terça-feira, outubro 06, 2026

Proposta de revisão eleitoral -- num dia em que não sei como ainda não me saltou a tampa

 

O dia todo, até agora, e já passa das duas da manhã, a tentar compilar documentos de mil novecentos e troca o passo para mais um requerimento às Finanças. Este país não é para pessoas impacientes. O que eu já penei para que as Finanças resolvam um não-problema criado por elas próprias não tem explicação. Nem têm conta as vezes em que me apetececeu desistir. Mas sou paciente, obrigo-me a fazer mil vezes a mesma coisa juntando mais e mais documentos. Mas estou exausta.

Uma máquina que não existe para resolver problemas mas antes para os criar, é parte do que pode ser o inferno na terra. Uma pessoa não poder dispor de um bem que lhe pertence porque as Finanças não conseguem nem querem resolver um problema que não é problema, é de uma pessoa ir ao céu e voltar, dar mil pinotes, espernear, enfurecer-se, virar a mesa, fazer não sei o quê.

Tem-se a nítida sensação de que se se conseguir descobrir um funcionário inteligente ou diligente isto se resolve em cinco minutos. Mas não o descobri até hoje.

Uma pessoa que lida muito com Câmaras e outros serviços públicos dizia-me que não tem dúvidas que muita dessa gente cria problemas para depois, se devidamente aliciada, poder facilitar. E uma outra cuja profissão passava muito por tratar de projectos e licenciamentos em Câmaras disse-me que abandonou essa actividade porque não aguentou mais, obstáculos e mais obstáculos, cada um mais despropositado que o outro, aquilo não era para ela. Desistiu.

Um castigo.

De dia, pensei em falar nas eleições do Brasil mas agora já estou perdida de saturação. só mesmo um breve lamiré. 

Do lado do PT não conseguem descobrir gente nova, sangue novo, uma visão nova, mantendo a independência, a liberdade, a democracia, a visão de atenuar a pobreza e as desigualdades, de pugnar pelo desenvolvimento e por um futuro alicerçado no respeito pelo planeta. E o facto de continuarem a aparecer com o mesmo PT lulista enfraquece o sentido de voto. Mas, caraças, quase metade dos brasileiros opta pelo Flavinho? Está tudo doido? 

No outro dia vi como é o sistema de voto no Brasil, tudo automatizado, um terminal quase como as máquinas ATM. 

E ocorreu-me que em todo o mundo, em todo, as eleições deveriam ser assim. Mas com uma selecção prévia. Tal como hoje, volta e meia, temos que provar que não somos robots e nos forçam a assinalar os quadrados onde aparecem semáforos, autocarros ou passagens de peões, e, se não provarmos, não conseguimos seguir adiante, também para votar se deveria provar que não somos burros, estúpidos ou ignorantes para lá da conta. Perguntas aleatórias, diferentes de pessoa para pessoa para evitar que fossem para lá com as respostas coladas com cuspo. E, já que a malta não se importa de partilhar tudo da sua vida, o que come, o que veste, com quem anda, por onde anda, o que pensa, imagens no hospital, a chorar, declarações de amor ao pai, à mãe, ao cão e ao gato, então, tudo bem. A resposta às questões deveria vir com aviso prévio: 'As respostas que der serão validadas com as suas intervenções públicas pelo que se vier a proferir afirmações diferentes das que aqui escolher como resposta acertada, será multado em x mil euros, ficará sem conduzir durante y anos e ficará sem acesso às redes socias durante z anos'. 

As perguntas seriam básicas, ao todo umas doze perguntas por pessoa, combinações aleatórias. Exemplo:

Qual a capital de Portugal?

Onde se situa a Madeira?

Qual a moeda dos países da zona euro?

Portugal é uma república ou uma monarquia?

A terra é redonda ou plana?

As vacinas são uma coisa boa ou uma invenção das farmacêuticas?

Em que continente se insere Portugal?

Luís de Camões foi rei de Portugal, um futebolista célebre ou um poeta?

O que se produz a partir de painéis solares?

O tomate pertence ao reino animal, vegetal ou mineral?

Quanto é um terço de 30?

Quanto é 20% de 50?

etc. Coisas b-a-ba. Uma triagem do mais básico, mesmo para identificar gente incapaz.

Quem não conseguisse responder acertadamente a pelo menos 80% das perguntas, seria impedido de votar, por manifesta incapacidade de participar num processo de escolha responsável e consciente das pessoas que nos vão governar.

E agora chamem-me elitista à vontade que a mim tanto se me dá. 

Aliás, vou mas é pregar para outra freguesia que, na volta, o meu mal é sono.

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