sexta-feira, agosto 12, 2011

Baixar a TSU agora? Não, não e não!!! Alguém explica ao Governo que tem que fazer as contas e conhecer a realidade do País antes de fazer um disparate colossal?



Equacionar baixar a Taxa Social Única (TSU) não é política, não é economia, não é nada a não ser parvoíce, parvoíce pura e simples. A ver se a gente se entende: baixar agora a taxa social única é um erro e, ainda por cima, um erro estúpido, um erro que não aproveita a ninguém.

Já aqui o escrevi e volto ao assunto porque isto de estarmos a ser governados por pessoas que ou não conhecem o mundo real em que vivem ou que não sabem fazer contas, assusta qualquer um.
A medida destina-se, supostamente, a tornar as empresas mais competitivas para que se consiga exportar mais ou para que se substituam importações por produções nacionais. Falamos, pois, de 'empresas de produtos' e não empresas de serviços.

Ora, nas empresas produtoras, em média, os custos de mão-e-obra são cerca de 15% do total de custos. Para facilitar as contas, vou fazer por cima, vou supor que são 20%. Ou seja, para 15% os cálculos que vou fazer a seguir seriam mais baixos ainda, ridiculamente baixos.
Reduzir a TSU em cerca de 3.5 pontos percentuais - como se ouve agora falar - teria um impacto de 0.7% nos custos gerais da empresa. Ou seja, menos que 1%, ou seja, nada. Volto a dizer o que já aqui disse há meses: nenhuma empresa perde negócios por 0,7%.

Para que houvesse uma redução no intervalo em que se ganham ou perdem negócios teríamos que baixar a TSU não de 3.5 pontos percentuais mas de uns 10, no mínimo – o que acabaria com as pensões de reforma em três tempos.


Assim, reduzindo menos do que esse valor suicidário, o resultado prático em termos de competitividade é nulo. Em contrapartida é um rombo no já tão frágil equilíbrio do sistema de pensões.
Dizer que se colmata com o aumento do IVA intermédio é falacioso e, pior: é o segundo tiro no pé. Aumentar o IVA no turismo e em bens em que facilmente se foge ao fisco (restauração, por exemplo) é andar a brincar.

Ou seja, numa altura em que a tendência demográfica só por si coloca em perigo o modelo que vigora actualmente (há cada vez menos gente a descontar para um ‘bolo’ que é para distribuir para um número cada vez maior de pessoas, pessoas essas que vivem de reformas muito mais tempo do que viviam antes), é perigoso inventar medidas que são um verdadeiro rombo. É uma irresponsabilidade,  é pôr em risco grave a sustentabilidade do sistema de pensões.


Por isso, alô, alô Nuno Crato: você que é matemático ao menos faça estas contas muito simples aí aos seus colegas e veja se os consegue impedir de fazerem um disparate irreparável. É que dar um tiro em cada pé, nesta matéria, é equivalente a dar um tiro na cabeça.

As empresas produtores portuguesas (poucas, muito poucas - indústria em Portugal é coisa quase inexistente) para se tornarem competitivas têm que passar a ser melhor geridas a todos os níveis. Têm que saber comprar bem (porque o peso das matérias primas, esse sim, tem grande expressão e aí qualquer ganho tem importância), têm que saber produzir bem, ter processos eficientes, têm que saber tirar partido dos recursos internos em vez de desbaratar dinheiro em contratação de serviços externos. É aí que as empresas têm que saber ir buscar a competitividade - e não rapar uns míseros zero vírgula qualquer coisa por cento que não acrescentam nada na competitividade mas são uma perigosa subtração nos descontos que garantem a sustentabilidade do nosso regime social.



A chatice, meus amigos, a grande chatice é que para isso é preciso gestores de qualidade e aí é que a porca torce o rabo.

Em 2010, 70% dos empregadores em Portugal tinham, no máximo, o 9º ano de escolaridade!

(Nota: Os empregadores, em geral, têm menos habilitações que os empregados. Em 2010, 60% dos empregados tinham no máximo o 9º ano de escolaridade - dados Pordata)




Já agora, continuo com mais dados demográficos extraídos da PORDATA:

. Em 1971 havia cerca de 12% de jovens (com menos de 15 anos) e cerca de 30% de idosos (com 65 ou mais anos).

. Em 2009, já são mais os idosos que os jovens, 18% versus 15%


. O índice e envelhecimento (idosos/jovens)*100:

Em 1960 era de cerca de 30%; em 2009 já é de 116,5%


 
. O índice de longevidade (pessoas com 75 anos ou mais/idosos)*100:

Em 1971 era cerca de 37,5% e em 2009 já é 46,6%


. O índice sintético de fecundidade (nº médio de filhos por mulher)
Em 1960 andaria pelos 3, em 2009 já é de apenas 1,32.



Alguém, por favor, medite nestes números em vez de andar a brincar aos pontinhos de redução da TSU!

quinta-feira, agosto 11, 2011

Contra o tédio ou contra a estupidez ou seja por que for: ide para a beira rio, meus amigos, arejai essa vossa alma lusitana!

Hoje à tardinha, junto ao rio, em Lisboa, no Cais Sodré
Uma aragem com cheirinho a maresia, uma vista, uma paz

Tão calmo, tão agradável, tão imperdível, meus caros, têm que experimentar

Esplanada junto ao rio, ligada ao Alma Lusitana

'Look at me, Leonard, look at me one last time'

Meus Caros, gostaria de pedir a vossa atenção para o fantástico vídeo da canção 'Because of' de Leonard Cohen que, como sabem os que me costumam visitar, é um senhor por quem nutro uma pouco secreta paixão.

Contudo, faço desde já um statement: essa paixão ainda não me levou a fazer aquilo que ele, o safado, descreve abaixo com tanta ironia.

Reparem na sensualidade da composição, ouçam a voz que, quente, auto-confiante, se diverte com o efeito que provoca na pele das mulheres, reparem no sorriso com que leva a mulher nos braços, num slow cheio de romance. Ah, que charme que este Leonard tem para ir oferecendo por aí, agora que sente que a idade já o torna inimputável.

Para os que não o conhecem de perto, aqui vos deixo uns alinhavos: nasceu no Canadá em 1934, numa família judia de classe média e, mais tarde, mudou-se para os Estados Unidos.

É mais conhecido como autor e intérprete de canções mas é, no entanto, um poeta e novelista conceituado, tendo começado a publicar poesia em 1956 e novela em 1960.

Ou seja, não é daqueles que se tornou escritor depois de ter alcançado alguma notoriedade no show bizz.

Este ano, como já aqui dei conta, ganhou o prémio Príncipe das Astúrias para Literatura.

Viveu 5 anos num mosteiro zen e - é um facto - uma certa aura de misticismo envolve este extraordinário homem. É um sedutor místico e, no que se refere a mulheres, um indiscutível connaisseur.

Como todos aqueles que sabem - e oh como ele sabe - que não há ingrediente mais afrodisíaco do que as palavras, Leonard Cohen tem tido uma vida amorosa preenchida. 

Desconte-se o período de isolamento no retiro zen, e constatamos que a cada década muda de mulher. 

(Nesta noite escaldante o calor está a derreter-me os miolos e, deve ser por isso, está a dar-me para a fofoca, estou com instintos de !Hola!. Ou seja, vamos lá a saber alguns pormenores)

Na década de 70, viveu com a artista Suzanne Elrod com quem teve dois filhos:

Auto-retrato de Suzanne

Na década de 80 viveu com a fotógrafa francesa Dominique Issermann, fotógrafa conceituada no mundo da moda e fotógrafa da Primeira Dama Carla Bruni:


Leonard e Dominique

Chegamos à década de 90 e já o temos com a bela actriz Rebecca de Mornay:
Leonard e Rebecca

Já nos 2000, ei-lo agora com Anjani Thomas, cantora, pianista e compositora nascida em Honolulu:

Leonard e Anjani

Será que vai ficar por aqui? A mim tanto se me dá. Mas a vida de Sir Leonard Cohen prova bem que a vida continua com todo o seu fulgor, ao longo dos anos, assim a gente lhe saiba dar o devido valor, assim a gente saiba continuar a amar a vida, a amar as pessoas, a amar o amor. 

Tomara, pois, que o ex-monge zen Jikan continue a ter inspiração e vigor para continuar a seduzir as mulheres e a ensinar os homens.

(Abaixo do vídeo poderão ver a letra da canção, imperdível).

Enjoy!




Because of a few songs
Wherein I spoke of their mystery,
Women have been
Exceptionally kind
to my old age.
They make a secret place
In their busy lives
And they take me there
They become naked
In their different ways
and they say,
"Look at me, Leonard
Look at me one last time."

Then they bend over the bed
And cover me up
Like a baby that is shivering.
 
 
(Letra de 'Because of', fantástica composição de Leonard Cohen)

quarta-feira, agosto 10, 2011

Portugal em situação de grande fragilidade e em tão fracas mãos, Inglaterra on fire, o euro em risco, políticos de mão cheia não os há - o mundo, meus amigos, está a ficar um lugar muito perigoso


Pintura numa parede do jardim do Ginjal, a inquietação sangrenta

Tempos como os que atravessamos prenunciam fracturas de regime.

Fracas classes dirigentes, constituídas por gente muito impreparada, muito inculta, pouco respeitada; o poder muito disseminado assente em precários equilíbrios; descontrolo das contas públicas; recessões sem fim à vista, cortes nos benefícios, nos subsídios, aumentos em bens essenciais, riscos ainda maiores no horizonte, ausência de esperança: um caldo explosivo.

A nível europeu foi criada uma moeda única quando as discrepâncias a nível de desenvolvimento nos vários países eram enormes, não sendo criados mecanismos mandatórios de convergência.

Uns anos decorridos, o resultado está à vista.

A moeda única agora é um espartilho que impede que se introduzam correcções monetárias – e os desequilíbrios mantêm-se ou pior, agravam-se. Parece ser uma equação insolúvel para os países em dificuldade. Não há uma política europeia única que estabeleça uma gestão global e que colmate desequilíbrios e cada país, de per se, não tem possibilidade de introduzir correcções porque, justamente, a moeda é só uma.

João Ferreira do Amaral vem dizendo (e esta semana Desmond Lachman, ex-director adjunto do FMI, diz o mesmo): só saindo do euro.

[Como é óbvio, o problema é estrutural e a um nível macro, nem sequer é nacional – ou seja, não tinha a ver com Sócrates, tal como agora não tem que ver com Passos Coelho]

E a questão não está apenas entre nós. Vê-se que a Irlanda, que há pouco tempo era o exemplo a seguir, foi ao chão antes de nós; a Grécia, enfim, é o que se sabe; Chipre, está sem força nas pernas; mas agora economias (relativamente) fortes como se supunham ser Itália e a Espanha estão, pela dimensão do risco que está em cima da mesa dos ‘mercados’, a causar o pânico em Bruxelas. A própria Bélgica não está bem. E, na Alemanha, uma economia robusta, a bolsa tem estado a cair mais do que o justificável.

E o grave é que, face a este descalabro, constatamos que, na Europa, ninguém manda de forma inequívoca.

Trichet diz uma coisa e os alemães dizem o contrário Rompuy diz uma coisa e Merkel e Sarkozy combinam outra diferente por trás, e Merkel - que bate o pé fora de portas - pia baixinho dentro de casa.

E os Estados Unidos, o grande motor económico, nadam agora com toda a força a ver se mostram bem a cabeça fora de água, depois do susto de ficarem a nadar em seco se não tivesse havido aprovação para se continuarem a endividar ‘à grande e á francesa’ – mas isto com Obama, presidente democrata, que é um homem com inegáveis características de liderança, totalmente refém do senado conservador.

Em lado nenhum há alguém que verdadeiramente mande.

A oriente, os chineses dão sinais de agitação porque se o ocidente arrefece, lá se vão as exportações e se o ocidente deixa de pagar lá vão eles também ao tapete.

Do outro lado, temos a Venezuela em risco de bancarrota, o México com a bolsa a causar nervoso miudinho aos investidores.

A juntar a estas perturbações, temos a agitação social que começa a incendiar os ânimos.

Há dois anos, as ruas de França andaram a ferro e fogo, agora é a Inglaterra. Não junto a isto epifenómenos como o Breivik, o norueguês assassino, porque acho que isso foi, mais que tudo, um acto de uma pessoa perturbada.

Pintura numa parede - Inquietação

Uma vida sem esperança, uma vida sem futuro

E, assim, vamos assistindo ao grassar da inquietação sem nome, por cá foram os deolindos, depois os revoltados nas praças espanholas - e o descontentamento vai grassando e, como sempre acontece quando o caldo aquece, lá aparecem as pilhagens, o vandalismo, a arruaça mais primária. 

Inglaterra nos dias que correm não é a fleumática terra de Sua Majestade mas o palco urbano em que jovens marginais do subúrbio, desocupados, desenquadrados, se entregam ao roubo de electrodomésticos, material de desporto, e, animados pela impunidade, entusiasmam-se e vão ruas afora a incendiar, a agredir bombeiros, polícias.

Do lado árabe, depois das revoluções brancas, do jasmim, a revolta popular chegou à Líbia e à Síria e aí as coisas mudaram de figura: as ruas estão sujas de sangue e sabe-se lá quando e como vai acabar.

Apesar dos sustos indirectos, escapam, por enquanto, a estes sobressaltos económico e financeiros e mesmo sociais os BRIC’s que se encontram na linha ascendente do desenvolvimento mas que, por outro lado, sofrem com as assimetrias, com a corrupção e com situações que são típicas de sociedades em que dinheiro fresco circula por uma classe dirigente recente, new comer, nouveau-riche.

[Por exemplo, notícias de ontem dão conta que no Brasil : "a Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira uma operação no Ministério do Turismo que resultou na prisão de 38 pessoas, entre elas o secretário-executivo da pasta, Frederico Silva da Costa.A relação de presos inclui ainda o secretário nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo, Colbert Martins, e o ex-presidente da Embratur Mário Moysés. Apelidada de Operação Voucher, a ação foi realizada em conjunto com o Tribunal de Contas da União e o Ministério Público Federal. Os envolvidos serão indiciados por formação de quadrilha, peculato e fraudes em licitação"]

Por isso, de uma forma ou de outra, são todas as geografias que oscilam, um pouco como quando há ajustamentos nas placas tectónicas.

A velha divisão entre os regimes de leste e os regimes capitalistas e correspondentes regimes agregados, caíu com o muro de Berlim e uma nova ordem parece estar para aparecer.

O que vivemos agora é, em meu entender, o interregno em que uns acordam e outros já não têm forças para andar e em que se ensaiam, com amadorismo e medo, alguns modestos passos a caminho não se sabe ainda de quê.

Pinturas nas paredes do Ginjal - caveiras.


No morro, numa altura incessível, apareceu agora escrito ANONYMOUS
(NB: Este grupo anónimo, que apela à desobediência civil, ameaça agora, entre outras coisas, destruir o Facebook em Novembro)


É nestas alturas que costumam emergir movimentos totalitários que tendem a ser bem aceites por parte das populações. Tomara que não seja isso que vai acontecer dentro de algum tempo.

Seria bom que surgissem Estadistas de mão cheia para redesenhar um novo equilíbrio - mas há tão poucos ou estão com idades avançadas, cansados para tão arrojada e exigente empreitada.

Isto preocupa-me. Um retrocesso civilizacional pode estar para acontecer.

(Como dizia Sophia, que sítio tão frágil este mundo.)


PS:  Esta inquietação toda é deprimente. Por isso, por favor, para aliviarem a mente, deslizem até ao post abaixo: Ingres, Man Ray, odaliscas, violinos e uma mulher à beira Tejo, ao entardecer, são, certamente, melhor companhia que eu...

terça-feira, agosto 09, 2011

A banhista de Valpinçon de Ingres, o Violino de Ingres por Man Ray e Mulher à beira Tejo hoje no Ginjal

Cerca de 100 anos separam a pintura original de Ingres da fotografia de Man Ray, inspirada na banhista; cerca de 100 anos separam a fotografia de Man Ray da que hoje tirei.

E, se aqui a coloco, é apenas porque a posição e o turbante da mulher à beira do Tejo me fizeram recordar as duas mulheres que inspiraram Ingres e Man Ray. Passam os séculos e a graciosidade feminina é sempre a mesma.


A banhista de Valpinçon - Jean Auguste Dominique Ingres, 1808

O violino de Ingres - Man Ray, 1924



Mulher à beira Tejo, hoje no Ginjal

Meu drama é que sou livre - disse Clarice Lispector

"A carga de culpa devia ser jogada com misericórdia também. Porque afinal não somos tão culpados, somos mais estúpidos que culpados. Com misericórdia também, pois. Em nome de Deus, espero que vocês saibam o que estão fazendo. Porque eu, meu filho, eu só tenho fome. E esse modo instável de pegar no escuro uma maçã - sem que ela caia." (in 'A maçã no escuro')

Clarice adolescente, no Rio de Janeiro - composição minha sobre foto

"A certeza de que dou para o mal, pensava (...).

O que seria aquela sensação de força contida, pronta para rebentar em violência, aquela sede de empregá-la de olhos fechados, inteira, com a segurança irreflectida de uma fera? Não era no mal apenas que alguém podia respirar sem medo, aceitando o ar e os pulmões? Nem o prazer me daria tanto prazer quanto o mal, pensava, surpreendida. Sentia dentro de si um animal perfeito, cheio de inconsequências, de egoísmo e de vitalidade." (in 'Perto do Coração Selvagem')

Clarice em sua casa, no Leme - composição minha sobre foto

"Nós dois sempre tivemos medo de minha solenidade e da tua solenidade. Pensávamos que era uma solenidade de forma. E nós sempre disfarçávamos o que sabíamos: que viver é sempre uma questão de vida e morte, daí a solenidade. Sabíamos também, embora sem o dom da graça de sabê-lo, que somos a vida que está em nós, e que nós nos servimos. O único destino com que nascemos é o do ritual. Eu chamava 'máscara' de mentira, e não era: era a essencial máscara da solenidade. Teríamos de pôr máscaras de ritual para nos amarmos." (in 'A paixão segundo G-H.')

Clarice Lispector, bela, e livre - de profundis

"Meu drama: é que sou livre."

"A solidão de que sempre precisei é ao mesmo tempo inteiramente insuportável"


"O resto era o modo como pouco a pouca eu havia me transformado na pessoa que tem o meu nome. E acabei sendo o meu nome. É suficiente ver no couro das minhas valises as iniciais do meu nome, e eis-me." (in 'A paixão segundo G-H.')



PS1: Um dia escreverei sobre Clarice Lispector (1920 - 1977), uma mulher que admiro muito, uma escritora que escreve sobre o indizível, sobre o sopro vital, sobre o inconsciente profundo. Uma mulher inteligente, bela, excêntrica, livre.


PS2: E agora convido-vos a espreitar três mulheres felizes, voando sobre o Tejo. Deslizem, por favor, até ao post abaixo.

segunda-feira, agosto 08, 2011

As minhas Flying Ladies com as Flying Children da Paula Rego

Quando passeio junto ao rio, ao cair do dia, ao cair da noite, vejo coisas fantásticas. Todos os dias vejo coisas fantásticas.

Ou será que são visões? Às vezes, de tal forma, é extraordinário o que vejo que até desconfio que seja mesmo verdade. Não sei.

O que sei é que hoje vi o que abaixo vos mostro. Tirei-lhes mais de uma dúzia de fotografias, cheia de vontade de me juntar a elas. Felizes, riam, voavam. É que eu própria já o disse muitas vezes: um destes dias vou levantar voo e parto voando sobre o rio. Costumam dizer-me para ter juízo, não acreditam que seja possível.

Espero que hoje, ao ver esta fotografia, se convençam.

Há pouco: três mulheres voando sobre o Tejo
 
Flying children, Paula Rego, 1992

(Segundo Paula Rego, esta imagem é parcialmente baseada na Ressurreição de Ticiano, pintada entre 1542 2 1544) 

Patti Smith fala de Robert Mapplethorpe quando eram apenas uns miúdos


Patti Smith e Robert Mapplethorpe - Just Kids



....

domingo, agosto 07, 2011

Get Here (chamamento extraordinário de Oleta Adams)

Não é a primeira vez que aqui coloco esta canção mas, por gostar tanto, tem direito a 'encore'.



You can reach me by railway, you can reach me by trailway
You can reach me on an airplane, ou can reach me with your mind
You can reach me by caravan, cross the desert like an Arab man
I don't care how you get here, just - get here if you can

You can reach me by sail boat, climb a tree and swing rope to rope
Take a sled and slide down the slope, into these arms of mine
You can jump on a speedy colt, cross the border in a blaze of hope
I don't care how you get here, just - get here if you can

There are hills and mountains between us
Always something to get over
If I had my way, surely you would be closer
I need you closer
You can windsurf into my life, take me up on a carpet ride
 You can make it in a big balloon, but you better make it soon
You can reach me by caravan, cross the desert like an Arab man
I don't care how you get here, just - get here if you can


(Letra de 'Get here' da autoria de Brenda Russel)

sexta-feira, agosto 05, 2011

Cherchez la femme

Devenir essentiel - este é uma das chaves do segredo. L’attachante pureté où tout compte – outra das chaves.

E, depois destes dois ensinamentos, adiante.

Nesta segunda feira, regressando ao trabalho num dia triste e chuvoso, contei-vos da minha frustração: tudo aborrecido e nem nos saldos fui bem sucedida.

Pois bem, acham que sou de atirar a toalha ao chão? Claro que não.

Não há roupa de verão? Seja.

Se não podes vencê-los, junta-te a eles, certo? - e eis que hoje, depois de uma investida bem sucedida, regressei a casa já mais animada.

(Por favor, não encolham os ombros, não arqueiem as sobrancelhas, não suspirem entre dentes ‘mulheres…’. Indulgência, por favor. Sou mulher, não nego, adoro ser mulher mas, quanto a futilidades enfim, tenho dias.)

E tão motivada me achei hoje, ao chegar a casa, que me marimbei para a imagem da Dona Teresa Morais, a Dona Moralona, outra vez armada em cavalheiro, outra vez a dar passagem ao ministro da voz de coisinho que fala como se tivéssemos quatro anos, o Vitinho que me aparece à hora de mandar os meninos para a cama, marimbei-me para a crise brava que aí vai e que faz virar o navio europeu, Itália e Espanha já com as calças pelos joelhos, marimbei-me para o volume aterrador da dívida americana, que está a deixar todas as praças com nervoso miudinho, marimbei-me para a crise que começa a rondar o México, marimbei-me para isso tudo.

E que fiz eu…?

Pois imaginem. Juntei as minhas comprinhas e mais umas coisitas, fiz uma instalação e fotografei.

Saldos com um cheirinho saison

Passo então a elencar: uma echarpe (quem costuma visitar esta casa, sabe que adoro echarpes) muito macia, 92% pura lã e 8% de viscose, fínissima, quase transparente, muito leve, em tom chocolate com pintinhas beige, já a dar muito bem para o fim de verão; um colar e uma pulseira Natura, nuns tons prata, cinza, verde água muito claro; um pregador de penas cor de pérola esvoaçantes que apenas fui repescar para compor a imagem; o livro que estou a ler ‘Apenas miúdos’ da Patti Smith que recomendo e um outro de poemas do Rui Caeiro que é óptimo e que estava ali mais à mão e, last but not he least, o elengantérrimo FlowerbyKenzo.

Uma papoila from heaven to kenzo

Quem me acompanha sabe também que, em perfumes, sou Chanel. Têm uma qualidade única, inalterável, têm charme, classe, são quentes e subtis - e eu sou Chanel adicted faz anos. Geralmente uso Chance e, once and a while, um pouco de Numero 5 (já aqui o contei mas nunca é demais: quando perguntaram a Marilyn Monroe o que usava para dormir ela, sexy girl, sorriso malicioso e voz de cama, respondeu ‘umas gotas de Chanel Nº 5’).

No entanto, recentemente, deixe-me de tantas fidelidades e ousei variar. Resultado: gostei. E, assim, tornei-me também fã de She Wood da Dsquared. Hoje fui ainda mais longe na galdeirice. Vi nos saldos aquele frasco lindíssimo de Flower by Kenzo quase a metade do preço (explicação: tinha-se acabado o tester) e tentei-me.

Ou seja, nem deu para experimentar, foi mesmo na base do blind date. Mas, para não me achar indesculpavelmente fácil, armei-me em exigente e fui ler o que dizia a embalagem:

‘Devenir essentiel. L’attachante pureté d’une fragance où tout compte. Rosa Damasceno, Jasmin, Vanille, Encens et un accord de Muscs rémanents. L’essence de FlowerbyKenzo’

Perfeito. Isto é saber o que torna uma mulher especial. Não resisti.

E agora, ao vir escrever isto, espreitei a publicidade e não me senti defraudada, não desmerece. Sensualidade e graciosidade. Subtileza e erotismo. Ça va bien. E o aroma, meus amiggos, muito agradável mesmo. Ah, tomara que amanhã esteja fresco para eu sair à rua já com a minha echarpe macia, comprida, elegante, e toda perfumada com FlowerbyKenzo.

Cherchez la femme.



E agora, para terminar e para dar alguma elevação a este post, partilho convosco um poema perfeitamente integrado no air du temps que atravessa este post. Com vossa licença:


Um sinaleiro invisível manda parar o trânsito
há uma pausa brutal no bulício da cidade
Soa a campainha da porta, entras furtiva-
mente, sorris acanhada e logo começas
a abandonar sapatos e a despir a roupa em gestos
sacudidos. Grande é a importância que me dás
Por momentos tudo vais trocar pelas minhas mãos.

(Poema de Rui Caeiro in O Quarto azul e outros poemas)



PS: Uma palavra de reonhecimento à Margarida de O destino marca a hora que, no seu belo post de ontem, teve a gentileza de incluir a referência a Um Jeito Manso (UJM).

E, já agora, também aproveito para lhe dizer, Margarida, que a inclusão de UJM nas suas  Daily Goods & so on me sensibiliza, e Papier Mâché é uma designação que assenta muito bem ao que aqui se faz. Felicitações pela qualidade geral do blogue e pela inteligência e humor que as classificações demonstram.

quinta-feira, agosto 04, 2011

O making of de Novas Cartas Portuguesas por Maria Teresa Horta


'As três Marias', como eram conhecidas à data

Pouco tempo antes do 25 de Abril, em 1972, o meio cultural português foi fortemente agitado: três mulheres juntaram-se e, para seu prazer, escreveram uma das obras marcantes do período que antecedeu a revolução.

Eram três experiências díspares as suas mas, de forma destemida, estas três mulheres articularam-se num puro exercício de empatia e escreveram um livro inovador, as Novas Cartas Portuguesas, mostrando que ninguém pode calar a voz de mulheres livres. Foi outra mulher corajosa que o publicou, a poetisa Natália Correia.

Apesar da censura social, da acusação de imoralidade e pornografia e do processo que lhes foi movido, Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, três mulheres superiores, nunca vergaram e conquistaram forte apoio internacional.

Maria Teresa Horta, no vídeo abaixo, descreve o processo de escrita e publicação do livro e o calvário que se seguiu. Refere também que o livro está de novo à venda, em nova edição. Eu, pela parte que me toca, já o comecei a oferecer às jovens mulheres da minha família (embora o livro não seja um livro só para mulheres!).

A edição que eu tenho é antiga, da Moraes Editores, com prefácio de Maria de Lurdes Pintasilgo. Fui buscá-lo à estante e neste momento é com carinho que volto a pegar neste livro que foi uma autêntica pedrada no charco que era a sociedade fechada da altura.

Para quem ainda não o leu, aqui deixo o início e o fim deste livro extraordinário.

"Pois que toda a literatura é uma longa carta a um interlocutor invisível, presente, possível ou futura paixão que liquidamos, alimentamos ou procuramos. E já foi dito que não interessa tanto o objecto, apenas pretexto, mas antes a paixão; e eu acrescento que não interessa tanto a paixão, apenas pretexto, mas antes o seu exercício.

[...]

Agarro com as minhas mãos as tuas mãos que já me desprendem para o vácuo.

Nas ancas tenho ainda a marca dos teus dedos; a marca da tua boca, o traço molhado da tua língua, dos teus dentes.

Desço:

         macio deve ser o chão que as árvores conservam com a sua seiva.

Não necessariamente meu amor sem ti a liberdade ou a pressa de morte no meu corpo."




Este livro inspira-se nas Lettres Portugaises, livro anónimo publicado em França em 1669 e composto por cinco cartas supostamente escritas por Mariana Alcoforado, freira em Beja, apaixonada e abandonada pelo seu amante, Chevalier de Chamilly.


A monja portuguesa, Max Ernst  in heaven

quarta-feira, agosto 03, 2011

Nuno Crato anuncia que bastantes professores ficarão sem colocação ou com horário zero e eu, daqui, envio um apelo - a ele e aos professores de português

Possa-mos, quaiqueres, hadem, faria-se, etc, são palavras que aparecem escritas ou ditas com alguma frequência em textos que leio ou em conversas em que participo a nível profissional (e, já agora: também a nível social) – e, para este efeito, estou apenas a reportar-me a casos em que os intervenientes são, no mínimo, licenciados.

Preço de saldo, I presume

(NB: Neste caso, não faço ideia se quem escreveu o cartaz era licenciado...)

A questão do Acordo Ortográfico (AO) não me mobiliza extraordinariamente porque penso que, no domínio da língua portuguesa, há questões mais graves, mais prementes, carências mais básicas a que se deveria atender.

De resto, como leiga, não o conheço o suficiente para me pronunciar. Parecer-me-ia mais adequado que novas grafias fossem pacificamente incorporadas na língua em vez de aparecerem como substitutas das antigas. Desta forma, seria possível ir progressivamente enriquecendo a língua sem ter que violentar hábitos enraizados e - não negligenciável - sem ter que substituir manuais escolares e outros suportes, operação inutilmente dispendiosa. No entanto, não estou certa de que isto vai ser exactamente assim pelo que, sobre o assunto, não me adianto mais.


(Um parêntesis para referir que um absurdo com algumas parecenças, embora a uma escala bem mais específica e bem mais limitada, se observa quando uma empresa muda de logótipo. Veja-se o caso da EDP. De vez em quando a EDP gasta rios de dinheiro, milhões de euros, mudando o logótipo. Não apenas o custo das agências é elevadíssimo como, a partir daí, mudam os letreiros, a publicidade em todos os suportes, as inscrições em viaturas, mudam fardas, cartões de visita, papel de carta – muda tudo. E para quê? Para nada. Ainda por cima, neste caso em concreto da EDP, a mudança foi para pior, uma piroseira ridícula).

Todas as discussões que giram em torno do AO, são sem dúvida, muito pertinentes mas o que me parece, de facto, mais grave, mas mesmo preocupantemente grave, é a iliteracia de grande parte dos jovens que, de há uns largos anos a esta parte, vêm saindo das escolas, especialmente, como é óbvio, os que vêm de cursos de, por exemplo, gestão, economia, informática, engenharias.

Há muito tempo que defendo – mas não defendo nos sítios certos porque, nesta matéria, não tenho acesso a qualquer centro de influência – que todos os cursos, todos, sejam de gestão, sejam técnicos ou sejam do que for, tenham em cada semestre até ao fim do curso, disciplinas obrigatórias ligadas à língua portuguesa.

Tenho difiuldade em aceitar que pessoas com formação académica superior e, muitas vezes, cargos de responsabilidade, cometam atrocidades ao falar ou escrever. É uma vergonha.

Uma pessoa inculta, que não sabe respeitar a sua própria língua, dificilmente será uma pessoa apta a intervir de forma responsável e construtiva no desenvolvimento do seu País. (Escuso de completar que uma pessoa inculta que nunca lê livros vive num mundo tão pequeno, tão fechado, que dificimente pode dar contributos de fôlego para o que quer que seja)

Tanta luta que vejo do lado dos professores (pela carreira, pelo modelo de avaliação, ou pró ou contra o acordo ortográfico) e nunca vi aquilo que me pareceria a mais justa reivindicação: o alargamento do ensino da língua portuguesa a todos os cursos superiores (e, já agora, faço notar um dos muitos efeitos colaterais que isso teria: o aumento de postos de trabalho na área do ensino; e, já agora, um outro: o aumento da venda de livros, com o também consequente aumento de postos de trabalho).

Tenho lido que Camilo Castelo Branco foi retirado da lista de autores obrigatórios  e isso vem causando compreensível contestação (penso que é isto mas, como é uma discussão que me parece relativamente acessória, não tenho prestado excessiva atenção).

Camilo Castelo Branco e o seu amor, Ana Plácido

Face ao que acima referi, a questão central parece-me ser outra: o ensino da língua não deveria, de forma alguma, ser interrompido no final do ensino secundário para os cursos que não os de literatura. 

Se o ensino da língua fosse alargado de 4 ou 5 anos, a complexidade dos autores já poderia ser progressiva, desde a infância, passando pela adolescência, até á idade adulta.

Eu, que adoro ler desde pequena e que não segui as humanidades, no liceu passei como cão por vinha vindimada por Júlio Dinis, Camilo, Antero e, mesmo, Camões. Não tinha maturidade suficiente, nada daquilo me interessava, aqueles textos eram de difícil entendimento e, logo, o que me despertavam era, na melhor das hipóteses, indiferença.

Além disso, pelo menos na altura, nas aulas de português os textos eram basicamente matéria prima para explicar conceitos abstractos relativos ao género ou para exemplificar regras gramaticais. Do que me recordo, qualquer texto era sistematicamente esquartejado em orações, e, a esta distância, se traduzir em palavras o que na altura sentia, direi que a gramática apunha sobre os textos uma densa camada do que me parecia ser uma burocracia literária que tirava a graça ao que quer que fosse.

No entanto, nessa altura, por conta própria, deleitava-me eu com os romances de Fernando Namora, José Rodrigues Miguéis, Augusto Abelaira, etc (e, nos não portugueses, com Pearl Buck, Eric Maria Remarque, Somerset Maugham, etc).

Fernando Namora de quem, na altura, li tudo:
As sete partidas do mundo
A casa da malta
....

Por outro lado, se temos os clássicos, temos também numerosos autores contemporâneos de qualidade que, certamente, serão mais motivadores para jovens com 15 ou 16 anos. Ou seja, neste contexto, não obrigar a ler Camilo parece-me um mal relativo.

Lembro-me do meu filho mais novo (desde cedo leitor assíduo, leitor exigente) que, sendo da área das ciências exactas, desesperava aos 15 ou 16 anos para conseguir ler os Maias, leitura obrigatória. Várias vezes assisti às fúrias que o levavam a atirar o livro para o chão quando, estando deitado no sofá, como costumava estar sempre que lia, não passava das longas narrativas iniciais, ‘não tenho paciência, não consigo, estou farto de ler e não passo dos cortinados!’, ironizava ele, sinceramente desesperado.

Eça de Queiroz

Ora, de certeza que o teria lido com mais gosto, sabendo ler em diagonal as páginas sobre a descrição do casarão, se o tivesse lido mais tarde, já com alguma maturidade.

Não é uma contradição absurda, a situação actual, em que, grande parte dos miúdos, mal sabendo falar e escrever correctamente, seja obrigada a ler autores que, para eles, são ‘uma estucha’?

Não seria preferível ensiná-los, de uma forma adequada, a saber falar e escrever, de forma consistente, ao longo de um período alargado, e, com mais tempo, ir introduzindo a literatura de uma forma progressivamente mais complexa?

(E, quando falo em complexidade, não me refiro forçosamente a complexidade linguística. Basta que sejam temas desajustados para a idade, para os hábitos correntes, para que se tornem complexos. Um jovem com 15, 16 ou 17 anos - habituado aos jogos de consola, às redes sociais,  a sms com palavras abreviadas e símbolos que exprimem sentimentos, a praticar desporto, a sair com os amigos - estará desperto para, por exemplo, compreender dramas passionais entre adultos, adultérios, incestos? Eu acho que não.)

Resumindo:

O ministro de quem muito se espera - vamos ver se está à altura das expectativas

Alô, alô, professor Ministro Nuno Crato!

Alô, alô, professores deste país!

Alô, alô, reitores deste país!

Prolongue-se o ensino da língua portuguesa até ao final de todas as licenciaturas! Ensinemos a gente deste país a falar, a ler e a escrever! 


[Dada a altura em que estou a escrever isto, com meio mundo de férias, provavelmente voltarei ao tema mais tarde. Gostaria também de escrever alguma coisa sobre a minha opinião àcerca do ensino da matemática e da avaliação de professores. A ver se um destes dias o faço.]


PS:. Aos estóicos que chegaram até aqui: caso queiram mudar de ares, podem deslizar até à sala da Carla Vasconcelos onde se encontra o Rui Unas e, se quiser ver os melhores corpos do ano, desça ainda um pouco mais.

terça-feira, agosto 02, 2011

Carla Vasconcelos e Rui Unas no 5 Para a Meia Noite (RTP 2)

Para quem ontem não viu, aqui vos deixo um cheirinho de um grande programa: ontem Carla Vasconcelos estreou-se no 5 para a Meia Noite e foi uma muito agradável surpresa.  O convidado foi Rui Unas.

Inteligente, oportuna, brejeira qb, engraçada, informada, não invasiva, Carla Vasconcelos esteve muito bem. Cinco estrelas para esta nova estrela.

Rui Unas, já se sabe, é sempre uma aposta ganha a priori. Com um sentido de humor certeiro, inteligente, é sem dúvida um homem interessante e uma presença televisiva muito forte.

Por isso, o programa de ontem foi uma coisa boa de se ver.

Helen Mirren e David Beckham, melhores corpos do ano, segundo sondagem feita em ginásios californianos

Helen Mirren, a rainha de 66 anos

Nas mulheres, deixou para trás, Elle Macpherson, conhecida por 'The Body', 48 anos e Kelly Brook de 31 anos.


David Beckham, rei aos 36 anos

Nos homens, para trás ficaram Daniel Craig, de 43 anos e Johnny Depp de 48. Brad Pitt, imagine-se, ainda ficou depois.


(A sondagem envolveu 2.000 inscritos em ginásios californianos.)


Vale o que vale - como se costuma dizer quando se sabem os resultados das sondagens.

Rentrée chuvosa, saldos imprestáveis, notícias para esquecer (Vitor Gaspar paga ao BIC para ficar com o BPN, Álvaro e os transportes, Relvas e a RTP, Obama de gatas, etc)

Um período de férias de apenas duas semanas é um tiro no pé. Mal começam, já está o fim à vista; três semanas é a conta certa (quatro, o ideal).

Este ano, por razões imprevistas, teve que ser assim mas a ver se não caio noutra. Ainda por cima, atarefadas que foram (mas boas!), recomecei a trabalhar mesmo a precisar de férias.

O que vale é que, para o sofrimento não ser excessivo, o tempo travestiu-se de Outono; até me parecia que tinha retrocedido no tempo e estava a voltar ao liceu depois das férias grandes, os dias mais curtos, uma chuva miudinha, a temperatura a pedir um agasalho.

Ou seja, back to the big city - o mesmo é dizer que, apesar de, quando em casa, estar mais perto do céu, já não estou in heaven.

Quando me levantei fui logo à janela, lavar o olhar no rio. Ah, que bom viver numa casa with a view.

A Ponte Vasco da Gama sobre um Tejo calmíssimo
onde um navio ao largo parece um pequeno ponto de luz encarnada

Pelo caminho, com pouca vontade de retomar já o trabalho, ia a pensar, ‘o que vale é que, à hora do almoço, me vou desforrar nos saldos’.

Era assim que eu já me via a regressar dos saldos

Quando chegou a hora, saí, lampeira mas, quando cheguei ao local onde costumo almoçar, vi logo que a coisa não estava de feição. Gente e mais gente e mais gente. Com o tempo assim, em vez de irem para a praia, os veraneantes foram todos almoçar ao centro comercial e aos saldos. Só para almoçar estive uma hora: o restaurante a deitar por fora, um stress, o tempo a passar e eu ali à espera de ser servida.

A seguir, passei pelas lojas para que já estava de pezinho feito e… decepção: restos imprestáveis, um deprimente fim de festa.

Pensei, ‘nada de desesperos, há sempre a Zara, bora lá’.

Qual quê? Gente e mais gente e mais gente, mairitariamente africanos e brasileiros, famílias inteiras, crianças aos gritos, velhos infelizes, pelos cantos, cansados, carregados de sacos, velhas de olhar perdido a quererem gastar dinheiro e sem saberem para onde se virar, novas a remexerem freneticamente em tudo, carregadas de cabides a caminho dos provadores, outros de calção e chinelos como se tivessem saído de casa para ir à praia e, face à chuva, tivessem dado meia volta e ficado logo ali, num despreparo. Ou seja, uma confusão, uma barafunda, uma desmotivação.

Pensei: 'no problem, já enfrentei desafios bem mais complexos'.

Àquela hora já devia estar a caminho do emprego e ainda ali estava - tinha que justificar perante mim mesma a demora, tinha que ser capaz de comprar alguma coisa nos saldos. Persistência e olho vivo, mulher!

Qual quê? Quase tudo já roupa de Outono! No primeiro dia de verão e já quase só se encontra à venda roupa de Outono. Quem é que tem motivação, a meio do verão, para comprar roupa quente?

Zara Outono/Inverno

Pensei, ‘Caraças, hei-de descobrir alguma coisa de verão’. Circulei, circulei, circulei e lá acabei por pegar numa tshirt preta com uma cabeça de pantera à frente, quase que só se vêem os contornos e os olhos verdes, gira, uma boa compra, 5,99€ mas que, of course, não vou poder usar no trabalho (noblesse oblige) e que, há pouco, ao chegar a casa, vi que é completamente transparente - ou seja, tem que ser vestida com um top por baixo o que é capaz de a tornar demasiado justa.

Ou seja, cheguei tarde e derrotada. Que chatice, isto tudo.


E depois, no carro só notícias de treta:

. O BPN vendido aos angolanos do BIC por tuta e meia (40 milhões) e o Estado ainda tem que meter lá 550 milhões de euros e ainda vai ter que indemnizar as centenas de pessoas que vão para a rua, despejadas juntamente com o passivo indesejável - e não sei porquê mas fico chocada com o rumo que isto está a tomar,

. O Álvaro muito compungido a dizer que ele, antes (presumo que no Canadá, quando ia dar aulas) ia de transportes públicos pelo que imagina que este aumento penalize as pessoas - e não sei porquê mas acho que este tipo não faz a mínima de que a vida em Portugal não tem nadinha a ver com a vida no Canadá,

. O inefável Miguel Relvas, com voz etéreo, a dizer que os resultados na RTP estão a ser muito agradáveis mas que a reestruturação não é incompatível com a privatização - e não sei porquê mas acho que mais que com um avental, ele está é com uma tremenda saia justa: se ficar o bicho pega, se correr o bicho come,

. Lá por fora, a crise vai brava por todo o lado: o HSCB vai despedir 30.000 pessoas nos próximos 2 anos - e isto assusta-me porque a economia a esfriar desta maneira é uma paragem no desenvolvimento,

. Os juros da dívida em Espanha e em Itália estão a disparar - e isto assusta-me porque se eles se afundam, não haverá como lhes deitar a mão,

. Obama, que conseguiu o acordo que evitou a bancarrota americana e a derrocada mundial, teve que vergar perante os republicanos, fazendo-lhes todas as vontades - e isto dá-me pena porque é um hiato (espero que apenas um hiato - não uma capitulação) na tentativa de justiça social que Obama tanto gostaria de imprimir nos EUA,

. Os russos e os chineses estão contentes com o acordo americano mas muito apreensivos com o escalar exponencial da dívida americana - e eu fico preocupada porque os EUA flutuam num colossal colchão de ar que é só dívida e, se um dia esse colchão estoura, não sobra para ninguém,


E agora digam-me vocês, se forem capazes: depois de umas míseras duas semanas de férias, depois de uma mísera sortida aos saldos, quem é que aguenta tanta desgraça, quem é que aguenta uma coisa destas?

(Também ouvi coisas boas como, por exemplo, que Bruxelas vai antecipar 630 milhões de euros em fundos para ver se reanima a economia portuguesa – mas o que é isso nas mãos desta gente que se mostra insensível, com uma visão desfocada da realidade, com uma mentalidade ultra liberal, que ignora a história e as consequências fatídicas que demandas desta natureza têm tido nas nações onde são perpetradas?)


Pronto, já perceberam, não foi? Estou com uma neura... Não vos maço mais.

segunda-feira, agosto 01, 2011

Sergio Batista e Michele Catalano, ambos com pouca sorte; Zara Philips dá o nó e Roberto Leal é o Último a sair (silly, silly season)

1. A minha solidariedade

Sergio Batista deixou de ser treinador da selecção da Argentina e eu tenho pena. Aquele homem tem quelque chose e gosto de vê-lo na posição de vencedor, não assim.

Sergio Batista, nascido em Buenos Aires em 1962

Em tempos disse dele que não se trata, for sure, de um commodity man e usei o seu exemplo para ilustrar a 'receita de homem especial', um dos meus posts mais vistos.


2. A minha indiferença

Leio no Expresso: Na prisão de Ucciardone, em Palermo, vai deixar de ser permitido usar roupas Armani, Gucci, Versace, etc. A decisão é da recém-nomeada governadora da prisão, Rita Barbera.

As mulheres dos mafiosos (tais como Michele Catalano), dizem que os maridos vão ter que andar nus porque é a única roupa que têm.

Acho que Rita Barbera vai inspeccionar, ela própria, cada uma das celas.

Como não costumo visitar presos em Palermo, a notícia deixa-me indiferente.

Cristiano Ronaldo, um Armani boy
Vamos ver é se Cristiano Ronaldo não se mete em mais barafundas privadas com as meninas marroquinas amiguinhas de Berlusconi, não vá o diabo tecê-las e ainda ir parar a alguma prisão em Itália. Lá teria que andar sem underwear, que maçada.


3. Na auspiciosa data, os meus votos de felicidade

Casou-se mais um neto da rainha Isabel: Zara Philips casou-se com Mike Tindall, jogador de râguebi.

CAsamento real: Zara e Mike

Parece-me um casal normal, feliz, dá gosto ver. Nada de sorrisos de circunstância, a boa disposição estava patente na cara dos noivos. O noivo, então, dá ideia de ser um bacano.

Quanto à mãe da noiva, parece que ia de gueixa. Coisas lá dela, que tem gostos pouco consensuais.

Princesa Ana, no casamento de Zara

4. Os meus parabéns

Roberto Leal, a inesperada revelação, foi o o justo vencedor de 'O último a sair'. Gostei!
Roberto Leal,  'o brasileiro', uma surpresa

Mas os dois participantes que ficaram em 2º e 3º lugares também tiveram grande mérito.

Luciana Abreu e Bruno Nogueira

De parabéns, sobretudo, quem teve a genial ideia deste programa, quem soube reinventar o humor com tanta consistência e quem arriscou na escolha dos participantes. Chapeau!


Extra-numeração. Coisas que me deixam sem saber o que pensar

Kapinha ganhou o Perdidos na Tribo.  Parece que foi consensual. Mas quem encerrou o programa na TVI foi a 'biiiiiiiiiiiiiiiiiichaaaaa....!', José Castelo Branco.

A irmã gémea de Helena Garrido, aqui em versão wild girl

Pelo que tenho visto na TVI, que repetiu várias vezes esse momento, José Castelo-Branco proferiu uma afirmação lapidar que ficará, sem dúvida, para a história: 'É como as pilinhas: cada um mexe na sua'.

O que dirá a Senhora Dona Lady a isso?