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sábado, fevereiro 21, 2015

Os esquilos são pequenos anjos brincalhões?


No post abaixo aflorei o meu desgastante dia de trabalho, falei do acordo entre os gregos e o resto do pessoal e, para terminar, falei do eventual casalinho Emma Watson & Dirty Harry. Ainda estou na dúvida sobre se, a seguir, me hei-de deitar a adivinhar os vencedores dos Oscares mas agora que estou a escrever, neste preciso instante, está a dar na televisão um resumo da intervenção de Passos Coelho na AR e isso tira-me qualquer boa intenção. Palavra. Que coisa. Só me faltava esta para acabar o dia em beleza. 

Pronto. Já me desfiz do láparo. Agora já estou a ver a telenovela Lado a Lado. Menos mal. 


O concerto, Marc Chagall


E que o luar nos ilumine a alma

- Catrin Finch interpreta Clair De Lune -

(e Clair de Lune bem poderia ser o meu nome próprio)



A verdade é que me apetecia acabar o dia de outra maneira. Por exemplo a falar de descobertas científicas extraordinárias, a anunciar planetas com vida, a contar-vos que há alguém transparente a espreitar aqui na janela, a confessar-vos que consigo ouvir a vossa respiração e adivinhar os vossos pensamentos, a inventar sortilégios impossíveis de explicar, a mostrar-vos flores belas como rostos de crianças ou obras de arquitectura que desafiassem a imaginação humana, a citar poemas que transportassem a voz dos deuses, a trazer-vos músicas e bailados que nos levassem para muito longe, para a foz de rios labirínticos, misteriosos, para bosques onde dançassem animais, fadas, perversos faunos e onde as árvores subissem até ao céu e nelas se escondessem maliciosos anjos. Coisas assim.

Mas não sei de nada em concreto, não li notícias boas, não me ocorrem sonhos, ficções, não consigo que as palavras me levem. Estou um bocado exausta, é isso. E este sábado também não devo ter muito tempo livre, pelo que mais vale não vos maçar mais com a minha falta de ideias.

Contudo, antes de me ir, deixem que vos mostre umas fotografias que são puro encantamento. Vadim Trunov, fotógrafo russo, fotografou dois esquilos. Li no Bored Panda, que aqueles felpudos pequenos animais tinham fome, procuravam alimento no meio da neve. Que graça a deles, que destreza, que fofos, que ternura. Quanto mais vejo os animais mais me maravilho. São tão mais inteligentes que nós, tão mais inocentes, tão mais verdadeiros, tão mais livres.

E penso em Vadim Trunov: que felicidade ele deve sentir ao andar pelos campos, ao observar as brincadeiras dos animais, a beleza branca da neve, ao poder desfrutar o silêncio sem mácula. Deve ser ímpar. Deve ser a descoberta da inocência e da beleza em estado puro.

Gostava de ser capaz de dizer palavras assim, alegres e despreocupadas como as brincadeiras destes dois esquilinhos, gostava que, ao lerem o que eu escrevesse, vos apetecesse pegar nelas e brincar comigo, felizes também, livres, crianças à descoberta.



















Quanta inocência, quanta delicadeza. E o que eu gosto de seres delicados. Há suavidade e generosidade nos seres delicados. É como se viesse deles uma bondade ingénua e como se, sendo delicados, procurassem abeirar-se de nós, encontrar abrigo no nosso reconhecimento.

E a empatia entre estes dois pequenos animais, que comunhão nos gestos, que alegria na descoberta. Que felicidade devem sentir quando estão juntos. E será que têm percepção disso? Saberão que estão a ser felizes quando estão juntos? Será que, quando o não estão, sentem vontade de que chegue o momento de voltarem a estar perto um do outro, a partilhar pequenas descobertas, a serem inocentes e alegres como despreocupadas crianças?

Porque será que nós, irracionais humanos, nos afastámos tanto desta pureza primordial? Porque nos será tão difícil encontrar a felicidade na sua inocente simplicidade?

Só faço perguntas porque não sei responder, não sei mesmo.

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Sobre a fofoca monárquica & cinéfila do momento é descer, por favor, até ao post já a seguir.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado. 
Saúde e alegria. 
E sonhos bons.

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