Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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domingo, julho 30, 2017

Saber quem somos
ou nem por isso


Estou como o outro: 
conhecer-me a mim mesma? Mas para quê? 

E essa coisa do 'eu' existe? Não estou certa disso. E, se existir, é mutável, é diferente consoante quem o vê. É uma ficção. Um holograma. Para quê, então, perder tempo com tão desinteresse tema?

Depois de um dia do mais preenchido que se possa imaginar, não consigo desenvolver mais do que isto sobre tão importante problemática. 

Fotografia feita pela pimentinha-menina ao seu vestido

Levantei-me por volta das nove da manhã, desatei de imediato a cozinhar. Depois, lá para as onze e picos, chegou o pessoal e foi non stop até perto das vinte.

Como sempre, achei que estava a fazer comida que dava para um quartel. E vieram iogurtes gelatinados, gelatinas variadas e mousses em quantidades que achei que me tinha desorientado nas compras. E fruta. E pão. E tudo. E tudo muito. Mas não. Há ainda, para aí, alguns restos mas não muitos e é daquelas coisas: pensei que ia sobrar muito mais; mas o que aquelas almas devoram é impressionante. Digo isto deliciada porque se há coisa de que os caranguejos gostem é de alimentar os outros. A questão está na dúvida sobre as quantidades a trazer para a próxima pois cada vez comem mais. Estou no supermercado, o carrinho a transbordar e eu a pensar que é um exagero, que estou sem tino. Afinal, vendo agora o que sobrou, penso que devia apontar as quantidades e, a cada semana que passa, multiplicar por um factor que assegure que a quantidade é sempre crescente. Os pimentinhas estão grandes, fazem muito exercício, comem de gosto. Na verdade, estou até a pensar que terei que comprar tacharia XXXL quando forem adolescentes.

Fotografia feita por um dos pimentinhas rapazes ao chão da sala onde estavam a brincar depois de almoço, quando estava calor demais para estarem lá fora
(a carpete é um tapete de arraiolos feito por mim à mão livre, sem desenho, bordando a la volonté)


No outro dia, num restaurante, vi uma menina que teria uns quatro ou cinco anos e a quem os pais tinham que insistir para comer, chegando a mãe a dar-lhe a comida à boca.

Com os meus, um número destes é impensável. São uns lorpazinhos. Para já, quando estão a ser servidos ou a servirem-se, querem tudo e querem mais. Depois começam a comer e, geralmente, é até estar o prato limpo. Ou, se chegam a um ponto em que dizem que não querem mais, toda a gente sabe que é porque estão a deitar por fora e nem vale a pena insistir. Se não querem é porque não querem. Até o bebé, que já começou a comer sopa e papa, vai pelo mesmo caminho. Come de gosto. Come e mama. No meio do maior reboliço, ali está ele a mamar como se estivesse no maior sossego.

E falo dos pimentinhas mas os seus progenitores são também, e felizmente, uns bons garfos. E, portanto, é de gosto que vejo que a comida que eu achei que ia dar para comer e vender, quase desaparece.
Agora ao fim do dia, e para aí no 2º ou 3º lanche, antes de saírem, e dado que foram daqui para um outro programa que incluía jantar, não comeram o que sobrou do almoço mas, sim, iogurtes, sandes, fruta. Excepto a minha filha que temeu que o jantar dela se atrasasse e preveniu-se também com um pouco da salada de frango que sobrou do almoço (frango do campo cozido em água com uma cebola, depois desfiado, cuscus feito no caldo do frango, beterrada cozida e maçã crua cortadas aos quadradinhos, pevides de abóbora, queijo feta cortado também aos quadradinhos, tudo envolvido com azeite). E excepto também a bela princesa de olhos claros como água de cor incerta que disse que queria peixe cozido. E batata e ovo cozido. E, quando eu estava a servir, disse: 'Podes pôr mais peixe, Tá'. Dá gosto ver o gosto dele por este pitéu. Também resto do almoço. (Cozi uma corvina grande. Depois desfiei grosseiramente e coloquei num tabuleiro. Por cima, coloquei metades de ovos cozidos. À parte tinha cozido batata normal, batata doce, feijão verde e os ditos ovos. Noutro tabuleiro dispus cada variedade em separado. Reguei ambos os tabuleiros com azeite. Mas quem quis, usou também maionese ou ketchup. Servi tudo frio, ou melhor, à temperatura ambiente). 
Guardanapos da papel que serviram para o meu filho e a sua filha irem limpando os pincéis enquanto pintavam, cada um a sua tela

Mas adiante. Dizia eu que, quanto a questões de identidade ou fisofices em torno de quem sou ou deixo de ser, isso terá que ficar para um dia em que eu esteja mais dada a profundidades. Agora estou mais na base da ligeireza. A linha de raciocínio está cá mas está na fundura, acho que não consigo alcançá-la. Portanto rendo-me ao que alcanço (culinária, afectos, coisas assim)

Mas, para que não sintam que estar aqui é tempo completamente perdido, deixo-vos com um interessante vídeo onde poderão algum desenvolvimento sobre o tema que eu não consegui nem aflorar.

Entretanto, transcrevo:
A BBC lançou uma série de vídeos de animação que explicam de uma maneira simples e divertida os principais conceitos de grandes pensadores. As animações, que possuem em média um minuto e meio de duração, foram escritas pelo filósofo britânico Nigel Warburton, e são narrados por grandes nomes do meio artístico, como Stephen Fry, Gillian Anderson, Aidan Turner e Harry Shearer. Os vídeos foram reunidos em uma série intitulada “A History of Ideas”, “Uma História das Ideias” em português, e disponibilizados no canal do Youtube da emissora.

Know thyself


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Até já.

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