Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quinta-feira, julho 27, 2017

Hugo Soares = nojo *
Ascensão e queda de um líder parlamentar falhado - ou a fatal entrada em cena do Hugalex.
-- E mais um passo em falso da Cristas da Coxa Grossa --
[Já para não falar em mais um prego no caixão do jornalismo em Portugal que os boateiros do Expresso fizeram o favor de espetar]


Não estou em grande forma. A outra noite, para mim, não foi bem uma noite, foi mais um dia de juízo. Agora, um bocado cansada e muito mal dormida, estava aqui mais numa de assuntos tranquilos, daqueles que não me indispõem. Percebam-me, por favor: nem todos os dias está uma mulher pronta para a guerra. Tem dias em que se está mais numa de, suavemente, deixar correr a pena, o coração nostálgico, a melancolia a tolher-nos as mãos -- e nós sem darmos luta. 
A dor de um filho que perde um dos seus progenitores não é coisa pouca e, tanto pior, se, à altura da perda, for quase criança e as sombras abruptamente invadirem um espaço que antes era de luz e amparo. 
E foi neste estado de espírito que, serenamente, falei da memória que guardo da fatídica noite de 31 de Agosto de 1997 e do tributo que, vinte anos depois, os filhos prestaram à sua mãe Diana que foi Diana de Gales.

E agora, na mesma pacífica modorra, estava aqui a ler blogues alheios, por vezes prova saborosa, enquanto na televisão correm as notícias do dia.

O fogo a devorar tudo o que é verde. Correndo montanhas, atravessando estradas e rios, o fogo avança como um bicho esfaimado, um bicho de grandes patas, de ameaçadoras goelas. Fogo e mais fogo. O fogo é um dos elementos matriciais disto tudo. O ar, a terra, a água, o fogo -- tudo muito para além do que a inteligência e a força humana conseguem dominar. Por vezes, parece que nos esquecemos que a natureza, quando se agiganta, é capaz de devorar quem ousa desafiá-la. A seca, o vento, gestos irracionais (tantos incendiários que há no meu país... alguém já terá estudado seriamente este fenómeno?) e a pouca sorte são uma mistura explosiva.

Mas, logo a seguir, talvez porque, pelo meio, me tenha distraído e perdido o fio à meada, lá me apareceu o desinfeliz Hugo Alexandre, agora já na versão 'derrotado pela evidência dos factos'.


E quais os factos a que me refiro? Não é certamente à lista dos que pereceram na tragédia de Tancos, que eu não tenho por hábito juntar-me aos abutres que não passam sem rondar a carniça nem vou atrás dos boatos que o Expresso lança para a praça pública (mostrando os riscos que a democracia e a liberdade de expressão comportam ao serem usadas para minar a confiança nos seus pilares). Não. Os factos que derrotaram a ambição política do Hugo Alexandre Soares, aka Hugalex, são mais simples que isso. 

Não sou supersticiosa mas acho que não é bom augúrio começar o que quer que seja alicerçando-se sobre aldrabices envolvendo mortos. Os mortos merecem respeito e contenção. Ora o Hugo Alexandre resolveu cavalgar uma trapalhice a que o Expresso, num mais infelizes episódios da sua história, resolveu servir de megafone. Mostrando ter falta de tino, falta de bom senso, falta de sentido de estado e de solidariedade humana para com os familiares das vítimas, o ridículo Hugalex, depois de um desafiador 'dou 24 horas' e de, ao cabo de pouco mais do que isso, ter recebido, através da tão demandada 'lista dos mortos', o atestado público da sua estupidez apareceu perante as câmaras de televisão a mostrar como é patético o exercício público de enfiar o rabo entre as pernas. Contudo, em vez de o fazer de pianinho, low profile, a ver se passava despercebido, não senhor: intelectualmente pouco honesto como é e bastamente desinteligente como tem demonstrado ser, ainda apareceu com o dislate de vir congratular-se pelo fim da polémica sobre a lista dos mortos -- como se fossemos parvos e não estivéssemos todos carecas de constatar que quem mais alimentou a polémica foi ele, justamente ele.

Uma indigência política esta a que chegámos, quando uma função como a que o Hugalex agora desempenha, é entregue a alguém tão incapaz como ele.

E estava eu a antever que aquela pobre e destituída figura não se aguentará muito tempo nestas suas novas funções quando logo a seguir me apareceu outra que tal -- a Cristas, na televisão, também a culpar o Governo de ter criado o furdunço em volta da lista dos mortos e, tal como o outro, a mostrar que em boa hora e muito justamente os portugueses mostraram querer ver-se livres desta seita dos PàFs, gente que dá ânsias a qualquer português bem formado e com dois dedos de testa.

São os salvados dessa gentinha que agora por aqui andam, à babugem dos boatos que as sobras da comunicação social vão espalhando. Julgam os portugueses à sua imagem e semelhança, julgam que papamos toda a porcaria que nos querem impingir. Mas enganam-se: estou em crer que ainda há muita gente inteligente.

Não posso terminar a referência a este fétido capítulo da política e do jornalismo da era lapariana sem referir uns quantos nomes que ficarão bem ao lado do Hugo Soares, da Cristas, do Láparo e desta gentinha-poucachinha que infesta a política nacional. Refiro-me a alguns representantes do jornalismo desclassificado que, por estes dias, campeia em Portugal e que mostraram, uma vez mais, que, a continuarem assim, um dia destes os portugueses vão achar que estão melhor sem eles. E são, a saber: João Miguel Tavares, Pedro Santos Guerreiro (de quem eu, antes dele entrar para o coito dos boateiros, até gostava), Bernardo Ferrão. Populistas, fuxiqueiros, levianos, cheios de uma empáfia que ainda os desvaloriza mais. Falo nestes mas, atenção, não são os únicos, são apenas, pelos piores motivos, três bons exemplos -- até porque seria uma felicidade se fossem só três e não, não temos essa sorte. Upa, upa. 



* nojo = luto, repugnância
(escolham, os meus doutos Leitores, qual o sinónimo que melhor se adequa ao momento político que o líder parlamentar do PSD resolveu criar e nele se enterrar)
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NB: As imagens com que polvilhei o texto não têm muito a ver. Quis ter aqui algum toque de humor já que a conversa era sobre gente que não é boa companhia. Encontrei-as no Bored Panda e gostei. Umas mostram uma mulher dita 'normal' que resolveu mostrar como fica quando reproduz fotos de beldades e outras mostram actos de vandalismo urbano, mas um vandalismo inócuo e divertido.

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Permitam que relembre: caso vos apeteça mudar para um registo, queiram descer até Diana, a nossa mãe (incluo o vídeo completo)

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