Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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domingo, setembro 28, 2014

Marques Mendes, na SIC, a propósito da ONG ligada a Passos Coelho e à Tecnoforma, confessou que às vezes, quando lhe pedem, empresta o coiso. E, do que se sabe, pedem-lhe o coiso muitas vezes. Face a isso, só me ocorre perguntar: será que ainda está em bom estado? Não é que me interesse, atenção! - A propósito: estive a ver a Casa dos Segredos e aquilo é mesmo do melhor que há.


Depois de no post abaixo ter mostrado o big laço da Joana Vasconcelos para a Dior e de ter mostrado Lagerfeld a dizer que adora a rapariga e de, mais abaixo ainda, ter mostrado umas quantas icónicas* a falarem da moda Dior para esta saison, aqui, agora, faço um intervalinho, mais para me divertir do que outra coisa.


Marques Mendes no comentário semanal na SIC,
este sábado com Pedro Mourinho - o indisfarçável incómodo



Claro que vi o comentário do pequeno arauto do regime. Como seria de esperar, estava de saia muito justa. O Pedro Mourinho não tem a gentileza de Maria João Ruela pelo que lhe fez uma ou outra pergunta que deixaram o arautozito toda coradinho.

Sobre a ONG, sobre o esquecimento de que ele próprio, Marques Mendes, tinha padecido na altura em que lhe perguntaram sobre a sua intervenção na criação daquele veículo (sim, porque do que se conhece, a ONG da qual Passos Coelho era presidente e a Tecnoforma mecenas, não passava de um ardiloso veículo), foi vê-lo ruborizado, a patinar. Claro que sendo macaco de rabo bem pelado, Marques Mendes disfarça bem a atrapalhação. Mas toda a sua expressão corporal, todo ele, era uma encenação para disfarçar o incómodo por surgir ligado a tão dispensável assunto.


E, querendo menorizar a importância da sua intervenção na dita ONG CPPC, alegou que ainda há pouco tempo lhe pediram para dar o nome para fazer parte de uma associação qualquer relacionada com Timor, que claro que nem sabia o que aquilo era, e que muitas vezes lhe pedem que empreste o coiso e mais não sei o quê.

Pois bem. Por acaso gostava de ouvir a gravação daquilo para me certificar que ouvi bem, que o Marques Mendes empresta o coiso mesmo que não saiba bem para quê ou mesmo que seja para fins pouco recomendáveis - é que posso ter percebido mal e o homem até ser recatado no uso do coiso. 

De resto, titubeou para ali, que sim e sopas, que isto e o contrário, e que o Passos Coelho explicou tudo mas que devia explicar os valores e que esteve bem em ter explicado mas que não esteve bem por não ter respondido logo e mais não sei o quê, tudo opiniões neutrazitas, coisitas inócuas, biscoitinhos. Mas a questão, ó Dr. Marques Mendes, é que o doutor sabe muito bem de que é que se está a falar, não sabe? E sabe bem de todos os mil e um esquemas praticados nas empresas, no seu partido, por todo o lado. Então não sabe. E, por isso, posição mais incómoda a sua, a de estar ali a comentar coisas relativamente às quais sabe bem que, se esgaravatarem bem, muitas minhocas podem pôr a cabecinha de fora, não é?

Vida de comentador não é fácil, afinal não é só distribuir rifas, augúrios, deitar búzios, cartas de tarot, fofoquices, rebuçados. Volta e meia aparecem situações destas, autênticos pepinos, não é? E quem e que quer aparecer em público a mexer num pepino, não é mesmo...? 


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* Coloquei, lá em cima, um asterisco junto à palavra icónicas usada daquela forma pois, estando hoje in heaven, apenas com acesso aos canais generalistas, vi há bocado um pouco da Casa dos Segredos e as coisas que ouvi davam para um espectáculo inteiro de stand up comedy

Um dizia que sentia uma afinação com uma rapariga. Como eu estava com um ouvido no burro, outro no cigano e os olhos no vídeo Dior, não captei bem. Perguntei ao meu marido que conversa era aquela. O meu marido traduziu, disse que achava que ele queria dizer 'afinidade'. 

Passado um bocado outra, que estava deitada, passam a vida estendidos, dizia que aturava tudo a um qualquer, até o psicológico dele e mais não sei o quê. 

E a todo o tempo se saem com pérolas destas, não sei que imaginatória é a daquelas cabecinhas pensadeiras. Gente mais gramática aquela, todos eles.

Não sei que profissões têm, nem que escola tiveram naquela cabeça, mas, pela amostração, é de uma pessoa se atirar para debaixo da mesa. 

Aliás, não consigo perceber que vidas são aquelas, uma cena mesmo marada, topas, lol, tipo, tás a ver, olha um ganda lol, vistes. Há lá um mal encarado, tatuado de alto abaixo que, do que percebi, tem lá umas poucas namoradas, todas namoradas também de outros e, no meio daquela cegada, ainda fazem cenas de ciúmes uns aos outros. E há um que ainda não percebi se é alentejano, se é gay, ou se aquela forma de falar e rebolar os olhos é apenas engraçada. E há lá umas que parecem de leste. todas ao léu, com um sotaque que não parece ser apenas de casa de alterne, dá ideia que o português é a segunda língua, uma cena bífida, tão a topar. 

E, ao fim de meia dúzia de dias, já choram, já estão apaixonados, e choram, e uma já desistiu e acho que um outro já saíu no meio de lágrimas, amigos para todo o sempre. 

E lá anda A Voz a falar em casais e em beijos, a incentivá-los ao regabofe, a fazer com que não se desconcentrem: quem é que vai dar o primeiro beijo? Quem são os casais? 


Uma gaiola de doidos, de insectos, de gente que se deixa manipular. 

Uma indigência total, seja de que prisma se veja o que ali se passa.


Não me levem a mal, não me tomem por elitista, e eu sei que nem devia confessar ideia mais peregrina, mas, quando vejo um grupo destes, vem-me à cabeça um incómodo que até me envergonha: que é que esta gente sabe do que quer que seja para poder votar em consciência? O que me consola, mas é fraco consolo, é que nem recenseados devem ser. 

Já no outro dia o disse: programas destes não deveriam ser permitidos: vulgarizam e ignorância, dão palco à boçalidade. A indignidade é banalizada. Não há uma coisa que se aproveite.

Antes do telejornal ligámos a televisão, queríamos ver as notícias. Um desespero, zapping e tudo a mesma droga. 

E, para nosso espanto, na TVI, enquanto, de segundo a segundo, e em coro com os assistentes, diziam um número de telefone para as pessoas ligarem pois poderiam ganhar uns milhares de euros, vimos, junto aos apresentadores, duas participantes na anterior Casa dos Segredos, agora já promovidas a comentadoras, uma tal Sofia que acho que foi a que ganhou, e a Erica cujo trunfo era que, na altura, já tinha ido para a cama com uns 100 homens. 


Isto pode ter audiência, não sei se tem, se não tem, mas vai acabar por se pagar caro. Enquanto licenciados em Comunicação ou gente ligada ao saber e à cultura estiverem a trabalhar em caixas de supermercado, call centers, desempregados ou forçados a emigrar, e as televisões estiverem a dar emprego a gente desqualificada para ali estar a comentar as inaninades que se passam na anormalidade que é aquela Casa dos Segredos, alguma coisa não vai nada bem. Isto só pode ser sintomático de uma sociedade em degenerescência. Se não fosse aflitivo seria quase cómico.


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Tinha em mente falar da Cristina Ferreira da WeBrand, do Menezes e do PSD e de mais umas coisecas mas já são 3 da manhã e tenho que me ir deitar. Já nem consigo rever isto, é o costume, deve estar uma obra asseada. 

A ver se amanhã consigo deitar mão à Gaiagate, a mancha de óleo (como a Visão lhe chama) que ameaça alastrar sobre o PSD.

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Relembro: abaixo há dois posts dedicados a temas muito diferentes: Joana Vasconcelos, Dior, moda, escultura, gente bem vestida e bem falante. Outro comprimento de onda, portanto.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo domingo.


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