se esforça e que merece. 

Fico especialmente contente com a vitória de Bernardino Soares. É um grande município, complexo, e tenho a melhor das opiniões do novo presidente de Loures. 


Fico também contente porque uma pessoa de quem sou aparentada (acho que se diz assim da família por afinidade) ganhou a presidência de um município. Não é vida fácil a dos Presidentes de Câmaras e, por tudo, a essa pessoa desejo toda a sorte do mundo.


Bloco de Esquerda


João Semedo e Catarina Martins, a encantadora dupla do BE, honestos e certeiros
- mas não chega. 

À hora a que escrevo ainda não sei se João Semedo foi eleito para vereador de Lisboa. O que sei é que o BE perdeu Salvaterra e que, no conjunto, foi varrido do mapa autárquico. 


Ouvi-o há pouco. Queixou-se das televisões. As televisões não são flores que se cheirem, fazem fretes, colocam e descolocam pessoas no poder. Se o BE teve de início uma excelente imprensa, talvez agora haja alguma indiferença. Não sei. No outro dia, o Marcelo Rebelo de Sousa referiu-se a eles como 'aquela dupla encantadora' e senti nele a ternura que se dedica aos irrelevantes da política. E eu senti o mesmo. João Semedo é um querido, simpático, certeiro no que diz, a Catarina é rija, fala bem, é, ao mesmo tempo, sintéctica e analítica mas, para além da bizarria de ser uma dupla a comandar um partido, poucos mais há que eles. É um partido que, paulatinamente, vai tendendo para zero.

Na comunicação ao país no rescaldo das eleições e sem saber o seu futuro, João Semedo falou, pois, da derrota dos partidos do Governo e queixou-se das televisões. Acho que ninguém se comoveu. Com a perda de Miguel Portas, com a saída de Francisco Louçã, agora com o afastamento da Ana Drago (e, tempos antes, da Joana Amaral Dias), o BE foi perdendo o glamour, o cosmopolitismo irreverente, a novidade da esquerda caviar, das meninas bonitas de esquerda. Pouco fica. Até porque, no que se refere a homens bonitos, já no outro dia aqui o disse: agora não há como o PCP.



CDS


Paulo Portas, a arte de passar através dos pingos da chuva
Anda na política, à chuva, e tem a arte de conseguir não se molhar
(mas são sempre de Pirro as suas pequenas vitórias)

Pois. Lá apareceu o Paulo Portas todo contente, agora fecha os olhos com delongas para mostrar como está agradado, e faz gracinhas como a da mão de dedos abertos para dizer que o CDS teve o seu penta com as suas 5 câmaras. Teria razão para estar contentinho (mas não razão para estar tão contentezão). 


Com cinco câmaras não se pode dizer que tenha alguma influência a nível autárquico. Mas, enfim, artista como é, faz de conta que não tem nada a ver com as derrotas que sofreu nos locais em que estava em coligação, e canta de galo com 5 câmaras. Mas que fique contente. Tinha só 1, agora tem 5, pronto, nesta politicazinha liliputiana as coisinhas pequenas parecem grandes. Não quero com isto desmerecer as câmaras que passaram para o CDS. Aliás, ainda no outro dia me contaram que Ponte de Lima está um miminho. Tudo certo. Não se percebe é aquela alegria esfusiante. 

Que mais posso dizer? Nada. Paulo Portas não consegue ser contido, não consegue parar para pensar. Aquele impulso que, pelos vistos, não consegue travar leva-o a não ver as coisas em perspectiva. Neste caso não vê que se ridiculariza por, no meio dos resultados da noite eleitoral, aparecer deslumbrado e radiante como se tivesse ganho não 5 mas, sim, 500 das 300 câmaras.



PSD


Pedro Passos Coelho, um sujeito mal preparado, mal formado
e, ainda por cima, mal encarado
O País está farto dele.

Dá dó. Arrasado nos municípios mais relevantes do País, o PSD sofreu um vexame, uma humilhante derrota. Ao escolher figuras como as que escolheu e com o país aborrecido com as suas políticas, o PSD mostrou não perceber a raça de que os portugueses são feitos. Digo isto e a mim própria me apetece rebater (e isto porque os portugueses, se fossem mesmo de uma raça vigorosa, não tinham era dado nem um único voto a gente como o Abreu Amorim, o Seara, o Menezes, o Moita Flores, o Pedro Pinto).


Mas, enfim, as coisas são o que são.

No entanto, a desgraça não foi apenas nestas 5 câmaras: o PSD foi varrido de muitas outras. Ou seja, há muito presidente, vereador, assessor e amigos que vão ao ar. Ora o PSD é o partido por excelência do país profundo, do caciquismo, das influências. Ao apear tanta gente por esse país fora, o PSD vai ficar em rebuliço. Cheira-me que estas vão ser noites de facas longas. O PSD vai começar a perceber o que os espera quando as eleições forem as legislativas e não acredito que as concelhias e as distritais se deixem ficar sossegadas. Não se vão deixar. 

E depois há a Madeira. Foi patético ver o Alberto João. Vencido. Ainda a ensaiar uns rugidos mas já sem força para isso. As pessoas deveriam saber sair a tempo. Ao não sair, é outro vexame. Um reduto do PSD, até esse, a ruir a olhos vistos.


Mas depois houve o discurso de Passos Coelho. Infeliz. Seco, amargo, distante: uma pessoa que se afastou da realidade. Chegou ali e com aquela sua voz bem colocada que tende a enganar às primeiras impressões (parece que as pessoas gostam de ser enganadas por quem lhes fala com voz de barítono) reconheceu que o PSD saíu derrotado, que o PS ganhou e que, pela parte que lhe toca, o que pode prometer é que vai continuar a fazer o que tem feito até aqui. O Cacos Coelho é daqueles malucos que faz tudo mal feito, que chefia um governo que faz tudo mal feito, que chefia um partido que anda desgovernado, às aranhas, perdidos, cada um para seu lado - e que não percebe coisa nenhuma. Faz uma e outra vez o mesmo disparate e a única coisa que conclui é que deve continuar a fazê-lo. Nada a fazer com uma criatura assim. Um desastre.

Ou melhor: tudo a fazer. Retirá-lo de onde está.


[Vejam por favor as semelhanças: 

o PSD de Passos Coelho & Marco António Costa e os malucos do Monty Phyton]






PS


António José Seguro, um político cauteloso, bem comportado, bem intencionado
- mas o pior é que não precisava de ser taaaaaanto...

Além disso, com esta cara é difícil não pensar nele como outro Hollande,
muito piu-piu,
coitado.

António Costa teve uma vitória fantástica. António Costa é um político de mão cheia. António Costa escolheu, desta vez, para seu número dois um outro homem muito bom, Fernando Medina. A Câmara de Lisboa estaria muito bem nas mãos de Fernando Medina. O Partido Socialista estaria muito melhor nas mãos de António Costa do que nas mãos do Tozé Seguro. Portugal estaria muito melhor nas mãos de um Partido Socialista que estivesse nas mãos de António Costa do que em quaisquer outras (remetendo-me apenas às figuras conhecidas que se perfilam). 


O discurso de vitória de António Costa foi de festa. Rodeado por rostos conhecidos, sorrisos abertos, palmas, alegria, rostos de gente ganhadora. António Costa apresentou-se - e muito justamente - vitorioso.

A seguir apareceu o Tozé Seguro. Uma sala pífia, meia dúzia de gatos pingados. O Zorrinho estava com cara de quem foi arrancado da cama à pressa para ir para ali fazer número: olheirento, mal penteado, ar de quem nem conseguiria dizer uma palavra quanto mais bater palmas. Depois mais uns quantos com ar igualmente ensonado. No meio de um palco vazio, o Tozé parecia pequenino, apagado. Com um ar tristinho que dava pena, disse que tinha ganho e que é alternativa. Mas o fácies não consegue convencer-nos: as sobrancelhas descaídas, o cabelo encrespado a precisar de um bom corte, a ler um discursos em voz monocórdica, todo ele apagado, ar de vencido.


Sendo a pessoa que mais razão tinha para estar em festa, o bom do Tozé apareceu-nos com cara de perdedor. Nada a fazer. Não consegue mobilizar-se a ele próprio, quanto mais o partido, e, quanto mais, o País. Conseguiu uma bela vitória - mas não por mérito dele; antes por absoluto demérito dos outros nabos.

Mas, enfim, o PS ganhou: a contabilidade dos votos, dos vereadores, dos presidentes assim o determina. Tomara que façam por merecer esta vitória e tomara que ganhem ânimo para lutarem como leões e não como cãezinhos amestrados.


Abstenção, nulos e brancos


Lamento mas não tenho dados que me permitam opinar. Deve ter sido uma percentagem alta e não me admiro. Pela amostra que tive oportunidade de conhecer, deduzo que grande parte das listas deve ter sido de uma indigência constrangedora e, para além do mais, as pessoas estão fartas de tanto troca-tintas, tanta arrivista, tanta nulidade no poder. Mas como não sei números, fico-me por aqui.


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Sobre as reacções das 5 estrelas-perdedoras do PSD (Seara, Menezes, Moita Flores, Pedro Pinto e Abreu Amorim), por favor, desçam um pouco mais, até ao post seguinte.

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E por aqui me fico. Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana.