Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Sítios para arrumar livros, lugares para ler livros. E uma livraria irreal.


No post abaixo já me insurgi contra esse grande paladino do fuchico, da futilidade e da política-de-faz-de-conta que dá pelo nome de Marcelo Rebelo de Sousa, que, em vez de comentar a substância das coisas, se põe a fazer piruetas de efeito, disserta sobre o embrulho, desvia a atenção, e nada mais (isto para além de fazer publicidade a livros, muitos dos quais de qualidade duvidosa). Atalhou-me a intenção que estava toda calhada para falar da tarde com os meus pimentinhas, e, assim, pouco falei.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.




Se há tema que desperte sempre a minha atenção é o da arrumação de livros. Se isso se conjugar com decoração ou com arquitectura, então, a mistura é perfeita.

Já muitas vezes disse que me fascina a arquitectura. A forma como alguém desenha espaços, inventa recantos ou entradas de luz, é para mim semelhante à arte de quem cria personagens em literatura ou conjugações de cores na pintura, ou acordes inesperados na música.

Quando penso no que poderia ter sido se não tivesse enveredado pela profissão que tenho hoje, uma das coisas que me vem à cabeça é a arquitectura. Acho que faria coisas arrojadas, curvas projectadas sobre o nada, torres com jardins em direcção ao céu, lagos interiores em várias patamares, terraços silenciosos. 

Regium Waterfront por Zaha Hadid Architects



Ocorre-me a arquitecta iraquiana Zaha Hadid. Quando vejo aquelas formas que não se parecem com nada do que se conhece em arquitectura, sinto-me identificada com ela. Em contraponto, também me emociono quando vejo o oposto disso, as obras aparentemente simples, coloridas, de Luis Barragán de quem já aqui várias vezes falei.

Mas, quando foi altura de escolher o curso, nem me ocorreu a arquitectura - talvez porque associava a arquitectura ao desenho e tinha tido uns professores de desenho muito fracos e que nunca me fizeram despertar o gosto pelo traço.

in heaven tenho inventado caminhos, canteiros, recantos, mas, claro está, não dá para muito mais que isso, não me ia armar em pata-brava. Mas usei pedras arrancadas à terra, fi-las parecer animais, fi-las parecer pequenos seres protectores ladeando os carreiros, coisas assim, que se parecem com construir o meu mundo.

Quando uma vez lá metemos um tractor para arrancar parte do matagal, foram também arrancadas enormes pedras. Foi a primeira e a última vez. Quero a natureza em liberdade, não quero terrenos lisos, aparados, nem a terra esventrada.

Mas, olhando depois para essas grandes rochas, tive vontade de as usar. Não sei porquê, ocorreu-me dispô-las em círculo. Claro que foi uma trabalheira, outra vez o tractor, o meu marido arreliado, mais despesa, sobretudo ter que aturar o homem que conduzia o tractor que era um chato que não se calava nem por mais uma, horas a aturar uma conversa interminável, e era preciso, no meio daquela tagarelice torrencial, explicar-lhe a ideia, como teria que pegar nas rochas, transportá-las, depois andar em volta, colocando-as harmoniosamente, ao lado uma das outras. Mas o homem lá deu boa conta do recado. Na parte interior desse círculo que terá uns quatro ou cinco metros de diâmetro, foi colocada gravilha. E do lado de fora foram plantados quatro cedros que entretanto cresceram e são agora uns guardas imponentes e silenciosos.

Quando por lá ando a passear, gosto de me colocar no centro do círculo. E, não me perguntem porquê - porque há coisas que, faladas, até parecem parvas - gosto de olhar para o céu.

Na altura em que tive a ideia de colocar as pedras assim, não me ocorreu mais nada senão isso mesmo, não me lembrei de círculos cerimoniais, nada, muito longe de tal. Não são ao alto, quis que as pedras estivessem deitadas. Têm formas curiosas, algumas arredondadas, outras mais oblongas, e eu pensei que poderiam servir de bancos. Poderíamos sentar-nos ali a conversar, a ler, alguém a dizer poesia no meio, qualquer coisa. (Claro está que isso nunca aconteceu... Até agora. Mas acredito que ainda há-de acontecer).

Alguns anos depois de o grande círculo de pedras lá estar, comprei um livro de Feng Shui. Não tenho muita paciência para coisas complicadas pelo que de lá retirei apenas as coisas simples e que são até de bom senso. Mas, para meu espanto, vi lá que é de bom augúrio construir um círculo de pedras pois no seu centro convergem as forças positivas do universo. Não sei se é bem assim pois o livro está in heaven e não posso ler as exactas palavras para aqui as transcrever. Mas parece que faz bem ou dá sorte ou protege-nos colocar-nos assim como eu me ponho. Talvez por isso me sinta sempre tão abençoada, tão agradecida.
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Bem, distraí-me com a conversa e vim parar aqui quando queria era falar de soluções imaginativas para arrumar livros ou para ler livros.

No Bored Panda vi umas casas fantásticas que, se um dia me sair o euromilhões, gostaria de imitar (com algumas adaptações, note-se).



Simples mas absolutamente acolhedor.
Ler um livro assim, reclinada entre almofadas, junto à janela, o jardim logo ali, estantes de um lado e do outro - é o que imagino quando me imagino feliz em contente a passar um bom momento


Não sei se será muito prático mas que sala espantosa, no meio do jardim, enormes sofás, uma coisa mesmo fantástica.
Acho as almofadas escuras, sobretudo sobre estofos também escuros, eu preferiria cores claras mas, enfim, pormenor.


Ainda menos prático. Ir buscar um livro torna-se um exercício de alto risco.
Mas, enfim, é uma solução engenhosa, verdadeiramente espantosa.


Estante giratória, dum lado é estante, do outro é parede (como se pode observar nesta sequência de 3 fotografias).
Deveria inventar era uma mesa do género. Quando viesse alguém aqui à minha sala, deveria poder efectuar uma pirueta com o tampo da mesa de modo que as torres de livros ficassem ocultas, que isto para além de periclitante já está de loucos


Esta solução também é fantástica.
Eu gosto de ler reclinada e vendo uma coisa destas, junto à janela, a receber a luz directa, aquela curvatura que quase sugere uma cama de rede, fico logo com pena de não ter um parapeito destes. Deve ser bom.
Eu só preferiria que tivesse uma protecção lateral pois aquilo parece estar alto, e não fosse cair dali abaixo.
De resto: como será que se trepa para lá? 


Para terminar, permitam que vos mostre uma livraria que parece coisa de sonhos, de cinema. Irreal. Quem for de passeio para aquelas bandas, não deverá perder. 

Transcrevo do Bored Panda:

Cărtureşti Carusel, also called “The Carousel of Light”, is a monumental XIX century edifice that was transformed into a wonderful architectural jewel. It is located at the very heart of Bucharest, on a long vibrant street, in an area with coffee shops and pubs. Surrounded by bohemian, traditional and luxury clothing stores, this bookstore will surely blend in with its innovative and elegant style.


The bookstore has 6 floors, where you can find over 10,000 books, 5,000 albums and DVDs. There is a bistro on the top floor, a multimedia space in the basement and a gallery dedicated to modern art on the first floor. This space will also host numerous cultural events and concerts.


 Cărtureşti Carusel ou “The Carousel of Light”

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Enquanto escrevo, estou a ver a cerimónia de entrega dos Oscares. Primeiro foi a entrada das estrelas pela passadeira vermelha, grandes vestidos, grandes sorrisos. Mas combinaram não se deter nos vestidos pelo que a parvoíce não foi excessiva. O Benedict in white, elas todas frou-frou, elegantes e profissionais. O vestido da Jennifer Lopez, por exemplo, é sumptuoso. A entrada da festa decorreu com um número musical: Patrick Harris, o apresentador, cantando a dois, a audiência sorridente, certamente quase todos com um nervoso miudinho mas distraindo bem, risos, palmas, luzes. É o star system no seu melhor.

Mas não os vou ficar a ver porque esta semana promete e eu tenho que ter os pés bem assentes na terra. Ter a cabeça nas estrelas só me é permitido enquanto, à noite, aqui estou a escrever.

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Lá em cima, a música é a Pavane de Gabriel Fauré num arranjo de Nawa Mukerji, para uma interpretação de Silvije Vidovic.
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Relembro: sobre a futilidade da conversa de Marcelo Rebelo de Sousa no seu comentário semana na TVI, sobre o traje minhoto de Judite Sousa, e sobre os meus pimentinhas (como por exemplo sobre o ex-bebé que góta de comê patinos) falo já aqui abaixo.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.

Muita saúde, muita sorte, muito afecto é o que vos desejo.

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1 comentário:

Anónimo disse...

Essa sala, grande, no meio dao jardim e virada para ele, é interessante. Ler ali sentado, deve ser repousante.
P.Rufino