terça-feira, março 04, 2014

Ainda a festa dos Oscares 2014. Algumas fotografias para relembrar o momento. 'As tuas são maiores que as minhas....?!', interroga-se Irina Shayk. 'So what...?! Que mal tem ele ser novinho e vesgo? Ora essa.' pensa Glenn Close. E um quarteto especial: duas bizarras, a Donatella Versace e a Lady Gaga e um casal feliz, Elton John e o marido David Furnish.


No post a seguir alerto-vos para um vírus perigoso que por aí anda. Tem aparecido por todo o lado, os computadores dos jornais e televisões estão completamente infectados mas a coisa é tão viral que se propaga de todas as maneiras possíveis e imaginárias. Por isso, e porque também aparece por mail ou qualquer outro tipo de mensagem, alerto-vos para a forma usual como ele se pode apresentar.

Alertas informáticos à parte, que isso é mais abaixo, aqui continuo com a festança e a animação nas festas que sucederam a cerimónia.

*

E, entretanto, que entre mais uma das canções nomeadas para a melhor Canção dos Oscares 2014

Pharrell Williams - Happy






Fotografias tiradas na cabina das fotografias instantâneas.



Doutzen Kroes and Irina Shayk.




Glenn Close and guest

*


Um casal dir-se-ia que normal,

Elton John e o marido David Furnish,
e duas freaks de alto calibre: Lady Gaga (vestida com Versace, claro)
e Donatella Versace, esta completamente quitada 

- e a outra para lá caminha

*

Sobre o vírus informático e os cuidados a ter, desçam, por favor, até ao post seguinte.

CUIDADO COM UM VÍRUS MUITO PERIGOSO


Se receber um mail com Vamos vencer a Crise ou Isto está a correr bem no assunto, não abra. 

É um vírus muito destrutivo.



Se clicar, acontecerá o pior. Sai-lhe do computador um ministro que lhe come:

·        a reforma ou o ordenado,

·        o posto de trabalho,

·        a casa,

·        os subsídios,

·        as comparticipações nos medicamentos,

·        as escolas dos seus filhos e

·        o que ainda tiver no frigorífico.


* Para se livrar dele tem de reinstalar o País e esperar que o Cavaco termine o mandato.




Este aviso é real. Alerte os teus amigos. Partilhe!!!


*

A última imagem, como é bem visível, provém do blogue We Have Kaos in the Garden.


Judite de Sousa e o seu novo amor, o jovem informático Nuno Albuquerque, é que não foram. De resto, Jane Fonda, Jon Hamm, Harrison Ford e Calista Flockhart, Candice Bergen e tutti quanti marcaram presença: depois da Cerimónia dos Oscares, a festa é a organizada pela Vanity Fair. Celebridades, companhias, toilettes.


Já sabem: se estou cansada, adoentada, chateada, furiosa, preocupada, e por aí vai, o que me ocorre não é carpir, invectivar, ou outras coisas acabadas em ir ou ar, quiçá até acabadas em er. Nada disso. Só me apetece falar de ligeirezas, parvoíces e outras irrelevâncias.

Por isso, para que não digam que vieram ao engano, vou já avisando: por aqui, hoje, não vai sair nada que tenha muito sumo.

Enfim. Pode ser que alguns cavalheiros achem que, bem espremidas as coisas, alguma suculência encontrariam. E vou esforçar-me por que as senhoras tenham também motivo para encontrarem alguma substância.

Vamos ver.

No post abaixo já vos mostrei os 4 melhores vestidos da Noite dos Oscares 2014. Aqui, agora, prossigo com a festa.


Música, que festas a seco não dá: que entre outra das canções nomeadas

Do filme Her - Karen O and Spike Jonze interpretam "The Moon Song" 



*

A verdadeira festa acontece depois da cerimónia. São célebres as festas organizadas pela Vanity Fair. Não são para qualquer um e todos sabem que é lá que se encontram os felizes e os que disfarçam as suas frustrações, mais os bem dispostos e os que já não precisam de fazer à foto em revistinhas de tipo Ana ou Maria.

Na Vanity Fair encontram-se os que têm alguma patine, algum chic, os que têm alguma coisa de especial.

Gosto de espreitar a Vanity Fair. Há ali um bom gosto que me agrada, uma ligação à arte, uma irreverência desempoeirada que traz uma certa modernidade. Vendo bem as coisas o que eu escrevi está cheio de redundâncias mas não me apetece coar a escrita. 

As fotografias dos que compareceram são muitas mas não vos ia maçar para além da conta, não é?

Por isso, escolhi aqueles que acho giros, que têm pinta, de quem gosto, aqueles com quem me sentaria à mesa ou quem talvez conseguisse conversar sem esforço - bem, estou a exagerar. Com os três últimos talvez me limitasse a trocar uns leros sobre trapinhos e assim


A chamada ménage à trois mas esta é das inofensivas:

Bono e o casal  Portia de Rossi e a mulher, a apresentadora,
Ellen Degeneres




De propósito para a leitora JV

a intemporal e bela Jane Fonda e o viril Jon Hamm


Um casal com muita pinta:

O destemido Harrison Ford
e a elegantésima e extraordinaireCalista Flockhart



O soma e segue e que, pelos vistos, por onde passa

vai fazendo filhos: Bruce Willis aqui com Emma Heming 



Quando eu for grande quero ser como ela, giraça, classuda, bem humorada:

Candice Bergen com Marshall Rose



Bela e elegante, a quase intimidadora

Evan Rachel Wood


Tivesse eu a idade dela
e tivesse sido convidada para a festa
a ver se eu não ia assim vestida:

Karlie Kloss, a menina marota



Não faz o meu género
 que sou mais dada a morenos com ar mal comportado
mas, enfim, reconheço que tem um certo charme:

Simon Baker com uma companhia bem gira mas de quem não sei o nome


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Judite, a cougar,
que se viu livre, em boa hora, do Seara
Pois é: acabo de ler por aí que outra que soma e segue é a colunável, diabolizada (ela assim se disse) e putativa Pipi das Botas Altas, a Judite Dartacão de Sousa. 

Com 53 anos e saída de um divórcio que a arrasou, eis que leio que Judite de Sousa está de novo apaixonada, agora por um consultor informático de 36 anos, Nuno Albuquerque de seu nome. Nada de mais uma mulher apaixonar-se por um homem quase 20 anos mais novo. Tem alma de cougar e faz ela muito bem. Um homem com 36 anos já tem alguma sabedoria e ainda deve ter pedalada que se veja pelo que é bem capaz de estar quase no ponto. Faz bem a Judite. 


Aliás, percebo-a bem. Depois de aturar o catavento mediático que já cansa de tanta fungadela inconsequente e, ainda pior, o Mas-ó-Dr. Medina (Carreira), essa bolorenta múmia que lhe atenta o juízo, só lhe deve apetecer sacudir o sarro e a baba que eles deitam e, foge!, respirar ar puro. 

Daqui lhe desejo as maiores felicidades. Uma mulher apaixonada fica mais bonita e tem mais motivação e os espectadores agradecer-lhe-ão essa atenção. E, de resto, toda a gente merece a felicidade e eu, verdade seja dita, até nutro por ela um bocadinho de simpatia.


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Como é bom de ver não é hoje que tenho disposição para escrever sobre ressuscitadas criaturas que são patetas todos os dias e que atribuem aos outros patetices que são apenas suas, ó patéticas e relvosas criaturas.

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Relembro: Para os quatro melhores vestidos da Cerimónia dos Oscares é favor descerem até o post seguinte.

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E, por hoje, por aqui me despeço. Amanhã tenho cá os meus meninos mais cedo ainda do que quando vou trabalhar. Eu não trabalho mas os pais das crianças sim. Por isso, amanhã é outra vez dia de festa cá em casa.

E com o mau tempo que está, nem deve dar para irmos com eles para o jardim. A ver vamos. Já aqui tenho uns livros de actividades que eles adoram. E têm, claro, os brinquedos. Mas, vá lá perceber-se porquê, só querem brincar comigo.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça feira!


Os quatro melhores vestidos da noite dos Oscares 2014 segundo a Harper's Bazaar - ao som de' Let it Go', a canção de Frozen, Oscar para a melhor música


Não consegui ver os Oscares nem consegui ver os noticiários de hoje. Tenho tido uns dias do diabo (verdadeiramente...! sai-me com cada duque que nem vos digo nada) pelo que, uma vez mais, cheguei a casa tardíssimo. O que sei  dos Oscares foi o que ouvi de manhã nas notícias da TSF enquanto conduzia e agora nos sites que costumo bisbilhotar.

E, assim sendo, a partir do que vi, aqui vai a minha selecção. Começo pelos quatro melhores vestidos da Noite dos Oscares segundo a Harper's. Porque, do que vi, me parecem mesmo muito bem, aqui os partilho.

Que entre a música vencedora: 

Let it Go do filme Frozen, interpretada por Idina Menzel no papel de Elsa





E que comece então o desfile:


A fantástica, irreverente
e uma grande, grande actriz,

Jennifer Lawrance in Christian Dior


A sensual e sempre algo desafiadora

Kate Hudson in Atelier Versace



Uma grande actriz e bonita
mas a quem ainda falta um je ne sais quoi

Amy Adams in Gucci


A luminosa, elegante, segura, bela e grande actriz
Oscar 2014 pela interpretação em Blue Jasmine

Cate Blanchett in Armani


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Já cá volto com mais fotografias seleccionadas.

segunda-feira, março 03, 2014

Para afastar coisas más ou tristes, nada como um belo sopro de ar. E, para valorizar um sopro de ar, nada como um cabelo tão solto que até nas fotografias ele se mexa. Isso e uma boa risada: mostro-vos um pouco do Carnaval na minha casa.


Acho que isto é orgânico: se falo, escrevo, ouço ou leio coisas que não me agradam, logo toda eu reajo em sentido contrário. Sempre assim foi. Desabafo, reajo, expludo, choro, grito, solto os cachorros mas, acto contínuo, preciso de espairecer e só me ocorre ir à procura de alguma coisa que me distraia ou faça rir.

No post a seguir a este protesto contra esta deificação do futebol a que se assiste, dando a palavra a uma jovem que mostra como sob a fina capa de uma história de sucesso que leva à explosão do investimento inerente ao Campeonato de Futebol no Brasil, há, escondido, sob o tapete, todo um mundo de subdesenvolvimento.

No post a seguir a esse falo de dois excelentes artigos, um de Paulo Baldaia e outro do Pedro Marques Lopes que descrevem como o neo-liberalismo acéfalo do gang Passos Coelho & Paulo Portas & Miguel Relvas & Pinókia leva a toda a espécie de medidas erradas e que, todas elas, revelam um profundo desprezo pelo ser humano (pelo ser humano que não pertença ao grupo de bajuladores do dito gang, leia-se).

*

E, uma vez tendo falado sobre coisas que me desagradam, viro-me para a ligeireza. Talvez eu tenha um ladozinho frívolo ou fútil - ou de loura burra. Eu acho que não mas, se calhar, sou muito condescendente para comigo mesma, sei lá. A questão é que, seja por que razão for, não consigo ficar muito tempo a chafurdar em porcaria. Não consigo.

A pata que os pôs! - digamos assim, que eu, mesmo na hora de insultar, me custa dizer palavrões, especialmente a insultar as mães deles. (Assim, chamar patas não é grave, faz de conta que penso que as mães dos membros do gang têm pés chatos, coisa assim).

Parto para outra.

(Mas, ainda antes de partir para a tal outra, seja ela qual for: é que ainda por cima está a dar na RTP aquele filme fabuloso, o Amor, do Haneke, com o Jean-Louis Trintignant, a Emmanuelle Riva e a Isabelle Huppert. Estou a escrever e a ver ao mesmo tempo. Mas o que ver isto me custa, senhores. Faz-me mal. Este é o filme, ao contrário, do que se passa com os meus pais; no filme é a mulher que está dependente, enquanto no meu caso, é o meu pai que está diminuído tal como aqui já vos contei. Acho que não vou conseguir ver o filme até ao final pois não suporto, aliás acho que vou mudar de canal. Só quem não tem ou teve na família chegada um drama destes é que não sabe dar o valor ao que é o suplício de quem fica dependente e o de quem, por ser o tratador, fica igualmente dependente. Uma caminhada inexorável, duríssima. E a impotência dos filhos que assistem, pouco mais podendo fazer do que apoiar, estar por perto, ouvir, compreender.

Pode acontecer a qualquer um. Mesmo aos que têm vida saudável, mesmos aos novos. Há pouco tempo morreu um amigo do meu pai, mais novo que ele. Teve um AVC ainda relativamente novo, aliás andava eu ainda na faculdade. Quando soubemos, na altura, pareceu-nos uma coisa do além. Creio que ainda nem tinha 40 anos, todo desportista, todo jovial, todo modernaço - e era bem giro. Perdeu o andar, a fala, o reconhecimento. Depois lá foi recuperando, anos de reabilitação, esteve em Alcoitão. Mas nunca mais foi o mesmo. Separou-se da mulher. Ela era professora no liceu, uma mulher muito bonita, elegante. O convívio com o novo quadro de limitações não foi suportável para ela. Ou para ambos, sabemos lá nós.

Sozinho ele definhou. Morreu recentemente, acho que teve outro AVC, nem sei bem. Quando a minha mãe me dá estas notícias, mentalmente chuto para canto.

Enfim. Coisas tristes.

Adiante.)

Já mudei de canal. Agora estou a ver a chegada das estrelas aos Oscares, todas anunciando quem as veste.

*

Tive um dia tão divertido, rimo-nos tanto, uma risota, os miúdos mascarados, nós de certa forma também.

Ela de fada madrinha, o bebé de coelho (ou melhor: de coelhinho, não vão vocês pensar que os pais tiveram um vipe e o mascararam de passos coelho), o ex-bebé de bombeiro (mas o único fato de bombeiro que a mãe arranjou foi de bombeiro americano, americano ou alemão, não sei, porque o comprou no LIDL), o mais crescido de pirata, um que dá pelo nome mas de que agora não me lembro (Jake, será?).

Depois, para além da ternura dos miúdos nos seus fatinhos, acho que o adereço mais conseguido foram uns óculos mirabolantes que o meu marido usou e que fizeram rir toda a gente - e que toda a gente experimentou fazendo rir os restantes.

O ex-bebé, apenas tirou o chapéu de bombeiro nesta ocasião,
para experimentar os óculos do avô
.



O bebé, numa fotografia tirada perto de mais
e que o meu marido queria que eu apagasse,
tão disparatada a fotografia ficou.
Mas o que nos rimos com ele, todo feito à foto, o ganda maluco,
este bebé é mesmo um bacano danado para a folia.

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E agora já começou a cerimónia dos Oscares. Ellen DeGeneres está em grande forma, simples e bem disposta, fazendo rir toda a gente.


Se esta segunda feira não tivesse que ir trabalhar, ficava a ver. Mas, assim, não dá. Amanhã é um dia de trabalho igual aos outros.

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Enquanto isso, ando à procura de coisas que não tenham a ver com nada.

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Encontrei.

No metro de Estocolmo foi colocado um expositor equipado com sensores que detectam a aproximação da composição fazendo com que o anúncio exposto ganhe vida. É uma forma inovadora de chamar a atenção. Só visto.

Apolosophy by Apotek: Make you hair come alive!





Fantástica a tecnologia ao serviço da criatividade, não é?

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Relembro: É seguir por aí abaixo que há material que merece ser visto.

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Muito gostaria ainda que me visitassem no meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa, onde hoje tenho Eugénio de Andrade e que bem ele é dito. Parece eu que adivinhava que a conversa vinha dar aqui: nas palavras que escrevi por lá a propósito do poema 'Poema à mãe' confessei que não quero nunca vir a sentir-me velha. 

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E, por hoje, aqui me fico. 
Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana, a começar já por esta segunda feira.


Enquanto na televisão ouço falar de futebol, casos do futebol, tricas do futebol, e o Pinto da Costa e o Jorge Jesus e mais não sei o quê, faço meu o protesto de todos quantos se indignam: não é que a gente não goste de futebol mas, caramba, não há coisas mais importantes? Nomeadamente, não há necessidades mais básicas por satisfazer antes de se movimentar tanto milhão em volta do espectáculo da bola? [E isto é verdade no Brasil ou por cá (não apenas o negócio usual como, se nos lembrarmos, a euforia orgástica de tanto estádio de futebol). Caraças!]. A palavra a Carla Dauden.


No post a seguir a este transcrevo artigos de Paulo Baldaia e de Pedro Marques Lopes (ambos, se não estou em erro, da área do PSD antes do estado de deliquescência ética a que o PSD chegou). São artigos fortes e que, de certa forma, se complementam. Talvez o segundo seja a chave para compreender como foi possível termos chegado ao ponto de que o primeiro artigo fala.

Mas isso é mais abaixo. Aqui, agora, a conversa é outra. Futebol. A Copa. E, vendo bem, não apenas a Copa.

*


Os brasileiros andam arreliados com os milhões gastos na preparação do Campeonato do Mundo de Futebol quando há tanta gente sem acesso aos cuidados mais básicos que deveriam estar disponíveis para o seu humano: boa saúde, boa educação, segurança e, claro, igualdade de oportunidades.

Depois dos protestos de há uns tempos no Brasil, as coisas parecem ter amainado mas o descontentamento mantém-se pois, volta e meia, as televisões dão breves apontamentos de um ou outro episódio de contestação - mas não há dúvida que a sargentona Dilma tomou o assunto em mãos e qualquer contestação é logo contida.

Já no outro dia um leitor me tinha enviado o vídeo que hoje aqui divulgo e hoje um outro mo enviou.

Carla Dauden é uma jovem brasileira que vive nos EUA e que é muito explícita no que diz. É difícil ficarmos indiferentes às suas vibrantes palavras através das quais explica, em inglês: 'Why I'm not going to the world cup'. O vídeo foi colocado no YouTube no verão do ano passado e, desde então, tornou-se viral. E muito justamente. 




Quando tantas vezes o que se torna viral são vídeos com quedas encenadas, gente parva a fazer parvoíces? Ao menos que se tornem virais palavras lúcidas de jovens que ainda acham que vale a pena lutar. Tomáramos nós que, em Portugal, os jovens fizessem o mesmo (em vez de andarem entretidos com praxes, copos, porcarias).




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Relembro: para se ver como em Portugal o Governo de Passos Coelho trata (com os pés!) questões de inclusão, é favor descer até ao post seguinte, onde Paulo Baldaia e Pedro Marques Lopes assinam os dois excelentes artigos de que acima falei e que são particularmente oportunos e complementares.

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domingo, março 02, 2014

"E ainda querem falar de natalidade? Haja vergonha!" diz Paulo Baldaia a propósito da suspensão da atribuição de subsídios a crianças pobres com necessidades especiais ou deficiências. "O que mais perturba (...) é ter um primeiro-ministro que tem como principal aliado, como alma gémea, (...) alguém que está na política para fazer outra coisa qualquer que não política" explica Pedro Marques Lopes, referindo-se, claro, ao regresso do fantasma Vai-Estudar-Ó-Relvas oas cargos dirigentes do PSD. Ambos os artigos no DN.


Não gosto de transcrever artigos na íntegra pois pode parecer que quero usurpar o mérito alheio. No entanto, dois artigos que acabo de ler merecem-me tal apreço que me permito transcrevê-los quase na íntegra. Ou melhor, o primeiro deles, o de Paulo Baldaia, vou mesmo divulgá-lo todo pois tenho dificuldade em extrair parágrafos sem lhe retirar a força.

Lidos pela ordem que aqui vos mostro, talvez fique clara a explicação para a estupidez e desumanidade, para a canalhice política que tem o seu corolário na situação descrita por Paulo Baldaia: talvez tudo resulte, sobretudo, da maneira de ser dos fautores de toda a demencial e sangrenta estratégia que, tão laboriosa e insensivelmente, vem sendo levada a cabo, fautores esses de quem Pedro Marques Lopes fala no seu artigo.

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Para acompanhar a leitura destes dois textos, que venha Yo-Yo Ma e interprete Bach 

(Sarabande of the Six Suite for Unaccompanied Cello)


Dança sobre o gelo a cargo de Jane Torvill e Christopher Dean.




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Sexta, às nove - por PAULO BALDAIA


Sexta-feira, às nove da noite, estava em casa a ver um programa de reportagem na RTP com o nome que dá título a esta crónica. A essa hora fiquei com a certeza de que a sociedade faliu por decisão política. Há crianças pobres com necessidades especiais e com deficiências a quem o Estado está a recusar subsídios, que até aqui fornecia.

Para que não pareça apenas mais uma crónica contra a austeridade, devo recordar que eu sou dos que entendem que Portugal viveu acima das suas possibilidades, dos que entendem que o Estado tem de deixar de ter défices para poder pagar o que deve, dos que entendem que os cidadãos não podem exigir do Estado o que Estado não for capaz de pagar.

Mas não é do pagamento em auto-estradas que um dia foram grátis que estamos a falar. Nem sequer de cortes nas pensões e nos salários ou da brutal carga de impostos que queima em lume brando a classe média. É pior, muito pior. É a desistência de seres humanos que, pela sua fragilidade, mais precisam da nossa ajuda.

Eu pago impostos e pago-os com gosto por ver neles a vantagem de estar a contribuir para uma melhor redistribuição da riqueza, mas, acima de tudo, porque sei que há determinadas coisas que só o Estado pode resolver e que para isso precisa de dinheiro.

Na reportagem da RTP havia, por exemplo, uma criança de seis anos que estava a dar os primeiros passos no mundo das palavras (apenas dizia carro). A família, com um rendimento de 900 euros, viu recusado um subsídio de 300 para pagar uma das terapias de que a criança precisa. E a outra família com um rendimento de 620 também foi retirado o subsídio. Não estamos, portanto, a falar de o Estado recusar ajuda a uma família que tem rendimentos que dispensam esse apoio.

Sexta, às nove, fiquei a pensar em jornalismo e a desejar que aquela reportagem seja suficiente para os governantes corrigirem o tiro. Não consigo perceber como alguém consegue dormir tendo responsabilidade nesta matéria, nem entendo como pode algum político aceitar como opção cortar nos subsídios a crianças que, tendo nascido com necessidades especiais ou deficiência, vivem em famílias com carências financeiras.

Sim, eu sei, sabemos todos, que o dinheiro não chega para tudo.

Num país que tem mais de 300 mil desempregados sem qualquer rendimento ou subsídio do Estado, é evidente que, pelo menos temporariamente, deixar pessoas para trás e sem qualquer apoio é uma opção política que alguns consideram válida. Incluir neste pelotão de deserdados crianças que tiveram a dupla infelicidade de nascer com deficiência e em famílias carenciadas não é apenas uma questão política, é uma questão civilizacional.

E ainda querem falar de natalidade? Haja vergonha!


No DN

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A alma gémea - por PEDRO MARQUES LOPES



O Congresso do PSD da semana passada não teve propriamente muitas novidades.

(...)

Apareceu Marcelo Rebelo de Sousa, que fez questão de se rir na cara de Passos Coelho, como quem diz: "Podes-me chamar cata-vento e tudo o que tu quiseres, mas não tens outro remédio senão apoiar a minha candidatura à presidência." Assim se encerra definitivamente o dossier candidato do centro-direita, para desgosto dos barrosistas e dos assessores políticos mais próximos de Passos Coelho que adorariam criar uma espécie de Sarah Pallin à portuguesa.

E, claro, o regresso de Miguel Relvas à política. Imagino que para quem teve tanto trabalho a tornar minimamente interessante um congresso sem assunto, a dar-lhe dinâmica e a tentar criar factos políticos, será duro perceber que o grande tema do evento foi o regresso de Relvas. Mas foi. As más notícias batem sempre as boas, já se sabe.

Há quem tenha dito, com alguma piada, que Passos Coelho está tão preocupado com uma eventual derrota, ou vitória demasiado curta, de António José Seguro, nas eleições europeias, que trouxe Miguel Relvas de novo para a política. 

De facto, o antigo ministro é, para todos os portugueses e para grande maioria dos congressistas do PSD presentes no Coliseu - como se percebeu pela votação na lista que ele liderava -, o símbolo de algo que ninguém quer na vida política. 

Ao contrário do que o primeiro-ministro possa pensar, ninguém se esqueceu das mentiras ao Parlamento, do patético processo da licenciatura, da inexistência dum pensamento político minimamente elaborado, dos truques, da RTP, da TAP, dos ditos por não ditos, dos negócios mal explicados. 

Francisco Assis talvez não o faça, mas nada melhor para que Paulo Rangel perca votos do que recordar amiúde que Miguel Relvas o está a ajudar na campanha.

Agora parece que, afinal, estávamos todos enganados. Miguel Relvas encabeçou a lista, patrocinada por Passos Coelho, ao Conselho Nacional do PSD, principal órgão do partido entre congressos, mas não está de regresso à política. 

Foi o próprio ex-ministro que o afirmou, na última sexta-feira, ao semanário Sol.

A pergunta impõe-se: se Miguel Relvas vai para primeira figura dum órgão político mas não vai fazer política, vai para lá fazer o quê?


Há um lado quase ingénuo nas declarações do ex-político mas principal figura dum órgão político, atual consultor de empresas mas sem que se saiba que tipo de consultoria faz. Sim, obrigado pela lembrança, nós sabemos que há muita gente que está na política para tudo menos para fazer política. 

Homens e mulheres para quem a política é uma maneira de arranjar contactos, oportunidades de negócio, empregos. Até para vender consultoria, às tantas.

(...)

O que mais perturba, porém, é ter um primeiro-ministro que tem como principal aliado, como alma gémea, como compagnon de route, alguém que está na política para fazer outra coisa qualquer que não política.


No DN


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As três últimas imagens são, como é fácil ver, da autoria do responsável pelo inspirado blogue We Have Kaos in the Garden


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Em dia de Oscares, de Scarlett Johansson a Brad Pitt, as estrelas de Hollywood como nunca as viu - ou como a maquilhagem faz milagres. Ou como eu, olhando para as fotografias, vejo que ainda tenho hipóteses, ai não que não tenho.


No post abaixo falo de duas gémeas separadas à nascença a quem a vida reservou destinos bem diferentes e, no outro a seguir, mostro Ellen DeGeneres numa posição muito pouco convencional (ou não fosse toda ela pouco convencional).

Mas aqui, agora, porque é tempo de estrelas de Hollywood, a conversa é outra.


A Vanity Fair resolveu mostrar as grandes estrelas como nunca antes tinham sido vistas. Claro que há exagero nisto mas, enfim, é uma maneira de dizer. Vai daí, pediu ao fotógrafo Chuck Close que mostrasse algumas das grandes vedetas sem make-up. E eis que elas corresponderam e se mostraram sem o glamour que habitualmente lhes conhecemos colado à pele.

O que eu, pela parte que me toca (e peço desculpa pela redundância), posso dizer é que a maquilhagem faz muito por uma pessoa e, vendo algumas das fotografias, sou levada a crer que se me desse ao trabalho de me produzir, oh oh, a brasa que eu ficaria.

Portanto que ninguém se veja ao espelho e se ache sem graça. Não, não: nada disso. É só descobrir o melhor que tem de melhor e valorizar esse aspecto. É a boca? Então construa-se em volta dela. É o decote que mostra um ondular tentador? Tudo bem, vamos nessa. Por aí fora. Simples.

Ora confira, por favor. (E, já sabe, por favor dê desconto: ou não sou habilidosa ou o editor do blog não é famoso para alinhar fotografias onde as queremos pôr: saltam-me, vão parar onde não devem. É uma luta tremenda e, às tantas, desisto)


Scarlett Johansson tal como a conhecemos
Scarlett Johansson tal como Chuck Close a viu
Oprah Winfrey tal como a costumamoss ver
Oprah Winfrey tal como posou para Chuck Close
Brad Pitt todo mal amanhado

Brad Pitt, o dream man da mulherada
Annette Bening sem make up
(aliás: com pouco...
porque lhe vejo um batonzinho nos lábios)
Annette Bening, divertida e glamourosa

Tive que pôr o Brad Pitt em ponto pequeno senão, vá lá eu perceber porquê, não conseguia pôr as fotografias ao lado uma da outra)

E, já agora, a sessão fotográfica.



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Tinha muita coisa de jeito sobre que falar a começar pelas palavras da lunática Lagarde a elogiar o anormal do Gaspar. Mas só peguei no computador por volta da meia noite e isso enquanto via o Eixo do Mal e o Downton Abbey e, portanto, não tive disposição para falar de coisas desagradáveis.

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Relembro: Por aí abaixo há mais matéria do mesmo género, a começar na D. Laura Láparo e a acabar na guru da D. Sãozinha Estebes de pernas para o ar.

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E, por agora, por aqui me fico. Daqui a nada tenho que estar a pé a servir almoços e a receber convidados, coisa que, evidentemente, farei mascarada. Talvez até faça uma selfie para vos mostrar. Quando de tarde me mascarei para experimentar, fartei-me de rir. Até o meu marido, que não é moço de gargalhar fácil, se fartou de rir.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um domingo bem animado.

Laura Passos Coelho e Oprah Winfrey gémeas separadas à nascença?


Até posso conceder que a srª D. Laura seja uma boa pessoa, tem ar de ser. O pior são as companhias. Anda mal acompanhada. E há aquilo do diz-me com quem andas, dir-te-ei que és. Um problema.

Tem ainda outro problema: não deve ser tão dotada como a mana gémea de quem foi separada à nascença. Ou isso, ou não teve sorte.

A mana Oprah não teve uma infância fácil - pobreza, abusos sexuais - mas a verdade é que com a sua inteligência, determinação e talento se impôs e é hoje é considerada uma das pessoas mais influentes e mais ricas do mundo, ao mesmo tempo que se dedica de alma e coração a numerosas e meritórias acções de filantropia.

Já Laura Ferreira, para além de fisioterapeuta onde admito que seja boa profissional e certamente boa mãe de família, teve a pouca sorte de tropeçar nesse verdadeiro atraso de vida que é o pasteleiro com pretensões a barítono que, por erro de casting, foi parar a primeiro-ministro.

Desse-lhe a mana Oprah uma mãozinha e a ver se a D. Laurinha não reluziria longe dos sítios mal afamados para onde o marido a leva.




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Caso queiram ver Ellen DeGeneres a fazer o pino - e não me refiro à cena dos aos Oscares mas sim a uma encenação da Leibovitz - desçam, por favor, até ao post seguinte.

Prestes a apresentar os Oscares, eis Ellen DeGeneres fotografada por Annie Leibovitz para a Vanity Fair - e pode ser que a nossa entertainer de trazer por casa, a inconseguida Sãozinha Esteves, num dos seus arroubos criativos, se lembre de também posar assim para algum fotógrafo de referência


Gostando de fotografia como gosto, claro que gosto muito da Annie Leibovitz, já aqui falei dela muitas vezes (e agora reparo que tenho aqui ao meu lado dois livros daquela que foi o amor da sua vida, Susan Sontag), e gosto de saber o que ela anda a fazer.

Desta vez a lente através da qual Annie Leibovitz vê a vida, fotografou Ellen, uma mulher simpática, com um sentido de humor delicioso, corajosa, lutadora por causas meritórias. As poses escolhidas evocam Fred Astaire no filme Royal Wedding e podem ser vistas, claro, na Vanity Fair.


Ellen DeGeneres vai apresentar a cerimónia dos Oscares 2014. 





Nestas coisas gosto sempre de ver a sessão em si. Gosto de ver Annie Leibovitz em acção e gosto de ver como os fotografados se reinventam para irem de encontro ao que Annie espera delas.



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sábado, março 01, 2014

Palavras muito pessoais


Antes de mais, quero pedir-vos encarecidamente que, a seguir a este, não deixem de descer até ao post seguinte e ouvir a maravilhosa voz de Angeline Ball fazendo de Mary Bloom (do Ulisses de James Joyce). É um momento de tão intensa beleza que gostaria de saber que o que a mim me parece tão belo, também para vós que aqui me estão a ler é um momento a que não conseguem ficar insensíveis.

A seguir a esse momento de uma limpidez absoluta mudo de registo e mostro uma palestra na qual se mostra como são os juros da dívida que estão a destruir a economia e a subjugar os Estados.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra. Falo-vos de mim aqui a escrever-vos.

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Mas, primeiro, que se chegue a nós Natalie Merchant interpretando Motherland. Muito bonito também.





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Estou cada vez mais entrincheirada nesta mesa onde escrevo. Livros, livros, livros. 


Não quero arrumá-los já nas estantes pois perco-os de vista e ainda os quero ler, reler ou tresler. 

Além disso, antes de serem arrumados, têm que ser classificados e introduzidos na base de dados e quem se tem ocupado disso é o meu marido que agora se tem recusado pois diz que é uma tarefa infindável para a qual perdeu a paciência. 

Não sei como convencê-lo e eu não tenho tempo para isso, senão tenho que parar com os blogues.

Então pára, diz-me ele, isso dos blogues não é nenhuma obrigação. Claro que não, porque se fosse já eu tinha parado. É um prazer e eu tenho dificuldade em virar as costas aos prazeres.

À volta desta mesa e sob as janelas ou contornando os sofás, há estantes baixas destinadas a arrumação provisória. E há outros livros que estão num cesto grande que está entre um sofá e a estante baixa que está encostada a ele.

Os miúdos agora têm uma brincadeira nova: trepam do sofá para cima da estante e aí, nesse piso mais elevado, fazem as suas brincadeiras. Quando descem, invariavelmente fazem cair as pilhas de livros que estão nesse grande cesto (um cesto de verga forrado a pano, daqueles onde se põe a roupa acabada de engomar). Zango-me, não quero que desarrumem os livros nem que os pisem. Dizem que sim e passado um bocado volta a acontecer. Dizem que é sem querer. Acredito.

Outras vezes, os dois do meio, pequenos ainda, que têm as pernas mais curtas, quando querem sair de cima da estante e não querendo fazer o percurso que os levou lá, apoiam-se na prateleira intermédia e, claro, volta e meia fazem cair os livros que estão dentro da própria estante. É uma guerra. Zango-me, que vão brincar noutro sítio. Mas qual quê, o interdito é o mais desejado. Ali, sentados em cima da estante, são reis, guerreiros, bombeiros, super man, homem aranha, rainha ou princesa ela.

Não querendo contrariar-me à frente dos pequeninos, ouço, contudo, em voz baixa, apartes: no meio de tanto livro, pilhas de livros por todo o lado, como é que as crianças vão perceber que aqueles ali são intocáveis? Respondo que são intocáveis mesmo. Aqueles e todos os outros. A casa pode ficar virada do avesso que tolero mas que perturbem a paz dos meus livros já me incomoda.

O meu marido faz outra coisa arreliadora. Volta e meio chego à sala e vejo livros ao monte em cima destas estantes baixas (como estão agora que os acabei de fotografar). Apanha-os e põe-os ali de qualquer maneira. Outras vezes tira-os de cima da mesa, e põe-os noutro sítio, diz que tem medo que os livros caiam em cima dos miúdos e os magoem. Fico aborrecida porque põe as colunas de livros de qualquer maneira e, podendo parecer que isto é o caos, não é. Cada pilha tem um tipo de livros e a sequência em volta da mesa (que é redonda) tem a ver com a frequência com que deito a mão a um livro de cada conjunto.

Eu e os livros... Quantas vezes já vocês me ouviram falar nisto, não é?

Tenho esta coisa comigo mesmo no que se refere a livros. Falta-me tempo, falta-me espaço. Se calhar falta-me também alguma disciplina.

Eu gostava era de ser duas, clonar-me, e partilhar os pensamentos com a minha clone. O meu marido diz que alinha nessa, de ter aqui em casa duas eus (mas não me alongo neste ponto). 

Ou, então, não podendo eu clonar-me, gostava que o tempo esticasse e que cada dia fosse dois. Talvez, assim, pudesse não deixar para trás tanto do que gostava de fazer.

O meu trabalho é muito absorvente. Saio cedo de casa e regresso geralmente entre as 19 e as 20. Hoje, por exemplo, já passava bem das 20. Como depois ainda faço uma caminhada de uma hora, estão vocês a ver o tempo que me sobra. 

Os fins de semana são frequentemente um puzzle de mil peças em que acontece não ter um minuto para mim senão ao fim da noite, quando já estou para lá de Bagdad.

As férias são vinte e dois ou vinte e três dias por ano, nem sei bem. Faço-as render como posso, tirando dois ou três dias de vez em quando (de vez em quando é como quem diz: para aí umas duas ou três vezes por ano),  mas no Verão não posso gozar mais que duas ou três semanas por ano, parte das quais também super ocupadas.

Sonho com ter a possibilidade de ter todos os dias duas ou três horas para ler e mais duas ou três para escrever. Que bom deveria ser. 

E gostava de conseguir ter os livros sempre bem arrumados e ter um écrã táctil de pé ou afixado na parede, em cada uma das divisões onde tenho livros, como aqueles que há nos shoppings em que, com o dedo, pesquisasse os livros que quisesse e aquilo me assinalasse a estante onde eu me deveria dirigir.

Talvez quando for velhinha. 
Velhinha... e a viver num recanto da casa cercada de livros por todos os lados.
(Mas talvez nessa altura o meu marido volte a ter paciência para registar os livros no computador.)

E, no entanto, cada vez estou mais niquenta com os livros. Circulo pelas livrarias e quase tudo me causa alguma repulsa. 

Passo os romances de cordel, passo os de ficção científica, passo os de vampiragem e outras aberrações, passo os de romance históricos, passo os de auto-ajuda, passo os de psicologias baratas, os de mandamentos económicos para atrasados mentais, passo os de vedetas da televisão, e os do Gomes Ferreira, os do Ricardo Costa, os da Maria João Avillez. E vou circulando. 

Depois folheio os que que me parece terem hipóteses mas, na maioria, parecem-me maçadores, histórias sem interesse, exercícios irrelevantes, delírios, auto flagelações, xaropadas, uma forma primária de escrever. Já não tenho paciência para perder tempo com isso.

Depois, então, de vez em quando, lá descubro coisas que despertam o meu interesse. Coisas simples. Poesia. Correspondências. Alguns ensaios. Livros sobre livros. Livros sobre fotografia. 

Silêncios. Palavras sinceras. Arte. 

(Mas não são muitos os que têm o dom de saber escrever como eu gosto e isto parece agravar-se de dia para dia; mas pode ser que o mal seja meu).


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Relembro: não deixem, por favor, de ir até ao post seguinte. Beleza mesmo. 

A seguir há uma lição de finanças públicas e respectivo impacto na economia: importante para se perceber o que está a acontecer e como é relevante ter-se lideranças fortes e não gente ignorante que se deixe facilmente subjugar.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um bom fim de semana a começar já por este sábado.


Beleza em estado puro [O solilóquio de Molly Bloom (as últimas linhas) por Angeline Ball - em Ulisses de James Joyce]


No vídeo abaixo, Angeline Ball interpreta Molly Bloom no filme Bloom - e que voz. Que voz que parece que nasceu com o texto. Que beleza absoluta, a voz, o texto.


Ia no carro a ouvir Jorge Vaz de Carvalho a falar com Paulo Alves Guerra da sua tradução do Ulisses de James Joyce, e ia a gostar de o ouvir, e, às tantas, ouvi a gravação que abaixo vos mostro com o texto original e, a seguir, o texto dito em português (Ana Paula Ferreira?) a partir da tradução de Jorge Vaz de Carvalho.


Santa Teresa de Ávila segundo Bernini
Confesso: quando ouvi Angeline Ball fiquei como que em êxtase. 

(Sempre me causou espanto esta do êxtase, a outra ficar em êxtase com os seus devaneios metafísicos, a Santa Teresa. Que coisa seria essa que tão romanticamente Bernini gravou na pedra?) 

Pois bem: acho que foi o que hoje senti. 

Já antes tinha gostado imenso de ouvir o barítono, professor, tradutor, poeta e etc Vaz de Carvalho a ler um excerto do belo texto na sua inspirada tradução em que, para se assemelhar ao texto original, reinventa a língua portuguesa. A sua dicção é perfeita e a voz, claro, é encorpada e, portanto, ouvi-lo ler é um prazer.

Mas, quando entrou a Angeline Ball, nem sei como consegui continuar a conduzir. Que maravilha. Senti-me transportada para um lugar perfeito. Ou para dentro de mim própria. Não sei dizer.

Nem sempre é possível definir o que é a beleza em estado puro. Mas pode ser exemplificado com casos práticos. Este é um desses casos.

Diz Jorge Vaz de Carvalho que, depois desta empreitada, gostava de se atirar à Divina Comédia. Por mim, já que não me sentirei tentada a ler isso, preferia que ele voltasse a publicar poesia. Ou, pelo menos, a nova versão de Artemes.

Mas façamos agora silêncio e ouçamos Angeline Ball.





[Caso queiram seguir o texto através da sua leitura, aqui está tal como o encontrei num site. Verifiquei que não é exactamente igual ao texto dito - admito que na interpretação tenham sido efectuados cortes ao texto escrito mas não sei (e não tenho tempo para investigações)]


God of heaven theres nothing like nature the wild mountains then the sea and the waves rushing then the beautiful country with the fields of oats and wheat and all kinds of things and all the fine cattle going about that would do your heart good to see rivers and lakes and flowers all sorts of shapes and smells and colours springing up even out of the ditches primroses and violets nature it is as for them saying theres no God I wouldnt give a snap of my two fingers for all their learning why dont they go and create something I often asked him atheists or whatever they call themselves go and wash the cobbles off themselves first then they go howling for the priest and they dying and why why because theyre afraid of hell on account of their bad conscience ah yes I know them well who was the first person in the universe before there was anybody that made it all who ah that they dont know neither do I so there you are they might as well try to stop the sun from rising tomorrow the sun shines for you he said the day we were lying among the rhododendrons on Howth head in the grey tweed suit and his straw hat the day I got him to propose to me yes first I gave him the bit of seedcake out of my mouth and it was leapyear like now yes 16 years ago my God after that long kiss I near lost my breath yes he said I was a flower of the mountain yes so we are flowers all a womans body yes that was one true thing he said in his life and the sun shines for you today yes that was why I liked him because I saw he understood or felt what a woman is and I knew I could always get round him and I gave him all the pleasure I could leading him on till he asked me to say yes and I wouldnt answer first only looked out over the sea and the sky I was thinking of so many things he didnt know of Mulvey and Mr Stanhope and Hester and father and old captain Groves and the sailors playing all birds fly and I say stoop and washing up dishes they called it on the pier and the sentry in front of the governors house with the thing round his white helmet poor devil half roasted and the Spanish girls laughing in their shawls and their tall combs and the auctions in the morning the Greeks and the jews and the Arabs and the devil knows who else from all the ends of Europe and Duke street and the fowl market all clucking outside Larby Sharons and the poor donkeys slipping half asleep and the vague fellows in the cloaks asleep in the shade on the steps and the big wheels of the carts of the bulls and the old castle thousands of years old yes and those handsome Moors all in white and turbans like kings asking you to sit down in their little bit of a

a shop and Ronda with the old windows of the posadas 2 glancing eyes a lattice hid for her lover to kiss the iron and the wineshops half open at night and the castanets and the night we missed the boat at Algeciras the watchman going about serene with his lamp and O that awful deepdown torrent O and the sea the sea crimson sometimes like fire and the glorious sunsets and the figtrees in the Alameda gardens yes and all the queer little streets and the pink and blue and yellow houses and the rosegardens and the jessamine and geraniums and cactuses and Gibraltar as a girl where I was a Flower of the mountain yes when I put the rose in my hair like the Andalusian girls used or shall I wear a red yes and how he kissed me under the Moorish wall and I thought well as well him as another and then I asked him with my eyes to ask again yes and then he asked me would I yes to say yes my mountain flower and first I put my arms around him yes and drew him down to me so he could feel my breasts all perfume yes and his heart was going like mad and yes I said yes I will Yes.


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A versão portuguesa acaba também assim, com a mesma palavra - em inglês (Yes) porque, diz Vaz de Carvalho, Joyce queria acabar o texto com a mesma letra com que o tinha começado (s). Diz que ainda pensou em acabar com 'Pois' mas achou que não tinha tanta força. Mas, sobretudo, queria homenagear a língua inglesa que, segundo ele, é a verdadeira personagem principal de Ulisses.

Uma bela e original homenagem. Afirmativa, pelo menos.

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Depois disto nem me apetece chamar a atenção para o post abaixo. Mas, para os mais terra-a-terra, recomendo uma palestra em que se explica como, através da dívida pública, a soberania está perdida a favor de entidades desreguladas, os grandes grupos financeiros.