Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Marcelo Rebelo de Sousa na TVI com Judite Sousa: o primado da futilidade e das aparências na política. [Ia falar da tarde com os meus pimentinhas quando, perante tanta vacuidade, me vi forçada a vir aqui deixar este reparo]


Ia para contar como os meninos hoje correram, brincaram, felizes da vida como sempre. São inocentes, não lhes ocorre que os adultos não estejam a cuidar de lhes garantir um mundo sem perigos onde possam ser sempre felizes.
O tempo estava frio, o ar cheirava a eucalipto, e a alegria das crianças é sempre contagiante, aquece-nos a alma. E são surpreendentes, dizem coisas que nos divertem. O ex-bebé (que não tarda fará quatro anos e ainda pronuncia algumas palavras à bebé), ao ver os multi-coloridos patos deslizando na ribeira, disse peremptório: 'eu góto de comê patinos'. Ficámos banzados. 'Patinhos?!'. Ele confirmou: 'Sim, eu góto da cáne dos patinos'.'. Uma heresia perante a beleza daqueles lindos patinhos. Lembrámo-nos que deveria estar a referir-se a arroz de pato. A minha filha disse-lhe 'Mas os patinhos que se comem não são estes'. Ficámos assim.
Mas depois, quando nos vínhamos embora, o meu filho perguntou-lhe se ele queria que ele fosse apanhar um para o jantar e ele disse que sim, pelo que o tio se pôs a andar sobre as pedras como se fosse entrar na ribeira. Os rapazes todos divertidos. Por fim, já queriam atirar pedrinhas aos patos, coisa que naturalmente impedimos. Tivemos que tirá-los rapidamente de lá.
Depois, ao ver os patos a irem todos nadando apressadamente na mesma direcção, afastando-se de nós, o mais crescido (seis anos e meio) perguntou 'Os patos vão migrar?'. Espantámo-nos também, tem um vocabulário rico que nem sabemos onde o adquire. A minha filha disse 'excesso de informação'.
A princesinha, cada vez mais linda, cada vez mais ágil e afoita (quatro anos e meio), já começa a perder o medo às alturas e já alinha com os rapazes a subir a casinhas de madeira através de escadas periclitantes ou a fazer equilíbrio em cordas. Hoje, a ocasião não se proporcionou para a sua brincadeira preferida: distribuir papéis pelos outros. Tu és a mãe do capuchinho, tu és a avó, tu és o lobo, tu és, o caçador. No sábado à noite, cá em casa, no meio daquela encenação, o irmão chegou-se ao pé dela: 'E eu? Sou quem?', ao que ela o despachou garrettianamente: 'Ninguém!'. Dissemos todos: 'Coitado...' e tentámos resolver a situação para não marginalizar a criança mas já não me lembro como, talvez tenha ficado a ser o cão. O bebé (dois anos e meio), um sabe-tudo, falador, bem disposto, quando me vê, vem de longe a correr na minha direcção numa tal velocidade que só penso qual será o dia em que caio de costas com ele em cima? Dá-me uns beijinhos e uns abracinhos que me consolam de todos os males do universo.
Tenho fotografias deles esta tarde, lindos, bem dispostos, na maior brincadeira. 
Mas estava eu a preparar-me para entrar numa de ternura quando começa a falar o Marcelo. Ou sou eu que já estou cansada dele ou é ele que já cansa. 

Ao falar do artigo de Paula Lourenço, a advogada de Carlos Santos Silva, na revista da Ordem, onde relata, sem referir nomes, a pouca vergonha que foi a detenção do seu cliente e a do advogado que também foi constituído arguido, descrevendo as arbitrariedades, as irregularidades, a violência, 30 agentes a entrarem pela casa e a rebuscarem tudo à frente da mulher e dos filhos, dando conta dos atentados de toda a ordem que seriam um verdadeiro escândalo em qualquer Estado de Direito, Marcelo Rebelo de Sousa limita-se a referir um dos aspectos desse artigo: que ambos os detidos foram impedidos de tomar banho durante cinco dias. Pegou nisso, disse que não lhe parecia bem e ponto. Conversa de cabecinha oca, daquelas manicures que se ficam pelo lado mais lúdico e fútil dos acontecimentos, passando ao lado de tudo o resto. Não é que a proibição de banho não seja grave. Mas, caraças, e o resto?


E dissertou com prazer sobre o declínio da popularidade e do poder de José Sócrates, como se Sócrates já tivesse sido condenado por mil crimes. Ora Sócrates não foi condenado de crime algum e, que eu saiba, nem sequer foi acusado. Como é que um professor de direito para ali se põe a perorar sobre coisa alguma, bocas, acusando-o de nunca se ter defendido de tudo aquilo de que foi acusado. Mas acusado por quem? Pelo Correio da Manhã? Acaso houve algum processo judicial?

Depois, sobre o papelão a que Maria Luís Albuquerque se propôs - ao bajular e servir o senhor Schäuble que gosta de humilhar os outros depois de os ter vergado, esquecendo os interesses e a dignidade de portugal para defender a sua própria pele - Marcelo Rebelo de Sousa basicamente limitou-se a referir que este Governo tem que aprender a comunicar melhor. E para ali esteve a falar da atitude do Governo português relativamente à Grécia e, em vez de referir que foi ignóbil, inqualificável, prejudicial, etc, tudo o que foi capaz de apontar foi que não sabem comunicar. Disse que o Governo não acerta uma - mas não em relação ao que faz mas sim à forma como comunica. E deu-lhes como bom exemplo Paulo Portas, que esse, sim, com a sua tarimba nos jornais, sabe comunicar bem.


Pelo meio, aproveitou para esnobar de Varoufakis, para gozar com os gregos, para se armar em superior. Deplorável.

E a única coisa que eu tenho a dizer ao Prof. Marcelo é que ele é cada vez mais a vizinha que a Judite leva ali para fofocar sobre a actualidade. Parece uma comadre, ele, cheio de inflexões na voz, a alcoviteirar sobre o que o que este disse, o que a outra disse, e sobre quem é que esteve bem, dando dicas para que os seus amigos se apresentem melhor. Fútil, ficando-se pela espuma, manipulador. Não há paciência para esta maneira de ver a política.

A minha avó, sobre uma sua vizinha que estava sempre de janela para depois poder opinar sobre tudo o que se passava na rua, dizia que era uma calhandreira. E é essa palavra que me ocorre depois de ver as actuações semanais de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI.


Uma palavra para Judite Sousa: hoje estava outra vez vestida de minhota, toda ela brilhos e de grandes arrecadas penduradas nas orelhas. Claro que todos os males fosse esses. Mas, caraças, tanto arrebique só faz acentuar ainda mais o exercício de representação e vacuidade a que ali se assiste.

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2 comentários:

Anónimo disse...

É isso mesmo, o MRS é um calhandreiro. E do pior!
P.Rufino

FIRME disse...

Boa noite e boa semana.Tenho boas razões para crer,que os iluminados comentadores,virão por aqui encontrar algum conforto...Por mim ao mrs,aconselho :Feche-se num quarto,mais a judite,e analisem tudo quanto comentaram...MAS...Não desistam logo ao fim de 5 minutos...OUÇAM TUDO...Pode ser que se convençam de que são parte duma geração TÓTÓ,que já poucos levam a sério...Geração...de "comentadores" Para nos complicar a vida...basta o ZÉ GOMES DE FERREIRA,carago...