Com os meninos cheios de compromissos, cada um a ser convocado para dias e horas não coincidentes, e um deles, para além de jogador, a ser agora também treinador de meninos mais novos (e, para além dos jogos em que participa como joador. a ter também os jogos em que se apresenta como treinador), juntarmo-nos todos juntos é cada vez mais difícil. Fasemos turnos. Portanto, entre o almoço de sábado e o jantar de domingo, foram chegando. E eu, claro, feliz da vida.
Vi uma fotografia do jovem treinador nessa função, e lá está, posicionado tal e qual como os treinadores, a olhar para todo o jogo, concentrado e responsável.
Quando cá chegou disse que não tinha muita fome e, se bem ouvi, tinha comido dois hamburgueres. Como estava do outro lado da mesa e há sempre muitas conversas cruzadas, não cheguei a perceber se foi a organização que providenciou o lanche. Mas percebi que só o facto de ter comido dois hamburgueres já era motivo para se sentir feliz e contente.
E desta vez, pela primeira vez, acho eu, houve televisão ligada durante o jantar: jogo de futebol com a rapaziada, desde os miúdos aos graúdos, a quererem acompanhar. No entanto, depois de jantar, já na sala e melhor instalados, viram com mais vibração.
Eu perguntei: 'Será que o Ronaldo está a ver o jogo?'
O meu filho disse: 'Claro que sim. Isto é a vida dele'.
Mas eu tenho dúvidas. 'Está ressabiado.'
O meu filho e o meu marido dizem que 'por isso mesmo'.
Não creio. Uma coisa seria constatar que depois dele é o dilúvio, o edifício a desmoronar-se. Sentir-se-ia necessário, provavelmente compelido a ir salvar a equipa, Outra, bem diferente, é que sem ele os resultados são melhores, a equipa joga para ganhar e está unida em torno do Jesus. Imagino que sinta um amargo de boca difícil de suportar, que desligue a televisão e vá levantar pesos para ver se engole o sapo que ele próprio enfiou goela abaixo. Saíu da Selecção pela porta pequena, de gatas, a fazer birra. Não há como voltar pela porta grande para junto do coração dos aficionados. Digo eu.
Também vi que no Brasil, entre um Bolsomaro, igual ao pai, e um Lula igual a si próprio, uma unha negra ali mesmo a meio estragou a festa de um deles, obrigando a que vão desempatar daqui por uns dias. Uma seca. Se eu votasse lá, obviamente votaria no Lula, mas, confesso, um bocado contrariada. Não posso com pessoas providenciais e faz-me impressão que a democracia brasileira não consiga encontrar um candidato com menos de oitenta anos. Por isso, espero bem que os brasileiros percebam o tiraço no pé se derem a vitória ao Flavinho, mas, ao mesmo tempo, desejo que, mesmo que ganhe o Lula, este se preocupe em não ser insubstituível e gira o seu tempo de forma a poder sair de cena sem que se abra um fosso no meio da esquerda democrática.
E estou de uma maneira tal que adormeço de minuto a minuto. Da última vez devo ter dormido uns dez minutos com as mãos em cima do teclado. Fico-me por aqui pois hoje, muito sinceramente, estou mais a dormir em pé do que capaz de continuar a escrever.
Ia desejar um feliz dia de domingo, esquecida de que domingo é hoje... ou melhor, foi porque já a segunda-feira, 5 de outubro, aí está e a esta hora já deve estar o Seguro, com vontade de ser Tozé e ir dizer palavras redondas, daquelas que não aquecem nem arrefecem. A ver se estou acordada quando o grande momento acontecer.
Bom feriado.
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