Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca
Mostrar mensagens com a etiqueta Maggie Smith. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Maggie Smith. Mostrar todas as mensagens

sábado, janeiro 10, 2015

Passear sem medo pelas belas ruas de Paris


No post abaixo divulguei o comentário do Leitor J. que, de bem escrito e bem estruturado, nos deixa a pensar. Muito gostaria que o lessem pois é sempre bom abrirmos o ângulo de visão das nossas perspectivas.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.

Nas noites de sexta-feira, sempre que dá vamos laurear. 

A nível pessoal, os meus dias não têm sido especialmente descontraídos mas, apesar disso, têm trazido notícias animadoras, pequenos passos, menos do que baby steps mas, ainda assim, positivos. Mas, a nível geral, os últimos dias têm sido trágicos. Sei que o que se passou é muito menos do que se passa noutras geografias. Sei isso e o Leitor J. também mo lembra bem. Mas são territórios que, para mim, são remotos, nunca lá estive, é como se fosse algo que se passa num outro planeta e que nunca nada daquilo me atingirá. Mas, para mim, o que se tem passado em Paris e arredores é uma dor. Paris é uma cidade que se ama, adoro Paris, adoro a França. Desde a Normandia à Provence, França é um país que acolhe os que a amam. E passear em Paris é um prazer sem igual. Conheço razoavelmente essa cidade, gosto de lá passear, ver museus, fazer compras, estar nos seus jardins, estar nas suas esplanadas. Na última vez que lá estive, há não muito tempo, calhou ter um dia só para mim e andei sozinha, foi no inverno, um gelo, mas eu tão segura, tranquila e feliz. Pensar que Paris vive dias de medo é uma coisa que me dá muita pena. 

Mas não é a primeira vez que Paris vive sob o medo de manifestações de terror. Lembro-me de uma vez que lá fomos numa outra altura de atentados e suspeições, creio que há uns vinte ou mais anos, éramos ainda novinhos e fomos com um casal amigo. Toda a gente dizia que o meu marido, moreno e barbudo, pelo menos a barba devia cortar não fosse ser tomado por terrorista. Não o fez e não nos aconteceu nada mas lembro-me de sentir algum medo e de, aliás, termos adiado por algum tempo a viagem. O medo é uma coisa terrível.

Por isso, esta sexta-feira, ao chegar ao fim do dia, se por um lado só me apetecia estender-me no sofá, pegar num livro e, passados uns minutos deixar-me dormir, por outro também me apetecia sair, desfrutar a liberdade e as ruas sem medo. Prevaleceu a segunda.

Fomos jantar um belo peixe assado e depois fomos ao cinema. O filme Uma Senhora Herança (My Old Lady, no original)  passa-se em Paris, os actores deslocam-se nas suas belas ruas, jardins e casas e estar ali, nesta altura, soube-me especialmente bem. E pensei que, de facto, uma das melhores maneiras de encarar isto é sem medo, não dar relevo aos malucos, não os publicitar.


O filme é apresentado como uma comédia romântica e é, mas tem momentos de drama, de romance, e tem um argumento curioso e tem artistas do melhor que há, o ora divertido. ora pungente Kevin Kline, a elegante e subtil Kristin Scott Thomas e a extraordinária Maggie Smith. E tem Paris.


Transcrevo a sinopse do Cinecartaz:

Nascido e criado em Nova Iorque, Mathias Gold (Kevin Kline) está praticamente na bancarrota. A luz ao fundo do túnel surge quando descobre que o falecido pai lhe deixou de herança um apartamento em pleno centro de Paris. Determinado a começar uma nova vida com a pequena fortuna que lhe renderá a venda do imóvel, gasta os seus últimos tostões num bilhete de avião e segue viagem até à cidade-luz.
O problema surge quando percebe que na casa vivem duas inquilinas muito peculiares: Mathilde Girard (Maggie Smith), uma senhora 90 anos "sem papas na língua", e a sua filha, Chloé (Kristin Scott Thomas). Segundo uma das mais antigas leis francesas, o apartamento apenas será legalmente de Mathias após a morte da velha senhora e, pior ainda, ele tem de pagar uma renda vitalícia a quem lá habitar. 
Desesperado e sem dinheiro, Mathias vai ter de aceitar guarida das duas mulheres na sua própria casa. Mas é então que entre os três se inicia uma amizade que, apesar das dificuldades, os fará redefinir o conceito de felicidade… 
Apresentado no Festival de Cinema de Toronto (Canadá), uma comédia dramática sobre o amor, a amizade e a força das relações familiares, que marca a estreia na realização do argumentista e dramaturgo Israel Horovitz.

Se tiverem oportunidade de o ver, vão ver que gostarão.


Viver nas artérias de Paris



O trailer legendado de My old Lady - ou, em português: Uma senhora herança




----

Recebi há pouco de um Leitor a quem muito agradeço, referência a um texto que fala da armadilha política que a civilização ocidental enfrenta:

Escrevia ele: É este o "piège politique" de que falava Robert Badinter* e que é urgente desarmar:

« Dresser les populations les unes contre les autres en France et engendrer un climat de guerre civile, c'est la vision délirante du jihadisme aujourd'hui. C'est toute une stratégie de destruction du pacte social des sociétés européennes qui est mise en oeuvre. »

Por favor, ler no LibérationRobert Badinter : «Les terroristes nous tendent un piège politique»

______


Relembro: o post abaixo contém a transcrição de um comentário que merece ser lido e a que, repescando palavras do texto escrito por um Leitor, dei o título de "Je suis Gaza"? - ou "Mais vale chorar 1000 mães palestinas do que uma israelita". Já a seguir.

____

Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado.

...