terça-feira, fevereiro 24, 2015

Alô, alô, senhores engenheiros civis! Vejam lá isto: edifício industrial pesando 6.200 toneladas é movido 60 metros. Não é de agora mas merece ser visto. Bora lá usar esta técnica para mover o Palácio de Belém com o Cavaco e a Maria lá dentro para a Buraca?


Leitor a quem muito agradeço enviou-me um vídeo interessante que, imagino eu, deve fazer as delícias dos engenheiros civis. Mas, às tantas, eu acho extraordinário e eles acham banal. Já estou mesmo a ver um certo engenheiro que eu cá sei a dizer-me amanhã, oh pá, maiores que esses movo eu todos os dias... e com uma perna às costas. 




Transcrevo o texto que o acompanhava:

Na maior empreitada de seu tipo na Europa, um edifício de 6.200 toneladas foi deslocado de 60 metros, em uma única peça, depois de 19 horas de trabalho. O prédio histórico da antiga fábrica de máquina Oerlikon, em Zurique, teve de abrir espaço para a ampliação da ferrovia.


Construído em tijolinhos, o edifício tem 123 anos e é a última relíquia de Oerlikon, antiga zona industrial do século XIX. Em 1876, a fábrica de máquinas 'Maschinenfabrik Oerlikon (MFO)' começou a fabricação de ferramentas, armas e locomotivas elétricas.

Quando o seu atual proprietário, a empresa ABB, anunciou planos para demoli-lo, os moradores pediram que o prédio fosse preservado, enfatizando a importância cultural do imóvel para a região. Junto com o novo proprietário, Swiss Prime Site, e a Rede Ferroviária Federal, a ABB desenvolveu um plano alternativo para deslocar o edifício de 6.200 toneladas em uma única peça.

Os preparativos começaram há 10 meses (tal como mostrado na animação vídeo). As paredes de retenção tiveram que ser substituídas por pilares de aço. Sob o edifício foi construído uma laje de concreto com trilhos nos quais foi colocado o edifício para o deslocamento.

A operação começou na terça-feira, 22 de maio de 2012, às onze horas. Através de prensas hidráulicas, o gigante foi deslocado a uma velocidade de quatro metros por hora.

Na quarta-feira, às quatro e meia da manhã, o prédio de 80 metros estava em sua nova localização.

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segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Sítios para arrumar livros, lugares para ler livros. E uma livraria irreal.


No post abaixo já me insurgi contra esse grande paladino do fuchico, da futilidade e da política-de-faz-de-conta que dá pelo nome de Marcelo Rebelo de Sousa, que, em vez de comentar a substância das coisas, se põe a fazer piruetas de efeito, disserta sobre o embrulho, desvia a atenção, e nada mais (isto para além de fazer publicidade a livros, muitos dos quais de qualidade duvidosa). Atalhou-me a intenção que estava toda calhada para falar da tarde com os meus pimentinhas, e, assim, pouco falei.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.




Se há tema que desperte sempre a minha atenção é o da arrumação de livros. Se isso se conjugar com decoração ou com arquitectura, então, a mistura é perfeita.

Já muitas vezes disse que me fascina a arquitectura. A forma como alguém desenha espaços, inventa recantos ou entradas de luz, é para mim semelhante à arte de quem cria personagens em literatura ou conjugações de cores na pintura, ou acordes inesperados na música.

Quando penso no que poderia ter sido se não tivesse enveredado pela profissão que tenho hoje, uma das coisas que me vem à cabeça é a arquitectura. Acho que faria coisas arrojadas, curvas projectadas sobre o nada, torres com jardins em direcção ao céu, lagos interiores em várias patamares, terraços silenciosos. 

Regium Waterfront por Zaha Hadid Architects



Ocorre-me a arquitecta iraquiana Zaha Hadid. Quando vejo aquelas formas que não se parecem com nada do que se conhece em arquitectura, sinto-me identificada com ela. Em contraponto, também me emociono quando vejo o oposto disso, as obras aparentemente simples, coloridas, de Luis Barragán de quem já aqui várias vezes falei.

Mas, quando foi altura de escolher o curso, nem me ocorreu a arquitectura - talvez porque associava a arquitectura ao desenho e tinha tido uns professores de desenho muito fracos e que nunca me fizeram despertar o gosto pelo traço.

in heaven tenho inventado caminhos, canteiros, recantos, mas, claro está, não dá para muito mais que isso, não me ia armar em pata-brava. Mas usei pedras arrancadas à terra, fi-las parecer animais, fi-las parecer pequenos seres protectores ladeando os carreiros, coisas assim, que se parecem com construir o meu mundo.

Quando uma vez lá metemos um tractor para arrancar parte do matagal, foram também arrancadas enormes pedras. Foi a primeira e a última vez. Quero a natureza em liberdade, não quero terrenos lisos, aparados, nem a terra esventrada.

Mas, olhando depois para essas grandes rochas, tive vontade de as usar. Não sei porquê, ocorreu-me dispô-las em círculo. Claro que foi uma trabalheira, outra vez o tractor, o meu marido arreliado, mais despesa, sobretudo ter que aturar o homem que conduzia o tractor que era um chato que não se calava nem por mais uma, horas a aturar uma conversa interminável, e era preciso, no meio daquela tagarelice torrencial, explicar-lhe a ideia, como teria que pegar nas rochas, transportá-las, depois andar em volta, colocando-as harmoniosamente, ao lado uma das outras. Mas o homem lá deu boa conta do recado. Na parte interior desse círculo que terá uns quatro ou cinco metros de diâmetro, foi colocada gravilha. E do lado de fora foram plantados quatro cedros que entretanto cresceram e são agora uns guardas imponentes e silenciosos.

Quando por lá ando a passear, gosto de me colocar no centro do círculo. E, não me perguntem porquê - porque há coisas que, faladas, até parecem parvas - gosto de olhar para o céu.

Na altura em que tive a ideia de colocar as pedras assim, não me ocorreu mais nada senão isso mesmo, não me lembrei de círculos cerimoniais, nada, muito longe de tal. Não são ao alto, quis que as pedras estivessem deitadas. Têm formas curiosas, algumas arredondadas, outras mais oblongas, e eu pensei que poderiam servir de bancos. Poderíamos sentar-nos ali a conversar, a ler, alguém a dizer poesia no meio, qualquer coisa. (Claro está que isso nunca aconteceu... Até agora. Mas acredito que ainda há-de acontecer).

Alguns anos depois de o grande círculo de pedras lá estar, comprei um livro de Feng Shui. Não tenho muita paciência para coisas complicadas pelo que de lá retirei apenas as coisas simples e que são até de bom senso. Mas, para meu espanto, vi lá que é de bom augúrio construir um círculo de pedras pois no seu centro convergem as forças positivas do universo. Não sei se é bem assim pois o livro está in heaven e não posso ler as exactas palavras para aqui as transcrever. Mas parece que faz bem ou dá sorte ou protege-nos colocar-nos assim como eu me ponho. Talvez por isso me sinta sempre tão abençoada, tão agradecida.
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Bem, distraí-me com a conversa e vim parar aqui quando queria era falar de soluções imaginativas para arrumar livros ou para ler livros.

No Bored Panda vi umas casas fantásticas que, se um dia me sair o euromilhões, gostaria de imitar (com algumas adaptações, note-se).



Simples mas absolutamente acolhedor.
Ler um livro assim, reclinada entre almofadas, junto à janela, o jardim logo ali, estantes de um lado e do outro - é o que imagino quando me imagino feliz em contente a passar um bom momento


Não sei se será muito prático mas que sala espantosa, no meio do jardim, enormes sofás, uma coisa mesmo fantástica.
Acho as almofadas escuras, sobretudo sobre estofos também escuros, eu preferiria cores claras mas, enfim, pormenor.


Ainda menos prático. Ir buscar um livro torna-se um exercício de alto risco.
Mas, enfim, é uma solução engenhosa, verdadeiramente espantosa.


Estante giratória, dum lado é estante, do outro é parede (como se pode observar nesta sequência de 3 fotografias).
Deveria inventar era uma mesa do género. Quando viesse alguém aqui à minha sala, deveria poder efectuar uma pirueta com o tampo da mesa de modo que as torres de livros ficassem ocultas, que isto para além de periclitante já está de loucos


Esta solução também é fantástica.
Eu gosto de ler reclinada e vendo uma coisa destas, junto à janela, a receber a luz directa, aquela curvatura que quase sugere uma cama de rede, fico logo com pena de não ter um parapeito destes. Deve ser bom.
Eu só preferiria que tivesse uma protecção lateral pois aquilo parece estar alto, e não fosse cair dali abaixo.
De resto: como será que se trepa para lá? 


Para terminar, permitam que vos mostre uma livraria que parece coisa de sonhos, de cinema. Irreal. Quem for de passeio para aquelas bandas, não deverá perder. 

Transcrevo do Bored Panda:

Cărtureşti Carusel, also called “The Carousel of Light”, is a monumental XIX century edifice that was transformed into a wonderful architectural jewel. It is located at the very heart of Bucharest, on a long vibrant street, in an area with coffee shops and pubs. Surrounded by bohemian, traditional and luxury clothing stores, this bookstore will surely blend in with its innovative and elegant style.


The bookstore has 6 floors, where you can find over 10,000 books, 5,000 albums and DVDs. There is a bistro on the top floor, a multimedia space in the basement and a gallery dedicated to modern art on the first floor. This space will also host numerous cultural events and concerts.


 Cărtureşti Carusel ou “The Carousel of Light”

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Enquanto escrevo, estou a ver a cerimónia de entrega dos Oscares. Primeiro foi a entrada das estrelas pela passadeira vermelha, grandes vestidos, grandes sorrisos. Mas combinaram não se deter nos vestidos pelo que a parvoíce não foi excessiva. O Benedict in white, elas todas frou-frou, elegantes e profissionais. O vestido da Jennifer Lopez, por exemplo, é sumptuoso. A entrada da festa decorreu com um número musical: Patrick Harris, o apresentador, cantando a dois, a audiência sorridente, certamente quase todos com um nervoso miudinho mas distraindo bem, risos, palmas, luzes. É o star system no seu melhor.

Mas não os vou ficar a ver porque esta semana promete e eu tenho que ter os pés bem assentes na terra. Ter a cabeça nas estrelas só me é permitido enquanto, à noite, aqui estou a escrever.

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Lá em cima, a música é a Pavane de Gabriel Fauré num arranjo de Nawa Mukerji, para uma interpretação de Silvije Vidovic.
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Relembro: sobre a futilidade da conversa de Marcelo Rebelo de Sousa no seu comentário semana na TVI, sobre o traje minhoto de Judite Sousa, e sobre os meus pimentinhas (como por exemplo sobre o ex-bebé que góta de comê patinos) falo já aqui abaixo.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.

Muita saúde, muita sorte, muito afecto é o que vos desejo.

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Marcelo Rebelo de Sousa na TVI com Judite Sousa: o primado da futilidade e das aparências na política. [Ia falar da tarde com os meus pimentinhas quando, perante tanta vacuidade, me vi forçada a vir aqui deixar este reparo]


Ia para contar como os meninos hoje correram, brincaram, felizes da vida como sempre. São inocentes, não lhes ocorre que os adultos não estejam a cuidar de lhes garantir um mundo sem perigos onde possam ser sempre felizes.
O tempo estava frio, o ar cheirava a eucalipto, e a alegria das crianças é sempre contagiante, aquece-nos a alma. E são surpreendentes, dizem coisas que nos divertem. O ex-bebé (que não tarda fará quatro anos e ainda pronuncia algumas palavras à bebé), ao ver os multi-coloridos patos deslizando na ribeira, disse peremptório: 'eu góto de comê patinos'. Ficámos banzados. 'Patinhos?!'. Ele confirmou: 'Sim, eu góto da cáne dos patinos'.'. Uma heresia perante a beleza daqueles lindos patinhos. Lembrámo-nos que deveria estar a referir-se a arroz de pato. A minha filha disse-lhe 'Mas os patinhos que se comem não são estes'. Ficámos assim.
Mas depois, quando nos vínhamos embora, o meu filho perguntou-lhe se ele queria que ele fosse apanhar um para o jantar e ele disse que sim, pelo que o tio se pôs a andar sobre as pedras como se fosse entrar na ribeira. Os rapazes todos divertidos. Por fim, já queriam atirar pedrinhas aos patos, coisa que naturalmente impedimos. Tivemos que tirá-los rapidamente de lá.
Depois, ao ver os patos a irem todos nadando apressadamente na mesma direcção, afastando-se de nós, o mais crescido (seis anos e meio) perguntou 'Os patos vão migrar?'. Espantámo-nos também, tem um vocabulário rico que nem sabemos onde o adquire. A minha filha disse 'excesso de informação'.
A princesinha, cada vez mais linda, cada vez mais ágil e afoita (quatro anos e meio), já começa a perder o medo às alturas e já alinha com os rapazes a subir a casinhas de madeira através de escadas periclitantes ou a fazer equilíbrio em cordas. Hoje, a ocasião não se proporcionou para a sua brincadeira preferida: distribuir papéis pelos outros. Tu és a mãe do capuchinho, tu és a avó, tu és o lobo, tu és, o caçador. No sábado à noite, cá em casa, no meio daquela encenação, o irmão chegou-se ao pé dela: 'E eu? Sou quem?', ao que ela o despachou garrettianamente: 'Ninguém!'. Dissemos todos: 'Coitado...' e tentámos resolver a situação para não marginalizar a criança mas já não me lembro como, talvez tenha ficado a ser o cão. O bebé (dois anos e meio), um sabe-tudo, falador, bem disposto, quando me vê, vem de longe a correr na minha direcção numa tal velocidade que só penso qual será o dia em que caio de costas com ele em cima? Dá-me uns beijinhos e uns abracinhos que me consolam de todos os males do universo.
Tenho fotografias deles esta tarde, lindos, bem dispostos, na maior brincadeira. 
Mas estava eu a preparar-me para entrar numa de ternura quando começa a falar o Marcelo. Ou sou eu que já estou cansada dele ou é ele que já cansa. 

Ao falar do artigo de Paula Lourenço, a advogada de Carlos Santos Silva, na revista da Ordem, onde relata, sem referir nomes, a pouca vergonha que foi a detenção do seu cliente e a do advogado que também foi constituído arguido, descrevendo as arbitrariedades, as irregularidades, a violência, 30 agentes a entrarem pela casa e a rebuscarem tudo à frente da mulher e dos filhos, dando conta dos atentados de toda a ordem que seriam um verdadeiro escândalo em qualquer Estado de Direito, Marcelo Rebelo de Sousa limita-se a referir um dos aspectos desse artigo: que ambos os detidos foram impedidos de tomar banho durante cinco dias. Pegou nisso, disse que não lhe parecia bem e ponto. Conversa de cabecinha oca, daquelas manicures que se ficam pelo lado mais lúdico e fútil dos acontecimentos, passando ao lado de tudo o resto. Não é que a proibição de banho não seja grave. Mas, caraças, e o resto?


E dissertou com prazer sobre o declínio da popularidade e do poder de José Sócrates, como se Sócrates já tivesse sido condenado por mil crimes. Ora Sócrates não foi condenado de crime algum e, que eu saiba, nem sequer foi acusado. Como é que um professor de direito para ali se põe a perorar sobre coisa alguma, bocas, acusando-o de nunca se ter defendido de tudo aquilo de que foi acusado. Mas acusado por quem? Pelo Correio da Manhã? Acaso houve algum processo judicial?

Depois, sobre o papelão a que Maria Luís Albuquerque se propôs - ao bajular e servir o senhor Schäuble que gosta de humilhar os outros depois de os ter vergado, esquecendo os interesses e a dignidade de portugal para defender a sua própria pele - Marcelo Rebelo de Sousa basicamente limitou-se a referir que este Governo tem que aprender a comunicar melhor. E para ali esteve a falar da atitude do Governo português relativamente à Grécia e, em vez de referir que foi ignóbil, inqualificável, prejudicial, etc, tudo o que foi capaz de apontar foi que não sabem comunicar. Disse que o Governo não acerta uma - mas não em relação ao que faz mas sim à forma como comunica. E deu-lhes como bom exemplo Paulo Portas, que esse, sim, com a sua tarimba nos jornais, sabe comunicar bem.


Pelo meio, aproveitou para esnobar de Varoufakis, para gozar com os gregos, para se armar em superior. Deplorável.

E a única coisa que eu tenho a dizer ao Prof. Marcelo é que ele é cada vez mais a vizinha que a Judite leva ali para fofocar sobre a actualidade. Parece uma comadre, ele, cheio de inflexões na voz, a alcoviteirar sobre o que o que este disse, o que a outra disse, e sobre quem é que esteve bem, dando dicas para que os seus amigos se apresentem melhor. Fútil, ficando-se pela espuma, manipulador. Não há paciência para esta maneira de ver a política.

A minha avó, sobre uma sua vizinha que estava sempre de janela para depois poder opinar sobre tudo o que se passava na rua, dizia que era uma calhandreira. E é essa palavra que me ocorre depois de ver as actuações semanais de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI.


Uma palavra para Judite Sousa: hoje estava outra vez vestida de minhota, toda ela brilhos e de grandes arrecadas penduradas nas orelhas. Claro que todos os males fosse esses. Mas, caraças, tanto arrebique só faz acentuar ainda mais o exercício de representação e vacuidade a que ali se assiste.

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domingo, fevereiro 22, 2015

A médica urologista. A história sexual dos homens (não desfazendo, claro). Paulo Portas dorme com rolos na cabeça ou quê? A Lagarde e o Varoufakis são mesmo gémeos separados à nascença? E finalmente a solução para o meu problema.



- Senhora Doutora, promete que não se vai rir? - perguntou o paciente.

- Claro que não! respondeu a médica, toda exaltada. Sou uma profissional da saúde. Sigo um código de ética. Em mais de 20 anos de profissão, nunca ri de nenhum paciente.

- Tudo bem, então - disse o paciente.

E deixou cair as calças, revelando o menor órgão sexual masculino que ela tinha visto na vida. Considerados o comprimento e o diâmetro, não era maior do que uma bateria AAA de 1,5w (pilha palito).

Incapaz de se controlar, a médica começou a dar gargalhadas, quase não conseguindo controlar o ataque de riso. Passados uns poucos minutos, recuperou a compostura.

-Desculpe - disse ela. Não sei o que aconteceu comigo. Dou-lhe a minha palavra de honra de médica e de senhora que isso nunca mais acontecerá... Agora diga-me, qual é o problema?

- Não vê...? Está inchado...


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(Os papagaios, os lobos, as cigarras, os condores e os pombos não me levem a mal, por favor). 

Assim é a sexualidade masculina


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O penteado artístico de Paulo Portas. 


Com o cabelinho tão armado, uma poupa no alto do cocuruto, dá ideia que vai à mesma cabeleireira que a Drª Manuela Eanes.
Ou, então, dorme mesmo com rolos na cabeça.


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Encontraram-se ao fim destes anos e foi aquela ternura...! 

Varoufakis e Christine Lagarde, gémeos univetilinos.




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Estou neste registo porque é fim de semana e não me quero aborrecer. 

A caniche Pinókia
Que figuras
 esta por aí anda a fazer...

Por isso, não vou comentar a actuação vergonhosa da chefe de Passos Coelho, a ministra Maria Luís Albuquerque, que, nesta luta de Schäuble contra os gregos, obrigando-os a vergarem-se a seus pés, se pôs ao lado desse homenzinho mesquinho e vingativo, incentivando-o a não ceder perante a Grécia. 


Envergonha-me. Ah, mas envergonha-me tanto. Mulherzinha mais imprópria para consumo, esta. Julgará ela que os portugueses lhe perdoam tudo? Está muito enganada. 

Mas repito: não vou falar de tão indignas figuras porque hoje não estou com cabeça para me amofinar.

Tal como ontem, estou um bocado cansada, com a agravante de que me dói a cabeça. De manhã fui fazer a minha caminhada e estava muito vento. Não sei porquê, parece que a ventania me fez doer a cabeça. Depois foi o supermercado, cheio, cheio. Eu com pressa e aquilo a não desenvolver. Almoço mais do que a correr. Depois, com a minha filha e os meninos a caminho de casa da minha mãe para a ir buscar, para irmos ver o meu pai. Depois a angústia de o ver tão incomodado, tão desconfortável. Está a recuperar mas dói-lhe o corpo, quer ir para casa, quer ir para a cama. Acha que não vale a pena sofrer. Não é fácil vê-lo assim tão diminuído, tão dependente, tão desalentado. A minha mãe também lhe custa, tem vontade de o levar para casa. Mas sabemos que estamos a fazer o melhor para ele: faz fisioterapia, tem acompanhamento médico, está bem instalado. Mesmo que só ali esteja um ou dois meses, acreditamos que recuperará alguma mobilidade. Enfim. A seguir, lanche em casa da minha mãe. Depois cá para casa, e junta-se-nos o resto da família. Fazer o jantar. Jantar. Arrumar a cozinha. Pimentinhas com as pilhas todas numa chinfrineira que só vista, brincadeira da grossa, felizes da vida, ruidosos. Por isso, a esta hora, a cabeça ainda me dói mais; tenho que ir ver se durmo para ver se me passa.

Mas, para não darem a visita por mal empregue, deixem que vos conte. Como já aqui o confessei várias vezes, gosto de dançar. E adoro ver dançar o tango. Contudo, nunca tive par para tal aventura. E, se tivesse, se calhar talvez também me faltasse a habilidade para dar à perna com o garbo requerido. Eu tendo a achar que isso seria irrelevante porque homem que dance o tango como deve ser saberá conduzir uma mulher mesmo que ela não dê uma para a caixa. Mas nunca nenhum se chegou à frente. Só dou com pés de chumbo.

Ora bem, vi um vídeo que mostra como poderei ultrapassar a situação de não ter par. Ora vejam também, por favor, como Inga Savitskaya dança um tango à maneira com um parceiro invisível.




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A história da médica urologista, o cartaz com a história sexual dos homens, a fotografia do Paulo Portas de mise e a dos gémeos separados à nascença foram-me enviadas por Leitores a quem muito agradeço.

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E tenham, meus Caros Leitores, um belo dia de domingo!

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sábado, fevereiro 21, 2015

Os esquilos são pequenos anjos brincalhões?


No post abaixo aflorei o meu desgastante dia de trabalho, falei do acordo entre os gregos e o resto do pessoal e, para terminar, falei do eventual casalinho Emma Watson & Dirty Harry. Ainda estou na dúvida sobre se, a seguir, me hei-de deitar a adivinhar os vencedores dos Oscares mas agora que estou a escrever, neste preciso instante, está a dar na televisão um resumo da intervenção de Passos Coelho na AR e isso tira-me qualquer boa intenção. Palavra. Que coisa. Só me faltava esta para acabar o dia em beleza. 

Pronto. Já me desfiz do láparo. Agora já estou a ver a telenovela Lado a Lado. Menos mal. 


O concerto, Marc Chagall


E que o luar nos ilumine a alma

- Catrin Finch interpreta Clair De Lune -

(e Clair de Lune bem poderia ser o meu nome próprio)



A verdade é que me apetecia acabar o dia de outra maneira. Por exemplo a falar de descobertas científicas extraordinárias, a anunciar planetas com vida, a contar-vos que há alguém transparente a espreitar aqui na janela, a confessar-vos que consigo ouvir a vossa respiração e adivinhar os vossos pensamentos, a inventar sortilégios impossíveis de explicar, a mostrar-vos flores belas como rostos de crianças ou obras de arquitectura que desafiassem a imaginação humana, a citar poemas que transportassem a voz dos deuses, a trazer-vos músicas e bailados que nos levassem para muito longe, para a foz de rios labirínticos, misteriosos, para bosques onde dançassem animais, fadas, perversos faunos e onde as árvores subissem até ao céu e nelas se escondessem maliciosos anjos. Coisas assim.

Mas não sei de nada em concreto, não li notícias boas, não me ocorrem sonhos, ficções, não consigo que as palavras me levem. Estou um bocado exausta, é isso. E este sábado também não devo ter muito tempo livre, pelo que mais vale não vos maçar mais com a minha falta de ideias.

Contudo, antes de me ir, deixem que vos mostre umas fotografias que são puro encantamento. Vadim Trunov, fotógrafo russo, fotografou dois esquilos. Li no Bored Panda, que aqueles felpudos pequenos animais tinham fome, procuravam alimento no meio da neve. Que graça a deles, que destreza, que fofos, que ternura. Quanto mais vejo os animais mais me maravilho. São tão mais inteligentes que nós, tão mais inocentes, tão mais verdadeiros, tão mais livres.

E penso em Vadim Trunov: que felicidade ele deve sentir ao andar pelos campos, ao observar as brincadeiras dos animais, a beleza branca da neve, ao poder desfrutar o silêncio sem mácula. Deve ser ímpar. Deve ser a descoberta da inocência e da beleza em estado puro.

Gostava de ser capaz de dizer palavras assim, alegres e despreocupadas como as brincadeiras destes dois esquilinhos, gostava que, ao lerem o que eu escrevesse, vos apetecesse pegar nelas e brincar comigo, felizes também, livres, crianças à descoberta.



















Quanta inocência, quanta delicadeza. E o que eu gosto de seres delicados. Há suavidade e generosidade nos seres delicados. É como se viesse deles uma bondade ingénua e como se, sendo delicados, procurassem abeirar-se de nós, encontrar abrigo no nosso reconhecimento.

E a empatia entre estes dois pequenos animais, que comunhão nos gestos, que alegria na descoberta. Que felicidade devem sentir quando estão juntos. E será que têm percepção disso? Saberão que estão a ser felizes quando estão juntos? Será que, quando o não estão, sentem vontade de que chegue o momento de voltarem a estar perto um do outro, a partilhar pequenas descobertas, a serem inocentes e alegres como despreocupadas crianças?

Porque será que nós, irracionais humanos, nos afastámos tanto desta pureza primordial? Porque nos será tão difícil encontrar a felicidade na sua inocente simplicidade?

Só faço perguntas porque não sei responder, não sei mesmo.

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Sobre a fofoca monárquica & cinéfila do momento é descer, por favor, até ao post já a seguir.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado. 
Saúde e alegria. 
E sonhos bons.

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O governo do Syriza (como o 'democrata' Passos Coelho chama ao Governo Grego) lá conseguiu chegar a acordo com o directório europeu (onde se incluem os fundamentalistas portugueses) e, portanto, já podemos partir para as frioleiras: o Dirty Harry anda a arrastar a asa à feminista Emma Watson? Boa. Vou nessa.


Tive hoje um dia do beleleu. Saíu-me um estúpido ao caminho e, por mais que tenha tentado passar-lhe ao lado (já que, por caridade, estou a evitar passar-lhe por cima), a verdade é que me maçou. Claro está que uma pessoa ao fim de muitos anos de trabalho já está habituada a todo o tipo de cavalgaduras mas uma coisa é estar habituada e outra é ficar feliz da vida quando saltam ao nosso encalço. E, para além disso, foi um dia de reuniões, entre as quais uma demorada para acertar contratos coisa que, às tantas, degenera sempre num enleio em que tanto é o ensarilhanço de cláusulas que só dá vontade é atirar os papéis para o lixo e começar de novo.

Enfim, ossos do ofício.

Mas o resultado é que chego a esta hora e não tenho grande paciência para bater no ceguinho (ie, no láparo que não vê um palmo à frente do nariz) nem na patega atitude de superioridade moral dos portugueses em relação aos gregos que, a ser verdade o que a comunicação social diz, foram dos que mais se opuseram ao acordo. 

Fico contente que tenha prevalecido o bom senso de parte a parte entre os gregos e o eurogrupo já que, a não ter havido, seria o início do despencar da construção instável que é esta eurozona. Agora uma coisa eu não percebo. Qual é a lógica de os ministros das finanças serem reis e senhores nestas negociações quando as coisas importantes deveriam ser primeiro aprovadas a nível político e apenas depois descer para o patamar financeiro? Presumo que isso seja um aspecto que, mais tarde ou mais cedo, será corrigido porque, como está, atrasa (e, por vezes, envenena) as decisões importantes, fazendo-as tantas vezes passar primeiro pelo crivo da lógica contabilística que pode ser míope e contraproducente.

Mas, portanto, dizia eu, que o dia foi do catano e que, a esta hora, a paciência não é fantástica para a desperdiçar com mais maçadorias. Percorri a net à procura de boas notícias e é o diabo: as boas notícias são raras. Face a isso, só me apetece falar de vestidos para os Oscares e frioleiras do género. Para não dar cabo da minha imagem de brilhante intelectual, estou a evitar debruçar-me sobre tão empolgante assunto mas há um outro a que não resisto mesmo.

O Príncipe Harry - de quem as más línguas dizem que está cada vez mais parecido com James Hewitt, um dos confessos amantes de Diana - parece estar interessado em conhecer melhor Emma Watson. 





A actriz que tem dado nas vistas não apenas pelas suas interpretações mas também pelas suas marcadas posições feministas aparece agora como um possível namoro do polémico Dirty Harry que tantos embaraços tem causado à família real mas de quem os ingleses tanto gostam.

E eu, que não sou de lá, face ao deserto de boas notícias, só posso dizer que acho que fariam um bonito casal e que a coisa teria tudo para se tornar mediática e interessante.

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Já agora, as fotos que, desde sempre, têm circulado nos media britânicos. Harry entre James Hewitt e o eterno candidato a rei, Charles:



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Temas interessantes, portanto.

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sexta-feira, fevereiro 20, 2015

A indignidade segundo os desgovernados que nos desgovernam. Ou a indignidade a que nos sujeitamos por sermos desgovernados por eles. Ou a canseira que eles me dão.


Abaixo dediquei-me à pornografia. Conto, claro, com a benevolência dos meus Leitores que já sabem que sou dada a actos desesperados quando me quero alienar da triste realidade. O striptease e uns corpinhos bem feitos sempre têm mais graça do que especular sobre a choldra que se abancou nos órgãos de poder cá do burgo.

A verdade é que estou com a maior das dificuldades em dedicar-me à crítica relativamente ao que se passa em Portugal, em especial no que se refere aos pontos de contacto com a realidade grega. Custa-me. Causa-me repulsa. Por aqui tenho andado a ver se lhes fujo. 

Estive a folhear a Ana de Amsterdam da Ana Cássia Rebelo e O crocodilo que voa, entrevistas a Luiz Pacheco. Pensei: há semelhanças entre eles? Ela gostaria de ter conversado com ele. E ele achar-lhe-ia graça, tensa, ela. No outro dia passei ao pé da residência para idosos Haja Deus e lembrei-me da crónica do semáforo. Lá estavam os anões. Depois pus-me a folhear Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou, Norberto Nunes pinta poemas de Fernando Pessoa. Cheirei o livro, tacteei-o. O prazer que deve ter dado a fazê-lo. Depois estive a ver vídeos de bailado. Pensei: vou fazer um post com excertos daqui e dali que é bom é respirar ar puro, dançar à luz limpa, saber os pensamentos de quem sabe pensar.


Mas, enquanto me debatia para me alhear, a amarga realidade não parava de me puxar.

Gaita. Vou ter que ceder.

Os gregos podem ter ludibriado as contas (com a ajuda da Goldman Sachs e a conivência alemã, não nos esqueçamos), podem ter autorizado reformas antecipadas a profissões que de risco não tinham nada, podem ter fechado os olhos a uma brutal evasão fiscal. Mas por que raio de carga de água nos achamos moralmente superiores a eles? 

Não é verdade que temos na presidência da Assembleia da República uma senhora que se reformou bem cedo apesar de não ter exercido nenhuma profissão de risco? Não é verdade que temos na presidência da República um senhor que optou por receber a reforma por ser mais alta que o ordenado de presidente e que ganhou uns trocos valentes com umas acções duvidosas de um banco que foi para o buraco por fraudes e má gestão e que era gerido por um amigo seu? 

Não é verdade que num espaço de poucos anos e sob a vigilância cega dos reguladores foram para o buraco não apenas esse mas mais uns quantos bancos, lesando o património de muita gente honesta?

Não é verdade que muitos supostos honoráveis cidadãos eram especialistas em evasão fiscal? Não é portuguesa uma família que estourou com as fortunas de muitas outras, enviando para o desemprego muita e muita gente? 

Não é português um brilhante gestor que arruinou uma grande empresa portuguesa e agora ainda vem reivindicar milhões de prémios que não recebeu na altura para pagar menos impostos?

(Etc)

E não é em Portugal que são precisos meses para convocar eleições? Dias e dias para formar governo? Tempos e tempos primeiro que comecem a mexer-se, levando os primeiros meses a culpar o governo anterior e outros tantos a destruir o que o anterior tinha feito?

(Etc)

Então por que raio de carga de água é que essa cambada de papalvos para aí anda a menear as ancas armados em baronesas na mula russa? Que nós não somos a Grécia? Que nós é que estamos bem? Afundados em desemprego e pobreza e nós é que estamos bem? 

Não há pachorra!

Ao longo destes anos tenho-me debatido com a dúvida: a gente deste governo é mal intencionada ou simplesmente ignorante? A minha análise pende para esta última hipótese. Não lhes tenho visto miolos para terem uma ideologia. Salvo uma ou outra honrosa e rara excepção, só burrice. Incultos, pouco dados ao conhecimento, medíocres, fraquinhos, fraquinhos, fraquinhos. 

Juntaram-se uns quantos jotas e arraçados, pouco escolados, nada dados à aritmética, marrões de meia tigela que ficaram com umas quantas patacoadas coladas com cuspo, incapazes de perceber o que ouviram, incapazes de adaptar essas cábulas mal marradas à realidade - e resolveram armar-se em governantes. Contam com um feitor que lhes apara todos os golpes, todas as burrices, e contam com uns quantos papagaios avençados que se empoleiraram nas televisões e jornais e que, faça a cambada a a porcaria que fizer, a louvam.

E, portanto, com gente desta estirpe foi o que se viu. Na altura em que os banqueiros estrangeiros que cá tinham dinheiro se assustaram com o ataque dos fundos abutres e resolveram engendrar uma estrangeirinha para virem cá sacar à força o seu, contaram com os bajardolas do costume, aqueles que sempre se deitam de perna aberta, os engraxadores e bajuladores de serviço, os que gostam de andar à trela, de apanhar com a chibata e que ainda choram por mais. 

O que espanta é como esta cambada conseguiu convencer tanta gente. Os pobres coitados que tinham comprado um plasma, os pobres coitados que andavam a pagar a prestações umas férias a Quarteira e arredores, os pobres coitados que iam ao centro comercial comprar roupa nos saldos, toda essa gente se deixou convencer que era sua a culpa de tudo isto. Um que com a voz bem colocada convenceu os incautos de que sabia do que falava, disse que tínhamos que empobrecer, depois xingou-nos, que éramos uns piegas, outro disse que os jovens emigrassem, outro disse que éramos um protectorado, e à vez baralharam e deram de novo toda a espécie de engodos, de enganos, de trapalhices. Pode a realidade desmentir todos os seus embustes, pode a dívida estar muito mais alta do que então, o desemprego maior e mais duradouro, a economia débil, o investimento paralisado, a demografia em regressão, que ainda há por aí quem ache que todo este bouquet de indignidades foi um sucesso. Custa a perceber mas é verdade.

Aparecem agora os gregos a levantar-se e a dizer que isto não resultou, que a austeridade cega não é cura, é praga, que a dívida não faz senão aumentar, que estão pobres e sem esperança no futuro e que já chega, não aceitam mais ser humilhados. Podem os que apadrinharam estas políticas vir publicamente dizer que se enganaram, que não tinham o direito de humilhar os povos com medidas que afinal estavam erradas, podem os ideólogos das teorias vir confessar o erro - que nada faz estes ignorantes perceber que andaram a fazer porcaria  a troco de nada. Em vez de solidarizarem com os que, tendo recebido um voto maioritário do povo, tentam ajudar a reerguer o país da humilhação a que tem estado sujeito, o que fazem estes papalvos, estes marrões pategos, estes capachos dos schäubles desta vida? Viram as costas aos gregos e juntam-se aos burocratas que, sem voto, têm usado os povos como cobaias, pedem mais sacrifício, atiram-lhes pedras, ignoram os seus anseios, insultam-nos.

Tenho vergonha que o meu País esteja entregue a este tipo de gente.

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Bolas para isto.

Mais valia que estes desgovernados, em vez de nos andarem a phornicar, se entretivessem era a phornicar-se uns aos outros, ó cambada!

(E reparem como sou phina no uso da língua portuguesa).



Uma vez mais aqui no Um Jeito Manso:
Jiri Kylian  coreografou "Birth-Day" para o Netherlands Dans Theater


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A corajosa e colorida rã que cavalga o bicho mau foi fotografada por Hendy Mp.

As baleias estranhas que andam perdidas no meio dos bosques são da autoria de Alicia J. Kutchaw

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Relembro: striptease no masculino para deleite dos assistentes é já a seguir. Pornografia pouca quando comparada com obscenidades que ouvia na televisão enquanto escrevia.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa sexta-feira.

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Equipa de futebol faz sriptease na lavandaria. Contra as conversas doentiamente pornográficas de Paulo Portas, Marques Guedes, Maria Luís Albuquerque ou Carlos Costa que avancem os bons rapazes, saudáveis, que praticam desporto.


Depois do turismo e das reportagens fotográficas no Porto, Moledo, Monte Faro, Valença e Ponte de Lima, eis-me de volta ao duro mundo do trabalho (e sorte a minha que o tenho). Mas, enfim, há que atenuar o impacto para tornar o choque menos violento e cá estou de volta (e na forma do costume, isto é, derrapando em toda a linha).

Explico-me.

Tenho a caixa de correio cheia, cheia, e, como habitualmente, com artigos a sério e piadas, filmes, etc. Não tenho tido tempo para ver tudo, muito menos para responder. Mas hoje, de volta ao batente, aqui estou a despachar o expediente.


Um dos filmes que recebi dá pelo nome de I hate to go to the cleaner (Strip na lavandaria) e vinha em ficheiro. Só que ao abrir não deu em nada. Desiludida, fui ao youtube e escrevi aquilo a ver se o apanhava por esta via. Nada. Escrevi então strip tease laundry e aí já me apareceram algumas coisas.

Um dos vídeos prometia: equipa de futebol faz strip na lavandaria. Fui conferir. Nada de transcendente, nada que augure um Oscar mas, ainda assim, divulgo-o. Os rapazes têm ar saudável, vê-se que gostam de desporto e, portanto, tudo a favor.


NB: Às almas mais ajuizadas que possam pensar que o vídeo Laundry Mat Strip Tease: Dirty Soccer Players é quase pornográfico quero dizer que não: pornográficas são as cínicas afirmações de Paulo Portas a dizer que sempre esteve contra as medidas da troika; pornográficas são as afirmações Marques Guedes ao considerar infelizes as palavras de Juncker, Presidente da Comissão Europeia, que disse que a troika "pecou contra a dignidade" de portugueses, gregos e também irlandeses; pornográfico é o risinho servil de Maria Luís Albuquerque ao lado do dono Schäuble que elogiava os portugueses porque dão a patinha, rebolam e, todos saltitões, vão a correr buscar o pau; e, até, pornográficas são as afirmações de Carlos Costa remetendo agora a responsabilidade do que aconteceu com o papel comercial do GES vendido aos balcões do BES para a CMVM.


Ao pé de tanta conversa hardcore, de tanta falta de vergonha, que mal têm os corpinhos bem feitos destes rapazes? Ora.



O realizador do filme é Brad Hammer e entre os actores contam-se estes dotados artistas: Richie Nuzzolese, Detox Icunt, Jason Medina, Jessica and Hunter, Jose Parra e outros.

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E haja saúde!


quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Os belos jardins do Palácio de Cristal e a magnífica vista que de lá se tem - Ainda o Porto [Post 1 de 5 ]


O tempo é escasso, vejo-o em contagem decrescente. Quando venho, trago ideia de ir descobrir sítios novos. Mas, depois, há locais irresistíveis. Ou seja, acabo por não ir tão à descoberta quanto inicialmente tinha em mente para conseguir revisitar os lugares de sempre. E, portanto, a visita ao Porto não poderia deixar de incluir uma ida aos jardins do Palácio de Cristal. Não apenas tem recantos lindos como de lá se tem uma assombrosa vista do Porto. Parece que não consigo sair da cidade sem voltar a ter dentro de mim a beleza que os meus olhos colhem quando por aqui passeio.


A elegante Ponte da Arrábida


Não sei fazer a legenda das fotografias abaixo mas, seja qual for a igreja ou os edifícios que se vêem à beira Douro, a beleza é a mesma.


Igreja de Corpo Santo de Massarelos, segundo indicação do Carlos Azevedo em comentário aqui abaixo.
Fica no Largo do Adro, junto à Rua da Restauração.










Desta vez fiquei espantada: imensos jovens. Grupos almoçando, pares namorando, outros conversando ao sol. Os jardins são mais bonitos se tiverem pessoas dentro. São tristes os jardins cujas árvores crescem em silêncio sem que nenhum olhar as acaricie.

Quando estava a fotografar o rio e as belas casas que se ajeitam ao sol até chegarem à margem, ouvi risos que vinham de baixo. Espreitei. Então descobri um jardim em que nunca tinha reparado, o Jardim dos Sentimentos. É capaz de ser recente pois vejo árvores pequenas e plantas ainda pequenas, devem ter sido plantadas há pouco tempo. Em cada canteiro uma planta e a cada planta um sentimento associado.

Ao fundo, no canteiro da Dor, uma bela escultura, justamente a Dor, de Teixeira Lopes. Não me parecia que a mulher estivesse em sofrimento, talvez mais em êxtase mas, enfim, não discuto.




Embora haja muitos turistas na cidade, aqui não vi nenhum - o que significa que há zonas que são pouco divulgadas, e esta é uma delas. Se por um lado é bom pois o recato é um bem precioso quando se está num jardim, a verdade é que há vantagens de todo o tipo na atracção de turismo estrangeiro e quantos mais os pólos de interesse, melhor.

Mas, se não encontrei aqui um único turista, em contrapartida tive uma visão: montes de gaivotas, grande parte delas armada em pato. O lago grande estava cheio delas, deslizando como cisnes. Desforrei-me junto do meu marido, então há ou não gaivotas por todo o lado? Pois, que sim, que as gaivotas se passaram. Digo-vos: por todo o lado. Parece que desistiram de andar no mar, que adoptaram a cidade, que acham que os lagos são o mar e os grandes edifícios as altas escarpas.



Não conseguia era descobrir os pavões. Andei a espreitar atrás de canteiros, nos recantos mais abrigados. Nada. Pensei, mas querem lá ver que as gaivotas expulsaram os pavões... Às tantas andam eles agora pela beira do rio.

Mas não. Já me vinha embora quando os vi à sombra, lindos, lindos. Se as gaivotas são aqui um ser de outro lugar, os pavões parecem seres do outro mundo.



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Esculturas no Museu Soares dos Reis - Ainda o Porto [Post 2 de 5]


Fazendo o percurso a pé do Palácio de Cristal para a baixa, pode passar-se pelo Museu Soares dos Reis. É um museu muito bonito - e agora estou a referir-me ao edifício, às salas, à iluminação, à largueza, ao jardim que traz uma luz coada para o interior, ao amplo e agradável espaço da loja e da cafetaria. 

Não vou agora falar das obras em si ou da exposição temporária, Pintura Naturalista na Colecção Millennium BCP) -  que merece bem a visita (se se visitar apenas a exposição temporária, a entrada é gratuita) - pois a noite não me chegaria para tal e a competência escassear-me-ia. Vou apenas mostrar quatro esculturas. 

E explico porquê. Ou melhor, explico o que me levou a escolher uma em particular. As outras vieram por acréscimo, já que aqui me ia centrar em esculturas.

Lembro-me de, quando era pequena, andar uma vez às compras com a minha mãe e, numa loja de decorações, ver um pequeno busto em mármore branco de uma perfeição tocante. Pareceu-me um busto de criança. Pedi muito à minha mãe para o comprar. Era um pequena réplica de uma escultura de Soares dos Reis e eu achava-a de uma delicadeza fantástica. A minha mãe lá me fez a vontade e na estante grande da sala, no meio dos livros, ainda lá está. De tanto a ver, acabei habituada a ela como se só existisse ali, em casa dos meus pais.
Hoje, ao dar de caras com a pequena escultura (terá cerca de meio metro ou nem isso), enterneci-me, recordei-me de quando, menina ainda, me deixei encantar por ela. 
Afinal não é o busto de um menino mas de uma jovem mulher. Tornou-se eterna, sorrindo, imaculada e serena. Não percebo porque lhe chamou ele Flor Agreste, mais parece uma flor dócil.
Através de Fernando Ribeiro, em comentário abaixo, fiquei a saber que lhe serviu de modelo uma carvoeira, que era sua vizinha em Vila Nova de Gaia, onde ele então morava, e também onde nasceu e onde se suicidou.


Flor Agreste - Soares dos Reis
Desterrado -  Soares dos Reis (1847-1889)





Viscondessa de Vinhó e Almodina - Soares dos Reis


Ismael, Augusto Santo 1860 - 1907























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Como sempre quase ninguém no Museu. Talvez uns dois casais estrangeiros e creio que pouco mais. Uma pena. Nos outros países fazem-se longas filas para entrar nos museus; aqui é o desinteresse completo. Acho que só pode ter a ver com a política de divulgação cultural. E talvez os portugueses ainda andam muito à volta da satisfação das necessidades mais básicas para poderem dispor de energia para a consumir em cultura. Não sei. Alguma razão há-de haver para um museu lindo como este despertar tão pouco interesse (pelo menos a julgar pelo que vi).

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Os bois na arte portuguesa - Museu Soares dos Reis - O Porto outra vez (Post 3 de 5)


No outro dia tinha falado naquele boi lustroso, tão manso, que encontrei no Monte Faro.

Agora, quando estava a visitar o Museu Soares dos Reis (conforme referi no post acima), achei graça (entre outras coisas) a dois quadros sobre bois. Permitam que vos mostre. A quase humanidade destes animais e o desgosto que se percebe no segundo quadro pela morte do boi obrigam-me a fazer aqui este parêntesis para vos mostrar.


Cabeça de boi, Henrique Pousão, c 1880-1885

A morte do boi, Alves Cardoso, 1929


O boi que caminhava na estrada do Monte Faro
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