Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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domingo, março 24, 2019

O humor britânico ao serviço do Brexit



Sempre apreciei imenso o divertido fair play britânico e sempre fui entusiasta admiradora das séries de humor que passavam na televisão. 


Agora só não sinto falta disso porque a realidade inglesa ultrapassa a ficção e, em consciência, apenas me coibo um bocado de dizer que tudo aquilo a que se assiste -- por parte da enfarilhada Theresa May que não atina nem por mais uma e pelo tatibitate Corbyn que não foi capaz de se decidir sobre o lado para o qual cair, não dançando nem saindo da pista -- é de gargalhada porque começo a pensar que, por incrível que se possa pensar, ainda há o risco de se atirarem mesmo para o precipício.


Toda esta peripécia do Brexit mostra bem como, impensadamente, na maior ligeireza, um povo pode tomar uma decisão parva e, com isso, se pode não apenas ridicularizar perante o mundo como, sobretudo, pôr o reino em sério risco de grave e descontrolada convulsão social e económica -- e, mais: sem que a Rainha se mexa.


Se a monarquia é isto, então vou ali e já venho. Perante o carnaval macaco com que o poder britânico brinda o mundo, da realeza nem um pio.

Continuam a aguardar a chegada de mais um bebé real,  certamente tremendo que o desbocado pai ou a pérfida irmã de Meghan saiam de novo à cena, e continuam com as suas visitinhas, a Rainha com as suas toilettes coloridas e os seus adoráveis chapelinhos, Kate sempre elegante e sorridente, os príncipes sempre simpáticos como a sua simpática e eterna mãe e o eterno-putativo rei Carlos com a sua bem amada Camilla de férias, ambos sempre naquela boa onda, fotografados em fato de banho, numa praia nas Caraíbas.

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Hoje, quando passei os olhos pelo DN, tive esperança que, por ser sábado, a crónica do grande Ferreira Fernandes estivesse aberta. E fui lendo:

Conhecem a última anedota do Brexit?


Quando uma anedota é uma anedota merece ser tratada como piada. E se a tal anedota ocupa um importante cargo histórico não pode ser levada a sério lá porque anda com sapatos de tigresa. Então, se a sua morada oficial é em Downing Street, o nome da rua - "Downing", que traduzido diz "cai, desaba, vai para o galheiro..." - vale como atual e certeira análise política. Tal endereço, tal país. Também o número da porta de Downing Street, o "10", serve hoje para fazer interpretações políticas. Se o algarismo 1 é pela função, mora lá a primeira-ministra, o algarismo 0 qualifica a atual inquilina. Para ser mais exato: apesar de ela ser conservadora, trata-se de um zero à esquerda. Resumindo, o que dizer de uma poderosa governante que se expõe ao desprezo quotidiano do carteiro?

No Brexit rir não é o melhor remédio. É o único remédio. Ah, como seria lindo ver o John Cleese, de chapéu de coco, casaco e colete escuros, calças cinzentas - enfim, um funcionário british como já não os há - e com aquele andar de quem trabalha no Ministério dos Passos Esquisitos! Bastaria um dos brilhantes e bizarros Monty Python andar atrás de Theresa May, nas tristes e bizarras andanças dela nos últimos três anos, para se confirmar que o programa inteiro da política inglesa são passos esquisitos. (...)

[E a partir daqui só com assinatura que não tenho. ]

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E, portanto, à falta da crónica completa do FF e à falta dos Monty Python ou do Little Britain, tenho que me contentar com imagens da mega manif deste sábado em Londres:

Put it to the people














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You shall not pass, Brexit




E ti-jaei

segunda-feira, janeiro 12, 2015

A beleza das mulheres. O exemplo de Meryl Streep.


No post mais abaixo falei de um homem cujas palavras, em minha opinião, devem ser levadas em conta. Se um dia elas nos chegarem, poderosas, dos lados da Rússia, o mundo será diferente do que é hoje. Claro que entre o que se sonha e o que, de facto, se pode fazer vai um imenso mar de diferenças (Obama é apenas um, de entre tantos, que o pode confirmar) mas, ainda assim, acredito que cada vez mais russos vão começar a seguir com atenção a sua ambição. Mas sobre Mikhail Khodorkovsky falo a seguir.

Aqui, agora, a conversa é outra.


Não vou falar do imenso mar de gente em Paris, na grande marcha republicana em que mais um milhão de pessoas saíu à rua para mostrar o seu apego à liberdade, pois se, por um lado, acho emocionante que tanta gente se junte em torno de um dos mais cruciais pilares da democracia, por outro tenho a convicção de que pouco vai mudar e de que muitos dos governantes que ali estiveram, o estiveram apenas porque, enfim, noblesse oblige. Ver a cara de manequim dos fanqueiros do Passos Coelho umas filas lá para trás, irrelevante e inútil, sempre de tacha arreganhada, uma cara a rir no meio de um mar de rostos consternados, diz bem do exemplo do que é um governante que ali foi apenas para fazer número.


O galito Hollande com a sua patroa, a matrafona Merkel, Sarkozy logo ali e mais uma data de gente importante no actual panorama político - obviamente Passos Coelho não se vê, estava lá para trás, no lugar destinados às concierges
(mas na televisão, quando o focaram, juro que o vi a rir, provavelmente das gracinhas que a inconsequente Esteves ia dizendo)



Que foi uma manifestação histórica não tenho dúvidas mas que foi inútil temo bem que o tenha sido e, portanto, pouco mais tenho a dizer que isso. A psicologia de massas é isto mesmo: grandes comoções, um frémito de fraternidade emocionada a percorrer os corpos, a sensação de que tudo é possível. Mas, logo que o grupo de desfaz, tudo volta ao que é - a menos que à frente dos destinos dos países esteja gente capaz de interpretar os anseios do povo e capaz de o traduzir em actos, com garra, líderes de verdade, gente com visão de estadista. Mas o que ali vi deixa-me de pé atrás, especialmente no que se refere ao território político em que me insiro, a Europa*: Hollande é a fraca figura que se sabe, um homenzinho que vive em função da imagem e da opinião pública, Rajoy outra fraca figura, Merkel uma contabilista luterana (que tem a particularidade de ter uns grandes tomates - and sorry for my french), o malabarista Juncker, etc, etc, e Passos Coelho, a nódoa que tão bem conhecemos. 

Por isso, vou ficar-me por aqui no que a grandes temas da actualidade diz respeito. E, se me permitem, vou passar para o registo das pequenas coisas do dia-a-dia.


Meryl Streep, com uns anos de diferença mas sempre com a mesma beleza luminosa


Meryl Streep é hoje uma estrela inquestionável no mundo da representação e não há filme em que ela não brilhe com aquela luz que parece emanar dos seres especiais.


Meryl Streep em África Minha


Ela é tudo o que há para ser: namoradinha inocente, grande fazendeira africana, bruxa, mãe devota, amante divertida, executiva implacável, mulher apaixonada, governante reformada com Alzeihmer, o que se quiser - e, em qualquer papel, é perfeita.


Meryl Streep em As Pontes de Madison County


E, logo de nova, a excepcionalidade da sua arte de representar se tornou muito evidente e, desde então, não foi por ser loura, morena, alta, baixa, nunca pela perfeição simétrica do rosto ou beleza sensual do corpo que a sua arte se impôs: sempre foi a mulher que ela encarnava que se impunha.

Toda a gente que trabalha com ela refere a forma osmótica como a personagem se apodera dela, levando-a a adquirir a voz, os mais específicos sotaques, os tiques, quase a personalidade da personagem que representa.


Meryl Streep em O Diabo veste Prada


Mas, antes de tudo isto, ela foi rejeitada. Era feia, não servia para o papel, disseram-lhe. Custa a acreditar porque feia ela nunca foi. Tinha, então, 26 anos, foi a um casting para o papel feminino do King kong e Dino de Laurentiis disse que ela era che brutta, feia demais. O papel foi para Jessica Lange.



Jessica Lange em King Kong


O vídeo abaixo mostra Meryl Streep, na semana passada, como ela sempre é - segura, divertida, resplandecente na sua beleza intemporal - descrevendo esse episódio.


Meryl Streep ‘Not Pretty Enough’ To Be In King Kong - The Graham Norton Show




Para se ver o que são as coisas. A relatividade das coisas, quero eu dizer. A relatividade de tudo, vendo bem as coisas.

.....

E chega de coisas. Por agora, fico-me por aqui que esta segunda-feira a coisa promete, afazeres de toda a espécie e feitio, incluindo familiares que a coisa não anda especialmente fácil. Por isso, adiante antes que se faça tarde.
.....

* - Sobre a Europa, recomendo a leitura de um artigo (que em comentário abaixo foi deixado por  Fernando Ribeiro) da autoria do neo-convertido, o polifacetado Moita Flores. 


O artigo intitula-se: 

Europa terrorista - A quadrilha que vai liderar a manifestação de Paris prostituiu a Europa, matou os projetos de Vida.


Lê-se e não dá para acreditar. Também tu Moita Flores...?

.....

Relembro: sobre uma figura da qual, por cá, pouco ouvimos falar mas que me palpita que um dia destes será bem conhecida falo já a seguir - alguém que sabe do que fala quando fala de liberdade ou não tivesse estado preso durante alguns anos.

______


Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira. 
Saúde, sorte e afecto é o que vos desejo.

E que, por um qualquer milagre, a PT não seja condenada ao esquartejamento, isto é, que não seja vendida.


...

domingo, outubro 27, 2013

Fotografias da manifestação 'Que se lixe a troika' com cheirinho a Porto, carago!


Meus Caros Leitores, passa da uma da manhã agora que estou a começar a escrever isto. Estive a passar as fotografias para o computador e a escolher algumas. Saí cedo de casa, depois foi a viagem e, cá chegados, passei o dia a andar, a passear, e jantámos tarde. Por isso, não consigo já escrever como gosto de fazer. Estou cansada e com sono para além da conta, até me dói a cabeça. Vou apenas mostrar-vos algumas fotografias. 


Passos vai roubar o c... 

Primeiro vou mostrar-vos imagens da manifestação 'Que se lixe a troika'. A manifestação de há cerca de 1 ano a que assisti em Lisboa não se comparava com esta. Não sei como foi essa aqui no Porto.


Esta a que aqui assisti foi grandinha, compostinha - mas nada daquela multidão compacta, efervescente e criativa que testemunhei em Lisboa em Setembro do ano passado.

Baixa do IRC é a nova TSU
Ministro da Economia mete a lei no cu

Esta foi pouco divulgada. Nós só demos por ela quando, ao irmos para a Rua de Santa Catarina, vimos um ajuntamento na Batalha. Depois apanhámo-la já mais engrossada a entrar nos Aliados. Mas muito silenciosa, quase triste. Alguns cartazes que ofenderão as meninas do coro que se ofenderam com os 'filhos da mãe', os 'estupores', os 'bandalhos' usados pelo Sócrates, mas, mesmo esses, tão serenamente deslizavam pelas ruas que se tornavam quase apenas uns objectos estéticos. E é sabido que a estética é coisa muito subjectiva.


Este Governo mete-me nojo

E, comparando com a novidade que a outra teve, esta parece uma coisa quase como se de um fim de festa se tratasse. Os cartazes continuam feitos à mão, nada de palavras de ordem. Gritos de alma. Gritos que deveriam ser levados em consideração, respeitados. Esta é a voz dos que ainda têm energia para se manifestarem. Os outros nem isso têm.

Privatize-se também a puta que os pariu a todos

O meu marido disse hoje uma verdade 'quase não se vêm putos; os sacanas estão-se nas tintas para o que se passa'. E, de facto, a manifestação tinha predominância de pessoas de idade ou meia-idade. 


Alguns jovens com ar vagamente alternativo e pouco mais. Em contrapartida, centenas ou milhares de jovens de capa e batina apinhavam-se mais tarde, na maior animação, junto ao Coliseu e nos cafés da zona. Farra, copos e pouco mais parece ser o que mais os move. E, logo eles, que têm o futuro tão severamente comprometido. Que incómodo que isto me causa.

Para os nosso políticos aumento de 3,4 milhões de euros em 2014
Para os aposentados e funcionários públicos - cortes

É uma pena. Estes pântanos são muito perigosos. Prestam-se a tudo.

Para onde vai o dinheiro que nos estão a roubar?


Rua com estes xulos


2013 - Morte lenta

Nota: Isto saíu-me tudo desformatado mas estou com o mini-portátil que parece que é pequeno também nas possibilidades ou, então, é a minha aselhice que aumenta na proporção inversa do tamanho da ferramenta que utilizo. E é muito lento, uma seca. Ou então é da internet móvel. Podia ficar aqui a labutar mas não consigo, tenho muito sono. Fica assim. Conto com a vossa benevolência.

sábado, outubro 19, 2013

Estou triste . [E tenho aqui comigo o Manuel Alegre, o Mário Viegas, o Cine Povero] . Eu tinha grandes coisas para vos dizer; porém não tenho tempo. Vou-me embora.


No post abaixo dou a palavra aos leitores-admiradores de Valter Hugo Mãe que me têm deixado comentários tão impressivos que faço questão de lhes dar honras de primeiro plano.

E, já agora, deixem que lhes diga: estejam à vontade, comentem o que quiserem para que se conheça melhor qual o público-alvo da grande estrela (tinha escrito grande estrela dos livros e das cassetes piratas mas os leitores em causa poderiam não perceber a alusão e a ironia).

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.

Posso não ser uma radical de esquerda (que não sou), posso não ser tão lutadora quanto devia (que não sou), posso estar afastada da vida política activa (que estou, sempre estive) - mas sou realista, sei fazer contas, sou patriota, sou solidária. Sou Portuguesa e quero continuar a ser orgulhosa de o ser. 

||||||||




Numa altura em que a viabilidade de Portugal se encontra ameaçada, em que a dignidade dos portugueses está a ser espezinhada, é tempo de protesto. A revolta deve ser manifestada. 

Somos muitos. Se todo um País se levantar, não é um punhado de gatos pingados que lhe pode fazer frente. A nossa passividade e delicadeza está a ser-nos fatal. Demonstremos a nossa preocupação e desagrado. Deixemos que percebam que por cima de nós não passarão.


Quando há pouco abri o YouTube para pesquisar uma coisa, apareceram-me uns quantos vídeos que 'o YouTube escolheu' para mim. Para minha surpresa, dei com um filme maravilhoso do Cine Povero de quem aqui já mostrei outros. É poesia dita mas é muito mais que isso.

Este de hoje não poderia ser mais actual.


A minha tristeza precisa de grandes gritos ao ar livre. 

Precisa de correr. 

Apertar muitas mãos encher as ruas de muita gente. 

Precisa de batalhas. 

Precisa de cantar.




Eu também continuarei a lutar.

*




Aconselho a leitura do texto explicativo o Cine Povero juntou ao belo filme que colocou no YouTube.


Transcrevo aqui o poema 'Estou Triste' de Manuel Alegre na íntegra:



Eu tinha grandes coisas para vos dizer
Porém não tenho tempo. Vou-me embora. Deixo-vos
com a vossa tristeza
mergulhada no vinho quieta envilecida.
Minha tristeza é mais pura
não se esconde no vinho não se esconde.
Precisa
de grandes gritos ao ar livre. De
partir à pedrada o copo
onde a vossa tristeza apodrece.
Precisa de correr. Apertar muitas mãos
encher as ruas de muita gente.
Precisa de batalhas
Precisa de cantar



*

(As fotografias foram obtidas na internet e não consegui identificar a sua fonte original)

*

Relembro que, descendo até ao post seguinte, poderão deleitar-se com os comentários com que os fãs do Valtinho me têm presenteado. Não se costuma dizer que o que é bom é para se ver? Ora bem, não quero guardá-los só para mim.

*

Desejo-vos, meus Caros Leitores, um sábado muito feliz.
E tomara que, não tarda, nossos sejam todos os caminhos.

domingo, março 10, 2013

Passear em Lisboa - Chiado, Largo do Carmo, S. Pedro de Alcântara, Largo de Camões, Rua do Alecrim. A beleza de Lisboa, a Magnífica, e a beleza das pessoas que por ali andam nesta tarde do início de Março.


Hoje passei parte do meu dia em Lisboa, a Bela. Uma temperatura aprazível, uns pingos de quando em vez, nada de mais, um leve cheiro a castanhas assadas e ao perfume de quem passa. Em Lisboa, Chiado, Bairro Alto, S. Pedro de Alcântara, as igrejas, a elegância, o cosmopolitismo e a tradição, a beleza, o inesperado - e eu, tantos e tantos anos a andar por aqui e sempre a vê-la como se a visse de novo. 



No Largo do S. Carlos, junto à casa onde Fernando Pessoa nasceu.
A vaca cor de laranja da Marc Jacobs, ao fundo, mostra um dos tons-tendência da saison







A seguir ao almoço por ali, subindo a escada junto à muralha que separa o Largo de S. Carlos da Rua Paiva de Andrade, por onde passava naquele momento o conhecido eléctrico 28, chegámos ao Largo do Chiado.

Lá em cima, no Largo Camões, uma concentração para dali partirem para uma manifestação. gente dos transportes.



Camões e os manifestantes


Mas, não era só ali que havia muita gente. Também o Chiado estava cheio de gente. E música. Três homens tocavam, e um homem, sentado em frente, desenhava-os. E muita gente, muita mesmo. Muitos turistas mas também muitos portugueses. Felizmente os portugueses começam a sair à rua, a viver as suas cidades.



As esplanadas da Brasileira e da Bénard no Largo do Chiado. Uma alegria no coração de Lisboa.


E, claro, um homem estátua. Há sempre um homem estátua. E música. Este hoje, dourado, acrobático, era uma figura curiosa no meio da gente que ali pára ou que por ali passa a passeio.



Elevando-se, fazendo movimentos que mais pareciam de levitação, o Homem-Dourado
Atrás, uma das muitas belas mulheres que sempre há (que sempre houve) no Chiado



Há muita juventude, gente bem vestida, gente bonita. Claro que há também a gente normal, os feios, os pouco fotogénicos. Mas eu aqui, de máquina na mão, sou despertada para a elegância, para a beleza. Tenho sempre o cuidado de escolher para colocar aqui, no UJM, imagens que não diminuam, não desfavoreçam, não revelem mais do que devem as pessoas que fotografo. No entanto, como sempre, digo que, se alguém que aqui aparece, não permitir que a fotografia onde aparece aqui esteja, deverá contactar-me que eu, sem qualquer dúvida, a retirarei.



Há blogues, como o The Sartorialist ou O Alfaiate Lisboeta,
nos quais os respectivos autores mostram pessoas, na rua, que, segundo eles, vestem bem ou são elegantes ou diferentes ou bonitos.
Eu poderia fazer um blogue apenas com imagens de pessoas nesta zona da cidade



No Chiado há também as igrejas. Não posso deixar de entrar. Estou pouco tempo e fico no cá ao fundo, junto à entrada. Mas gosto destes breves momentos de silêncio e recolhimento. Penso sempre que podia ali ficar uma tarde inteira, sentada num canto, sem pensar em nada, apenas recolhida.



Igreja do Santíssimo Sacramento, uma das igrejas muito bonitas da zona do Chiado,
silenciosas, lugares de paz e tranquilidade


Daqui chega-se à zona dos alfarrabistas, das pequenas livrarias. Tantas horas eu passei dentro destes alfarrabistas, tantos livros já aqui comprei. Durante muitos anos este era um percurso que fazia quase diariamente. Agora já só aqui venho a passeio, ou almoçar ou jantar, ou seja, esporadicamente.



Uma mulher elegante junto a O Mundo dos Livros no Largo da Trindade
A Livraria Barateira, fundada em 1914, ao fundo


Depois fui até ao elevador de Santa Justa, de onde a vista sobre Lisboa é ímpar. Sinto-me uma turista. Como acima o disse, por muitas vezes que por aqui ande, vou sempre reagir como se estivesse a ver tudo pela primeira vez - e não são palavras de circunstância mas, sim, muito verdadeiras. Parece-me sempre tudo mais bonito que antes, reparo em ângulos em que antes não tinha reparado, encanto-me, encanto-me tanto.



A Rua do Carmo vista do corredor do Elevador de Santa Justa


Lá em baixo as pessoas são figurinhas coloridas, engraçadas, bichinhos pequenos e esguios que sobem e descem a rua, apenas elementos pitorescos na orografia citadina de Lisboa.

Depois, chego ao Convento do Carmo. Num canto, encostado a uma parede, um homem cantava e quase fazia eco, uma sonoridade incrível. Nesta altura caíam uns pingos de chuva, o céu acinzentava-se, a música elevava-se no ar e eu pensava que, tal como nas igrejas, este sítio também pedia que eu me recolhesse.



As ruínas do Convento do Carmo. A pedra, as árvores, o céu de Lisboa, e as árvores nuas


No passeio, numa esquina, numa mesa no passeio junto a um pequeno restaurante, uma escritora muito conhecida conversava com um amigo e eu tive que me conter muito para não a fotografar para vos mostrar. Este texto e estas imagens são, certamente, muito normais, nada de especial mas, se aqui vos mostrasse esta escritora ali sentada, este meu post talvez ganhasse logo outro valor (que não viria do que escrevo mas da bela imagem daquela escritora ali sentada, nesta tarde lisboeta junto ao Largo do Carmo).

E há as boutiques, as lojas de design ou artesanato popular, as livrarias, as galerias.



Nica Boutique, aqui com toilettes que poderiam muito bem servir para ir aos fados


E, dali, em direcção ao Miradouro, passando pelas ruas que levam ao Bairro Alto. Arranjado, pintado, bonito, este bairro. Um dia vou ter que reservar uma tarde inteira para mergulhar por inteiro por estas ruas, becos e vielas, fotografando cada pequeno pormenor.



Bairro Alto, um dos bairros mais típicos  e mais movimentados (especialmente à noite) de Lisboa


E, depois, S. Pedro de Alcântara. Lisboa belíssima ali em frente, em baixo, ao fundo. E sempre muita gente, casais improváveis, casais apaixonados, casais a passeio, animados grupos de jovens. E solitários, dignos na sua solidão envolvida em beleza.



Lisboa tal como tantos pintores a pintaram, o casario harmonioso, docemente colorido, forrando as colinas


Dá muita vontade de fotografar tudo, antes que o sonho se desvaneça e estas imagens se esfumem. E eu gosto de fotografar quem fotografa e gostava de poder oferecer estas fotografias àqueles a quem fotografei. Mas, não o podendo, aqui as deixo.



Como uma bela Princesa que tivesse saído do Castelo de S. Jorge,
tão belo que quase parece irreal no topo das casinhas e do suave arvoredo


Princesas e Rainhas, assim as mulheres bonitas que por aqui andam. Várias. Pudesse eu pedir-lhes que posassem para mim... Tanto que eu gostaria. Mulheres belas com Lisboa em fundo.



A suave elegância de uma mulher muito bonita que, solitária, olha Lisboa


Depois, dali desci a Rua da Misericórdia. Lojas bonitas, turistas. Mas Portugal tem falta de sentido de negócio: muitas lojas fechadas. Fecham ao sábado à tarde e ao domingo. Nestes dias em que há tanto movimento, têm as portas fechadas. O comércio tradicional tem este lado negativo: tem alguma dificuldade em adaptar-se a uma certo lado mais turístico.

Adiante. Passei, então, junto ao Tavares Rico. Parei para ver a ementa. Pois: não dá. Caríssimo, como sempre. Deve ser hoje frequentado mais por angolanos ou chineses endinheirados do que por portugueses.

Para que vejam, aqui vos deixo um excerto da ementa.



Parte da Ementa do Tavares Rico: sobremesas à volta dos 18 ou 20 euros e Momentos de Outros Tempos, preços variáveis entre os 47 e os 79 euros por pessoa. É para quem pode.


E, já no final do passeio, Rua do Alecrim, uma das minhas ruas preferidas em Lisboa. Dali Lisboa desce até ao Tejo. Ali ficam as Louças de Sant'Anna, a loja de flores que perfuma a rua, os antiquários, as lojas de design. E ali, no Largo do Barão de Quintela, fica a estátua de Eça de Queirós, que tanto e tão bem escreveu sobre esta zona de Lisboa.



Eça de Queirós em Lisboa
Muito se fala sobre a modéstia do lugar da estátua que lembra Eça.
Não concordo. Este é um lugar muito belo .
(Claro que é pena estar cheio de carros de bombeiros pois o quartel de bombeiros é ali, mas, enfim, isso é pormenor)


E depois o rio. 

E depois, então, regressei a casa (mas por pouco tempo pois, nem uma hora depois, o programa continuou com Efeitos Secundários logo a seguir). Um sábado feliz da vida. E este domingo, casa cheia que descanso é coisa para a qual parece que não nasci.




*

Dado que estive o dia todo neste laré e dado que passar as inúmeras fotografias para o computador, escolher as que ia pôr aqui (e depois convertê-las para um formato mais ligeiro, o que sempre faço, para que não sobrecarreguem o blogue) me tomou muito tempo e depois compor isto que acabam de ler ainda mais, estou a acabar já depois da uma da manhã, com muito sono - e, horror! - ainda sem ter conseguido pegar no Expresso. Por isso, embora tenha lido os comentários e os mails, que muito agradeço, uma vez mais peço muita desculpa porque hoje não vou poder responder. A ver se amanhã já consigo (embora, dado o programa de festas, talvez não seja fácil).

*

E, depois disto (já deve ser a terceira ou quarta vez que aqui vos falo e vos mostro as minhas reportgaens fotográficas relativas aos meus passeios pelo Chiado, pelo que espero bem, que já não estejam fartos), só me resta desejar-vos, meus Caros Leitores, um domingo muito feliz. 

E, se puderem e se me permitem o conselho, passeiem. Não custa dinheiro e é tão bom...!



segunda-feira, março 04, 2013

A minha reportagem fotográfica da Manifestação de 2 de Março. Do Marquês de Pombal até ao Terreiro do Paço, passando pela Avenida da Liberdade, um mar de portugueses indignados gritou: Deixa passar! Estou na rua para o governo derrubar. Deixa passar! (e, como mostraram os cartazes e as palavras de ordem, esse foi o sentimento dominante, mais do que dizer 'que se lixe a troika')



Este sábado, depois da manifestação, tive um programa familiar com baby sitting até tarde pelo que só cheguei a casa à uma da manhã, incapaz de fazer outra coisa que não dormir como uma pedra. Este domingo, durante o dia, também não me foi possível chegar aqui. Só agora o consigo.

Tirei centenas de fotografias pelo que seleccionar algumas para vos mostrar não é tarefa fácil. Uma vez mais refiro que, se alguma das pessoas que aqui aparece não o autorizar, bastará que me escreva que eu retirarei a respectiva fotografia.

O que foi aquele mar de gente já todos o viram pelo que, uma vez mais, vou tentar fugir às visões panorâmicas e tentar aproximar-me das pessoas. Aqui como lá, são as pessoas e o que significa a presença de cada uma na grande manifestação de cidadania que se viveu este sábado, que mais me interessa.

Não sou comedida, é sabido, pelo que o programa de festas puxou um pouco pelo físico. Partimos de Santos a pé, deveriam ser umas três da tarde e, daí até às oito e meia não parámos. Presumo que tenhamos feito uns seis quilómetros (mas quem anda de gosto não se cansa - e foi o caso).

Começámos por subir a D. Carlos I. A Assembleia estava tranquila, claro. Contudo, alguns carros da polícia mostravam que estavam preparados para o que desse e viesse.



A Assembleia da República protegida por grades e em estado de alerta


Depois, ali para as bandas de S. Bento, uma inscrição numa parede fazia a pergunta certa nestes dias de violência contra os portugueses.



Até quando vais ser ovelha?


Nas ruas todos os caminhos iam desaguar no Marquês. Descendo a Alexandre Herculano via-se a Fontes Pereira de Melo cheia de gente, o Marquês cheio.

Famílias com crianças, gente de meia idade, gente de muita idade, gente em cadeiras de rodas, gente improvável em manifestações até há poucos meses atrás.



O descontentamento saíu à rua


As pessoas fizeram os seus pequenos cartazes, as suas própria formas de manifestar o seu descontentamento e eu acho isso maravilhoso: as pessoas estão a desinibir-se, estão a sair de casa, começam a exprimir o seu aborrecimento ou desespero.

Por essa altura já a Avenida da Liberdade estava cheia. Um mar de gente. A criatividade estava patente em incontáveis pequenos cartazes. Mas a mensagem era comum: toda a gente está farta de tanto abuso, toda a gente está descontente, toda a gente perdeu o respeito a esta gentinha que nos (des) governa.



FODA-SE: Fora Os Déspotas Agiotas - Serviços de Empobrecimento!


Os muitos milhares de pessoas que, em uníssono, em sintonia, desciam a Avenida da Liberdade eram formados por gente de todos extractos sociais e níveis etários. A maioria seria gente da classe média, a classe média que está a ser perseguida, ofendida, espoliada. A classe média que, em parte, costuma votar no PSD e no CDS.

Encontrámos conhecidos, colegas, gente que nunca se imaginaria ver numa manifestação. Mas estavam lá, 'tem que ser', diziam, 'isto assim já não vai lá'.

No sábado à noite, quando os meninos já dormiam, ouvi no Eixo do Mal o Pedro Marques Lopes (anteriormente apoiante de Passos Coelho) dizer que tinha lá estado pois considerou importante demonstrar que esta não foi uma manifestação de esquerda. E contou que muita gente se lhe dirigiu a mostrar o cartão do PSD ou dizendo-lhe que tinha votado no PSD mas que agora estavam indignados, queriam que fosse posto cobro a isto.

Esta foi, pois, uma manifestação de todos. E muitas crianças: uma das gerações ameaçadas, filha de pais e avós ameaçados. Deviam ser o futuro e tudo deveria ser feito para que o seu futuro fosse vivido em Portugal.



Não somos lixo, somos o futuro!!


E vinham os grupos ligados à Saúde, os ligados ao Ensino, os Precários, o pessoal da RTP. 

E uns seguravam cartõezinhos encarnados, outros seguravam as folhas escritas em casa. Todos juntos, falando a uma só voz. O povo unido jamais será vencido. O povo unido jamais será vencido.



Se emigrarmos, quem cuidará de Portugal?
Emigra tu, Coelho!



A política não pode continuar na mão de 'habilidosos', corruptos, medíocres. Basta!
A austeridade tem limites. Haja decência, haja sensatez! Haja vergonha!


É preciso lutar de novo, lutar sem parar, para que volte a ser do povo tudo o que nos estão a roubar.



Os números do Pedro:
6.500 milhões de euros para recapitalizar a banca,  1.400.000 desempregados, queda do PIB em 3.2%, 100.000 portugueses que emigraram, 1672 tentativas de suicídio em  2012


Ao contrário do que ouvi o Prof. Marcelo dizer há pouco, não achei que as pessoas estivessem tristes. Não. Acho que as pessoas estavam unidas, determinadas, por vezes emocionadas.

De repente, as pessoas perceberam que têm voz, que as ruas são suas, que há muitas na mesma situação de descontentamento e revolta.



Investigo. Logo trabalho.


E, de repente, toda esta gente, muita gente, que vem para as ruas sente-se à vontade para dizer o que pensa. Novos, velhos, ricos, pobres, brancos, pretos, saudáveis, doentes. Todos iguais.



Ulrich não aguentamos sustentar-te
Professor Karamba a Ministro das Finanças


E viam-se famílias inteiras, do avô ao neto, grupos de amigos, foliões, amigos de idade, gente sozinha. A rua a todos acolheu. O povo. O heróico povo. O nobre povo.



Heróis do Mar, nobre Povo


Claro que havia muitas caras conhecidas, de todos os quadrante. Não as mostro aqui porque estavam lá não como figuras públicas mas como cidadãos em revolta. Mostro apenas uma delas porque vi que estava a ser entrevistada.



Catalina Pestana, apoiada na sua bengala, fala com Pedro Moutinho da SIC


E, depois, via-se como algumas pessoas tinham trabalhado para trazerem para a rua uma mensagem mais elaborada e como faziam questão de mostrar ao mundo a sua visão dos tempos que correm. E chega a ser tocante a forma como certamente trabalharam em casa para mostrar um trabalho bem feito.



"A obediência dos povos é a fome dos tiranos", Agostinho da Silva


E eu ia descendo a Avenida. Um mar de gente. Um mar. Mais à frente os chapéus de chuva da APRE! cobrindo muitos cabelos brancos. Muita gente de muita idade. Gente com bom ar. Os que contavam que o Estado honrasse os seus compromissos e que contavam ter uma velhice digna, usufruindo do que tinham contratado e agora apontados como uns parasitas usurpadores. E gente humilde. E gente certamente a a atravessar sérias dificuldades. E gente emocionada por ver a força que a união faz.



APRe! Não somos descartáveis


Nem todos protestavam contra o Governo (embora a maior parte o fizesse): alguns protestavam contra Cavaco Silva.

Aliás, um dos aspectos mais claros neste protesto é que a indignação das pessoas é em primeiro lugar contra os membros deste Governo, mais até do que contra a Troika ou o FMI - embora se ouvisse, de vez em quando, FMI, fora, fora daqui! FMI, fora! Fora daqui!



Os cortes não são para todos
O que ganham os que nos cortam:
Presidente da República
7.630 de ordenado + 3.052 de despesas de representação
Acabem com elas!


E, claro, para além das mensagens de protesto, mais ou menos explícitas, havia também elegância, irreverência, beleza, carisma, pinta.

Sem comentários, alguns exemplos, antes de prosseguir com o 'relato' da manifestação.
















Que se lixe a troika. O povo é quem mais ordena!


Fora!

(Apesar da beleza e da doçura deste sorriso)


Tristeza? Não, que ideia. Sorrisos. Força, união, vontade de lutar. 

Estava, então, já no Terreiro do Paço.  Um cartaz ao alto dizia ao que íamos. Um coelho e um cartaz: Rua!

Aliás, das palavras de ordem mais ditas, gritadas, cantadas, sobressaía a seguinte: Deixa passar! Estou  na rua para o governo derrubar. Deixa passar!



Rua!



Quando cheguei ainda a cabeça da manifestação não tinha chegado. Consegui circular, andar por ali, pelo Páteo da Galé, pelas arcadas, sentindo a energia daquele ambiente, fotografando. Depois foi escolher o local onde depois me iria posicionar para ver de perto a entrada no Terreiro de Paço, junto à entrada da Rua do Ouro.



Ser pacífico não significa ser passivo. Prefiro mudar o país do que mudar de país

Queria um mano mas os meus pais dizem que a troika não deixa


Aqui continuavam os cartazes improvisados, alguns feitos visivelmente com algum carinho. Uma mostra de criatividade e, também, de cultura e humor na forma de protestar.


Quem sabe faz a hora, não espera acontecer (Geraldo Vandré)


A manifestação começava então a chegar em força, um rio de gente unida que desaguava no Terreiro do Paço.



Os portugueses não merecem isto!
Governo imoral arruina Portugal


E depois aconteceu um dos momentos mais emocionantes: a chegada dos reformados. Chegaram cantando e as pessoas batiam-lhes palmas. Não são descartáveis. Claro que não. São estimados por toda a população e não vale a pena Passos Coelho querer virar os jovens contra os velhos porque cá estamos todos para nos respeitarmos mutuamente. Emocionei-me muito com as palmas de carinho que acolhiam os reformados.

Os meus pais são reformados. Um dia eu serei reformada. Exijo respeito agora e sempre. Por eles, por mim, por todos. Apre!



Os reformados empobrecidos e mal nutridos a alimentarem um governo anafado


E depois chegou o momento. Eram 18:30, a hora em que a rua cantou o  Grândola, Vila Morena. Momento emocionante. A uma só voz, o canto elevou-se. Alguns punhos erguidos, a força que se sente a nascer. O Povo é quem mais ordena!



Até quando?

Ao meu lado um senhor de alguma idade, boina militar, medalhas ao peito, certamente antigo combatente. Preparou-se a rigor para vir fazer a sua luta. Estava sozinho, emocionado. E eu, que não estava sozinha nem tinha medalhas ao peito, nem estive em nenhuma guerra, estava ali ao seu lado, emocionada também.

Vi que passava na manifestação um antigo ministro da Cultura. Todos iguais. Todos em luta.



O 25 de Abril que o meu pai fez vou ter que o fazer outra vez


O dia começava a escurecer e o rio continuava a desaguar. Gente, gente, gente.



Se você acha que a educação é cara... experimente a ignorância!
Se já não andam aí a fazer nada... façam como o Papa e demitam-se


Deixa passar! Estou na rua para o governo derrubar. Deixa passar! Deixa passar!

E sempre o maravilhoso sentido de humor dos portugueses.


1974 - 2013
O Governo é quem mais ordenha


Depois, no meio da multidão, duas senhoras de alguma idade, Cataluña apoya. Sorriam, cantavam a Grândola. Muito bonito. 




Temos que falar, temos que gritar nem que seja no dezerto - José Saramago


Abaixo Passos.
Manda emigrar a tua tia!


Grande parte dos cartazes era dirigido a Passos Coelho, ao Relvas, ao Gaspar. Humorísticos uns, zangados outros. A impaciência dos portugueses tem vindo a aumentar à medida que as provas de incompetência se avolumam. 



Gaspa-te daqui p'Fora


Este governo desmereceu o respeito dos Portugueses - e isto é como nos casamentos: quando se perde o respeito, está tudo perdido.



Ó Passos sabes o que curtar? O teu car....


E depois já era quase noite, os candeeiros de Lisboa já se acendiam. E a manifestação começava a chegar ao fim. Mas é o fim por agora porque esta energia, esta união, esta revolta, esta vontade de ocupar a rua, esta vontade de manifestar o desagrado não vai parar. Não vai. Não vai.



Fome de cultura
0.1%


E depois a minha máquina ficou sem carga e já não consegui fotografar os elementos da LGBT que, divertidos, na maior animação, gritavam Troika, troika, só na cama! Troika, troika, só na cama!


Tristeza?! Não contem com isso. Desânimo?! Isso queriam eles! Não contem com isso. Com humor, a cantar, os portugueses mostram que estão fartos, que não são parvos, que não são ovelhas.


PS: Não posso, contudo, deixar de mostrar alguma decepção face à forma como a organização da manifestação não soube, uma vez mais, aproveitar aquela imensa mole humana. É certo que não é uma organização 'a sério' mas, ainda assim, penso que 'dispor-se' de centenas de milhares de pessoas e não proporcionar um motivo de retenção parece um desperdício lamentável. À medida que a manifestação desaguava no Terreiro de Paço, as pessoas dispersavam pois não havia ali mais nada que fazer. Teria sido razoável, lógico, interessante que artistas cantassem, tocassem música, lessem poesia, fizessem números circenses, etc. Não apenas isso faria com que as pessoas se sentissem mobilizadas para ali ficar um pouco mais como seria mais fácil mostrar a verdadeira dimensão do infindável mar de gente.

Ouvi o Prof. Marcelo, citando um artigo do Público, tentar quantificar o número de pessoas a partir da área do Terreiro do Paço. Ora, é um cálculo errado pois o Terreiro de Paço escoava mal as pessoas chegavam e estando ainda muitas por chegar.

Mas nem é por isso: é que manifestações deste tipo poderiam transformar-se em grandes e mobilizadores e encontros que acabassem em festa.

Fica para a próxima. E, de qualquer maneira, mesmo assim, valeu a pena!!!!


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Meus Caros Leitores, hoje apenas coloquei uma música no Ginjal, uma belíssima interpretação ao piano de Martha Argerich (com Eduardo Delgado) de Ravel. E, no post de 27 de Fevereiro, incluí o Guernica de Federico Garcia Lorca lido por Germaine Montero, de acordo com sugestão preciosa de uma Leitora e, só por isso,acho que vale bem a pena a vossa ida até lá.

Nem consigo ainda responder aos comentários nem aos mails. Apenas consegui pegar no computador já tarde, este post saíu loooooooooooongo (e só espero que me desculpem esta reportagem tão, tão, tão excessiva...!) e, antes, a escolha das fotografias tomou-me também muuuuuuuito tempo. E agora já é tarde, não consigo mesmo. A ver se amanhã consigo retomar a minha disciplina habitual, está bem?

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela semana.

E nada de desânimos.
Não é hora de baixar os braços.

 Lutemos sempre que a vida deve ser gostosa de viver.