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quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Esculturas no Museu Soares dos Reis - Ainda o Porto [Post 2 de 5]


Fazendo o percurso a pé do Palácio de Cristal para a baixa, pode passar-se pelo Museu Soares dos Reis. É um museu muito bonito - e agora estou a referir-me ao edifício, às salas, à iluminação, à largueza, ao jardim que traz uma luz coada para o interior, ao amplo e agradável espaço da loja e da cafetaria. 

Não vou agora falar das obras em si ou da exposição temporária, Pintura Naturalista na Colecção Millennium BCP) -  que merece bem a visita (se se visitar apenas a exposição temporária, a entrada é gratuita) - pois a noite não me chegaria para tal e a competência escassear-me-ia. Vou apenas mostrar quatro esculturas. 

E explico porquê. Ou melhor, explico o que me levou a escolher uma em particular. As outras vieram por acréscimo, já que aqui me ia centrar em esculturas.

Lembro-me de, quando era pequena, andar uma vez às compras com a minha mãe e, numa loja de decorações, ver um pequeno busto em mármore branco de uma perfeição tocante. Pareceu-me um busto de criança. Pedi muito à minha mãe para o comprar. Era um pequena réplica de uma escultura de Soares dos Reis e eu achava-a de uma delicadeza fantástica. A minha mãe lá me fez a vontade e na estante grande da sala, no meio dos livros, ainda lá está. De tanto a ver, acabei habituada a ela como se só existisse ali, em casa dos meus pais.
Hoje, ao dar de caras com a pequena escultura (terá cerca de meio metro ou nem isso), enterneci-me, recordei-me de quando, menina ainda, me deixei encantar por ela. 
Afinal não é o busto de um menino mas de uma jovem mulher. Tornou-se eterna, sorrindo, imaculada e serena. Não percebo porque lhe chamou ele Flor Agreste, mais parece uma flor dócil.
Através de Fernando Ribeiro, em comentário abaixo, fiquei a saber que lhe serviu de modelo uma carvoeira, que era sua vizinha em Vila Nova de Gaia, onde ele então morava, e também onde nasceu e onde se suicidou.


Flor Agreste - Soares dos Reis
Desterrado -  Soares dos Reis (1847-1889)





Viscondessa de Vinhó e Almodina - Soares dos Reis


Ismael, Augusto Santo 1860 - 1907























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Como sempre quase ninguém no Museu. Talvez uns dois casais estrangeiros e creio que pouco mais. Uma pena. Nos outros países fazem-se longas filas para entrar nos museus; aqui é o desinteresse completo. Acho que só pode ter a ver com a política de divulgação cultural. E talvez os portugueses ainda andam muito à volta da satisfação das necessidades mais básicas para poderem dispor de energia para a consumir em cultura. Não sei. Alguma razão há-de haver para um museu lindo como este despertar tão pouco interesse (pelo menos a julgar pelo que vi).

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1 comentário:

Fernando Ribeiro disse...

Embora o "Desterrado" seja a obra mais admirada de Soares dos Reis, para mim a "Flor Agreste" é a sua melhor escultura. Serviu-lhe de modelo uma carvoeira, que era sua vizinha em Vila Nova de Gaia, onde ele então morava, e também onde nasceu e onde se suicidou.

Uma outra pequena escultura de Soares dos Reis que muito admiro representa um Cristo morto, jazente e nu. Mas é raríssimo ela estar exposta tal como Soares dos Reis a fez. Habitualmente, esta peça está na igreja de Mafamude, em Gaia, mas... está coberta por um pano estrategicamente colocado! Deve ser para que as beatas não tenham pensamentos pecaminosos...