Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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terça-feira, setembro 30, 2014

Outono in heaven


No post abaixo, que muito vivamente recomendo que não deixem de ver e ouvir, mostro a cerimónia durante a qual Cate Blanchett discursa ao receber uma título honorífico numa universidade em Sydney. 

Mais abaixo ainda, mostro a actriz Lupita, muito justamente considerada uma das mulheres mais belas do mundo, falando da sua vocação.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, apetece-me falar do outono. Ando com uma pendência mas é assunto tão fétido que me custa deitar-lhe a mão.

Por isso, permitam que vos conte do outono in heaven.



Vamos com música, por favor.




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O portão grande é o palco onde a glicínia exibe a sua volubilidade de mulher. Umas vezes florida, toda ela lilás, outras verde, outras dourada como agora. E, conhecendo-a como a conheço, mulher dada a despudores, não tarda tê-la-ei nua, enleando-se, tentadora, no varão do portão, no coração de quem por aqui ousa entrar.






O outono é a estação erótica, com os seus frutos de água, as florestas nascidas de um incêndio de seios, os rios engrossados pela chuva do desejo. 






Este anos quase não houve dióspiros, o fruto do desejo, carne macia escorrendo em doçura. Este último rebentava, suculento, pedindo a minha boca. Fotografei-o e depois, gulosa, comi-o.






As uvas estavam cheias de mel e ouro, felizes e ternas sob esta luz suave de outono. Fiquei-me a olhá-las como se nelas residissem todos os segredos do universo. Depois também as comi e, quando as tinha já dentro de mim, pensei que dentro de mim, estavam, então, todos os segredos do universo. E que o mel e a luz que as dourava iria correr nas minhas veias, inundar o meu coração.






Eu podia alimentar-me de frutos, de bagas, de queijo, de mel, de pão, de vinho, de luz, de palavras.

Por esta altura os medronhos começam a ficar macios, derretem-se em doçura na boca. Depois olho os que ainda não encarnaram e penso que, se os deixo, os pássaros vão chegar antes de mim. Mas, também por isso, deixo-os. Sei que quando lá voltar já não os encontrarei mas esta terra é mais dos pássaros do que minha.






E há os milagres, a natureza que se antecipa. A nespereira esconde as flores que, em pleno outono, já despontaram.

Desde pequena que sou doida por nêsperas. O meu avô tinha uma nespereira enorme no quintal e trepava lá bem acima para ir buscar as mais carnudas para mas dar. Desse tempo, guardei o ferro com ponta arredondada com o qual ele puxava os ramos para conseguir apanhar a fruta que estava mais alta. Quando ele morreu, pedi ao meu pai que guardasse esse ferro para mim. É com ele que tantas vezes puxo as nêsperas que vêm sorrindo juntamente com a recordação desse meu avô, tão amigo.





A grevílea robusta continua a crescer. Está quase uma jovem adolescente, espigada, frágil. 

Tenho contado isto muitas vezes e aqui tenho dado conta do seu crescimento. 

Conto de novo: num dia de vendaval, a árvore original partiu-se, ficou um tronco triste, quebrado. Tive um grande desgosto e não deixei que o meu marido a cortasse, tinha esperança que voltasse a despontar. Mas era triste demais para ficar assim, sem vida, e o meu marido serrou-a junto ao chão. Até que no ano seguinte, para nossa alegre surpresa, percebemos que um pequeno rebento surgia junto ao tronco.

Desde então o meu marido tomou-a a seu cuidado, pequeno ser perfilhado. Rega-a no verão, vigia-a. E ela, sentindo-se estimada, vai crescendo. Temo sempre por ela, quando o vento sopra com força. Mas talvez seja mais forte do que parece com as suas folhas de renda macia.






E, por falar em renda, vou andando pelo campo e fotografo o que, em tempos, foi um saco de ráfia que guardava adubo. O tecido vai-se desfazendo, alourando, e eu gosto de o ver, fundindo-se com a caruma, com o musgo, com a terra, regressando à sua origem, ao seu destino.



Conto cada um dos seus dias por uma tabuada de expectativa. Estendo os minutos na tábua de engomar das emoções; e vejo-os dilatarem-se com o calor até uma eternidade efémera que a alma absorve, como se fosse o seu destino.






Aprendo a vida pelas folhas caídas das árvores. Deito-me sobre elas, até sentir a humidade da terra; e o teu corpo materializa-se num puro impulso de fêmea, soltando-se de entre as páginas do campo, ainda fechadas, como se o livro das estações mantivesse a sua virgindade no ciclo natural do tempo. 





Vejo-te, então, à transparência das palavras, sacudindo os cabelos de cima dos ombros, num vento de vertigem.






As aves da noite caem dos teus olhos, com a branca humidade dos muros.






Roubo-te aos lábios um bater de asas; e o ritmo pontua o verso com que respiras.





À minha frente, para lá do meu bocado de terra, tenho o espaço imenso, o horizonte que os meus olhos tocam mas as minhas mãos não. A serra ao longe vai ficando azul e o azul vai cobrindo, como um veludo, as árvores, as terras, as casas ao longe.

Por vezes, ouve-se o estampido de um tiro longínquo, um cão que ladra, os pássaros que piam quando a noite começa a tombar, as folhas que dançam, um gato que corre, furtivo. Por vezes também, passa no ar o perfume de uma lareira que se acendeu, o cheiro fértil da terra húmida, o perfume dos pinheiros.

E eu sinto-me um bicho, e queria saber o silêncio, a doçura, o cheiro dos animais inocentes que aqui habitam, queria ser tão inocente e feliz como eles. 


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A música é Serenade de Schubert

Os textos em itálico compõem o primeiro de Oito fragmentos de Nuno Júdice in 'O fruto da gramática'


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Permitam-me que relembre que, descendo um pouco mais, poderão encontrar um vídeo imperdível, um excelente discurso de Cate Blanchett, um discurso que deveria passar a toda hora nos locais onde Passos Coelho e a sua troupe estivessem, a ver se aprendiam alguma coisa. Mais abaixo ainda, poderão ver uma outra mulher igualmente bela e que vai a caminho de ser igualmente talentosa, a bela Lupita.


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E, assim sendo, ainda não foi hoje que me debrucei sobre a D. Cristina Ferreira do Norte, a madame blue bag das campanhas do PSD. Mas não perde pela demora.


Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça-feira.


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Cate Blanchett, Doctor of Letters honoris causa pela Macquarie University, dá uma lição que Passos Coelho, putativo responsável pelas salsichas cultural, investigadora, artística, já para não falar na chamada salsicha educativa, deveria ouvir com muita atenção.



Depois de no post abaixo ter mostrado Lupita, a bela, falando da sua vocação e dos passos que foi dando até conseguir começar a concretizá-la, aqui, agora, continuo no cinema. 

Cate Blanchett, uma mulher que é muito cá de casa, vai vendo o seu mérito reconhecido por toda a parte e das mais variadas formas. Mulher inteira, mulher livre, mulher aberta à aleatoriedade, à oportunidade, à criatividade, ao conhecimento, Cate Blanchett recebeu mais uma prova de como a sociedade aprecia a sua inteireza, a sua arte, a luz que de si emana.

Depois de todos os prémios da indústria do cinema (Oscares, BAFTA, Globos de Ouro, etc), depois de ser feita Chevalier de l' Ordre des Arts et des Lettres pelo governo francês em 2012, eis que, no dia 25 da semana passada, Catherine Élise se tornou a Drª Cate.

Actor Cate Blanchett has received a Doctor of Letters honoris causa from Macquarie University today, recognising her extraordinary contribution to the arts, philanthropy and the community.




O discurso que Cate fez deixou os alunos presos e alguns professores manifestamente derretidos. Tenho pena de não haver nenhum vídeo com legendas pois admito que alguns de vocês, meus queridos Leitores, possam ter alguma dificuldade na compreensão. Mas, mesmo assim, arrisco colocá-lo aqui pois só a toada da sua bela voz vale a pena.

As palavras de Cate são uma ode à arte, ao conhecimento, à aleatoriedade que é tantas vezes a base na qual assenta a criatividade ou a oportunidade para a descoberta.

Gente como Passos Coelho, Nuno Crato, Xavier Barreto, cassandras como os Medinas Carreiras desta vida e tantos outros que acham que apenas o que é directamente vendável deve ser estudado, deveriam sujeitar-se a uma sessão de hipnose para ver se palavras como as de Cate conseguem produzir algum efeito dentro daquelas cabeças ocas. Mas temo que nem assim. O negócio deles é mais salsichas.

The arts are what we stay alive for, what we work for all week, what we dream about, what connects us and indeed, what some will say makes us human... Within this broad church is housed a myriad of professions - professions which some of you will participate in, help change, shape and evolve and I'd like to say today that it is the arts that have always been the driver of innovation and exploration.
disse Cate Blanchett







Uma inspiração.

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E, se me permitem, deixem que vos aconselhe: já abaixo podem ver Lupita, outra mulher muito bela.


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O princípio da história de Lupita, uma das mulheres mais bonitas do mundo



Bela, luminosa, orgulhosa, sorriso feliz, Lupita Nyong's (31 anos) conta como descobriu a sua vocação e os passos que deu para chegar onde chegou. A simplicidade é uma qualidade encantadora.






Lupita em 12 YEARS A SLAVE ("Soap") 
no qual ganhou o Oscar para melhor actriz secundária



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segunda-feira, setembro 29, 2014

António Costa ganhou as primárias do PS de forma inequívoca e vai avançar como um bulldozer infalível sobre o governo de Passos Coelho. O PS está em festa. Marcelo Rebelo de Sousa, pela parte do PSD, face aos resultados, já começou a despedir ministros. E lembrou ao vice-Portas que é suposto estar presente na coligação. Na actual.


António Costa, o senhor que se segue. Finalmente!


Resultados finais: 

68% para Costa
32% para o Seguro

(Numas eleições enormemente participadas:
creio que votaram umas 170 a 180 mil pessoas)



Não vou agora pôr-me aqui armada em isenta e a dizer coisas de circunstância. Sabidas que são as minhas preferências, claro que estou muito contente. António Costa ganhou as primárias para escolha de candidato a primeiro-ministro por parte do PS de forma estrondosa, esmagadora.



Tenho que confessar que foi com emoção, verdadeira emoção, que vi aquela massa de gente em festa, alegre, pronta para a luta.

O PS andava sombrio, atrás de um líder no qual não se revia. Hoje a energia retida soltou-se e soltou-se em festa, com muita alegria.

Quando Costa pegou no cravo que tinha na lapela e o devolveu aos apoiantes, dizendo que o cravo era deles, sorri. Gosto de gente inteligente e com sentido de humor. À bon entendeur, salut! 


António José Seguro,
o conhecido biquinho mesmo na hora do adeus.
Bye, bye, Tozé,

António José Seguro saíu de fininho nesta noite em que (finalmente!) percebeu que não era querido e ter-se-ia poupado a este desgosto se tivesse sabido ler os sinais. Demitiu-se e abandonou a sede do PS no Rato. 


Era mais do que expectável, pena que não o tivesse percebido antes. Ainda este domingo, ao votar, disse, com ar entusiasmado, que estava muito, muito, muito confiante. Quase me deu pena, palavra.

Querendo ganhar tempo, pensando que conseguiria minar o aparelho, sem o querer acabou por estender uma passadeira vermelha a António Costa. 

O PS e os seus simpatizantes uniram-se em torno de alguém que tem carisma e espírito de liderança, que tem demonstrado uma personalidade forte e um bom carácter, que é culto e boa pessoa, e isso é aquilo de que os líderes devem ser feitos quando almejam governar e conduzir um país. A isso juntam-se os ideais que professa, os ideais democráticos, de liberdade, de solidariedade e desenvolvimento. Ou seja, tem estofo para ser um bom governante. Assim tenha sorte e assim saiba dar corpo ao que se espera dele.

Não sou seguidora de religiões pelo que muito menos tenho arroubos místicos perante uma pessoa tão terrena como eu. António Costa não deve ser visto como um messias para que não venham depois os desapontamentos pueris. Mas acredito que António Costa tem uma força e uma consistência que corporiza bem o espírito de mobilização que pode fazer levantar um país.

Não consigo conformar-me com a actual governação, levada a cabo por alguém que não me merece consideração. A anterior experiência profissional de Passos Coelho jamais poderia dar-lhe preparação para voos mais largos. Acresce a isso o pensamento errático, avulso e inconsistente que se lhe conhece, e uma maneira de ser fria, insensível, desagradável. Não devia saber gerir uma empresa com meia dúzia de pessoas, quanto mais um país.

O País tem sido envergonhado, vergado, sacrificado, seviciado às mãos desta troupe que nos desgoverna. O País quer, obviamente, ver-se livre de Passos Coelho e da sua estúpida política.


António Costa tem agora a responsabilidade de saber mobilizar o país tal como mobilizou os militantes e simpatizantes do PS.


O abraço de Carlos do Carmo a António Costa


Gostei de ver aquela sala enorme em festa, gostei de ver aquela alegria, os sorrisos abertos, a esperança que começa a desenhar-se.


Maria Antónia Palla, a emocionada e feliz mãe de António Costa


Gostei também de ver António Costa ir dar um beijo e receber um apertado apertado da sua mãe, Maria Antónia Palla, antes de subir ao palco para a festa.
Aos jornalistas que queriam saber o que desejava para o filho, Maria Antónia Palla respondeu que o que deseja é saúde e que seja feliz e que consiga concretizar os seus projectos. Também eu.

Gostei também de sentir o toque pessoal de António Costa ao agradecer o carinho da mulher e dos filhos sem o qual não conseguiria prosseguir este percurso. A família, sorridente, ar orgulhoso, retribuíu a emoção com alegria.


A mulher de António Costa, Fernanda Tadeu, e os filhos, Pedro e Catarina, felizes.



Uma palavra para a reacção de Marcelo Rebelo de Sousa que estava a acompanhar isto na TVI, no seu comentário semanal com Judite Sousa. 


A propósito da barraquinha que aí está armada relativa à Tecnoforma e à ONG,  parecendo que estava a desculpar Passos Coelho por ser desleixado, não guardando papéis, acabou por dizer que ele se tinha chamuscado com isto e recomendou-lhe que mostre rapidamente as contas relativas ao que recebeu e se deixe de mas, mas


E, a seguir, face aos resultados nas eleições do PS, largou os paninhos quentes e confessou que agora a oposição, com António Costa, vai ser a doer. Disse que conhece, e bem, António Costa, que foi seu aluno, um aluno brilhante e que, como adversário é temível.  E que Passos Coelho o melhor que tem a fazer é remodelar já o governo, deixando cair de imediato os dois ministros que estão a causar mais embaraços, a da Justiça (que não vai ser possível andar com ela ao colo por mais um ano) e o Crato (que é mais sonso e escorregadio que Paula Teixeira da Cruz mas que também não dá) e também Poiares Maduro que não é capaz de fazer qualquer coordenação política, quanto mais conduzir as coisas até às eleições


E, de caminho, aproveitou para dar uma canelada a Portas, dizendo que está fora quatro em cada sete dias e que qualquer dia Passos Coelho tem que se disfarçar com óculos escuros e ir fazer-lhe esperas para o aeroporto, para o lembrar de que faz parte de um governo de coligação.



Para esses mesmos Passos Coelho e Paulo Portas, António Costa deixou o seu primeiro grito de guerra: este é o primeiro dia dos últimos dias do actual governo.


Assim seja.


António Costa tem consigo todo o partido e todos os simpatizantes.
O País pode contar com António Costa: assim ele o disse e assim eu acredito




Rodeado por abraços apertados, com muito afecto, num contacto estreito e muito humanizado, António Costa saíu em glória da festa e, perguntando-lhe a jornalista o que ia agora fazer, com aquele seu sorriso aberto, disse: Agora vou beber uma imperial.


Bem a merece. Saúde!

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Tenho estado a ouvir a miríade de comentadores que pousaram nos balcões da grande pastelaria em que se transformou a televisão. Há sortido para todos os gostos e opiniões novas, velhas, requentadas, mascaradas, acrobáticas. Um dos factos desta noite que mais motivou e, até, comoveu os comentadores foi a ausência de uma palavrinha por parte de Costa ao Seguro. As pessoas gostam de ver quem está por cima a dar uma esmolinha aos vencidos, ou gostam de assistir a uma farpazita espetada com 'grandeza' mas que se sabe que vai doer como uma humilhação. Estavam à espera disso, daria pano para mangas.

Como Costa omitiu a dita palavrinha, aqui d'el rei.

Pois cá em casa a opinião é diversa: Costa não foi hipócrita. Andou a ser apodado de traidor e ganancioso durante meses, foi insultado publicamente, foi alvo de toda a espécie de ofensas por parte de Seguro. É, pois, mais do que natural que esteja maçado. O que quer que dissesse, não lhe saíria do coração.

Por isso, ou se esqueceu ou se fez esquecido e nós, cá em casa, compreendemo-lo. Mas Costa é um homem com um bom coração e, por isso, logo, logo, vai ser capaz de encontrar o tom e a oportunidade para dar a mão a Seguro.


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Tenho pendente o assunto do Menezes e da D. Cristina Ferreira mas fica para amanhã ou depois. Hoje fico-me por aqui.

Mas, para os que não alinham pelo mesmo diapasão que eu e que não gostam de António Costa nem acreditam que, com ele, chega um sopro de esperança ao País, e para não darem a visita ao Um Jeito Manso por perdida, aqui deixo: 

Imagine - John Lennon - Playing For Change


(Um projecto invulgar e que se traduz em coisas muito boas de ver e ouvir)


A dream you dream alone is only a dream
A dream you dream together is a reality 

John Lennon



The Playing For Change crew began work on a new Song Around the World, John Lennon's "Imagine." It has been an amazing year of production, taking the crew from the favelas of Brazil to the shrines of southern India, from villages in Nepal to the glittering urban landscape of Tokyo and New York, and beyond.

The campaign seeks to advance John Lennon's vision of peace by engaging artists and audiences to contribute to music education programs worldwide. Proceeds raised will help build music schools, support teachers and music programs, purchase instruments, and connect schools for cross-cultural learning and conflict resolution across borders. 


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela semana a começar já por esta segunda-feira.


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domingo, setembro 28, 2014

Marques Mendes, na SIC, a propósito da ONG ligada a Passos Coelho e à Tecnoforma, confessou que às vezes, quando lhe pedem, empresta o coiso. E, do que se sabe, pedem-lhe o coiso muitas vezes. Face a isso, só me ocorre perguntar: será que ainda está em bom estado? Não é que me interesse, atenção! - A propósito: estive a ver a Casa dos Segredos e aquilo é mesmo do melhor que há.


Depois de no post abaixo ter mostrado o big laço da Joana Vasconcelos para a Dior e de ter mostrado Lagerfeld a dizer que adora a rapariga e de, mais abaixo ainda, ter mostrado umas quantas icónicas* a falarem da moda Dior para esta saison, aqui, agora, faço um intervalinho, mais para me divertir do que outra coisa.


Marques Mendes no comentário semanal na SIC,
este sábado com Pedro Mourinho - o indisfarçável incómodo



Claro que vi o comentário do pequeno arauto do regime. Como seria de esperar, estava de saia muito justa. O Pedro Mourinho não tem a gentileza de Maria João Ruela pelo que lhe fez uma ou outra pergunta que deixaram o arautozito toda coradinho.

Sobre a ONG, sobre o esquecimento de que ele próprio, Marques Mendes, tinha padecido na altura em que lhe perguntaram sobre a sua intervenção na criação daquele veículo (sim, porque do que se conhece, a ONG da qual Passos Coelho era presidente e a Tecnoforma mecenas, não passava de um ardiloso veículo), foi vê-lo ruborizado, a patinar. Claro que sendo macaco de rabo bem pelado, Marques Mendes disfarça bem a atrapalhação. Mas toda a sua expressão corporal, todo ele, era uma encenação para disfarçar o incómodo por surgir ligado a tão dispensável assunto.


E, querendo menorizar a importância da sua intervenção na dita ONG CPPC, alegou que ainda há pouco tempo lhe pediram para dar o nome para fazer parte de uma associação qualquer relacionada com Timor, que claro que nem sabia o que aquilo era, e que muitas vezes lhe pedem que empreste o coiso e mais não sei o quê.

Pois bem. Por acaso gostava de ouvir a gravação daquilo para me certificar que ouvi bem, que o Marques Mendes empresta o coiso mesmo que não saiba bem para quê ou mesmo que seja para fins pouco recomendáveis - é que posso ter percebido mal e o homem até ser recatado no uso do coiso. 

De resto, titubeou para ali, que sim e sopas, que isto e o contrário, e que o Passos Coelho explicou tudo mas que devia explicar os valores e que esteve bem em ter explicado mas que não esteve bem por não ter respondido logo e mais não sei o quê, tudo opiniões neutrazitas, coisitas inócuas, biscoitinhos. Mas a questão, ó Dr. Marques Mendes, é que o doutor sabe muito bem de que é que se está a falar, não sabe? E sabe bem de todos os mil e um esquemas praticados nas empresas, no seu partido, por todo o lado. Então não sabe. E, por isso, posição mais incómoda a sua, a de estar ali a comentar coisas relativamente às quais sabe bem que, se esgaravatarem bem, muitas minhocas podem pôr a cabecinha de fora, não é?

Vida de comentador não é fácil, afinal não é só distribuir rifas, augúrios, deitar búzios, cartas de tarot, fofoquices, rebuçados. Volta e meia aparecem situações destas, autênticos pepinos, não é? E quem e que quer aparecer em público a mexer num pepino, não é mesmo...? 


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* Coloquei, lá em cima, um asterisco junto à palavra icónicas usada daquela forma pois, estando hoje in heaven, apenas com acesso aos canais generalistas, vi há bocado um pouco da Casa dos Segredos e as coisas que ouvi davam para um espectáculo inteiro de stand up comedy

Um dizia que sentia uma afinação com uma rapariga. Como eu estava com um ouvido no burro, outro no cigano e os olhos no vídeo Dior, não captei bem. Perguntei ao meu marido que conversa era aquela. O meu marido traduziu, disse que achava que ele queria dizer 'afinidade'. 

Passado um bocado outra, que estava deitada, passam a vida estendidos, dizia que aturava tudo a um qualquer, até o psicológico dele e mais não sei o quê. 

E a todo o tempo se saem com pérolas destas, não sei que imaginatória é a daquelas cabecinhas pensadeiras. Gente mais gramática aquela, todos eles.

Não sei que profissões têm, nem que escola tiveram naquela cabeça, mas, pela amostração, é de uma pessoa se atirar para debaixo da mesa. 

Aliás, não consigo perceber que vidas são aquelas, uma cena mesmo marada, topas, lol, tipo, tás a ver, olha um ganda lol, vistes. Há lá um mal encarado, tatuado de alto abaixo que, do que percebi, tem lá umas poucas namoradas, todas namoradas também de outros e, no meio daquela cegada, ainda fazem cenas de ciúmes uns aos outros. E há um que ainda não percebi se é alentejano, se é gay, ou se aquela forma de falar e rebolar os olhos é apenas engraçada. E há lá umas que parecem de leste. todas ao léu, com um sotaque que não parece ser apenas de casa de alterne, dá ideia que o português é a segunda língua, uma cena bífida, tão a topar. 

E, ao fim de meia dúzia de dias, já choram, já estão apaixonados, e choram, e uma já desistiu e acho que um outro já saíu no meio de lágrimas, amigos para todo o sempre. 

E lá anda A Voz a falar em casais e em beijos, a incentivá-los ao regabofe, a fazer com que não se desconcentrem: quem é que vai dar o primeiro beijo? Quem são os casais? 


Uma gaiola de doidos, de insectos, de gente que se deixa manipular. 

Uma indigência total, seja de que prisma se veja o que ali se passa.


Não me levem a mal, não me tomem por elitista, e eu sei que nem devia confessar ideia mais peregrina, mas, quando vejo um grupo destes, vem-me à cabeça um incómodo que até me envergonha: que é que esta gente sabe do que quer que seja para poder votar em consciência? O que me consola, mas é fraco consolo, é que nem recenseados devem ser. 

Já no outro dia o disse: programas destes não deveriam ser permitidos: vulgarizam e ignorância, dão palco à boçalidade. A indignidade é banalizada. Não há uma coisa que se aproveite.

Antes do telejornal ligámos a televisão, queríamos ver as notícias. Um desespero, zapping e tudo a mesma droga. 

E, para nosso espanto, na TVI, enquanto, de segundo a segundo, e em coro com os assistentes, diziam um número de telefone para as pessoas ligarem pois poderiam ganhar uns milhares de euros, vimos, junto aos apresentadores, duas participantes na anterior Casa dos Segredos, agora já promovidas a comentadoras, uma tal Sofia que acho que foi a que ganhou, e a Erica cujo trunfo era que, na altura, já tinha ido para a cama com uns 100 homens. 


Isto pode ter audiência, não sei se tem, se não tem, mas vai acabar por se pagar caro. Enquanto licenciados em Comunicação ou gente ligada ao saber e à cultura estiverem a trabalhar em caixas de supermercado, call centers, desempregados ou forçados a emigrar, e as televisões estiverem a dar emprego a gente desqualificada para ali estar a comentar as inaninades que se passam na anormalidade que é aquela Casa dos Segredos, alguma coisa não vai nada bem. Isto só pode ser sintomático de uma sociedade em degenerescência. Se não fosse aflitivo seria quase cómico.


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Tinha em mente falar da Cristina Ferreira da WeBrand, do Menezes e do PSD e de mais umas coisecas mas já são 3 da manhã e tenho que me ir deitar. Já nem consigo rever isto, é o costume, deve estar uma obra asseada. 

A ver se amanhã consigo deitar mão à Gaiagate, a mancha de óleo (como a Visão lhe chama) que ameaça alastrar sobre o PSD.

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Relembro: abaixo há dois posts dedicados a temas muito diferentes: Joana Vasconcelos, Dior, moda, escultura, gente bem vestida e bem falante. Outro comprimento de onda, portanto.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo domingo.


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Olha onde eu fui descobrir a Joana Vasconcelos...! Na Dior! J'Adore Miss Dior.


Depois de, abaixo, ter divulgado o vídeo com algumas 'notáveis' a propósito do desfile Dior outono/inverno 2014/15, aqui, agora, partilho convosco a surpresa que acabei de ter: Joana Vasconcelos, elle-même, na Dior, executando mais uma das suas mega peças. 

(Isto já tem meses, eu é que não acompanho estas faenas e portanto, só agora, ao descobrir o vídeo, é que me dei conta).








Trata-se de um big, big laço (280x305x105) feito com frascos de perfume Dior J'Adore, resina de poliéster, fibra de vidro, LEDs RGB, microcontrolador, fonte de alimentação, metal.


A peça Dior J'Adore foi inspirada no vestido Concerto, um clássico Dior.


Na fotografia, Joana Vasconcelos com Natalie Portman, rosto da marca.



No vídeo abaixo, Karl Lagerfeld, na abertura da exposição 'Miss Dior' no Grand Palais em Novembro do ano passado, declara-se obcecado com a rapariga que fez o laço, diz que a adora. E uma coisa é certa, não há como negar: o laço de Joana Vasconcelos está em grande destaque. Não sei se é arte, se é design, se quê. Mas não é coisa que passe despercebida e, naquele contexto, tem pinta.




Esta rapariga, de facto, para além do mais, tem olho para o negócio, tem sentido de marketing.






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Outono, Inverno, 2014, 2015


A luz, a poesia, os brilhos, a leveza. Dior, para quem pode. Mas ver, podemos todos.




sábado, setembro 27, 2014

Ó Pedro, quem será o Vasco...? Será que é mesmo o Ricardo Salgado como se começa a falar por aí...? E as coisas que se começam a saber....? A Tecnoforma era financiada por uma offshore? Dinheiros de petróleos de Cabinda...? E esta misteriosa empresa vai processar um ministro...? Qual...? Porquê? ....Ui... que isto começa a ser a doer.


Bom. Começo com o sumário dos posts seguintes. 

Já abaixo tenho um vídeo em que a bela e sedutora Cate Blanchett conta quais as coisas a que diz , e eu faço minhas as palavras dela. 

Além disso, um dia que me dê para fazer uma plástica, levo uma fotografia da oscarizada e versátil Cate e peço ao cirurgião que me ponha parecida com ela. Provavelmente precisaria de uma semana a cortar e cozer mas paciência. 

Tem beleza, graça, sedução e malícia em doses generosas e tem um requinte que me agrada.

A seguir tenho outro momento especial. 

Vou já avisando que mete ménage à trois, sexo em grupo e um homem em underwear na caminha. 

Podem depois protestar se acharem que é demais ou que, pelo contrário, que estavam à espera de mais mas, enfim, conto com a vossa indulgência, afinal it's friday night e todos os desmandos parecem possíveis. 

A mim, pelo menos, parecem - mas também é sabido que sou razoavelmente condescendente comigo mesma.


Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra. Conversa não, só perguntas. Tenho que ser cautelosa não vá o advogado da Tecnoforma processar-me. Tem cara de poucos amigos, ele. Está bem que estou bem escudada e que não é qualquer um que se mete comigo mas, ainda assim, mais vale uma pessoa agora ter cuidado. 

A coisa começa a ser profissional. Não me admiraria nada se amanhã o Pedro-abre-todas-as-portas acordasse com uma cabeça de cavalo na cama.
Dá ideia que há alguém (ou vários alguéns) a quem muito agradaria dar cabo dele, e as ameaças parecem estar a surgir de todo o lado. Fosse ele o santinho que se apregoava e não teria nada a temer. O pior é que cada coisa que surge parece ser mais cabeluda que a outra.

Como se esperava, o dito abre-portas trocou-se todo no Parlamento (uma semana para se preparar e, afinal, mostrou ser um cábula). Nunca recebi nada, só recebi algumas coisas, fui a Cabo Verde e também andei às voltas no País, foi reembolso, não faço striptease das minhas contas, era o que faltava eu proporcionar deleite aos leitores de jornais, ó senhora deputada, era o que faltava! 

Coisas assim.

Um dia destes teremos um vídeo no youtube com estas trocas e baldrocas tão típicas no nosso cantor Pedrortas-abre-portas.

A oposição em peso quis saber se havia ou não coisa mas dali não saíu nada de concreto, é o sais: 

- Mas quanto?! 
E ele que a pergunta estava mal formulada e que olha o passarinho
- Mas quanto, senhor Primeiro-Ministro? 
Olha o avião.
- Tostões ou milhões?
Milhões não podia ser. Olh' ali...
- Mas quanto?
Ouçam como assobio tão bem para o lado.

Eis senão quando o senhor advogado da Tecnoforma, Cristóvão Carvalho, ar ameaçador, cabelo rapado, barba rapada mas cerrada, ar de ser o Tony Ramos da advocacia - deve ser cabeludo no peito, nas costas e resto do corpo - aparece a dizer que a Tecnoforma afinal era uma empresa mecenas em relação à célebre ONG, Centro Português Para a Cooperação (CPPC) e que, furiosa com a má imagem que estas notícias estão a dar da empresa, vai avançar com processos contra o Público, o jornalista José António Cerejo, contra comentadores e, pasme-se, contra um ministro do actual Governo. Na SIC, com Clara de Sousa, disse que não é contra o próprio Passos Coelho, coisa que, de facto, seria o supra-sumo do nonsense. Mas não, não é ele, é outro ministro, diz o advogado com cara de bad guy .


Ponho-me a percorrer um por um, tentando perceber qual deles terá dito coisas inconvenientes, que irritaram o senhor. Que eu tenha dado por ela, não estou a ver quem seja. Ocorre-me um mas só se os senhores da Tecnoforma têm inside information do que se passa para as bandas do Governo.

Passos Coelho, por seu lado, disse outra coisa misteriosa lá na Assembleia da República: que tudo isto está a acontecer porque há gente influente que não gosta das decisões que ele tem tomado.


Ora bem. Chegámos ao ponto. Já na quinta feira à noite, eu tinha recebido um comentário referindo que isto teria mão de um Espírito Santo, mais concretamente de Ricardo Salgado.

Agora é José Gomes Ferreira, esse rapaz tão esperto que só por uma unha negra ainda não chegou a primeiro-ministro, a dizer que cá se fazem, cá se pagam, dando a entender que o Vasco, a mão anónima que fez a denúncia sobre os dinheiros que Passos Coelho recebeu da Tecnoforma enquanto era deputado em regime de exclusividade, poderá muito bem ser Ricardo Salgado, furioso por causa do estoiro que Passos infligiu ao BES, arruinando de vez e enlameando para todo o sempre o bom nome da família Espírito Santo.


Entretanto, este sábado, o Expresso dá conta de mais uma: que a Tecnoforma era financiada por uma offshore em Jersey.  Offshores, fundos europeus, petróleos, Angola.  Ui....


A coisa começa a mostrar que de onde veio a primeira notícia, há muitas mais prontinhas a serem espalhadas pelas ventoinhas d'aquém e d'além mar. 

A julgar pelo que se começou a ver, o Vasco e vários outros vascos desta vida têm uma arca cheia de obras prontas a sair para o prelo. Passos Coelho deve estar a tremer e acho que deve ter razões para isso.

Entretanto, Cavaco Silva, essa dinâmica figura do nosso panorama político, quando já o damos por morto volta a estrebuchar. Apareceu esta sexta-feira para se atirar aos comentadores e politólogos, grandes causadores da baderna que por aí vai. Deve estar danado: quer ele estar posto em sossego e só lhe arranjam confusões destas. 

A esta hora já está com a sua Maria a fazer uma análise SWOT a ver, se o láparo cair, que volta é que ele há-de dar à situação. Eleições? As perspectivas não lhe agradam, nadica mesmo, vai sair do seu reinado pela porta baixa.

Não sei qual vai ser o fim disto mas tudo leva a crer que os próximos tempos vão ser animados. Oremos, irmãos.


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Tenho que parar, estou a dormir já - e não é exagero, já estou a escrever de olhos quase fechados. Deve ter mais gralhas nisto do que eu sei lá. Desculpem. Amanhã a ver se arranjo tempo para rever e corrigir. 

Relembro que, aqui mais abaixo há dois posts, qualquer deles bastante apelativo.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo fim de semana.



Sim ao sonho, sim à liberdade, sim à vida, sim ao silêncio, sim à sedução, sim à emoção, sim à folia, sim ao amor, sim a um novo início, sim à serenidade, sim à força, sim a nós dois, sim a mim própria.


Depois de ter renovado o look do Um Jeito Manso e depois de, no post abaixo, ter falado de ménage à trois, de sexo em grupo e da tentação que é um Gandy em roupa interior na cama, aqui, agora, parto para outra.

Não preciso de me repetir: até hoje permaneço fiel aos perfumes Chanel. De vez em quando tento intercalar, escolho algum mais em conta e até pode ser que quase resulte (por exemplo, nos saldos comprei um Tous que não se impõe nem se altera ao longo do dia; não é espectacular mas, para os dias sem grande história, serve). Admiradora da fluidez da linha de vestuário Armani, tentei algumas vezes os seus perfumes mas ainda não descobri um que ficasse bem em mim. Prefiro os cítricos, levemente florais, frescos e subtis. Ora os Armani são doces, impregnam-se, alteram a minha natureza. No entanto, não conheço ainda o . Terei que passar por uma perfumaria para ver como é.


Mas, independentemente disso, Cate Blanchett é cá das minhas e é com gosto que a recebo de todas as vezes que ela me bater à porta. Tem uma personalidade que ilumina os espaços e não há filme que protagonize que não fique especial.






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Relembro: desçam, por favor, que o post abaixo tem imagens muito inesperadas e belas.

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Protector solar, ménage a trois, sexo em grupo - e um belo homem em cuecas na cama, sorrindo, indecente


Tenho isto dentro de mim: acho que a espécie humana está longe de ser a mais inteligente ou a mais resistente da natureza. De cada vez que me dá para observar outros animais, fico surpreendida. Maravilhada.

David Attenborough tem um certo fascínio por rãs, animais curiosos e discretos.

Aqui temos uma rã a espalhar uma secreção própria por todo o seu corpo para se proteger do sol. A forma cuidadosa como cobre todo o corpo é espantosa, parece uma pessoa a besuntar-se com protector solar.


Frog applies 'sun cream'







Agora as rãs douradas. Os passos de conquista, a souplesse das mãozinhas, o encontro desejado. Parece gente. Depois, quando finalmente começam a acasalar, aparece um terceiro elemento e não se atrapalham, ménage a trois, ora bem, nada de pesos na consciência, nada de receios da opinião alheia. São coisas que acontecem e ponto final, lá vão eles.


Golden Frog: Fighting and mating






Mas a natureza é riica em fenómenos surpreendentes. Agora temos umas rãs que se tornam azuis na época do acasalamento, durante apenas uma semana. A competição é muita, são vários cães a um osso, impressiona. E, quando aparece uma fêmea aí vão eles, uma confusão, sem recato, bem à frente de todos.


The moor frogs





E, estando eu a ver a natureza e as rãs em plena preservação da espécie, eis que o You Tube intercala ,no meio de bosques e lagos, o David Gandy, indecente, em cuecas, na cama, a rir para mim. Não sei que ideia faz o Youtube de mim para me pôr à prova desta boa maneira. Mas eu não gosto de resistir às tentações e, portanto, se é para ter festa, então festejemos.


In bed with David Gandy (Marks & Spencer underwear)





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É sexta-feira, minha gente!

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sexta-feira, setembro 26, 2014

António Fagundes e Bruno Fagundes: o charmoso e o refresco. [E olha que este é um post cheio de piropos mesmo. Não vem que não tem: não tenho medo, não. E podem xingar à vontade: gosto de homem bonito mesmo. Confesso.]


Depois de, no post a seguir a este, ter deixado um desinteressado conselho ao Primeiro-Ministro (que vai à Assembleia da República e, durante o debate mensal, vai ver se descasca o pepino da exclusividade e do trabalhinho comercial para a Tecnoforma, ao que consta trabalhinho pago em géneros, isto é, dinheirinhos supostamente recebidos por fora, como eu no outro dia já aqui referi, fringe benefits, limpinhos de impostos, despesas de representação, almocinhos e jantarinhos, comprinhas de toda a espécie pagas com cartão de crédito e assim), e aos dois senhores da Tecnoforma (que vão dar uma conferência de imprensa a ver se safam o Pedro-Abre-Portas do ensarilhanço em que está metido), agora aqui venho só lançar uns piropos a uns cavalheiros.


Nada de assédio, nada de coisa repetida ou continuada (embora não seja a primeira vez), nada de coisa que moleste, apenas um piropinho inofensivo. Piropinho é que nem chopinho, é coisa gostosa, não tem mal, não.

Vou falar de um homem muito gostosão, peito largo, sorriso bom, voz de abraço quente, de pegada forte: António Fagundes. O Fagundão. Um homem que, à medida que o tempo passa, vai ganhando mais charme. Aquele cabelo, aquele rosto vivido, aquela forma como ri, como olha, estão cada vez platinados, uma patine que é muito sedutora.

Quando lhe perguntam sobre ele ter esta fama de gato gostoso (palavras minhas, claro) ele diz que disso não sabe, que ele não é seu tipo de homem. Pergunta a jornalista: então qual é seu tipo de homem? Diz ele, Alain Delon, Brad Pitt. Por isso, diz ele, olha-se no espelho e não vê aquele homem charmoso de que falam. Mas a forma como fala, aquele grão de voz e aquele riso que enleia e adoça as sílabas já chega para a gente ver que ele é um homão, daqueles a que nenhuma mulher de bom gosto ousa resistir.

E, repare-se, a entrevista decorria na rádio, na TSF, eu não o via enquanto ele falava, seduzindo feio. Mas a química e a física atravessam o espaço, coisa por demais sabida.




Mas a coisa já se propagou, já há outro.

E, assim sendo, depois do pai, vou falar também do filho, Bruno Fagundes. Nunca tinha ouvido falar. Ouvi agora que estão cá, representando uma peça de teatro, Vermelho. E ouvi a jornalista dizer que chamam Refresco ao Bruninho. O pai não percebeu o sentido. Refresco? Ela explicou: coisa nova, ainda está fresquinho, mata a sede. O pai atalhou: percebi. Mas ela queria festa, percebo-a, e perguntou ao rapaz se se acha o herdeiro da fama de charmoso do pai. Saíu-se bem o menino, que não, que quer ser conhecido por ser bom profissional, que está trabalhando para isso, para ser um profissional tão bom, tão respeitado e amado quanto seu pai. Simpático, humilde. E divertido, contou história, riu. Por exemplo contou que encontrou uma brasileira em Óbidos, onde foram passear, e que ela ficou olhando para ele, Estou conhecendo você... E olhava. Depois questionou, Você é guia? E riram pai e filho, divertidos. Ora o menino é recente mas já estreou numa novela da Globo.

Depois de ter acabado o post abaixo, aquele com o guarda criativo e o ministro dos passos malucos que bem poderiam inspirar Passos Coelho, vim logo procurar uma fotografia do Fagundinho, estava curiosa. A jornalista perguntou se era o mais novo de quatro filhos e ele confirmou. Perguntou a jornalista pela genética de Bruno mas ambos saltaram, que não, que é coisa de educação, de vivência conjunta. Gostei. Não iam diminuir os outros irmãos, meninos todos amados.

E agora já vi a fotografia. Sim senhor. É mesmo um belo filho de seu pai, menino lindo, um charminho, um refresquinho, sim senhor. 




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Fagundes, pai e filho em Vermelho. Uma relação tensa em palco, uma doçura na vida real.






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Já agora, em complemento, para os agnósticos, aqui deixo a prova de que o Fagundão é digno mesmo de muita devoção.


António Fagundes, o galã - um beijo é um beijo é um beijo





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Descobri agora a gravação da entrevista de António Fagundes com o Daniel Oliveira no Alta-Definição, há poucos dias. Como não vi (raramente consigo ver), estive agora a ver e aqui a deixo para quem o queira conhecer melhor.








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Recordo: não deixem, por favor, de descer até ao post já a seguir. Fartei-me de rir e tem de brinde um conselho muito sincero para o láparo e seus amigos tecnofórmicos - para ver se esta sexta feira nos reserva momentos memoráveis.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira. 
E desejo-vos muitas felicidades.

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Coisas tão deliciosamente estúpidas que me fazem rir de gosto (e uma sugestão a Passos Coelho e aos senhores da Tecnoforma para as respectivas performances desta sexta feira)



Enquanto a Rainha estava de férias, este verão, um jovem guarda de Buckingham Palace, em vez de fazer os passos certos, iguais e inexpressivos, como uma figurinha num relógio suiço, pôs-se a fazer passos malucos, reviravoltas, passos em câmara lenta. Uma graça! O que eu já me fartei de rir. Eu, se fosse à Rainha, não queria outra coisa, punha-me até de janela a vê-lo e mandava-o dar aulas a todos os outros.




Mas, apesar da fleuma britânica, o caso já está a ser averiguado e o rapaz é bem capaz de ser afastado da tarefa que desempenhava de forma tão briosa.



Buckingham Palace pirouetting guard shows off his funky dance moves







Fez-me logo lembrar aqueles doidos por quem nutro amor eterno, os Monty Python. Há um episódio com um ministro dos passos malucos que deve ter inspirado o jovem guarda. Uma coisa mesmo doida varrida - e o que eu gosto de coisas assim!

Recomendaria, até, que esta sexta-feira o Passos Coelho aparecesse na Assembleia da República para o debate mensal a andar assim, levantando a perna, fazendo freeze, agachando-se, rodopiando. E teria ainda mais graça se os senhores da Tecnoforma - que esta sexta feira vão dar uma conferência de imprensa para tentarem limpar a barra de Pedro, o angariador de negócios - aparecessem a fazer o mesmo número, cada um a fazer mais habilidades que o outro, mostrando que tinham estado a combinar tudo muito bem combinadinho com o Passos.




Monty Python: Ministry of Silly Walks







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quinta-feira, setembro 25, 2014

John Malkovich, my man, my crazy, crazy man [Malkovich, Malkovich, Malkovich: Homage to photographic masters, por Sandro Miller - ao som de 'I'm your man' de Leonard Cohen]


No post abaixo fiz o contraponto entre o Passos Coelho de agora (moralista, justiceiro, castigador) e o Passos Coelho (que me abstenho de classificar para não poluir o ambiente deste post aqui) do tempo da ONG criada para arranjar negócio para a Tecnoforma. O tema das histórias é o mesmo, agora e nessa altura: aproveitar fundos europeus. 

Quando se tem uma cara de pau e a sorte de ter uma voz bem colocada e convincente, pode num dia dizer-se uma coisa e noutro fazer o contrário - e a coisa vai passando sem grande estrilho. 

Mas, quando se pára para pensar, não dá como não constatar que, com tantas as piruetas éticas, é caso para dizermos: bem prega frei Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz. Muita lábia, muito descaramento. Uma coisa que se torna insuportável, especialmente quando se colocam histórias de antes ao pé de histórias de agora. Ou quando se vêem vídeos antológicos.


Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra. Completamente outra.


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Cante, Mr. Cohen, cante, por favor e diga-me: I'm your man

(... enquanto eu penso em John Malkovich)






Sandro Miller, Diane Arbus / Identical Twins, Roselle, New Jersey (1967), 2014



Se quiseres um par de gémeas,
eu farei tudo o que me pedires
E se tu quiseres outro tipo de amor,
usarei uma máscara ou uma boina para ti


Sandro Miller, Alberto Korda / Che Guevara (1960), 2014



Se quiseres um camarada, toma a minha mão
Ou, se me quiseres agredir com fúria,
aqui me tens.
Eu sou o teu homem


Sandro Miller, Yousuf Karsh / Ernest Hemingway (1957), 2014



Se quiseres um boxer
eu irei para o ringue para te fazer a vontade
E, se quiseres um médico,
eu examinarei cada bocadinho teu


Sandro Miller, Annie Leibovitz / John Lennon and Yoko Ono (1980), 2014



Se quiseres um chauffeur, entra
Ou, se quiseres levar-me a passear,
sabes que podes.
Eu sou o teu homem


Sandro Miller, Gordon Parks / American Gothic, Washington, D.C. (1942), 2014



Ah, a lua está tão brilhante
e o chão tão sujo
e tem que ser varrido e esfregado
e eu tenho feito tantas promessas
tantas, tantas e que nunca consegui cumprir
Mas um homem nunca teve a sua mulher de volta
se não implorasse de joelhos


Sandro Miller, Arthur Sasse / Albert Einstein Sticking Out His Tongue (1951), 2014



Se for preciso vou a nado,
cansado e de língua de fora
como um cão encalorado
e vou ganir perante a tua beleza


Sandro Miller, Bert Stern / Marilyn in Pink Roses (from The Last Session, 1962), 2014



E vou arrebatar o teu coração
e vou encher os teus lençóis de lágrimas
e pedir-te-ei por favor, por favor.
Eu sou o teu homem


Sandro Miller, Albert Watson / Alfred Hitchcock with Goose (1973), 2014



E, se te apetecer um pato*,
espera que eu vou à procura
e  hei-de aparecer com um.
Mas, se te fizer impressão o pato,
eu escondo-o de ti


Sandro Miller, Edward Sheriff Curtis / Three Horses (1905), 2014



Se quiseres um pai para o teu filho
ou apenas quiseres brincar aos índios comigo
ao longo da pradaria
Eu sou o teu homem

Eu sou o teu homem.




* Sei que é um ganso mas um ganso depenado parece-me ainda mais despoético do que um pato. Assim como assim, com um pato ainda se poderia pensar que a ideia era fazer arroz. 



_________   (sorry pela subversão Mr. Cohen)   ________

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O conceituado fotógrafo Sandro Miller já trabalhou inúmeras vezes com John Malkovich mas quando quis homenagear os grandes fotógrafos que o influenciaram pensou numa coisa em grande. Com o seu modelo de tantas vezes, resolveu recriar retratos famosos desses fotógrafos. A essa série deu-lhe o nome “Malkovich, Malkovich, Malkovich: Homage to photographic masters.” Uma coisa do outro mundo, como puderam ver uma amostra.


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Não sei se o título deste post e até o seu teor podem ser considerados assédio ao Malkovich, essa criatura pérfida, esse perigoso e irresistível Valmont que, certamente, me conseguiria tirar do sério se passasse por mim na rua (... espero bem que nunca passe, senão ainda me vejo metida em trabalhos). 




Em minha defesa, digo que, no máximo, será um piropo (e a graça que eu acho aos piropos requintados - e os piropos requintadíssimos, podres de góticos, que eu atiraria ao Malkovich). Mas vá lá, parece que as bloquistas acabaram por deixar passar os piropos. É que, se o BE fizesse mesmo questão de criminalizar os piropos, de uma coisa poderiam estar certos: eu faria um cartaz e iria protestar para a porta do partido ou para as bancadas da AR: Abaixo o Bloco! Queremos os piropos! Abaixo o Bloco! Queremos os piropos!



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Acho que não vai saber bem mas, a quem seja de boa boca, permito-me sugerir a visita ao post já aqui abaixo. Continuamos com retratos: o retrato possível de Passos Coelho, com a ajuda de alguns jornalistas. Não é coisa bonita de se ver, aviso desde já. 

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Hoje estou cheia, cheia de sono. Reuniões e mais reuniões, planeamentos e orçamentos e sei lá que mais e chego aqui e, em vez de poder descansar a minha fraca cabecinha, sou assediada pelas trapalhadas do Láparo... Por isso, chego a esta hora e tenho a cabeça feita em água, já só me apetece é ir dormir.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira.


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